terça-feira, 31 de março de 2020

Condeixa-a-Nova e da Pampilhosa da Serra fomentam isolamento social dos mais idosos

Equipas dos municípios de Condeixa-a-Nova e da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, andam de porta a porta a entregar bens alimentares e medicamentos aos mais idosos para incentivar ao isolamento e evitar contágios do novo coronavírus.
A meio da manhã de segunda-feira, em Condeixa-a-Nova, uma equipa de três elementos liderada por Pedro Camarinha, técnico superior da autarquia, começa por ir levantar as receitas médicas ao Centro de Saúde, adquire os medicamentos e passa por uma unidade de comida “take-away” antes de iniciar a distribuição.

“Levamos a casa das pessoas essencialmente bens alimentares, o cabaz e a medicação, cujo pedido é feito por chamada telefónica”, explica à agência Lusa o coordenador da equipa, que se faz acompanhar pelos estagiários Nuno Trindade e António Jorge, voluntários nesta missão.

Na retaguarda desta equipa está o “trabalho exaustivo do gabinete de ação social e da proteção civil, e também do gabinete de imprensa, que ajudou a divulgar todo este projeto”, sublinha Pedro Camarinha, referindo que, atualmente, estão a ser distribuídos “cinco a seis cabazes” de alimentos e 10 a 12 entregas de medicamentos diárias.

O presidente da Câmara, Nuno Moita, realça à agência Lusa que o município adotou esta medida “cedo em relação ao resto do país, porque se tomou nota do que acontecia na Europa, particularmente na Itália”.

“Com a preocupação de as pessoas mais idosas e reformadas não saírem de casa, criámos uma equipa que vai ao domicílio das pessoas e substitui as suas saídas”, frisa o autarca, salientando que a medida se aplica a pessoas com mais de 65 anos, reformados ou com doença crónica.

Além das compras e medicamentos para os idosos que o solicitam, a Câmara de Condeixa-a-Nova está também a apoiar os mais desfavorecidos, que já estavam sinalizados pelo gabinete de ação social.

“Temos um aumento de procura, e ainda bem, porque é sinal de que as pessoas não estão a sair de casa”, disse Nuno Moita, referindo que o município está a reforçar as equipas para responder ao aumento de pedidos.

Segundo o autarca, “pelo número crescente de pedidos, as pessoas estão a gostar desta medida, que em parte as conforta, porque é uma proximidade que a Câmara leva, dentro de algo para o qual ninguém estava preparado”.

Bem no interior do distrito de Coimbra, no concelho da Pampilhosa da Serra, o município iniciou também um programa de distribuição porta a porta para os mais desfavorecidos e isolados, num território com uma população bastante envelhecida e 109 aldeias muito dispersas.

“Estamos a ter uma atenção muito particular com todas as pessoas, porque sabemos que maioritariamente são pessoas de idade, que já naturalmente tinham alguma dificuldade para se deslocarem e que esta situação da covid-19 ainda veio agravar mais”, realça o vice-presidente da autarquia à agência Lusa.

Segundo Jorge Custódio, “o que a Câmara fez logo no primeiro dia foi montar equipas com funcionários, que através de uma linha telefónica dedicada exclusivamente para o efeito centralizam todos os bens essenciais de que as pessoas necessitam, nomeadamente medicamentos ou alimentação”.

“Obviamente, se estamos a pedir às pessoas que vivem muito isoladas para ficarem em casa, sem qualquer hipótese de virem aos mercados e supermercados fazerem compras, temos de fazer chegar essa ajuda”, sublinha.

Algumas destas pessoas “já estavam sinalizadas previamente pelo gabinete de ação social e, portanto, é a própria Câmara Municipal que está a apoiar financeiramente as aquisições dos medicamentos e noutros caos há em que a Câmara faz este serviço de compras e leva ao domicílio”, acrescenta.

Na segunda-feira, a seguir ao almoço, Idalina Barata, funcionária da autarquia, arrancou do centro da vila da Pampilhosa da Serra para efetuar entregas de medicamentos e bens alimentares em várias povoações do imenso território do concelho.

A primeira paragem ocorreu em Sobral de Baixo para deixar alguns sacos de compras a Laurinda Figueiredo, viúva, de 86 anos, que sofre de bronquite asmática e diabetes, e tem de rendimento apenas a reforma de sobrevivência por morte do marido.

“Não sou só eu, andamos todos assustados, mas não tenho saído de casa. O único contacto que tenho é com a minha cunhada e o marido”, conta a octogenária, que se não fosse este serviço municipal não tinha forma de ir às compras à vila da Pampilhosa da Serra.

A doença consome-lhe os parcos rendimentos, já que por cada viagem até Coimbra para ir ao médico gasta 80 euros. “E só em novembro fui lá três vezes”, lamenta Laurinda Figueiredo, embrulhada num xaile preto.

Mais uns quilómetros à frente, na aldeia de Coelhal, a viatura da Câmara volta a parar, desta vez para entregar uma saca de medicamentos a Gracinda Barata, também de 86 anos, que antes da pandemia da covid-19 ia de autocarro à Pampilhosa da Serra para os adquirir.

“Isto é muito vantajoso, mas não estávamos habituados”, salienta à agência Lusa.

A octogenária, que tem estado sempre em casa na aldeia onde nasceu e sempre residiu, desabafa: “Para onde é que uma velha com quase 87 anos ia agora?”.

Para já, alimentos não são precisos, já que depois da última visita da filha ficou com “muita coisa para arranjar, se for capaz”.

Sempre de máscara no rosto no contacto com os mais idosos, Idalina Barata é uma funcionária que faz deste trabalho uma missão.

“É um bocado difícil, porque o concelho é realmente muito grande, mas acho que é acolhedor para o nosso coração ajudar quem mais precisa”, enfatiza.

NDC

Marinha Grande | BOLSA MUNICIPAL MG VOLUNTÁRIOS

Criada pela Câmara Municipal da Marinha Grande, a Bolsa MG Voluntários pretende prestar auxílio ao projeto linha MG SOLIDÁRIA, que visa apoiar cidadãos com doenças crónicas (devidamente atestadas) e cidadãos em isolamento sem apoio familiar direto, provocado pela pandemia de Coronavírus (COVID-19), que não possam deslocar-se à rua e que vivam em situação económica desfavorecida.

Este apoio prestado pelo Município da Marinha Grande pretende abranger a satisfação de necessidades básicas, designadamente no serviço de entrega de alimentos e de medicamentos, bem como outros apoios na implementação de medidas do Município (por ex. Apoio ao Centro de isolamento e quarentena).

Caso tenha entre 18 e 50 anos de idade e pretenda ser um dos voluntários deste projeto basta contactar a linha de apoio do Serviço Social da Câmara Municipal da Marinha Grande, através do telefone 244 023 738 ou preencher o formulário através deste link --- https://bit.ly/2wEa1NV

Silves | Em articulação com a Autoridade Marítima

MUNICÍPIO DE SILVES RESTRINGE ACESSOS AOS ESTACIONAMENTOS JUNTO ÀS PRAIAS DO CONCELHO
O que Fazer - Visitar - Armação de Pêra (Algarve)? Melhores Locais ...
Tendo em vista acautelar cenários de propagação de COVID-19, por concentração de pessoas junto à orla costeira, o Município de Silves, em articulação com a Autoridade Marítima, restringiu, desde o passado dia 28 de março, os acessos às zonas de estacionamento da Praia Grande e da praia de Armação de Pêra.

Como forma de monitorização destas zonas, a autarquia promove periodicamente levantamentos destas zonas através do recurso a um drone, medida que, conjuntamente com o reforço de patrulhamento da GNR e Polícia Marítima, permitirá atuar mais rapidamente em caso de necessidade.

O Município de Silves sensibiliza a comunidade para a importância de adoção de comportamentos responsáveis e para a necessidade de todos se manterem em casa, para que, desta forma, se possa ultrapassar esta fase de mitigação por COVID-19, a mais grave das fases de resposta a esta pandemia.

Cientista da UC analisa os modos de transmissão da COVID-19 à luz dos conceitos de Qualidade do Ar Interior


Face à atual situação de pandemia da Covid-19, Manuel Gameiro da Silva, professor catedrático do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), alerta que a qualidade do ar interior é crítica.

Por isso, afirma o especialista em climatização, enquanto se mantiver a crise pandémica, «não devem ser realizadas reuniões presenciais e os espaços interiores com ocupação humana devem ser fortemente ventilados, exclusivamente com ar novo, para diminuir as concentrações do vírus, no caso de uma eventual contaminação por partículas em suspensão, e, desta forma, reduzir o risco de infeção».

Manuel Gameiro da Silva defende ainda que «quando se planeia uma saída, para locais frequentados por outras pessoas, deve-se levar máscara e, se possível, viseira. As máscaras normais não são completamente eficazes na retenção das partículas de menor dimensão, pelo que o uso combinado com uma viseira aumenta substancialmente a eficácia de retenção».

Estes alertas resultam de uma análise que o cientista da UC decidiu realizar devido às dúvidas suscitadas sobre «a importância que as autoridades de saúde, quer a nível nacional, quer a nível internacional, atribuem ao papel que desempenham os diferentes modos de transmissão na propagação das infeções virais e as consequências que daí podem advir».

Considera o autor que, «sem que haja uma evidência científica que o justifique, se tem menorizado o papel que pode ser desempenhado pela transmissão através do modo de partículas em suspensão e que, em consequência, se têm desaconselhado algumas das medidas de proteção que, provavelmente, estarão na base das taxas de propagação da epidemia mais modestas em alguns países asiáticos».

Não havendo dúvidas de que o novo coronavírus, SARS-Cov-2, se transmite maioritariamente através das partículas exaladas pelos doentes contaminados, Manuel Gameiro da Silva explica que os diferentes modos de transmissão das doenças infeciosas estão associados a partículas de dimensões diferentes: as partículas grandes (superiores 50 mícron), que são exaladas e se depositam nas superfícies, são responsáveis pela transmissão por contato; as partículas intermédias (de 10 a 50 mícron) são responsáveis pela transmissão direta do emissor para o recetor, denominada transmissão por gotas; finalmente, as partículas mais pequenas (menos de 10 mícron) são responsáveis pelo modo de transmissão por partículas em suspensão, podendo permanecer no ar por horas, ser transportadas a longas distâncias e inaladas.

Relativamente ao efeito da temperatura e da humidade, o também coordenador da Iniciativa Energia para Sustentabilidade da UC refere que «tipicamente, a persistência dos vírus é mais alta com temperaturas frias do que com temperaturas quentes e como a humidade desestabiliza a camada protetora de gordura dos vírus do tipo coronavírus, a persistência do vírus é maior em ambientes secos. A radiação solar tem uma componente de radiação ultravioleta que prejudica a persistência dos vírus pelo que, nos ambientes interiores sem luz natural direta, há condições mais favoráveis para a persistência dos vírus como partículas em suspensão».

Manuel Gameiro da Silva defende a «redefinição do conceito de distância de segurança entre pessoas e a necessidade de uso generalizado de equipamentos de proteção das vias aéreas superiores (máscaras e viseiras) sempre que se preveja que se vai estar num ambiente com ocupação múltipla».
Em anexo, segue o artigo integral produzido pelo cientista da UC. Esta análise integra-se na plataforma UC Against Covid-19 que acaba de ser lançada pela Universidade de Coimbra.

Cristina Pinto

Segunda transmissão de covid-19 na Cidade de Maputo

A cidade de Maputo completa hoje 129 anos desde a sua elevação a ...

O ministro da Saúde anunciou neste sábado (28) a segunda transmissão de covid-19 na Cidade de Maputo. "Dos novos casos testados, 63 revelaram-se negativos e um caso foi positivo para o coronavírus", disse Armindo Tiago que se escusou a indicar o sexo, idade e nacionalidade do oitavo infectado pelo novo coronavírus em Moçambique.

"Em Moçambique, foram testados até hoje (28 de Março de 2020), foram testados 205 casos três suspeitos, dos quais 64 nas últimas 24 horas. Estes números indicam claramente que a nossa capacidade de testagem aumenta diariamente. Dos novos casos testados, 63 revelaram-se negativos e um caso foi positivo para o coronavírus. Este novo caso é de transmissão local. Temos no país, de forma cumulativa, oito casos positivos dos quais seis importados e dois de transmissão local", disse em conferência de imprensa o ministro Armindo Tiago.

O @Verdade apurou que 49 dos casos suspeitos testados entre sexta e sábado são cidadãos moçambicanos do sexo masculino que tiveram contacto com algum dos sete infectados pelo covid-19. Onze foram testados por terem estado em contacto com pessoas com doença respiratória aguda grave e quatro contactaram com viajante proveniente de país afectado pelo novo coronavírus.

Dentre os 205 testes realizados pelo Instituto Nacional de Saúde oito foram de casos suspeitos em crianças, quatro em adolescentes, 58 em adultos e onze em idosos.

Cidade de Maputo é o epicento da covid-19 em Moçambique

As autoridades de Saúde testaram mais 43 casos suspeitos de covid-19 em Moçambique entre quinta(26) e sexta-feira (27) e "todos revelaram-se negativos para o novo coronavírus". A Directora Nacional de Saúde Pública esclareceu que os sete infectados continuam em isolamento domiciliar na Cidade de Maputo, assim como os 96 contactos que tiveram.

"Em Moçambique, ao nível do Instituto Nacional de Saúde, até hoje, 27 de Março de 2020, foram testados 141 casos suspeitos, dos quais 43 nas últimas 24 horas. Dos novos casos testados, todos revelaram-se negativos para o coronavírus. Portanto, actualmente, o nosso país tem o registo de sete casos positivos dos quais seis importados e um de transmissão local. Actualmente, temos um total cumulativo de 96 contactos em acompanhamento", disse em conferência de imprensa a Dra. Rosa Marlene.

O @Verdade apurou que entre os casos suspeitos, na maioria do sexo feminino, 29 são cidadãos moçambicanos.

De acordo com a Directora Nacional de Saúde Pública os casos positivos continuam com sintomatologia ligeira e por isso não precisam de tratamento hospitalar, estão em isolamento nas suas residência na Cidade de Maputo.

A Dra. Rosa Marlene precisou ainda que todos os cidadãos que tiveram algum tipo de contacto com os sete infectados estão a ser acompanhados pelas autoridades de Saúde na capital moçambicana.

O @Verdade descortinou que estavam em quarentena nesta sexta-feira (27) apenas 1.367 viajantes reconfirmando que os quase dez mil moçambicanos que regressaram da África do Sul nos últimos dias não estão a obedecer o protocolo de 14 dias de quarentena domiciliária por serem provenientes de um país onde a covid-19 foi diagnostica em mais de mil pessoas e tinha causado dois óbitos.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Moçambique | Estado de Emergência pelo "elevado risco da rápida propagação comunitária" da covid-19 em Moçambique

Foto da Presidencia da República
"Devido ao elevado risco da rápida propagação comunitária" da pandemia covid-19 que entrou na fase intra-epidémica em Moçambique o Conselho de Estado, empossado nesta sexta-feira (27), reuniu e aconselhou ao Presidente da República "a "enveredar pela declaração do Estado de Emergência". Aguarda-se o posicionamento do Chefe de Estado que, se decidir declarar o Estado de Emergência, deverá ainda submeter a sua decisão à ratificação da Assembleia da República.

Composto por Esperança Bias, Lúcia Ribeiro, Verónica Macamo, Alcinda de Abreu, Felizarda da boaventura Paulino; Maria Massamba, Jamisse Taimo, Aminuddin Mohamad, Juliano Picardo, Abdul Ibraimo, Alberto Chipande, Eduardo Nihia, Daviz Simango e Ossufo Momade a 1º reunião do 2º mandato o Presidente Filipe Nyusi teve como ponto único de agenda a situação do novo coronavírus que já infectou sete cidadãos no nosso país.

"Devido ao elevado risco da rápida propagação comunitária da covid-19, o Conselho de Estado aconselhou ao Chefe do Estado a enveredar pela declaração do Estado de Emergência, nos termos da alínea b) do artigo 165, da Constituição da República de Moçambique, conjugado com a alínea b) do artigo 2, da Lei nº 5/2005 de 1 de Dezembro, que regula a organização do Conselho de Estado e define o estatuto de seus membros", indica um comunicado da Presidência da República.

O comunicado refere ainda que este órgão de consulta do Presidente Filipe Nyusi saudou "aos profissionais da saúde que não têm poupado esforços no cumprimento da sua missão", saudou "ao Governo pela criação da Comissão Técnica Científica de Resposta a covid-19 e encorajar que continue a desenvolver, com zelo e profissionalismo o seu trabalho", agradecer "ao povo moçambicano que, consciente do contexto actual, tem acatado as recomendações emanadas pelo Governo, apelando que se continue a massificar a educação cívico-sanitária", e ainda reconhecer "o trabalho das congregações religiosas, apelando-as a reforçarem as medidas preventivas, junto dos seus fieis e cidadãos, em geral".

Constitucionalmente o Presidente Nyusi pode declarar o Estado de Emergência por um período de 30 dias que são prorrogáveis por iguais períodos até três.

Após a declaração do Estado de Emergência o Chefe de Estado deve submeter o documento à Assembleia da República para ratificação num prazo máximo de 48 horas.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique