terça-feira, 26 de março de 2019

Nos dias 30 e 31 de março, no concelho de Cantanhede | Teatro em Cadima, Vila Nova de Outil, Zambujal e Franciscas



O Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede tem este fim de semana a sua penúltima jornada, com espetáculos em Cadima, Vila Nova de Outil, Zambujal e Franciscas. O programa de dinamização da atividade teatral promovido pela autarquia cantanhedense com a participação de 17 grupos cénicos afirmou-se mais uma vez como uma iniciativa de assinalável impacto cultural nas comunidades locais, com reflexos muito positivos ao nível do intercâmbio comunitário.
É isso que se espera de novo no sábado, 30 de março, às 21h30, com a atuação do Grupo de Teatro Musical da Filarmónica de Covões no salão da Junta de Freguesia de Cadima, tendo como anfitriã a União Recreativa de Cadima. Depois de ter estreado em casa “Brilhantina – O Musical”, a jovem companhia teatral de Covões volta a apresentar, desta vez ao público de Cadima, a adaptação de “Grease” que fez furor em 1978 com a versão cinematográfica protagonizada por John Travolta e Olívia Newton-John. No espetáculo concebido por Jim Jacobs e Warren Casey a ação decorre no verão de 1958, quando Danny Zuko e Sandy Dumbrowski se apaixonam na praia. Terminada a época balnear, Sandy, cuja família está a pensar regressar à sua Austrália natal, teme pela separação definitiva do seu amor. Porém, uma alteração dos planos familiares faz com que Sandy e Danny se reencontrem na mesma escola. A partir daí o espetáculo desenrola-se ao ritmo de uma banda sonora recheada de êxitos, mostrando o dia-a-dia dos adolescentes numa comunidade escolar dos Estados Unidos, nos anos 1950. Abordando os problemas próprios dos jovens, os seus amores e os desencontros, a sexualidade e a gravidez na adolescência, o alcoolismo e o tabagismo, entre outros, a peça faz prevalecer uma mensagem da amizade e companheirismo na juventude.
Também no sábado, o Grupo de Teatro “Renascer” da Sanguinheira cumpre a sua jornada de itinerância para apresentar, na sede do Clube União Vilanovense, às 21h30, uma adaptação de “Aqui há Fantasma”, de Henrique Santana. A ação decorre numa casa senhorial abandonada após o assassinato de um criado. O professor Hermes procura testar o produto de uma investigação de muitos anos: a pílula da coragem. Para isso desafia um jovem medroso a passar a noite na velha mansão, assombrada sim mas pelo criado do investigador. O pior é que… vai ser um serão de morrer de rir pelos equívocos gerados por tal artifício.
Ainda no sábado, igualmente às 21h30, a Associação Juvenil do Zambujal e Fornos acolherá o Grupo de Teatro do Pedra Rija, de Portunhos, que leva ao palco do salão da Associação Cultural e Recreativa do Zambujal Médico à Força. Trata-se de um clássico de Molière que conta a história de um simples lenhador, Sganarelo, que é levado pelas circunstâncias a exercer a medicina. É verdade que ele já tinha sido em tempos criado de um médico e que dessa convivência tinha resultado a aprendizagem de um conjunto de práticas e de uns quantos termos apanhados de ouvido, alguns em latim macarrónico, conhecimentos que iam servindo para exercer um certo tipo de medicina, para pasmo dos pacientes e familiares. Uma sátira sobre os médicos de outros tempos que também ridiculariza os pais que tantos entraves colocavam às inclinações amorosas de suas filhas.
Finalmente, no domingo, é a vez de O Cénico dos Esticadinhos de Cantanhede visitar a Associação do Grupo Musical das Franciscas para apresentar na sede desta coletividade, às 15h30, uma adaptação de “O Sentido da Vida”, comédia de Emílio Boechat que procura respostas a algumas interrogações e inquietações de toda a gente sobre o sentido da vida. Uma peça espirituosa e divertida, pontuada de algum nonsense, em que a única certeza relativamente à vida é mesmo a morte…

Sobre o Grupo de Teatro Musical da Filarmónica de Covões
A memória coletiva, sobretudo de transmissão oral, sustenta que a 13 de junho de 1868, “um grupo de homens liderado por Manoel Francisco Miraldo formou pela primeira vez a Banda de Covões para tocar na festa de Santo António, padroeiro da localidade.”
Pessoa distinta, bem formada e com ligações a um movimento político e a personalidades bem colocadas, Francisco Manoel Miraldo terá liderado a fundação da filarmónica mais vetusta do concelho de Cantanhede, recrutando para o efeito instrumentistas entre os rapazes de Covões e das localidades mais próximas, “jovens com a pele queimada do sol e as mãos calejadas do trabalho agrícola que se juntavam, em ambiente de convívio, para aprender música, tomar contacto com os instrumentos e treinar movimentos de marcha”.
No âmbito do trabalho desenvolvido na disciplina de canto da sua escola de música, formou-se em 2016 o Grupo de Teatro Musical de Covões, que conta já com diversas apresentações nos concelhos de Cantanhede e de Mira.
Sobre o Grupo de Teatro Renascer da Sanguinheira
O Grupo de Teatro Renascer é uma secção do Centro Social de Recreio e Cultura da Sanguinheira (C.S.R.C.S.), a associação com atividade cultural (organizada) mais antiga da Freguesia da Sanguinheira, estreando-se ao público pela primeira vez em 26 de março de 1981.
O Grupo surgiu da vontade de um conjunto de jovens representar. Iniciou a sua atividade nessa altura para não mais cessar e levar continuamente a palco, todos os anos, peças de autores consagrados, como também algumas escritas por elementos ligados ao grupo, tanto da Sanguinheira como de outras localidades.
Para além das peças de teatro, que tem apresentado publicamente durante os largos anos de existência, os elementos do grupo também participaram em várias edições da Feira Medieval de Coimbra, como figurantes, e entre os seus associados encontramos os fundadores da primeira associação da Freguesia da Sanguinheira (C.S.R.C.S.).


Sobre o Teatro da Associação Cultural Desportiva e Recreativa “Pedra Rija de Portunhos”
O teatro em Portunhos terá tido alguma expressão há cerca de seis décadas, sendo dinamizado pelo pároco local, Padre Ramiro Moreira. As atividades tinham lugar num espaço cedido por D. Antónia Moreira, sobrinha e herdeira do Conselheiro Ferreira Freire.
Entretanto, com a constituição da Fundação Ferreira Freire e, mais tarde, a construção do novo salão pela Fundação Ferreira Freire, a Associação Cultural Desportiva e Recreativa “Pedra Rija de Portunhos”, fundada em 1978, passou a realizar algumas atividades nesse local, apresentando a partir de 1983 uma ação teatral mais consistente que levou a cena o drama, em três atos, “Justiça ou vingança” de Gabriel da Frada, as peças “A flor de aldeia” (opereta), “O doente imaginário” (Moliére), “Almas do outro mundo” (comédia em dois atos), “O mar” (Miguel Torga), “Na boca do lobo” (comédia), para além de outras pequenas peças.
Com o advento dos Ciclos de Teatro de Cantanhede, foi reiniciada a atividade em 2004, sendo preparada a peça “De um caso…virá um dia, virá…”, a partir dos textos “O meu caso”, de José Régio, e “Virá um dia, virá…” de António Cabral, dando-se a estreia no início de 2005. Seguiram-se as peças “Na Barca de Mestre Gil” (Gil Vicente) de Jaime Gralheiro, “O Doido e a Morte” de Raul Brandão, “Temos tempo Matilde” de António Cabral e “A Revolta da Maria da Fonte” de Dino de Sousa, que foi apresentada em 2008. Em 2009 foi apresentada a peça “Leandro Rei da Helíria”, de Alice Vieira. Em 2010 o espetáculo “História com Reis, Curandeiros e outros que tais” foi construído a partir das peças “História com reis…” de Manuel António Pina e “Auto do Curandeiro” de António Aleixo e em 2011 “Ai, os preços!...” foi uma adaptação da obra “Os preços” de Jaime Salazar Sampaio. Em 2012 surgiu a peça “Onde me levam as minhas botas?” como adaptação da peça “Salta para o saco” de António Torrado, e em 2013 foi apresentado “O Feiticeiro de Oz”. Finalmente em 2014, no âmbito das comemorações do trigésimo aniversário da Associação foi reposto o espetáculo “Onde me levam as minhas botas?”.
No ano 2018, o Grupo de Teatro do Pedra Rija regressou novamente ao XX Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede com a peça Viagem à Flor de Aldeia, (adaptação de Isa Carvalho e Inês Laranjeira de Flor de Aldeia de Henrique Luso, 1927).

Sobre o Grupo de Teatro do Rancho Regional “Os Esticadinhos” de Cantanhede
O Rancho Regional “Os Esticadinhos” de Cantanhede, fundado em 1935, conhecido e reconhecido pelos seus pares, mesmo além-fronteiras, de modo a construir mais uma fonte onde as suas gentes pudessem beber cultura, formou em 1985 o grupo de teatro “Os Esticadinhos”. Para a sua génese em muito contribuíram Carlos Garcia, que fazia parte da direção desta coletividade desde então, e António Francisco, conhecido por todos como “Chico Carteiro”, o qual durante anos coordenou as peças de teatro (“Culpa e perdão”; “Malditas letras”; “Deus, ciência e caridade”; “Marido da minha mulher”; “Código penal”; “como se vingam as mulheres”; “Erro judicial”; “Meu marido que Deus o haja”; “Justiça ou vingança”; “Criado distraído”; “A órfã”; “Que mulheres”; “Casa de Pais”; “Cavalheiro respeitável”; “Duas causas”; “Marido de duas mulheres”; “Filho pródigo”; “Tire daí a menina”; “Filho sozinho”; “Flor da Aldeia”; “Crime de uma mulher honesta”; “Namoro engraçado”; “Rainha Santa” e “Processo de Jesus”). A peça “Processo de Jesus” foi relevante, tendo alcançado um êxito a nível de teatro amador no concelho. Participaram quatro dezenas de personagens, elementos do grupo, bem como atores dos grupos de teatro das Franciscas, Murtede, Sanguinheira e Vila Nova de Outil. Esta peça foi a palco em todas as localidades referidas e várias vezes na cidade de Cantanhede, chegando a ser apresentada na cidade de Viseu no ano de 2000.
Em 2003 foi levada a palco a peça “Inês de Castro” encenada por Dulce Sancho.
Em 2004, passou a coordenar o grupo de teatro Carlos Pacheco, o qual encenou e levou a palco as peças “Terra Prometida”, “Está lá fora o Sr. Inspetor”, “Tá tudo Maluco”, “Hotel 69”, “Inês de Castro e Rainha Santa” e “A Sr.ª Presidenta”. Todas as peças referidas são originais escritas pelo próprio Carlos Pacheco e apresentadas no Ciclo de Teatro promovido pelo Município entre os anos de 2004 a 2011.
Por ser uma vontade da Direção do Rancho Regional “Os Esticadinhos” e umas valências de grande importância para dar de beber cultura e lazer, em 2016 foi ativado o Grupo de Teatro “Esticadinhos”, do qual é responsável Fernando Geria, tendo reunido um grupo de voluntários maioritariamente “esticadinhos”, movidos pelo “bichinho do Teatro”.

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