quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Posição da FNAEESP sobre a criação da Universidade de Bragança

 
A Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP), vem por este meio demonstrar o seu descontentamento com o recente anúncio do Primeiro-Ministro sobre a criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior sem qualquer auscultação do setor do ensino superior.
No passado dia 30 de agosto de 2026, foi anunciado pelo Primeiro-Ministro, Dr. Luís Montenegro, que a Universidade Politécnica de Bragança se iria transformar na Universidade de Bragança do Norte e do Interior
A FNAEESP considera esta forma de decidir sobre o futuro do ensino superior português profundamente lesiva do princípio da participação institucional. O anúncio foi feito sem que o setor do ensino superior tivesse sido ouvido, consultado ou sequer informado com antecedência sobre uma decisão desta natureza.
Até ao momento, não é conhecido qualquer parecer do Conselho Coordenador do Ensino Superior (CCES), do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e das estruturas representativas dos estudantes sobre esta transformação, o que constitui uma grave omissão num processo que deveria ser participado e tecnicamente fundamentado.
Adicionalmente a isto, continuam por esclarecer os critérios objetivos desta transformação.
Importa, por isso, realçar que o sinal dado pelo Governo ao país foi o de que o Instituto Politécnico de Bragança se tornaria Universidade Politécnica de Bragança para, cerca de quinze dias depois, anunciar que essa mesma instituição passaria, afinal, a universidade clássica. Este avanço em tão curto espaço de tempo não é apenas revelador de uma ausência de estratégia de médio e longo prazo para o sistema de ensino superior português. É, também, um sinal de profunda incerteza lançado sobre as expectativas das famílias, dos estudantes e da própria sociedade da região, que veem a instituição mudar de identidade quase de um dia para o outro, sem que se compreenda qual o rumo que, de facto, está a ser seguido.
A Federação sublinha, uma vez mais, a necessidade urgente de revisão do modelo de financiamento do ensino superior, em particular das atuais Universidades Politécnicas, de forma a garantir que estas instituições não sejam levadas a alterar a sua missão e identidade institucional apenas em função de eventuais benefícios de financiamento estatal associados a uma mudança de estatuto.
A FNAEESP reitera que qualquer decisão sobre a arquitetura do sistema de ensino superior português deve ser tomada com base em critérios claros, transparência e, sobretudo, a auscultação efetiva de todos os agentes do setor.

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