domingo, 28 de fevereiro de 2016

Wellington Cantal – A convicção de um guerreiro!


Wellington Cantal e Cida Cantal são pessoas simpaticíssimas. Ele cearense, da cidade de Caucaia, antiga Sore, ela paulistana.

Ambos são advogados, ambos são idealistas, ambos têm a mesma visão dos problemas da nossa Pátria e plena consciência de que é preciso coragem e determinação para resolvê-los.

Sou amigo e admirador do Cantal e da Cida, conheço pedaços da provação que ambos passaram por serem idealistas, portadores de nobres sentimentos humanos, usando sempre o seu saber, na defesa dos mais humildes e necessitados. Nesse mundo que vivemos desprovidos desses nobres sentimentos, reflexo da atuação da mídia irresponsável e sem compromissos com o social, propagando nas 24 horas do dia a violência, o sexo e a droga; faturando cada vez mais com essas matérias safadas numa eterna lavagem cerebral, no nosso pobre e sofrido povo.

Cantal fazia Direito em Fortaleza, rapaz estudioso não perdia os eventos culturais da cidade, logo não poderia deixar de comparecer à Conferência, que o famoso jurista, Miguel Reali, proferiu sobre A Teoria Tridimensional do Direito, tendo, no decorrer da mesma, feito algumas perguntas ao conferencista.

Após a conferência, na saída, o professor Joaquim Pimenta se aproximou e disse-lhe: “Jovem, você tem futuro, vá para o Rio de Janeiro”. Cantal respondeu-lhe: “Professor sou pobre, não tenho dinheiro, como é que eu faço?” “Vá, me procure”.

Deu-lhe o endereço de sua residência no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Isso foi em 1957. Joaquim Pimenta se encontrava em Fortaleza a fim de proferir uma conferência, comemorando o centenário de Clóvis Bevilácquia.

O professor Joaquim Pimenta, lecionava na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, era catedrático do Direito do Trabalho.

Foi um dos pais da Lei Sindical, datada de 1931, da Lei de 2/3, essa lei defendia o trabalhador brasileiro, obrigando as empresas estrangeiras instaladas no Brasil, a contratar 2/3 deles, e, também da Lei que presenteou o nosso trabalhador, com a sua Carteira Profissional, da Lei de Convenções Coletivas de Trabalho, de 1932, conforme afirma Mestre Arnaldo Sussekind, de quem foi professor, em depoimento, na sua riquíssima biografia, organizada por seis mãos femininas, Ângela Castro Gomes, Eliana da Fonte Peçanha e Regina de Moraes Morel, intitulada ARNALDO SUSSEKIND – Um Construtor do Direito do Trabalho.

A transferência de Cantal, da Faculdade de Fortaleza para a Faculdade do Rio de Janeiro - coisa inimaginável na época – foi obtida rapidamente, com o apoio do professor Joaquim Pimenta.

Filho de pais pobres, a luta de Cantal pela sobrevivência, no Rio de Janeiro, não lhe foi fácil, nada fácil. Vendedor de publicidade, de máquinas de datilografia, enfim, já estava matriculado, na Faculdade Federal, na capital da República, estudando. Uma vitória! Tinha como professores nomes ilustres como o de Joaquim Pimenta, Roberto Lira, Célio Boja, Hélio Gomes e outros. “A Faculdade do Catete era o esteio dos grandes mestres, ela pagava aos professores mais do que as outras, então todos os professores queriam ser professores lá”, afirma Cantal.

Na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, visitava os sindicatos tentando vender as máquinas de datilografia. “Já estava no 4º ano quando conheci um grupo de advogados que trabalha para os sindicatos, Everaldo, Martins, José Geraldo Martins, José Maria, esses foram os meus primeiros mestres na advocacia trabalhista, eu fazia as audiências, aprendendo o 'beabá', dai passei a estudar mais o Direito do Trabalho, fiz outros cursos.

Forma-se em 1962, reside no Rio, instala seu escritório na Av. Presidente Kennedy, no centro de Caxias. A defesa dos trabalhadores e dos posseiros o empolga, seu escritório é movimentadissimo, são oito sindicatos de trabalhadores que recebem os seus serviços profissionais. Participa ativamente de atividades culturais e políticas, sem falar na defesa dos posseiros, na luta constante contra os grileiros, que forjavam títulos de propriedade nos cartórios, falsificavam documentos e expulsavam as famílias, famílias de posseiros que já estavam na terceira geração de posse daquelas terras, cultivando-as!

“Os grileiros eram militares, ou filhos de militares, eu era conhecido como advogado da CGT – Central Geral dos Trabalhadores. Quando eu entrava para conversar com o juiz, ele achava que eu atuava para subverter a ordem”.

O pai de um capitão que forjou esse título de propriedade, com um monte de jagunço, passou a expulsar os posseiros.

Eu entrei com uma Ação de Manutenção de Posse. Consegui uma liminar e para fazer cumprir essa liminar foi uma batalha tremenda. O Oficial de Justiça não queria ir. O Delegado de Polícia também não. A liminar precisava ser cumprida. Encontramos uma fórmula: Tinha um delegado de polícia, ele era amigo do Secretário da Segurança Pública, esse delegado era um homem sério, chamava-se Hélio Estrela. Daí, eu conseguir sustar a saída dos posseiros que estavam sendo expulsos por militares. O capitão do Exército, filho desse grileiro foi o que me prendeu em Caxias, o delegado Hélio Estrela, depois, com a Ditadura Militar, foi torturadissimo pelos seus colegas.

Cantal estava no Fórum, em Duque de Caxias, onde presidia a OAB da região, quando uma patrulha do Exército, comandada pelo Capitão Ronald Carvalho, filho do grileiro, o prende e o leva para a Vila Militar.  Lá, é interrogado, logo que chegou.

Com a convicção própria de um homem de bem, de um socialista, nega-se sistematicamente a denunciar seus colegas, companheiros e amigos. O capitão chefe do interrogatório manda levá-lo para cela, isso foi na tarde de sua prisão. Na madrugada trazem-no de volta, a frente do grupo está o filho do grileiro, capitão.

Ronald de Carvalho, que o prendeu. Fixando-me nos olhos, tomado de forte emoção e revolta, com a voz embargada, Cantal lembra-se dos sofrimentos que passou nas mãos desta 'besta-fera' fardada de capitão do Exército brasileiro. “Ele é uma figura que eu não posso esquecer. Torturava com muita frieza. Eu negava que era comunista. Essa confissão era o caminho para entregar outras pessoas, era o primeiro passo. Você confessa que é comunista. 'Mas que organização? ' “Quem eram os membros dessa organização?”

Acabado o interrogatório volta para cela. “De madrugada foram-me buscar. Já fui direto para o pau de arara. Isso era comandado pelo capitão Ronald de Carvalho, um sargento e mais 3 ou 4 soldados. Quando era necessária uma tortura mais sofisticada eles traziam uma equipe da Polícia Civil. Esse pessoal era mais sofisticado na tortura. Eles colocavam o sujeito pendurado, com os pés para cima, amarrados numa viga de ferro, tirava a roupa, enfiava um cassetete no seu anus, eu sai de lá com vários problemas: muito depauperado, magro, com problemas na coluna vertebral, com algumas vértebras quebradas, com essa cicatriz na testa, um tímpano estragado, escuto menos, quase nada, tudo isso sob o comando do Capitão Ronald de Carvalho, que eu vim encontrar depois, depois, muito tempo depois, na minha segunda prisão, aqui em São Paulo.

O meu advogado aqui em São Paulo, foi o Iberê Bandeira de Melo, no Rio o Modesto Silveira. O Iberê me disse: “Cantal, tem um juiz auditor, aqui na auditoria militar, ele quer te ver, chamava-se Nélson, foi seu colega na faculdade.”

“Nós chamávamos ele de Nelsinho, na faculdade. Não me opus. Marcamos. Cheguei com Iberê, o Nélson vem com sua beca de juiz, sentou, estendeu a mão, cumprimentei, ele não falou praticamente nada. Eu estava abatido, ele sabia que eu tinha sido torturado aqui no DOI-CODI. Esse encontro foi na auditoria militar, de repente eu olho para os componentes da mesa, e quem estava lá? O capitão Ronald de Carvalho, como auditor militar, um torturador, capitão há oito, quando da minha primeira prisão, virou coronel auditor militar, era tudo escolhido, era esse sujeito que ia me julgar.”

Pergunto ao Cantal qual seria sua reação se encontrasse o capitão Ronald de Carvalho, ele me responde: “Eu fui muito ajudado aqui em São Paulo por Dom Evaristo Arns, ele tinha uma áurea de Santo, ele passou para mim, alguma coisa espiritual, ele disse para eu não guardar muito ódio, nem rancor, nem mesmo pelos meus torturadores, porque são homens que certamente foram maus filhos, maus encaminhados na vida, porque quem vira torturador perdeu todo valor do ser humano. Se eu encontrasse o meu torturador eu perguntaria: Capitão, o senhor lembra-se daqueles episódios, daquelas torturas, valeu a pena para o senhor? O que é que o senhor lucrou? Eu lucrei mais amadurecimento, mais sabedoria diante da vida. E o senhor? Sua família como é que está hoje? Estão bem. Os seus filhos, soube educá-los?”

“A gente não muda nada com ódio e rancor!”

Cantal, após as torturas no pau de arara, porradas, cassetetes no anus, durante horas e horas, você já sai da sala de tortura estragado e volta para a cela, era madrugada, os companheiros de cela, esboçaram alguma reação?

Ele responde-me: “Geraldo, eu estava numa solitária, para sair da solitária a OAB lutou muito, pois eu tinha direito a uma cela especial como portador de curso universitário. A Auditoria mandou que eu fosse transferido para uma cela especial. O que eles fizeram? Eles pegaram uma cela isolada, fecharam toda ela com material escuro, não entrava uma réstia de luz, me puseram isolado e disseram: “Tai, estamos cumprindo as ordens da Auditoria, essa é sua cela especial”.

“Um colchão no chão e um buraco, pelo qual eu recebia comida. Fiquei um ano sem receber visitas, fiquei um ano sem tomar um banho de sol, passei, sem ler nada, sem falar com ninguém, um ano e pouco preso, na Vila Militar, no REI – Regimento Escola de Infantaria. No dia 13 de dezembro de 1968, foi baixado o Ato Institucional número 5. Foi o dia da maior tortura, eles gritavam: “Pronto! Acabou! A lei somos nós! Foi uma tortura terrível Geraldo, tortura de toda natureza, tudo o que não se pode imaginar".

Um dia, depois que fui para outra cela, um soldado deixou cair um pedaço de jornal, menos da metade de uma folha. Eu li e reli aquilo mil vezes, de outra feita um 'cabo', com dois soldados iam me levar comida diariamente, abriam a porta e me entregavam a comida. Esse cabo esperou que os saldados dessem alguns passos e deixou cair um livro. Era as poesias de Ho Chi Min, o libertador do Vietnã. Levei muito tempo para me lembrar, ou saber porque aquele rapaz fez aquilo! Lembrei-me, ele havia sido meu aluno.

“Como não tinham mais motivo para me torturar, me enviaram para o Regimento Caetano de Faria, da Polícia Militar. Um dia mandaram me buscar, eu pensei que ia começar tudo de novo. Aí me fizeram uma acareação com Arueira, esse elemento era do meio sindical, pertencia ao Partido Comunista, depois passou a ser informante deles, ficou conhecido como informante da polícia, ele dizia que eu era do Partido Comunista. Eu neguei na cara dele.”

“Passei seis meses no Regimento Caetano de Faria, só quando foi descoberto por um promotor, o meu advogado Modesto Silveira entrou com um Habeas Corpus e eu fui libertado. Vou para a clandestinidade, eu sabia que eles iam me buscar de novo, o capitão Ronald de Carvalho não se conformava que eu não tivesse falado nada. Isso é uma derrota para o torturador. Isso é uma derrota para o torturador, a maior vingança do torturado é não dar o que o torturador quer!”

“Eu estava fragilizado, não dormia há muito tempo. Os companheiros me mandaram para um clinica, para fazer terapia. O Dr. Saad, médico, membro do Comitê Central do PCB é que me aplicou a sonoterapia, dormi 15 dias”.

A repressão o procura. Alguns companheiros seus já desapareceram nas câmaras da tortura. É preciso tomar todas as precauções. De posse de documentação falsa, Cantal consegue embarcar, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, seu destino é Paris. Após alguns dias em Paris, segue para Moscou.

“A solidariedade dos companheiros soviéticos foi excepcional. Passei 6 meses no Hospital Central de Moscou. Passei por duas operações”, diz-me Cantal.

Seis meses internado no hospital, duas operações para se recuperar das torturas que lhe foram praticadas, mais de um ano no REI, na Vila Militar, do Rio de Janeiro. Quanto nos entristece saber que as dependências das nossas gloriosas Forças Armadas, Forças Armadas que durante a Segunda Grande Guerra Mundial, comandada pelo saudoso General João Batista Mascarenhas de Moraes, escreveram as suas mais belas páginas, nos campos de batalha da Europa, lutando pela liberdade e combatendo, com rara coragem, o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini. E pensar que os quartéis das Forças Armadas serviam de câmaras de torturas e abrigavam verdadeiros monstros, monstros que prendiam, espancavam e assassinavam covardemente as suas vítimas completamente indefesas. Rubens Paiva, Wladimir Herzog, David Capistrano, Luiz Maranhão, João Massena, são algumas delas. Conheci todas. Quanto isso nos mutila!

Quando deixa o hospital em Moscou, após um período de total recuperação, vai estudar. “Passei cinco anos na União Soviética, fiz doutorado. Eu era um rato de biblioteca, estudava horas, horas e horas. No Brasil se estuda pouco, os que gostam de estudar não têm recursos!”

Cantal encontrou muitos brasileiros em Moscou? Ele responde: “Muitos brasileiros, sul americanos, europeus, eu convivi muito com o pessoal que estava na guerra do Vietnã; companheiros mutilados, sem pernas, pessoal do Laus, pessoal da Guiné, dos Africanos. Do pessoal brasileiro, eu convivi muito, é uma memória saudosa que eu tenho de Gregório Bezerra, um grande líder comunista, tive um convívio muito rico com Gregório, inclusive ajudei-o a datilografar uma parte das suas memórias, quem também trabalhou as memórias do Gregório foi o Ferreira Goulart, ele fazia uma parte eu fazia outra. Convivi com esse pessoal todo. Convivi com o Prestes, a família do Prestes eu fui apanhar no aeroporto. Lá vinha Maria Prestes, com aquela penca de filhos, se eu não me engano eram 7.

“Eu tinha escritório na Senador Feijó, ao lado da Igreja, na Praça da Sé, nosso escritório era no 6º andar, as badaladas dos sinos, as 12 e às 18 horas, não dava 15 metros da minha mesa, eu achava lindo, assisti aqueles sinos badalarem.”

“Eu estava jurado de morte pelo CCC – Comando de Caça aos Comunistas, nós vivíamos numa corda bamba, eu estava no saguão, próximo ao elevador, quando eles invadiram com estrema violência, eu resisti à prisão. Foi o que salvou a minha vida, ter resistido, porque nesse período todo, eles prenderam vários companheiros que desapareceram.”

Meus colegas atravessaram a rua do outro lado estava a OAB, aí requereram Habeas Corpus, e aí legalizaram minha prisão. Quando cheguei no DOI-CODI, o comandante quando viu o meu estado, gritou: “Vocês são uns incompetentes, esse homem era para chegar sem ninguém, saber.” Porque as equipes de 'resgate' agiam de acordo com a pessoa que iriam prender, mas, no meu caso como houve resistência, 7 pessoas do prédio foram para o hospital, sem ter nada a ver com isso, todas quebradas também. Quando eu fui libertado, e voltei ao prédio, uma moça que lá trabalhava me disse: “Eu fui para o hospital, mas eu me vinguei, tá vendo estas unhas aqui, feri a cara de um deles de cima em baixo.”

“Essa reação foi que me salvou a vida, essa reação muitos companheiros passaram a praticá-la. Antes e Marighela e Apolônio Carvalho já haviam resistido.”

Porradas, pau de arara, cadeira do dragão, lembro-me que o líder sindical Antônio Aparecido Flores, meu saudoso amigo, que também como você foi barbaramente torturado, falava-me da tortura com os dois pés em cima de duas latas de óleo, se caísse era espancado por dois torturadores. Você que passou por tantas torturas, também passou por essa?

“Quando eu estava no DOPS, quando houve a Revolução Cravos, em Portugal, eu encontrei de passagem com Flores e o Afonso Deleles e outros dirigentes sindicais que estavam presos. Na minha cela, a cela dos intelectuais tinha alguns professores da USP, presos porque estavam lendo o 'Capital, de Karl Marx”.

“Esse tipo de tortura, foi ensinado pelos torturadores americanos, que vieram em 1972 ou 1974, dar curso em nosso País. Ensinaram alguns métodos a mais, esse, por exemplo, passou a ser muito difundido. Tinha outro: Deixar o cidadão de pé, com os braços erguidos no alto, amarrados numa viga de ferro, isolado do chão, fizeram isso com Neusa, na frente do marido, para variar colocaram ela de ponta cabeça, com os pés amarrados e pendurados numa barra de ferro.”

“Outra tortura, o cidadão fica de pé, com as mãos amarradas, dia e noite, se cair eles batem, batem, batem. Foi o que aconteceu comigo. Houve um momento que eu desmaiei. Levaram-me para o hospital, senão eu teria morrido, porque eu tive uma parada cardíaca”.

Pergunto ao Cantal, quanto tempo ele passou de pé, com as mãos amarradas, erguidas por cima da cabeça? Ele pensa por um certo tempo e responde: “Umas 48 horas seguidas é muito tempo, muito tempo, encapuzado. É uma questão do instinto humano, para não levar pancada. Resistir!

Mais uma pergunta: Como funciona a cabeça da vítima, após receber tanta violência?

“As primeiras horas, você fica muito oscilante entre o desespero e uma tentativa de encontrar o seu ponto de equilíbrio emocional. Para isso você tem que pensar!”

Pensar, refletir e lutar deveria se constituir numa tarefa prioritária da Nação. Não podemos, não queremos que o arbítrio se instale nunca mais sob os céus da nossa Pátria! Que a tortura, os assassinatos cometidos, dentro ou fora da nossas Forças Armadas, nas nossas Forças Auxiliares e nos organismos de segurança civil, nunca mais se repitam.

CULTURA | UMA HOMENAGEM MAIS QUE MERECIDA!

GERALDO PEREIRA -

Dois amigos: Wellington Cantal e Geraldo Pereira.
Se a homens que pela sua coragem pessoal, seu profundo amor a sua Pátria e a seu povo, e acima de tudo pela doação do seu saber, da sua inteligência, sempre colocados em prática na defesa dos mais humildes e necessitados – Wellington Cantal é um desses.

Não fui às justas e merecidas homenagens, que em boa hora a Associação dos Advogados Trabalhistas do Estado de São Paulo, a pouco lhe prestou. Chovia torrencialmente na capital paulista, antes do aguaceiro nos falamos por telefone.

Desnecessário dizer quanto m orgulho em ser seu amigo, seu irmão, seu camarada, nesse mundo desprovido desses belos sentimentos humanos, tão constantes na vida do Cantal.

Para o livro que a muito deveria ter sido editado, sobre a tortura no Brasil, corri parte do nosso país, colhendo depoimentos de bravos (e bravas) lutadores que com rara coragem souberam enfrentar o Golpe Militar de 31 de Março de 64, golpe militar que cometeu todas as arbitrariedades possíveis e imagináveis, invadindo lares a qualquer hora, prendendo, espancando,torturando e assassinando suas vitimas, Cantal foi uma delas.

Recorri ao ‘Baú da Resistência’, é assim que chamo o local onde guardo os depoimentos desses admiráveis seres humanos. Confesso aos leitores da TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE que se constituiu, também, numa tortura para esse jornalista, ouvir essas pessoas. Tenho as filmagens com todas, acredito que possamos publicá-las e presenteá-los em breve, que poderão ouvir e ver o depoimento filmado, em vez de apenas ler o texto.

É uma contribuição nossa para que nunca mais sobre os céus da Pátria brasileira, tal infâmia se repita. (GP)



A ÁGUA-VIVA QUE GUARDA A CHAVE PARA A IMORTALIDADE



Por JASON  KOEBLER - Via Vice -




Revertendo seu processo de envelhecimento quando adoece ou se fere, a pequena água-viva japonesa Turritopsis dohrnii é o único animal conhecido que descobriu como derrotar a morte. O Motherboard visitou um pesquisador no Japão que está estudando o animal microscópico para descobrir se os humanos, um dia, poderão fazer o mesmo.

No mar, os animais são mesmo imortais, mas no laboratório eles são muito mais inconstantes – eles podem morrer se forem comidos, queimados ou retirados da água. Apesar dos desafios, Shin Kubota, do Laboratório Marinho Biológico de Seto da Universidade de Kyoto, conseguiu manter uma colônia viva. Ele se dedica completamente aos animais, trocando a água e os alimentando com pequeninos camarões. Ele até escreve músicas de karaokê sobre as águas-vivas, se apresentando com um chapéu de água-viva no final do expediente.

“De todos os animais no mundo, só elas são capazes de reverter o processo de envelhecimento em vez de morrer”, ele disse. “Não sabemos realmente qual seu tempo de vida. Elas podem viver para sempre.”

Quando se machucam, as águas-vivas passam três dias de volta ao estágio de pólipo, e eventualmente se tornam adultas de novo. Kubota diz que a água-viva, apesar de primitiva, compartilha mais dados genéticos com os humanos do que com seres vivos como insetos e minhocas, o que significa que, se ele ou outra pessoa conseguir descobrir como elas são capazes de reverter o processo de envelhecimento, a mesma teoria pode se aplicar aos humanos. (Outros pesquisadores são menos otimistas sobre essa perspectiva.)


“Espero que possamos estender nosso tempo de viva com a água-viva imortal”, ele disse. Mas por enquanto, ainda existem muitos mistérios, e o processo por trás da imortalidade delas é pouco compreendido.

“Eu achava que se as estudasse, poderia entender o mistério da vida na Terra”, ele disse. “Mas mesmo vivendo 10 mil ou 20 mil anos você pode não conseguir aprender tudo sobre elas, e 100 anos é tudo que eu tenho, infelizmente.” 



* Tradução: Marina Schnoor.

TEORIA DE FREUD É RESPALDADA POR ESCÂNERES CEREBRAIAS


Via Bloomberg -
Cientistas da King’s College e da Universidade de Melbourne dão razão ao psicanalista ao apontar lembranças reprimidas como causa da histeria.
Sigmund Freud talvez tenha tido razão ao apontar

lembranças reprimidas como causa da histeria.
Cientistas da King’s College, em Londres, e da Universidade de Melbourne descobriram, utilizando escâneres cerebrais, que o estresse psicológico pode ser o responsável por sintomas físicos sem explicação, como paralisias e convulsões.
Os pacientes apresentaram diferenças na atividade cerebral quando tiveram lembranças traumáticas comparados com voluntários saudáveis em um estudo publicado na edição da revista JAMA Psychiatry do mês passado. Além de apoiar a teoria de Freud e ajudar a explicar uma das reclamações mais comuns ouvidas pelos neurologistas, a pesquisa poderia criar novas abordagens de tratamento para os pacientes cujos sintomas costumavam ser menosprezados pelos doutores no passado.
“Trata-se do primeiro artigo de que eu sou ciente que realmente mostra que eventos traumáticos prévios definitivamente podem desencadear esse tipo de resposta motora”, disse John Speed, professor de medicina e reabilitação física na Universidade de Utah em Salt Lake City, que não esteve envolvido na pesquisa. “Isso é muito estimulante”.
A pesquisa é uma das mais recentes que demonstram como dispositivos de escâner cerebral feitos por companhias como a Siemens AG, a General Electric Co. e a Royal Philips NV estão sendo usados para ajudar a desvendar sintomas neuropsiquiátricos que costumavam desconcertar os médicos.
Os cientistas utilizaram imagens de ressonâncias magnéticas (fMRI) para acompanhar mudanças no fluxo sanguíneo para áreas específicas do cérebro enquanto se perguntava aos participantes sobre seu passado, o que produziu vistas anatômicas e funcionais dos seus cérebros.
As lembranças reprimidas foram um princípio das teorias psicológicas de Freud sobre a natureza dos processos mentais inconscientes. O neurologista austríaco, que ficou conhecido como o pai da psicanálise, usou o termo repressão para descrever a forma em que eventos emocionalmente dolorosos podiam ser bloqueados fora da consciência. Este mecanismo de autoproteção, postulou Freud, podia criar sintomas psicossomáticos rotulados “histeria” na época, em um processo atualmente conhecido como conversão.
CONHEÇA MELHOR SIGMUND FREUD
Médico neurologista e fundador da psicanálise, Freud apresentou ao mundo oinconsciente e explorou a mente humana. Sigmund Freud ficou conhecido como um dos maiores pensadores do século XX e o pai de muitas das teorias psicanalistas aplicadas atualmente. Freud explorou a psique, desenvolveu uma teoria de personalidade, estudou histeria, neuroses e sonhos, entre tantos trabalhos.  

Biografia de Sigmund Freud: sua vida


Sigmund Freud nasceu em 1856 na pequena cidade de Freiberg, na Morávia, então parte do Império Austro-Húngaro (atualmente é a República Checa). Seu pai, Jacob, era um modesto comerciante e sua mãe, Amália, era a terceira esposa de Jacob. Freud nasceu de uma família judaica e foi o primogênito de sete irmãos.


Aos três anos de idade, a família Freud se mudou para Viena, devido ao aumento do antissemitismo na Morávia. A cidade de Viena proporcionava aos judeus boas perspectivas econômicas, participação política e aceitação social.


Desde pequeno Freud era brilhante nos estudos e primeiro da classe.  Devido à sua performance acadêmica e uma preferência de sua mãe, Freud teve o privilégio de ter um quarto só para si, onde pode estudar em paz.


Em 1873, aos 17 anos, Freud ingressou na faculdade de Medicina da Universidade de Viena. Nos anos de faculdade trabalhou em um laboratório de neurofisiologia, até sua formatura, em 1881.

Em 1882, Freud conheceu e se apaixonou por Martha Bernays. Ficaram noivos secretamente até terem dinheiro suficiente para se casarem, o que veio a ocorrer quatro anos depois, em 1886, quando Freud já possuía um consultório particular. Tiveram seis filhos. A mais nova, Ana, confidente, secretária, enfermeira, discípula e porta-voz do pai, também se tornou uma eminente psicanalista.


Antes de se casarem, Freud trabalhou durante seis meses em Paris com o neurologista francês Jean-Martin Charcot. Com este, observou o uso da hipnose no tratamento da histeria e viu estimulado seu interesse para os distúrbios mentais. Nos anos seguintes tornou-se especialista em doenças nervosas e fundamentou a teoria psicanalítica da mente.


Freud obteve um grupo de admiradores e seguidores que se reuniam com ele semanalmente. Entre eles se encontravam Alfred Adler e Carl Jung, famosos psicanalistas que acabaram se desligando de Freud para desenvolver suas próprias linhas. O desligamento de Jung foi muito doloroso para Freud. Eram bons amigos e Freud via em Jung a pessoa que iria continuar a transmitir seu trabalho.


A primeira Guerra Mundial teve um grande impacto em Freud e no movimento psicanalítico. O fim da guerra trouxe grandes modificações político-geográficas e os tratados foram particularmente severos com os países vencidos. Viena sofria de fome, frio e desespero. Voltaram as epidemias mortais, como tuberculose e gripe. Em 1920, Freud perdeu sua segunda filha, Sophie, vitima de uma epidemia. Afetado pela guerra e pela morte de sua filha, Freud escreveu "Além do Princípio do Prazer", onde ele reconheceu o instinto da morte.


Em 1923, Freud passou pela primeira de uma série de cirurgias para extrair um tumor no palato. A partir desse momento Freud passou a ter dificuldades para falar, sentia dores horríveis e desconforto.


Em 1930 publicou "Civilização e seus Descontentamentos", lançando um olhar pessimista e desiludido sobre a civilização moderna à beira da catástrofe.


Com a ascensão de Hitler, Freud, já velho e cansado, não desejava sair de Viena. Em 1938, quando os Nazistas entraram em Viena, Freud, sendo judeu, não teve escolha, a não ser emigrar. Freud foi com sua família para Londres, onde passou o final de sua vida.


Biografia de Sigmund Freud: suas teorias


No esforço de compreender melhor seus pacientes, Freud iniciou um difícil processo de autoanálise. Freud trabalhou com introspecção e interpretação de seus próprios sonhos. Em 1896, Freud utilizou pela primeira vez o termo psicanálise.


Freud acreditava que histeria era uma forma de manifestação da neurose, na qual emoções reprimidas levariam aos sintomas da histeria. Estes sintomas poderiam desaparecer se o paciente conseguisse expressar as emoções reprimidas que lhe impediam de lidar com uma vida normal. Com isso, Freud trabalhou no desenvolvimento de formas que atingissem essas emoções reprimidas.


Freud desenvolveu a livre associação; uma técnica psicanalítica onde o paciente fala tudo que lhe vem à mente e ao falar surge sentimentos e memórias reprimidas. A livre associação é considerada uma das formas de se penetrar no inconsciente, podendo assim trabalhar pela terapia em cima dessas experiências e entender a causa da neurose.


Freud acreditava que a outra forma de penetrar no inconsciente seria através dos sonhos. Em 1899, Freud publicou "A interpretação dos Sonhos". Freud acreditava que os sonhos eram uma manifestação de nossos desejos e trabalhando com eles se podia chegar às memórias e sentimentos profundamente reprimidos.


Segundo Freud, outra manifestação de desejos reprimidos surge através de lapsos de língua e esquecimentos. Freud publicou essa teoria no livro "Psicopatologia da Vida Cotidiana". Nos procedimentos mentais ele não admitia a existência de meros acidentes: o pensamento aparentemente mais sem sentido, o lapso mais casual, o sonho mais fantástico possuem um significado que pode servir para desvendar os segredos da mente.


Freud explorou o conceito de que existe um conflito dentro das pessoas. O conflito seria de um instinto animal,  que não seria aceito pela sociedade, causando então uma resistência da pessoa ao instinto. A pessoa reprime o instinto para o inconsciente e procura substituí-lo por outros métodos de compensação. Em sua teoria, Freud identifica vários métodos de compensação.

Em 1905 Freud publicou os "Três Ensaios sobre a Sexualidade". Freud afirmava a importância do impulso sexual, ou libido, vivido nos primeiros quatro ou cinco anos de vida.


Em 1923, quase com setenta anos, em seu estudo clássico "O Ego e o Id", completou a revisão de suas teorias. Formulou um modelo estrutural da mente como constituída de três partes distintas, mas que interagem entre si. Essas partes são o id, o ego e o superego. O id é o inconsciente, o superego é o consciente e o ego é o mediador entre o id e o superego. Essa é considerada a teoria de Freud da personalidade humana.

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