sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Moçambique deve “viver com os recursos de que dispõe internamente e produzir suficiente riqueza para financiar o seu próprio orçamento e desenvolvimento”, ministro Celso Correia

O Governo de Filipe Jacinto Nyusi continuar a dar sinais de indiferença perante a crise económica e financeira que os moçambicanos estão a viver. Diante da intransigência do Fundo Monetário Internacional(FMI) em só retomar o seu Programa de apoio financeiro após o esclarecimento das dívidas ilegais o ministro Celso Correia afirmou esta semana que “(...)o momento de dificuldades que vivemos no relacionamento com os nossos parceiros de cooperação é instrutivo no sentido de tornar cada vez mais urgente a necessidade do nosso País viver com os recursos de que dispõe internamente e produzir suficiente riqueza para financiar o seu próprio orçamento e desenvolvimento”. Mais realista, o Governador do Banco Central, afirmou que “Nós podemos viver sem a ajuda(do FMI), mas será uma vida difícil.”
Durante a celebração do Dia da Unidade Alemã, comemorado nesta terça-feira(24), o Embaixador do País europeu, Dr. Detlev Wolter, recordou no seu discurso que a recuperação económica e financeira de Moçmbique “também demanda consequências convincentes sobre os dividas ocultas em bilhões de dólares. Nós congratulamo-nos com os anúncios sobre a luta sistemática contra a corrupção, mais esperamos resultados concretos da auditoria, para abrir a possibilidade de um novo apoio.”
Falando em representação de Moçambique o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, reiterou “(...)a convicção do Governo de que um sector privado sólido e bem preparado, um ambiente de negócios favorável e amigo dos investimentos são a condição sine qua non para caminharmos para um círculo virtuoso de crescimento e diminuir cada vez mais a dependência externa”.
“Neste sentido, o momento de dificuldades que vivemos no relacionamento com os nossos parceiros de cooperação é instrutivo no sentido de tornar cada vez mais urgente a necessidade do nosso País viver com os recursos de que dispõe internamente e produzir suficiente riqueza para financiar o seu próprio orçamento e desenvolvimento. A ajuda externa deve ser uma excepção e não a regra! A ajuda externa deve ser priorizada e não universalizada!”, acrescentou o governante moçambicano, de certa forma respondendo ao repto lançado por pelo Embaixador da Alemanha, um dos Parceiros de Cooperação que suspendeu o seu apoio financeiro directo ao Orçamento Geral do Estado após a descoberta em Abril de 2016 dos empréstimos inconstitucionais e ilegais da Proindicus e da MAM.

Recorde-se que após a divulgação do sumário executivo do relatoria da Auditoria que a Kroll realizou às três empresas estatais que endividaram-se com Garantias do Estado ilegalmente emitidas pelo Governo de Armando Guebuza, o FMI deixou claro que existiam “(...) persistem lacunas de informação essencial que carecem ser resolvidas, no que concerne ao uso dos proveitos dos empréstimos”, particularmente de como foram gastos cerca de metade dos mais de 2 biliões de dólares norte-americanos obtidos nos bancos VTB e Credit Suisse. Aliás o Fundo Monetário pediu também “garantia de responsabilização” dos responsáveis.
“Nós podemos viver sem a ajuda(do FMI), mas será uma vida difícil”
Salientar que Moçambique até poderia dispor de mais recursos próprios para financiar o Orçamento de Estado se os Governo do partido Frelimo não tivessem concedido grandes isenções fiscais às multinacionais que exploram os nossos recursos naturais.
Impõe-se dizer que as palavras do ministro Celso Correia não passam de demagogia pois grande parte dos investimentos públicos são realizados com fundos externos, mesmo o orçamento da Educação e Saúde, que continuam a ser os menos cortados, só se mantém nesses patamares graças a “universalidade” do apoio dos Parceiros de Cooperação que investem e emprestam dinheiro a Moçambique.
Aliás o próprio Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural funciona graças ao financiamento, em grande medida, dos Parceiros de Cooperação, entre eles a Alemanha.
Foto cedida pelo Banco de Moçambique
O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, questionado por jornalistas nesta quinta-feira(26), se o nosso País poderia sobreviver sem a retoma da ajuda financeira internacional foi realista. “Nós podemos viver sem a ajuda(do FMI), mas será uma vida difícil. Requer esforços de reformas fiscais e outras para a competitividade da Economia mais profundas do que aquilo que nós tínhamos em mente”.

“É coisa séria! Temos de trabalhar, reduplicar os nossos esforços e as nossas energia para lidar com a realidade. É tentar alcançar resultados positivos caminhando praticamente sozinhos do ponto de vista de ajuda ao Orçamento(do Estado). É um desafio também para nós(no Banco de Moçambique), implica a nossa capacidade de gestão da política monetária” enfatizou Zandamela.
Desfazendo a demagogia do discurso do ministro Celso Correio o Governador do Banco Central deixou claro que “os problemas que tivemos em 2016(devido a suspensão do Programa do FMI) continuarão em 2018 (...) as pressões do Orçamento (de Estado) claramente estão aí, com todo o esforço que a Autoridade Tributária faça não há como no curto prazo que possa de alguma maneira compensar esses cortes substanciais da ajuda externa a Moçambique, elas reflectem-se”.
Quiçá pelo facto do Governador do Banco de Moçambique até assumir o cargo tenha sido um funcionário sénior do Fundo Monetário Internacional reiterou que cabe ao Governo, liderado pelo Ministério da Economia e Finanças, o esclarecimento das “lacunas” e avançar com a “responsabilização” das dívidas ilegais.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

É inútil queixar-se ao Provedor de Justiça, assim sugere o seu informe ao Parlamento e vai terminar o mandato a “choramingar”

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Em caso de arbitrariedade, violação dos direitos humanos ou desagrado em relação à prestação da administração pública e de seus dirigentes, é inútil queixar-se a quem quer que seja, sobretudo ao Provedor de Justiça, porque até as instituições às quais compete assegurar o acesso a diferentes serviços, o acesso à justiça e defender da legalidade ignoram e mandam passear o Provedor de Justiça. O desprezo com que é tratado esta figura, a nível das entidades, sobretudo públicas, pode ser descortinado quando as suas lamúrias sugerem que, um dia, alguém pode mandá-la calar sob pretexto de estar destituído de qualquer poder, limitando-se apenas a emitir recomendações que poucos acatam.
Na quarta-feira (25), o Provedor de Justiça, José Abudo, cujo mandato termina em este ano, apresentou o seu informe anual (de Abril de 2016 a Março de 2017) à Assembleia da República (AR), no qual a avaliar pelas reclamações que, mais uma vez, deixou expostas, em Moçambique, o Provedor de Justiça não passa de um órgão cosmético.
Com as goelas bem escancaradas, ele lamentou-se dos problemas de costume, tais como morosidade na tramitação de processo, cadeias abarrotadas de reclusos e já a rebentar pelas costuras, dos quais uma larga maioria continua trancafiada, pese embora os prazos de prisão preventiva largamente esgotados.
Perante os chamados representantes do povo e titulares de algumas instituições e funcionários do Estado, alguns dos quais o ignoram e não reagem às suas recomendações dentro do prazo definido com vista a dar seguimento às preocupações dos cidadãos, que chegam ao seu gabinete a partir de diferentes pontos do país, José Abudo transformou as queixas de costume num coro.
São problemas de que ele reclama já há muito tempo, mas, por imposição da Constituição da República não pode fazer mais do que emitir recomendações.
Indo por partes, o Provedor de Justiça começa o seu informe lamentando-se da falta de pessoal para trabalhar e até de exiguidade de fundos.
Segundo ele, neste preciso momento está a trabalhar com 21 funcionários, dos 101 necessários. Mas se o Governo criasse condições para ter pelo menos 61, as coisas mudariam, talvez, de feição.
Em alguns sectores da administração pública, determinados empregados fazem-se tardiamente aos seus postos de trabalho e outros nem comparecem mas não são punidos.
Adiante, José Abudo falta da “colaboração dos órgãos de poder e seus titulares”. Neste capítulo, ele diz que parte da autoridade pública faculta as informações solicitadas pelo Provedor de Justiça e até mostram-se disponíveis para eventuais esclarecimentos e explicações que se mostrem necessários.
Todavia, há, em grosso número, aqueles que optam pelo “silêncio absoluto”, fecham-se em copas e mostram-se indisponíveis para qualquer coisa ou assunto que tenha a ver com o Provedor de Justiça. Aliás, em caso de “mediação entre eles a os queixosos/peticionários” optam pela ausência.
Com um pouco de sorte, existe um pequeno grupo de gestores públicos que responde ao Provedor de Justiça, nas fora do prazo previamente indicado para o efeito.
Das instituições que se fecham em copas e mandam passear o Provedor de Justiça constam, por exemplo, os municípios, os tribunais e as procuradorias, o que é deveras gritante na medida em que estas duas entidades, asseguram o propalado acesso à justiça ao povo.

Até o Ministério Público faz-se de surdo e mudo
Aliás, o Ministério Público recebeu três queixas cujos desfecho é desconhecido por José Abudo. Ou seja, esta instituição não tugiu nem mugiu relativamente ao expediente do Provedor.
Perante esta situação, José Abudo considera que a relação entre os órgãos de “poder e seus titulares” registou um retrocesso (...), “desde que se entendeu que o Provedor de Justiça não devia” encaminhar directamente os processos aos tribunais ou procuradorias, mas sim, para os “Conselhos Superiores da Magistratura Judicial, da Magistratura Judicial Administrativa e da Magistratura do Ministério Público, órgãos de gestão e disciplina dos magistrados (...)”.
José Abudo afirma, no seu informe, que os dirigentes, incluindo seniores, que o mandam passear quando intercede em nome dos cidadãos deixam claro que se sentem “bem confortados com as arbitrariedades, abusos, ilegalidades e injustiças, posicionando-se, dessa forma, em confronto com o princípio de actuar em obediência à lei e ao direito”.
Nos estabelecimentos penitenciários, a situação prevalece deprimente como sempre. E recorde-se que as celas dos comandos da Polícia da República de Moçambique (PRM) continuam degradados e sem solução à vista.
Ao contrário do que o Governo tem vindo a fazer, a solução para a superlotação das cadeias não passa pela construção e mais cadeias. Impõe-se, por exemplo, que “a curo prazo se implemente, em larga escala, a aplicação de medidas alternativas à prisão”, na óptica de José Abudo.

Um defensor da legalidade e da justiça sem poder
À luz da Constituição da República, “o Provedor de Justiça é um órgão que tem como função a garantia dos direitos dos cidadãos, a defesa da legalidade e da justiça na actuação da Administração Pública”.
Todavia, pese embora as denúncias por ele feitas, nada pode fazer senão limitar-se a “choramingar”, pois depende sobremaneira de terceiros para salvaguarda de tais direitos, na medida em que as suas competência limitam-se à apreciação dos “casos que lhe são submetidos” e “sem poder decisório produz recomendações aos órgãos competentes para reparar ou prevenir ilegalidades ou injustiças”.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

@Verdade Editorial: Mais um elefante branco


Um aeroporto não se constrói todos dias e, ainda por cima, um aeroporto internacional. Não há sombras de dúvidas de que os aeroportos são de suma importância e reflectem o esforço e a necessidade de um povo, de um Governo e de uma Nação. Eles são importantes na vida de um homem, de uma mulher e de um país. Um aeroporto é uma infra-estrutura económica e social, muito importante numa perspectiva de mobilidade nacional e internacional. E não só. Também sob o ponto de vista do desenvolvimento, crescimento e equidade entre os moçambicanos.

Porém, a construção de um Aeroporto Internacional na província de Gaza não é um investimento prioritário neste momento, não obstante o Presidente da República, Filipe Nyusi, defenda que o mesmo possui enorme potencial para impulsionar o desenvolvimento socioeconómico, particularmente no sector do turismo. Isto é o cúmulo da estupidez!

É obviamente despropositado que se construa um aeroporto internacional quando se tem um outro a menos de 300 quilómetros, enquanto o país ainda se depara com problemas mais preocupantes, como é o caso de falta de emprego, habitação, segurança e situações ligadas a saúde e acesso a água potável.

Em Dezembro de 2014, foi inaugurado, com toda pompa e circunstância, o Aeroporto Internacional de Nacala, e presentemente chegou-se a conclusão de que se trata de mais um “elefante branco” que custou centenas de milhões de dólares em dívidas para o povo mas que não serve a maioria dos moçambicanos e, como se não bastasse, contribui para a situação de falência técnica da empresa Aeroportos de Moçambique. Ou seja, hoje o Aeroporto de Nacala é um pesadelo. Como se isso não fosse uma grande lição, Filipe Nyusi faz os moçambicanos sonharem com um aeroporto sem viabilidade económica na cidade de Xai-Xai.

É, sem dúvidas, mais uma decisão insensata do Governo da Frelimo, que há vários anos tem vindo a mostrar que não está preocupada em resolver os problemas pontuais da população moçambicana. A construção e/ou reabilitação de estrada da nacional número um (N1) traria mais benefícios aos moçambicanos, do que um aeroporto em Gaza, mas o Executivo de Nyusi optou por “oferecer” aos moçambicanos um elefante branco e enterrar mais milhões de dólares em dívidas.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Os segredos do sucesso

Há vários princípios básicos e estratégias que aplicados da forma correcta permitem que qualquer empreendedor atingir os seus objectivos e o sucesso.
Na opinião de Pedro Santos Pereira, formador e consultor do Centro de Formação Profissional para o Comércio e Afins (CECOA), o aspecto determinante é “acreditar no que estamos a fazer”. Há que “ter foco, ser obsessivo, ter ânsia e desejo de atingir o objectivo”, defendeu, no decorrer da sessão do Dia Aberto ao Conhecimento, que decorreu em Faro.

Mas só isso não chega. É fundamental acção, trabalhar para conseguir o que se quer, tentando aprender com quem faz bem. Hoje em dia, não ter, à partida, as competências e a formação necessárias não é um drama, nem desculpa para não se conseguir aquilo que se quer.
Há muita informação disponível, em muitos casos, gratuita, e gente que tem essas competências, às quais é possível recorrer.
Tendo como base a sua própria experiência internacional em várias áreas de actividade, Pedro Santos Pereira chega à conclusão de que não é a falta de dinheiro ou de conhecimento que inviabiliza a concretização de qualquer boa ideia. O fundamental é cada um “fazer o seu melhor, o resto acontece”.
Falando no vertente relacionada com a internacionalização, Pedro Santos Pereira aconselhou quem esteja interessado em expandir os seus negócios para fora das fronteiras nacional a, previamente, colocar a si próprio várias perguntas e tentar obter as correspondentes respostas.
Há que saber quais as vantagens que terá em internacionalizar-se, perguntar se tem as capacidades necessárias e, caso a resposta seja negativa, encontrar forma de ultrapassar esse problema. Depois, há que definir para onde é que se vai internacionalizar o produto ou serviço, qual o mercado e o cliente alvo, pois “se quiser vender para todo o mundo, acaba por não conseguir nada”. Naturalmente que há, ainda, que saber qual a forma que vai usar para colocar os seus produtos nesses mercados, definindo se vai usar um agente, um parceiro externo, vender através da net ou de outra forma.
Com estas questões respondidas, há, de seguida, que olhar para dentro e tentar perceber de que estrutura interna  vai precisar, que competências deve a equipa ter e, sobretudo, há que fazer um plano de negócios, pois um dos problemas de muitos empreendedores é “não fazerem as contas” antes de avançarem com os seus projectos.
Dia Aberto ao Conhecimento foi organizado pelo IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, em parceria com a CCP – Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, a ACRAL – Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve e o CECOA – Centro de Formação Profissional para o Comércio e Afins.
Artigo relacionado: Portugal está na moda
Fonte: O Algarve Económico

O Vaticano não pode deixar-se enganar pelos comunistas chineses

Revista Catolicismo, Nº 802, Outubro/2017

Cardeal Zen

 “Estou muito triste em dizer que o governo chinês não mudou e que a Santa Sé está adotando uma estratégia errada”


O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, Arcebispo emérito de Hong-Kong, julga que se o Papa Francisco conhecesse a realidade do regime comunista chinês, bem como as perseguições que ele move contra os católicos, não promoveria negociações com Pequim.
O Cardeal Zen foi entrevistado por Krystian Kratiuk, de “Polonia Christiana”, prestigiosa revista católica de Cracóvia, que autorizou Catolicismo a reproduzir a entrevista, oferecendo gentilmente para isso sua gravação em inglês. A tradução para o vernáculo esteve a cargo de nosso colaborador Hélio Dias Viana.
*       *       *
Catolicismo — Por que o Vaticano quer assinar um acordo com o governo comunista da China?
Cardeal Zen — Obviamente o Santo Padre pode não ter muita experiência direta com os comunistas chineses, porque na América do Sul os comunistas são perseguidos. Então ele pode ter uma simpatia natural pelos comunistas, pode não saber que eles são verdadeiramente comunistas. Mas muitas pessoas na Santa Sé devem saber, mas talvez não tenham aquela experiência pessoal, direta. Por isso estou realmente receoso de que elas possam ser doutrinadas pelos comunistas. Também porque os comunistas chineses são inteligentes, são mestres no emprego de meias palavras. Então, estou muito preocupado neste momento. 
Yu Zhengsheng, membro do Comitê permanente do Bureau Político do Comitê Central do PCC, reuniu-se com a Associação Patriótica Católica Chinesa, com o novo líder da Conferência Episcopal Chinesa e o representante do IX Congresso Nacional da Igreja Católica Chinesa.
Yu Zhengsheng, membro do Comitê permanente do Bureau Político do Comitê Central do PCC, reuniu-se com a Associação Patriótica Católica Chinesa, com o novo líder da Conferência Episcopal Chinesa e o representante do IX Congresso Nacional da Igreja Católica Chinesa.
Catolicismo — O que é realmente o comunismo?
Cardeal Zen — O comunismo é totalitarismo. É, portanto, um regime totalitário. E somente aquelas pessoas que têm realmente experiência pessoal podem sentir o que é um regime totalitário, como o nazista, como o comunista. O Papa João Paulo II conheceu. O Papa Bento também. Mas temo que os italianos possam não conhecer muito bem, porque Mussolini não foi um totalitário muito duro. Entretanto, os governantes totalitários querem tudo. Querem controlar tudo. Não aceitam compromisso. Eles desejam fazer você capitular. Querem torná-lo escravo. É terrível! Portanto, essas pessoas no Vaticano podem não ter tal percepção. Elas vão então negociar e, obviamente, nas negociações todo mundo é muito amável, com palavras amáveis. Mas esta não é a realidade.

Catolicismo — Como a liberdade da Igreja ficará exposta ao perigo quando for assinado um acordo sino-vaticano?
Cardeal Zen — Na carta do Papa Bento [aos católicos chineses], ele explanou muito claramente a doutrina católica sobre a Igreja. Com certeza o Papa Francisco e outras pessoas no Vaticano concordam com essa posição. Mas, quando se negocia, é preciso saber como a outra parte pensa. Então, eu gostaria de citar um autor hegeliano, falando sobre o acordo entre a Hungria e o Vaticano. Ele diz: “Às vezes, formalmente, no papel, a autoridade do Papa pode ser respeitada, mas na prática um poder excessivo de decisão é dado ao governo”. Portanto, não sabemos muito sobre como é esse acordo, pois não nos informam inteiramente. Eles dizem: “Não, certas informações são apenas por ouvir falar”, um pedaço aqui, outro pedaço lá.
“Querem controlar tudo [os governantes totalitários da China]. Não aceitam compromisso. Eles desejam fazer você capitular. Querem torná-lo escravo. É terrível!”
“Querem controlar tudo [os governantes totalitários da China]. Não aceitam compromisso. Eles desejam fazer você capitular. Querem torná-lo escravo. É terrível!”
O que podemos imaginar a respeito dele, é constatar que se trata exatamente desse tipo de acordo [entre a Hungria e o Vaticano]. Na superfície, parece que a autoridade do Papa está resguardada, porque eles dizem: “O Papa diz a última palavra”. Mas toda a coisa é falsa. Eles estão dando poder de decisão ao governo. Penso que estamos caminhando para algo pior. Daí decorre — não estou 100% seguro — que eles aceitam a eleição [de novos bispos], a que chamam de eleição democrática, aceitam que a Conferência Episcopal aprove a escolha e leve os nomes ao Papa. E o Papa diz a última palavra. Entretanto, tanto a eleição quanto a Conferência Episcopal são falsas. Eu não gosto de falar muito a respeito de eleição. Na China comunista não há eleição, nenhuma eleição verdadeira. Nem sequer a mais solene eleição no Congresso do Povo… Tudo é planejado antes.
Mas agrada-me falar sobre a Conferência Episcopal. Realmente não posso acreditar que na Santa Sé não saibam que não existe uma Conferência Episcopal Chinesa. Existe apenas um nome. Nela, de fato, nunca há discussões, reuniões. Os bispos se encontram quando são convocados pelo governo comunista. O governo lhes dá as instruções, eles obedecem. O então Papa Bento disse que essa Conferência não é legítima, porque nela há bispos ilegítimos, e também porque os bispos clandestinos [perseguidos pelo governo comunista] não fazem parte dessa Conferência. Assim, ela não pode ser chamada de Conferência Episcopal Chinesa. A realidade é que não há uma Conferência Episcopal na China. Mas o que existe realmente? Todos os bispos da igreja oficial [escolhidos pelo regime comunista] têm seus nomes na Conferência Episcopal. Mas então como ela funciona? Antes de tudo, ela nunca trabalha sozinha. Há sempre a Associação Patriótica e a Conferência Episcopal trabalhando juntas. Mas quem a preside? Quem convoca a reunião? O governo! Eles nem sequer procuram ocultar a realidade. Nós podemos ver as fotos. O Sr. Wang Zuoan, chefe da Secretaria de Assuntos Religiosos, está presidindo sorridente a reunião, enquanto o presidente da Conferência Episcopal — um bispo da Associação Patriótica — os demais bispos estão simplesmente sentados lá, ouvindo. Portanto, tudo é decidido pelo governo. Lembre-se: sempre que eles dizem Conferência Episcopal é o governo comunista. O governo controla a eleição através da Conferência Episcopal, e ele próprio apresenta os nomes. Toda a iniciativa provém, portanto, do governo.
Alguém dirá: “O Papa diz a última palavra”. Que última palavra é essa? “Ora, ele pode aprovar, pode vetar”. Bem, ele pode vetar. Mas quantas vezes? Eles apresentam todos os nomes, o Papa não pode dizer: “Não, não, não”. É muito difícil para ele, é muita pressão sobre ele. Então, eu concluo: em certo momento ele pode ser forçado a dizer “sim”. “Oh, ele tem a última palavra!”. Não é suficiente. Portanto, penso que é um acordo muito errado. Precisamente porque não há Conferência Episcopal. Como pode a iniciativa de escolher bispos ser dada a um governo ateu? Incrível! Incrível! Incrível!
Alguém poderá dizer: “Ora, na História, durante muito tempo, o poder de indicar bispos foi dado aos reis, ao imperador”. Mas pelo menos eles eram reis cristãos, imperadores cristãos, enquanto estes são ateus, comunistas. Eles querem destruir a Igreja. Ou, ao menos, se não podem destruir, querem enfraquecer a Igreja. Então é incrível, não se pode aceitar esse acordo.

“Conferência Episcopal é o governo comunista. O governo controla a eleição através da Conferência, e ele próprio apresenta os nomes. Toda a iniciativa provém, portanto, do governo”
“Conferência Episcopal é o governo comunista. O governo controla a eleição através da Conferência, e ele próprio apresenta os nomes. Toda a iniciativa provém, portanto, do governo”
Catolicismo — Mas a recusa do diálogo “nos coloca fora da Igreja”? É o que dizem os comunistas.
Cardeal Zen — O diálogo é necessário, é importante. Mas deve haver princípios. Estes não podem ser negados para se obter um bom diálogo. Por ocasião do Asia News Day, na Coreia, o Papa Francisco celebrou uma missa para todos os bispos asiáticos. Ele falou sobre o diálogo. E disse duas coisas. Primeira: no diálogo, deve-se ser fiel à própria identidade, deve-se ser coerente com a sua própria identidade; não se pode negar a própria identidade apenas para agradar o outro lado. Se nós somos católicos, somos católicos! Segunda: deve-se também abrir o coração para ouvir. Portanto, deve-se dialogar, mas não se pode dizer: nós devemos absolutamente tirar conclusão. Por quê? Porque não depende de você. Depende também do outro lado. Se este não concorda com algo razoável, você não pode concluir. Não depende de você. Se a outra parte deseja que você se torne escravo, você não pode dizer “ok”. Não pode. E aqueles que vão negociar devem saber disso. A autoridade do Papa é dada ao Papa. Ela não é dada a um homem particular, senhor fulano de tal. É dada ao Papa. Não é um atributo pessoal dele. Ele não pode vendê-la. Ele não pode, por sua própria generosidade, renunciar àquela autoridade.
Às vezes, no final do diálogo, podemos dizer: “Desculpem, nós não podemos concluir. Portanto, adeus! Da próxima vez, quando vocês tiverem alguma coisa nova para dizer, voltaremos”.

Catolicismo — A China está querendo aproximar-se do Vaticano para mostrar às nações ocidentais que ela é um país aberto?
Cardeal Zen — Durante essas negociações eles [os comunistas chineses] não estão demonstrando nenhuma cordialidade, não estão dando nenhum sinal de boa vontade. Estão fazendo coisas incríveis. Portanto, não estão demonstrando abertura. Apenas mostram que querem controlar mais. Querem mostrar que são os chefes.
Por exemplo, aqueles bispos chineses ilegítimos, excomungados, os comunistas querem que o Vaticano os perdoe. Mas eles estão fazendo coisas terríveis contra a disciplina da Igreja. São ilegítimos, são excomungados e ousam ordenar sacerdotes! Isso aconteceu ainda muito recentemente. Incrível! Incrível! Reúne-se a cada cinco anos uma organização chamada Assembleia dos Representantes dos Católicos Chineses, o seu mais alto corpo, a mais clara manifestação da natureza cismática daquela igreja. Trezentos e tantos representantes — os bispos são apenas como todos os outros —, eles realizam eleições etc. Agora, na última vez, seis ou sete anos atrás, nós dissemos à Comissão Pontifícia para a Igreja na China: “Não!”. Dissemos aos bispos para não irem. No final eles foram [o cardeal demonstra profundo desagrado], porque o Prefeito da Congregação para a Evangelização afirmou: “Oh, os senhores estão sob pressão, nós entendemos…”. Ah, está bem. Mas dessa vez o Vaticano diz: “Sabemos o que é isso, mas não fazemos julgamento agora. Nós observamos, nós refletimos, nós julgaremos”.
O que quer dizer isso? — Deixe-os fazer a reunião e depois você julga? Mas aquilo é uma manobra cismática. “Agora eles estão negociando, estão se tornando amigos, o senhor não vê isso?” Incrível! Como se pode permitir a realização desse tipo de reunião? E então, examinando-se agora a reunião, eles mudaram? Não! Estão exatamente como antes: “Nós queremos uma Igreja independente”.Portanto, não estão absolutamente demonstrando nenhuma boa vontade.

É proibido entrar na China com imagens de Nossa Senhora de Fátima, pois Ela é anticomunista...
É proibido entrar na China com imagens de Nossa Senhora de Fátima, pois Ela é anticomunista…
Catolicismo — É verdade que os comunistas temem Nossa Senhora de Fátima na China?
Cardeal Zen — É muito curioso, porque eles costumam dizer: “Nossa Senhora, ok. Mas não Nossa Senhora de Fátima”. Por quê? Porque Nossa Senhora de Fátima é anticomunista. Porque disse que o comunismo cairia na Rússia. Então, se você tentar ir à China levando uma imagem de Nossa Senhora, talvez não haja problema, mas se levar Nossa Senhora de Fátima, não pode! Isso é muito curioso, porque só há uma Nossa Senhora. Certa vez, no fim de uma reunião, contei isso ao Papa Bento e lhe disse: “Mas eles não conhecem Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, que é ainda mais terrível, porque Ela foi à guerra”. A origem da invocação Auxílio dos Cristãos provém da Batalha de Lepanto [1571] e do Cerco de Viena [1683]. Portanto, a Guerreira [o cardeal esboça um comprazido sorriso] Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos! Então, penso que eles cometem muitos equívocos a respeito de Nossa Senhora.

Catolicismo — Os católicos chineses ainda são perseguidos, presos e mortos por causa de sua fé?
Cardeal Zen — Certamente houve mudanças em todos esses anos, caso se compare a situação atual com os anos do início do regime comunista. Por exemplo, no começo dos anos 1950 — os comunistas tomaram o poder em 1949 —, especialmente em 1951, eles começaram, nas escolas dependentes da Igreja, a expulsar todos os missionários. Muitos foram para a prisão e nunca voltaram. E depois, em 1955, ocorreu a grande perseguição. Em uma noite eles prenderam o bispo de Xangai, o vigário-geral, o reitor do Seminário, muitos padres, muitas freiras e jovens da Legião de Maria. Enviaram-nos todos para a prisão e nunca voltaram… E foi pior ainda em 1967, durante a “Revolução Cultural”. Até mesmo aqueles que obedeciam ao governo foram perseguidos pelos guardas vermelhos, presos, e nunca voltaram. Era muito duro. Inúmeras pessoas morreram na prisão.
Houve também anos muito difíceis, durante os quais inúmeras pessoas sofreram terrivelmente. E em dado momento, no final da “Revolução Cultural”, os comunistas começaram a política de abertura, até abriram os Seminários. Em Hong-Kong ficamos surpresos, pois podíamos visitar os Seminários. Nessa ocasião eu pedi para ensinar naqueles Seminários. Tive que esperar quatro anos. Permitiram que eu fosse. Isso se deu de 1990 a 1996. Pude ensinar durante sete anos, primeiro em Xangai e depois em diversos Seminários. Era algo muito novo. Incrível! E fui tratado muito gentilmente, porque estávamos em 1989.
Lembra-se do que aconteceu então? — Praça Tiananmen [as manifestações estudantis contra o governo vermelho, reprimidas duramente]. Então, enquanto todo mundo partia para fora da China, eu fui para dentro da China. Isso significava que eu acreditava neles. Que eu sou amigo. Então, eles me trataram muito bem. Durante sete anos… Eu costumava passar seis meses do ano em Hong-Kong, seis meses ensinando na China em todos aqueles Seminários da igreja oficial [do governo comunista]. Era muito triste ver como eles tratavam os nossos bispos. Sem nenhum respeito. Simplesmente assim [o cardeal faz um gesto de quem arrasta o outro pelo nariz]. Escravos! Portanto, foi uma experiência terrível. Então, julgo que se as pessoas não tiverem essa experiência, elas não podem compreender.
Talvez tenha até havido outras mudanças nesses últimos anos, sem tantas pessoas na prisão. Mas alguns bispos continuam presos. Um deles morreu no ano passado. E alguns padres que morreram misteriosamente. Diversos padres ainda estão na prisão, embora muito menos do que antes. Porém, eles [os comunistas] continuam controlando. E, comparando, a situação é pior. Por quê? Porque a Igreja foi debilitada. Estou muito triste em dizer que o governo chinês não mudou e que a Santa Sé está adotando uma estratégia errada. Eles [as autoridades do Vaticano] são muito sequiosos em dialogar, dialogar. Então, dizem a todo mundo para não fazer barulho, para acomodar-se, fazer compromisso, obedecer ao governo. Em consequência, as coisas estão indo ladeira abaixo. 
O Cardeal Zen (com a mão no peito) fotografado em Hong-Kong com parte do clero fiel a Roma
O Cardeal Zen (com a mão no peito) fotografado em Hong-Kong com parte do clero fiel a Roma
Catolicismo — Os católicos na China estão se opondo ao diálogo com os comunistas?
Cardeal Zen — Alguns jornalistas vão à China e voltam dizendo: “Oh, vejam, eles agora podem falar à vontade!”. Na China não existe liberdade de expressão. As pessoas não podem falar. Alguns [sacerdotes] podem vir agora a Hong-Kong falar comigo, podem conversar com o arcebispo Savio Hon na Congregação para a Evangelização, mas não podem falar publicamente. Então, como esperar que falem? Se o fizerem, serão imediatamente presos. Até os advogados dos direitos humanos são presos pelo regime comunista por defenderem os pobres e os oprimidos. Muitas pessoas são obrigadas a comparecer diante da televisão e dizer: “Desculpem-me, estou errado, o governo está certo”. Elas são humilhadas! Portanto, não existe liberdade e estão temerosas. Às vezes o próprio Vaticano não ousa pressionar muito porque, de fato, quer que todos façam compromisso.

Catolicismo — A situação do laicato mudará após a assinatura do acordo do Vaticano com a China?
Cardeal Zen — As relações entre os leigos e o clero ocorrem sempre de duas maneiras: muitas vezes é o clero que dirige o povo, algumas vezes é o povo que dirige o clero. Por exemplo, na igreja oficial [do governo] há também bons bispos. Eles não podem fazer nada em nível nacional da Conferência Episcopal. Mas em suas dioceses podem fazer algumas coisas. Podem manter bem as suas dioceses e os fiéis estão contentes em segui-los. Há bispos que não são bons e os católicos mais velhos não estão contentes. Mas os católicos mais jovens nada sabem sobre essa questão. Eles não entendem o que é “oficial” [igreja do Estado comunista], “subterrânea” [Igreja fiel a Roma]. Simplesmente gostam de ir à igreja, onde se pode rezar e cantar. Não são muito argutos a respeito dessas distinções. Antigamente, na clandestinidade, os padres eram severos. Por exemplo, diziam: “Você não pode ir à igreja oficial. É pecado mortal”. E os fiéis mais velhos acreditavam nisso. Mas agora o Papa diz: “Não, você pode ir, porque o fiel tem o direito de receber sacramentos válidos”. Então os fiéis podem dizer: “Nas catacumbas não é seguro. É perigoso. Algumas vezes eu vou à igreja oficial, depois volto”.
Na igreja oficial, às vezes os fiéis agem melhor que os padres e os padres às vezes agem melhor que os bispos. Porque os bispos sofrem mais pressão, os padres sofrem mais pressão que os leigos. Então os leigos podem torná-los mais fiéis à Igreja. E agora, às vezes, por causa dessa interpretação errada da carta do Papa, pode haver padres e bispos da clandestinidade que gostariam de se tornar da igreja oficial. E então, há muitos casos em que os católicos não gostam disso e dizem: “Está errado”. Portanto, a situação é muito complicada. A situação geral é pior do que antes. Agora há mais confusão, mais divisão.

Catolicismo — Existe para os católicos chineses a esperança de viver a antiga liberdade da Igreja?
Cardeal Zen — Em seu país [Polônia], goza-se de liberdade. Naquele tempo de domínio do comunismo as pessoas não podiam acreditar — ninguém podia esperar — na queda repentina do comunismo, de certo modo pacificamente. Portanto, quando as pessoas me perguntam: “O que o senhor espera, quando gozarão de liberdade?”. Eu digo: “Pode ser que talvez devamos esperar 50 anos, ou talvez cinco semanas. Por que não?”. Estamos nas mãos de Deus. É importante rezar. Rezar pela conversão. Nesta minha visita aqui, notei uma coisa maravilhosa: que os senhores podem generosamente esquecer o passado. Então, quando o regime caiu, não houve vingança da parte do povo. Penso que este é o espírito cristão. Estou muito temeroso de que na China — onde os cristãos constituem uma pequena minoria — os comunistas poderão ser perseguidos quando o comunismo cair. Porque há muitíssimas injustiças e o povo, que não é cristão, poderá se vingar. Portanto, é muito perigoso. A única coisa seria rezar para que os comunistas sejam convertidos em seus corações. Então, poderá haver uma passagem pacífica. Eles não gostam de falar de revolução pacífica, mas nós esperamos.
Fonte: ABIM

Greve: Frente Comum fala em adesão próxima dos 100% nos hospitais e escolas às 10:00

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A adesão à greve no segundo turno dos hospitais e nas escolas estava, às 10:00 de hoje, próxima dos 100%, disse a coordenadora da Frente Comum de sindicatos da Função Pública, Ana Avoila, citada pela agência Lusa.
“Confirma-se a previsão que tínhamos feito na semana passada e ontem com o lançamento da greve e primeiros dados: esta é uma grande greve, com uma adesão muito elevada. Às 10:00 estava próxima dos 100%”, indicou, remetendo informação sobre mais dados para a conferência de imprensa a realizar hoje ao final da manhã.
De acordo com Ana Avoila, a adesão no segundo turno dos hospitais era, até às 10:00, de cerca de 100%.
“Ainda não temos os dados de todos os hospitais, mas, com o que temos, conseguimos perceber que é uma grande adesão. Por exemplo, no Hospital Amadora-Sintra e na Estefânia, em Lisboa, não há consultas externas e o bloco operatório e a enfermaria também estão a ser afetados”, disse.
No entender da coordenadora da Frente Comum, estes dados apontam para uma elevada adesão na saúde e nas escolas de Norte a Sul do país.
“No que diz respeito às escolas, são centenas. Estamos constantemente a receber dados de mais escolas fechadas. No distrito de Lisboa temos, por exemplo, encerradas a Virgílio Ferreira, a Delfim Santos, nas Olaias, a Rainha D. Leonor e a D. Dinis, em Odivelas, o que demonstra o descontentamento que existe nas escolas”, sublinhou.
A coordenadora da Frente Comum tinha avançado anteriormente com uma adesão de cerca de 100%, poucas horas depois do seu início.
A greve nacional da função pública, convocada pela Frente Comum, começou às 00:00 de hoje, com os hospitais a serem os primeiros serviços afetados pela paralisação.
Os professores também marcaram uma greve, convocada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) em defesa dos direitos, das carreiras, da estabilidade e dos salários.
Em causa na greve nacional está a falta de respostas às reivindicações da Frente Comum, como o aumento dos salários na função pública, o descongelamento "imediato" das progressões na carreira e as 35 horas semanais para todos os trabalhadores.
Esta é a terceira greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública com o atual Governo e a primeira convocada pela Frente Comum de Sindicatos, segundo a listagem cedida pela estrutura sindical.
A primeira greve com o executivo de António Costa ocorreu em 29 de janeiro de 2016 e foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos da Administração Pública, assim como a de 26 de maio deste ano, que teve como objetivo reivindicar aumentos salariais, o descongelamento das carreiras, o pagamento de horas extraordinárias e a redução do horário de trabalho para 35 horas em todos os serviços do Estado.
Fonte: MadreMedia/Lusa

Aveiro não vai cobrar água usada nos dias 15 e 16 para combater chamas

A Águas da Região de Aveiro (AdRA) abdica de cobrar a água utilizada pelos particulares para combater os incêndios que afetaram a região de Aveiro nos dias 15 e 16 de outubro.
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No referido período, foram utilizados, nas contas da empresa, mais de sete milhões de litros de água para o combate aos incêndios na região.
"Para além das corporações de bombeiros, várias pessoas a título individual utilizaram a rede de abastecimento público para defender as suas vidas, bens e propriedades. A água utilizada nesse fim de semana será gratuita", refere uma nota da AdRA publicada no seu sítio de Internet.
Assim, diz a empresa, qualquer cliente que tenha utilizado água para esse fim e venha a receber uma fatura com consumos "anormais", pode contactar a AdRA para se fazer uma "reanálise da sua fatura".
Segundo a empresa esta utilização "intensiva" provocou em certos momentos, uma baixa na pressão de água em determinadas zonas.
"De salientar, que várias instalações da AdRA sofreram danos e fomos ainda afetados pelos cortes de energia elétrica e falhas nos sistemas de comunicação, o que agravou a disponibilidade dos nossos serviços de abastecimento de água e comprometeu o atendimento telefónico", refere a mesma nota.
A AdRA adianta ainda que desde o início do flagelo dos incêndios que afetaram a região, disponibilizou e mobilizou o máximo de recursos humanos e técnicos, contribuindo para que as corporações de bombeiros tivessem acesso à água necessária para combaterem as diversas ocorrências.
Por último, a empresa agradece a todas as corporações de bombeiros e outras entidades, que pela sua intervenção e atuação impediram que maiores danos tivessem ocorrido nas instalações do serviço público de abastecimento de água, contribuindo para manter em funcionamento o abastecimento.
A AdRA é a entidade que gere e explora em regime de parceria pública os serviços de água e saneamento relativos ao Sistema de Águas da Região de Aveiro.
A empresa tem como principal acionista a AdP - Águas de Portugal, em representação do Estado, com 51% do capital social. Os restantes 49% do capital social são detidos pelos municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos.

Fonte: JN
Foto: Tony Dias/Global Imagens

Comentário: uns pagam pelos outros. Alguém vai acreditar que a empresa é assim tão generosa?

J. Carlos