sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Líderes da Comissão, Parlamento e Conselho europeus rejeitam independência da Catalunha

O presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, considerou hoje que a União Europeia "não precisa de mais fissuras, de mais fraturas", comentando a declaração de independência decretada esta tarde pelo Parlamento da Catalunha, esta tarde.
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"Não quero que a União Europeia seja amanhã composta por 95 Estados membros", disse o líder europeu aos repórteres que o acompanham numa viagem à Guiana francesa, onde está também o Presidente francês.
Na mesma linha, o presidente do parlamento europeu também rejeitou a independência da região da Catalunha, escrevendo na rede social Twitter que "ninguém na União Europeia vai reconhecer essa declaração".
Já horas antes, o presidente do Conselho da UE, Donald Tusk, defendeu que a Espanha continua a ser "a única interlocutora" da União Europeia (UE), após o parlamento da Catalunha aprovar a declaração de independência.
"Para a UE, nada mudou. A Espanha continua a ser a nossa única interlocutora", escreveu Tusk na sua conta do Twitter, apelando ao Governo espanhol que escolha "a força do argumento e não o argumento da força".
O parlamento regional catalão (Parlament) aprovou hoje a independência da Catalunha, com 70 votos a favor, 10 contra e dois votos em branco.
Pouco depois, o senado de Espanha autorizou, por maioria absoluta, o governo de Madrid a aplicar o artigo 155.º da Constituição, que suspende a autonomia da região.
O Governo espanhol, que tem agora de decidir como e quando vai aplicar as medidas, convocou um conselho de ministros extraordinário para as 18:00 locais (17:00 em Lisboa) de hoje.
Lusa

MAI: “Os Bombeiros São Parte Decisiva na Solução”

“Estamos indignados, os bombeiros Portugueses estão indignados”, foi assim que António Carvalho, presidente da mesa abriu o congresso, pedindo de seguida um minuto de silencio.
De seguida falou, Fernando Vilaça, presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Braga que afirmou que “temos de reinventar o voluntariado nos corpos de bombeiros”.
Jaime Marta Soares, presidente do conselho executivo da LBP, passou desde cedo ao ataque e garante que “96% da presença nos incêndios florestais são de bombeiros, ou seja de 9600 homens, 9000 são bombeiros”, e prossegue “os bombeiros são um orgulho para sociedade Portuguesa” levando os congressistas a longo aplauso.
Este responsavel continuou a disparar e desafiou o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, presente no congresso, “digam-nos aqui, hoje, o que o governo pretende dos bombeiros, para que saibamos o que fazer daqui em diante”, e não hesita em afirma que o “comando único é uma farsa, quem errou foi a estrutura da ANPC e devem assumir os seus erros”.
Eduardo Cabrita, que presidiu à sessão de abertura, e garantiu que fez questão de que a sua primeira presença publica ligada à protecção civil fosse no congresso da LBP, uma vez que os bombeiros “são uma parte decisiva da solução”, até porque afiança, “passado dois anos sinto-me a voltar a casa, uma vez que ao assumir as minhas funções neste governo tive de deixar a direcção dos bombeiros da minha cidade, o Barreiro.”
O MAI acabou o seu discurso garantindo em nome do Governo de que os bombeiros serão “ouvidos, escutados e participantes activos” na reforma que está em curso.
 Fonte: BPS

Macroscópio – E agora, Catalunha? O pior pode mesmo acontecer.

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Macroscópio

Por José Manuel Fernandes, Publisher
Boa noite!
 
O parlamento catalão aprovou hoje, ao início da tarde, a declaração de independência da Catalunha. Pouco depois, o Senado espanhol autorizou o governo de Madrid a accionar o artigo 155 da Constituição espanhola, que permite suspender a autonomia e nomear autoridades provisórias até à realização de eleições. Se ontem ainda pareceu possível encontrar um caminho intermédio, de compromisso, hoje deu-se o choque frontal que todos temiam. Ninguém consegue adivinhar o que se poderá passar a partir deste momento. Estamos em terra incógnita e em terrenos muito perigosos. Para além da informação do que se foi passando ao longo do dia – que pode ser recuperada aqui –, deixo-vos algumas análises publicadas nas últimas horas ajudam a perceber o que se passou, mas não é fácil prever o que vai passar-se.
 
Comecemos pelo que foi publicado em Portugal, onde quero destacar dois textos e um editorial:
  • Jorge Almeida Fernandes, no Público, interroga-se sobre se não estaremos perante Um “estado falhado”? Numa análise que descrevia os avanços e recuos de uma quinta-feira louca, explicou porque é que, no caso dos independentistas, “A desorientação tem explicações humanas. Como realizar a independência num país partido ao meio? Os independentistas invocam a sua maioria absoluta no parlament e a legitimidade do 1-O. Não tiveram, lembre-se, a maioria dos votos nas eleições. Se tal é irrelevante para formar uma maioria parlamentar, não é minimamente legítimo para promover uma secessão. Eles gostavam das sondagens quando, em 2012, uma curta maioria dos catalães se dizia favorável à independência. Hoje fogem das sondagens porque as opções dos catalães se inverteram. A última sondagem (Gesop-El Periodico) é preocupante: 68% dos catalães querem eleições autonómicas para sair do conflito e 55% consideram que o 1-O não legitima a declaração de independência.”
  • Diana Soller, investigadora do IPRI – Instituto Português de Relações Internacionais, recapitulou no Observador Um longo mês de Outubro, um período onde a relação de forças se foi alterando depois de um referendo que fora uma vitória de relações públicas para os independentistas (mesmo não sendo um triunfo de mobilização e, muito menos, um modelo de rectidão democrática). Como explica, “A verdadeira vitória de Madrid foi ter dado tempo suficientemente aos governantes (e opinião pública) catalães para exporem as suas divergências na praça pública. A Generalitat caiu em descrédito; se Puigdemont montou uma armadilha a Rajoy com o referendo ilegal, Rajoy montou uma armadilha a Puigdemont com a criação de um compasso de espera, que o líder do “Juntos pelo Sim” não foi capaz de gerir.
  • Já o editorial de Leonídio Paulo Ferreira no Diário de Notícias procura explicar em que é que Puigdemont acreditou, e como essas suas crenças lhe foram fatais: “Puigdemont acreditou demasiado, alheio à realidade. E depois recuou. Prometeu e logo suspendeu a declaração de independência. E começou a fazer ofertas de diálogo a Madrid. E a ter de lidar com divisões nas fileiras independentistas, alguns a falar de traição. E a hesitar, hesitar, hesitar. As sondagens dão agora o seu partido a fraquejar e o bloco nacionalista como um todo a não crescer. É incerto o que vem aí, até porque a aplicação do artigo 155.º da Constituição é inédita e ninguém, nem Rajoy, sabe bem como se substitui os governantes de uma região que o poder central considera agir fora da legalidade.”
  • (Nota ainda para o texto de José Milhazes no Observador, onde ele explica porque é que Putin não esconde ingerência na Catalunha.)
 

Indo agora para o que se passou em Espanha no dia em Puigdemont oscilou entre diferentes formas de enfrentar a ameaça da invocação do artigo 155, há alguns relatos interessantes na imprensa espanhola, nomeadamente a revelação pelo El Confidencial que Moncloa y la Generalitat estuvieron a punto del acuerdo. De facto houve negociações discretas para tentar evitar, em simultâneo, a Declaração Unilateral de Independência por Barcelona e, do lado de Madrid, a suspensão da autonomia. No fim do dia, porém, como relata o El Español, Puigdemont se desdijo al no lograr impunidad y ser tildado de “traidor”.
 
Agora os próximos tempos podem ser muito perigosos. Primeiro, não se sabe exactamente o que fará Madrid para controlar os centros de poder da Catalunha, mesmo sendo certo que procurará uma fórmula minimal, encontrando um governante interino que seja catalão e tecnocrata e não reconstituindo os diferentes ministérios. Contudo, escreve o The Economist em Spain prepares to intervene in Catalonia, “the conflict may soon get ugly”. Em concreto, “If it goes ahead, the government’s intervention is likely to start with the dismissal of Mr Puigdemont’s cabinet, the naming of new commanders for the Catalan police, and the takeover of the Generalitat’s finances and IT centre. The next targets might be Catalan public television and radio, which the government sees as separatist mouthpieces. “They will try and do it surgically,” says a former minister.”
 
Será possível fazer isto tudo pacificamente? É muito difícil, pois os independentistas, sobretudo os mais radicais, já mostraram que tencionam ocupar a rua.
 
 
A situação em que o líder catalão se colocou e colocou o povo da Catalunha é alvo de críticas muito duras vindas de diferentes quadrantes. E isso não é bom, como explicou sob anonimato um membro da administração catalã ao El Español, em "Puigdemont ha asumido su destino: se atrincherarán, la calle será un infierno": "Se atrincherarán. Llamarán a la gente a rodear las instituciones. La calle será un infierno y la situación, insostenible", explica este interlocutor, para quien la situación podría tener, por el alto nivel de confrontación, "reminiscencias venezolanas" que se sumarán a "una fractura social ya evidente y un desastre económico".
 
Não surpreende por isso que seja muito severa a avaliação de vozes respeitadas, como a de Xavier Vidal-Folch, catalão, director-adjunto do El Pais, durante muitos anos correspondente do jornal em Bruxelas e que conheci bem nos anos em que presidiu ao World Editors Forum e pude trabalhar directamente com ele. Na sua análise aos acontecimentos de ontem, Saturno devora el bocadillo de sus hijos, Vidal-Folch escreve que “Nunca como en estos días, un Gobierno fue más eficaz en la destrucción de las instituciones de un país, Cataluña. El Govern y el Parlament han sido sustituidos, en el caos nocturno, por la amalgama desnortada o la mayúscula anomia, por un estrambótico estado mayor del secesionismo. Un sanedrín o pinyol oscuro, irresponsable y en nada transparente, que no responde a ningún control democrático, sino que manda a los consejeros —estos sí, responsabilizados en cuerpo y patrimonio ante la justicia— en total desprecio al arrumbado (por ellos) Estatut y sus normas. Esa mezcla de soviet aficionado, somatén titubeante y patrulla boy scouts desbrujulada, marcará época y les perseguirá en los sueños de por vida.”
 
Já Rubén Amón, num texto publicado hoje já depois da declaração de independência no mesmo El Pais, No digas que fue un sueño, considera que “Cataluña es independiente en el orden retórico, se ha emancipado de España en la política-ficción. Y semejante placebo aspira encubrirse ahora con una llamada a la resistencia y con la coreografía de las movilizaciones organizadas. Cataluña es una república fantasma, y una comunidad autonómica real cuyo porvenir, credibilidad, seny, madurez, economía se ha visto expuesta a una implosión que ha maniobrado el cinismo de Junqueras [número dois da Generalitat e líder da Esquerda Republicana da Catalunha].”
 
Acontece porém que nos últimos anos se tem vindo a alimentar o caldo de cultura que levou a esta radicalização, algo que é feito, sem disfarces, através do sistema educativo público. Disso mesmo dá conta, em entrevista, um dos historiadores ingleses que mais trabalhou na história de Espanha, John H. Elliott. Em “Desde los años de Pujol se falsea la historia en la escuela” é muito claro: “Entiendo las razones que les han podido llevar hasta ahí. Sobre todo después de los años del franquismo. Pero no valorar el increíble cambio que se ha producido tanto en España como en Cataluña en los últimos 40 años, es un tremendo error”. Si a eso añadimos otros ingredientes, llegamos al callejón sin salida. “Por ejemplo, la educación. A lo largo de los años ochenta, con las competencias en las escuelas en los años de Jordi Pujol, se ha trasladado a esas generaciones una falsificación de la Historia y una manipulación con tintes nacionalistas. Han escondido deliberadamente esas partes en las que es de justicia hablar del progreso”.
 
E uma vez que cito John H. Elliott deixem-me referir que é o autor de uma obra clássica sobre a relação de Catalunha com Espanha, La rebelión de los catalanes. Un estudio de la decadencia de España (1598-1640). Neste link, da Amazon, pode ser lido em pré-visualização o novo prólogo que escreveu para a 2ª edição e que é especialmente interessante pois a obra foi originalmente publicada na década de 1960 e nele o autor faz algumas reflexões sobre a evolução da Catalunha no quadro da Constituição espanhola de 1978, a que resultou da transição democrática.
 
Como sabem o Macroscópio gosta, sempre que possível, de dar referências que permitam ir além da actualidade, sendo que encontrei uma bem interessante para todos os que quiserem ter uma ideia das origens do independentismo catalão. Trata-se de um artigo da Foreign Affairs, A Brief History of Catalan Nationalism – The Roots of the Current Crisis, de Sebastian Balfour. Pequeno extracto, mais próximo dos dias de hoje: “The contemporary project of independence offers the hope or illusion of a new nation unencumbered by austerity, corruption, and what Catalan nationalists view as Catalonia’s excessive contribution to the rest of Spain in the form of taxes and transfers to less wealthy regions. This narrative, however, ignores Catalan elites’ implication in corruption scandals, as well as Catalan nationalists’ record in government of applying unpopular austerity policies on behalf of the economic elites of both Spain and Catalonia. In the discourse of Catalan nationalism, that is, the politics of identity has trumped the politics of class.”
 

A promoção destas políticas identitárias – que na Catalunha permitiram, por exemplo, a coligação entre um velho partido burgês e o republicanismo radical de esquerda – é considerada muito perigosa por analistas de orientações bem diferentes. Dois exemplos significativos:
  • No Project Syndicate o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão e líder históricos dos Verdes, Joschka Fischer, preocupa-se com  Europe’s Attackers From Within e fala de uma “historical absurdity”. Mais: “Independence for Catalonia would pose a fundamental problem for Europe, too. For starters, no one wants a repeat of the breakup of Yugoslavia, for obvious reasons. But, more to the point, the EU cannot countenance the disintegration of member states, because these states comprise the very foundation upon which it rests. The EU is an association of nation-states, not regions.
  • Walter Russell Mead, um investigador Hudson Institute, estabelece no Wall Street Journal paralelos entre os separatismos catalão, curdo, escocês e do Biafra, considerando em Secessionism’s Dangerous Return que “Ethnic nationalism is up. So is competition between great powers. It sounds like 1914”. Mais adiante sonsidera que “Rising great-power competition intersecting with a world-wide surge in identity politics—the combination does not point toward a calm future. At the end of the Cold War, many in the West looked forward to a “posthistorical” era in which conflict would be rare. Those predictions look increasingly forlorn; America must learn to chart its course in a grimmer and less forgiving world.”
 
Sem querer sugerir que na Europa a todas as antigas identidades correspondem movimentos independentistas, chamo-vos mesmo assim a atenção para o mapa que o Observador divulgou e reproduzo abaixo. Olhar para ele dá uma ideia do tipo de “caixa de Pandora” que se pode abrir se se ceder ao princípio de que qualquer região pode declarar-se independente mesmo que isso não seja feito no quadro das leis e das constituições dos diferentes países da União Europeia.
 
 
Por isso termino com dois textos mais opinativos da imprensa económica europeia:
  • Rule and Law in Catalonia é um editorial do Wall Street Journal que é muito claro na defesa da actuação de Madrid: “A duly elected national leader is trying to afford all citizens the protection of the national constitution against a minority of rabble-rousers. The biggest threat to Spain—and to Europe—would be to set a precedent for allowing fake votes to tear real countries apart. The virtue of Mr. Rajoy’s approach is that it would put Catalan voters firmly back in control, through a legal election. (...) A new ballot offers Catalans a path out of this crisis by taking political responsibility for the union.”
  • Whither the nation state? é um texto de Sebastian Payne onde se reconhece que “Regions and nations fed up with centralised rule and want a greater degree of control have raised questions of what defines a country”, mas onde também se alerta para os riscos inerentes a tal processo: “There is a point at which autonomy clashes with the integrity of the state. There is such a thing as too much devolution, where areas have competing agendas and national unity is fractured. Too little and the populous will find themselves increasingly aggrieved. As Janan argues, there is a risk that the richer regions tire of propping up the poorer parts of their countries (what price an independent Republic of London?). If that becomes the new norm, the nation state really is in trouble.
 
Desta vez a crise não se passa no outro lado da Europa, vive-se mesmo aqui ao lado em Espanha. Uma Espanha onde, paradoxalmente para sem surpresa, o processo catalão reavivou o velho nacionalismo, porventura a lendária “fúria”. Continuaremos atentos, no dia a dia do Observador e aqui nesta newsletter a uma situação que pode revelar-se mais complicada para a Europa do que o próprio Brexit.
 
Tenham um bom fim-de-semana, o calor volta a estar por aí (esperemos que não os fogos) e boas leituras são sempre uma forma de preencher estes dois dias que até têm uma hora extra. 

 
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Hora de Fecho: Em direto/ Parlamento catalão declara a independência

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Hora de fecho

As principais notícias do dia
Boa tarde!
27 dias depois do referendo, o parlamento catalão declarou independência após votação secreta. Com o 155 aprovado no Senado, Rajoy quer demitir o governo de Puigdemont e pede "tranquilidade".
Quem poderá ser detido e por que crimes? Para além de Carles Puigdemont, o Ministério Público espanhol estende agora a sua ação à presidência do parlamento catalão e, possivelmente, aos deputados.
Presidente não baixa o tom, mas também não alimenta "guerra" com S.Bento. Deixa o aviso que o Presidente não muda, embora defina como uma prioridade ter um governo forte que chegue ao fim do mandato.
Em carta enviada ao ministro das Finanças, os comissários europeus pedem esclarecimentos adicionais até 31 de outubro. E avisam para riscos de desvio significativo no défice de 2017 e 2018.
O juiz que assinou o polémico acórdão que cita Bíblia e o Código Penal de 1886 está a ser investigado por falsas declarações. O caso envolve um roubo de matrículas e uma operação da GNR, em Loures.
Depressa: esta sexta-feira é o último dia em que pode comprar Certificados do Tesouro Poupança Mais. Em cinco anos, rendem duas vezes mais que os novos Certificados de Tesouro Poupança Crescimento.
Aptoide lança o primeiro protocolo blockchain aberto e distribuído para App Stores, criando uma nova moeda digital, as AppCoins. Primeira oferta inicial de pré-venda de AppCoins decorre na Web Summit.
Escaparam à mira de Stephen Paddock, mas agora estão a ser atacados na Internet. Há defensores de teorias da conspiração que garantem que os acontecimentos de dia 1 foram encenados pelo governo.
Jennifer Appel, Tasha Fuiaba e os seus dois cães planeavam navegar do Havai para o Taiti, mas viagem foi de mal a pior. Tudo começou com uma perda de motor, que as condenou a cinco meses em alto mar.
Sérgio Conceição, treinador do FC Porto, diz que não pode "fechar os olhos" a "15 dias de treino que não foram de acordo com as exigências". Em Espanha, o El País coloca Casillas na Premier League.
O livro "Haunted Places", de Robert Grenville, mostra-nos 15 sítios assombrados à volta do mundo. Desde Jim Morrison a passear junto à campa até uma casa da ópera com seres de outro mundo. 
Opinião

Rui Ramos
A pretexto da floresta, o governo vai tornar a vida ainda mais difícil às populações rurais. A Idade Média foi o tempo dos povoadores. Vivemos agora no tempo dos despovoadores.

Diana Soller
A vitória de Madrid foi dar tempo aos governantes catalães para exporem as suas divergências em público. Rajoy montou a armadilha a Puigdemont com um compasso de espera que este não foi capaz de gerir

José Milhazes
A necessidade da criação de meios de informação concentrados no desmascaramento de notícias falsas vindas do Kremlin é urgente, devendo a União Europeia agir nesse sentido.

Helena Garrido
O Governo não virou a página da austeridade, escondeu a austeridade pondo em risco os serviços públicos. A tragédia dos incêndios pôs a nu essa estratégia de cortes.

José Manuel Fernandes
O país que ardeu é um país que Lisboa desconhece. Nele o grande desafio será encontrar energia e gente para reconstruir, mais difícil ainda para reformar. Por isso dói tanto a arrogância da ignorância

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Por que tanta gente odeia as ciclovias?


Por que tanta gente odeia as ciclovias?
Imagine o seguinte: 30 pessoas fecham uma importante avenida. Em forma de protesto, eles colocam pneus no meio da via e ateiam fogo. Além disso, espalham uma série de blocos de concreto pela avenida.

Esse protesto foi real. Ocorreu na última terça-feira, no Barreiro, região de Belo Horizonte. E não foi por conta da falta d’água. Tampouco contra a violência ou por causa da baixa presença do governo (seja municipal, estadual ou federal) na vida daquela comunidade. Nada disso. O protesto foi contra uma obra pública. Foi contra a instalação de uma ciclovia de pouco mais de um quilômetro. Comerciantes e moradores protestaram porque vagas de estacionamento iriam desaparecer, entre outros argumentos.

Enquanto as ciclovias são apontadas por especialistas como uma das soluções para resolver o problema do trânsito nas grandes cidades de todo o mundo, no Brasil impera o ódio. Faça um teste: digite “Ciclovias Protesto” no Google e veja o que você vai encontrar. “Moradores vão à delegacia contra ciclovia (e fazem boletim de ocorrência)”. “Moradores prometem protesto e luta contra ciclovias”. “Motoboys fecham avenida em protesto contra ciclovias”.

Até aí tudo bem. Por mais que esses protestos estejam muitas vezes na contramão do que defendem engenheiros de trânsito, ainda é o uso do legítimo direito de expressão. Viver em sociedade é assim – todos têm direito a mostrar seus argumentos. Mas não são incomuns os casos em que o ódio contra as ciclovias é transformado em ódio contra o ciclista.

No bairro Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, ciclistas já foram surpreendidos por tachinhas espalhadas na ciclovia, resultando em pneus furados e dor de cabeça. Isso para não falar dos ciclistas que são diariamente atropelados, muitos deles enquanto pedalam por faixas exclusivas para bicicletas. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, um ciclista morre por semana na cidade.

É óbvio que projetos de ciclovias que sejam defeituosos e com erros de planejamento merecem protestos da população, principalmente dos próprios ciclistas, os maiores prejudicados em situações assim. Mas, como fica evidente pelos exemplos listados acima, não é isso que motiva muitos dos que lutam contra as ciclovias.

                                 As ciclovias são uma boa ideia?

Um meio de transporte limpo e que ocupa muito menos espaço que outras opções. Além disso, a bicicleta comprovadamente faz bem à saúde, afinal tira pessoas do sedentarismo e ajuda a diminuir a poluição atmosférica. Junte isso ao preço mais baixo – seja para implantar uma ciclovia ou comprar uma bicicleta – e pedalar parece ser uma boa alternativa para resolver o problema do transporte público nas grandes cidades.

E é mesmo. Só não é o único. O investimento em faixas exclusivas para ônibus e num metrô eficiente também são fundamentais na criação de um sistema de transporte público de qualidade. “Uma boa cidade não é aquela em que até os pobres andam de carro, mas aquela em que até os ricos usam transporte público. Cidades assim não são uma ilusão hippie. Elas já existem”, costuma dizer Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá e responsável por realizar uma intensa mudança na cara da cidade, nos anos 90. Numa entrevista recente para a Folha, ele completou o pensamento: “Quando falamos de bicicletas, não estamos falando que vão substituir os ônibus, os trens nem nada disso. Mas as bicicletas podem chegar a ter um percentual importante nas viagens”.

Para Jan Gehl, arquiteto e professor universitário que se tornou famoso ao melhorar a qualidade de vida na Dinamarca, as ciclovias são uma das respostas para um dos maiores problemas das grandes metrópoles: os engarrafamentos. “Se todas as cidades desenvolverem um sistema de ciclovias e de transporte público eficiente, se reduzirem a ênfase do transporte privado, conseguirão reduzir o trânsito”, diz ele


Ciclistas em Budapeste (Foto: becherpig, Wikimedia Commons)

É evidente que ciclovias não são a saída para todo mundo e nem em todas as ocasiões. Um idoso pode ter dificuldade de pedalar, uma pessoa que precisa fazer compras no supermercado pode não querer ir de bicicleta. Mas nem por isso elas deixam de ser uma saída para muita gente – mesmo que não a sua – em várias situações.

Um trabalhador que mora longe do centro pode optar por percorrer alguns quilômetros até a estação de metrô mais próxima, guardar a bicicleta lá, pegar o metrô para o trabalho e fazer o percurso inverso no fim do expediente. Uma pessoa que precisa ir até a padaria pode fazer isso pedalando, evitando usar o carro para distâncias nem tão grandes assim.

Para especialistas, esse é o grande segredo das ciclovias: a maioria das pessoas não vai usá-las para percorrer grandes distâncias, mas para fazer trajetos mais curtos. O detalhe é que uma grande quantidade de deslocamentos dentro de grandes cidades é para distâncias assim. Segundo Guilherme Wisnik, professor de Arquitetura e Urbanismo da USP, “25% do congestionamento que temos hoje (em São Paulo) se deve a percursos curtos feitos de carro – menos de três quilômetros”.

Vou repetir: 25% dos deslocamentos dentro de nossa maior metrópole são para curtas distâncias. Um em cada quatro carros. O que impede esses motoristas de pedalar? Embora sempre existam os casos em que o carro, mesmo para distâncias curtas, é necessário, uma pesquisa do Ibope mostrou que 63% dos paulistanos que nunca usam bikes fariam isso se houvesse mais segurança. Antes que alguém diga que falta de segurança é algo muito amplo, 27% dos entrevistados indicaram expressamente que essa falta de segurança reflete uma necessidade de ciclovias.

Apesar desses dados, basta ler os comentários de qualquer texto sobre esse assunto para perceber que muitos leitores se apressam a afastar a possibilidade de usarem as ciclofaixas, que são chamadas de “aberração”, “populistas” e “coisa de pseudoprogressistas jovens que não têm compromissos sérios e só sabem vadiar”. Para essas pessoas, gente séria não pedala. É por isso que em Amsterdam não tem gente séria.

Mitologia e Ideologia do Negativismo

Há pessoas que dizem sistematicamente mal do seu País.
Podemos dividir os países entre aqueles em que os seus cidadãos dizem mal para dentro, mas jamais tolerariam que os de fora dissessem mal, e aqueles em que desbragadamente há quem diga mal do seu país ao primeiro estrangeiro que apareça.
Portugal, infelizmente, parece encontrar-se hoje nessa última situação. Eduardo Lourenço, n'O Labirinto da Saudade, livro essencial para a nossa “psicanálise mítica”, tinha identificado uma polaridade esquizofrénica em nós: ora orgulhosos e vaidosos em excesso das coisas pátrias, ora delas excessivamente críticos.
Estamos numa fase de crítica demolidora, disparando alguns em todos os sentidos, no preso-por-ter-cão e preso-por-não-ter. Evidentemente que a crítica não é desporto nacional sequer praticado por muitos. O problema é que a crítica invadiu muitos dos opinion makers, e a opinião pública é a “opinião que se publica”.
Oxalá esta catarse servisse para melhoramos, e não para nos afundarmos no sem saída e sem-sentido.
Mas entretanto, por vezes os mesmos que exultam em tudo demolir em Portugal são admiradores acríticos e fanáticos, de outros países, que muitas vezes nem conhecem, ou, conhecendo, fazem vista grossa sobre os seus inúmeros defeitos.
Creio que não há paraísos na Terra – e que nunca os haverá. Os pseudo-paraísos que nos apresentam alguns, ou que se encontram pressupostos nos discursos dos mais tímidos (embora, nesta matéria, haja poucos tímidos) são, na verdade, modelos artificiais, apresentados com intenções inequivocamente ideológicas. E isso ocorre para tudo. Por exemplo, nos modelos económicos, de saúde, de educação. “Lá fora é que é bom” – é um mero “slogan”
Tudo nos é apresentado como maravilhoso e eficiente nos países de quem o local vendedor de sonhos gosta. Vai-se lá fora, tem-se mesmo que lidar com a burocracia desses, a governação desses, a saúde desses, a educação desses…, e já não é o que se dizia. Não é mesmo paraíso nenhum. Em muitos casos, ficamos com saudades dos nossos erros, defeitos, ineficiências. Nem sempre, mas muitas vezes. E nem é preciso ir a essas Mecas. Basta ver bem as notícias que de lá nos vão chegando. Ver com olhos de ver.
É o mito da terra prometida. A relva do vizinho é mais verde, lá, corre o leite e o mel.
Sempre se brincou muito por, a seguir ao 25 de Abril, se ter falado de um "socialismo original". Não creio que tivesse sido má ideia, se o tivesse sido mesmo
Claro que os “-ismos” que em geral nos apresentaram não tinham lá muito de original, e o que era original não era lá muito aliciante. Mas construir um sistema original, ainda que com uma referência ideológica conhecida, clássica, parece ser mesmo a única boa solução: o fato por medida, e não um pano remendado no pronto-avestir das ideologias.
Claro que nisso não acreditam os estrangeirados actuais (muito diferentes dos antigos), fascinados com o lá fora, um lá fora à medida não do nosso País, mas dos seus sonhos pessoais.
Não são os que querem um País com um modelo original (embora radicado) que são sonhadores, são os que, idealizando um outro país qualquer, ou um outro grupo de países à medida dos seus anelos, procuram, ainda por cima, transportar essa quimera para Portugal. Ou então, convencidos de que disso nunca serão capazes (e com razão – porque sempre a importação corre mal, e pior a de um sonho), continuam a culpar-nos de não sermos o que os outros pretensamente - só pretensamente - seriam.
Creio que a questão não é só portuguesa. Não há, por exemplo, nacionais do País X ou Y que gostariam de ser outra coisa? Claro que há. E nalguns casos com grandes dramas existenciais. Fala-se mesmo em identidades inventadas: japoneses que queriam ser celtas, por exemplo.
É preciso compreender-se a diferença entre o “nacionalismo”, coisa retrógrada, belicista e conflituante, e até um pouco ridícula (como na sua versão “orgulhosamente sós”) e o essencial patriotismo, sem o qual se é um apátrida cultural e moral. Os Portugueses são em geral universalistas, europeus, lusófonos, e até mediterrânicos, lusíadas, atlânticos, e antes de mais da nossa terra, da nossa região, e do nosso país. São círculos concêntricos: primeiro a pertença cultural e sentimental, e depois há pontes e vectores transversais, que são manifestações pontuais do universalismo.
Quando penso nos profetas da desgraça, nos velhos do Restelo e Cristóvãos de Moura, lembro-me de um anúncio creio que de um iogurte, que é só colocar no plural: Se não gostarmos de nós, quem gostará?


Paulo Ferreira da Cunha, Universidade do Porto

Dias Abertos do Loulé Design Lab

Vão ter lugar, nos dias 3 e 4 de Novembro os “Dias Abertos do Loulé Design Lab”, um espaço para projectos das indústrias criativas, no âmbito da iniciativa Loulé Criativo, que tem vindo a ser desenvolvida pela Câmara Municipal de Loulé.
O espaço do Loulé Design Lab abre as suas portas a todos os que o queiram visitar, conhecer os projectos residentes e participar nas várias actividades disponíveis.
No dia 3, o programa arranca às 17h30, com uma visita aberta às instalações, situadas no Convento do Espírito Santo. Serão apresentados os projectos incubados e os parceiros deste projecto, seguindo-se a assinatura do acordo de colaboração entre a Câmara Municipal de Loulé e o Grupo IKEA.
Às 18h30, os visitantes poderão, ainda, assistir às primeiras sessões da programação da Casa-Animal com os autores Musa paradisíaca e a performance A-MAR na Cerca do Convento.
Já no dia 4, o espaço do Loulé Design Lab estará aberto entre as 10h00 e as 19h00, período durante o qual os participantes poderão conhecer os projectos e empresas incubadas, bem como aprender a encadernar um livro, executar um banco em madeira, um objecto em cortiça, ver a impressão de um objeto em 3D, entre outras actividades.
O Loulé Design Lab é um laboratório de criação, investigação e experimentação onde são disponibilizadas condições para a formação e fixação de uma comunidade criativa, com o design como eixo de acção, com forte ligação à cultura local e em rede global com outras instituições e projectos de referência.
As principais linhas programáticas deste espaço são o acolhimento e a incubação de criadores em espaços de coworking, oficinas partilhadas e showroom; a promoção de projectos de investigação aplicada à produção local; um laboratório de criação e desenvolvimento de produtos; uma rede de oficinas parceiras e uma programação regular com residências artísticas, workshops, conferências e exposições. Neste momento encontram-se incubados 10 projectos.
Fonte: O Algarve Económico