quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Cantanhede | Encaminhados para valorização 6.920 kg produzidos nos 11 dias do evento. Quase 7 toneladas de biorresíduos recolhidos na área de restauração da Expofacic

 
As ações de sensibilização e formação realizadas pela INOVA-EM junto dos operadores das tasquinhas e outros espaços gastronómicos da Expofacic produziram efeito. Ao longo dos 11 dias do evento, foram recolhidos e encaminhados para valorização 6.920 kg de biorresíduos.
Para o efeito, os resíduos orgânicos produzidos pelas associações, juntas e restaurantes ao longo dos dias, foram separados, evitando-se que, desta forma, fossem tratados juntamente com os resíduos indiferenciados.
No total, foram quase 7 toneladas de biorresíduos que tiveram um destino adequado, contribuindo para a redução da quantidade de resíduos indiferenciados produzidos durante o evento e para o aproveitamento dos biorresíduos enquanto recurso.
Para Pedro Cardoso, presidente do Conselho de Administração da INOVA-EM, os resultados alcançados reforçam a importância de continuar a apostar na recolha seletiva de biorresíduos.
“Os resultados alcançados na Expofacic demonstram a eficácia destas iniciativas e a importância de reforçar a recolha seletiva de biorresíduos em eventos de grande dimensão. Temos a obrigação de diminuir ao máximo a pegada ambiental associada a 11 dias de multidões, festa e energia. A recolha de quase 7 toneladas de biorresíduos, para além do impacto positivo em termos ambientais, demonstra que a separação na origem é possível e tem resultados concretos”, referiu.
Ainda de acordo com o responsável, “este é um trabalho que depende do compromisso de todos e os grandes eventos constituem também uma oportunidade para reforçar a mensagem junto da população do quanto a reciclagem e a recolha de bioressíduos são essenciais para a sustentabilidade ambiental, para uma economia mais circular e promovem a economia verde”.
“Aproveitamos sempre estes acontecimentos para relembrar que o mais importante continua a ser o dia a dia, em cada casa, já que em média cerca de 40% do nosso caixote do lixo são biorresíduos. É esse, afinal, o grande objetivo das nossas campanhas de sensibilização em Cantanhede: que cada família crie uma rotina de correta separação dos biorresíduos e recicle cada vez mais”, concluiu.

Posição da FNAEESP sobre a criação da Universidade de Bragança

 
A Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP), vem por este meio demonstrar o seu descontentamento com o recente anúncio do Primeiro-Ministro sobre a criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior sem qualquer auscultação do setor do ensino superior.
No passado dia 30 de agosto de 2026, foi anunciado pelo Primeiro-Ministro, Dr. Luís Montenegro, que a Universidade Politécnica de Bragança se iria transformar na Universidade de Bragança do Norte e do Interior
A FNAEESP considera esta forma de decidir sobre o futuro do ensino superior português profundamente lesiva do princípio da participação institucional. O anúncio foi feito sem que o setor do ensino superior tivesse sido ouvido, consultado ou sequer informado com antecedência sobre uma decisão desta natureza.
Até ao momento, não é conhecido qualquer parecer do Conselho Coordenador do Ensino Superior (CCES), do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e das estruturas representativas dos estudantes sobre esta transformação, o que constitui uma grave omissão num processo que deveria ser participado e tecnicamente fundamentado.
Adicionalmente a isto, continuam por esclarecer os critérios objetivos desta transformação.
Importa, por isso, realçar que o sinal dado pelo Governo ao país foi o de que o Instituto Politécnico de Bragança se tornaria Universidade Politécnica de Bragança para, cerca de quinze dias depois, anunciar que essa mesma instituição passaria, afinal, a universidade clássica. Este avanço em tão curto espaço de tempo não é apenas revelador de uma ausência de estratégia de médio e longo prazo para o sistema de ensino superior português. É, também, um sinal de profunda incerteza lançado sobre as expectativas das famílias, dos estudantes e da própria sociedade da região, que veem a instituição mudar de identidade quase de um dia para o outro, sem que se compreenda qual o rumo que, de facto, está a ser seguido.
A Federação sublinha, uma vez mais, a necessidade urgente de revisão do modelo de financiamento do ensino superior, em particular das atuais Universidades Politécnicas, de forma a garantir que estas instituições não sejam levadas a alterar a sua missão e identidade institucional apenas em função de eventuais benefícios de financiamento estatal associados a uma mudança de estatuto.
A FNAEESP reitera que qualquer decisão sobre a arquitetura do sistema de ensino superior português deve ser tomada com base em critérios claros, transparência e, sobretudo, a auscultação efetiva de todos os agentes do setor.

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Novo espaço da Segurança Social reforça serviço público de proximidade em Estarreja

 Assinatura do contrato de arrendamento do futuro Serviço Local de Atendimento marca um passo decisivo para a criação de melhores condições de atendimento aos cidadãos

A presidente da Câmara Municipal de Estarreja, Isabel Simões Pinto, acompanhou esta terça-feira, 1 de setembro, a assinatura do contrato de arrendamento do espaço que irá acolher o novo Serviço Local de Atendimento da Segurança Social em Estarreja, um passo importante para a melhoria das condições de atendimento à população e para o reforço da presença deste serviço público no concelho.
O contrato foi celebrado entre a CIVILRIA, proprietária do espaço, representada pelo CEO, Artur Varum, e o Instituto da Segurança Social, representado pelo Diretor de Segurança Social do Centro Distrital de Aveiro, José Licínio Pimenta.
Com cerca de 226 m2, o novo espaço será agora objeto das necessárias obras de adaptação, de forma a garantir condições mais adequadas ao funcionamento do Serviço Local e ao atendimento presencial de beneficiários, contribuintes e restantes cidadãos.
Para a presidente da Câmara Municipal de Estarreja, esta concretização representa uma resposta relevante para o concelho.“Ter serviços públicos próximos, acessíveis e com condições dignas de atendimento é essencial para a qualidade de vida das pessoas. Este é, por isso, um passo muito positivo para Estarreja e para todos os cidadãos que recorrem à Segurança Social. Valorizamos muito esta presença no território e a criação de melhores condições, quer para quem procura o serviço, quer para os profissionais que diariamente asseguram esta resposta”, afirma Isabel Simões Pinto.
A autarca sublinha ainda que “a proximidade dos serviços públicos faz diferença na vida concreta das pessoas, sobretudo daquelas que, por diferentes razões, necessitam de um atendimento presencial próximo, acessível e humanizado. É esse princípio de proximidade que continuaremos a defender para Estarreja”. Reafirmou ainda a disponibilidade do município para apoiar e trabalhar nesta nova fase, em prol dos estarrejenses e de uma comunidade mais inclusiva.
A instalação do novo Serviço Local enquadra-se também no processo de reorganização do Instituto da Segurança Social, orientado para a melhoria da qualidade do atendimento, a modernização da relação com cidadãos e empresas e uma maior eficácia dos serviços locais.
Segundo José Licínio Pimenta, diretor de Segurança Social do Centro Distrital de Aveiro, “este é um investimento que tem um objetivo muito concreto: criar melhores condições para servir as pessoas. Queremos uma Segurança Social próxima, acessível e com serviços dignos para quem nos procura e para os trabalhadores que diariamente asseguram essa resposta. A concretização deste projeto em Estarreja é também o resultado de um trabalho persistente e de uma boa articulação entre instituições.”
Para a CIVILRIA, a localização do serviço no centro da cidade é uma mais-valia. “Pôr este espaço ao serviço da comunidade, no centro da cidade permitirá servir melhor a população estarrejense.”
A assinatura do contrato encerra um longo processo, que incluiu consultas ao mercado, avaliação e validação técnica do imóvel, definição do programa funcional e os respetivos procedimentos de autorização. Segue-se agora a fase de adaptação das instalações e de preparação do novo espaço para a futura entrada em funcionamento.
No momento da assinatura estiveram ainda presentes, pela Segurança Social, a Diretora do Núcleo de Gestão do Cliente, Orquídea Santos, o Chefe da Equipa de Gestão do Património, Planeamento e Informação, Francisco Gouveia, a Coordenadora do Serviço Local de Estarreja, Márcia Beirão, e o Técnico Superior Miguel Teixeira. Pelo Município de Estarreja esteve também presente a Chefe da Divisão de Educação e Desenvolvimento Social, Ana Sofia Freire.
A futura instalação permitirá, assim, reforçar em Estarreja um serviço público de proximidade, com melhores condições de acolhimento, atendimento e resposta aos cidadãos.
 
*Gabinete de Comunicação, Relações Públicas e Protocolo

Licenciatura em Terapia Ocupacional arranca este ano no campus do Rovisco Pais. Câmara investe mais de 100 mil euros em residência para estudantes

 
O Município de Cantanhede investiu mais de 100 mil euros na nova residência para estudantes da Escola Superior de Tecnologia da Saúde da Universidade Politécnica de Coimbra, cuja primeira licenciatura, em Terapia Ocupacional, inicia já no presente ano letivo de 2026/2027 no campus do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais.
Este investimento resulta do memorando de entendimento tripartido celebrado em 2025 com o então designado Instituto Politécnico de Coimbra e a Unidade Local de Saúde de Coimbra, com vista à criação de um hospital-escola de reabilitação na área das Tecnologias da Saúde no Rovisco Pais.
Na reunião camarária desta terça-feira, 1 de setembro, foi aprovada uma proposta de apoio financeiro à APPACDM de Coimbra – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental, a quem foi entregue a gestão da residência para estudantes, para o apetrechamento dos quartos, num valor total de 20.978,50 euros. Em causa está a aquisição de camas, mesas de cabeceira, secretárias, cadeiras e candeeiros, garantindo-se, assim, condições adequadas de conforto e funcionalidade.
Já em março deste ano, o Executivo Municipal havia aprovado também um apoio de 79.569,00 euros, destinado a financiar as obras de beneficiação das antigas instalações do Hotel Branco, que acolhe a nova residência universitária, com capacidade para 30 estudantes.
“Com este passo, estamos a investir simultaneamente em educação, habitação acessível, juventude, economia local e futuro demográfico do município”, justifica a presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, para quem o acolhimento do ensino superior no concelho “pode ser uma das opções com maior impacto estratégico a médio e longo prazo”.
De referir que as 34 vagas disponíveis para a Licenciatura em Terapia Ocupacional foram integralmente preenchidas para o ano letivo 2026/2027, sendo de 13,8 valores a classificação do último colocado.

Opinião - Quando Júlio Verne jantou no Cais do Sodré e visitou o Dafundo

 A 5 de Junho de 1878, Lisboa recebeu um visitante que parecia ter saído directamente de uma das suas próprias viagens extraordinárias... Júlio Verne chegou ao Tejo a bordo do seu iate Saint-Michel III, vindo de Vigo, acompanhado pelo irmão Paul Verne, por Jules Hetzel filho, ligado ao seu editor, e pelo antigo deputado francês Raoul Duval.
Não veio propriamente como um turista apressado. Tinha dois dias para conhecer Lisboa e decidiu aproveitá-los à sua maneira.
Logo nessa manhã, acompanhado pelo banqueiro Jorge O'Neill, representante em Lisboa da companhia francesa Messageries Maritimes, passou pelo Consulado de França e visitou a Igreja de São Roque. Depois do almoço encontrou-se com David Corazzi, o editor português das suas obras, no escritório da Empreza Horas Românticas, na Rua da Atalaia, e visitou a casa de Jorge O'Neill, onde foi apresentado à sua família.
Ao fim do dia chegou o momento que dá título a esta história... Júlio Verne foi jantar ao Grand Hotel Central, na Praça Duque da Terceira, junto ao Cais do Sodré, um dos mais conhecidos estabelecimentos da Lisboa oitocentista, com uma ampla vista sobre o Tejo.
Depois do jantar ainda houve tempo para teatro. A convite de Corazzi, Verne assistiu à zarzuela La Gallina Ciega, nos Recreios Whittoyne. Já perto da meia-noite regressou ao Saint-Michel III, onde passou a noite.
Na manhã seguinte, os seus companheiros seguiram para Sintra. Júlio Verne ficou em Lisboa. O calor era intenso e, como escreveria posteriormente, a sua atenção estava concentrada na própria cidade. Pinheiro Chagas resumiria essa escolha numa frase particularmente feliz... para Verne, “a novidade era Lisboa”.
Durante esse dia, Verne recebeu a bordo do seu iate o capitão João de Carvalho Ribeiro Viana, antigo director do Arsenal da Marinha. A conversa centrou-se nos livros, nos navios e, naturalmente, no novo cruzador português Vasco da Gama, que interessava particularmente ao escritor. Ribeiro Viana enviou-lhe documentação sobre o navio e recebeu nesse mesmo dia um agradecimento escrito de Júlio Verne.
À tarde, Verne percorreu a zona monumental de Belém, visitando a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos, numa procura pela Lisboa histórica que sobrevivera ao terramoto de 1755.
E seria novamente no Grand Hotel Central que terminaria a sua passagem pela capital.
Foi ali que encontrou Manuel Pinheiro Chagas, escritor, jornalista e político, que era então redactor principal do Diário da Manhã. Ao seu lado estavam Ramalho Ortigão e Rafael Bordalo Pinheiro, três nomes fundamentais da vida cultural portuguesa daquele tempo.
Pinheiro Chagas deixou-nos um retrato particularmente curioso do visitante francês. Descreveu-o como um homem afável, de olhar vivo e inteligente, já com as antigas barbas loiras começando a grisalhar, e registou a conversa que manteve com ele. Verne falou modestamente de si próprio e revelou que trabalhava então em Um Capitão de Quinze Anos.
Mas houve uma questão que interessou particularmente os portugueses. Perante a velha tendência francesa para confundir Portugal com Espanha, Verne afirmou que essa ideia estava a desaparecer em França e que Portugal era já reconhecido como uma nação com forte individualidade e profundamente ligada à sua independência. Também a presença portuguesa na Exposição Universal de Paris de 1878 lhe merecia atenção.
Depois do jantar, Verne visitou ainda Fernando Palha, no Dafundo, onde conheceu a sua colecção de livros, obras de arte e antiguidades. E, mais uma vez, regressou ao seu iate para dormir.
Às seis da manhã de 7 de Junho, o Saint-Michel III deixou o Tejo rumo a Cádis.
Foram apenas cerca de 48 horas... mas Júlio Verne conseguiu conhecer uma Lisboa muito particular, entre o Tejo, os escritores, os jornalistas, os navios, os monumentos e as salas de um hotel que, poucos anos depois, seria imortalizado por Eça de Queirós.
Porque o Grand Hotel Central que recebeu Júlio Verne era o mesmo hotel que aparece em Os Maias. É no seu peristilo que Carlos da Maia vê Maria Eduarda pela primeira vez... e é curioso pensar que, quando Verne ali jantou em 1878, aquele espaço já fazia parte da Lisboa literária que Eça transformaria em cenário de romance. O edifício do antigo hotel permanece ainda hoje na Praça Duque da Terceira, embora o Grand Hotel Central tenha encerrado em 1919.
Júlio Verne partiu pelo Tejo como tinha chegado... pelo mar.
E Lisboa ficou, durante dois dias, no seu livro de viagens da vida real.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor