segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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FORUM BRAGA ESTREOU-SE COM PROGRAMAÇÃO PRÓPRIA NA NOITE BRANCA
Comunicado PSD Viseu - PRR: JOÃO AZEVEDO GOVERNA POR NARRATIVAS. OS FACTOS CONTAM OUTRA HISTÓRIA
REDESCOLAS ANTICORRUPÇÃO - 6.ª edição | Período de adesão de 7/set a 16/out
A poucos dias do início do novo ano letivo, a Associação All4Integrity informa que está aberto o período de adesão à 6.ª edição do programa REDescolas Anticorrupção - escolas que promovem uma cultura de integridade, o qual decorre até ao dia 16 de outubro.
Mais informações sobre a 6.ª edição da REDescolas disponível aqui:
Narrativa Pedagógica (aqui)
Regulamento (aqui)
Notícias na Imprensa (aqui)
Email: redescolas@all4integrity.org
Sobre a All4Integrity e as diferentes iniciativas/programas:Feira de São Mateus encerra edição de 2026 com mais de 1 milhão de visitantes. Evento recebeu, em média, mais de 31.500 pessoas por dia e promoveu mais de 200 atividades ao longo de 32 dias
Marinha Grande | PASSEIO DÁ A CONHECER ARRIBAS COM 200 MILHÕES DE ANOS
Portugal está a deixar a cortadéria invadir
“A cortadéria não está a invadir Portugal. Portugal é que está a deixar a cortadéria invadir”, defende responsável pelo projeto LIFE COOP Cortaderia na Escola Superior Agrária de Coimbra
Há uma invasão a acontecer em Portugal que cresce à margem das estradas, ocupa terrenos abandonados, invade áreas naturais, margens de rios e zonas costeiras e, em muitos locais, já faz parte da paisagem ao ponto de deixar de ser reconhecida como uma planta que veio de fora há menos de um século. Também cresce em jardins privados, de municípios, de juntas de freguesias, de escolas, de empresas e de outras entidades! É a erva-das-pampas, penachos, plumas, cortadéria ou Cortaderia selloana.
Bonita, ornamental, plantada em jardins e colocada em jarras, aparentemente inofensiva, esta gramínea originária da América do Sul é, na realidade, uma espécie exótica invasora com uma enorme capacidade de dispersão. Um estudo científico recente [1] sobre a distribuição das plantas invasoras em Portugal continental identificou Cortaderia selloana em 208 municípios (é possível que esteja em mais!), colocando-a entre as dez plantas invasoras com distribuição mais ampla no país.
“Não estamos perante uma ameaça futura. A invasão já está instalada. E está a avançar rapidamente. O problema não é a falta de conhecimento. É a falta de ação à escala necessária. Portugal sabe há anos que a cortadéria é uma espécie invasora”, reforça Hélia Marchante, professora na Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Coimbra, entidade parceira do projeto LIFE COOP Cortaderia.
O Decreto-Lei n.º 92/2019, que estabelece o regime nacional de prevenção e gestão das espécies exóticas invasoras, inclui expressamente a Cortaderia selloana na Lista Nacional de Espécies Invasoras. A legislação interdita, entre outros, a sua detenção, cultivo, comércio, transporte e utilização como planta ornamental e determina a adoção de medidas de gestão adequadas. Mais importante, a própria legislação estabelece uma lógica inequívoca: prevenir, detetar cedo e agir rapidamente.
O artigo 23.º determina a existência de um sistema de vigilância; o artigo 24.º estabelece a comunicação imediata de novas ocorrências; e o artigo 28.º determina que as espécies invasoras com ocorrência no território nacional sejam objeto de planos de ação para controlo, contenção ou erradicação, com prioridades definidas em função da gravidade da ameaça e da dificuldade de intervenção. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) tem o Plano de Ação para controlo de Cortaderia praticamente pronto, mas a sua publicação e, mais relevante ainda, a sua implementação teima em não acontecer…
“A ciência diz para agir cedo. A legislação diz para atuar. A experiência internacional mostra que esperar torna tudo pior. Então, porque continuamos a assistir à expansão da cortadéria?”, pergunta a investigadora e especialista em espécies invasoras.
“Cada planta que se deixa produzir sementes é uma fábrica de novas invasões!”, assegura Hélia Marchante.
Uma única planta feminina pode produzir dezenas de milhares de sementes, transportadas pelo vento a grandes distâncias. A espécie instala-se particularmente bem em solos perturbados e áreas humanizadas e, a partir daí, pode avançar para habitats naturais. Quando a população ainda é pequena, a intervenção pode ser relativamente simples. Arrancar com uma enxada pode ser suficiente. Quando já existem centenas ou milhares de plantas, a realidade muda radicalmente: a erradicação torna-se tecnicamente impossível! O controlo e contenção tornam-se mais difíceis, mais prolongados e muito mais dispendiosos. É precisamente por isso que a deteção precoce e a rápida intervenção são princípios fundamentais na gestão das invasões biológicas, explica Pedro Gomes, investigador do projeto LIFE COOP Cortaderia.
No caso da cortadéria, uma investigação científica publicada em 2024 salienta precisamente os elevados custos de controlo associados ao seu extenso sistema radicular e à capacidade de rebentamento após danos físicos [2]. Nessa medida, “o que hoje pode ser travado com uma intervenção atempada pode amanhã exigir anos de trabalho e muito mais dinheiro público e privado”, avisam os especialistas.
“E há outra dimensão que não podemos continuar a ignorar: a saúde humana.” A cortadéria não é apenas um problema de biodiversidade. O seu pólen pode ser alergénico. Um estudo clínico publicado na revista Scientific Reports encontrou evidências fortes de que pessoas sensíveis ao pólen de outras gramíneas podem também reagir ao pólen da cortadéria. Os autores alertam para o potencial da espécie em se constituir um problema de saúde ambiental, particularmente porque a sua floração tardia pode prolongar o período de exposição ao pólen [3]. Outro artigo reforça esta preocupação: em regiões mediterrânicas, espécies exóticas como a cortadéria podem criar uma segunda época de exposição ao pólen no outono, com implicações para a saúde pública [4].
“A discussão sobre a Cortaderia não pode continuar confinada à conservação da natureza.
É uma questão de biodiversidade.
É uma questão de território.
É uma questão económica.
É uma questão de saúde pública.
É, em última análise, uma questão de qualidade de vida.
O custo da inação será pago por todos!”, garantem os investigadores.
Os impactes das invasões biológicas não terminam quando uma planta ocupa um terreno. A cortadéria altera habitats, compete com a vegetação autóctone, degrada áreas naturais e afeta atividades produtivas e o valor recreativo e paisagístico dos territórios. A literatura científica sobre a espécie identifica impactes ambientais e socioeconómicos e alerta para os elevados custos associados ao seu controlo [2].
“E existe uma regra simples que precisamos de levar a sério: quanto mais esperamos, mais pagamos.
Pagamos em dinheiro público.
Pagamos em biodiversidade perdida.
Pagamos em qualidade da paisagem.
Pagamos em áreas naturais degradadas.
Pagamos em horas de trabalho que poderiam ter sido evitadas.
Pagamos também em degradação da saúde Pública.
Não basta pedir aos cidadãos que arranquem todas as plantas. Os cidadãos têm um papel fundamental: reconhecer a espécie, evitar a sua utilização e disseminação, controlar nos seus jardins e terrenos e comunicar novas ocorrências. Podem fazê-lo na App iNaturalist, projeto invasoras.pt. Mas não podemos transferir para os cidadãos a responsabilidade de resolver uma invasão à escala nacional.”
“É necessária uma resposta coordenada entre administração central, municípios, proprietários, gestores de infraestruturas, empresas, agricultores, entidades gestoras de áreas protegidas, investigadores, organizações não governamentais e cidadãos.
E é necessária uma mudança de paradigma: não podemos continuar a intervir apenas onde e quando a cortadéria já domina. Temos de procurar e eliminar os novos focos antes que se transformem em grandes focos.”
“E os meios de comunicação também têm um papel a desempenhar: a comunicação social tem um papel decisivo na prevenção das invasões biológicas.
Uma planta invasora que passa despercebida é uma planta que pode continuar a reproduzir-se. Durante anos, a cortadéria foi frequentemente apresentada como uma planta ornamental, bonita ou característica da paisagem, sem que fosse explicado ao público que se trata de uma espécie invasora legalmente reconhecida como tal. A normalização de uma invasora também contribui para a sua expansão. Os media não têm de transformar cada avistamento numa notícia. Mas têm condições únicas para fazer aquilo que muitas campanhas de conservação não conseguem fazer sozinhas: tornar o problema visível, explicar como reconhecê-lo e criar pressão social para que a resposta aconteça.
É urgente que a comunicação sobre espécies invasoras deixe de acontecer apenas quando há uma campanha, um projeto europeu ou uma ação de voluntariado.
O problema exige atenção quando está a acontecer — não quando já se tornou impossível ignorá-lo. Portugal ainda pode travar a invasão. Mas não pode continuar a esperar”, asseveram os entendidos na matéria.
O projeto europeu LIFE COOP Cortaderia, que envolve Portugal, Espanha e França, está a trabalhar para reforçar a cooperação, a governação e a ação coordenada contra esta espécie no Arco Atlântico, incluindo a proteção de zonas da Rede Natura 2000 e corredores fluviais.
Existe conhecimento científico.
Existem métodos de controlo.
Existe legislação.
Existem projetos e redes de cooperação.
Existem cidadãos disponíveis para ajudar.
“O que falta é transformar estes recursos numa resposta rápida, abrangente e continuada”, defendem Hélia Marchante e Pedro Gomes.
E prosseguem, “a cortadéria não vai esperar pela próxima estratégia, pelo próximo plano, pelo próximo financiamento, pela próxima campanha de sensibilização…
Vai continuar a produzir sementes.
Vai continuar a dispersar-se.
Vai continuar a ocupar território e a causar problemas.”
Segundo estes dois especialistas, a pergunta à qual todos temos de responder é simples: “Vamos agir enquanto ainda conseguimos travá-la — ou vamos esperar que outros o façam, quando for demasiado tarde?”
Para mais informação:
Contactar: Hélia Marchante hmarchante@esac.pt, 934244614
A plataforma Invasoras.pt disponibiliza informação sobre plantas invasoras em Portugal e permite aos cidadãos contribuir para o conhecimento da sua distribuição.
Legislação: Decreto-Lei n.º 92/2019, de 10 de julho, na sua redação atual — regime jurídico aplicável ao controlo, detenção, introdução na natureza e repovoamento de espécies exóticas da flora e fauna. Cortaderia selloana integra a Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II).
Projeto LIFE COOP Cortaderia: LIFE22-NAT-ES-Coop-Cortaderia / 101113757. (lifecoopcortaderia.org)
Principais referências científicas:
[1] Fernandes R et al. 2025. Diversity and distribution patterns of invasive alien plant species in mainland Portugal. NeoBiota. https://neobiota.pensoft.net/
[2] Lázaro-Lobo A et al. 2024. Monographs on Invasive Plants in Europe N°8: Cortaderia selloana (Schult. & Schult. f.) Asch. & Graebn. Botany Letters 171(4) https://www.tandfonline.com/
[3] Rodríguez et al. 2021. Allergenicity to worldwide invasive grass Cortaderia selloana as environmental risk to public health. Scientific Reports. 24426. https://www.nature.com/
[4] Galán Díaz et al. 2024. Different phenological behaviour of native and exotic grasses extends the period of pollen exposure with clinical implications in the Madrid Region, Spain. Biological Invasions. 26, 2171–2182. https://link.springer.com/
*Isabel Cristina Batista Silva
USG - Gabinete de Comunicação e Imagem
MARINHA GRANDE DEBATEU O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DE TERRITÓRIOS RESILIENTES
MUNICÍPIO DA MARINHA GRANDE REFORÇA APOIOS EDUCATIVOS E SOCIAIS PARA O ANO LETIVO 2026/2027
08 de setembro | 11h00 | ESAC, sala H1.17. Florestas e silvicultura na Polónia em foco na ESAC
“Forests and Forestry in
Poland” é
o tema da palestra “Erasmus+ Talks” a ter lugar na Escola
Superior Agrária da Universidade Politécnica de Coimbra
(ESAC-UPCoimbra), amanhã, dia 8 de setembro, com início às 11h00,
na sala H1.17.
A
palestra será proferida pelo Professor da Universidade de Varsóvia
(Polónia), Wojciech Kedziora, em visita à ESAC em mobilidade
Erasmus, tratando-se de uma oportunidade para conhecer uma realidade
florestal muito diferente da portuguesa e para partilha de
conhecimentos e experiências.
O
acesso é livre.
Marinha Grande | PALESTRA ABORDA A IMPORTÂNCIA INTERNACIONAL DO PATRIMÓNIO GEOLÓGICO E PALEONTOLÓGICO DE SÃO PEDRO DE MOEL
Águeda | Nota de Pesar pelo falecimento de Nuno Cardoso
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