sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Da noite que mudou a semana às 143 páginas de acusação: o que diz o Ministério Público sobre as agressões na Academia (e onde entra Bruno de Carvalho)

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Desporto

Por Bruno Roseiro, Editor de Desporto
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O dia estava a convidar a tudo menos sair de casa. Pelo frio, pelo dilúvio. No limite, até pela própria programação da TV. O dérbi de Manchester entre City e United entrava no período de descontos, o jogo do Benfica em Tondela estava no intervalo, os jogadores do Boca Juniors e do River Plate já se encontravam no aquecimento, as equipas de AC Milan e Juventus tinham chegado a San Siro, os autocarros de Sporting e Desp. Chaves iam a caminho de Alvalade. Ia ser mais um domingo de barrigada de futebol quando, por volta das 18h15, saiu a notícia de que Bruno de Carvalho, antigo presidente dos leões, e Mustafá (Nuno Mendes), líder da Juventude Leonina, tinham sido detidos no âmbito do caso da invasão à Academia. E uma semana com tanto para contar pareceu resumir-se ao último desenvolvimento de um dos episódios mais negros da história do Sporting e do futebol português, entre horas e horas de diretos, emissões especiais e espaços de debates.
Um mês antes, o presidente destituído dos leões tinha ido ao DIAP (após uma incursão por engano ou falta de conhecimento ao DCIAP) para ser ouvido depois dos rumores que apontavam para a existência de um alegado mandado de detençãoApós quatro dias detido no posto da GNR de Alcochete, Bruno de Carvalho saiu em liberdade com a obrigatoriedade de apresentações diárias e uma caução de 70 mil euros. O que se passou nesse período entre domingo à noite e quinta-feira de manhã? Tentou perceber-se o porquê da detenção; fez-se contas ao impacto que a decisão poderia ter no caso das rescisões ainda por resolver; soube-se que o Ministério Público via como fundamental a audição de Jorge Jesus, para esclarecer quem tinha marcado o treino para 15 de maio às 17 horas; dissecaram-se as razões para o pedido de especial complexidade do caso; conheceram-se novos dados através de um antigo vice do clube, Vítor Ferreira; justificou-se o timing da detenção com suspeitas de outro crime não ligado de forma direta à Academia; e foram tornados públicos os testemunhos que “incriminavam” o ex-líder leonino. O que se passou depois desse período? Concluiu-se que os elementos reunidos pela investigação são “poucos e fracos” e que o Ministério Público não pediu prolongamento do prazo a tempo e teve de precipitar a detenção sem ter ainda todas as provas; e foram conhecidas as 143 páginas da acusação, que imputam ao antigo presidente do Sporting um total de 98 crimes.
Em seis meses, quase tudo mudou na vida de Bruno de Carvalho, o mesmo que sonhava desde os seis anos chegar à presidência do Sporting: tornou-se o primeiro líder do clube destituído em Assembleia Geral pelos sócios, viu a sua condição de associado suspensa por um ano, divorciou-se, ganhou um hobbie na sua nova vida social, foi detido, saiu em liberdade. “Estou a sair do pior momento da minha vida e a única coisa que quero é abraçar a minha filha. Só quem passa por esta situação percebe o quão diferente é um ser humano quando é privado de coisas tão simples. É um Bruno diferente que sai daqui, não sei se melhor, se pior, quer a nível pessoal quer a nível profissional”, comentou quando chegou a casa esta quinta-feira. Este é um processo que está longe de chegar ao fim mas que conseguiu levantar mais interrogações do que certezas a vários níveis até fora da esfera desportiva e que acabou por “abafar” tudo o resto que se passou numa semana de paragem do Campeonato.
O Observador revelou o estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia sobre as finanças dos clubes portugueses com base nos relatórios e contas anuais à luz de quatro variáveis que caracterizam a estratégia financeira e desportiva de FC Porto, Benfica e Sporting: 1) rácio de endividamento; 2) pressão da folha salarial; 3) dependência da venda de jogadores; 4) relação entre o valor e o custo do plantel. Num outro âmbito, teve início a fase de instrução do processo e-toupeira, onde também a SAD do Benfica é arguida, com as audições de Paulo Gonçalves, antigo assessor jurídico dos encarnados, e Júlio Loureiro, escrivão e antigo observador de árbitros. No Sporting, Marcel Keizer já começou a trabalhar na Academia numa semana marcada pelo lançamento de um empréstimo obrigacionista de 30 milhões com taxa de 5,25%.
Na segunda notícia mais partilhada da semana, a Seleção Nacional de futsal para atletas com síndrome Down sagrou-se esta quinta-feira campeã europeia em Terni, após vencer a anfitriã Itália por 4-0 na final. Só houve mesmo um texto que bateu esse (por sinal, o quinto mais partilhado de Desporto do ano até ao momento) – o triunfo que Portugal já conseguira alcançar antes na mesma prova também diante da formação transalpina, então por 5-3.
O que se segue? Pontos altos de várias competições em várias modalidades.
– no futebol, a Liga das Nações terá as duas últimas jornadas para apurar as quatro seleções que irão discutir o troféu da primeira edição da prova, com Portugal a necessitar de um empate na deslocação a Milão para defrontar a Itália (sábado, 19h45) ou uma vitória na receção à Polónia (terça-feira, 19h45); ainda no futebol, os Sub-21 jogam o playoff de apuramento para o Europeu com a Polónia (com o primeiro jogo já esta sexta-feira às 17h e a segunda mão em Chaves na terça-feira, às 17h);
– no futsal, Benfica e Sporting terão um dérbi escaldante num Pavilhão João Rocha com lotação esgotada para decidir quem será o representante nacional na Final Four da Liga dos Campeões (domingo, 19h);
– no ténis, Londres acolhe o encontro decisivo do ATP Finals, podendo haver um novo cruzamento de gigantes entre Novak Djokovic e Roger Federer, que procura a sua 100.ª vitória em torneios (domingo, 18h);
– no Moto 2, Miguel Oliveira vai tentar fechar a última temporada neste escalão antes de chegar ao Moto GP – e já está a ser elogiado por Valentino Rossi – com uma vitória no Grande Prémio de Valência (domingo, 11h20);
– no râguebi haverá mais jogos teste sempre interessantes como o Inglaterra-Japão, o Escócia-África do Sul ou o Rep. Irlanda-Nova Zelândia (todos no sábado à tarde).

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Estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia analisou finanças de FC Porto, Benfica e Sporting para comparar estabilidade das sociedades e traçar estratégias financeiras e desportivas.

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