segunda-feira, 19 de junho de 2017

Fogo avança para Coimbra e Castelo Branco

Incêndio de Pedrógão Grande com balanço provisório de 62 mortos
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O incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou hoje para os distritos de Castelo Branco e Coimbra, mantendo-se o balanço provisório de 62 mortos.
Segundo o balanço mais recente divulgado no domingo à noite, pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, 62 pessoas morreram e 62 ficaram feridas, duas delas em estado grave, na sequência do incêndio que afetou Pedrógão Grande e outros dois concelhos do distrito de Leiria.
No distrito de Leiria, além de Pedrógão Grande, foram também afetados os concelhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.
Já esta manhã, o comandante das operações de socorro, Elísio Oliveira, disse aos jornalistas que dez pessoas, três das quais acamadas, foram retiradas de casa pelos bombeiros na aldeia de Aguda, Figueiró dos Vinhos, devido ao incêndio que lavra naquela zona.
Esta noite a ANPC mudou o posto de comando operacional que estava instalado em Pedrógão Grande para o concelho de Ansião, também no distrito de Leira, dada a necessidade de ter uma "melhor cobertura de rede".
A estrutura está agora localizada no mercado municipal da freguesia de Avelar, cerca de 20 quilómetros a oeste da localização anterior.
Nas últimas horas as autoridades reabriram todas as estradas do distrito de Leiria que estavam encerradas devido aos incêndios, mas mantém-se os cortes de vias nos distritos de Coimbra e Castelo Branco.
Dado o impacto do incêndio, o Ministério da Educação suspendeu as aulas e os exames nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos (distrito de Leiria), Sertã (Castelo Branco) e Pampilhosa da Serra (Coimbra).

Fonte: Lusa
Foto: NUNO PINTO FERNANDES/ GLOBAL IMAGENS

Comentário: à hora em que divulgamos esta noticia esperamos que a chuva tenha acabado com o incêndio

J. Carlos

Porquê?

P
 
 
Enquanto Dormia
 
David Dinis, Director
 
Já lá vamos, ao porquê. Antes disso tenho que lhe contar sobre o que se passou em Londres e Paris:
No Norte de Londres, uma carrinha atropelou várias pessoas na madrugada desta segunda-feira, junto a Finsbury Park e a uma mesquita. A polícia já confirmou que uma pessoa foi declarada morta no local e que o suspeito, um homem de 48 anos, foi detido, depois de ter sido impedido de sair do local pelas pessoas que estavam na rua. O Governo e o mayor da cidade falam de um ataque terrorista - mais um. E a descrição do que aconteceu não pode fugir à palavra de sempre nestes casos: tragédia. Para ler, aqui.
De França vêm notícias com sorrisos - pelo menos de Emanuel Macron e da maioria que votou no seu partido. O Republique En Marche conseguiu mesmo uma maioria absoluta no Parlamento e abriu todo um novo ciclo político no país. O Jorge Almeida Fernandes escreveu o porquê.

Porquê?

Porquê? Pelo menos 62 vezes "porquê?". Andamos há anos e anos — 50 anos pelo menos — a ouvir os especialistas dizer a mesma coisa. Todos os anos perguntamos, todos os anos nos respondem que agora vai ser diferente. Nunca é. Porquê?
Como escreve a Ana Fernandes, no texto que lança o nosso trabalho sobre Pedrógão, que é também sobre a maior das nossas tragédias, os incêndios: “Não há rigorosamente nada de novo a dizer. Já tudo foi estudado, explicado e escrito na última década e meia. Houve comissões para todos os gostos e feitios. E foi feito muito trabalho sério. Faltou tudo o resto.” E de novo perguntamos: porquê?
Na procura das respostas a esse porquê, é preciso começar por este texto: "O que é que falhou neste sábado? Tudo, tal como falha há décadas". E é preciso seguir caminho pelo Pinhal Interior (colonizado pelo eucalipto), para perceber melhor o que escreve o Manuel Carvalho ("Um desastre a interpelar o nosso futuro"), a pergunta de Henrique Pereira dos Santos ("Imprevisível?"), a de Fernando Santos Pessoa (“Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?”) ou estas respostas de Paulo Fernandes às nossas primeiras dúvidas ("O mínimo era que encerrassem estradas a tempo e horas"). As nossas dúvidas não acabam: como lidar com os campos ao abandono? E teria sido possível evitar esta tragédia? 
E vamos ter que voltar atrás, às horas mais terríveis, para respondermos ao porquê: hora a hora, em Pedrógão, como foi? E ler também o que é a trovoada seca, que se diz ter sido o causador do incêndio. Mas o nosso "porquê" continua aceso. Porque não chega um raio seco para explicar como aquela imensidão de território passa do paraíso para este inferno, visto pelas lentes do Paulo Pimenta. Para explicar o que viu e ouviu a Patrícia Carvalho ("Começou a chover lume e Dora pediu a Dulce que lhe levasse os filhos para os salvar"), a Sandra Rodrigues e o Adriano Miranda (“Num segundo as chamas estavam a quilómetros, noutro já estavam em cima de nós”), ou a Liliana Valente ("não têm casa por uma noite ou não têm casa de todo?").
Na sua hora mais triste, o país juntou-se para ajudar os sobreviventes. A entreajuda, de que fala o Rui Tavares, aconteceu em tal dimensão que a ministra já veio pedir para que não se mande mais comida. Mas não é só de alimentos, que as famílias e bombeiros precisam: ainda há muito que podemos fazer , antes mesmo de nos dedicarmos a "devolver ao mundo a sua normalização", como explica o Márcio Berenguer, com a ajuda dos que ajudaram a recuperar dos incêndios na Madeira, no Verão passado.
Com o país de luto face à tragédia, com o Presidente a pedir que se adiem as "interrogações", nós continuaremos por aqui. A registar as primeiras páginas (nossas e as de lá de fora), a anotar textos na concorrência que vale a pena ler, a acompanhartudo ao minuto. A fazer a pergunta que tem muitas perguntas dentro: "porquê?". Porque já são anos demais a fazer o luto. Porque não podemos repetir a mesma pergunta outra vez. Porque só assim Portugal poderá, sem medo nem vergonha, voltar a olhar-se ao espelho. Porque é esta a nossa missão: fazer perguntas, até que alguém nos responda.

Se quiser outras leituras

1. Vai correr bem? O que os pais dizem sobre os exames dos filhos. A Clara Viana e o Samuel Silva foram saber junto de figuras conhecidas do público como vivem a altura em que os filhos se prepararam para os exames e o que pensam destas provas. As atitudes e opiniões divergem, mas no essencial todos se preocupam. A avaliação arranca nesta segunda-feira. Começas tu, Clara de Sousa? Já ontem, por aqui, tinha ficado um trabalho interessante para pais e filhos (Será que os exames como os conhecemos têm os dias contados?) e uma entrevista ao ministro da Educação.
2. As negociações do “Brexit” começam em modo de navegação à vista. E começam hoje em Bruxelas, com um calendário exigente, enormes obstáculos e muitas incertezas sobre os planos britânicos, explica a Ana Fonseca Pereira. Para perceber o ponto de partida, eis o que quer o Reino Unido e as condições da UE. Para nos pôr a pensar sobre isto, o Manuel Carvalho escreveu um quase manifesto ("O Reino Unido não pode ser humilhado"), enquanto João Pedro Castro Mendes, do Institute of Public Policy, foi por aqui: "A very British mess".
3. Helmut Kohl, o bom gigante. Fez a nossa capa de sábado, quase toda a capa, porque há homens que ganharam um lugar na história - porque mudaram a nossa história. O obituário foi escrito pela Teresa de Sousa e começa no dia 11 de Janeiro de 1996, voltando depois atrás. Num outro texto, Carlos Gaspar circunscreve-se a um pequeno grande momento na história do chanceler da nossa geração: o da reunificação.

A agenda de hoje

Só mais um minuto...

... para lhe pedir (pedir mesmo) que leia a crónica do Adriano Miranda, o repórter fotográfico do PÚBLICO que no sábado à noite saiu de casa e se pôs a caminho da estrada da morte. "O meu filho Filipe perguntou porque tinha de ser eu a ir para Pedrógão. Respondi que era o dever. A missão. Perante mim e perante o jornal que represento. Parti com um adeus. Cheguei ao IC8 e já estava cortado. Esperei e fiz nova tentativa. Consegui. E com os máximos galguei a serra até ver o clarão ao longe. Com curvas e rectas entrei numa aldeia. Velhos estavam sentados. À espera. Meti pelo caminho que me levava às luzes azuis. Ali estava ele. O monstro. Assobiava e dançava numa atitude de gozo. Os soldados da paz e das aflições gritavam. Os velhos continuavam à espera. E depois, aquela senhora de preto. Nunca mais a esquecerei"O Adriano continua a crónica, por aqui. E o trabalho dele no inferno ficará para sempre neste sítio.
Ao Adriano, e todos os jornalistas do PÚBLICO, deixo um abraço forte e um obrigado pelo esforço incansável das últimas horas.  
Para si, hoje, na despedida, só lhe consigo dizer mais isto: estaremos por aqui, sempre. Até já.

André Villas-Boas doa 100 mil euros para famílias

Treinador português do Shanghai SIPG prometera doar 10 euros por cada like numa publicação no Instagram
O treinador português André Villas-Boas revelou-se este domingo solidário com os acontecimentos em Pedrógão Grande e ao início da tarde colocou uma foto na sua rede social Instagram onde revelou que iria dar 10 euros por cada like. Contas feitas, o treinador acabou por revelar que irá transferir 100 mil euros para ajudar esta causa.
"O meu muito obrigado a todos os que contribuíram na minha página a favor das famílias das vítimas da tragédia de Pedrógão Grande. Amanhã serão transferidos 100 mil euros em apoio às mesmas. Força Portugal", escreveu.

Fonte: DN

“A sociedade tem de sair do armário”

Milhares de pessoas participaram na Marcha do Orgulho LGBT deste sábado em Lisboa. O esquerda.net recolheu depoimentos de manifestantes sobre as razões da adesão a esta marcha. Por Pedro Ferreira.
“Disseram ao meu filho para ir ao médico”
Sou mãe de um jovem homossexual e é a terceira vez que venho à marcha porque é importante quebrar os preconceitos que persistem em relação às pessoas LGBT.
O meu filho sofreu muito e na escola chegaram mesmo a dizer-lhe para ir ao médico procurar tratamento. E acredite que a sugestão foi feita por alguém com responsabilidades diretivas no estabelecimento de ensino onde ele andou.
Eu aceitei a sua homossexualidade sem problemas porque sempre entendi que os comportamentos padronizados em torno da orientação sexual das pessoas são uma construção de natureza essencialmente cultural. Já o pai teve mais dificuldades, mas ainda assim nunca deixámos de ser uma família equilibrada que o apoiou para que ele conseguisse ultrapassar os receios que sentiu.
As novas gerações já têm outra atitude perante estas questões mas é preciso perceber que a legislação. que precisa de ser mais inclusiva, só por si não consegue evitar todas as situações de violência e exclusão que ainda se fazem sentir. E assim, continua a ser importante vir para a rua e afirmar de cabeça erguida que a homossexualidade a bissexualidade ou a transexualidade são tão naturais quanto a heterossexualidade. (Maria São Tomé, economista)
“As regras impunham o casamento e a maternidade ao lado de um homem”
A comunicação social anda sempre à procura de histórias fantásticas sobre a sexualidade, não é? Mais a sério, posso dizer-lhe que fiz um longo e violento percurso até encontrar o meu ponto de equilíbrio e assim reconciliar-me comigo mesma.
Quando era adolescente sentia atração por raparigas mas tentei sempre fugir dessa realidade para ser igual às minhas amigas. Por isso, namorei com rapazes e acabei mesmo por casar e ter dois filhos. Tinha de ser assim porque a regras eram para cumprir e estas impunham o casamento e a maternidade ao lado de um homem. Na minha vida durante muitos anos não houve lugar para a felicidade porque eu estava a contrariar a minha natureza. Só depois dos 40 anos e de um enorme sofrimento interior que me levou quase a por termo à vida tomei a decisão de mudar tudo e ir viver com a Teresa. A atitude do meu ex-marido não foi das melhores mas os meus filhos depois de terem passado dois anos em casa dos avós, vieram viver comigo e com a minha companheira.
Foi muito duro e de vez em quando ainda sinto algum constrangimento devido à atitude de determinadas pessoas. Às vezes basta um olhar para se perceber que toda esta abertura que se registou na sociedade portuguesa tem ainda muito de falso, hipócrita. É também por isso que aqui estou hoje, na defesa do respeito pela liberdade de cada um que é a única maneira sensata de impedir que a liberdade de todos seja posta em causa. (Adelaide, 47 anos, administrativa)
“Uma caminhada para a qual estamos todos convocados”
Talvez por ser de uma geração mais nova não consigo entender porque é que as pessoas ainda criticam as pessoas por causa da sua orientação sexual.
Eu tenho amigos gays e amigas lésbicas que muitas vezes confessam a sua mágoa pelas observações jocosas de que são alvo. Este tipo de atitudes são incompatíveis com o respeito pelos direitos das pessoas e apesar de serem crime continuam a ser prática corrente. Os estereótipos sociais ainda estão muito presentes no nosso país e é também por essa razão que o machismo ainda limita a afirmação das mulheres na sociedade. Podemos ser um oásis se comparados com a Tchetchénia onde os gays são perseguidos e assassinados ou a Indonésia onde recentemente um tribunal condenou dois jovens a 82 vergastadas em público. Isto faz sentido? Claro que não e por isso os passos que já demos são parte de uma caminhada para a qual estamos todos convocados para  não deixar que as questões de género fiquem prisioneiras do vazio que caracteriza os discursos politicamente corretos. (Ana Duarte, 24 anos, estudante)
“É raro sentir-me representado naquilo que me rodeia”
Sou gay, nunca tive problemas com esse facto, mas muitas vezes sinto que a sociedade se sente incomodada com algo que só me diz respeito a mim. Costumo dizer em tom de brincadeira a quem vem com a conversa do normal versus anormal para me dizer onde é que está escrito que a orientação sexual tem um único sentido? Como imagina, só ouvi argumentos disparatados.
Nunca me sentei num café ou num banco de jardim para decidir se queria ser hetero, homo, bi, tal como não fui eu que decidi que ia ter esta altura ou a pele branca. Faço-me entender? Não sou menos homem do que os outros, mas é raro sentir-me representado naquilo que me rodeia porque o universo em que nos movemos é homofóbico e olha para a realidade de uma forma preconceituosa . E é por isso que se continua a insistir em divisões ridículas e artificiais que passam pela existência de brinquedos para meninas e meninos, nas cores masculinas e femininas ou na publicidade que nos mostra sempre quadros familiares compostas pelo homem, a mulher e eventualmente os filhos. Por isso e na minha opinião é a sociedade que tem de sair do armário porque eu sinceramente nunca lá estive. (Hugo Santos, 34 anos, professor)
“Um beijo ofensivo e criminoso”
Há umas semanas estava numa estação de metro aqui em Lisboa com o meu namorado e trocámos um beijo o que é natural entre duas pessoas que se amam. Quase de imediato ouvimos uma voz masculina gritar “porcos, criminosos, deviam ser presos, vão fazer para isso para a puta que vos pariu”.
Já era noite, a estação tinha pouca gente e o caso morreu ali, com exceção de um ou outro olhar que denotava curiosidade e até reprovação em relação à nossa atitude.
É crime manifestar publicamente o sentimento que nos une a outra pessoa só porque ela é do mesmo sexo? Depois de chegarmos a casa eu e o Afonso [companheiro de Diogo] falámos um pouco sobre o que tinha acabado de acontecer e tomámos a decisão de o fazer mais vezes para combater este tipo de comportamentos que inibem ainda muitas pessoas de viver a sua vida com naturalidade.
Curiosamente, passados alguns dias veio a público o caso daquelas raparigas que numa escola do norte do país foram admoestadas pelos responsáveis da escola por terem dado um beijo durante o intervalo das aulas.
Portugal tem nesta matéria legislação avançada em relação a muitos países o que já é muito positivo porque a mesma contribuiu para a diminuição da segregação das pessoas LGBT. Falta ainda um avanço cultural e aí os educadores dos miúdos têm um papel decisivo na desconstrução de mentalidades ainda marcadas por um conservadorismo sem sentido e que atenta contra os mais elementares direitos humanos.
Se fizer uma sondagem serão poucos, muito poucos mesmo, aqueles que lhe vão dizer que são racistas, homofóbicos ou machistas. No entanto, aquilo que se passou connosco na estação do metro não surgiu do nada, tal como não é circunstancial os números terríveis relacionados com a violência doméstica, ou as atitudes de natureza xenófoba ou racista que são tomadas não só pelo cidadão comum mas também por responsáveis políticos como aconteceu ainda esta semana com aquele deputado europeu do PS.
É importante que as pessoas não ignorem estas manifestações. Em Lisboa, no Porto, em Bragança ou em qualquer outra parte, estamos aqui para afirmar a diversidade e exigir que a mesma seja respeitada. (Diogo, 29 anos, biólogo)
“A gente vem a este mundo para ser feliz”
Acha estranho que um velho como eu lhe diga que não acha mal essa coisa da homossexualidade? Nunca vi isso com maus olhos porque cada um tem o direito de gostar de quem quiser. Se calhar eu não sou a pessoa mais indicada para falar consigo sobre o assunto. Eu moro aqui perto do jardim do Príncipe Real e como já estou reformado venho aqui quase todos os dias e até conheço alguns moços e moças que namoram uns com os outros e vem para esta zona por causa dos bares e das discotecas. A minha mulher já é mais critica do que eu mas mesmo assim não ofende ninguém. Nós somos de outro tempo onde tudo tinha de ser feito às escondidas senão estávamos tramados. Olhe eu vi-me aflito para dar o primeiro beijo à minha mulher. Ela tinha medo, dizia que isso era uma vergonha e que depois eu já não casava como ela.
Quando era novo conheci um rapaz...eh pá, sofreu muito aquele homem. Era homossexual e depois a polícia começou a andar atrás dele, os pais puseram-no fora de casa. Foi para o estrangeiro, ninguém lhe dava trabalho. Nunca mais soube dada dele.
Agora já podem casar e adotar filhos e assim é que está bem. A gente vem a este mundo para ser feliz não é para sofrer, não é verdade? E há por aí tanta miséria, tanta gente a passar mal. Tive dois dois filhos que me deram três netos e aquilo que mais quero é que eles sejam felizes. (António Pascoal, 74 anos).
Fonte: Esquerda.net

“Este é o momento da solidariedade com as vítimas e bombeiros”

Catarina Martins manifestou pesar pelas vítimas do incêndio florestal de Pedrógão Grande e apelou à ativação imediata dos mecanismos de solidariedade no combate às chamas e apoio às populações afetadas.
Catarina Martins anunciou o cancelamento da agenda pol´tiica do Bloco nos próximos dias. Foto esquerda.net
“O incêndio que está a ocorrer em Pedrógão Grande e Castanheira de Pera assumiu as dimensões de uma tragédia que nós nunca vimos. Neste momento o que há a dizer é naturalmente o pesar para com as famílias e amigos das vítimas, toda a solidariedade com as populações e os bombeiros que estão neste momento no terreno numa missão tão difícil e com todas as forças que os estão a apoiar, entre militares e civis”, afirmou Catarina Martins numa declaração aos jornalistas na manhã de domingo, desejando também “uma rápida recuperação aos feridos que estão hospitalizados.
O Bloco de Esquerda cancelou a agenda de iniciativas partidárias até à próxima terça-feira. Nesta declaração feita na sede do partido, Catarina deixou três apelos: em primeiro lugar, a que a solidariedade nacional e internacional para com estas populações “seja ativada o mais depressa possível”. Em segundo lugar, e tendo em conta que há mais incêndios a acontecer no país neste domingo marcado por altas temperaturas, apelou a que “toda a gente cumpra regras de segurança e que esteja atenta aos apelos da Proteção Civil”. E um terceiro apelo, dirigido à comunicação social, “para garantirem a necessária reserva das vítimas”. A coordenadora bloquista destacou “o enorme esforço” que os órgãos de comunicação têm feito nas últimas horas, “com enorme desgaste para os jornalistas”.
Questionada pelos jornalistas sobre a leitura política dos acontecimentos trágicos deste incêndio, Catarina sublinhou que “este é o momento da solidariedade para com as vítimas e de acorrer ao que está a acontecer para travar esta tragédia o quanto antes”.
“Claro que depois terá de haver avaliação. Sabemos que temos problemas no país que estão mal resolvidos há muito tempo, mas hoje é o dia de toda a solidariedade para com as populações e bombeiros e do nosso pesar para com as vítimas. Teremos tempo para tudo o resto”, concluiu. 
Fonte:Esquerda.net

Chamas voltaram a alastrar e ameaçam várias casas em Alvaiázere

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Várias casas da freguesia de Maçãs de Dona Maria, concelho de Alvaiázere, distrito de Leiria, encontram-se ameaçadas pelo incêndio que voltou a alastrar e três localidades estão a ser evacuadas, disse hoje a presidente da câmara.

Em declarações à agência Lusa, cerca das 21:00, Célia Marques contou que "a situação agravou-se consideravelmente" desde o final da tarde, quando o fogo parecia estar controlado, acrescentando que a "situação é caótica" e que, neste momento, "há casas em risco".

Os habitantes das localidades da Tapada, Casal Agostinho Alves e Relvas estão a ser retirados e encaminhados numa carrinha para a sede da Casa do Povo da freguesia, que fica numa zona mais urbana e segura.

A presidente da Câmara de Alvaiázere explicou que o incêndio agravou-se, também pelo facto de já não haver meios aéreos a operar, acrescentado que há também dificuldades ao nível das comunicações.

Cerca das 19:45, a autarca explicou à Lusa que várias casas estiveram durante a tarde de hoje ameaçadas por um incêndio que ainda se mantinha ativo, sem, no entanto, colocar populações em risco, àquela hora.

Célia Marquês contou na ocasião que as populações viveram momentos "muito difíceis" durante a tarde, acrescentando que a zona, "muito acidentada ao nível do terreno", prejudicou o combate às chamas.

Contudo, a presidente do município de Alvaiázere estava apreensiva com o vento que acabou por potenciar a evolução das chamas.

"Estamos a aguardar pela noite e está-se a levantar algum vento, pelo que estamos um bocadinho apreensivos com o desenrolar da situação, mas estamos atentos. O fogo ainda está a arder, mas já não há populações em risco", sublinhou na altura Célia Marques.

De acordo com a página da internet da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), às 21:10 estavam empenhados no combate às chamas deste incêndio em Alvaiázere 102 operacionais, apoiados por 30 viaturas.

Fonte: Lusa

“A nossa dor não tem medida, somos como um só”

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Numa comunicação ao país, Marcelo Rebelo de Sousa disse que esta era uma "hora de dor, de ânimo e de combate" e apelou à solidariedade e união de todos.
"É uma tragédia sem precedentes na história do Portugal democrático", palavras do Presidente da República. Numa comunicação ao país, o chefe de Estado afirmou que "uma só morte já seria, por si só, uma tragédia mas reiterou que esta é hora do combate, do realojamento e da construção".
Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que já a partir de amanhã vai juntar-se às forças no terreno e afirmou que neste momento "a dor não tem medida"
"Nos instantes mais difíceis da nossa vida enquanto nação somos como um só para Portugal. A nossa dor, neste momento, não tem medida", afirmou.
Marcelo Rebelo de Sousa considera ser normal que se sinta "injustiça", mas pediu que se guardasse este sentimento. "A tragédia atingiu um país rural, isolado, com pessoas mais idosas, mais difíceis de contactar de proteger e de salvar", mas os portugueses devem concentrar-se no essencial: "manter o combate e a solidariedade por todos os que sofrem e sofreram com esta tragédia e que somos um só povo por Portugal".
O chefe de Estado agradeceu o trabalho de todas as autoridades e entidades que estão a trabalhar no combate às chamas.
O Presidente da República confirmou que promulgou o decreto do Governo que declara luto nacional por três dias, pelas vítimas do incêndio no distrito de Leiria. "Em consequência, toda a programação dos próximos dias da agenda presidencial foi anulada e a bandeira nacional está a meia haste no Palácio de Belém".
O Presidente da República esteve no local do incêndio na madrugada de hoje, onde chegou pelas 00:40, para deixar uma palavra de ânimo e conforto a todos os envolvidos no combate ao incêndio, e considerou na altura que "o que se fez foi o máximo que se podia fazer".

Fonte: Lusa