sexta-feira, 17 de outubro de 2025

22.ª edição de festival dedicado às sonoridades do acordeão vai acontecer em Torres Vedras

 O Festival Internacional de Acordeão de Torres Vedras – Acordeões do Mundo, evento de referência na respetiva área do espectro musical, vai ter a sua 22.ª edição entre os próximos dias 24 de outubro e 11 de novembro.
A edição deste ano desse festival volta a assentar nos dois pilares que têm caracterizado a estrutura do mesmo: os concertos no Teatro-Cine de Torres Vedras e as “merendas do acordeão”, que se realizam em locais de todas as freguesias do concelho de Torres Vedras.
O primeiro concerto da edição de 2025 do Acordeões do Mundo trará a Torres Vedras no dia 1 de novembro, pelas 21h30, Caamaño & Ameixeiras, um dos grandes expoentes internacionais da nova música tradicional galega. Um duo que tem vindo a resignificar a música e a dança de raiz com sonoridades mais contemporâneas, destacando-se pelo seu tratamento íntimo e profundo da tradição popular galega.
No dia 7 de novembro, também pelas 21h30, será a vez de subir ao palco do Teatro-Cine de Torres Vedras o acordeonista gaúcho Roger Corrêa, o qual apresentará um concerto baseado no seu segundo álbum - Latino Ibérico -, no qual desenvolve sotaques próprios em estilos ligados tanto à música do sul do Brasil como à música de países vizinhos deste (como milonga, chamaméchacareracandombe, tango, salsa e choro), a partir da experimentação com a linguagem universal do jazzReconhecido por sua habilidade virtuosa e expressiva em diversos estilos musicais, Roger Corrêa aprofunda no seu mais recente trabalho o destaque para a produção autoral, os fundamentos do improviso e a inovação na pesquisa de novos estilos e fusões de géneros.
No dia seguinte, igualmente pelas 21h30, será a vez do Festival Internacional de Acordeão de Torres Vedras acolher um concerto de um seu velho conhecido – o grupo Danças Ocultas, um dos representantes mais inovadores e mais emocionantes da música contemporânea portuguesa, que tem vindo a progredir no universo da world music internacional com um conceito aparentemente muito simples: calmo, lírico, íntimo, entre o tradicional e o contemporâneo, com apenas quatro acordeões diatónicos.
O último dos quatro concertos da edição deste ano do Acordeões do Mundo acontecerá no dia 9 de novembro, pelas 19h00, proporcionando, pelo segundo ano consecutivo, a acordeonistas tradicionais que participam nas “merendas do acordeão” apresentarem-se na principal sala de espetáculos de Torres Vedras, recriando a alegria e a partilha vividas nas mesmas. No concerto Da Merenda para o Teatro atuarão: Emanuel Soares, Mara Santos, Mário Paulo, Rita Nunes, Rodrigo Maurício, Ruben Alves, Ruben Crispim, Sofia Henriques, Teresa Monteiro, Tiago Inácio, Tiago Pirralho, Tino Costa, Vítor Apolo e Vítor Pastor.  
Relativamente às “merendas do acordeão”, é de referir que as mesmas continuarão a ter como “epicentro” a cidade de Torres Vedras, estendendo-se a vários outros pontos do concelho de Torres Vedras. Realizar-se-ão diariamente, à hora do lanche, em espaços de convivialidade (como cafés, restaurantes e associações), com um programa que contempla a audição de tocadores tradicionais e a prova de vinhos DOC e doces tradicionais.
Mais informações sobre o 22.º Festival Internacional de Acordeão de Torres Vedras – Acordeões do Mundo podem ser consultadas no site da Câmara Municipal de Torres Vedras.
O evento é uma organização desta entidade, integrando-se no programa das Festas de Torres Vedras.

Iniciativa decorre no próximo domingo, 19 de outubro. Covões é palco do Encontro de Bandas do Concelho de Cantanhede

 
A localidade de Covões, na freguesia de Covões e Camarneira, é palco este domingo, 19 de outubro, de mais um Encontro de Bandas do Concelho de Cantanhede. A iniciativa reúne a anfitriã Filarmónica de Covões, a Banda Filarmónica da Associação Musical da Pocariça, Filarmónica Marialva de Cantanhede e Phylarmónica Ançanense.
O início deste encontro está agendado para as 14h00, com a concentração e início do desfile das bandas. Do programa consta ainda a atuação de cada uma das formações musicais. A saber: Banda Filarmónica da Associação Musical da Pocariça (15h00), Filarmónica Marialva de Cantanhede (15h40), Phylarmónica Ançanense (16h20) e Filarmónica de Covões (17h00).
A sessão termina a interpretação, pelas bandas participantes, da marcha/hino Cantanhede, da autoria do capitão Amílcar Morais.
O Encontro de Bandas do Concelho de Cantanhede visa fomentar o intercâmbio entre entidades que desempenham uma função de grande alcance cultural no domínio da formação de jovens músicos, promovendo simultaneamente junto das comunidades locais o conhecimento da dimensão artística da atividade que desenvolvem.



Câmara de Águeda adjudica obra de requalificação do centro de Fermentelos

 Obra, que vai alterar toda a zona central da vila, implica um investimento de mais de 884 mil euros e tem um prazo de execução de 300 dias

A Câmara Municipal de Águeda adjudicou a empreitada de “Requalificação do Centro Urbano da Sede de Freguesia de Fermentelos” à empresa Construções Carlos Pinho, Lda, pelo valor contratual de 884 223,73 euros (834.173,33 euros, acrescido de IVA à taxa legal em vigor). O prazo de execução da obra é de 300 dias.
“Este é um investimento significativo, mas absolutamente necessário, que reflete o nosso compromisso com a coesão territorial e com a reestruturação dos centros urbanos das freguesias do concelho, criando um espaço público mais moderno, acessível e funcional, que promove a convivência, o comércio local e a instalação de serviços”, declarou Jorge Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Águeda.
Com esta intervenção, “queremos criar um espaço para todos, agradável para viver, trabalhar e visitar. É um investimento estratégico que valoriza Fermentelos, à semelhança do que temos feito noutras freguesias do concelho, e que contribui para um desenvolvimento equilibrado e para a melhoria da qua
Esta intervenção incidirá sobre a área central de Fermentelos — entre a Rua da Fonte do Roque e o Largo do Carvalhal —, atualmente caracterizada por um conjunto de vias e elementos urbanos que carecem de reorganização e ordenamento.
A obra contempla a redefinição e reestruturação dos arruamentos existentes, a criação de passeios e acessibilidades universais, e a instalação de novas redes de drenagem de águas residuais e pluviais. Prevê-se ainda a melhoria das infraestruturas de comunicações e a modernização da iluminação pública, com a introdução de tecnologia LED.
Com esta requalificação, a Câmara Municipal de Águeda pretende melhorar as condições de vida dos moradores, comerciantes e utilizadores do espaço público, ao mesmo tempo que preserva os marcos culturais e históricos que caracterizam a vila de Fermentelos.

*Ana Sofia Pinheiro
Gabinete de Comunicação e Imagem

Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro

 Divulgação dos vencedores do Concurso Internacional será feita no próximo sábado, dia 18 de outubro

Aveiro vai acolher, ao longo dos próximos três meses, a 17.ª edição da Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, que traz a Aveiro várias exposições, instalações, workshops e ateliers, programa para famílias e visitas guiadas. O evento tem a sessão de abertura, marcada para o próximo sábado, dia 18 de outubro, pelas 15h30, no Teatro Aveirense, numa cerimónia que contará com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, José Ribau Esteves.

Segue-se a inauguração das Exposições, nomeadamente:
1. Exposição Concurso Internacional | Museu de Aveiro / Santa Joana.
2. Curandeiro e Feiticeiros do fogo, do artista peruano Carlos Oliveira, na Galeria da Pedra do Museu de Aveiro / Santa joana.
3. Europa Cerâmica, do Agrupamento Europeu de Cooperação de Cidades de Cerâmica, na Praça da República.
4. A Poesia da forma. Sonhos., de Núria Figueiredo, no Atlas Aveiro.
5. Múltiplos, da Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, e do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, na Praça do Rossio.
6. Fragilidade, de Paula Bastiaansen, no Museu Arte Nova.
7. Fusão de Visões, da AIC Benelux, no Museu da Cidade.
8. Do Vermelho ao Vermelho, de Heitor Figueiredo, na Galeria do edifício da antiga Capitania do Porto de Aveiro.
9. Heliotropismo, da portuguesa Lisa Barbosa, na ESTAÇÃO.

A Bienal, que encerra a 18 de janeiro do próximo ano, é uma mostra de excelência com artistas de todo o mundo, exposições, workshops e muita programação cultural. Convidamos a visitar Aveiro e a descobrir a cerâmica como arte contemporânea.

O momento mais importante da sessão de inauguração da Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, organizada pela Câmara Municipal de Aveiro, será a entrega dos prémios do concurso internacional.

Este concurso internacional volta a ser uma mostra das tendências da cerâmica artística contemporânea.

Resultado da seleção do júri, a partir de um universo de 782 obras e de 488 candidaturas, são apresentadas 110 obras de 96 artistas que refletem diferentes geografias e conceitos, tal como exprimem abordagens inovadoras das técnicas e dos materiais cerâmicos. Cor, forma, textura, conceito e expressão são o mote para uma exposição que reforça a Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro como um evento de referência em todo o mundo.

O júri foi presidido por Wan Liya, em representação da Academia Internacional de Cerâmica, e composto por Nele van Wieringen, do Keramikmuseum Westerwald, membro da Rota Europeia da Cerâmica; Patrice Jarque, em representação do Agrupamento Territorial Europeu de Cidades e Vilas de Cerâmica e das Cidades e Vilas de Cerâmica de França; Alda Tomás, da Manufatura Vista Alegre; e Rui Silva, em representação da Universidade de Aveiro, através do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica.

Uma referência internacional neste setor cultural e artístico desde 1989, a Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro visa contribuir para a produção de cerâmica artística contemporânea, através do estímulo à experimentação e à criatividade. A iniciativa constituiu-se como um polo dinamizador de novas tendências da cerâmica e tem contribuído para uma formação didática e para o desenvolvimento de caráter cultural.

Consulte o vasto programa em https://bienalceramicaaveiro.pt/

*Simão Santana
Adjunto do Presidente da Câmara Municipal de Aveiro

Barcelos | Dia do Antigo Estudante do IPCA celebrado com mais uma edição das “Conversas Alumni”

 O Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) volta a assinalar o Dia do Antigo Estudante, no dia 21 de outubro, com mais uma edição das Conversas Alumni.
O Dia do Antigo Estudante do IPCA é um momento especial de reencontro, partilha e celebração, que une gerações de Alumni num só propósito: celebrar o passado, refletir sobre o presente e inspirar o futuro.
Depois de, em 2024, o foco ter estado nos percursos ligados ao associativismo estudantil, a terceira edição traz um novo tema: “Alumni Empreendedores”, reunindo antigos estudantes do IPCA que decidiram transformar ideias em projetos, empresas e marcas com impacto.
Nesta conversa, os Alumni convidados irão partilhar como o espírito empreendedor e criativo marcou os seus percursos profissionais, seja através da criação de projetos próprios seja pela forma como transformaram desafios em oportunidades ao longo da carreira.
Mais do que falar de empresas criadas, este encontro pretende celebrar diferentes expressões de empreendedorismo e de pensar fora da caixa.
O evento está marcado para dia 21 de outubro, pelas 18h30 horas, na Biblioteca do Polo de Braga, junto ao Fórum Braga.
As comemorações do Dia do Antigo Estudante são organizadas pela equipa Alumni e as inscrições estão disponíveis a partir do site: https://ipca.pt/.

*Ana Reis
Gabinete de Comunicação e Imagem (GCI)

UTLCC celebra 21 anos. Universidade dos Tempos Livres de Cantanhede inicia ano letivo com três cursos novos

 

A Universidade dos Tempos Livres do Concelho de Cantanhede (UTLCC) iniciou na quarta-feira, 15 de outubro, o arranque letivo 2025/2026 com recorde de alunos inscritos e mais três novos cursos: “Dança”, “Desafios e Descobertas” e “Viver com, Vital_Idade”.

A receção aos alunos contou com a presença da presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, e do vice-presidente, Pedro Cardoso responsável pelo pelouro da Educação.
Após a sessão de boas-vindas, os autarcas visitaram uma exposição que apresenta um resumo das atividades desenvolvidas no ano letivo 2024/2025 e celebraram o 21º aniversário da UTLCC.

Este ano alcançámos um recorde de inscrições, com 138 alunos, e ainda temos pessoas em lista de espera. A UTLCC destaca-se por unir duas dimensões fundamentais: a educação e a valorização da partilha e do convívio, criando um ambiente dinâmico e enriquecedor para todos os participantes”, sublinhou Helena Teodósio.

O curso “Desafios e Descobertas” estimula a mente através de exercícios de reflexão e memória, enquanto “Viver com Vital_Idade” aposta na valorização do património local e no reforço da literacia digital.
A UTLCC, além destes três novos cursos, disponibilizará aos alunos um conjunto de disciplinas – “Inglês 1 (iniciação)”, “Inglês 2 (continuação)”, “Inglês 2 (itermédio)”, “História e Arqueologia”, “Tagarelices, entre Colheradas e Passadas”, “Segurança Alimentar”, “Coro”, “Natação”, “Saúde à Mesa”, “Literatura Portuguesa”, “Arte com Vida”, “Mindfulness e Gestão Emocional” e “Clube de Ambiente”.

O que verdadeiramente distingue este projeto são as pessoas que dele fazem parte. A evolução da Universidade tem sido possível graças ao envolvimento ativo de todos, que contribuem para a sua construção e melhoria contínua. Mais do que uma iniciativa educativa, este é um espaço de partilha, participação e valorização, que promove de forma concreta o envelhecimento ativo e a integração social”, referiu Pedro Cardoso.

À semelhança do ano letivo anterior, a frequência das disciplinas/cursos é totalmente gratuita, reforçando o compromisso do Município de Cantanhede com a promoção da inclusão social, da cidadania ativa e do acesso a oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.
Orientado por uma equipa da Divisão de Educação e Juventude da Câmara Municipal de Cantanhede, este projeto dirige-se a quem deseja adquirir novas competências em várias áreas do saber, onde não há avaliação, mas apenas enriquecimento pessoal.
A UTLCC conta com a parceria institucional da Universidade Aberta, no âmbito da sua rede de Centros Locais de Aprendizagem (CLA).



Crónica - A farinheira, o disfarce saboroso dos judeus portugueses do Séc. XVI

 Há alimentos que escondem histórias. A farinheira, esse enchido alentejano de cor âmbar e sabor adocicado, é uma das mais engenhosas criações da mesa portuguesa e, ao mesmo tempo, um testemunho silencioso da astúcia de um povo perseguido. Por trás da sua aparência inocente, feita de pão, gordura e especiarias, esconde-se o medo ancestral da Inquisição e a necessidade de sobreviver disfarçando a fé.
No século XVI, quando o fogo da intolerância varria Portugal, os judeus convertidos, os chamados cristãos-novos, sabiam que bastava um olhar sobre o fumeiro para uma denúncia nascer. A carne de porco era o símbolo do bom cristão. Quem não a comia, quem não a pendurava no varal das cozinhas, arriscava a fogueira. A solução foi tão simples quanto genial: criar um enchido que parecesse de porco, mas não o fosse.
Assim nasceu a farinheira, mistura de pão, azeite, farinha, alho e colorau, cuja cor alaranjada imitava a do chouriço. À distância, quem olhasse para a lareira veria fumeiros iguais aos dos vizinhos. Era o disfarce perfeito. Por dentro, porém, não havia sangue nem carne, apenas o engenho de uma comunidade que, privada da sua fé pública, fez da cozinha um território de resistência.
As regiões do Alentejo, Beira Interior e Trás-os-Montes foram as que mais conservaram essa tradição. Nas vilas de Castelo de Vide, Marvão, Belmonte e Trancoso, onde as judiarias deixaram marcas visíveis, a farinheira tornou-se presença habitual nas feiras e nas mesas. Era o símbolo da integração aparente e da fé escondida. Cada casa, cada fumeiro, repetia o gesto da sobrevivência.
Com o tempo, o segredo perdeu-se e o paladar ficou. O que começou como subterfúgio tornou-se tradição, passando da necessidade à identidade. Hoje, quando a farinheira repousa sobre o prato, grelhada, frita ou sobre o ovo escalfado de um bacalhau à Brás reinventado, poucos recordam a sua origem de silêncio e medo.
Mas talvez devêssemos lembrar. Porque cada fatia de farinheira é também um fragmento da história dos cristãos-novos, daqueles que disfarçaram o seu destino dentro de uma tripa de farinha. E se a cozinha é, como dizia Eça, a mais sincera forma de poesia popular, então a farinheira é o poema mais engenhoso que a perseguição inquisitorial inspirou em Portugal.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor