terça-feira, 16 de maio de 2017

Eu, Psicóloga: Quando a boca cala o corpo paga a conta.

Normalmente, quando sentimos alguma dor, seja ela qual for, a última coisa em que pensamos é que ela possa ser uma mensagem direta no nosso organismo (tido como um Todo, mente e corpo, corpo e mente, numa permanente interação  que hoje é mais do que sabida e comprovada, de fato, existir). Ou se preferirem, um aviso do nosso corpo alertando-nos que em alguma área da nossa vida algo deveria melhorar.

Da cabeça aos pés, a ligação entre a mente e o corpo tem sido bastante estudada, comprovando-se sistematicamente que cada parte do nosso corpo tem uma linguagem a ser entendida. O nosso campo emocional está na base de mais de 90% das alterações ou acidentes ocorridos no nosso corpo e toda a matéria de que somos feitos (pensamentos e sentimentos, também têm “massa”, sabiam?!) está intimamente ligada à transmissão de sinais bioquímicos e electromagnéticos cuja informação é feita chegar ao cérebro que por sua vez, sob a forma de sinapses e outros circuitos, desencadeia reações  através de hormonais, impulsos nervosos, processos químicos do sistema endócrino e outros sinais para músculos, tecidos e glândulas, que estão contidas em cada gota do nosso sangue que circula em cada parte do nosso corpo. 


Existem situações na vida com as quais vivemos, ou aprendemos a viver. Porém não deixam de ser situações que nos incomodam, que (no fundo, bem lá no “fundo”) não resolvemos. A convivência com tais situações, mais tarde ou mais cedo, vai alterando o estado emocional e fisiológico de uma pessoa e essas alterações vão, pouco a pouco, reflectindo-se no nosso estado psicológico, apresentando sintomas de variada ordem (stress, cansaço, fadiga, depressão, pânico, entre muitas mais).

Uma das formas de manifestação desses desequilíbrios é a somatização , que quer dizer o processo de “passar” para o corpo os desajustes psicológicos, sob a mais variada forma , seja pela dor e outras desordens orgânicas. Em outras palavras Somatizar significa transformar uma dor emocional em outra física . Como diz o ditado : " quando a boca cala, o corpo paga".

É fundamental aprendermos a conhecer melhor o nosso corpo, tendo a capacidade de o sentir (que é como quem diz, de “nos sentirmos”), integralmente, por dentro e por fora. É preciso estarmos atentos às alterações que o corpo nos apresenta, pois, melhor do que ninguém (sim até mesmo mais do que a nossa “mente”), sabe e diz-nos exatamente onde é que estamos a falhar e no que é que deveríamos mudar. Quando o corpo fala precisamos parar e nos analisarmos.

Isso não significa que toda doença seja de fundo emocional. Mas com certeza toda emoção não tratada, que é silenciada, seja pelo medo, pela dificuldade em se  expressar ou por qualquer outro motivo em algum momento irá se manifestar, e uma das formas disso acontecer é através da doença , do stress, dentre outras formas. Por isso, preste  atenção naquele resfriado recorrente ou naquela dor de coluna que nunca passa. Você pode estar levando o "mundo" nas costas e não está percebendo. Outra forma de perceber como o nosso corpo sinaliza que as nossas emoções não estão bem: doenças que os médicos não descobrem a causa, ou não existe nenhuma causa ou indício físico, fique atento!  Algo emocional não está indo bem na sua vida. 

Por isso, chega de arranjar desculpas ou pretextos para ficar à espera daquilo que somente você poderá fazer por si. Desde praticar alguma atividade física, a fazer exercícios, passando por aliviar a mente e tornar os pensamentos mais ativos e construtivos, coloque em prática as suas decisões. E principalmente, procure um psicólogo para te ajudar a lidar com as suas emoções. O mundo espera por si. E está cheio de possibilidades. E o seu corpo não precisa pagar uma conta tão alta.

Debora Oliveira

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