sexta-feira, 29 de julho de 2016

FMI ADMITE QUE ERROU NA AVALIAÇÃO DA CRISE EM PORTUGAL


 


World Economic Forum / Flickr
A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde
A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde
O organismo de avaliação independente do FMI considera que o Fundo “não anteviu a magnitude dos riscos” que Portugal, Grécia e Irlanda enfrentaram durante a crise, concluindo que o programa português e o grego “incorporaram projeções de crescimento demasiado otimistas”.
No documento divulgado esta quinta-feira, o Independent Evaluation Office (IEO) do Fundo Monetário Internacional (FMI), um organismo interno da instituição liderada por Christine Lagarde, olha para o trabalho do Fundo nos programas de resgate em Portugal, na Grécia e na Irlanda durante a crise financeira internacional e faz uma avaliação quanto a cinco aspetos centrais: a fiscalização, a tomada de decisão, o trabalho com os parceiros europeus, o desenho e a implementação dos programas e o cumprimento das normas e transparência.
“A fiscalização do FMI anterior à crise identificou essencialmente os problemas certos, mas não anteviu a magnitude dos riscos que mais tarde se tornariam fundamentais”, lê-se no relatório ontem publicado.
Sublinhando que a fiscalização da arquitetura da regulação financeira da zona euro “foi no geral de elevada qualidade”, o IEO afirma que os técnicos do FMI “não viram o crescimento dos riscos do sistema bancário em alguns países” e “partilharam a perspetiva amplamente difundida de que ‘a Europa é diferente’”.
De acordo com o IEO, esta perspetiva encorajou a visão de que “os grandes desequilíbrios das contas nacionais não eram grande motivo de preocupação e que não podiam acontecer bloqueios repentinos na zona euro”.
No que se refere à tomada de decisão, o IEO considerou que o Conselho de Administração do FMI aprovou um financiamento excepcional para a Grécia “sem procurar antecipadamente uma reestruturação da dívida”, ainda que a dívida soberana grega fosse considerada insustentável “com elevada probabilidade”.
Já quanto à parceria com as instituições europeias envolvidas nos resgates destes três países (a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu), a equipa liderada por Shinji Takagi afirma que “o FMI, tendo considerado que a possibilidade de emprestar a um membro da zona euro era improvável, nunca articulou tão bem como devia o desenho do programa com um país do euro, incluindo as condicionalidades quanto às políticas sob controlo das instituições regionais”.
Assim, este organismo independente entende que a troika (FMI, Comissão Europeia e BCE) foi “um mecanismo eficiente para conduzir as discussões dos programas com as autoridades nacionais”, mas considera que “O FMI perdeu a sua agilidade característica como gestor de crise”.
“E porque a Comissão Europeia negociou em nome do Eurogrupo, os mecanismos da troika subjugaram potencialmente os julgamentos técnicos do FMI a pressões políticas desde muito cedo”, alerta ainda o documento.

“Um cão a perseguir a própria cauda”

Relativamente ao desenho e à implementação dos programas, esta avaliação independente conclui que “os programas na Grécia e em Portugal incorporaram projeções de crescimento demasiado optimistas” e considera que “projeções mais realistas teriam tornado claro o impacto provável da consolidação orçamental nas dinâmicas do crescimento e da dívida”.
Se isto tivesse acontecido, defende o IEO, as autoridades ter-se-iam preparado em conformidade ou persuadido os parceiros europeus a considerarem um financiamento adicional, “preservando a credibilidade do FMI como uma instituição independente e tecnocrata”.
O IEO conclui que “as lições das crises passadas não foram sempre aplicadas” e diz que um exemplo disso foi “quando o FMI subestimou a resposta provavelmente negativa dos credores privados a programas de alto risco”.
O relatório afirma que o ajustamento colocou um “foco extraordinário” no esforço orçamental. Contudo, conforme cita o jornal i, a dimensão do ajustamento “pode ter sido excessiva nestes países”, onde o impacto orçamental das medidas não foi bem calculado e não se deixou atuar livremente medidas conhecidas como estabilizadores automáticos – medidas contra-cíclicas como o reforço do subsídio de desemprego quando há mais desempregados.
O documento questiona mesmo a opção por um ajustamento orçamental tão pró-cíclico, com demasiadas medidas recessivas que agravaram a situação da economia.
Além disso, os economistas não encontram justificação para que, tanto para a Grécia como para Portugal, as metas para o défice nominal tenham sido revistas ao longo do programa, em função da evolução do PIB, que contraiu mais do que o esperado.
Ao indexar o défice ao PIB, refere o relatório, há uma espécie pescadinha de rabo na boca: como o PIB diminui, o défice em função do PIB aumenta, e são necessárias mais medidas de consolidação, “exacerbando a contração”. “Esta abordagem é auto-destrutiva, tal como é caso de um cão a perseguir a própria cauda“, refere o relatório.
Em contrapartida, no caso da Irlanda, não houve revisões das metas do défice e permitiu-se que os estabilizadores funcionsassem em pleno, “contribuindo para a correcção orçamental e uma recuperação mais cedo”.
A própria composição do ajustamento orçamental, baseado sobretudo em aumentos de impostos e não em cortes de despesa, é alvo de críticas. “Nesta perspectiva, a implementação dos programas foi, em alguns casos, prejudicial ao crescimento e, como corolário, inimiga da sustentabilidade da dívida”.

Minimizar intervenção política

No último ponto – o cumprimento das regras e a transparência – o IEO considera que a forma como a instituição liderada por Christine Lagarde geriu a crise nos países do euro “levantou problemas”, que “ajudaram a criar a perceção de que o FMI tratou a Europa de maneira diferente”.
Na argumentação, a equipa do IEO refere que “foi desafiante” realizar esta avaliação, uma vez que “alguns documentos sobre assuntos sensíveis foram preparados fora dos canais regulares e estabelecidos”, tendo sido detetada uma “falta de clareza”.
O IEO lista cinco recomendações ao FMI para que corrija ou melhore o seu desempenho, sendo a primeira que o Conselho de Administração desenvolva “procedimentos para minimizar a margem para a intervenção política na análise técnica do FMI”.
Além disso, o IEO considera que o Fundo deve “reforçar os processos existentes para garantir que as políticas acordadas são seguidas e que não são alteradas sem uma deliberação cautelosa” e que deve “clarificar as orientações para os programas a aplicar a membros de uniões monetárias”.
Por último, é também recomendado que o FMI estabeleça “uma política de cooperação com os mecanismos de financiamento regionais” e que “reafirme o seu compromisso com o cumprimento das regras e transparência e com o papel de avaliador independente que promova boa governança”.
ZAP / Lusa
Comentário: o que vos valeu tanta arrogância, posso e mandamos? São vocês que esmagam a dignidade dos povos, conduzindo-os à miséria, fome, colocando-os a rastejar como as lagartas.
Ganhem vergonha, peçam perdão pelas injustiças que cometeram, eu exijo isso... custa menos do que aquilo porque passamos sob a vossa ordem.
J. Carlos

SÓCRATES VAI PROCESSAR O ESTADO PORTUGUÊS


 
Mário Cruz / Lusa
Ex-primeiro ministro e ex-líder do PS, José Sócrates
Ex-primeiro ministro e ex-líder do PS, José Sócrates
O ex-primeiro-ministro José Sócrates afirmou esta quinta-feira que vai processar o Estado e considerou inqualificáveis as declarações do diretor do DCIAP que disse que não garante que haja uma decisão sobre a “Operação Marquês” até setembro.
“O que estou aqui a fazer é denunciar o que está a acontecer e o que está a acontecer está à vista de todos. Quanto a haver ou não haver acusação uma coisa digo: processarei o Estado porque o Estado teve um comportamento de abuso inqualificável”, disse José Sócrates quando questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de não ser deduzida a acusação.
O ex-primeiro-ministro convocou uma conferência de imprensa, em Lisboa, após a entrevista do diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Amadeu Guerra à estação de televisão SIC, esta quarta-feira à noite.
Amadeu Guerra fixou, em março passado, a data de 15 de setembro como limite para encerrar a investigação: nesse prazo terá de ser decidido arquivar o processo ou deduzir acusação sobre os arguidos, entre os quais está o antigo primeiro-ministro José Sócrates.
Na entrevista de ontem à SIC, no entanto, o diretor do DCIAP não excluiu a hipótese de prolongar a investigação, e também não afirmou claramente que o processo vai ficar decidido na data prevista.
“A única coisa que eu exijo da Justiça portuguesa e do diretor do DCIAP é que respeite a lei e o Estado de Direito. Ele não tem o direito, com aquela arrogância, de vir dizer na televisão ‘logo se vê’. Como se o Estado se pudesse comportar com um indivíduo da forma que quiser. Ele não tem esse direito”, declarou José Sócrates.
Para o antigo primeiro-ministro, a “Operação Marquês” é um processo político, tendo acusado Amadeu Guerra de não está a respeitar o Estado de Direito.
“Quero recordar ao procurador que dirige o DCIAP que a ação penal neste país deve estar comprometida com o Direito e com a Lei. Este inquérito acabou no dia 19 de outubro do ano de 2015 e terminou sem acusação. O prolongamento deste inquérito sem cobertura legal confirma que este inquérito não pretenden investigar um crime, mas perseguir um alvo político”, acrescentou José Sócrates, que reafirmou que a sua prisão serviu apenas para o impedir de se candidatar à Presidência da República.
Para o ex-governante, trata-se de um processo “infame” e que depois das “acusações” sobre a “Parque Escolar, das Parcerias Público Privadas, do TGV, da Argélia, da Venezuela e de Vale do Lobo” é agora a Portugal Telecom “que interessa” ao processo.
“Afinal parece que tudo se resume à Portugal Telecom. Acontece também que estas novas suspeitas são tão injustas e absurdas quanto as anteriores”, disse Sócrates, que revelou, durante a conferência de imprensa, que se viu “forçado” a pedir a subvenção vitalícia.
“Eu, quando fui detido, fui obrigado a vender a minha casa, desde logo para pagar ao meu amigo, como já expliquei, e que pretendia ter feito antes. Decidi vender a minha casa, pagar ao meu amigo e fiquei ainda com algum dinheiro e, para além, disso vi-me forçado, pelas circunstâncias a que o Estado me colocou, a pedir a subvenção vitalícia, coisa que nunca tinha pedido porque não tinha precisado dela, mas vi-me forçado por estas circunstâncias a fazê-lo”, disse ainda o ex-primeiro-ministro José Sócrates.
/Lusa
Comentário: então como vai ser? Dizem que o Estado somos todos nós e, eu pergunto: o que tenho a ver com essa embrulhada? Entendam-se, são crescidos.
J. Carlos

PASSOS CONVIDOU COSTA PARA SER VICE-PRIMEIRO-MINISTRO


 
portugal.gov.pt
Pedro Passos Coelho e António Costa
Passos Coelho revela que convidou António Costa para assumir o cargo de vice-primeiro-ministro no seu governo, logo após as eleições legislativas de 4 de Outubro que a coligação PSD-CDS ganhou sem maioria.
“Convidei o dr. António Costa para ser vice-primeiro-ministro”, conta o líder do PSD em entrevista à revista Sábado, na viagem de regresso ao continente após ter marcado presença na festa do Chão da Lagoa, na Madeira.
De acordo com a revista, Costa rejeitou o convite “com o argumento de que havia um entendimento entre PSD e CDS e que não faria sentido somar o seu partido à então coligação Portugal à Frente”.
Assim, após a coligação ter conseguido 36,83% dos votos, longe do objectivo da maioria absoluta, Costa encetou a estratégia de formação de um governo socialista com o apoio de Bloco de Esquerda e PCP.
O PS contou 32,38%, o BE teve 10,22% dos votos e a CDU (PCP + PEV) somou 8,27%, o que garantiu à Esquerda a maioria parlamentar.
Passos revelou ainda à Sábado que só admite voltar ao governo por “vontade popular”, ou seja, ganhando as eleições.
ZAP

HILLARY CLINTON ACEITA NOMEAÇÃO HISTÓRICA. “O CÉU É O LIMITE”


 
Andrew Gombert / EPA
Hillary Clinton, a primeira mulher candidata às Presidenciais norte-americanas pelo Partido Democrata
Hillary Clinton, a primeira mulher candidata às Presidenciais norte-americanas pelo Partido Democrata
A ex-secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, aceitou esta quinta-feira a nomeação como candidata presidencial pelo Partido Democrata, tornando-se na primeira mulher candidata a Presidente dos principais partidos na história dos EUA.
“É com humildade, determinação e uma confiança sem limites na promessa da América que eu aceito a vossa nomeação para a Presidência dos Estados Unidos”, declarou a antiga primeira-dama sob aplauso dos participantes convenção nacional do Partido Democrata, em Filadélfia.
Hillary Clinton, de 68 anos e mais de três décadas de vida pública, agradeceu ao antigo rival nas primárias democratas Bernie Sanders e aos seus apoiantes.
“Quero agradecer a Bernie Sanders… E a todos os apoiantes aqui e em todo o país, quero que saibam que eu vos ouvi“, disse Hillary Clinton, no seu discurso de aceitação da nomeação a candidata a Presidente dos EUA.
“A vossa causa é a nossa causa. O nosso país precisa das vossas ideias, da vossa paixão e da vossa energia. Essa é a única forma de consegui-mos transformar a nossa plataforma progressiva numa verdadeira mudança para a América”, afirmou.
O discurso da última noite – focado na geração de empregos e salários mais altos – tem aspectos da linha defendida por Bernie Sanders, que afirma ser injustificável que os norte-americanos tenham tido uma queda no poder de compra e nos salários.
“A tua campanha inspirou milhões de americanos, principalmente os mais jovens. Colocaste os problemas sociais e económicos onde merecem estar”, afirmou a candidata democrata.
A candidata sublinhou a ideia de uma América de oportunidades, focando-se na sua vitória como ummarco para as mulheres. “Vamos continuar até que cada um das mais de 161 milhões de mulheres e meninas tenham a oportunidade que merecem”, defende.
Quando não há tetos, o céu é o limite“, diz a candidata democrata à Presidência.

“Não vamos construir um muro”

Hillary Clinton dirigiu-se também ao candidato republicano à presidência, acusando-o de pintar um quadro negro da sociedade norte-americana e de querer semear a divisão.
“Não vamos construir um muro, mas sim construir uma economia em que cada pessoa que queira um emprego bem pago possa tê-lo”, disse, numa referência direta ao muro que Trump propôs construir na fronteira com o México.
“Donald Trump quer dividir-nos do resto do mundo, e entre nós”, disse a candidata democrata.
“Ele levou o Partido Republicano por um caminho desde o “Bom dia na América” para a meia-noite na América. Ele quer que tenhamos receio do futuro e uns dos outros”, afirmou.
Clinton foi ainda mais dura ao falar sobre questões de segurança e defesa, afirmando que o país “não pode ter um presidente que está no bolso do lobby das armas“, em referência à National Riffle Association (NRA), que apoia oficialmente Trump e que financia campanhas e candidatos que se comprometem a não aprovar quaisquer leis para restringir o uso e porte de armas.

“Feito histórico”

Apoiantes e adversários de Hillary Clinton, incluindo o republicano Donald Trump, reagiram ao discurso da ex-primeira-dama e ex-secretária de Estado.
“Grande discurso. Ela está testada. Ela nunca desiste. É por isso que Hillary Clinton deve ser a nossa próxima Presidente dos Estados Unidos”, escreveu o atual Presidente Barack Obama no Twitter.
Já o candidato republicano às eleições presidenciais de 8 de novembro, Donald Trump, disse que “ninguém tem pior julgamento do que Hillary Clinton – a corrupção e devastação segue-a para onde quer que ela vá”.
Donald Trump continuo o ataque: “O nosso modo de vida está sob ameaça do islão radical e a Hillary Clinton não consegue dizer as palavras“.
O senador Bernie Sanders, seu rival durante as primárias democratas, felicitou Clinton. “Felicito Hillary Clinton por este feito histórico. Somos mais fortes juntos”, publicou no Twitter.
Também o marido e ex-presidente norte-americano Bill Clinton manifestou o seu apoio na rede social: “Mais do que nunca, estou com ela, a nossa próxima Presidente”.
Hillary tem pela frente três meses de campanha, com comícios, debates regionais televisivos e três grandes debates televisivos nacionais com Trump.
Com perfis e ideias políticas antagónicas, ambos, no entanto, estão próximos no que toca à rejeição do eleitorado, com índices de reprovação superiores aos 40%.
ZAP / Lusa / ABr

GOVERNOS ESTÃO A TORTURAR MILHARES DE CRIANÇAS NA LUTA CONTRA EXTREMISTAS


 
hdptcar / Flickr
-
Milhares de crianças foram detidas e algumas torturadas no âmbito de operações contra grupos extremistas como o Boko Haram na Nigéria ou o Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, segundo a organização não-governamental Human Rights Watch.
A organização de defesa dos direitos humanos sublinha, num relatório divulgado esta quinta-feira, que houve um aumento das detenções de crianças em seis países envolvidos em conflitos: Afeganistão, República Democrática do CongoIraqueIsrael e territórios palestinianos, Nigéria e Síria.
“É uma tendência muito preocupante num momento em que os governos procuram responder a conflitos armados e a grupos extremistas armados como o EI e o Boko Haram”, sublinha a ONG.
“Os governos detêm milhares de crianças, sem acusação, frequentemente durante meses ou anos, e submetem-nos a tortura e maus tratos”, acrescenta ainda.
Na Síria, em cinco anos e meio de guerra, pelo menos 1.433 crianças foram detidas, mas apenas 436 foram libertadas, segundo a HRW.
No Iraque, pelo menos 314 crianças, entre as quais 58 raparigas, foram condenadas sob acusações de terrorismo, diz a ONG, que sublinha que é frequente a detenção e tortura de mulheres e criançaspor causa de atos terroristas cometidos pelos homens da família.
Um rapaz de dez anos de idade contou à HRW como em 2012 as forças de segurança iraquianas ameaçaram matá-lo se não revelasse onde os pais tinham escondido armas.
Segundo as estatísticas das Nações Unidas, citadas pela HRW, as crianças detidas no Afeganistão sãotorturadas com mais frequência do que os adultos, por as autoridades pensarem que podem mais facilmente revelar informações.
O Conselho de Segurança da ONU tem agendado para terça-feira um debate sobre as crianças nos conflitos armados.
/Lusa

ICE BUCKET CHALLENGE AJUDOU MESMO OS CIENTISTAS A DESCOBRIR NOVO GENE


 
thegatesnotes / YouTube
-
O desafio, que há dois anos se tornou viral nas redes sociais, permitiu a descoberta de um novo gene relacionado com a doença.
Entre completos anónimos e celebridades, foram muitos os vídeos que se tornaram virais na Internet ao mostrar pessoas a despejar baldes de água gelada sobre as suas próprias cabeças.
A iniciativa, que ficou conhecida por Ice Bucket Challenge, tinha como objetivo arrecadar fundos para instituições de caridade ligadas à esclerose lateral amiotrófica (ELA ou ALS na sigla inglesa).
Dois anos depois, o desafio conseguiu provar que não foi feito em vão, já que as doações permitiram ajudar cientistas a descobrir um novo gene ligado a esta doença degenerativa, escreve a BBC.
A iniciativa chegou a ser criticada por muitos mas, na verdade, arrecadou cerca de 115 milhões de dólares. Foi este dinheiro que permitiu financiar seis projetos de pesquisa.
A investigação desenvolvida pelo MinE, um projeto internacional para analisar o genoma de 15 mil pessoas com doenças do neurónio motor, descobriu o gene NEK1.
Mais de 80 investigadores, distribuídos por 11 países, andaram à procura do gene em várias famílias infetadas. Foi o maior estudo realizado sobre ELA hereditária, agora publicado na revista especializada Nature Genetics.
“A sofisticada análise genética que nos levou a esta descoberta só foi possível graças ao grande número de amostras de ELA disponíveis”, disse Lucie Bruijn, da ALS Association, citada pela emissora britânica.
A identificação do gene NEK1 abre caminho para que os cientistas possam desenvolver uma terapia genética para o tratamento da doença.
Apesar da forma hereditária da ELA afetar apenas 10% dos pacientes com a doença, os investigadores acreditam que a genética contribui com uma percentagem muito maior nos casos.
A ELA, também conhecida como doença de Lou Gehrig, é um mal neuro-degenerativo progressivo e fatal que afeta uma em 400 pessoas.
A doença afeta o cérebro e a coluna, ataca os nervos que controlam os movimentos e impede o funcionamento dos músculos. O cientista Stephen Hawking é uma das pessoas diagnosticadas com a doença.
Segundo os dados da BBC, mais de 17 milhões de pessoas partilharam vídeos do Ice Bucket Challenge no Facebook, tendo sido vistos mais de 440 milhões de vezes em todo o mundo.
O internacional português Cristiano Ronaldo foi uma das várias figuras públicas que deu a cara por esta causa. Pode recordar aqui:
ZAP / BBC

TELESCÓPIO CAPTA PELA PRIMEIRA VEZ UMA ESTRELA QUE DISPARA RAIOS


 
M. Garlick / Universidade de Warwick / ESO
No sistema estelar AR Scorpii, há um sistema binário em que uma estrela anã branca liberta um raio de eletrões que atinge a sua vizinha, uma estrela anã vermelha fria, como se a estivesse a atacar
Usando um supertelescópio em conjunto com outros aparelhos semelhantes na Terra e no espaço, astrónomos descobriram um novo tipo de estrela binária.
No sistema estelar AR Scorpii, uma estrela anã branca liberta um raio de eletrões que atinge a sua vizinha – uma estrela anã vermelha fria -, como se a estivesse a atacar.
Este fenómeno faz com que todo o sistema pulse, iluminando-se e escurecendo a cada 1,97 minutos.
O estudo com esta descoberta foi publicado esta quarta-feira na revista Nature.
O trabalho começou em maio de 2015, quando um grupo de astrónomos amadores de Alemanha, Bélgica e Reino Unido se deparou com um sistema que se comportava como nenhum outro.
Isto fez com que a Universidade de Warwick, em Inglaterra, passasse a observá-lo, usando uma rede de telescópios que revelou a sua verdadeira natureza.
O AR Scorpii fica na constelação de Escorpião, a 380 anos-luz de distância da Terra. A sua estrela anã branca tem o tamanho do nosso planeta, mas uma massa 200 mil vezes superior. A estrela anã vermelha fria tem um terço da massa do Sol. Ambas orbitam uma à outra num ciclo de 3,6 horas.
A estrela anã branca é muito magnética e gira em alta velocidade, o que acelera eletrões até quase atingirem a velocidade da luz e faz com que sejam liberados em explosões que formam um jato.
Quando atingem a estrela anã vermelha fria, todo o sistema pulsa intensamente.
“Este sistema foi descoberto há 40 anos, mas não suspeitávamos que se comportava assim até começarmos a observá-lo em 2015″, diz Tom Marsh, membro do grupo de astrofísica da Universidade de Warwick.
“Percebemos que estávamos a ver algo extraordinário alguns minutos depois de dar início à observação.”
ESO
A constelação de Escorpião está localizada a 380 anos-luz da Terra
A constelação de Escorpião está localizada a 380 anos-luz da Terra

Colaboração

Ao início, quando o fenómeno foi observado pela primeira vez, chegou-se à conclusão de que a luminosidade do sistema variava a cada 3,6 horas, o que fez com que os cientistas divulgassem incorretamente tratar-se de uma única estrela.
Um comportamento assim já tinha sido observado em estrelas de neutrões, que são alguns dos corpos celestes mais densos do Universo, mas nunca numa estrela anã branca.
“Sabemos que as estrelas de neutrões pulsam assim há 50 anos e algumas teorias previam que as estrelas anãs brancas também poderiam comportar-se assim”, afirma Boris Gänsicke, coautor do estudo.
“É fantástico ter encontrado um sistema assim. É um ótimo exemplo de colaboração entre astrónomos amadores e académicos.”
ZAP / BBC