segunda-feira, 7 de março de 2016

360º - A vida de Balsemão por Maria João Avillez e duas polémicas que estão para durar

360º

Por Filomena Martins, Diretora Adjunta
Bom dia!
Enquanto dormia
A Coreia do Norte ameaçou transformar a Coreia do Sul e os EUA em "chamas e cinzas". É mais uma ameaça nuclear de Kim Jong-Un, que continua a fazer testes com mísseis.

Nas primárias dos EUA, as projeções dizem que Bernie Sanders venceu o caucus democrata no Maine. A confirmar-se, será a terceira vitória da semana, depois do Kansas e Nebraska, o que esta madrugada lhe animou o debate com Hillary. Já nos republicanos, Marco Rubio ganhou em Porto Rico, depois de Ted Cruz ter vencido sábado em quatro estados. Tratam-se, contudo, de triunfos pouco significativos, já que se tratam de estados que elegem poucos delegados. A corrida parece mesmo ir fazer-se a dois: Hillary e Trump. Uniu-os o elogio fúnebre na morte de Nancy Reagan.
Numa cimeira extraordinária, a Europa discute hoje, uma vez mais, a crise dos refugiados. Fá-lo sob pressão dos países mais afetados: na Grécia, Tsipras disse que continua solidário, mas pede ajuda financeira; na Turquia, Endorgan, entre polémicas, fez várias exigências (acabar com necessidade de vistos dentro das fronteiras europeias, reiniciar a discussão da integração na UE, etc.). Enquanto isso, a Portugal, chegaram esta madrugada mais 64 migrantes. E os Jogos Olímpicos terão uma equipa só de refugiados: três deles podem chegar ao ouro.
Outra reunião importante neste dia 7: a do Eurogrupo, que vai analisar vários orçamentos, português incluído. Por falar em OE, que começa a ser discutido na especialidade já quinta-feira, estas foram as mais de 200 alterações propostas pelos partidos.

Das manchetes deste início de semana: o I (ainda sem link) destaca as mil nomeações feitas em 100 dias de Governo; oDN noticia que o principal arguido do caso Vistos Goldpode anular o processo; e o Público revela que Marcelo vai levaras comemorações do 10 de junho para fora de Portugal (a escolha é Paris). No Económico uma entrevista a António Saraiva com uma declaração sonante: "Mais vale ter trabalho precário do que desemprego".

O FC Porto foi perder a Braga (1-3) e desperdiçou a oportunidade de reentrar na luta pelo título, que o resultado do dérbi de Lisboa, na véspera, lhe possibilitara (o Benfica ganhoucom um golo grego em Avalade e assumiu a liderança do campeonato). Mas a culpa não é só do Casillas, escreveu o Diogo Pombo. Foi, pois, um fim de semana e tanto de futebol, sobretudo porque a modalidade parece ter entrado finalmente no século XXI: é oficial, aleluia!, os árbitros vão poder recorrer a imagens vídeo.

Má notícia para a noite lisboeta. As discotecas 'históricas' Jamaica, Tóquio e Europa, no Cais do Sodré, em Lisboa, vãofechar a 14 de abril. O prédio onde estão vai dar lugar a um hotel.
 
Informação relevante
O governo britânico criou uma comissão para avaliar a sustentabilidade a longo prazo da sua segurança social. Terão os ingleses de trabalhar até aos 75 anos (ou aos 81)? 

Por cá, duas polémicas que vieram para ficar:
  • Maria Luís Albuquerque começa hoje a trabalhar como administradora não executiva na Arrow Global, empresa que comprou crédito mal parado do Banif enquanto era ministra das Finanças. O DN de ontem contava que receberá cerca de cinco mil euros brutos por mês por “dois a quatro dias” de trabalho, a que somará os 3.400 euros que recebe como deputada. Mas o problema não é o dinheiro, é a atitude, escreveu José Manuel Fernandes neste artigo criticou duramente Marques Mendes na SIC. Como se não bastasse, os swaps voltaram para a assombrar.
  • Depois de a bastonária dos enfermeiros ter colocado o tema na ordem do dia, foi Pereira Coelho, o médico do primeiro bebé proveta português, a voltar a animá-lo, afirmando que já assistiu a práticas de eutanásia. A Sónia Simões falou com uma jurista que lhe explicou que só há uma forma de eutanásia que é crime. Mas a discussão promete continuar.
Passos Coelho foi reeleito líder do PSD com 95% de votos, a maior votação de sempre em diretas no partido. O ex-primeiro-ministro assume-se como alternativa ao Governo, admitindo voltar ao executivo mesmo sem eleições. Partindo do lema de Passos, “social-democracia, sempre!”, a Rita Dinis foi vertodas as guinadas que o PSD já deu, à direita e à esquerda.

O Brasil continua a viver as ondas de choque da detenção para interrogatório do ex-presidente Lula da Silva no âmbito do processo Lava Jato. A revista Veja dedicou-lhe uma edição especial com muitas críticas, entre elas o facto de o ex-presidente "ter feito um comício em vez de dar explicações". O Globo, o Estadão e a Folha de S. Paulo só falam no tema. No Observador, o João Almeida Dias e o Milton Cappelletti fizeram este Explicador: são onze perguntas (e respostas) para entender o caso.


Os nossos Especiais

Lançou o Expresso no dia 6. O seu PSD também foi anunciado num dia 6. E ontem, dia 6, fez novamente grandes mudanças na Impresa, que terá a partir da agora à frente o seu filho Francisco Pedro. Mas além desta superstição numerária, quem é Francisco Pinto Balsemão? Retrato completo por Maria João Avillez, que com ele viveu vários momentos no jornalismo e na política. Sobre o passado, tem de ler. Sobre o presente, fica esta pequena passagem para o convencer: "Francisco Balsemão continua a jogar golfe, a tocar bateria (às vezes piano), a dançar, a “divertir-se”. Viaja incansavelmente, mima os netos, aprende coisas, descobre outras, retém todas. É isso, a vida continua. E sobretudo, ele também".

O Caso José Veiga, ou Rota do Atlântico, não para de surpreender. Menos de uma semana depois de Manuel Damásio ter sido detido para interrogatório, o Luís Rosa foi descobrir por que estão os arguidos proibidos de contactar o ex-secretário de Estado dos Transportes e agora assessor do Fundo de Resolução com a missão de vender o Novo Banco, Sérgio Monteiro. A culpa é de Pedro Sousa, ex-jornalista da Renascença, ex-assessor do Sporting e agora comentador desportivo da TVI, e da sua mulher, Patricia Gallo, ex-jornalista da RTP. Motivo: seduzir um cliente... Ora leia para crer. (Ah, Miguel Relvas também aparece nesta história, mas esse parece ser outro enredo)

Outro tema de leitura obrigatória. O palavrão é violência obstétrica. A tradução é maus tratos a mulheres durante o parto. Acredite, existem mesmo. A Cláudia Sebastião ouviu quem já os sofreu e conta tudo. Se está grávida ou vai ser pai, aviso que o conteúdo tem tanto de importante, como de sensível.

Para assinalar duas datas importantes, preparámos uma série de artigos que animámos e ilustrámos com a ajuda dos nossos 'técnicos' (obrigado Leo, Alex e Cia.) e 'artistas' (sempre criativos, Andreia, Milton, Amélia). 

Notícias surpreendentes
Passadas duas décadas sobre a exibição de um dos sketchs mais polémicos de Herman José na televisão portuguesa, Nuno Costa Santos foi descobrir como está a relação entre o humor e a religião. Sim, foi há 20 anos! Ainda se lembra da "Última Ceia" e da polémica que valeu abertura do telejornal da RTP?

Já a Rita Cipriano meteu-se noutras aventuras e foi até ao São Carlos. Fazer o quê? Espreitar como se produz uma ópera, entre Lisboa e Los Angeles.
A Sílvia Silva esteve atenta na semana da moda de Paris. Viu os desfiles de Luís Buchinho, de Fátima Lopes e de Diogo Miranda, explicou o que as passadeiras vermelhas nos têm mostrado e, imagine, encontrou e falou com a nossa Sara Sampaio, que abriu o desfile de Elie Saab (e deslumbrou, claro).

Ana Bacalhau veio ao Observador numa altura em que os Deolinda acabam de lançar o seu quarto álbum. E aceitou responder a algumas perguntas bem difíceis no Verdade & Consequência. Ora veja lá as suas respostas desconcertantes. Ou então ouça uma das músicas novas de 'Outras Histórias'.

Seja qual for a música que mais gostar de ouvir, pode ter ter os phones nos ouvidos e continuar a clicar no Observador para estar a par de toda a atualidade. Esta é a semana em que vamos acompanhar em detalhe as mudanças em Belém: Marcelo Rebelo de Sousa toma posse quarta-feira. 

Tenha um bom início de uma semana produtiva e feliz!
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ESQUIZOFRENIA



É provável que já tenhas ouvido ou dito a um amigo ou colega: 

Estás a delirar
Estás a ver coisas que não existem
- Estás a alucinar!
Andas paranoico!

Frequentemente estas expressões são utilizadas para caracterizar aquilo que consideras não fazer sentido. 

Delírio, alucinação, paranoia, são termos que fazem parte de um grupo de doenças designadas depsicoses no qual a esquizofrenia se enquadra. Afeta cerca de 1% da população e muitas vezes os primeiros sinais e sintomas aparecem na juventude. É uma doença que afeta gravemente a forma de pensar e estar da pessoa, a sua vida emocional e o seu comportamento, com reflexos em si e naqueles que o rodeiam. 

Em linguagem científica diz-se que a característica principal destas doenças é a perda de contacto com a realidade . 

A esquizofrenia, existem diferentes tipos, e compreende diversos sinais e sintomas, como delírios,alucinaçõesdesorganização do discurso, do comportamento e os designados sintomas negativos.

A forma como os sinais e os sintomas se manifestam varia de pessoa para pessoa, tanto na frequência como na intensidade. Nem todos os jovens têm sinais e sintomas do mesmo modo e durante o mesmo tempo.
Os delírios são ideias firmes e seguras que a pessoa tem, convicções falsas, resistentes e que não são possíveis de modificar pelo simples facto de demonstrar à pessoa que são erradas. Por exemplo, um jovem que diz de modo convicto que um vizinho seu, amigo do seu pai, o persegue, espia e prejudica intencionalmente na escola, tem a séria convicção de que isto é verdade. A tua reação normal é o espanto. De facto, de nada adianta chamá-lo à razão e dizer que está errado. A isto chamamos delírio de perseguição ou persecutório, mas existem outros tipos de delírios (ex.: delírios de grandeza).

As alucinações dizem respeito à alteração das perceções que a pessoa entende como reais quando na realidade não existem. Nessa fase os jovens experimentam determinadas sensações que envolvem os sentidos. As mais comuns são as alucinações auditivas (ex.: ouvir vozes a falar consigo, barulhos estranhos, ruídos, etc.), mas também podem ocorrer alucinações visuais (ex.: ver pessoas e imagens), sensitivas (ex.: sentir a cabeça a arder), olfativas (ex.: sentir cheiros) e gustativas (ex.: sabores). 


A esquizofrenia implica também:
  • desorganização do discurso. Corresponde à fragmentação do pensamento, mas isso não faz que a pessoa tenha «dupla personalidade» como muitas vezes se pensa. Pode ser observado a partir do modo como a pessoa fala, especificadamente se não consegue ligar o discurso de modo coerente, diz coisas sem sentido, repete a mesma coisa ou ideia vezes sem fim, ou ainda muda de discurso rapidamente.
  • desorganização do comportamento. A pessoa deixa de ter as suas atividades orientadas por objetivos, observando-se um declínio na sua capacidade de cuidar de si e de trabalhar ou estudar.
Uma outra componente da esquizofrenia são os sintomas negativos. Correspondem à ausência, diminuição ou perda de capacidades tidas anteriormente, incluindo as emoções. Estes sintomas podem por exemplo incluir empobrecimento emocional (embotamento emocional), perda de prazer com atividades do seu interesse anterior (anedonia), isolamento social, entre outros.

SINTOMAS
Em algumas pessoas os sinais surgem de repente, sem aviso prévio. Contudo, na maioria das vezes vão-se desenvolvendo mais lentamente, mesmo antes do primeiro episódio considerado grave. Estes episódios graves designam-se de surtos psicóticos

Entre os profissionais de saúde utiliza-se a expressão pródromos para designar uma fase prévia ao aparecimento dos sinais e sintomas da esquizofrenia e que implicam alterações a diferentes níveis. São considerados inespecíficos, isto é, podem estar presentes noutras perturbações e não têm critério de duração. De entre esses sintomas prodrómicos destacam-se:
  • Atenção e concentração reduzidas;
  • Diminuição da iniciativa e motivação;
  • Sintomas depressivos;
  • Alterações do padrão do sono;
  • Ansiedade;
  • Isolamento social;
  • Desconfiança;
  • Irritabilidade.

SINAIS
As pessoas que vivem ao lado de um jovem que sofre de esquizofrenia, dizem regularmente que suspeitavam que algo errado se passava, mas não sabiam propriamente o quê. A esquizofrenia compreende a presença de alguns dos seguintes sinais:
  • Afastamento social;
  • Comportamentos hostis e de desconfiança de tudo;
  • Deterioração da higiene pessoal;
  • Olhar vago, inexpressivo e apático;
  • Incapacidade de chorar ou rir;
  • Riso ou choro completamente inapropriado;
  • Incapacidade de memorizar informação, esquecendo-se facilmente;
  • Uso de palavras estranhas ou então uma maneira estranha de falar;
  • Reagir com hostilidade a críticas;
  • Mudança de assunto de forma repentina sem ligação entre assuntos;
  • Falar com recurso a rimas, mas que não fazem sentido;
  • Abandono escolar.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Dependendo do estado de saúde e fase da doença em que se intervém, existem diferentes profissionais que podem realizar o diagnóstico, dos quais se destacam:
  • Médicos de família;
  • Psiquiatras e pedopsiquiatras.

É de salientar que existem outros profissionais de saúde que também intervêm em doentes com diagnóstico de esquizofrenia, quer através do acompanhamento, quer ainda de intervenções mais específicas como são os enfermeiros de saúde mental e os psicólogos.

TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES DISPONÍVEIS

MEDICAMENTOS
  • Há medicamentos que são essenciais e eficazes no tratamento da esquizofrenia ao longo da vida e que permitem uma boa evolução prognóstica. Os medicamentos mais utilizados designam-se de antipsicóticos. São fármacos eficazes para os sintomas psicóticos, especificamente ao nível dos delírios e alucinações permitindo que o doente readquira autonomia e um bom nível de funcionalidade. Contudo, podem ser necessários outros medicamentos para outros sintomas como falta de motivação, baixa memória e problemas com a concentração. Quanto mais cedo for a intervenção, melhor!
Outro tipo de intervenções:

Um jovem com diagnóstico de esquizofrenia necessita além, de cuidados médicos especializados, de apoio psicossocial, familiar e de educação sobre a doença. Podem distinguir-se:
  • Terapia cognitivo-comportamental. Ajuda a reduzir o desespero causado pelos sintomas psicóticos, identificando-os precocemente, desenvolvendo treino de competências socias e ajudando-o na gestão da medicação;
  • Tratamento na comunidade é uma abordagem para jovens que estão a viver fases mais específicas da doença, por exemplo, que estão em recuperação. O cuidado ao jovem é gerido por uma equipa de profissionais de saúde, como psiquiatra, enfermeiro de saúde mental, psicólogo e assistente social. O cuidado está disponível 24 horas por dia e é feito à medida das necessidades individuais do jovem. O apoio é prestado também aos membros da família. O tratamento na comunidade tem demonstrado reduzir as recaídas, a gravidade dos sintomas e a necessidade de hospitalização;
  • A psicoeducação é utilizada para jovens com diagnóstico de esquizofrenia e sua família. Incentivam a capacitação do jovem e da sua família sobre a sua doença e qual a melhor forma de a gerir. Isto ajuda a evitar as recaídas. O ambiente familiar influenciado pela tentativa de lidar com uma incapacidade não compreendida, pode contribuir para as recaídas e gravidade dos sintomas do jovem com esquizofrenia. A psicoeducação pode ajudar a evitar isto.

ESTRATÉGIAS DE AUTOAJUDA

Os jovens com diagnóstico de esquizofrenia não devem recorrer ao uso de álcool e outras drogas. Muitas vezes, o consumo de drogas como forma de lidar com o desenvolvimento da doença, agravam os sintomas, são motivo de recaídas, assim como podem dificultar o diagnóstico. 

Muitos jovens com diagnóstico de esquizofrenia sofrem também de depressão ou ansiedade, logo muitas das estratégias de autoajuda recomendadas para estas perturbações são apropriadas na esquizofrenia. Contudo deve existir intervenção de um profissional de saúde especializado (ex.: psiquiatra).

Podes ajudar um amigo teu numa situação em que suspeitas que está a sofrer de algo relacionado com a esquizofrenia, utilizando algumas estratégias úteis (ANIPI).

ABUSO DE ÁLCOOL

 

alcool

ABUSO DE ÁLCOOL


Hoje em dia, muitos, mas não a maioria dos adolescentes e jovens experimentaram consumir álcool, alguns deles em excesso. Existem ambientes e oportunidades propícios em festas, nos bares e discotecas, jantares e saídas com os amigos. Isso aplica-se também a outras drogas, como é o haxixe. No entanto, o álcool é de longe a substância psicoativa mais utilizada.
O certo é que muitos jovens experimentam pequenas quantidades ocasionalmente, outros bebem e não experimentam de novo, outros continuam a beber e outros simplesmente optam por não beber álcool.
É referido que o consumo de álcool em Portugal é uma questão cultural, tendo-se a ideia que toda a gente bebe, que as experiências precoces de consumo são aceitáveis e que isso depende muito de sermos um país produtor de vinhos.
Muitas vezes, ao ingerir álcool procuram-se os seus efeitos desinibidores, como ficarem mais alegres que o habitual, conversadoras, descomprimidas. Dizemos que se procura aumentar a sensação de prazer e diminuir o desconforto, mas esse efeito aparente de bem-estar é transitório.
Alguns factos que deves saber:
  • O álcool tem um efeito depressor no nosso sistema nervoso central. Apesar de ter um efeito estimulante inicial, ficando mais eufórico e desinibido e perdendo muitas vezes a noção do perigo, no período seguinte, os efeitos depressores aparecem, surgindo a falta de coordenação motora (ex.: andar a cambalear), sonolência e lentificação do pensamento (ex.: dificuldade em falar). No limite pode levar ao coma e à morte;
  • Existe um espaço intermédio em que as pessoas tendem a expor-se mais a comportamentos de risco (exemplos: relações sexuais desprotegidas, consumo de outras drogas, condução perigosa e acidentes de viação e mesmo divertimentos que podem acarretar graves prejuízos físicos como são quedas graves). Algumas vezes pode até acontecer não te lembrares de nada no dia seguinte (blackout);
  • Os estudos mostram que não devem ser consumidas bebidas alcoólicas antes dos 18 anos. Essa justificação prende-se com o facto do fígado não estar preparado para metabolizar o álcool e de o cérebro dos adolescentes/jovens ainda estar em desenvolvimento. O álcool afeta as áreas do cérebro que controlam as decisões, a cognição e a memória. Na maioria dos países é proibida a venda de bebidas alcoólicas a menores de idade. Em Portugal ainda é aos 16 anos, mas está em discussão uma proposta para adiar para os 18 anos;
  • O consumo precoce e frequente de álcool aumenta o risco de desenvolver perturbações mentais como dependência de substâncias, depressão e problemas de ansiedade e mesmo esquizofrenia. Além disso o consumo excessivo de álcool pelos jovens pode ter subjacente um problema mental.

Já ouviste falar em binge driking

É uma expressão que caracteriza o consumo de cinco ou mais bebidas alcoólicas na mesma ocasião de consumo. Neste tipo de consumo bebe-se em excesso com o intuito de ficar embriagado, consumindo quantidades de álcool que muitas vezes podem ser fatais. 

Sabemos que existe pressão social dos amigos, das circunstâncias e do ambiente de festa, mas a decisão de beber é sempre tua.

Alcoolismo
Algumas vezes pode passar-se do abuso à dependência de álcool (alcoolismo). O alcoolismo é uma perturbação mental que exige tratamento e não um «vício» como muita gente diz. No alcoolismo existem três conceitos importantes e relacionados:
  • Tolerância: diz respeito à necessidade de tomar doses maiores de álcool para atingir o mesmo efeito que se atingia com doses menores;
  • Síndrome de abstinência: uma pessoa que consume em excesso durante um determinado período de tempo e quando pára de consumir, experiencia sinais e sintomas físicos e psicológicos extremamente desagradáveis, sentindo necessidade intensa de beber para aliviar esses sintomas;
  • Consumo compulsivo: a pessoa sente um desejo intenso de beber e não consegue deixar de o fazer.

SINAIS
Existem sinais de alerta que permitem observar que o consumo de álcool se está a tornar problemático. Eis alguns dos mais comuns:
  • Consumir álcool rapidamente para ficar logo «embriagado»;
  • Procurar arranjar sempre bebidas alcoólicas para levar para as festas, nem que implique trazer de casa sem que os pais saibam;
  • Acordar e andar com «ressaca».
                Ao fim de algum tempo estes sinais podem agravar-se:
                - Não se consegue parar de beber ou controlar a quantidade que se ingere;
                - Precisar de beber mais do que o habitual para sentir o mesmo efeito;
                - Passar mais tempo a beber e a recuperar da «ressaca»;
                - Desistir de atividades às quais se dedicava tempo;
                - Problemas nas relações com os outros (familiares, amigos, colegas).
                
Muitas vezes surgem outros comportamentos que também podes observar nas pessoas cujo consumo de álcool é problemático, tais como irritação ou comportamento violento ou por exemplo, acessos de choro no decorrer do consumo.

SINTOMAS
Um adolescente/jovem que consome álcool em excesso poderá ter os seguintes sintomas:
  • Sentir náuseas e mal-estar;
  • Sentir-se profundamente deprimido no outro dia, com dificuldade ou incapacidade de saber o que se passou realmente (blackout);
  • Necessidade de passar cada vez mais tempo com amigos que também consomem álcool e outras substâncias afastando-se dos outros;
  • Alteração do padrão do sono (ex.: começar a dormir dias inteiros ou dormir muito pouco).
Pequenas/grandes coisas que se podem fazer …
Há uma série de coisas que podes fazer para manter a bebida sob controlo em situações em que decides beber:
  • Estabelece limites para ti mesmo e cumpre-os. Uma bebida é uma bebida;
  • Começa por beber bebidas não alcoólicas;
  • Se beberes álcool, alterna com bebidas não alcoólicas (o objetivo é beber menos álcool);
  • Bebe pequenos goles e não de «penalty»;
  • Evita as rodadas e as competições para ver quem bebe mais. Somos todos iguais, mas todos diferentes;
  • Quando decidires parar, diz não sem problema!
Beber com moderação! É possível?

Moderação é um termo pouco claro, muitas pessoas pensam que beber com “moderação” é beber de maneira a não se sentir tonto ou mal disposto. Ora, o que os estudos revelam é que o álcool é uma substância psicoativa que não é isenta de riscos. 

O álcool é um importante determinante de saúde, responsável por muitas doenças, incapacidade e mortes. Se uma pessoa decidir beber, recomenda-se o uso em doses de baixo risco, o que corresponde de 1 a 2 copos de bebida padrão (ou standard), de preferência às principais refeições. As bebidas destiladas devem ser evitadas.

O consumo de álcool antes dos 18 anos deve ser sempre considerado um consumo indevido.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Existem vários profissionais de saúde que podem ajudar um adolescente/jovem que consome álcool em excesso. Um primeiro passo pode ser uma consulta com o médico de família, que poderá dirigi-lo a um serviço ou profissional de saúde especializado.

TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES DISPONÍVEIS
Existem diferentes tipos de terapias que poderão ajudar o adolescente/jovem a diminuir o consumo excessivo de álcool ou mesmo a deixar de beber.
Terapias Psicológicas:
  • Terapia cognitivo-comportamental assenta na ideia de que a forma como pensamos influência a forma como nos sentimos e agimos. Esta terapia ajuda o adolescente/jovem a lidar com o desejo de beber e a reconhecer o problema. Motiva a alteração de comportamentos e o lidar com situações que podem despoletar as recaídas;
  • Terapia de valorização motivacional ajuda o adolescente/jovem a ganhar motivação e capacita-o para mudar os seus comportamentos.

ESTRATÉGIAS DE AUTOAJUDA
As estratégias de autoajuda podem também ser úteis para ajudar o adolescente/jovem que consome álcool em excesso. Procura incentivá-lo a voltar a fazer aquilo que anteriormente fazia sem álcool.

A capacidade e o desejo de utilizar as estratégias de autoajuda dependem de cada um e dos seus interesses. Experimenta ocupar os teus tempos livres com atividades saudáveis, tais como fazer desporto, passear, ir ao cinema.
Podes ajudar um amigo teu numa situação em que suspeitas que está a sofrer de algo relacionado com o consumo excessivo de álcool, utilizando algumas estratégias úteis (ANIPI).  


ÁLCOOL O que faz o álcool ao cérebro dos jovens

2.465 PARTILHAS
Pode não passar de um mito que o álcool queima os neurónios, mas é certo que o consumo de álcool na adolescência afeta o desenvolvimento do cérebro. A partir de dia 1 só se bebe com mais de 18 anos.
O perigo que o álcool representa reside no facto de este composto ser um depressor, mas também um estimulante indireto
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O consumo de álcool pode provocar a diminuição da massa cinzenta de algumas partes do cérebro e travar o desenvolvimento da matéria branca. Esta é a conclusão de um estudo produzido pela Universidade deCalifórnia. E os efeitos do consumo de bebidas alcoólicas parecem ser ainda mais preocupantes quando se trata de jovens.
Os investigadores escolheram 134 estudantes, entre os 12 e os 14 anos, que nunca tinham consumido bebidas alcoólicas e seguiram-nos durante oito anos. O consumo de álcool pelos jovens foi avaliado por meio de um inquérito realizado a cada três meses. Mais de metade destes adolescentes (75) tornou-se heavy drinkers (consumidores frequentes ou de grandes quantidades) ao longo do período de estudo, enquanto os restantes 59 se mantiveram sem consumir álcool, de acordo com o artigo publicado na revista científica American Journal of Psychiatry.
Através de exames médicos – duas a seis ressonâncias magnéticas, por adolescente, durante o período de estudo -,os cientistas mediram os volumes de várias partes do cérebro e verificaram que o córtex frontal e temporal minguaram nos jovens que começaram a beber. Também o crescimento da matéria branca começou a desacelerar a partir desse momento. De acordo com Susan Tapert, uma das investigadoras, isso deve-se ao facto de o cérebro estar ainda em maturação até pouco depois dos vinte anos. A boa notícia é que os investigadores esperam que a matéria branca possa recuperar o crescimento normal caso os adolescentes deixem de consumir álcool.
Esta não é a única investigação referente a este assunto. Um estudo preliminar publicado no International Journal of Neural Systems também refere que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas tem repercussões na configuração cerebral, mas reforça que acontece mesmo que os consumos sejam moderados e aconteçam apenas ocasionalmente.
Magnetoencefalografias realizadas a 73 alunos mostraram que os 35 jovens que tinham comportamento de consumo excessivo de álcool, ainda que ocasional (binge drinking), demonstravam um decréscimo nas conexões funcionais nas regiões frontal e parietal. O grupo controlo, que não apresentava este padrão de consumo de álcool tinha níveis de atenção, velocidade de processamento, memória e impulsividade mais saudáveis. E quanto mais cedo os membros do outro grupo começavam a beber, pior era a sua condição cerebral.
sua condição cerebral.
Existem duas implicações importantes no cérebro a partir do momento em que os adolescentes começam a ingerir bebidas alcoólicas, explicou Manuela Grazina, investigadora no Laboratório de Bioquímica Genética da Universidade de Coimbra, ao Observador. “A área da tomada das decisões fica muito afetada porque os jovens não têm capacidade de agir de forma independente“, explica a investigadora. O outro problema diz respeito às interações cerebrais, já que a natureza química dos neuróticos fica desadaptada. “Os jovens começam a agir por impulso”, acrescenta.
A provar essa afirmação está o facto de a maior parte dos jovens continuarem a beber, mesmo após experiências que não lhes agradou: “O cérebro não está desenvolvido e deixa-se afetar muito facilmente pelo álcool que chega até ele”.
Algumas das mudanças geradas pelas bebidas alcoólicas são permanentes, referiu a investigadora. Manuela Grazina dá como exemplo o caso da perda de massa cerebral, algo que está provado por análises animais e por imagiologias e que pode provocar a morte cerebral.

Se tem menos de 18 anos não beba

Em Portugal, a partir do dia 1 do próximo mês, julho, é proibida a disponibilização, venda e consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica a todos os menores de 18 anos. Segundo o diploma publicado em Diário da República, que altera a lei do álcool, é eliminada a distinção entre maiores de 18 ou maiores de 16 anos para o consumo de bebidas alcoólicas, sejam elas espirituosas ou não espirituosas.
O que significa que a partir de dia 1, os menores de 18 anos passam a estar proibidos de comprar cerveja e vinho. Na anterior lei, esta faixa etária estava proibida de aceder a bebidas ‘brancas’, mas podia comprar as outras duas bebidas.
Segundo o texto do decreto-lei, escreve a agência Lusa, a evidência científica demonstra a existência de padrões de consumo de alto risco de bebidas alcoólicas, como a embriaguez e o consumo ocasional excessivo (binge drinking), especialmente em adolescentes e jovens adultos.
Da mesma forma, pode ainda ler-se, está demonstrado cientificamente que “a experimentação do álcool é cada vez mais precoce em crianças” e que “a precocidade do início de consumo é responsável por uma maior probabilidade de ocorrência de dependência alcoólica”.
Em termos de consequências para o desenvolvimento das crianças e jovens, a precocidade no consumo de álcool tem “consequências diretas a nível do sistema nervoso central, com défices cognitivos e de memória, limitações a nível da aprendizagem e, bem assim, ao nível do desempenho escolar e profissional”.
A exposição prolongada e continuada ao álcool está também associada a uma probabilidade de desenvolvimento de cancro, acrescenta ainda o diploma.
Questionada sobre se os 18 anos são suficientes para proteger a saúde dos jovens em Portugal quando exposto ao álcool, a cientista Manuela Grazina diz que sim. “Assume-se que, a partir dos 18 anos, o cérebro está maduro e que o metabolismo está apto a processar o cérebro”, afirma. A investigadora deixa claro que énecessário levar os jovens a “compreender a importância da moderação, mas não de uma lógica moralista”. A sensibilização é um caminho necessário, principalmente numa cultura onde o álcool está muito presente.
Estes fatores estiveram na base da proibição de vender bebidas espirituosas a menores de 18 anos e outras bebidas alcoólicas a menores de 16, mas “não ocorreram alterações relevantes no padrão de consumo”, após a entrada em vigor da lei (abril de 2013).
Segundo o diploma agora publicado, verificou-se mesmo a continuação dos “comportamentos de risco e excesso de consumo”, sendo que “foram os jovens de 16 anos, em particular, os que mais mencionaram um aumento da facilidade de acesso a bebidas alcoólicas, com qualquer graduação e álcool”.
O Governo justifica assim a necessidade de “melhores medidas de proteção dos menores no que toca ao acesso a bebidas alcoólicas”, salientando não pretender “sancionar ou penalizar comportamentos”, mas minimizar o consumo por adolescentes de foram progressiva.

A química do álcool no cérebro

O perigo do álcool está no facto de se tratar tanto de um depressor como também um estimulante indireto. A Forbesexplica que o álcool afeta a química cerebral, ao alterar os níveis de neurotransmissores (moléculas que fazem a comunicação entre os neurónios). É o mesmo que dizer que o álcool altera o controlo dos processos, dos comportamentos e das emoções, criando excitação ou inibição.
Vamos a exemplos. Um dos neurotransmissores de excitação que o álcool altera é o ácido glutâmico, que determina a atividade cerebral e a energia corporal.Quando se bebe em excesso, a concentração desse neurotransmissor diminui e o corpo desacelera.
Mas o álcool também tem influência na ação do ácido gama-aminobutírico, responsável pela tranquilidade do nosso sistema. A bebida em excesso aumenta a concentração desse químico e tem “um efeito sedativo” indesejável. Ou seja, a fala e os movimentos diminuem de velocidade.

site How Stuff Works sublinha que a dopamina também sofre alterações perante a presença de álcool no sangue. Este neurotransmissor é responsável pela sensação prazerosa que recebemos sempre que algo de agradável acontece, incluindo beber álcool. É este composto que oferece a ilusão de que, se continuarmos a beber, iremos continuar a sentir o mesmo prazer: bebemos mais, a dopamina concentra-se cada vez mais, levando-nos a continuar e a alterar o funcionamento natural do cérebro.
É por isso que largar o copo pode ser difícil: como os níveis de dopamina diminuem drasticamente, a sensação de insatisfação é tão grande que procuramos o comportamento que potencie o regresso da euforia. E isso também justifica as reações que diferentes pessoas têm à mesma quantidade de álcool.

Emoções alcoólicas: do abraço ao soco

Se tivermos em conta as alterações químicas enumeradas acima, percebemos o facto de muita gente se sentir mais desinibida depois de consumir álcool. Sob o efeito dessa substância, as pessoas em redor podem parecer até mais atraentes. Esta é a conclusão de um estudo liderado pelaAmerican Psychological Association: as emoções são deturpadas pelo efeito do álcool, provocando uma maior abertura das pessoas que acabam por perder a noção dos seus comportamentos.
Com o álcool, muitos tornam-se mais amistosos e menos temerosos. Um risco para os que estão mais vulneráveis e com o discernimento afetado.
Mas se esta é a reação de algumas pessoas, outras tornam-se mais agressivas com a concentração de álcool no sangue. No entanto, esse comportamento é mais comum naqueles cuja tendência já é agressiva, como sugere um estudo da Aggressive Behavior.
Com as alterações cerebrais que o álcool provoca, a capacidade para analisar as intenções alheias enfraquece. Tudo porque as ligações entre o córtex pré-frontal e a junção temporal parietal também se alteram. A capacidade de interpretar a linguagem verbal e não-verbal diminui. Estes efeitos são explicados num estudo publicado noBritish Journal of Psychology.
Mas todos estes efeitos provocados pelo álcool dependem de diversos fatores, como sublinha o U.S. Department of Health & Human Services. E mesmo a velocidade com que as mudanças fisiológicas e mentais mudam conforme o peso ou idade, por exemplo. Mas existem cinco aspetos fundamentais que levam a mudanças cerebrais importantes:
  • Com que frequência bebe e em que quantidades?
  • Com que idade começou a consumir álcool e quantos anos passaram desde então?
  • Que idade tem, a que género pertence, que herança genética recebeu e se existe um historial de alcoolismo na família?
  • Esteve exposto a álcool durante a época pré-natal?
  • Como está a sua saúde?
Este artigo foi elaborado com Marta Leite Ferreira
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O HOMEM NA SOCIEDADE

1 – No princípio

«No princípio Deus criou os céus e a terra. A terra era informe e vazia» – (Gen, 1, 13; cfr. João 1, 1-3; Actos 14, 14, Col. 1,16). «Deus disse: Que as águas sejam povoadas de inúmeros seres vivos, voem aves sob o firmamento dos céus… e que a terra produza seres vivos segundo a sua espécie» (Gen. 1,20 e 24).

A ideia de deus já se discute. Impõe-se-nos como uma necessidade metafísica. Mas sobretudo como uma presença amiga. Interessa menos saber que o universo de electrões, neutrões e protões é mantido por Aquele que o criou do que ter consciência de que um Deus nos ama e é a razão da nossa existência. A reflexão de Dsotoiewky em Os irmãos Karamazov: «Se Deus não existe então tudo é permitido» manifesta bem claramente o princípio e o fim do nosso existir.
«Creio em um só deus, Pai todo poderoso criador do céu e da terra».

Texto de Ferreira e Silva
Princípios de uma antropologia

Laços 4 – 2ª. Edição