Associação Empresarial da Região de Coimbra considera que a escalada dos preços dos combustíveis já representa uma ameaça transversal à atividade económica e defende uma resposta urgente, robusta e proporcional por parte do Governo.
A NERC – Associação Empresarial da Região de Coimbra manifesta profunda preocupação perante a evolução dos preços dos combustíveis e, em particular, perante a expectativa de um novo aumento significativo já na próxima semana, num cenário em que não existem sinais claros de estabilização a curto prazo.
As notícias divulgadas nos últimos dias apontam para uma subida particularmente expressiva do preço do gasóleo bem como da gasolina já na próxima segunda-feira, num contexto de forte valorização do petróleo e de pressão crescente sobre os mercados energéticos. Estamos perante um problema económico transversal, com capacidade para afetar diretamente a competitividade das empresas, o rendimento das famílias e o funcionamento regular da economia nacional.
O aumento continuado dos combustíveis tem efeitos imediatos sobre as deslocações diárias dos trabalhadores, os custos de transporte de mercadorias, a logística das empresas, os transportes públicos, a distribuição e, inevitavelmente, o preço final dos bens e serviços. Particularmente preocupante é o impacto sobre o cabaz alimentar, uma vez que praticamente toda a cadeia de abastecimento depende, em maior ou menor medida, do transporte rodoviário. Do produtor ao consumidor, o aumento dos custos energéticos tende a repercutir-se sucessivamente em toda a cadeia de valor.
Para muitas empresas, sobretudo nas áreas da indústria, construção, agricultura, transportes, logística, comércio e serviços, o combustível constitui um custo operacional incontornável.
Uma subida desta dimensão e com perspetiva de continuidade pode rapidamente transformar-se num problema de sustentabilidade empresarial, reduzindo margens, comprometendo investimentos, pressionando preços e, em situações mais extremas, colocando em causa postos de trabalho e a própria continuidade de algumas atividades económicas.
A NERC considera, por isso, que não é suficiente uma resposta assente exclusivamente em medidas pontuais ou de impacto reduzido. Perante uma situação excecional, é necessária uma resposta excecional. A NERC apela ao Governo para que avalie e implemente, com carácter de urgência, um conjunto de medidas extraordinárias capazes de mitigar o impacto dos combustíveis sobre as empresas e as famílias, acompanhando a evolução dos preços enquanto persistir esta situação de instabilidade.
Entre as medidas a considerar deverão estar mecanismos de grande redução da carga fiscal sobre os combustíveis, apoios direcionados aos setores mais expostos aos custos de transporte e energia, medidas específicas para a mobilidade dos trabalhadores e soluções que permitam evitar uma escalada dos custos logísticos e dos preços dos bens essenciais. A NERC considera igualmente fundamental que o Governo mantenha um diálogo permanente com o tecido empresarial e com as associações representativas das empresas, permitindo que as medidas adotadas respondam efetivamente aos problemas que estão a ser sentidos no terreno.
A Região de Coimbra integra um tecido empresarial diversificado, com milhares de empresas e trabalhadores cuja atividade depende diariamente da mobilidade de pessoas e mercadorias. A NERC – Associação Empresarial da Região de Coimbra deixa, assim, um alerta claro ao Governo: é necessário agir já.
Está em causa a capacidade de milhares de trabalhadores chegarem diariamente aos seus postos de trabalho, a capacidade de as empresas movimentarem matérias-primas e produtos, o funcionamento das cadeias logísticas, a sustentabilidade dos transportes e a capacidade das famílias suportarem o aumento generalizado do custo de vida.
A economia portuguesa não pode ficar à espera de que esta escalada se agrave para depois serem tomadas medidas.

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