Depois da crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, para redimir o pecado dos homens e reabrir as portas do Céu, toda a Terra foi coberta por densas trevas, a tristeza e a desolação contagiaram os povos, liquidando com tudo o que restava de ordem. É o que poderíamos esperar depois da ignominiosa morte do Homem-Deus.
Do Santo Sepulcro ressurge a primeira claridade de esperança. As almas fiéis que o rodeavam para prestar as últimas homenagens a Nosso Senhor, pressentiam que algo de maravilhoso estava para acontecer. Junto àquela tumba, que aparentemente havia selado a derrota do Divino Redentor, eles presenciaram a glória triunfadora de Sua ressurreição.
Com efeito, como diz São Paulo, se Ele não tivesse ressuscitado, a nossa fé seria vã. Os anjos cantaram “glória a Deus nas alturas”. As trevas se dissiparam. A natureza inteira se rejubilou com a luz emanada daquele Corpo glorioso. Jesus Cristo realmente ressuscitou como triunfador da morte e do pecado. Tendo cumprido a vontade de Deus Pai, reabriu as portas dos céus aos justos.
Apesar de a notícia do enorme prodígio ter corrido como um raio, muitos discípulos ainda andavam tristes com a morte de Cristo — após ter sido entregue à soldadesca romana pelos magistrados e sacerdotes judeus —, pois a alegria da Sua ressurreição não havia ainda inundado os seus corações.
Tinham uma fé incompleta e não conheciam verdadeiramente quem era Jesus. Uns achavam que fosse um profeta com grande poder, que restauraria o reino temporal de Israel. Outros, confusos e perplexos, prestavam atenção nos acontecimentos sem entender o que se passava.
Foi necessário que Cristo morresse e ressuscitasse dos mortos para manifestar que Ele era Deus. Sendo já o terceiro dia de sua morte na Cruz, não havia mais razão para que não se conhecesse tudo o que havia se passado em Jerusalém com o Filho de Deus desde a traição do infame Judas Iscariotes.
Quando as santas mulheres chegaram pela manhã de domingo, não encontraram mais o corpo de Jesus na sepultura. Seguiu-se o anúncio do anjo de que Ele não se encontrava mais lá, mas havia ressuscitado dentre os mortos. O que parecia uma derrota, foi a confirmação na fé dos discípulos — a vitória de Cristo sobre seus inimigos —, e todos creram n’Ele depois de manifestar assim a Sua divindade.
É uma prefigura da paixão que nestes dias de trevas sofre a Santa Igreja, corpo místico de Cristo, contra a qual todos os agentes infernais conspiram e desferem golpes, mas Ela segue com vida plena nos fiéis que depositam suas certezas em Jesus Cristo vencedor e triunfador.
Poucos são os que realmente amam a Santa Igreja e estão dispostos a tudo suportar e resistir em sua honrosa defesa, bem como de tomar a iniciativa da luta a fim de que Ela seja restaurada de modo ainda mais excelente do que foi outrora, sempre segundo a lei e a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas aqueles que têm verdadeira devoção a Nossa Senhora recebem d’Ela o inestimável dom da fé, da pureza, e da bravura para lutar. Deus lhes dará a vitória.
Se correspondermos a esse dom, estaremos juntos daquelas almas privilegiadas que viram, testemunharam e registraram para os pósteros aquele momento, talvez o maior acontecimento da História: Jesus Cristo saindo vitorioso de seu sepulcro. Assim como Nossa Senhora nos deu o exemplo de nunca duvidar, Ela nos ensina e alenta a nunca desanimar nas vias da confiança.
Devemos, portanto, confiar contra todas as aparências em sentido contrário, de que junto d’Ela haveremos de encontrar forças e adquirir a certeza de que o bem não está sepultado para sempre, mas que residuum revertetur — o resto voltará, segundo Isaías. Dos escombros e das cinzas da civilização atual surgirá o Reino de Maria, com o fulgor de Cristo no momento de Sua ressurreição.
Espero que todos os fiéis e leitores tenham uma Santa e feliz Páscoa, na alegria de saber e confiar, com uma confiança sem limites, na promessa de que as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja.
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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).
Numa
organização da Equipa Trilho Perdido Eventos / Imporlux,
realizou-se no dia 16 de abril, a oitava edição do Trail Trilhos
das Dores, que contou com a colaboração da Câmara Municipal de
Santarém, Centro de Convívio Cultura e Desporto de Abitureiras, da
Junta de Freguesia de Abitureiras e de várias outras entidades.
Pontuável
para o Circuito Nacional de Trail da ATRP e com partida e chegada no
Recinto de Festas da Freguesia de Abitureiras, passando por dentro da
localidade de Póvoa dos Três, terrenos da caça brava, nas
localidades de Albergaria e Abitureiras, realizou-se a prova de trail
longo na distância de 27 km, na qual participou, o atleta Nelson
Heleno, da Secção de Ar Livre e Aventura, da Associação de
Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, terminando
a competição no 33º lugar da classificação geral individual,
alcançando igualmente o 9° lugar no escalão de MSenior.
Os dragões de Sérgio Conceição golearam sem dó nem piedade o Portimonense este sábado. O marcador fechou com 7-0, naquele que foi o resultado mais dilatado do FC Porto esta temporada.
O FC Porto reforçou a liderança do campeonato este sábado, 16 de abril, ao golear o Portimonense no Dragão, com hat-trick de Taremi e bis de Evanilson.
Ainda não tinha chegado o intervalo e já o resultado era pesado para o Portimonense, com o marcador a assinalar 4-0. Mehdi Taremi marcou logo aos 19 minutos e voltou a encaixar a bola na rede aos 34', de penálti, após entrada fora de tempo de Lazaar sobre Otávio. Ainda na primeira parte, Marko Grujic fez golo aos 28 minutos e Evanilson aos 40'.
Logo a regressar do intervalo, aos 47 minutos, Taremi faz o terceiro. Seguiu-se Pepe aos 55' e Evanilson bisa aos 60 minutos. Com trinta minutos de jogo ainda pela frente, a questão era saber se os dragões continuariam a inflacionar o marcador frente à equipa de Paulo Sérgio, que estancou na última ronda, com um triunfo face ao Famalicão (1-0), uma longa série de partidas sem vencer.
Sem surpresa face aos resultados descritos, o FC dominou o jogo desta noite, com mais de 70% de posse de bola e 17 remates.
Com esta vitória, os portistas conseguiram somar o 58.º jogo seguido sem perder no campeonato, estendendo a saga recordista, e pressionar o campeão em título, o Sporting, que tem no dérbi de domingo um dos testes mais exigentes até final da I Liga.
Pinto da Costa recebe assim uma "prenda antecipada", já que amanhã celebra 40 anos da primeira eleição como presidente do clube.
O FC Porto fecha a 30.ª jornada da I Liga com 82 pontos e liderança reforçada no campeonato, frente a um Sporting com 73 pontos e a um Benfica com 64 pontos (com um jogo a menos) e que se defrontam amanhã no Estádio José Alvalade, em Lisboa, às 20:30, com arbitragem de Fábio Veríssimo, da associação de Leiria.
No caso de o Sporting não vencer no domingo na receção ao Benfica, o FC Porto poderá sagrar-se campeão nacional pela 30.ª vez na 31.ª jornada, na qual se desloca a Braga, em 25 de abril, dia em que os ‘leões’ jogam com o Boavista, no Bessa.
Dois homens foram detidos, este sábado, durante o assalto a uma ourivesaria, localizada no centro de Aveiro. Os suspeitos barricaram-se dentro do estabelecimento e fizeram refém a funcionária da loja.
A mulher de cerca de 30 anos terá sido colocada pelos assaltantes num compartimento da ourivesaria. Segundo a PSP, os dois homens não estavam armados e não há registo de violência contra a refém ou de danos no interior da loja.
A PSP montou um dispositivo no exterior da loja para tentar estabelecer contactos com os assaltantes, convencendo-os a entregar-se. Além da PSP, estavam no local os bombeiros, uma ambulância e um carro de assistência de emergência.
A situação acabou por se resolver rapidamente: por volta das 17 horas, os dois homens acabaram por se entregar, saindo da loja de mãos no ar. Foram detidos e levados pela polícia até à esquadra da PSP, onde irão ser interrogados. As autoridades policiais vão prosseguir com a investigação ao assalto.
Os homens deverão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) no domingo.
Um jovem de 22 anos morreu este sábado após cair ao mar junto à Boca do Inferno, em Cascais, distrito de Lisboa, onde se encontrava acompanhado pelo irmão, que ficou em estado grave, informou à Lusa a Autoridade Marítima Nacional.
Um conseguiu sair pelos próprios meios, o outro foi recolhido pela embarcação salva-vidas, foi transportado para a Marina de Cascais. Foi realizada massagem cardíaca durante todo o trajeto e depois foi também feita reanimação na marina, com o INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica] e os bombeiros, mas aí foi declarado o óbito”, indicou o comandante José Sousa Luís, porta-voz e relações-públicas da AMN.
Os dois irmãos são de nacionalidade moldava, disse o comandante da AMN, referindo que se desconhece para já a idade do jovem que sobreviveu, transportado para o hospital de Cascais “em estado de choque”.
Sem saber as circunstâncias da ocorrência, o porta-voz da AMN acrescentou que a vítima que morreu foi recolhida do mar “em estado muito grave” e “à partida terá sido afogamento”, mas será através da autópsia por parte do Instituto de Medicina Legal que haverá confirmação das causas da morte.
Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Lisboa disse à Lusa que se tratou de “uma queda na Boca do Inferno”(zona rochosa conhecida por registar com frequência ondulação forte), confirmando uma vítima mortal e um ferido grave levado para o hospital de Cascais, sem mais informações sobre ambos.
O alerta foi às 15:23 e a ocorrênciamobilizou “quatro veículos, duas embarcações e 15 operacionais”, adiantou o CDOS.
Juízo Final (detalhe) – Fra Angélico (1395 –1455). Staatliche Museen, Berlim.
Catolicismo transcreveu, em sua edição da Semana Santa de 2021, pungentes trechos do extraordinário livro Jesus Cristo, Vida, Paixão e Triunfo, do Padre Augustin Berthe, missionário redentorista francês do século XIX.
Para consideração de nossos leitores e meditação nos dias da Semana Santa deste ano, damos prosseguimento à narração do autor, que após comentar a Flagelação, a Coroação de espinhos, a Crucifixão, o Sepultamento e a triunfal Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, narra a sua gloriosa Ascensão. O sacerdote francês não a descreve friamente, apenas como um perito no assunto, mas de um modo vivo, fervoroso, deslumbrante.
Antes de subir ao Céu, nosso Divino Redentor preparou os apóstolos e discípulos para a grandiosa missão de difundir o Cristianismo por todas as nações. Depois ascendeu majestosamente, cercado por Anjos e testemunhado por sua Santíssima Mãe, pelas santas mulheres e por seus fiéis seguidores, encarregados por Ele de propagar o Reino de Deus.
Da Redação
Ascensão – Francisco Camilo (1651). Museu Nacional d’Art de Catalunya, Barcelona.
GLORIOSA ASCENSÃO DE JESUS CRISTO AO CÉU
Todos os olhos, fixos n’Ele, contemplavam o seu rosto radiante, a sua fisionomia toda celestial e o seu olhar cheio de bondade e ternura que percorria os observadores como para dirigir a cada um o derradeiro adeus
Tinha Jesus concluído a sua missão na Terra. Tendo descido do Céu para pregar o Reino de Deus, resgatar a humanidade decaída e fundar a nova sociedade dos filhos de Deus, só Lhe restava transformar os continuadores da sua obra noutros tantos Cristos, dotando-os com aquele Espírito divino que falava pela sua boca e operava pelas suas mãos. Mas, como anunciara muitas vezes, não havia de enviar-lhes o Espírito Santo senão depois de voltar para junto do seu Pai e após a sua glorificação nos Céus.
Depois de um mês passado com os seus apóstolos em celestiais conversas, mandou-lhes Jesus que voltassem para Jerusalém e que O esperassem no cenáculo, onde se juntaria a eles. Puseram-se, pois, a caminho, alegres, com as caravanas que se dirigiam já para a Cidade Santa, a fim de se prepararem para as festas do Pentecostes. Ia com eles Maria, a Mãe de Jesus, rodeada das Santas Mulheres que nunca a abandonavam e de certo número de discípulos privilegiados. Estavam ainda receosos do ódio dos fariseus deicidas, mas o divino Ressuscitado estaria com eles e saberia defendê-los contra os seus inimigos.
Se os convocava para Jerusalém, era sem dúvida a fim de os fazer testemunhas de algum novo triunfo. Quem sabe — diziam eles — irá enfim restaurar o Reino de Israel? Apesar de todas as instruções do seu Mestre sobre o Reino de Deus, permanecia arraigado no seu espírito o preconceito nacional acerca do reino temporal do Messias.
Aparição de Nosso Senhor aos Apóstolos a porta fechada – Duccio di Buoninsegna (1255–1319). Museu dell’Opera del Duomo, Siena.
Missão dos apóstolos revestidos da divina armadura*
Aos 40 dias depois da Ressurreição, estavam reunidos no Cenáculo, quando Jesus apareceu no meio deles e se sentou familiarmente à mesa. Falou, como sempre, do Reino de Deus que os apóstolos iam estabelecer na Terra. Durante os três anos que passara com eles, tinha-lhes revelado o seu Evangelho, confiado os seus divinos Sacramentos e designado o chefe soberano que devia dirigi-los. A eles pertencia agora pregar a todos a Ressurreição do Mestre, como prova da sua Divindade e da Religião Santa que o Pai intimava pelo seu Filho a todos os habitantes da Terra.
A empresa seria rude, tanto mais que os poderes deste mundo não poupariam os discípulos mais do que pouparam o Mestre. Mas Jesus não abandonaria os seus enviados. Enviar-lhes-ia o Espírito do Alto que os encheria de luz e penetraria com a sua força. Mandou-lhes, pois, que não saíssem de Jerusalém mas que ali esperassem aquele Espírito que os revestiria com a divina armadura. Começaria, nesse momento, a missão deles — a pregação da penitência para remissão dos pecados — e, em Jerusalém, onde iam receber o batismo de fogo é que deviam inaugurar o seu ministério.
Missão apostólica: expandir o cristianismo por toda a Terra
Animados com estas recomendações e promessas, imaginaram os apóstolos que, com a vinda do Espírito Santo, ia começar o reino visível do Messias. “Senhor — perguntaram eles — é agora que ides restaurar o Reino de Israel?”. Jesus não respondeu a esta pergunta e deixou ao Espírito Santo o cuidado de espiritualizar aquelas almas terrenas. Mas repetiu-lhes o que já lhes dissera sobre o seu Reino definitivo. “Não vos pertence a vós conhecer os tempos e momentos que o Pai determinou em virtude do seu poder soberano”. E, com respeito à missão deles, acrescentou: “Vai descer sobre as vossas almas o Espírito Santo e, então, sereis minhas testemunhas em Jerusalém e depois em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra” (Act. 1, 6-8).
Depois da refeição levou-os Jesus para os lados de Betânia, já fora da cidade. 120 pessoas acompanhavam o divino Triunfador. O cortejo seguiu pelo vale de Josafá. Jesus avançava majestosamente no meio dos seus. Os apóstolos, os discípulos e as Santas Mulheres em grupo com Nossa Senhora, seguiam-no com santa alegria mas tristes ao pensar que o bom Mestre os ia deixar. Atravessou Jesus a torrente do Cedron, onde os seus inimigos Lhe haviam dado a beber água lodosa.
Depois, deixando à esquerda o horto de Getsêmani, teatro da sua mortal agonia, subiu pelo Monte das Oliveiras. Tendo chegado ao cimo, lançou um derradeiro olhar àquela pátria terrestre, onde tinha passado 33 anos, desde o seu nascimento no estábulo de Belém até à sua morte sobre a Cruz do Gólgota. Tendo vindo ao meio dos seus, os seus não O tinham recebido, mas aproximava-se a hora em que o gênero humano, vivificado pelo seu Sangue, ia adorá-Lo como a seu Pai e a seu Deus.
Para além do Mediterrâneo, o seu olhar abraçava aquele Ocidente onde os seus apóstolos levariam em breve o seu Nome bendito e arvorariam até no alto do Capitólio romano a cruz do Calvário. Naquelas longínquas plagas milhões de corações, durante o decorrer dos séculos, baterão por Ele com grande amor. E antes de deixar a Terra, abençoou todos aqueles povos que deviam compor o seu Reino.
Maravilhoso e majestoso espetáculo da Ascensão
Todos os olhos, fixos n’Ele, contemplavam o seu rosto radiante, a sua fisionomia toda celestial e o seu olhar cheio de bondade e ternura que percorria os observadores como para dirigir a cada um o derradeiro adeus. Depois, levantou as mãos para dar a todos uma bênção suprema e, enquanto os abençoava, prostrados a seus pés, eis que, de repente, o seu Corpo glorioso, posto em movimento por um ato do seu divino Poder, se elevou majestosamente para os Céus. Mudos de surpresa e admiração, os apóstolos e discípulos seguiram-no longo tempo com o olhar, até que, por fim, uma nuvem O envolveu e subtraiu aos seus olhos.
E, como não cessassem de fixar o ponto onde O tinham visto desaparecer, apresentaram-se a eles dois anjos vestidos de branco. “Homens de Galileia — disseram — por que estais assim a olhar para o Céu? Este Jesus que acaba de vos deixar para subir aos Céus, deles descerá um dia como O vistes subir” (Act. 1, 10-11). Tendo descido do Céu sob a forma de escravo para salvar os homens, segunda vez de lá descerá com a majestade do Rei dos Reis, para os julgar.
E Jesus continuava a subir para o Trono do seu Pai, logo se vendo rodeado de inumeráveis legiões de almas que, retidas no Limbo desde longos séculos, estavam à espera de que o novo Adão lhes abrisse as portas do Céu. À frente daqueles fiéis da antiga aliança, avançavam os dois exilados do Éden que não tinham cessado de esperar a salvação pelo Redentor prometido à sua raça. Iam também os patriarcas, Abraão, Isaac e Jacob, Moisés e os Profetas. A seguir, iam as gerações de alma reta e que de coração tinham esperado Aquele que devia vir.
Gloriosa e solene entrada de Jesus no Céu
David, com a sua maravilhosa linguagem, pintou a chegada do Triunfador ao alto dos Céus. Assim como à porta do Eden vigiavam dois Arcanjos para impedir que os nossos primeiros pais nele entrassem, assim também às portas do Paraíso estavam os anjos de vigia para as abrir ao novo Adão. De repente, ouviram eles o canto triunfal do exército dos santos que rodeavam Jesus:
— “Príncipes — diziam eles — abri as vossas portas, abri-vos ó portas eternas e entrará o Rei da Glória”.
— “Quem é esse Rei da Glória?” — perguntaram os anjos.
— “É o Senhor — responderam os santos — é o Deus forte e poderoso, o Senhor dos exércitos. Abri-vos, portas eternas, é Ele, o Rei da glória” (Sl 23, 7-10).
E as portas abriram-se e Jesus atravessou as fileiras dos exércitos celestiais que, por sua vez, O aclamaram como a um chefe desde longo tempo esperado. Por Cristo, com efeito, é que as suas adorações e louvores devem subir para o Eterno, mais dignas da sua majestade. Por Ele também, é que se encherão as lacunas abertas nas suas fileiras com a queda dos maus anjos. Jesus entrou, pois, no Céu, tanto como Rei dos anjos quanto como Rei dos homens.
Estabelecer o Reino de Deus em todos os povos
David conta também como Cristo, filho de Deus segundo a carne, mas Senhor seu pela geração eterna, foi recebido pelo Pai celeste, quando se Lhe apresentou diante do Trono. “Deus disse ao meu Senhor: senta-Te à minha direita”. E o Pai lembrou-lhe que Ele tinha direito a esta honra, primeiro por ser seu Filho, igual em tudo a Ele mesmo: “Eu Te gerei antes da aurora”. E depois como Filho do Homem, vencedor do mundo e do inferno, Rei da humanidade resgatada: “Senta-Te à minha direita e os teus inimigos sejam o escabelo dos teus pés” (Sl 109, 1; Mt 22, 44).
Em virtude da sua realeza, foi Cristo investido de um tríplice poder: primeiro, de estabelecer o seu Reino sobre todos os povos, apesar da oposição dos seus inimigos:
“Terás na mão o cetro do poder e estabelecerás o teu império sobre Sião”. E, depois, sobre toda a Terra: “Tu serás combatido pelo príncipe do mundo e pelos seus sequazes mas Tu hás de dominar como soberano sobre os teus inimigos” (Sl 109, 2).
Em virtude de sua realeza, foi Cristo logo investido no pontificado eterno: “Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec” (Sl 109, 4). O Pai celeste rejeitou os sacrifícios e as vítimas da lei figurativa. Um só sacrificador e uma só vítima Lhe agradam: o sacrificador é o Rei Jesus e a vítima é também Ele próprio. No Céu e na Terra, Ele é o Cordeiro imolado pela salvação do mundo que se oferece ao Pai e intercede por aqueles a quem remiu.
“Eu estenderei o teu império até aos confins do mundo”
Enfim, o Pai conferiu ao Filho a suprema Jurisdição. “No dia da sua cólera, esmagará reis e povos. Julgará as nações, reduzirá a pó os seus adversários e encherá o mundo de ruínas. Pois bebeu da torrente no dia das suas humilhações e dores, justo é que levante a cabeça e confunda os seus inimigos” (Sl 109, 6-7). Sendo Filho de Deus, fez-se homem e escravo e tornou-se semelhante ao bichinho da terra que se pisa com os pés. E, por isso, é que “Deus O exaltou e Lhe deu um Nome superior a todo o nome, para que ao Nome de Jesus todos dobrem o joelho no Céu, na Terra e nos infernos” (Fil. 2, 9-11).
E este mesmo Jesus, que está sentado à direita do Altíssimo, é Aquele a Quem os apóstolos devem glorificar na Terra e o seu Reino é que eles vão estabelecer no mundo todo. Os ímpios far-lhes-ão uma guerra sem tréguas, mas quem poderá vencê-los, se com eles está Jesus? “Conspiram contra o Senhor e contra o seu Cristo”, exclama David. Deus, porém, ri-se das suas vãs conspirações. “Eu Te dei em herança as nações todas da Terra”, disse Ele ao Seu Filho. “Eu estenderei o teu império até aos confins do mundo; e aos teus inimigos parti-los-ei como quem quebra um vaso de argila. Agora, ó reis, compreendeis isto; e vós ó povos da Terra, aprendei!” (Sl 2, 2-8). E, desde a Ascensão até ao Juízo Final, a história dos séculos não será senão a representação dramática desta profecia.
ABIM
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* Os subtítulos foram inseridos pela redação de Catolicismo.
Mais do que física, o extremo da dor moral está expressa neste crucifixo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Durante toda a sua Paixão, Ele padeceu um sofrimento maior na alma do que no corpo. Apesar disso, notamos em sua fisionomia paz, misericórdia, delicadeza de sentimentos. Nela o furor não está presente. Mas a tristeza está inteiramente presente.
Este condenado à morte, privado dos trajes que qualquer um possui, entretanto tem uma atitude superior à majestade de qualquer rei! Em meio à tremenda dor, nota-se a manifestação da misericórdia, do perdão.
A expressão é muito comovente, dando a impressão em quem a contempla, de que entrará de um momento para outro no campo de visão desse olhar.
Também dá a impressão bem acentuada de desolação e desamparo de alguém que sofre uma dor que sabe que não tem remédio, que não tem limite, e que caminha para a morte. Mas uma morte que se anuncia na tristeza de quem vê a maldade dos homens que causaram a crucifixão.
Nosso Senhor desejou beber a taça de fel do sofrimento até o fim! Quis sofrer tudo quanto era possível sofrer. Mas também na alegria de quem tem a certeza de que, após o supremo holocausto, estariam abertas aos homens as portas do Céu; começaria o período em que Ele, passando pelo Limbo, levaria para o Céu todas as almas que lá estavam.
Como que coroando o Divino Crucificado, o artista colocou um lindo topázio. É a linguagem muda e expressiva das pedras preciosas. Se não houvesse esse topázio, a imagem perderia muito. O topázio dourado parece afirmar que, por detrás da dor e mais alto do que a dor, brilha a glória, apesar de tudo.
ABIM
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 21 de agosto de 1985. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.