quinta-feira, 15 de março de 2018

Conferência Anual do Sector Privado (de Maputo) deve “deixar de ser um órgão de murmúrios” afirma Governo de Moçambique


Foto da Presidencia da República



A Conferência Anual do Sector Privado (CASP) voltou a ser um muro para as lamentações dos empresários da Confederação das Associações Económicas (CTA) cujo presidente até defendeu a isenção da selagem para as cervejas. Em jeito de resposta o ministro da Indústria e Comércio afirmou que “três cervejas cem, não, três blocos de construção cem, sim”, citando um jovem músico. Ragendra de Sousa disse ainda que o Governo espera que a CASP deixe “de ser um órgão de murmúrios mas passe a ser uma instituição mutualista onde os interesses convergem”. O Presidente Filipe Nyusi, que na Conferência de 2016 declarou que a CTA não representa todos empresários de Moçambique, quando foi convidado para dirigir-se a plateia de mais de um milhar de importantes homens de negócios, na sua maioria baseados em Maputo, declarou que não pretendia discursar.
Na sua primeira CASP como timoneiro da CTA, em 2017 o evento não aconteceu, Agostinho Vuma começou por enaltecer algumas boas acções do Executivo assim como do Chefe de Estado mas manteve a tónica de lamentações do seu antecessor, “Senhor Presidente, gostaríamos de encorajar o Banco de Moçambique a ir mais a fundo nas reformas e ajustamentos macroeconómicos necessários para aliviar o sufoco que as PMEs enfrentam”.
Foto da CTA
“O atraso de pagamentos de facturas pelo Estado ao Sector Privado, aliada à problemática do reembolso do IVA exacerbou as dificuldades das empresas em 2017. As empresas enfrentam hoje grandes dificuldades que seriam minimizadas com o reembolso, em tempo útil, do IVA pelo Estado. Gostaríamos de ver um plano para lidar-se com este assunto e uma melhor e mais comunicação com o sector privado”, declarou Vuma.

O presidente do conselho directivo da CTA lamentou que a sua agremiação não foi auscultada pela Assembleia da República para enriquecer a proposta de Lei que Estabelece os princípios e Regras Aplicáveis ao Sector Empresarial do Estado e revelou que “nas actuais condições, não é possível aos agricultores nacionais competirem no mercado com o arroz importado da Tailândia prevalecendo a taxa de direitos aduaneiros de apenas 7,5 por cento. Mesmo que tripliquemos a produtividade actual do arroz, será impossível”.
Confederação das Associações Económicas defende a revisão da Lei de Terras
Agostinho Vuma saiu em defesa da indústria de sumos e refrigerantes, que na óptica do CTA estão a ser prejudicadas pela nova pauta aduaneira aprovada, e ainda defendeu a isenção da selagem das cervejas. O representante do sector privado, maioritariamente baseado na capital pois foi visível a ausência dos empresários das províncias, defendeu a revisão da Lei de Terras tendo proposto a “promulgação de procedimentos simplificados e menos restritivos para a aquisição e transferência de direitos fundiários, tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais, protegendo-se, no entanto, os legítimos direitos costumeiros, comunitários e dos pequenos agricultores à terra”.
Ainda no rol de lamentações Vuma queixou-se que “a CTA apresentou uma proposta de Lei para a participação pública nos processos legislativos e não foi levada adiante”.
“Três cervejas cem, não, três blocos de construção cem, sim”, ministro Ragendra
Reagindo em nome do Governo o ministro da Indústria e Comércio começou por socorrer-se da música popular para dar umas achegas aos empresários de Maputo “(...) ouvimos da CTA um conjunto de preocupações legítimas porém também nos cabe dizer que a CTA hoje já é uma instituição consolidada, já tem mais de 20 anos, contudo o nosso músico Chico António na sua música célebre “Me candongar” nos lembra de onde viemos. Ele diz-nos, e diz nos bem, que há bem pouco tempo nós que hoje estamos nesta sala como empresários dignos do nome éramos chamados candongueiros”.

“Porém, passado este tempo, mais um músico da nova geração nos lembra, a nós empresários, o que é que é ser empresário e diz o jovem “três cervejas cem, não, três blocos de construção cem, sim”. Esta frase encapsula dentro de si própria a função e o dever do empresário para com a sociedade moçambicana. As duas citação anteriores fazem com que a nossa grande batalha neste momento seja a transformação das mentes dos participantes na caminhada rumo ao desenvolvimento” referiu o ministro Ragendra de Sousa, numa indirecta a Agostinho Vuma que é do sector da construção civil.
O governante aludiu a uma lei colonial de controlo dos preços para de forma indirecta responder aos pedidos de protecção que a CTA fez. “Muitos de nós envergamos fatos e capacetes do mercado mas ainda pensamos em controlo, esta é uma realidade que nos vem do passado. Para muitos diziam que recebemos uma economia e mercado, contudo aos mais atentos sabem que a Lei 6/63 não é deste Governo e encapsula dentro de si próprio uma economia semi-manejável, de amigos e nunca de mercado”.
O ministro da Indústria e Comércio terminou a sua intervenção augurando que a Conferência Anual do Sector Privado “passasse a deixar de ser um órgão de murmúrios mas passasse a ser uma instituição mutualista onde os interesses convergem porque afinal os três actores principais o Governo, o sector privado, os trabalhadores e agora mais modernamente a sociedade civil, todos queremos o nosso desenvolvimento e a melhoria das condições de vida do nosso povo”.
Foto da Presidencia da República
Convidado pelo ministro para efectuar o discurso de abertura Chefe de Estado disse que “(...) vou dispensar de fazer o discurso porque tenho ocasiões de o fazer, podemos ganhar o tempo e ouvir as apresentações”. Na anterior CASP, que aconteceu em Julho de 2016, o Presidente Filipe Nyusi havia minimizado a dimensão da agremiação, “o sector privado em Moçambique é vasto, com preocupações diferentes e necessidades produtivas diversificadas”.

Para além da ausência de empresários vindos das províncias, e quiçá dos distritos, a falta de representatividade da CTA está patente na foto de família onde não está presente sequer uma única mulher empresária!

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

HIV/SIDA está longe de não ser preocupação e Ministério da Saúde quer maior envolvimento das comunidades nas acções de combate

Resultado de imagem para combate ao HIV/SIDA em Moçambique
A ministra da Saúde, Nazira Abdula, defendeu, esta terça-feira (12), em Maputo, que as discussões e estratégias de prevenção, controlo e combate ao HIV/SIDA em Moçambique – onde se estima que dois milhões e 100 mil pessoas vivem com esta doença – devem estar orientadas para as comunidades e é preciso envolver cada vez mais homens.

No país e no mundo, a chamada pandemia do século ainda representa um “sério problema de saúde pública”, facto que “condiciona, de forma dramática”, os esforços com vista a desenvolver a economia nacional, porque a população jovem e ainda em idade produtiva, com idades compreendidas entre 15 e 49 anos, é a mais infectada.

Falando para um vasto auditório, na abertura da VII reunião nacional do programa de combate ao HIV/SIDA, cujo objectivo é avaliar o grau de implementação do plano de aceleração à reposta à enfermidade em alusão, a governante disse que a situação do HIV em Moçambique deve suscitar a reflexão de todos (...).”

É preciso “priorizar os adolescentes e jovens, em particular a rapariga as populações chaves”, bem como melhorar a comunicação para a saúde, afirmou Nazira Abdula, sublinhando que as mensagens sobre esta e outras doenças que tiram sono ao país devem ser moçambicanizadas e ter-se sempre em conta o indivíduo no seu contexto sociocultural e linguístico.

No encontro, que termina esta quinta-feira (15), a ministra referiu-se igualmente à discriminação e considerou-a um problema, na medida que o seu predomínio ainda enfraquece os esforços no controlo da epidemia.

“As pessoas continuam com receio de procurar informações, serviços, cuidados clínicos, adopção de métodos e comportamentos mais seguros. O fraco engajamento masculino (...)” impede também que mais pessoas sejam diagnosticadas a doença e iniciem o tratamento atempadamente, afirmou Nazira Abdula.

De acordo com ela, deve-se fortalecer ainda mais os programas que elevam o conhecimento sobre o HIV, aumentar o acesso aos cuidados clínicos e tratamento para os cidadãos que vivem com a doença, sobretudo para a rapariga, adolescentes e crianças órfãs e vulneráveis.

Fonte: Jornal A Verdade. Moçambique

INAE quer fiscalizar publicidade enganosa; “Custa-me dizer que a coca-cola não está a fazer publicidade enganosa”, Thiago Fonseca

Foto de Adérito Caldeira
A Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) prepara-se para juntar, já em Abril, ao rol de fiscalizações que tem efectuado a verificação do cumprimento da fortificação de alimentos, a rotulagem em língua portuguesa, a regulamentação de bebidas alcoólicas, tabaco, cimento, turismo e também a publicidade enganosa. O director da maior agência de publicidade de Moçambique receia que o código de publicidade, a que denominou de “codigossauro jurássico”, possa ser mal interpretada. Thiago Fonseca revelou “custa-me dizer que a coca-cola não está a fazer publicidade enganosa”.
A instituição do Estado que se tem destacado por fazer cumprir a lei independentemente dos infractores envolvidos pretende juntar à fiscalização da higiene, sanidade, qualidade, prazos dos produtos e especulação dos preços o cumprimento de outros sete decretos que regem a actividade económica no nosso país.
Um deles é o Decreto 38
/2016 de 31 de Agosto que aprova o código da publicidade e proíbe os anúncios que usem actos depreciativos e ofensivos às instituições; quem contenham imagens que atentem contra a dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais; que envolvam menores sem ter em conta as mensagens publicitárias; que use imagens, vozes, ideias alheias sem autorização; que veicule mensagens publicitárias de bebidas alcoólicas na televisão e rádio antes das 20 horas; e que induza o consumidor ao erro, ou mesmo, que possa prejudicar o seu concorrente directo.

Questionado pelo @Verdade particularmente sobre a fiscalização à publicidade enganosa, o presidente da direcção da Associação Moçambicana de Empresas de Marketing, Publicidade e Relações Públicas, Mário Ferro, explicou em entrevista por correio electrónico que “é função e competência do INAE zelar pela implementação correcta do Código de Publicidade”.
“Na qualidade de Presidente da Direcção da AMEP, defendo que o Código de Publicidade tem de ser aplicado num todo e não a retalhos. Toda e qualquer violação ao Código de Publicidade tem de ser devidamente sustentada por provas concretas e objectivas, devendo ser apuradas as respectivas responsabilidades”, explicou.
“Agora será que Moçambique está no estágio de se chegar e proibir?”
O director criativo da maior e mais antiga agência de publicidade de Moçambique, Thiago Fonseca, julga que o código de publicidade e a sua regulação vai passar por muitas fases. “Esta fase inicial em que vai enfrentar muitos desafios, por causa da imaturidade e da subjectividade das coisas. O que é que é publicidade enganosa? É claro e evidente que se um daqueles doutores que curam tudo põe um poster, bem feito ou mal feito é um anuncio, agora é publicidade enganosa, agora não sei como se chega a tal regulação”.
Foto de Adérito Caldeira
“O que nós estamos a fazer, até abrimos a Fundação Local por causa do altruísmo relacionado com a importância da comunicação dado o impacto na vida das pessoas, e tendo eu uma mulher diabética do tipo 1 e uma filha também diabética, custa-me que não pode beber coca-cola. Custa-me dizer que a coca-cola não está a fazer publicidade enganosa”, afirma o mais premiado publicitário moçambicano.

Fonseca partilha os seus receios em relação a “uma bebida que eu gostava de beber mas tem não sei quanto açúcar e depois lançam a coca-cola zero, a nova moda na Europa e nos Estados Unidos com uma lata vermelha por causa da sensibilidade em relação ao açúcar e aos diabetes, o problema é que tem aquele químico que substitui o açúcar e que faz cancro. Agora será que Moçambique está no estágio de se chegar e proibir?”.
“Eu acho que o código de publicidade é um codigossauro jurássico”
O director criativo da Golo chama atenção que embora “(...) nos maços está escrito o cigarro mata mas as pessoas continuam a fumar. Portanto há uma grande subjectividade que a mim mete-me algum receio que a lei possa ser mal interpretada, afinal sempre se pode dar a volta a lei usando a ela própria. Eu tenho um bocado de medo que num mercado publicitário como o nosso que se comece a pegar nisso, é claro que o objectivo é nobre e estamos todos de acordo com isso”.
Thiago Fonseca, que é também CEO Grupo LOCAL, alerta para o facto do código de publicidade ter sido elaborado à medida dos medias tradicionais quando grande parte dos moçambicanos é exposto a publicidade através de novos meios de comunicação.
“Eu acho que o código de publicidade é um codigossauro jurássico porque enquanto foi feito a pensar na publicidade tradicional as redes sociais quem vai controlar, hoje em dia temos 2 milhões de moçambicanos no facebook, temos mais da 10 milhões de celulares aí fora, temos projectos de electrificação rural com painéis solar onde os telemóveis vão chegar, temos um censo de 2017 que mostrou que a nossa população está perto dos 30 milhões e tens 70 por cento da população entre os 18 e 30 e poucos anos, essa gente já não está a ver televisão”, constata.
O publicitário nota ainda que “aquele coisa do pai ter o remote controlo da televisão já não existe. A maior parte dos jovens já não fica as 20 horas a ver o telejornal. Isso não acontece apenas entre a classe média e média alta, é extensivo aos que têm menos posses”.
“E a publicidade que se chama produto placement, invisível que passa nos programas de televisão, quem é que vai controlar, como é que se consegue controlar. Estamos a falar de controlar a publicidade clássica? Eu acho que o código (de publicidade) não está preparado para esta idade, porque Moçambique tem esta capacidade de saltar épocas. Por exemplo na Europa ainda há gente que usa telefone fixo mas Moçambique não teve tempo sequer de ter a televisão a preto e branco. Estamos a saltar eras e vamos saltar mais e que tem a missão de controlar está muito atrás. Eu acho que a abrangência e o alcance das redes sociais é muito mais perigosa por causa da fonte. Quem é que posta? O anuncio é feito agora, até com um smartphone, e colocado no youtube como se controla?”, alerta Fonseca.
“Agora não se podem usar os símbolos nacionais porquê?
Foto de Adérito Caldeira
No entanto o nosso entrevistado reconhece “que é muito importante haver código de publicidade só que gostaria de apelar que fosse usado de uma forma tendo em conta o avanço dos meios de comunicação que estão a mudar muito rapidamente”.

Relativamente a proibição do uso de símbolos e personagens históricas Thiago Fonseca tem dúvidas de como se vai por em prática, “quem vai julgar se esse anúncio ou símbolo nacional não pode ser usado. Mesmo na África do Sul quando houve a mudança de regime ou em Portugal quando ganhou o Europeu (de futebol) e usaram-se os símbolos nacionais com tanto orgulho e aquilo levantou a auto-estima, foi uma coisa boa ou má para o país?”
“Agora não se podem usar os símbolos nacionais porquê? Então a lei teria que ser uma enciclopédia com um manual. Eu apelo ao Estado para que perceba que nós estamos num estágio ainda muito inicial de tudo isto, para não acontecerem inibições de coisas que possam ser boas e benéficas”, sugere o experiente publicitário moçambicano.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Um livro que traz Fernando Pessoa para o meio de nós

Pouco nos interessa saber se Fernando Pessoa se embebedava, se afundava no ópio ou se espetou alguma agulha morfinómana no delicado braço. Nesta antologia organizada por Manuel S. Fonseca, Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos, o que conta é a forma como os vícios, as drogas americanas que entontecem, iluminam a escrita do poeta.
Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos, uma antologia alvarinha e desassossegada, nasceu da vontade de ter Fernando Pessoa no meio de nós, leitores comuns. Nasceu da vontade de ter Fernando Pessoa na rua, no café, onde ele possa fumar e beber. Tê-lo connosco, agora, enquanto ainda, em ruas e cafés, se possa fumar e beber. Este é um livro de vícios: pessoal e íntimo. Este é um livro de textos de e sobre vícios e dependências: drogas, álcool, ópio, tabaco e morfina. O livro está organizado como se fosse um romance, uma viagem ao fim da noite. Divide-se em cinco capítulos: Inocência, Êxtase, Confissões, Abandono e Decadência.
Inaugura-se, assim, a colecção Os Livros de Fernando Pessoa e está disponível nas livrarias a partir de 20 de Março. A Guerra e Paz publicará, em breve, novas antologias de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos.
Esta edição, versão singela de papel e texto, sem imagens, apenas com os textos em que o poeta se funde fisicamente com as suas drogas, que são, aliás, em Pessoa, muito mais vícios da alma do que vícios do corpo.
«Ainda mais que os vícios do corpo, os vícios da alma pedem secretismo. E o segredo leva-nos ao romance», explica Manuel S. Fonseca, e é isso que une os cinco capítulos em que o livro se divide: «O que une tudo isto, livro, ópio e Pessoa, morfina, inocência e decadência é ser tudo isto, como ele mesmo disse, escadas para o sonho».

 ABSINTO, ÓPIO, TABACO E OUTROS FUMOS
Fernando Pessoa
Antologia organizada por Manuel S. Fonseca
15x23
112 páginas
12,00 €
Ficção/Poesia
Nas livrarias a 20 de Março
Guerra e Paz Editores | Os Livros de Fernando Pessoa

R. Conde Redondo, 8, 5.º Esq.
1150-105 Lisboa | Portugal




Raios douradas no crepúsculo fuliginoso

Brasil profundoTenho sido severo — suponho, com justiça — com aspectos da vida nacional. Severidade pode ser sinónimo de objectividade para quem procura observar com realismo. Recebo estímulos; aqui e ali, censuras. Não importa, é quinhão inevitável. Qualquer um que, mesmo que modesta e de forma efémera, pise o âmbito público, está sujeito a boas críticas e a injustiças. Moral da história, tocar a vida sem se preocupar com elas.
Neste texto vou virar a quilha de meu navio e navegar em rumo diverso. A palavra ufanismo com conotação de orgulho exagerado por determinada coisa tem sido associada ao conde Afonso Celso (1860-1939). Pouca gente hoje sabe, Afonso Celso [foto acima], conde pontifício, foi filho do visconde de Ouro Preto, último presidente do Conselho de Ministros da monarquia brasileira. Professor, historiador, escritor, deputado geral no Império, é dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, por ele presidida por duas vezes.
Entre suas obras figura o opúsculo “Por que me ufano de meu País”, publicado em 1900, redigido, singelo o confessa, para que seus filhos amassem o Brasil. É trabalho ingênuo, prova pouco e mal o que deseja demonstrar.
Mas tem frescor, a bem dizer inexistente no convulsionado Brasil de nossos dias. Todos sabemos, o frescor é das mais belas manifestações da vida, em especial das coisas que nascem. O país conservava traços da infância; apresenta hoje, sob tantos pontos de vista — sejamos objectivos — catadura de maturidade depravada.
Vejam o que ele diz dos homens públicos do Brasil de então (era ainda a geração do Império), um dos motivos enumerados pelo escritor para esperar na grandeza da Pátria:
“Honradez no desempenho de funções públicas ou particulares. A estatística dos crimes depõe muito em favor dos nossos costumes. Viaja-se pelo sertão, sem armas, com plena segurança, topando sempre gente simples, honesta, serviçal. Os homens de Estado costumam deixar o poder mais pobres do que nele entram. Magistrados subalternos, insuficientemente remunerados, sustentam terríveis lutas obscuras, em prol da justiça, contra potentados locais. Casos de venalidade enumeram-se raríssimos, geralmente profligados.
“A República apoderou-se de surpresa dos arquivos do Império: nada encontrou, que o pudesse desabonar. Por ocasião dessa revolução, senadores ficaram tão pobres que o novo regime lhes ofereceu pensões. Ao Imperador que governara 50 anos, assegurou a Constituição Republicana meios de subsistência de que ele precisava, mas que não aceitou. Quase todos os homens políticos brasileiros legam a miséria às suas famílias. Qual o que já se locupletasse à custa do benefício público?”
Brasil profundo
Parece que Afonso Celso fala de outro país e outro povo. A honestidade (Afonso Celso diz honradez) era característica comum, presente em nossas elites políticas de então, reflexo de realidade social generalizada. Temos agora sob os olhos a república dos ratos magros, esfomeados, lembrando imagem de Roberto Jefferson. Também outra é a realidade na sociedade.

O viço presente no livro embebe a descrição do quotidiano de São José de Anchieta, inserido ali para nos fazer sentir o sabor do Brasil nascente. Leva-nos a crer que, pelos rogos do padroeiro, Deus se apiedará do Brasil e o recolocará na trilha almejada pelo grande missionário e fundador de nação:
 “Vem depois José de Anchieta, o taumaturgo, o santo do Brasil. Anchieta vai para Piratininga como mestre-escola. Passa aí misérias sem nome, fome, frio, falta de roupa, morando numa pequena barraca, onde funcionavam as aulas, e que era, a um tempo, enfermaria, dormitório, refeitório, cozinha, despensa.
Brasil profundo“Ensinava latim e aprendia tupi, de que compôs o vocabulário e a primeira gramática. Trabalhava dia e noite, escrevendo as lições para cada aluno, pois não havia livro. Escrevia hinos, baladas, interrogatórios para confissões, resumos dialogados da fé cristã e autos teatrais que os índios representavam ou viam representar, em palcos por ele improvisados.
“Exercia funções de médico, barbeiro, fazedor de alpercatas, cujos cordões serviam também de disciplinas. Poeta, elaborou um poema sobre a vida da Virgem Maria, na esperança de manter a própria pureza, fixo o pensamento na mais pura das mulheres. Sem papel, pena e tinta, metrificava os versos, passeando. Traçava-os em seguida na areia e os confiava à memória.”
Por que destaco a cena? Na árvore as raízes sãs valem mais que tronco, galhos, flores e frutos. Delas tudo depende. Aí acima estão as mais lídimas raízes do Brasil, mais enterradas que as analisadas com talento e lentes deformantes por Sérgio Buarque de Holanda.
No meio da tormenta, justificam esperanças sobrenaturais de que um dia se tornará realidade o que, com ufania, ainda que em esboço esmaecido, foi confusamente antevisto pelo simpático conde pontifício.
Fonte: ABIM

Projeto da Escola Técnico Profissional de Cantanhede apurado para a final do Concurso Intermunicipal de Ideias de Negócio





O projeto EcoCharger apresentado pelo curso Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos da Escola Técnico Profissional de Cantanhede foi o vencedor do concurso municipal de empreendedorismo que decorreu no auditório da Biblioteca Municipal, em 12 de março, no âmbito da quinta edição do Concurso Intermunicipal de Ideias de Negócio promovido pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC).
A tecnologia desenvolvida pelos alunos daquele estabelecimento de ensino consiste “num carregador para dispositivos móveis que, além de mais económico e seguro, reduz a energia elétrica usada nessa operação, contribuindo para a preservação do meio ambiente. A grande inovação prende-se com o facto de, sempre que os dispositivos móveis estiverem totalmente carregados, cessa a transmissão de corrente elétrica, impedindo assim um gasto desnecessário de energia, ao mesmo tempo que aumenta a segurança, pois reduz a hipótese de os dispositivos sobreaquecerem e provocarem situações de incêndio e/ou explosão dos mesmos.
A fase concelhia do Concurso Intermunicipal de Ideias de Negócio decorreu ao abrigo do programa “Educação Empreendedora nas Escolas” promovido pela CIM-RC e envolveu a participação de cerca de 150 alunos e 13 docentes de três escolas do concelho de Cantanhede, designadamente a Escola Técnico-Profissional de Cantanhede EB Carlos Oliveira – Febres e a EB/Secundária João Garcia Bacelar – Tocha.
Inicialmente foram apresentadas 16 ideias de negócio, 10 das quais disputaram a final municipal. O projeto vencedor, o EcoCharger desenvolvido pelos alunos do curso Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos da Escola Técnico Profissional de Cantanhede, irá à final intermunicipal da CIM – Região de Coimbra, que se realiza nos dias 24 e 25 de março, em Oliveira do Hospital, num registo de BOOT Camp.
Pela primeira vez, o concurso contemplou também a participação de estudantes do 2.º CEB, tendo neste âmbito sido distinguido o projeto Arte & Design apresentado por alunos do 5.º ano da EB Carlos Oliveira e que representará o Município de Cantanhede, na final da categoria, em Condeixa-a-Nova, no dia 26 de maio. A ideia consiste na valorização de um ofício com forte tradição no concelho, a ourivesaria, através do contacto dos jovens intervenientes com várias gerações de ourives, tendo em vista a criação de uma linha de produtos/peças de joalharia a partir de materiais reutilizados.
Na sessão de apuramento municipal realizada no auditório da Biblioteca Municipal de Cantanhede esteve presente Pedro Cardoso, vice-presidente da Câmara Municipal e responsável pelo pelouro da Educação, que abriu os trabalhos com uma mensagem de incentivo e confiança aos jovens participantes. Na ocasião, o autarca sublinhou “a importância da educação para o empreendedorismo no processo educativo, e o interesse do desenvolvimento deste tipo de projectos e construção de ideias, de forma participada pelos alunos, tendo presente que são desafiados a avaliar oportunidades, a mobilizar recursos, a assumir riscos e a concretizar iniciativas diferenciadas e de sucesso”.
Segundo Pedro Cardoso “este concurso constitui mais uma oportunidade para as escolas promoverem junto dos alunos uma cultura favorável à aquisição de conhecimentos e ao desenvolvimento de atitudes, capacidades e valores promotores do espírito empreendedor, nomeadamente, inovação, criatividade, organização, planeamento, liderança, trabalho em grupo, responsabilidade, visão de futuro, assunção de riscos, resiliência e curiosidade científica, entre outras.
O Concurso Intermunicipal de Ideias de Negócio visa sensibilizar e motivar os jovens para as práticas empreendedoras, proporcionando-lhes uma experiência em ambiente competitivo, promovendo o trabalho em equipa e o espírito de iniciativa e dinamismo nos concelhos envolvidos no projeto. O objetivo central é a angariação de ideias de negócio de diversos sectores de atividade, que tenham viabilidade económica, social e ambiental. Apesar de não se perspetivar que as ideias apresentadas tenham como consequência imediata o desenvolvimento de um negócio/criação de empresa por parte da equipa que a apresenta, pretende-se que seja demonstrada a exequibilidade prática e potencial dos projetos em causa.



AVISO À POPULAÇÃO | AGITAÇÃO MARÍTIMA, PRECIPITAÇÃO, VENTO E QUEDA DE NEVE

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1. SITUAÇÃO

Segundo o IPMA, prevê-se nos próximos dias o agravamento das condições meteorológicas, nomeadamente aumento da agitação marítima (em toda a costa), precipitação (pontualmente forte), instabilidade (trovoada), vento forte (possibilidade de ocorrência de fenómenos extremos), e queda de neve:

·Agravamento da agitação marítima a norte do Cabo Raso, a partir das 21:00 horas de hoje (14 MAR), com ondas de 5 a 6 metros, prevendo-se qua a situação se mantenha até às 18:00 horas de amanhã (15 MAR); depois de amanhã (16 MAR), espera-se a diminuição da ondulação para 4 a 5 metros;
·Períodos de chuva, por vezes forte, passando a regime de aguaceiros, com possibilidade de queda de granizo, para os distritos do Porto, Vila Real, Viseu e Aveiro até às 00:00 horas de amanhã (15 MAR).
·Vento a soprar forte com rajadas máximas de 80 km/h, para os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria até à 01:00 hora de amanhã (15 MAR). Nas terras altas as rajadas podem atingir 100 Km/h.
·Queda de neve até à cota de 1.000 metros, nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança e Guarda entre as 18:00 horas de hoje (14 MAR) e as 09:00 de amanhã (15Mar).

Acompanhe as previsões meteorológicas em www.ipma.pt

2. EFEITOS EXPECTÁVEIS

Face à situação acima descrita, poderão ocorrer os seguintes efeitos:

·Piso rodoviário escorregadio e eventual formação de lençóis de água e gelo;
·Possibilidade de cheias rápidas em meio urbano, por acumulação de águas pluviais ou insuficiência dos sistemas de drenagem;
·Possibilidade de inundação por transbordo de linhas de água nas zonas mais vulneráveis;
·Inundações de estruturas urbanas subterrâneas em resultado de deficiente drenagem;
·Danos em estruturas montadas e/ou suspensas;
.Dificuldades de drenagem dos sistemas de escoamento urbanos, nomeadamente em períodos de preia-mar, podendo causar inundações nos locais historicamente mais vulneráveis;
·Possibilidade de queda de ramos e/ou árvores em virtude de vento forte;
·Possibilidade de ocorrência de acidentes na orla costeira;
·Fenómenos geomorfológicos causados por instabilidade de vertentes associados a perda de consistência dos solos devido a saturação por água.

3. MEDIDAS PREVENTIVAS
A ANPC recorda que o eventual impacto destes efeitos pode ser minimizado, sobretudo através da adoção de comportamentos adequados, pelo que, e em particular nas zonas historicamente mais vulneráveis, se recomenda a observação e divulgação das principais medidas de autoproteção para estas situações, nomeadamente:

·Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirar inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou possam criar obstáculos ao livre escoamento das águas;
·Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a acumulação de neve e a formação de lençóis de água nas vias rodoviárias;
·Evitar atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
·Garantir uma adequada fixação de estruturas soltas, nomeadamente andaimes, placards e outras estruturas suspensas;
·Ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atento à possibilidade de queda de ramos e/ou árvores em virtude de vento mais forte;
·Ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas mais vulneráveis a galgamentos costeiros, evitando a circulação e permanência nestes locais;
·Evitar praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima;
·Estar atento às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e das Forças de Segurança.

Divisão de Comunicação e Sensibilização
Jorge Dias | 965 160 096
Alcina Coutinho | 919 201 307
  
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