segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Caminho da Geira representa 60% dos peregrinos que partem de Braga


O Caminho da Geira e dos Arrieiros (CGA) ultrapassou, no sábado, dia 3, o total de peregrinos que havia alcançado no ano passado e já representa 60% das partidas de Braga com destino a Santiago de Compostela.
Até agora, 1.051 peregrinos iniciaram o itinerário na cidade, dos quais 631 escolheram o CGA. Este número corresponde a 60% do total de partidas junto à Sé Catedral de Braga.
O Caminho Português Central (variante por Braga), que durante décadas foi a rota de referência a partir de Braga, ficou-se pelos 380 peregrinos (36%), registando uma quebra de 31% face ao período homólogo anterior. Os restantes 40 peregrinos optaram por outros caminhos, como o Minhoto Ribeiro ou de São Rosendo.
No que respeita à totalidade dos 758 peregrinos que cumpriram o CGA, 83% iniciaram a jornada em Braga. Os restantes 127 distribuem-se por outras origens, como Castro Laboreiro (21), Campo do Gerês (20), Resto de Portugal (20), Ameixoeira (19), Berán (16) e Cortegada (13).
Quanto ao perfil dos caminhantes, a maioria é portuguesa (63%), seguida de espanhóis (16%) e italianos (3%). Dominam os homens (67%), com idades entre os 46 e os 65 anos (57%), que fazem o percurso a pé (78%). A bicicleta representa 17%, e os restantes meios são residuais.
A motivação religiosa continua a ser a principal (338 peregrinos, 45%), enquanto os motivos não religiosos somam 112 pessoas (15%) e os classificados como "outros" totalizam 238 (31%).
Na análise mensal, maio (168 peregrinos) e junho (187) somam 355, ou seja, 47% do total acumulado até 3 de outubro. Seguem-se agosto (84), setembro (82), julho (70) e abril (68).
Este caminho de Santiago tem 239 quilómetros, começa na Sé de Braga e passa pelos municípios de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, entrando na Galiza pela Portela do Homem.
O CGA foi apresentado em 2017, em Ribadavia (Galiza) e em Braga, reconhecido pela Igreja em 2019, e referido em publicações da associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico (2020) e do Turismo do Porto e Norte de Portugal (2021). Está incluído na lista dos caminhos culturais a homologar este ano pelo Governo da Galiza.

Segundo as associações que promovem o percurso, este já foi percorrido por 8.657 peregrinos (1.364 no ano passado), dos quais 3.596 receberam a Compostela, oriundos de meia centena de países.

O percurso destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira, a via do género mais bem conservada do antigo Império Romano do Ocidente, e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Além disso, é um dos poucos traçados que liga diretamente à Catedral de Santiago de Compostela.

Contactos
Associação Transfronteiriça do Caminho da Geira e dos Arrieiros (em instalação)
*José Manuel Almeida (presidente da comissão instaladora)

**Carlos Ferreira


Inaugurado por Marcelo Rebelo de Sousa a 29 de setembro de 2024. Museu de Arte e do Colecionismo de Cantanhede recebeu 40 mil visitantes em dois anos


O MACC – Museu de Arte e do Colecionismo de Cantanhede assinalou a 29 de setembro, o 2.º aniversário, com números reveladores de uma intensa atividade cultural, comprovando-se a pertinência da criação desta unidade museológica.
Entre 29 de setembro de 2024 e 28 de setembro de 2026, o MACC registou cerca de 40 mil visitantes, o que dá uma média mensal superior a 1.600 visitas. A par disso, recebeu 352 visitas guiadas, ou seja, 14 por mês. A estes números juntam-se 4 exposições temporárias e 32 exposições temáticas em vitrines, para além de 57 eventos, atividades pedagógicas ou ações de sensibilização fora de portas.
Para o vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso, estes dados traduzem “a importância estratégica deste projeto para a região e confirmam a aposta do Município neste museu como um marco cultural de relevo nacional que resultou da generosidade e da visão humanista do médico e colecionador Cândido Ferreira.”
“As coleções doadas pelo Dr. Cândido Ferreira deixaram de ser apenas um conjunto de objetos reunidos por interesse individual e passaram a contar histórias, estabelecer relações entre gerações e produzir conhecimento sobre a sociedade, no fundo, coleções privadas de grande valor transformadas em património cultural acessível à comunidade”, sublinhou.
Ainda de acordo com o autarca, o MACC traduziu-se num “investimento na memória coletiva, na identidade cultural e na valorização do território”, assente num “projeto museológico que se destaca pela sua dimensão, riqueza e singularidade do espólio de cerca de 800 mil peças que integram várias coleções, pela inovação museológica que permite ao público e a investigadores consultar as reservas visitáveis que não estão na exposição permanente, e pela valorização do colecionismo popular como uma forma de expressão cultural e antropológica. Acresce ainda o contributo para a desconcentração da oferta cultural fora dos grandes centros urbanos posicionando a Região Centro como um polo de turismo cultural de referência”.
Inaugurado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o MACC nasceu a partir da doação ao Município de Cantanhede pelo médico, político e humanista, Cândido Ferreira, de um acervo constituído por centenas de milhar de peças reunidas em cerca de 100 coleções.
A unidade museológica encontra-se organizada em sete grandes áreas de colecionismo, designadamente pintura, mobiliário e artes decorativas portuguesas, arqueologia de todas as civilizações, artesanato do mundo, história do dinheiro, história postal, temas de bibliografia e afins e colecionismo dito popular.
Instalado no centro da cidade, na sequência da reabilitação e adaptação da Casa do Capitão Mor, antiga Casa Municipal da Cultura, este equipamento cultural aposta forte nas funções cultural, patrimonial e educativa, que não podem deixar de fazer parte de equipamentos coletivos desta natureza.