quarta-feira, 9 de setembro de 2026
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Peritos vinculam a queda no relatório PISA dos alunos portugueses ao abuso de ecrãs
- A hiperconectividade, o acesso cada vez mais precoce ao telemóvel e a dificuldade em manter a atenção afectam o rendimento escolar
- 75% dos adolescentes portugueses têm um smartphone antes dos 13 anos de idade
Portugal recua 20 anos no relatório PISA. Os estudantes portugueses obtiveram os piores resultados desde 2000 em leitura e desde 2003 em matemática, ou seja, recuaram mais de 20 anos no rendimento escolar. Os alunos obtiveram 460 a matemática, 462 a leitura e 482 pontos em ciências, o único valor mais em linha com a média da OCDE.
O descalabro levou os peritos a analisarem as razões da deterioração educativa dos jovens, onde destacam a invasão massiva dos ecrãs na vida diária das crianças e adolescentes como um dos principais fatores que explicam estes resultados. Que papel desempenham os ecrãs? Os peritos esclarecem: podem provocar a perda de capacidade para manter a concentração, a diminuição da leitura por prazer e o tempo que os adolescentes dedicam aos dispositivos digitais.
O último relatório sobre a infância e tecnologia da SaveFamily assinala que 81% dos menores passam mais de uma hora por dia em frente aos ecrãs durante a semana, percentagem que supera os 90% durante os fins de semana. Além do mais, 75% dos adolescentes portugueses já dispõe de um smartphone antes mesmo dos 13 anos de idade.
“O problema não é apenas quanto tempo passam os menores conectados, mas também como estão desenhadas as plataformas para os reter. Estamos frente a sistemas que fomentam o uso continuado e dificulta a desconexão, o que tem a sua repercussão direta no rendimento escolar dos jovens”, assinala Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily.
Um dos sintomas mais preocupantes está, precisamente, na leitura. A OCDE detesta mais dificuldades quando os estudantes enfrentam textos mais extensos. A OCDE situa o ponto crítico nas 400 palavras, quando começam a observar-se problemas para manter a atenção e processar a informação. O organismo relaciona este fenómeno com a leitura cada vez mais rápida num contexto marcado pelo consumo imediato característico das redes sociais. Além do mais, referem que onde o uso de ecrãs é menor, os resultados educativos tendem a ser melhores.
A esta perda de atenção junta-se a dificuldade dos próprios adolescentes para regular a sua relação com os dispositivos. De acordo com o relatório da SaveFamily, quase metade, 48%, reconhecem ter perdido o controlo do tempo que passam em frente a um ecrã e que um de cada quatro utiliza o telemóvel como forma de escape para esquecer os problemas. 17% assegura ter tentado reduzir a utilização sem o ter conseguido e 11% admite que o telefone afeta negativamente o seu rendimento escolar.
“Estamos a observar como a tecnologia entra na vida dos menores sem uma progressão adaptada ao seu desenvolvimento. Isto gera um excesso de exposição que pode ter efeitos devastadores no seu bem estar emocional, nas suas capacidades de concentração, nas suas relações sociais e, por isso, também no seu nível académico”, assinala Álvarez.
O problema também não se limita ao rendimento académico. Os adolescentes que passam mais de três horas diárias em plataformas digitais duplicam o risco de sofrer de problemas psicológicos, de acordo com os dados recolhidos pela SaveFamily. O relatório alerta, ainda, para a ansiedade associada à desconexão, necessidade constante de interação digital e, até, respostas agressivas quando se tenta retirar o telefone.
A isto junta-se uma nova capa: os algoritmos e a Inteligência Artificial permitem personalizar, continuamente, aquilo que cada utilizador vê. No caso dos menores, a combinação do acesso precoce e dos sistemas algorítmicos pode provocar que os jovens abusem excessivamente dos ecrãs sem serem sequer conscientes disso.
“As tecnologias atuais não apenas oferecem conteúdo, mas também adaptam-no constantemente ao utilizador, o que aumenta a sua capacidade de influência. Por isso, os peritos recomendamos que os menores tenham uma imersão digital escalada para reforçar a literacia digital e avançar para uma incorporação progressiva e supervisionada da tecnologia durante a infância”, explica o perito da SaveFamily.
O retrocesso educativo implícito no relatório PISA aponta também que a disciplinas nas aulas tem piorado, assim como os fatores sociais, escolares e familiares. Mas são os ecrãs e a expansão do smartphone o que gera mais preocupação entre os peritos que procuram uma fórmula para evitar que a hiperconectividade condicione a capacidade de ler, concentrar e aprender.
Acerca de SaveFamily
A SaveFamily é uma empresa espanhola líder no desenvolvimento de smartwatches com GPS para crianças e idosos. Desde 2017 trabalha para aproximar a tecnologia às famílias com dispositivos pensados para melhorar a comunicação, a segurança e a autonomia dos utilizadores.
A empresa está presente em mais de 43 países e serve a mais de um milhão de famílias através de uma ampla gama de dispositivos tecnológicos orientados para a segurança e o bem-estar.
*Newsline Agência de Comunicação