sábado, 6 de junho de 2020

Investigadores da UC querem tornar viável a produção de “caviar português” em aquacultura


Tornar viável a produção de ouriços-do-mar em aquacultura, de forma rentável e com reduzido impacto ambiental, é o objetivo de uma equipa de investigadores do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que está a desenvolver um modelo integrado de cultivo em cativeiro da espécie mais abundante em Portugal - Paracentrotus lividus - no âmbito do projeto “OtimO – Otimização dos processos de produção de Ouriço-do-mar”.

Considerado por muitos o “caviar” da costa portuguesa, o ouriço-do-mar é uma espécie de elevado valor comercial e a sua procura tem vindo a aumentar exponencialmente na perspetiva da gastronomia gourmet – as gónadas (ovas) do ouriço-do-mar são muito apreciadas, quer em Portugal quer no mercado internacional, provocando a intensificação da apanha, muitas vezes de forma desregrada.

Tendo em conta que a resposta à crescente procura «assenta em espécimes provenientes do meio natural, a intensificação da captura tem levado ao esgotamento de stocks, com impactos negativos consideráveis nos ecossistemas», afirma o coordenador do projeto, Tiago Verdelhos.

O modelo de produção proposto pela equipa do OtimO, cujos testes começaram há um ano nos laboratórios do MARE na Figueira da Foz (MAREFOZ), distingue-se por apostar na transferência efetiva de conhecimento para o setor da aquacultura. «O objetivo principal do nosso projeto é otimizar métodos para que a produção desta espécie se torne viável, promovendo o desenvolvimento das zonas costeiras através da diversificação e aumento de competitividade no setor da aquacultura, bem como evitar a sobre-exploração deste recurso. O nosso foco é a transferência de conhecimento, ou seja, que o nosso modelo possa ser aplicado em aquacultura», destaca o investigador do MAREFOZ.

Nesse sentido, explica Tiago Verdelhos, «apostamos num sistema de aquacultura multitrófica integrada (no qual são produzidas espécies de diferentes níveis tróficos ou nutricionais) com recirculação de água, efetuando a reutilização/reciclagem de recursos e minimizando o impacto ambiental, porque a aquacultura, apesar de ser cada vez mais relevante no setor alimentar, ainda está associada à diminuição da qualidade ambiental».


A reprodução de ouriços-do-mar em cativeiro é altamente complexa, pois depende de muitos fatores, tais como temperatura, alimentação, iluminação, salinidade, etc. Nos ensaios que estão a ser realizados com ouriços-do-mar capturados no seu habitat natural, os investigadores estudam e controlam todo o processo «por forma a encontrar uma solução para os problemas críticos que impedem a produção da espécie em aquacultura. Temos de encontrar larvas viáveis e calibrar os processos de reprodução, desenvolvimento larvar e crescimento para tornar possível a cultura em cativeiro, com qualidade e sem prejudicar as características do ouriço-do-mar», nota o coordenador do projeto OtimO.

O projeto OtimO, que conta com um financiamento de 202 mil euros do MAR2020, através da Associação de Desenvolvimento Local da Bairrada e Mondego (AD ELO), visa ainda contribuir para o conhecimento sobre a espécie.

Cristina Pinto

Projeto da Universidade de Coimbra sobre reciclagem premiada em concurso apoiado pela ONU

Projeto da Universidade de Coimbra sobre reciclagem premiada em ...
Um projeto da Universidade de Coimbra, que incentiva a reciclagem de plástico e de equipamentos elétricos e eletrónicos em troca de créditos que os estudantes poderão utilizar em cantinas e cafés, foi premiado num concurso apoiado pela ONU.
De acordo com um comunicado divulgado hoje, este projeto conquistou “o terceiro lugar na final do concurso ‘2030 Campus Challenge’, que decorreu hoje”, através de videoconferência.
A iniciativa consiste na colocação de pontos de recolha de plástico e equipamentos elétricos e eletrónicos, que estarão espalhados pelo campus universitário.
A reciclagem destes resíduos terá “uma pequena retribuição económica”, que se traduzirá em “créditos que poderão ser utilizados no campus, tanto em cantinas como em cafés”, prossegue a nota.
O concurso “2030 Campus Challenge” é uma iniciativa organizada pela Agência Universitária da Francofonia e conta com o apoio do Centro de Informação Regional das Nações Unidas.
Lusa

PSP resgata pónei à solta em Espinho

O Comando Distrital de Aveiro, da Polícia de Segurança Pública (PSP), informa ter devolvido um pónei que "andava a deambular" em Espinho ao seu proprietário.
De acordo com um comunicado enviado pelo Comando Distrital de Aveiro da PSP, agentes da Esquadra Complexa de Espinho recolheram hoje de madrugada, às 02:45, um "animal da via pública".
Segundo as autoridades, o aviso foi dado por um cidadão de 41 anos que "alertado por cães que àquela hora ladravam continuamente, verificou que um pónei andava a deambular pela Rua 19, em Espinho, pelo que contactou esta Polícia".
O Comando Distrital de Aveiro da PSP refere ainda que "o animal foi entregue ao seu proprietário, um cidadão de 58 anos, que residia próximo do local".
Lusa

Ministro da Defesa anunciou reforço de 169 militares da Marinha para as praias

Ministro da Defesa anunciou reforço de 169 militares da Marinha ...
O ministro da Defesa anunciou hoje que as praias vão ter um reforço de 169 militares da Marinha para garantir a segurança da época balnear.
"Este ano vamos ter um reforço de 169 pessoas da marinha para apoiar a autoridade marítima quando habitualmente vêm 70 ou 80" disse João Gomes Cravinho em Portimão.
Ao falar na cerimónia de abertura da época balnear que decorreu na Praia da Rocha em Portimão, o ministro salientou que este reforço "visa aumentar o nível de segurança nas 552 praias" no território nacional.
Gomes Cravinho alertou para a possibilidade de este ano "o acesso às praias ser mais intenso devido ao enorme apego que os portugueses têm ao mar".
O governante disse ainda que este ano, vai haver "uma redobrada vigilância às praias não vigiadas" para que os veraneantes possam desfrutar daqueles locais em maior segurança.
O ministro lembrou que Portugal continua a ser um destino de férias seguro, lembrando que essa segurança é também responsabilidade da sociedade civil, "tratando-se de um exercício para que a época balnear corra de forma segura para todos"
O Governo determinou que a época balnear pode começar este ano em 06 de junho, mas estabeleceu regras para a utilização das praias, devido à pandemia da covid-19, como um distanciamento físico de 1,5 metros entre diferentes grupos e afastamento de três metros entre chapéus de sol, toldos ou colmos.
Os toldos e chapéus a cargo dos concessionários só poderão ser alugados por cada pessoa ou grupo numa manhã (até às 13:30) ou tarde (a partir das 14:00) e todos os equipamentos como gaivotas, chuveiros, espreguiçadeiras ou cinzeiros "devem ser higienizados diariamente ou sempre que ocorra a mudança de utente".
Lusa

Joacine defende um “basta sonante” à violência policial

Joacine Katar Moreira, deputada não inscrita, defendeu hoje que episódios de violência semelhantes ao de George Floyd, nos EUA, exigem o reforço do combate ao "racismo e neofascismo" e que a violência policial precisa de um "basta sonante".
Em declarações à agência Lusa, Joacine considerou que o episódio de violência policial que levou à morte de George Floyd, nos Estados Unidos da América, à semelhança de muitos outros episódios de "violência racial" no mundo, têm sido os "expoentes mediáticos" de "males a combater", como o "neofascismo, a violência racista e a misoginia crescente".
Joacine Katar Moreira foi a primeira mulher negra a encabeçar uma lista de um partido a eleições legislativas e foi eleita em 2019, pelo Livre, partido que lhe retirou a confiança política, e mantém-se como deputada não inscrita desde fevereiro.
A atual deputada não inscrita entregou no parlamento um projeto de resolução que recomenda ao Governo a criação de uma campanha nacional antirracista veiculada pelos media e divulgada nas escolas, forças de segurança e instituições públicas, em colaboração com movimentos e associações antirracistas.
"A banalização da violência sobre as identidades e os corpos negros, o encarceramento  massivo da juventude negra e a violência policial normalizada, precisam de um `basta!´ sonante. Os negros e as negras americanas clamam por poder respirar, por poder viver, e o direito à vida é um direito sagrado que o racismo tem tolhido permanentemente e de forma secular", considerou a deputada não inscrita.
Joacine confessou ainda que "têm sido dias muito duros, de muita emoção, revolta e consternação".
Questionada sobre o racismo no contexto europeu, a deputada não inscrita defendeu que a Europa "é a mãe do colonialismo", sendo que os EUA se distinguem pela sua "história de movimentos civis mais consolidada e com impacte internacional, o que também evidencia o quanto a Europa tem desvalorizado a luta antirracista e ocultado a sua implicação numa genealogia de extrema violência".
"A recusa [da Europa] sobre um reconhecimento efetivo do racismo e respetiva miopia política têm funcionado contra uma história dos direitos humanos que está ainda por fazer", vincou a deputada.
George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.
Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.
Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.
Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.
Lusa

Países Baixos abatem milhares de martas

Países Baixos abatem milhares de martas por causa do novo ...
As autoridades dos Países Baixos iniciaram hoje o abate de mais de 1.500 martas numa quinta, devido à sinalização do novo coronavírus nestes mamíferos, depois de o tribunal ter rejeitado uma petição dos defensores dos animais.
O Ministério da Agricultura anunciou na quarta-feira que iriam ser abatidas "mais de 10.000 martas" em diversas quintas onde foram detetados casos positivos de covid-19, para impedir que se tornem fontes de contaminação.
Na quinta-feira, dois grupos de defesa dos animais recorreram ao tribunal na tentativa de travar esta medida, mas na sexta-feira à noite a justiça indeferiu o pedido.
Neste sentido, o abate dos animais "começou hoje numa quinta de martas em Deurne", no sul do país, anunciou a porta-voz da Autoridade Neerlandesa de Segurança Alimentar e Produtos de Consumo (NVWA, sigla original), Frederique Hermie.
"Esta empresa tem cerca de 1.500 fêmeas e, cada uma, tem quatro a cinco crias", adiantou Frederique Hermie à France Press (AFP) que explicou que o método para o abate passa pelo uso de monóxido de carbono.
Segundo a porta-voz, o abate, nas outras nove quintas contaminadas, continuará no decorrer da semana.
Em maio, as autoridades estabeleceram que dois funcionários dessas quintas tinham "muito provavelmente" contraído a covid-19 através destes animais.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estes dois funcionários infetados poderão ser "os primeiros casos conhecidos de transmissão" do novo coronavírus do animal para o Homem.
Posteriormente, o Governo proibiu o transporte destes animais e tornou obrigatório o teste da covid-19 em todas as quintas de criação de martas, que têm como objetivo a produção de peles.
Em 2016, a mais alta instância judicial do país ordenou o fecho destas quintas de martas até 2024.
Lusa

Fenprof diz que apenas 30,6% das crianças regressou ao pré-escolar

Fenprof estima que apenas 30,6% das crianças regressou ao pré ...
Apenas 30,6% das crianças da educação pré-escolar regressou ao jardim de infância, de acordo com um levantamento da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) feito em todos os distritos do país e hoje divulgado.
"O Ministério da Educação facilitou e sete em cada 10 crianças não regressaram", afirma a estrutura sindical num comunicado em que dá conta dos dados recolhidos no final da primeira semana de funcionamento dos jardins de infância.
A federação sublinha que este resultado significa que "quase 70% continua em casa ou os pais encontraram alternativa ao jardim de infância".
Este levantamento foi feito com base em informações relativas a 579 jardins de infância, contando-se neste número 91 agrupamentos completos, que totalizam 358 do total de jardins de infância considerados neste levantamento, de acordo com os dados apresentados.
"Do total de jardins de infância contabilizados, há 43 que são do setor privado, o que significa que, relativamente à rede pública do Ministério da Educação, a Fenprof obteve informação de cerca de 60% dos estabelecimentos de educação pré-escolar, que, sendo uma percentagem elevadíssima, permite perceber, com rigor, a situação nesta rede pública. Pela amostra obtida no privado, a situação é semelhante", lê-se no documento.
Segundo a Fenprof, as razões para que a grande maioria dos pais tivesse decidido que os filhos não regressariam, para já, ao jardim de infância prendem-se, essencialmente, "com a falta de confiança nas condições em que a educação pré-escolar foi retomada".
Para a decisão dos pais terão contribuído três grandes razões: "A não realização de um rastreio à covid-19", "a não previsão da divisão dos grupos de crianças" e "a dificuldade em garantir o cumprimento de orientações que, no caso da educação pré-escolar, seriam impraticáveis, exceto se, às crianças, fossem impostas normas de comportamento contrárias à sua natureza".
No levantamento que efetuou, a FENPROF apurou ainda que, de uma forma geral, os jardins de infância foram limpos antes da reabertura, tendo a limpeza realizada sido da responsabilidade dos assistentes operacionais. "No entanto, nem em todos os casos houve formação dos trabalhadores para efetuarem essa limpeza de instalações".
Em relação a equipamentos de proteção individual, "salvo uma ou outra exceção, entretanto resolvida pelo agrupamento ou pela autarquia, eles chegaram a todos os jardins de infância, principalmente máscaras, viseiras e gel desinfetante", acrescenta a estrutura sindical.
A Fenprof diz ainda ter detetado agrupamentos que "estão a deslocar crianças de uns jardins de infância para outros", o que considera desajustado, "tendo em conta que, dessa forma, se criam grupos de maior dimensão que, em particular no atual contexto sanitário, não se recomendam".
Advertiu também para a necessidade de verificar se as condições em que as crianças são transportadas respeitam as normas de segurança legalmente estabelecidas.
Lusa