A FAS-Portugal compreende as dificuldades do IPST, IP, mas rejeita que a falta de recursos humanos seja compensada pela substituição de profissionais por voluntários
A FAS–Federação das Associações de Dadores de Sangue–Portugal (FAS-Portugal) considera positiva a abertura manifestada pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST, I.P.) para rever o ponto 6 da Deliberação n.º 018/D/2026, que previa a participação de voluntários das Associações no apoio à refeição dos dadores, associada à retirada de profissionais das equipas do Instituto.
A FAS-Portugal compreende as dificuldades que o IPST, IP enfrenta e tem sido uma das entidades que mais insistentemente tem alertado a Tutela e todos os Órgãos de Soberania que tutelam o Estado para a insuficiência de recursos humanos e financeiros do IPST, IP.
Mas é precisamente por conhecer essa realidade que a FAS-Portugal entende ser necessário dizer claramente:
Em Portugal não existe falta de dadores de sangue. Existe uma grave incapacidade do IPST, IP, para responder plenamente à disponibilidade dos portugueses para dar sangue, o que leva a sucessivos cancelamentos de sessões de colheita de sangue.
As Associações de Dadores de Sangue continuam a mobilizar cidadãos, a promover a dádiva e a manter uma forte capacidade de sensibilização e mobilização das comunidades. O problema está, muitas vezes, em conseguir transformar essa disponibilidade em dádivas efetivamente realizadas, devido às limitações de recursos humanos, financeiros e operacionais que condicionam a capacidade de resposta do IPST, IP.
A FAS-Portugal considera, por isso, que a solução não pode passar pela transferência dessas dificuldades para o Movimento Associativo e para os seus voluntários.
O voluntariado é uma força fundamental do Serviço Nacional de Sangue. Mas o voluntário deve complementar o profissional — nunca substituí-lo.
O Movimento Associativo está disponível para continuar a colaborar com o IPST, IP, como tem feito há décadas. Porém, essa colaboração deve ser livre, voluntária e complementar, não podendo qualquer Associação ou Grupo de Dadores de Sangue ser obrigada, direta ou indiretamente, a disponibilizar um voluntário para assegurar funções que resultem da falta de profissionais.
A FAS-Portugal considera igualmente indispensável que o Estado assegure ao IPST, IP os recursos humanos e financeiros necessários para cumprir plenamente a sua missão.
Portugal tem cidadãos disponíveis para dar sangue. Precisa de um Serviço Nacional de Sangue com capacidade para acolher, colher, acompanhar e cuidar desses dadores.
A FAS-Portugal saúda, por isso, a disponibilidade do Conselho Diretivo do IPST, IP para rever a Deliberação e reafirma a sua disponibilidade para colaborar na construção de soluções. Mas continuará a defender junto da Tutela e dos Órgãos de Soberania uma resposta efetiva às dificuldades estruturais do IPST, IP.
A FAS-Portugal deixa uma mensagem clara:
Os portugueses continuam disponíveis para dar sangue. O Estado tem de garantir que o Serviço Nacional de Sangue tem capacidade para receber essa generosidade.
FAS–Federação das Associações de Dadores de Sangue– Portugal Lisboa, 31 de julho de 2026
*O Presidente da Assembleia Geral
Joaquim Martins Mendes Silva
**O Presidente da Direção
Paulo José Rosa Cardos
***Filiada: FIODS


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