A
convite da Junta de Freguesia de Febres e no âmbito da “Mostra
Gastronómica e Cultural – Pica no Chão”, a ACAF - Associação
Cultural Cândido Ferreira e a Junta de Freguesia de Febres
organizaram, com apoio da Câmara Municipal de Cantanhede, uma
tertúlia e homenagem ao médico Fernando Santos (escritor, Ferro
Santos) na Casa Carlos de Oliveira
A
sessão de homenagem, que decorreu na tarde do passado sábado, 5 de
setembro, iniciou com o descerramento de uma placa alusiva ao
médico/escritor, que ficará patente na Sala dos Escritores daquela
Casa/Museu, seguindo-se uma tertúlia sobre a vida e obra do
homenageado, que reuniu no pátio exterior daquela Casa cerca de seis
dezenas de familiares e amigos.
A
escolha do local do evento não foi ao acaso, uma vez que o
homenageado viveu e manteve ali o seu consultório durante muitos
anos, tal como acontecera, antes dele, com Américo Oliveira, pai do
escritor Carlos de Oliveira.
Ao
intervir na sessão, a presidente da Câmara, Helena Teodósio,
começou por agradecer à ACAF - Associação Cultural Cândido
Ferreira o “serviço
relevante à comunidade”
de reconhecer aqueles que, “pelo
seu percurso e pela influência que deixaram nas pessoas e no
território, se tornaram referências maiores da vida coletiva”.
“O
Dr. Fernando Santos é, sem dúvida, uma dessas referências que
alimenta a ideia de que a memória de homens assim não pertence
apenas ao círculo dos seus familiares, amigos ou contemporâneos,
que a memória de homens assim pertence ao património moral e
cultural e humano do nosso concelho”,
enfatizou.
Na
relação que manteve com o médico e escritor, a autarca disse
reconhecer nele “uma rara
densidade humana, intelectual e cívica”,
pelo que a evocação pública tem “o
alcance de reunir a comunidade num exercício de reconhecimento e de
partilha em torno de um legado humano, cívico e cultural que vale a
pena preservar e transmitir”.
A par disso, continuou, “honra
igualmente o legado do Dr. Cândido Ferreira, seu amigo e admirador
confesso”, o que resultou numa “feliz convergência de memórias,
de afetos e de valores”.
Sobre
a obra do escritor Ferro Santos, Helena Teodósio referiu que tal
como Carlos Oliveira, um dos
mais importantes nomes da literatura portuguesa do século XX, revela
uma “exigência ética e
uma relação intensíssima com esta terra gandaresa”, que soube
“interpretar em toda a sua dimensão humana, sociológica e
territorial”.
“Na
escrita de Ferro Santos encontramos uma ligação funda à Gândara,
às suas gentes, às suas histórias, às suas vozes, mas encontramos
também uma notável consciência do que significa escrever e,
sobretudo, do que significa expor publicamente a escrita”,
destacou.
Já a
presidente da ACAF, Liliana Ferreira, agradeceu o “apoio
incondicional” que o
Município de Cantanhede tem vindo a dar na concretização deste e
outros projetos, elencando alguns ainda a realizar em 2026,
nomeadamente oficinas de escrita, apoio à publicação de um livro e
tertúlias, remetendo depois, para a leitura de um prefácio que
Cândido Ferreira fez ao livro “Histórias da Arca do Velho”, de
Ferro Santos, “como se
ambos estivessem entre nós, a falar-nos”.
O
médico Rui Crisóstomo, que moderou a sessão tertuliana, apresentou
os intervenientes, concedendo depois a palavra a cada um, para
testemunhos sobre Fernando Santos (ou o escritor, Ferro Santos),
nomeadamente António Fresco, que foi o designer/paginador de todos
os seus livros; Cidalino Madaleno, que lhe fez alguns dos prefácios
e apresentações da sua obra; Ana Carvalho, que conviveu
“familiarmente” com o homenageado desde os 3 anos de idade;
António Canteiro, que mostrou sumariamente todos livros de poesia e
conto, lendo por fim um poema da autoria de Ferro Santos; Teresa
Paixão, que testemunhou e agradeceu a passagem do escritor
homenageado, por diversas atividades organizadas pela Biblioteca
Municipal, tendo pertencido ao seu Clube de Leitura; Fernando Simão,
advogado, que relatou alguns episódios de convivialidade havidos
entre ele e o homenageado; e Fernando Almeida, que testemunhou a
relação de amizade entre ambos, salientando as atividades que ambos
realizaram juntos, entre elas, teatro local.
Também
presente na sessão, o presidente da Secção Regional da Ordem dos
Médicos, Manuel Teixeira Veríssimo, relevou a importância do
homenageado, numa fase dirigente anterior à sua, enquanto membro
daquela Ordem, dissertando depois sobre outros médicos que se
dedicaram à arte em geral, e da escrita, em particular,
cumulativamente com o exercício desta profissão, o contacto diário
com as pessoas em situação de sofrimento, salientando que “não
é casual esta aproximação, da arte com o exercício médico, sendo
talvez uma espécie de catarse necessária ao seu quotidiano”.
Também
o presidente da Junta de Freguesia de Febres, Carlos Lote, proferiu
algumas palavras de agradecimento às entidades e pessoas presentes,
relevando a figura do homenageado, no seu trabalho médico e
literário a favor da população de Febres.
Por
último, Nuno Santos,
filho do homenageado, agradeceu em seu nome, do irmão, e restantes
familiares, o evento de homenagem, que se revelou em alguns momentos
mais emotivo, mas simultaneamente gratificante, por rever a agora
Casa Carlos Oliveira e as tantas memórias aqui passadas.
A
abrir e a encerrar a tertúlia, Manuel Ribeiro, interpretou, em
guitarra portuguesa, obras instrumentais de músicos do fado de
Coimbra, cidade onde o homenageado cursou Medicina.
No
final, a ACAF distribuiu algumas lembranças alusivas à obra
literária do homenageado, e a Junta de Freguesia de Febres ofereceu
duas medalhas da freguesia aos filhos do homenageado.












