sexta-feira, 17 de março de 2023

O dragão na loja da esquina.

Somos todos diferentes, temos empregos que exigem diversificadas competências, temos preferências distintas, estilos de vida e escolhas pessoais únicas. Todavia nesta diversidade existe uma semelhança ou denominador em comum, a rotina diária. Esta desde vários seculos consiste em trabalhar, executar tarefas domésticas e lidar com os problemas da vida quotidiana, como a saúde, finanças ou outros contratempos. Mas o ser humano é fantástico e tem encontrado uma excelente almofada para aliviar a cabeça preocupada: o imaginário.
O imaginário tem ajudado a escapar dos problemas há seculos. Quem de nós não conhece mitos ou lendas?
A mitologia é o estudo dos mitos e a sua interpretação dentro de uma determinada cultura. Os mitos são histórias populares ou religiosas complexas, com vários pontos-de-vista, das pessoas que viviam na época em que os mitos foram criados. Normalmente é uma narrativa, na qual se usa a linguagem simbólica, e que busca retratar e descrever a origem e suposições de alguma cultura, explicar a criação do mundo, do universo, ou qualquer assunto de difícil explicação.
Os mitos geralmente retratam o mundo como ele era antes de o conhecermos. O tempo, o lugar e os personagens sobrenaturais e divindades fizeram com que muitos mitos tivessem um cunho religioso, sendo que em algumas religiões restam alguns resquícios mitológicos.
Atualmente, fala-se de uma Mitologia Moderna, advinda de lendas urbanas e de várias outras fontes. Exemplos claros são alguns desenhos animados e séries de televisão, que trazem inclusive personagens que defendem deuses. Os Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo, são baseados em algumas mitologias, como a Grega, a Egípcia e a Nórdica. Considerando, portanto, que a mitologia é um conjunto de lendas e mitos de alguma cultura, pode-se dizer que existem inúmeras mitologias, dos mais variados locais, como as Mitologias: Azteca, Maia, Etrusca, Eslava, Ioruba, Babilônica, Africana, Bantu, Chinesa, Japonesa, Havaiana, Guarani, Malaia, Navajo, Suméria, Judaica, Islâmica, Inca, entre outras. O mito surge a partir da necessidade de explicação da origem e da forma das coisas, das suas funções e finalidade, dos poderes do divino sobre a natureza e os homens. Ele vem em forma de narrativa, criada por um narrador que possua credibilidade diante da sociedade, poder de liderança e domínio de linguagem convincente, e que, acima de tudo, imponha o que gostaria de impor adequando a estrutura do mito de uma forma que tranquilize os ânimos e responda às necessidades do coletivo.
É o narrador quem constrói o esquema do mito, porém ele só nasce e se consolida a partir da aceitação coletiva, ou seja, o mito só existe quando ele cai no senso-comum.
As lendas são histórias que podem incluir elementos fantásticos ou sobre-humanos, mas presume-se que tenham base em fatos históricos e mencionem pessoas ou eventos reais.
Um fato histórico transforma-se numa lenda quando a verdade é exagerada, dando características especiais às pessoas ou fantasiando acontecimentos. Por exemplo, nelas, as figuras históricas podem ter qualidades sobre-humanas ou extraordinárias.
Além disso, eventos reais podem incorporar elementos falsos, como um sábio ou cartomante avisando um herói sobre eventos futuros.
Apesar das características das pessoas, particularmente dos heróis, não poderem ser provadas ou serem mesmo falsas, as lendas ainda têm alguma base na verdade. Mas quem precisa de provas quando o Robin dos Bosques ajuda os pobres roubando os ricos ou quando o Galo de Barcelos faz justiça na mesa do juiz?
Hoje em dia o imaginário ganhou outras dimensões pois surgiram séries de fantasia como “A Guerra dos Tronos” ou “Harry Potter” cuja audiência em grande parte é adulta. É muito satisfatório acreditar que mesmo numa situação sem saída aparece uma rainha Daenerys Targaryen no seu dragão e vai salvar o mundo. O Zé Povinho aprecia também os pormenores de vida da família real britânica (por exemplo), o que é perfeitamente compreensível pois nas nossas idas à loja da esquina não é provável que encontremos o brilho das coroas e tradições reais. Adoramos nos mascarar no Carnaval e, mesmo que só por alguns instantes, sentirmo-nos como o pirata Jack Sparrow ou a Cinderela num baile antes da meia-noite.
Precisamos de explicar o inexplicável e se não der, entra o imaginário. O imaginário é o nosso amigo invisível que torna a realidade mais suportável.
O imaginário é uma espécie de esperança e pela esperança vale sempre a pena lutar.

Anna Kosmider Leal
(Antropóloga)

Investigadores da UMinho desenvolvem nanomateriais para terapia combinada do cancro

 Uma equipa dos Centros de Física e de Química da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), com a colaboração do Instituto de Polímeros e Compósitos, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e do Centro CINBIO da Universidade de Vigo, desenvolveu novos nanomateriais que permitem a libertação controlada e localizada de fármacos utilizados, por exemplo, no combate ao cancro.
Os cientistas conceberam um hidrogel contendo nanopartículas de ouro, que permite a libertação de fármacos e o controlo da taxa de libertação através do uso de um laser na região do infravermelho, algo que não acontece com os medicamentos tradicionais. Os primeiros resultados do estudo foram tema de capa da conhecida revista Soft Matter, da Royal Society of Chemistry.
“Na quimioterapia convencional, grande parte do fármaco que é administrado tem efeitos adversos no organismo, e o que atua no local alvo é uma pequena parte. Com este material, conseguimos ultrapassar essa limitação, pois é aplicado localmente e controlamos a libertação do fármaco, ajustando a terapia e evitando que o paciente tenha que ir constantemente fazer tratamentos ao hospital”, refere Sérgio Veloso, investigador do Centro de Física e aluno do doutoramento em Física na UMinho. O avanço permite ultrapassar limitações na administração de fármacos antitumorais, nomeadamente a baixa solubilidade em água, a baixa biodisponibilidade e efeitos secundários adversos.
A formulação em gel engloba lipossomas, que possibilitam o encapsulamento do agente bioativo, e nanopartículas de ouro, que permitem que a aplicação de radiação infravermelha resulte num aumento da libertação do fármaco encapsulado, por via do aquecimento local promovido pelas nanopartículas, conhecido como hipertermia. Por sua vez, a hipertermia atua como terapia adjuvante e contribui para o aumento da eficácia do agente bioativo. O estudo permitiu compreender diferentes fatores que influenciam a resposta do material ao estímulo laser, além de saber como modelar as propriedades do gel com os compósitos utilizados.
O material está a ser estudado através de ensaios biológicos em modelos celulares tridimensionais, para que possa depois ser testado com modelos in vivo. “Temos indicações bastante positivas. O material é biocompatível e temos resultados muito promissores”, acrescenta Sérgio Veloso. A investigação vai continuar com o desenvolvimento de materiais mais sofisticados, para permitir um controlo total da libertação de fármaco, capazes de promover um tratamento mais eficaz e a entrega controlada e segura de diversos fármacos antitumorais.
 
Universidade do Minho

Quando os brócolos conversam: Estudo investiga como o cérebro processa frases ficcionais

 Um novo estudo sugere que os nossos cérebros processam informação inconsistente com o conhecimento prévio do mundo de forma diferente. O estudo, conduzido por uma equipa de investigadoras do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) e da Universidade de Maastrich (Países Baixos), descobriu que frases que descrevem alimentos com características inanimadas eram mais facilmente recordadas do que as que descrevem alimentos com características animadas, tanto num contexto do mundo real como num contexto ficcional.
O estudo, realizado no Laboratório de Psicologia Social e das Organizações do Iscte, utilizou eletroencefalografia (EEG) para medir a atividade cerebral dos participantes enquanto liam frases sobre alimentos, ou num cenário do mundo real ou num cenário fictício. No cenário fictício, os alimentos possuíam características animadas, tais como ser mal-humorado ou capaz de falar. “O nosso cérebro processa a linguagem muito rapidamente”, explica a autora principal Sara Soares, doutoranda no Iscte, acrescentando que “as dificuldades levantadas por informações incongruentes são normalmente observadas através de EEG aproximadamente 400 ms após a palavra crítica da frase ser apresentada”. As investigadoras descobriram que quando os participantes liam frases sobre alimentos com características animadas no contexto do mundo real, os seus cérebros mostravam uma maior amplitude da componente N400, indicando que o processamento da frase era mais difícil. No entanto, no contexto ficcional, não houve diferença significativa na atividade cerebral entre frases sobre alimentos com características animadas e inanimadas.
De forma geral, os resultados sugerem que uma descrição mínima sobre um contexto ficcional é suficiente para o nosso cérebro se adaptar a informação inconsistente com o conhecimento prévio acerca do mundo. “A maioria dos estudos anteriores indicava que a informação inconsistente é mais fácil de processar após uma longa explicação contextual, como se as dificuldades desaparecessem. No nosso estudo, oito frases sobre uma realidade alternativa em que os alimentos tinham características humanas foram suficientes para mudar a capacidade das pessoas no processamento deste tipo de informação”, explica Sofia Frade (CIS-Iscte). Além disso, as pessoas lembraram-se melhor das frases que descreviam os alimentos sem características semelhantes às humanas. Segundo a investigadora Rita Jerónimo do CIS-Iscte, “descrever alimentos em termos de características inanimadas alinha-se com o nosso conhecimento prévio do mundo, o que parece facilitar a recuperação dessa informação”.
De acordo com a investigadora Sonja Kotz “este estudo contribui para perceber como o nosso cérebro processa informação inconsistente com o conhecimento prévio do mundo, e como o contexto pode influenciar esse processo.” A investigadora Sara Soares acrescentou que “estes resultados podem ter implicações para a compreensão de como processamos e recordamos a informação linguística em diferentes contextos, tais como em materiais educativos ou na publicidade”. As autoras salientam ainda como este estudo pode informar modelos teóricos sobre a linguagem, mas alertam para a necessidade de mais investigação que considere características individuais, tais como propensão para a fantasia, ou capacidade de flexibilidade cognitiva, por exemplo.
 
Pedro Simão Mendes
Comunicação de Ciência (CIS-Iscte)

Investigadores da FCUP querem tornar o trigo mais sustentável e saudável

 Um cereal fundamental, mas, ao mesmo tempo, visto como um “vilão” por provocar alterações menos desejáveis no nosso organismo, como alergias e intolerâncias alimentares. Em causa está a composição do trigo, que poderá ser modulada pela microbiota, conjunto de microrganismos, do solo e da planta. Do solo ao prato, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), uma equipa de investigadores está a trabalhar no estudo da microbiota do trigo para chegar a um novo alimento à base da fermentação deste cereal que conjugue saúde e sabor na mesma receita.
Para isso, vão primeiro estudar, no projeto europeu Wheatbiome, a microbiota do trigo, no solo e na planta para perceber como é que ela afeta a sua imunogenicidade (capacidade de desencadear uma resposta imunitária no organismo) e também a qualidade nutricional deste cereal.
 
“As expressões de proteínas numa planta, que vão causar mais ou menos imunogenicidade, vão depender da cultura e da variedade de trigo e também de onde é produzido”, explica Rosa Perez-Gregório, investigadora do REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia) na FCUP e co-coordenadora do projeto. E exemplifica: “A mesma variedade de trigo produzida em locais diferentes (em Portugal e na Holanda, por exemplo) pode ter indicadores de qualidade nutricional e quantidade de proteína imunogénica diferentes. O que queremos avaliar é como a microbiota e a interação da microbiota do solo e da planta poderá modular este processo”.
 
“Com base nesse conhecimento, e uma vez caracterizada a microbiota do trigo, podemos utilizar a microbiota da planta inteira ou partes dela para criar um novo alimento”, continua Susana Soares, docente da FCUP e investigadora do REQUIMTE também à frente da investigação no Wheatbiome.
 
Os três S do trigo: saúde, sabor e sustentabilidade
Rosa e Susana juntaram-se neste projeto para potenciar uma tríade de “s’s” no trigo: saúde, área de Rosa, sabor, a de Susana e sustentabilidade. As linhas de trabalho da Rosa e da Susana, que trabalham no Departamento de Química e Bioquímica, são complementares com o conhecimento dos investigadores e docentes da FCUP e GreenUPorto, Ruth Pereira, em edafologia e química agrícola; Susana Carvalho, em fisiologia e nutrição vegetal; e Luís Cunha, em ciências do consumo e nutrição humana.
 
“O trigo é uma das culturas mais sustentáveis que existe, pois consome poucos recursos hídricos e energéticos, mas podemos torná-lo ainda mais sustentável”, conta Rosa. Um dos objetivos deste projeto é usar a microbiota também para regular as práticas agrícolas e fazer chegar esse conhecimento aos agricultores e outros atores envolvidos na cadeia de produção do trigo. “Se soubermos quais são as melhores condições bióticas e abióticas que afetam a microbiota e a qualidade do trigo, podemos tentar que o trigo seja cultivado noutros países da Europa, o que ajuda a reduzir a dependência da Ucrânia fomentando a agricultura local e mais sustentável”, defende.
 
A sustentabilidade está também presente na componente de economia circular do projeto, com a reintrodução do subproduto do novo alimento na cadeia alimentar como ração para animais.
 
Ensaios in vitro e in vivo
Dos estudos in vitro para compreender, analisar e estudar a microbiota e perceber quais as melhores condições de cultivo e as melhores variedades a apostar, haverá uma pré-seleção dos produtos que passam à fase in vivo. Para além do solo e da planta, a microbiota humana também vai ser estudada. “Queremos ver como as bactérias que estão dentro desse alimento interagem com o nosso organismo e com a nossa própria microbiota”, detalha Rosa Perez-Gregorio.
 
Para além de um estudo clínico, haverá ainda a componente sensorial, pois “queremos que este novo produto também seja agradável para o consumidor”, explica Susana Soares. Os testes serão também feitos ao nível da ração para animais, que se traduzirá numa análise à qualidade da carne e dos ovos.
 
Para além do REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia) na FCUP e do GreenUPorto, fazem ainda parte do projeto a NOVA Medical School e 13 entidades de outros países da Europa incluindo Espanha, Lituânia, Holanda, Polónia e Hungria.
 
No final de 4 anos de projeto, a equipa deste consórcio internacional financiado em mais de 5 milhões de euros pela Comissão Europeia, quer chegar a um novo alimento com baixo teor de imunogenicidade e elevado teor nutricional. Até lá é colocar as mãos na massa.
 
Faculdade de ciências da universidade do Porto

Nova rotunda na EN 109 já está em execução em Vagos

Iniciou-se, no dia 13 de março, a construção da rotunda no km 68,960 da EN 109, na interceção com a Rua Maestro Berardo Pinto Camelo e a Rua Grémio da Lavoura.
Esta obra, cujo promotor é o Lidl & Cia., tem um prazo de execução previsto de cerca de 2 meses e resulta de um acordo de parceria entre o Lidl & Cia., a Infraestruturas de Portugal, S.A. e o Município de Vagos.
Esta nova infraestrutura tem como principal objetivo regular o trânsito naquele local permitindo uma correta e segura entrada/saída na EN 109 garantindo, igualmente, as condições para uma fluidez de tráfego e de segurança da circulação na referida via, o que atualmente não se verifica uma vez que no local existe um cruzamento bastante condicionado e com alguns condicionamentos em termos de circulação.
A intervenção poderá causar alguns constrangimentos na normal circulação, pedindo-se a compreensão pelos incómodos que eventualmente poderão ser causados.
Todas as situações de constrangimentos serão diariamente avaliadas com o decorrer da obra.


Bispo do Porto afasta “temporariamente” três padres suspeitos de abusos sexuais

Suspeitos estão colocados de parte de "toda a atividade pastoral".
O bispo do Porto, Manuel Linda, afastou "temporariamente" três padres cujos nomes constam da lista de alegados abusadores sexuais de menores elaborada pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de crianças na Igreja Católica.
"No âmbito da investigação interna sobre os nomes constantes da lista de suspeitos fornecida pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica, o Bispo do Porto decidiu afastar temporariamente três sacerdotes diocesanos de toda a atividade pastoral", lê-se num comunicado publicado esta tarde no site da diocese do Porto, liderada por Manuel Linda.
Esta decisão é tomada depois de, na passada sexta-feira, a Diocese do Porto ter anunciado ter recebido uma lista de 12 suspeitos de abusos sexuais de menores, sete dos quais são padres no ativo, prometendo suspendê-los preventivamente se "aparecerem indícios fiáveis" dos crimes.
Além destes sete padres no ativo, quatro já morreram e um já não pertence a esta diocese, esclareceu, na altura.
"Por informação oral do Grupo de Investigação Histórica, ficou-se a saber que as denúncias se reportam às décadas de setenta e oitenta", referiu.
Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica validou 512 testemunhos, apontando, por extrapolação, para pelo menos 4.815 vítimas. Vinte e cinco casos foram enviados ao Ministério Público, que abriu 15 inquéritos, dos quais nove foram arquivados.
Os testemunhos referem-se a casos ocorridos entre 1950 e 2022, o espaço temporal abrangido pelo trabalho da comissão.
No relatório, divulgado em fevereiro, a comissão alertou que os dados recolhidos nos arquivos eclesiásticos sobre a incidência dos abusos sexuais "devem ser entendidos como a 'ponta do iceberg'" deste fenómeno.
A comissão entregou aos bispos diocesanos listas de alegados abusadores, alguns ainda no ativo.

TSF

quinta-feira, 16 de março de 2023

Aveiro | Reunião de Câmara – 16 de março de 2023

 
Apresentamos por este meio informação sobre a deliberação da Reunião Extraordinária do Executivo da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), realizada hoje, quinta-feira, dia 16 de março de 2023, nos Paços do Concelho.
Aprovada a Revisão do Plano Pormenor do Centro – Fonte Nova, com mais área verde e valorização da História de Aveiro
O Executivo Municipal deliberou aprovar a versão final da Revisão do Plano de Pormenor (PP) do Centro (zona da Fonte Nova), que acolheu vários dos contributos positivos recebidos durante o período de discussão pública (10 de fevereiro a 01 de março) e a ponderação dos pareceres formais das oito entidades consultadas.
A versão final da Revisão do PP do Centro, assente nos pressupostos da revisão do Plano Diretor Municipal (2019), nomeadamente da relação entre o Homem, a Natureza, a História e o Futuro, consubstancia uma visão de futuro, alicerçada nos novos paradigmas de desenho urbano e de fruição do espaço para residentes e visitantes.
Com esta nova versão do PP Centro a Câmara Municipal de Aveiro (CMA) faz um investimento claro nas zonas dedicadas aos espaços verdes, que aumentam a sua área em 4,9%, comparativamente ao Plano em vigor. Para isto a CMA deixa de edificar uma área global de 17.544 m2, definida originalmente e a que correspondiam 98 fogos de habitação e uma área comercial considerável.
Destes 17.544 m2 que estavam destinados a construção, 14.873 m2 acomodavam 80 fogos na envolvente ao antigo barreiro da Fábrica Jerónimo Pereira Campos, onde agora fica definida a implementação do Centro Interpretativo de História Natural de Aveiro e um espaço verde de características únicas.
A redução dos restantes 2.671 m2, localizados a poente, vão aumentar e valorizar a localização em frente urbana de forma significativa a área verde definido, opção que decorreu da ponderação da Discussão Pública, reduzindo a cércea de um dos edifícios e retirando um imóvel com 18 fogos e usos comerciais previstos no atual PP do Centro.
O resultado final da proposta de plano oferece à Cidade um lugar mais qualificado, que assegura melhor a sustentabilidade do ambiente urbano, dotando-o de múltiplos usos e funções potenciadoras da fixação de população. O novo PP do Centro com a sua valorização em termos patrimoniais e culturais, dará um contributo muito importante para estimular a visita e fruição da zona.
O processo segue para discussão e votação final em sede de Assembleia Municipal de Aveiro.

Discussão Pública com nove participações
Do período de Discussão Pública foram recebidas nove participações abordando várias matérias, relativas à mobilidade, estacionamento e dotação do espaço público, assim como questões objetivas sobre propostas de ocupação de parcelas específicas.
A CMA regista com agrado e agradece os contributos recebidos e a pertinência das questões colocadas. O PP do Centro foi um processo que decorreu de forma aberta e participada e que dispôs, da parte da Câmara, de uma disponibilidade permanente para as interações com todos, de acordo com a interpretação e opção política que realizamos do Poder Local: uma gestão de proximidade, na procura da definição de soluções com a viabilidade e qualidade urbana.

As principais alterações: o que muda no PP do Centro?

Mais 4,9% de área verde;
Redução de 17.544 m2 de área construtiva, cedida ao espaço verde público de usufruto para residentes e visitantes;

Criação do Centro Interpretativo de História Natural de Aveiro, com funções de:

  1. Valorização e imortalização da história das antigas fábricas de cerâmica de Aveiro;
  2. Dar a conhecer a particularidade biológica, geológica, geomorfológica, paleontológica e de registo fóssil do loca
Valorização da antiga Capela de São Tomás de Aquino (séc. XIX);
Definição dos critérios de localização e distribuição das zonas de habitação e das atividades turísticas, comerciais e de serviços;
Viabilização financeira da intervenção urbana.