quinta-feira, 23 de julho de 2026

Porto de Mós homenageou os calceteiros e reforçou compromisso com a valorização da Calçada Portuguesa


O Município de Porto de Mós assinalou, no passado dia 22 de julho, o Dia Nacional do Calceteiro e da Calçada Portuguesa, promovendo uma cerimónia de homenagem aos profissionais que preservam este ofício secular e destacando a importância da Calçada Portuguesa enquanto património cultural, artístico e identitário.

A sessão teve início com a intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, seguindo-se a apresentação da obra criada pelo artista Escória, concebida especialmente para assinalar esta data comemorativa, um mural de arte urbana que pode, agora, ser apreciado no exterior do Fórum Cultural de Porto de Mós, uma casa dedicada ao património cultural.
Seguiu-se a tertúlia "O Saber Fazer da Calçada Portuguesa", que contou com a participação de Jorge Vala, do calceteiro Adérito Matos e de António Prôa, Secretário-Geral da PORPAV.

Na sua intervenção, Jorge Vala destacou o empenho do Município na valorização da Calçada Portuguesa, sublinhando o apoio à candidatura deste saber-fazer a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. O autarca referiu ainda que este compromisso se traduz em diversas iniciativas, como a celebração do Dia Nacional do Calceteiro e da Calçada Portuguesa, a inauguração do mural artístico dedicado à efeméride e a escolha da Calçada Portuguesa como tema central do próximo ano letivo, uma opção que irá orientar projetos e atividades em áreas como a educação, a cultura e o teatro.

Por sua vez, António Prôa salientou o valor histórico e cultural da Calçada Portuguesa, considerando-a "a primeira expressão de arte pública em Portugal", numa alusão à obra inaugurada durante a cerimónia. O Secretário-Geral da PORPAV alertou igualmente para os desafios que ameaçam a continuidade deste ofício, nomeadamente a dificuldade em atrair novos profissionais, consequência da reduzida valorização social da profissão, da exigência física do trabalho e da baixa remuneração, fatores que contribuem para o envelhecimento da classe dos calceteiros.

Já Adérito Matos, mestre calceteiro com experiência em diversos países, reconheceu essas dificuldades, mas defendeu que a dedicação e o gosto pelo ofício continuam a ser essenciais para quem escolhe esta profissão. Destacou ainda que a Calçada Portuguesa é frequentemente mais valorizada no estrangeiro do que em Portugal e manifestou esperança de que, com a aprovação da candidatura à UNESCO e a crescente escassez de mão-de-obra especializada, a profissão de calceteiro venha a ser cada vez mais reconhecida como sinónimo de arte, qualidade e valorização profissional, social e financeira.

Com esta iniciativa, o Município de Porto de Mós reafirma o seu compromisso com a preservação e promoção da Calçada Portuguesa, contribuindo para a valorização deste património único e sensibilizando a comunidade para a importância de garantir a transmissão deste saber-fazer às futuras gerações.

*Patrícia Alves
Gabinete de Comunicação

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