sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Macroscópio – Há 100 anos, a tragédia de uma revolução. E de uma ilusão trágica

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Macroscópio

Por José Manuel Fernandes, Publisher
Boa noite!

24 de Outubro no calendário russo, 7 de Novembro no nosso calendário. 1917. Em Petrogrado um grupo bem organizado de militantes e soldados tomava de assalto o Palácio de Inverno, prendia o Governo Provisório e tomava o poder. O regime que instauraram duraria até 1991, mas nessas décadas a fé na doutrina que inspirou essa revolução tornou-se, para centenas de milhões de pessoas, numa tragédia imensa. Mais: como o grande historiador francês François Furet descreveu na sua obra magistral O Passado de uma Ilusão - Ensaio Sobre a Ideia Comunista no Século XX, essa ideologia cativou sucessivas gerações de pensadores, funcionando como aquilo a que Raymond Aron chamou O Ópio dos Intelectuais. Espantosamente, ou talvez não porque a memória dos povos é curta, ainda há quem celebre a terrível experiência russa. Em Portugal fazem-no naturalmente o PCP – que tem todo um programa de celebrações – mas também a universidade pública, onde por estes dias se realiza o III Congresso Internacional Karl Marx. Vale por isso a pena reunir neste Macroscópio alguns textos que ajudam a compreender o que se passou na Rússia em 1917 e como evoluiu o regime saído daqueles dias de Petrogrado.
 
Para uma visão de conjunto, como sempre muito informada e interessante, recupero o Conversas à Quinta da semana passada, Como o golpe de Lenine se transformou na Revolução de Outubro, no qual Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto explicam não só como a Revolução de Outubro mudou o mundo há 100 anos. Mais: discutem sobre se ela era mesmo inevitável ou foi sobretudo uma obra do génio de Lenine (podcast acessível aqui).
 
Sendo impossível referir toda a imensa bibliografia existente, aproveitemos a oportunidade de ter sido agora editada em Portugal “A Tragédia de um Povo”, um estudo clássico do historiador britânico Orlando Figes, até porque este esteve em Portugal e deu mais de uma entrevista. Antes porém apreciemos para conhecer uma passagem deste seu livro (um grosso tomo de 900 páginas), até porque o Observador pré-publicou um excerto que incide precisamente sobre o que se passou nos dias logo a seguir à tomada do poder: 1917. Dos autocratas de Smolny à tragédia de um povo. Como se retrata de forma muito vivida nesta passagem, “o ponto crucial do sucesso bolchevique foi um programa de construção e desestruturação do Estado. Nos escalões administrativos mais elevados, procuraram centralizar todo o poder nas mãos do partido e, recorrendo ao terror, exterminaram toda e qualquer oposição política”. Mais: “Desde os primórdios do novo regime, os donos do poder dedicaram-se a combater todos os partidos que se tinham pronunciado contra os acontecimentos de outubro. Para os bolcheviques, bastava apelidar estes partidos de «contrarrevolucionários»”, pelo que não surpreende que “Lenta mas gradualmente, surgia a forma do futuro Estado policial. A 5 de dezembro, o Comité Militar Revolucionário foi extinto e, dois dias depois, as suas incumbências passaram para a alçada da Cheka, órgão de segurança que, posteriormente, ganharia o título de KGB.”

 
Das entrevistas que Orlando Figes concedeu quando passou há poucos dias por Lisboa destaco duas:
  • “Não quero romancear Lenine como o ‘lado bom’ e Estaline como o ‘lado mau'”, que eu próprio realizei e foi publicada no Observador. Nele o historiador defendeu que “Era claro aquilo que se passava em outubro de 1917: havia apoio a um governo baseado nos sovietes, mas não havia apoio para um Estado bolchevique monopartidário. Este acaba por ser imposto de cima para baixo, depois da tomada do poder.” Mais adiante acrescentou que “Outubro é um “coup d'etat” na sua essência e não há qualquer dúvida sobre isso. Aliás é Trotsky que o admite em "A História da Revolução Russa". Até na altura chamaram-lhe uma insurreição.
  • “Não foi Marx que fez de Lenine um revolucionário, foi Lenine que tornou o marxismo revolucionário”, entrevista realizada por Teresa de Sousa para o Público, onde se pode ler, por exemplo, que Lenine “compreendeu o potencial revolucionário de tomar conta do Estado, para depois usar o Estado para exterminar os inimigos através de uma ditadura. A guerra civil é a coisa mais importante, que se tornou num mecanismo crucial das revoluções um pouco por todo o mundo. Nos nossos dias, o Daesh é bolchevique. A guerra civil é o mecanismo da revolução.”
 
Sobre Lenine saiu ainda um outro livro, Lenine, o Ditador — Um Retrato Íntimo, da autoria de Victor Sebestyen, que Isabel Lucas entrevistou também para o Público: “Lenine tomou o poder à maneira russa, e criou uma autocracia brutal”. Esta passagem da conversa entre os dois ajuda a compreender o título: “Como é que alguém que durante grande parte da vida viveu em pensões em várias cidades da Europa arranca com vinte seguidores e toma conta de um dos maiores impérios do mundo? Foi mais prático do que ideológico, tinha um programa e sabia como se organizar. Enquanto uns estavam no café a discutir a revolução, Lenine foi para o terreno pô-la em prática, como só era capaz de fazer alguém tão obcecado com o poder. Foi um dos indivíduos que fazem a História. Ele teria sempre tido sucesso em alguma coisa e provavelmente seria na política, qualquer que fosse a sua ideologia. Era russo e isso diz mais sobre ele do que o facto de ser marxista.” 
 
Continuando nos livros, passo de Lenine para Estaline, até porque acaba de sair o segundo volume de mais uma biografia, e esta verdadeiramente monumental. Escrita por um académico de Harvard, Stephen Kotkin, é sobre ela o interessante ensaio da New Yorker How Stalin Became Stalinist, que parte de uma ideia que ainda confunde muitos: “how the idealistic Soviet revolutionary came to preside over the bloodiest regime of his time.” Não é fácil sintetizar a resposta, mas uma parte dela está na forma como Estaline sucedeu de forma natural e quase inevitável a Lenine, uma questão para que Kotkin sugere várias resposta, nomeadamente a de que “Stalin was, quite simply, the man most qualified for the job. Trotsky claimed that Stalin was adept at manipulating the bureaucracy, and meant this as an insult. In fact, these were the skills necessary to govern a modern state, and they explain why Stalin had already won so much power while Lenin still lived. Trotsky did not have the talent for the dull work of administration. Even in exile, he was constantly undermining his allies and arguing with his friends. In Kotkin’s unsentimental appraisal, Trotsky was “just not the leader people thought he was, or that Stalin turned out to be.
 
(Pequeno mas importante aparte: ainda hoje muitos têm a ilusão de que, com Trotsky, não teríamos conhecido o terror das perseguições, mas essa é uma ideia que José Milhazes contraria veementemente em A Revolução russa teria um fim diferente se Trotski vencesse Estaline?, um texto saído no Observador onde defende que “As tentativas de branquear Trotski, como as de Francisco Louçã, em nada diferem das de branquear Lenine ou Estaline. Todos viam o futuro da URSS sem democracia e sem as mais elementares liberdades.”)
 

Mas voltemos ao livro de Kotkin já o Financial Times lhe fez uma entrevista –Stephen Kotkin explains how Stalin defined the Soviet system – que pode ser ouvida em podcast aqui. Num texto de apoio a essa conversa referem-se os dois volumes já publicadosdesta nova biografia, havendo também uma exlicação para a forma como Estaline chegou naturalmente ao poder: “Kotkin argues nobody feared Stalin because his despotic tendencies didn’t develop until much later. His personality was perfectly “normal” until the mid-1930s, and would have given no hint of his darker potential. Rather than something inherent in Stalin the man, the despotism, in Kotkin’s view, was a product of the system in which Stalin operated. It was the experience of wielding the power of life and death that changed Stalin from a brutal dictator into a capricious monster.
 
Regressando à biografia de Lenine de Victor Sebestyen, a revista judaica The Tablet analisa-o numa ressenção onde também refere a obra mais recente de Anne Applebaum, ‘Red Famine: Stalin’s War on Ukraine’. Em The Sickening Cost of Lenin’s RevolutionDavid Mikics procura explicar “why a century later the central amorality of the unfulfilled Utopian ideal is still with us”. Até porque só um conjunto muito extraordinário de circunstâncias permitiu a vitória dos bolcheviques em Outubro. Com feiro, “If Lenin had failed to return to Russia from Switzerland, if he had been injured in a street accident, if he had suffered a medical emergency, as would happen within a few years, the Bolshevik takeover would not have occurred. None of the other Bolshevik leaders—neither Stalin, nor Kamenev, nor Zinoviev, nor Trotsky—could have played his role.” 
 
(A The Tablet tem dedicado esta semana muitos artigos à Revolução de Outubro, que reuniu numa página especial, sendo que entre esses trabalhos há um com uma pergunta ainda perturbadora: Why Do American Jews Idealize Soviet Communism? A revista argumenta que isso não tem qualquer racionalidade, até porque a experiência comunista nunca verdadeiramente favoreceu os judeus, mesmo sendo judeus alguns dos seus líderes: “Regarding Jews and Judaism, Soviet Communism forbade the practice of religion and the study of Hebrew. The Jewish section of the Communist Party took the lead in persecuting rabbis and teachers, killing some, sending others to certain death. The Soviets hailed the 1929 Arab massacres of Jews in Palestine as the start of the Arab Communist Revolution and formulated the slogans of anti-Zionism that are the basis of anti-Semitism in America today. Soviet propaganda accused Jews of imperialism in the 1930s and (with the Arabs) of racism in the 1970s. (...) The Soviets used the Jewish anti-Fascist Committee to win American support during the Second World War and then executed its leadership in 1952.”)

 
Já a caminho do fim desta selecção de textos, recupero uma outra entrevista, esta saída no El Pais e que tem como protagonista um dos grandes historiadores da Rússia soviética, Richard Pipes. Para ele “No hubo nada positivo ni grandioso en la Revolución Rusa”, sendo curioso como encontra um fio condutor a ligar a autocracia czarista, a ditadura comunista e o autoritarismo putinista: Los rusos no soportan la debilidad. Les gustan los líderes fuertes. Hay una razón histórica por detrás de todo esto: el Estado ruso no ha sido nunca suficientemente coherente, y la única manera de darle coherencia es mediante la intervención de un líder potente. Todos los héroes de la historia rusa son personalidades fuertes: Iván el Terrible, Pedro el Grande, Alejandro III, Stalin, y ahora Putin, un autócrata que cuenta con la aprobación del 85% de la población.”
 
Noutro texto também no El Pais Santos Juliá reflecte sobre como ilusão comunista tocou tantos em tanto lado, especialmente nos meios intelectuais, onde ocorreu uma cegueira teimosa. Por isso em ¡Qué importan los hechos! recorda como muitos intelectuais procuraram justificar o injustificável. Por exemplo: “Jean Paul Sartre afirma que la violencia comunista era el humanismo proletario, la justicia sumaria de la historia. (...)  Aunque quizá el más tremendo testimonio que nos llega de aquel pasado sea el del humanista Maurice Merleau-Ponty que en su Humanismo y terror, partiendo del supuesto de que los comunistas encarnan la conciencia y los intereses del proletariado, única fuerza revolucionaria, considera que las purgas y los procesos no solo fueron táctica y estratégicamente sabios, sino históricamente justos. Una revolución, escribió Merleau-Ponty, no define el delito según el derecho establecido, sino según el de la sociedad que pretende instaurar. Nikolái Bujarin sufrió en su carne la atrocidad de este principio.”
 
E não houve atrocidade como a do Gulag, algo que António Araújo recordou num longo texto para o Público onde parte da obra de Aleksandr Soljenítsin para rever a mais importante bibliografia referente aos campos soviéticos. Em Gulag, mais um dia de vidaescreve, por exemplo, “Vários testemunhos garantem que as crianças da região de Kolymá [um das regiões onde existiam mais campos] ainda usam crânios humanos para transportar as amoras e os morangos silvestres que apanham na floresta”.
 
Não posso por tudo isto deixar de terminar recuperando um texto da Spectator já com alguns meses, da autoria de outro consagrado historiador, Max Hastings. Trata-se de The centenary of the Russian revolution should be mourned, not celebrated e nele se escreve, por exemplo, que “The 1789 French revolution killed only a few thousand aristocrats and transferred land to peasants, who thus became ardent upholders of property rights. The Russian version required liquidation of the entire governing class and transfer of land to collective ownership, an incomparably more radical proceeding.” Mais: “No modern reader can set down the works of Solzhenitsyn, Robert Conquest, Robert Service or Anne Applebaum without a sense of awe at the cruelties committed in the name of ‘the people’, the cause of Russian communism; cruelties indulged almost to this day by their western defenders. It bears notice that German people under the Nazis, with the exception of Jews, enjoyed much greater personal freedom than did Russians at any time after 1917.”
 
100 anos são 100 anos, e por isso peço perdão por este Macroscópio ainda mais longo do que o habitual, mas estando nós a entrar em mais um fim-de-semana, só posso desejar que ele seja inspirador para boas leituras. Até para a semana.  

 
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Opinião: O Estado Português falhou

Se quando o Estado falha aos seus não há lugar a censura, nada mais há a censurar porque o Estado deixou de servir para o essencial

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O Estado Português falhou em duas das suas mais básicas tarefas: a proteção de pessoas e a proteção do seu território. E falhou clamorosamente por duas vezes, em duas ocasiões fatídicas, separadas por quatro meses. E essa falha teve um custo inimaginável, insuportável, inédito. Mais de cem portugueses perderam a vida. Milhares de pessoas viveram horas de agonia, em risco de vida, tentando salvar-se e aos seus bens mais essenciais. A maior área ardida de sempre, espalhada pelo País fora.
O Estado Português falhou e essa falha é reconhecida por todos. Mas o Estado não falhou de forma abstrata, etérea, numa conjugação cabalística de azares. O Estado falhou porque os seus responsáveis políticos não souberam, com a nossa floresta de sempre, o nosso ordenamento territorial de sempre, preparar, organizar, coordenar e executar uma política eficaz de prevenção, combate, reação e socorro capaz de lidar com as dificílimas, mas não inéditas nem inesperadas, condições meteorológicas que se verificaram este ano.
O Estado Português falhou, é o que mostra o relatório da Comissão Técnica independente que procedeu à análise dos incêndios que ocorreram em Pedrógão, que conclui que era possível ter evitado a propagação do incêndio e assim impedido ou limitado fortemente a tragédia, o que não aconteceu por incompetência e descoordenação dos serviços do Estado.
O Estado Português falhou porque o Governo se comprometeu publicamente a tudo fazer para evitar a repetição de uma catástrofe de tais dimensões e nada fez para o efeito. Pelo contrário, passou quatro meses sem agir, à espera de um relatório como se o clima e os fogos esperassem por relatórios, exibindo uma Administração Interna e Autoridade Nacional de Proteção Civil sem capacidade de comando e de ação, não acautelando a extensão no tempo de todos os meios, não acautelando os meios para o fim de semana da catástrofe e ignorando todos os avisos meteorológicos, reduzindo os meios aéreos e ignorando todas as previsões.
O Estado Português falhou na exata medida do falhanço de uma estrutura pensada pelo ex-ministro António Costa e nomeada pelo primeiro-ministro António Costa a pensar mais na amizade do que na competência. O ano de 2017 fica para a história como o pior de sempre em perdas de vidas humanas, e também o pior em área ardida, mais de 500.000 hectares. O fogo destruiu vidas, casas, florestas mal e bem ordenadas, zonas industriais, armazéns e fábricas: o que se viu foi a descoordenação, a incompetência, a total ausência do Estado.
O Estado Português falhou porque os responsáveis governamentais se desdobraram em intervenções inqualificáveis, insuscetíveis de gerar confiança, de orientar as populações, de assumir responsabilidades, de pedir desculpa. Pelo contrário, os responsáveis governamentais apareceram com uma mensagem simples: cada um por si, salve-se quem puder, porque não se pode ficar à espera de bombeiros e de aviões, entregando os portugueses a si próprios, a terem de se habituar a viver assim, como se o falhanço do Estado fosse a nova normalidade, como se a inevitabilidade de incêndios ditasse a inevitabilidade das mortes, como se fosse normal.
O Estado Português falhou porque nos dias a seguir à repetição de uma tragédia o Governo se recusou a assumir responsabilidades, a pedir desculpa pelo sucedido a chamar as famílias das vítimas para as indemnizar, culpando o clima e a floresta e os próprios portugueses pelo sucedido. O Estado Português só não falhou totalmente porque o Presidente da República forçou o Governo a fazer aquilo que este repetidamente se havia recusado a fazer.
Quando o Estado Português falha, e essa falha não evita a morte de mais de uma centena de pessoas, a agonia de milhares de outras pessoas, a maior área ardida de sempre, uma das mais devastadoras destruições do nosso território, que outra reação parlamentar existe, que não uma Moção de Censura?
Quando o Estado Português falha, e essa falha não é suficiente para o Governo, por sua iniciativa, com convicção, assumir as suas responsabilidades, que outra alternativa constitucional se pensou para um partido político poder reagir a um Governo que só atua, e de forma insuficiente, por pressão do Presidente da República, que não uma Moção de Censura?
Quando o Estado Português falha, e essa falha atinge o coração da razão de existência do próprio Estado, que outro instrumento é proporcional a tamanha dor e destruição, que não uma Moção de Censura?

O aproveitamento político está no silêncio ou nas palavras eufemísticas perante o que se passou. Se quando o Estado falha aos seus não há lugar a censura, nada mais há a censurar porque o Estado deixou de servir para o essencial.
Bombeiros Para Sempre
(Artigo Publicado na VISÃO 1286, de 26 de outubro de 2017)
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Verdes preocupados com segurança, financiamento e apoio psicológico dos Bombeiros Portugueses

O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar Os Verdes, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através do Ministério da Administração Internasobre o descontentamento e até tristeza pela forma como os Bombeiros, agentes de Proteção Civil, têm sido acompanhados a todos os níveis perante o cenário de incêndios que se sucedeu ao longo do corrente ano.
Pergunta:
O Grupo Parlamentar Os Verdes realizou nos passados dias 28 e 31 de outubro, um conjunto de visitas às áreas afetadas tanto pelo Incêndio de Pedrógão Grande como pelos Incêndios deflagrados nos dias 15 e 16 de outubro.
Durante essa jornada de trabalho, tivemos a oportunidade, não só, de contactar com as populações afetadas, mas também reunir com vários elementos de Comando de Corpos de Bombeiros de áreas atingidas pelos incêndios.
Ao longo das diversas reuniões com o comando dos Corpos de Bombeiros foi notório a manifestação de algum descontentamento e até tristeza pela forma como estes agentes de Proteção Civil têm sido acompanhados a todos os níveis perante o cenário de incêndios que se sucedeu ao longo do corrente ano.
Os Verdes consideram que os Bombeiros são um dos agentes com maior relevância no pilar do Combate, no que diz respeito ao Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, como tal merecem toda a consideração e respeito. Importa referir que todo o trabalho desenvolvido por estes homens e mulheres é um trabalho de risco, no qual é necessário ter todas as condições de segurança quer em termos de viaturas quer de equipamentos de proteção individual.
Num contexto nacional, os Bombeiros estão na sua maioria integrados em Associações Humanitárias, que dependem economicamente dos serviços de saúde e de emergência pré-hospitalar e de todos os fundos/donativos provenientes de várias entidades, sejam elas do Estado ou particulares. Os Incêndios Florestais representam, em termos de danos, um tipo de ocorrência no qual existem grandes perdas, seja de viaturas ou de equipamentos de proteção individual. Em todos os corpos de bombeiros que visitámos e mantivemos contacto, o PEV foi informado que o fardamento para Incêndio Florestal, a que os Bombeiros têm direito, é de apenas um por cada elemento e que quando o mesmo se danifica, terá que ser a Associação Humanitária ou o próprio bombeiro a substituí-lo. Com as viaturas danificadas, o financiamento para a reparação das mesmas chega só após o término do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF).
Ora, as Associações Humanitárias, não tendo na maioria das vezes verbas suficiente para o arranjo das viaturas, ficam com os veículos em Estado INOP (inoperacional) até que o financiamento chegue, diminuindo assim o efetivo de viaturas e a operacionalidade do corpo de bombeiros.
Os Verdes sabem que também relativamente ao pagamento do combustível, é efetivado por norma no final do DECIF, colocando em causa a subsistência dos Corpos de Bombeiros.
Neste conjunto de reuniões, Os Verdes tiveram também conhecimento que o apoio psicológico não está a chegar a todos os corpos de bombeiros e nos locais onde chega, não é suficiente. As Equipas de Apoio Psicossocial (EAPS) pertencentes à resposta operacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) são constituídas por elementos Bombeiros com formação académica em Psicologia que cumprem serviço operacional, tal como os colegas a quem podem prestar apoio e estão organizados em seis equipas supradistritais
 Assim e considerando que os Bombeiros são o principal interveniente no combate e que, para realizarem o seu trabalho em segurança, necessitam de ter todos os meios, equipamentos e apoio ao seu dispor, solicito, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a S. Ex.ª O Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte pergunta, para que o Ministério da Administração Interna possa prestar os seguintes esclarecimentos:
1-    Relativamente à situação do financiamento:
  1. a)O Governo tem conhecimento dos impactos que o financiamento tem nas Associações Humanitárias e no trabalho que estas desempenham?
  2. b)O Governo já procedeu à transferência dos montantes relativos às despesas de combustível para os Corpos de Bombeiros afetados pelo Incêndio de Pedrógão Grande?
  3. c)Qual o montante (em euros), de material danificado até à presente data em Incêndios Florestais? Deste valor, quanto já foi transferido para os respetivos corpos de bombeiros?
  4. d)O Governo pondera antecipar a transferência de dinheiro relativo a despesas (alimentação, danos e combustível), tendo em conta o excecional ano de Incêndios que afetou o país?
2-    O Governo garante a cobertura de todos os Bombeiros com pelo menos um Equipamento de Proteção Individual para Incêndios Florestais? Para quando está prevista a entrega de mais Equipamentos de Proteção Individual (EPI) Florestal a cada Bombeiro?
3-    Está previsto que os EPIs, tais como fardamento, botas, lanternas, capacetes, luvas, entre outros, possam integrar as despesas de incêndios florestais, tirando desta forma a necessidade de reposição deste material por parte das Associações Humanitárias ou até dos próprios Bombeiros?
4-    Desempenhando as EAPS um papel fundamental na saúde mental dos Bombeiros, quantos Bombeiros receberam apoio psicológico nos meses de Junho a Outubro de 2017? Destes, quantos continuam com apoio diferenciado? Quantas vezes as EAPS foram ativadas pelos Comandos dos Corpos de Bombeiros nos meses de Junho a Outubro de 2017? Qual a periodicidade com que as EAPS visitam os Corpos de Bombeiros no território atribuído a cada equipa?
5-    Que medidas estão previstas a curto prazo para valorizar o trabalho desenvolvido pelos Bombeiros? Para quando está previsto a instituição do Cartão Social para os Bombeiros?
O Grupo Parlamentar “Os Verdes”

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Professores em greve nacional a 15 de novembro

FENPROF marcou protesto nacional para 15 de novembro. Os professores exigem o descongelamento das carreiras.
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A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) anunciou esta sexta-feira uma greve nacional para 15 de novembro e apelou aos docentes para se concentrarem no parlamento nesse dia, durante a discussão do Orçamento de Estado para o setor.
"É importante os professores estarem unidos para fazerem uma tremenda greve e uma grande concentração junto à Assembleia da República no dia em que vai estar em discussão o Orçamento da Educação", afirmou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, durante uma conferência de imprensa, em Lisboa.
O dirigente sindical apelou também à participação dos professores na manifestação nacional que a CGTP vai realizar no dia 18 em Lisboa.
O principal motivo de protesto dos professores, neste momento, está relacionado com o descongelamento das carreiras e a contagem do todo o tempo de serviço, continuando também em cima da mesa reivindicações relativas aos horários de trabalho e um regime especial de aposentação.
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Gasóleo sobe quase dois cêntimos para o nível mais alto desde março

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Combustíveis vão ficar mais caros. Tanto gasóleo como a gasolina vão subir quase dois cêntimos. Se vai abastecer o carro, não espere pela próxima semana.
Não espere pela próxima semana para abastecer o depósito do seu automóvel. Tanto o gasóleo como a gasolina preparam-se para registar agravamentos na ordem dos dois cêntimos por litro já esta segunda-feira. No caso do diesel, o combustível mais utilizado pelos portugueses, o preço regista a terceira semana de subidas, para máximos desde o início do março.
De acordo com os cálculos do ECO com base nas cotações da Bloomberg, o litro de gasóleo simples deverá ficar 1,5 a dois cêntimos mais caro a partir de segunda-feira. Será a maior subida de preço desde o dia 2 de outubro. Confirmando-se este agravamento, isto significa que cada litro de dieselpassará a custar, em média, 1,272 euros, o valor mais elevado desde março, tendo em conta os dados da Direção Geral da Energia.
Em relação à gasolina, o agravamento deverá ser de dois cêntimos, traduzindo-se na maior subida desde setembro. É um agravamento que pode atirar o preço da gasolina simples 95 octanas para o valor mais alto desde abril, nos 1,474 euros.
A revisão em alta do preçário acompanha a evolução das cotações das matérias-primas energéticas durante esta última semana. Até ao fecho desta quinta-feira, o preço médio da tonelada métrica do gasóleo avança mais de 3,5% após a conversão para euros. Já preço médio da tonelada métrica de gasolina valoriza mais de 4%.
eco.pt

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Hora de Fecho: Urban. O modus operandi dos seguranças agressores

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Hora de fecho

As principais notícias do dia
Boa tarde!
O cruzamento de mais de uma dezena de relatos de testemunhas e vítimas ajuda a perceber como se comportam os seguranças do Urban em situações de agressão. O que fazem, como e a quem.
Ministério da Administração Interna ordenou encerramento do Urban Beach na sequência das agressões. Discoteca pode ficar fechada durante seis meses. Três suspeitos detidos e ouvidos este sábado.
Debate do Orçamento segue com a Segurança Social, com Vieira da Silva a recuar ao Programa de Estabilidade de 2015 -- depois do PSD ter recordado sua intervenção no Governo Sócrates. O debate aqueceu.
António Ferreira, o militar que sobreviveu ao disparo de Pedro Dias em Aguiar da Beira, contou na primeira sessão de julgamento como tudo aconteceu naquela madrugada. O GNR diz que a sua vida mudou.
O Estádio da Luz é candidato a acolher a final da edição 2019/2020 da Liga dos Campeões, ao passo que o Estádio do Dragão concorre para receber a final da Liga Europa da mesma época, anunciou a UEFA.
O Instituto Nacional de Estatística lançou o primeiro estudo sobre os preços de venda de habitação em todos os concelhos do país. Saiba quanto custa comprar uma casa nos locais mais caros.
Mauricio Ossola casou com Yolanda Torres, sua tia-avó, em 2015, quando tinha 23 anos e ela 91. Yolanda morreu e agora a segurança social diz que Mauricio não tem direito a uma pensão de viuvez.
Puigdemont fugiu para a Bélgica no dia 29 de outubro, enquanto a equipa do seu coração vencia com o Real Madrid. O plano foi pensado uma semana antes e levou-o a um hotel dos arredores de Bruxelas.
Fernando Santos apresentou os convocados para os encontros com a Arábia Saudita, dia 10 de Novembro, e com os Estados Unidos, dia 14. Ronaldo de fora, Bruma, Ié, Rony e Manuel Fernandes dentro.
Oito pessoas que trabalham ou já trabalharam "House of Cards" contaram à CNN que Kevin Spacey, protagonista da série, tinha um comportamento "predatório", principalmente para com homens jovens.
Opinião

Rui Ramos
O alegado comportamento de Harvey Weinstein e Kevin Spacey só é possível numa cultura onde o assédio sexual pôde passar por um “pecadilho” menor. É chamada "libertação sexual" contribuiu para isso. 

José Manuel Fernandes
Este é o Orçamento da função pública e das corporações, não um OE para servir a economia e os portugueses. Um OE para anestesiar o país e viver sem contestação. "Viver naturalmente" como diria Salazar

Diana Soller
De Bruxelas, Puigdemont fala de “repressão política” dos tribunais e diz que o estado espanhol atenta contra a democracia. Mas pelas suas escolhas, e como as sondagens mostram, caiu em descrédito.

Ricardo Sá Fernandes
Acaba-se com a tributação simplificada em relação a muitos milhares de contribuintes, talvez com algum ganho imediato de receita, mas com a desprotecção de vastos sectores da classe média.

Helena Garrido
O fim do regime simplificado para os recibos verdes é coerente com uma política orçamental concentrada no mercado eleitoral.
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Cleptopredação: cientistas descobrem uma nova maneira que os animais caçam


Posted: 02 Nov 2017 04:00 AM PDT
Pesquisadores da Universidade de Portsmouth foram os primeiros a observar uma nova estratégia de alimentação no mundo natural, nomeada de cleptopredação