terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Angola. CHUVA ABENÇOADA NO CUNENE

A província do Cunene, que sofria há três anos de uma forte seca, teve chuva em abundância durante a passagem de ano. Uma bênção e sinal de um ano de 2017 de muitas realizações.
A chuva é um fenómeno da natureza indispensável para a produção agrícola, uma vez que ajuda a irrigar os campos onde são cultivados alimentos para sobrevivência humana. A criação de gado na província do Cunene constitui um dos motivos que deixa satisfeitos os criadores. O capim verde renasce da terra e alimenta os bois e cabritos para satisfação das populações. 

A passagem de ano no Cunene  foi considerada calma pelas autoridades policiais.Houve um único registo de morte e três feridos em estado grave por descarga eléctrica no município do Cuanhama. A chuva também traz destas coisas.

A província de Luanda, ao contrário da agitação que se observou no sábado com os preparativos para a passagem de ano, despertou ontem calma e tranquila. As ruas estavam praticamente vazias. As chuvas que caíram de madrugada refrescaram o ambiente e levaram muitos munícipes a levantarem-se mais tarde. As águas paradas voltaram a provocar constrangimentos. Estradas alagadas e esburacadas e muito lixo marcaram ontem o postal da urbe luandense. 

Na noite do dia 31 de Dezembro para 1 de Janeiro o festival de pirotecnia realizado na Baía e na Ilha de Luanda, no distrito urbano da Ingombota, arrastou milhares de cidadãos para a baixa luandense, principalmente jovens. Muitas famílias optaram por passar o final de ano na zona da Marginal e Ilha do Cabo, com muitos cidadãos a abrir o champanhe pelo nascer de mais um ano. Está a tornar-se um hábito e uma tradição. São aos milhares as pessoas que se dirigem à Ilha.

Fogo-de-artifício

O lançamento de fogo-de-artifício deu as boas vindas ao novo ano para as famílias que desejam ver neste ano uma grande oportunidade para colocarem em marcha os planos adiados em 2016, por força das dificuldades por que passa a economia nacional mas não impede a inovação e a critividade.

Os jovens, alguns consumidos pelo entusiasmo, dançavam e esticavam as mãos aos céus, como forma de agradecer por terem chegado a 2017.

À semelhança do que vem ocorrendo há anos, Luanda deu mostras de não estar ainda preparada para receber grandes quantidades de chuva. A que caiu na madrugada da passagem de ano deixou os bairros do Cazenga, Capolo, Calemba 2, Bairro Popular, Vila da Mata e outros com as ruas inundadas. Algumas famílias, que decidiram passar o final de ano na zona da Marginal, viram-se e desejaram-se para regressar a casa.

Muitos jovens decidiram regressar a casa a pé e debaixo da chuva, ao passo que outros pernoitaram debaixo de prédios na zona baixa da cidade até a chuva passar. 

Os pequenos buracos existentes ao longo de algumas vias, tanto na zona baixa da cidade como nos arredores, contribuíram para os constrangimentos no trânsito. Os automobilistas foram forçados a manobras de gincana para se desviarem dos buracos. Junto ao Clube Náutico da Ilha de Luanda, na Baía, os automobilistas tiveram que desviar o sentido de marcha, encostando mais a viatura para a direita devido aos buracos e à água da chuva que caiu na madrugada. Os pequenos buracos existentes em vias reparadas recentemente também exigiam a precaução dos automobilistas.

A via que vai dar à Cuca estava totalmente alagada, agravada pelos buracos que se verificam naquele pavimento. Como alternativa, os automobilistas eram obrigados a reduzir ao mínimo a velocidade.

Bebé do ano 

O primeiro bebé do ano nasceu com 3,20 quilos na Maternidade Lucrécia Paim e chama-se Jeferson. Para deixar os males de lado, muitos jovens procuraram ontem a praia da Ilha de Luanda para inaugurar o novo ano e retirar a ressaca com um bom mergulho no mar. Para outros, a festa do novo ano continuou durante o dia. Muitos foram para a praia em família, ao passo que outros jovens, como Bernadete João, Lourenço António e Clementina Patrício foram à praia numa excursão de 30 pessoas. Cerveja,  sumos, refrigerantes e pratos grelhados marcaram a festa dos jovens junto ao mar. O ar estava mais fresco. Por volta das 18 horas, alguns começaram a abandonar o local a pé, porque a maior parte dos taxistas resolveram não trabalhar e ficar com a família.

Ao longo da ronda efectuada pela reportagem do Jornal de Angola constatou-se a existência de muitos contentores abarrotados de lixo, desde a zona baixa até à periferia da cidade. Na zona da Marginal também eram visíveis, nas primeiras horas da manhã e princípio da tarde, alguns focos de lixo. O capim verde da Marginal estava muito maltratado, devido aos milhares de cidadãos que pernoitaram sobre o capim, antes fresco, e que só saíram devido ao cair da chuva por volta das três da madrugada.

Bombas vazias

Os automobilistas registaram ontem uma redução das filas nas bombas de combustíveis, praticamente “às moscas”. É que muitos automobilistas pernoitaram em várias festas e decidiram ficar em casa a recuperar energia para começar a trabalhar hoje. Mas a sorte não foi a mesma para quem trabalha em regime de turno. A Polícia Nacional continuou durante o dia de ontem a fazer o seu trabalho de patrulhamento nas principais vias da cidade de Luanda, com operações de prevenção à criminalidade e sinistralidade rodoviária. 

A equipa do Jornal de Angola deslocou-se, por volta das 17 horas, ao Hospital Josina Machel e verificou pouca enchente no banco de urgência. Os doentes que iam chegando eram prontamente atendidos pela equipa médica presente.

Cuanza Sul e Cabinda

A situação delituosa durante a passagem de ano na província do CuanzaSul revelou-se calma, quer no capítulo de cometimento de crimes, como em acidentes de viação. De acordo com o Comando Provincial do Cuanza Sul da Polícia Nacional, a quadra natalícia, assinalada a 25 de Dezembro, apresentou  mais casos de ofensas corporais em relação à passagem de ano. Houve uma redução significativa de crimes e a corporação explica o facto com o bom comportamento cívico dos cidadãos durante as maratonas músico-culturais na sede provincial e nos municípios. O comando provincial promete apresentar em breve o balanço geral da actividade policial na passagem de ano.

O director do Hospital Central de Cabinda, Alberto Tembo, disse que a passagem de ano na província mais a norte do país foi calma, sem casos graves. Na noite de 31 de Dezembro de 2016 para 1 de Janeiro de 2017, o hospital prestou assistência a 150 pessoas e foram todos casos sem gravidade. “Ontem, o dia também decorreu sem problemas graves. Tudo correu bem, felizmente”, disse o director e médico Alberto Tembo. 

A província de Benguela também teve uma transição calma, de acordo com o porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional. O intendente Pinto Caimbambo disse que houve apenas o registo de um morto por acidente de viação.

O Jornal de Angola notou uma urbe que despertou calma e a meio da manhã de ontem a cidade estava praticamente deserta. A maior parte dos habitantes de Benguela preferiu permanecer em casa para recuperar forças para enfrentar hoje a primeira jornada laboral do ano.

Em todos os cantos da cidade de Benguela era notória a presença de agentes da ordem pública e de trânsito, para garantirem segurança à população. O destaque na transição do ano na cidade das Acácias Rubras também recaiu para o grande movimento de cristãos que se dirigiram às igrejas, para suplicar e agradecer a Deus por lhes ter protegido durante o ano findo e pedir a bênção para que 2017seja um ano de muito sucesso.Em Benguela também houve fogo-de-artifício no Largo de África.

A cidade vida (Huambo) acordou ontem calma e preparada para retomar hoje o trabalho em força.

André da Costa – Jornal de Angola – Foto: Ampe Rogério

FACEBOOK vs MARTINHO JÚNIOR: CHECK POINT BLOCK. BLOQUEIOS CONTINUAM

Demorou menos de uma semana a nova página que abri com meu nome próprio e com um pedido de identidade final por parte do Facebook, pedido esse que correspondi enviando cópia do meu Bilhete de Identidade.
Estava a colocar os comunicados da ASPAR, quer na minha página, quer na página do fantoche Luaty Beirão e isso foi insuportável para quem manda, até por causa da forma como os fui colocando; recordo a introdução:

POR CAUSA DO LUATY BEIRÃO O FACEBOOK BANIU A PÁGINA DA ASPAR, ACÇÃO SOCIAL PARA APOIO E REINSERÇÃO!...

... e apagou isto:


Por conseguinte não vou perder mais tempo no Facebook e regresso aos procedimentos anteriores, enviando o que produzir para o Página Global, na espectativa que ela também não seja fechada no Facebook, pois enquanto Blogspot a audiência não é a mesma.

Por conseguinte é possível angariar pelo menos uma parte dos meus amigos no Facebook em benefício da audiência no Página Global, onde poderão recolher as intervenções que eu fizer... livrando os participantes de quaisquer comentários meus.

Bloquearam-me quando estava a colocar na minha página o texto abaixo, tendo surgido em branco e com o último link que referencio:


Boas entradas para 2017 e a Luta Continua.

Aquele abraço

UM PASSO MAIS PARA O CAOS

O ano de 2016 representou, em todo o Médio Oriente, mais um passo em direcção ao caos que os estrategos de Washington e do poder absoluto dos Estados Unidos sobre a globalização – independentemente do ocupante da Casa Branca – dizem ser construtivo.

José Goulão – AbrilAbril, opinião
Nos anos 90 do século passado, sobre os escombros da União Soviética e quando a unipolaridade sob tutela norte-americana reinava, com poder absoluto, em quase todo o mundo, o Dr. Paul Wolwovitz cavalgou as nuvens do tempo e sentenciou: «O nosso principal objectivo é evitar o ressurgimento de qualquer rival que signifique uma ameaça semelhante à da anterior União Soviética, tanto na ex-URSS como em qualquer outro lugar. Esta é a base da nossa nova estratégia de defesa regional, e exige o nosso esforço para evitar que uma potência hostil domine uma região cujos recursos, sob um poder consolidado, sejam suficientes para gerar a energia global».

O Dr. Wolfowitz não foi apenas o secretário adjunto da Defesa de Bush filho na preparação da tragédia do Iraque, na verdade a mãe de todas as situações dramáticas que, país após país, território sobre território, enformam o Médio Oriente de hoje, sem dúvida a tal região «cujos recursos, sob um poder consolidado, sejam suficientes para gerar a energia global».

O Dr. Wolfowitz, um discípulo da autêntica seita do filósofo neoconservador Leo Strauss, que trabalhou sobre a «teoria do caos construtivo», é um ideólogo que está por trás de todas as últimas administrações norte-americanas, Bill Clinton e Obama incluídas, seja em pessoa, seja através das correias de transmissão da CIA. O Dr. Wolfowitz é, desde os anos 60, um incansável teorizador em torno da ideia de que não existe verdadeira política que não esteja geminada com os cérebros da inteligência, isto é, sem ser guiada pelos serviços de informações e espionagem.

Pois o ano de 2016 representou, em todo o Médio Oriente, mais um passo em direcção ao caos que os estrategos de Washington e do poder absoluto dos Estados Unidos sobre a globalização – independentemente do ocupante da Casa Branca – dizem ser construtivo. Com isso querem dizer: «esqueçam tudo o que existia antes e que tenha sido traçado pelos acordos Sykes-Picot: os Estados Unidos e Israel ditarão sobre a nova ordem regional que estão a delinear».

Isto é, para todos os efeitos, a França, o Reino Unido, a Alemanha, a União Europeia e todos aqueles que se julgam importantes mais não são do que piões de uma estratégia da qual receberão muito mais facturas e sofrimento do que migalhas: «o nosso principal objectivo é evitar o ressurgimento de qualquer rival (incluindo, claro, a União Europeia), sentenciou o Dr. Wolfovitz; a Arábia Saudita, as petroditaduras do Golfo e a Turquia funcionam como financiadores e instrumentos operativos da estratégia, executada através do cada vez mais multifacetado aparelho imperial da NATO; e o terrorismo islâmico é uma arma útil e disponível consoante as circunstâncias, com a vantagem acrescida de manter a Europa amarrada ao medo, à crise migratória, à crise financeira, de identidade e respectivas sequelas, reduzida a um parceiro dócil e dependente.

Restam a Rússia e os seus laços internacionais, sobretudo com a China, como eventual «rival a ressurgir». Daí o golpe na Ucrânia, o cerco do território russo por uma NATO tão «defensiva» que se transformou no mais poderoso sistema agressivo de sempre; por isso a operação de guerra, terrorismo e mentira montada na Síria; aí onde, pela primeira vez, a estratégia de «caos construtivo» esbarrou num obstáculo sério.

O que aconteceu então no Médio Oriente, em 2016, no caminho para o caos?

Na Palestina, ainda e sempre o problema central de direito internacional e direitos humanos da região, o mundo e as suas instituições, com realce para a ONU, continuam a dar cobertura à gradual ocupação de todo o território por Israel, através do processo ilegal de colonização. Constrói-se assim o Estado-âncora do novo mapa em elaboração, à medida que o regime sionista se enraíza na sua versão autoritária, racista e fundamentalista religiosa; enquanto a Autoridade Palestiniana se afunda através da marginalidade institucional – e por vezes colaboracionista – do poder de Mahmmud Abbas; e Gaza definha por causa do cerco israelo-egípcio e nas mãos do sistema autoritário e retrógrado do Hamas, uma sequela da Irmandade Muçulmana. Ao mesmo tempo, a ONU atinge o seu nível historicamente mais degradante ao colaborar, na prática por omissão, no processo ilegal de colonização e ao emprestar a sua tutela à grande mistificação internacional que é o «quarteto para a paz», encabeçado por essa figura repugnante chamada Tony Blair.

O Iraque já não existe. No território que definia o país acumulam-se poderes religiosos, tribais e de entidades terroristas, compondo um mosaico de protectorados sectários que evolui tendencialmente para a partilha prevista com a invasão norte-americana em 2003, então temporariamente abandonada e agora retomada em registo mais lento. Um poder xiita em Bagdad, uma entidade colaboracionista curda com sede em Arbil, e um Sunistão em construção através da operação da conquista de Mossul, com base em minorias turcomanas teleguiadas por uma Turquia islamo-fascista, são as três regiões planificadas para o território, embora o caos reinante esteja longe de garantir a ordenação desejada pelos «cartógrafos». Al-Qaida, Daesh e os seus múltiplos tentáculos, conduzidos por senhores da guerra obedecendo a influências várias, formam uma constelação que, a par dos serviços úteis que vai cumprindo, provoca incómodas entropias à sistematização pretendida em Washington e Telavive. Por exemplo, Estados Unidos e Israel pretendem uma transferência dos grupos terroristas mais poderosos, de modo a concentrarem a capacidade operacional na Síria, mas os últimos episódios militares, tanto em Alepo como em Palmyra, têm corrido muito mal à Al-Qaida e ao Daesh, apesar de este ter sido reforçado pelos efectivos recolocados a partir de Mossul.

No Afeganistão, tal como em 2001, a guerra e a ocupação da NATO continuam, agora à entrada de 2017. Neste território, onde os poderes fácticos garantem o mais proveitoso e global tráfico de ópio e heroína de que há memória, a NATO tem testado a integração de novos ramos operacionais, sejam eles exércitos privados com as chancelas de empresas de segurança transnacionais, ou grupos de mercenários criados para contornar os esforços militares governamentais e privatizar, a par da guerra, as baixas por ela provocadas.

Também na Líbia, onde o caos continua a reinar, sem afectar a indústria petrolífera e garantindo, por outro lado, o tráfico de seres humanos que procura alargar esse caos humanitário à Europa, se expõem os resultados da integração de novos tipos de ramos operacionais na NATO. Neste caso, trata-se de grupos terroristas salafitas, aparentados com o Daesh e a Al-Qaida, que disputam entre si a Tripolitânia e a Cirenaica, registando-se até o caso penoso de a ONU ter dado o seu apoio a facções que transitoriamente pretendem invocar legitimidade em Trípoli.

O Egipto, remilitarizado depois da «primavera» e da Irmandade Muçulmana, transformou-se num importante braço às ordens da Arábia Saudita e de Israel; parceiros estes que estabeleceram relações diplomáticas pudicamente clandestinas em 2016, e que colaboram intimamente na instauração do caos e do terror no Iémen, com o aval de Washington.

Os partidários e obreiros do caos no Médio Oriente juntaram-se em força contra a Síria, onde têm obtido êxitos – destruição e caos propriamente dito – mas depararam com uma barreira que não encontraram em mais nenhum lado na região: resistência aguerrida da legitimidade nacional e institucional.

A guerra dos Estados Unidos, Israel, União Europeia, Turquia e petroditaduras do Golfo contra a Síria tem sido acompanhada por uma tenebrosa campanha de mentiras e propaganda, que teve o seu auge em 2016 com as mistificações em torno da batalha de Alepo. A comunicação social mainstream finge chorar pelas vítimas da região leste de Alepo como nunca chorou pelos destroços humanos provocados em Damasco e arredores, em Raqqa, em Latáquia, em tantas comunidades junto à fronteira com a Turquia ou mesmo na pequena e mártir Maalula, a aldeia cristã onde se fala o aramaico do tempo de Jesus Cristo. O que a propaganda chora em Alepo, na verdade, é a derrota da Al-Qaida, apresentada como «oposição síria», responsável pela tragédia humanitária na segunda maior cidade do país, surdamente apoiada por todas as potências estrangeiras envolvidas na agressão. Alepo demonstrou que o objectivo principal da invasão estrangeira não é combater os grupos terroristas verdadeiramente operacionais – e que tutelam os ditos «moderados» –, mas sim mudar o regime em Damasco e dividir o território em entidades sectárias, a exemplo do Iraque. Liquidando-se assim o maior adversário militar de Israel.

Os acontecimentos na Síria trazem um esboço do pior pesadelo do Dr. Wolfowitz, o «ressurgimento de um rival», e logo a Rússia. Entrou um pauzinho na engrenagem do caos.

Apesar disso, grande parte do Médio Oriente herdado do acordo de Sykes-Picot passou à história; porém, a estratégia do «caos construtivo» esbarrou num braço-de-ferro que significa a ameaça de um conflito de grandes proporções. Esse braço-de-ferro e as tragédias multiplicadas pelas situações caóticas no Médio Oriente são as heranças deixadas por 2016, o ano em que a deriva do capitalismo globalizado abriu as portas da Casa Branca à incógnita Donald Trump.

Foto: Alepo antes da libertação (bairro de al-Shaar, Outubro de 2016)Créditos/ sputniknews

Entrevista: Guterres rejeita ideia de que horror de Alepo é um plano de Deus


O gabinete com vista sobre Nova Iorque pertence agora a António Guterres, na sede da ONU. No dia em que foi feita esta entrevista exclusiva para o JN e o DN, ocupava uma sala de estores fechados por razões de segurança, num edifício secundário. Com uma agenda infernal, não deu sinais de cansaço nem de impaciência, como se não enfrentasse "o trabalho mais difícil do mundo", nas palavras do antecessor, Ban Ki­ moon.

É o nono homem a ser escolhido para este cargo desde que as Nações Unidas foram criadas em 1945, e apesar de já não podermos senti­-lo como o "nosso" António Guterres, português de raízes rurais e cosmopolita por escolha, continua a ser o homem que dias depois de se demitir do cargo de primeiro­-ministro foi dar explicações de Matemática a alunos de bairros degradados. Não perde esse sentido do serviço, do dever, do olhar para o outro. O poder, nele, serve para mudar o mundo para melhor.

Depois de tantas intervenções suas sobre as linhas programáticas para o cargo de secretário-geral, foi surpreendente o seu discurso na receção que o presidente da República deu nas Nações Unidas, no dia 12. Agradeceu a Portugal tudo o que lhe deu, sublinhando a "solidariedade", a "tolerância" e o "diálogo", tão sensíveis neste momento, em particular nos EUA. O que disse não tem nada que ver com os Estados Unidos, tem tudo que ver com Portugal. A tolerância e a compreensão da diversidade como riqueza e não como ameaça, o facto de as sociedades hoje serem, ou tenderem a ser, multiétnicas, multirreligiosas e multiculturais, isso é um bem que requer um investimento para que as coisas corram bem, para que haja coesão social, sem confrontos. Infelizmente esse investimento nem sempre foi feito. Muitas situações, na Europa, são a prova disso. As políticas de acolhimento e integração dos imigrantes nos anos 1960/70 foram muito deficientes em vários países europeus que estão hoje a pagar um preço. É necessário um investimento político, económico, social e cultural para garantir que todos sintam que as suas
identidades são respeitadas e que fazem parte da comunidade, que há um cimento mais forte do que as identidades de origem.


E pensa que Portugal teve uma atitude diferente? Portugal não tem os recursos de outros, temos muitas imperfeições e foi tardia a atenção à integração das comunidades imigrantes. Mas é um país onde o populismo não dá votos, sobretudo o xenófobo, e nenhuma força política relevante utilizou aí as questões da imigração. No quadro europeu, isso tem um significado extremamente importante. Isso dá­-me um grande orgulho como português, até porque vivi, durante dez anos, a causa dos refugiados. Praticamente na totalidade do período em que estive como alto-comissário vi as fronteiras abertas, o regime de proteção de refugiados respeitado. Houve poucos casos de reffoulement ­- é o termo técnico para o envio de um refugiado para onde ele possa outra vez sofrer perseguição. E depois de ter saído do ACNUR, em 2016, assisti a um número crescente de fronteiras fechadas, casos de rejeição de refugiados, maior relutância em relação às políticas de integração, um pouco por toda a parte.

E também a utilização disso em termos eleitorais a calar fundo no eleitorado? Exato. A Europa foi incapaz de gerir a crise dos refugiados. Um milhão de pessoas chegaram a um continente que, na União Europeia, tem mais de 500 milhões. Seriam dois para cada mil, quando no Líbano há um refugiado para cada três libaneses. Com adequada receção, triagem, registo, notificações de segurança e uma distribuição proporcional por avião pelos países europeus, teriam chegado a Portugal 20 a 30 mil pessoas e seria manejável. Se a Europa se tivesse assumido como Europa e não estivesse cada país por si, não teria havido dramas de maior. Mas o que aconteceu foi caótico, descontrolado, uma multidão cruzando fronteira em fronteira em condições extremamente precárias. Olhando para as televisões, as pessoas ficavam com a ideia de «vamos ser invadidos». Ficou fácil o trabalho dos que exploraram os medos e as ansiedades, em termos de populismo político.

E agradeceu também a Portugal o apoio à sua candidatura, nesse discurso. O mínimo que podia fazer era exprimir o agradecimento ao meu país e aos órgãos de soberania, ao governo que me propôs, ao presidente da República que foi entusiástico, aos partidos - quer apoiantes do governo quer da oposição -, ao Parlamento, à sociedade civil e a tantos anónimos que se entusiasmaram com a candidatura e com o resultado. Tinha obrigação de dizer quanto me orgulha pertencer a um país capaz de dar este exemplo de união. Nem todos os candidatos tiveram essa sorte, alguns eram de países divididos e até houve um com duas candidatas. E ao mesmo tempo falar do meu orgulho por Portugal ter continuado a encarnar os valores que foram fundamentais no meu trabalho no ACNUR.


Valores esses que contrastam com o ambiente que rodeia o presidente dos EUA eleito e toda a sua campanha. Não faz muito sentido isolar os Estados Unidos, é um clima geral. A globalização e o progresso tecnológico tiveram resultados extraordinários no crescimento económico global, até na redução da pobreza. A pobreza absoluta no mundo foi reduzida, com um contributo decisivo da China. Os indicadores sociais, como a mortalidade infantil, melhoraram globalmente. Ao mesmo tempo, aumentaram as desigualdades, o que torna mais insuportável a exclusão. A globalização teve os seus perdedores. Nos paí­ses desenvolvidos, na América do Norte e na Europa, há zonas industriais que perderam imensos postos de trabalho e há gerações que ficaram desprotegidas, com dificuldade em adaptar­-se aos empregos criados pelas novas tecnologias. Essas pessoas desenvolveram uma progressiva rejeição de sistemas políticos que acham que não se preocuparam com elas, que os políticos apenas querem o poder e manter­-se no poder. Daí que tendam a votar contra o "status quo". Os governos europeus estão a perder os referendos, o que é um reflexo não tanto das perguntas que são feitas mas de um mal-estar em relação à forma como têm sido governados. O que se passou nos EUA tem muito que ver com isso: as pessoas estavam cansadas do mesmo e queriam algo de diferente.

Fonte: JN

Gasóleo profissional já chegou a todo o país

“Após o período experimental que vigorou de 15 de setembro de 2016 até ao final do ano”, o Governo oficializou, a partir de hoje, dia 2 de Janeiro, o alargamento deste regime “a todo o país”

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No decurso do período experimental, que "decorreu em quatro zonas de fronteira com grande movimento de transporte de mercadorias (Quintanilha, Vilar Formoso, Caia e Vila Verde de Ficalho)", o Governo explica que "registou-se um significativo aumento de vendas de gasóleo, de perto de 400 mil litros entre Setembro e Novembro (de acordo com os dados mais recentes)".
Pelo que, conforme foi noticiado anteriormente, decidiu alargar este regime a todo o país, justificando, numa nota enviada à comunicação social, que "o regime do gasóleo profissional permite que o preço de gasóleo tenha uma carga fiscal equivalente à praticada em Espanha, eliminando o diferencial que existe relativamente aos impostos específicos sobre combustíveis".
Esta foi assim a forma que o Governo português, lê-se no comunicado, encontrou para responder "a uma reivindicação de décadas por parte das empresas de transporte de mercadorias, aguardando apenas a manifestação do interesse, por parte dos operadores do setor dos combustíveis, em terem postos aderentes ao gasóleo profissional".
Refira-se que este regime está em vigor em todo o país a partir de hoje, segunda-feira dia 2 de Janeiro.
noticiasaominuto

O primeiro pâncreas artificial começará a ser vendido neste ano


Posted: 02 Jan 2017 09:29 AM PST
Pacientes com diabetes tipo 1 poderão comprar o MiniMed 670G nos Estados Unidos a partir do mês de março
 
Posted: 02 Jan 2017 06:44 AM PST
Uma das resoluções de Ano Novo mais comuns é perder peso. Confira algumas das melhores dicas para atingir esse objetivo, incluindo como começar, como permanecer motivado e como manter os quilos perdidos
 
Posted: 02 Jan 2017 05:56 AM PST
A grande maioria das espécies do mundo já foi descoberta, mas sempre há alguma criatura nova para ser estudada
 
Posted: 02 Jan 2017 05:25 AM PST
Nada é como parece, especialmente se estiver em sua visão periférica. De acordo com um novo estudo, ela pode muitas vezes ser apenas uma ilusão de ótica
 
Posted: 02 Jan 2017 05:01 AM PST
A empresa coreana Hankook Mirae estreou recentemente seu megabot que pode ser controlado por um piloto, o Method-2. Assista-o dando seus primeiros passos
 

Lousã investe 302 mil euros na reabilitação do castelo medieval

A Câmara da Lousã vai investir 301.623 euros na reabilitação do castelo local, classificado em 1910 como monumento nacional, anunciou hoje a autarquia.

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O projeto inclui a construção de acessos ao imóvel, com apoio comunitário de 212.500 euros, obtido através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), assumindo o município a parte restante do investimento, que ascende a 89.123 euros.
A intervenção no castelo da Lousã, também conhecido como castelo de Arouce, em plena montanha, junto às ermidas da Senhora da Piedade e da piscina fluvial da Azenha, vai ser realizada ao abrigo do Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, afirma em comunicado a autarquia liderada por Luís Antunes.
Para o autarca do PS, citado na nota, estas obras vão permitir "preservar e potenciar um monumento com importância relevante, reforçando a oferta turística" do concelho da Lousã, no distrito de Coimbra.
"O projeto da modernização, que contempla a acessibilização do castelo, intervenções na zona envolvente, nomeadamente com a construção de um espaço de receção e de serviços e outras melhorias dos diversos espaços, é da autoria do arquiteto lousanense Fernando Silva e foi já aprovado pela Direção-Geral do Património Cultural", adianta.
O castelo medieval da Lousã "surge documentado, pela primeira vez, em 1087, no testamento de D. Sesnando Davides", o moçárabe que governou a cidade de Coimbra com o cargo de alvazil.
"Apesar da sua origem incerta, este equipamento assumiu uma posição estratégico-militar de particular relevância entre a conquista de Coimbra, no ano de 1064, e a conquista de Lisboa, em 1147", salienta a Câmara Municipal.
No século XX, entre os anos 20 e 60, sob tutela da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, o castelo de Arouce foi submetido a importantes obras de restauro.
O monumento, na Serra da Lousã, integra a Rede de Castelos e Muralhas Medievais do Mondego.