sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Tuberculose |Javalis à solta nas cidades são ameaça para a saúde pública

Populações de javalis estão a aumentar
Direção Geral de Alimentação e Veterinária revela que 7% dos javalis abatidos entre 2011 e 2016 eram portadores da doença

As populações de javalis estão a aumentar todos os dias em várias zonas do país, aproximando-se de cidades, vilas e aldeias à procura de comida e água, mas as autoridades alertam que representam uma séria ameaça para a saúde pública. São portadores de tuberculose e estão a pôr a vida humana em "risco", segundo alerta Eduardo Correia, do Sindicato de Médicos Veterinários (SMV), enquanto a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) revela que 7% dos javalis abatidos nos últimos cinco anos de caça eram portadores da doença.

Os dados oficiais da DGAV - só em percentagem, pois não revelou o número de animais - sublinham a gravidade do problema. Entre 2011 e 2016 foram notificados aos serviços casos positivos de carcaças contagiadas com tuberculose em 28% das jornadas de caça na região Centro e 12% no Alentejo, após as respetivas confirmações laboratoriais.

José Manuel Batista, dirigente do Movimento Caçadores Mais Caça, relata ao DN que deixou de comer carne de javali há três anos, quando uma carcaça de um animal abatido numa montaria já revelava contágio de tuberculose. "O problema é que nessa montaria a tuberculose deu positivo porque havia um veterinário que analisou o animal, mas grande parte de outras montarias e batidas não têm médico", alerta, admitindo que muita carne esteja a chegar ao consumidor "sem ser sujeita à despistagem da doença", porque, segundo denuncia após vários contactos com as autoridades de saúde, "o país não tem veterinários em número suficiente".

E o sindicato dos veterinários confirma. Eduardo Correia revela que o contágio de tuberculose de que são alvo javalis e veados já foi tema de conversa com a DGAV, para se tentar encontrar uma solução que permita garantir inspeção a todos os animais abatidos, mas ainda não há resposta. "É um problema de saúde pública e temos que saber como devemos estar organizados, mas receio que não estejamos a fazer um bom trabalho, sobretudo na raia", admite, apoiando Jorge Cid, bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, que, citado pela Vida Rural, defendeu recentemente a criação de um corpo nacional de inspetores e a aprovação da carreira de inspetores sanitários para que todas as espécies de consumo público fossem analisadas.

O bastonário considerou "um problema grave de incidência de tuberculose nos veados e javalis", alertando que já existem casos de transmissão da doença a espécies pecuárias, existindo riscos para as pessoas, pelo que o sindicalista Eduardo Correia diz ser chegada a hora do Estado "formar mais gente. Não basta dizer que não há e deixar as pessoas ao risco. Este problema é muito sério para ser tratado assim".

A DGAV avança que não existe obrigatoriedade das montarias serem acompanhadas por um médico veterinário. A legislação em vigor na União Europeia obriga apenas a que pelo menos uma pessoa de um grupo de caçadores, designada "pessoa devidamente formada", tenha os conhecimentos de doenças de espécies cinegéticas "e seja capaz de reconhecer os problemas de saúde dos animais caçados. Esta pessoa pode ser um caçador ou o gestor de caça, acrescentando ainda este organismo que desde 2010, têm sido organizados e ministrados cursos de formação para habilitar essa "pessoa formada".

Ainda assim, diz a DGAV, na zona raiana entre Idanha-a-Nova e Barrancos, desde 2011 tem vindo a ser aplicado um plano especial de controlo da tuberculose em caça maior (javalis, veados, gamos, corços), confirmando que "foi concebido precisamente para evitar a propagação da tuberculose na zona geográfica identificada como de maior risco para transmissão da doença.

A tutela alerta ainda para o chamado Plano de Controlo e Erradicação da Tuberculose que está em aplicação desde 2011. Consiste na programação das montarias, sendo designado um médico veterinário oficial (da DGAV ou das autarquias) para observar os órgãos e as carcaças dos animais abatidos, procedendo ao exame das peças capturadas e à colheita de amostras para diversas doenças, como tuberculose, brucelose ou peste suína.

Jacinto Amaro, presidente da Fencaça (Federação Nacional de Caçadores), que tem vindo a acompanhar a evolução do fenómeno junto das autoridades, refere que é na linha de fronteira com Espanha, na larga extensão entre Idanha a Nova e Moura, que reside o maior risco epidemiológico. "Tanto em javalis como em veados e pode chegar aos animais domésticos como já acontece na Estremadura espanhola", refere, justificando que a doença existe em maior escala na região de Cáceres, na serra de São Pedro, tendo cruzado a raia nos últimos anos.

"Os animais selvagens movimentam-se sem controlo à procura de comida e chegaram cá. Na Estremadura espanhola - que faz fronteira com o Alentejo - aproximaram-se de bovinos e caprinos, que também começaram a aparecer doentes. É outro risco que corremos em Portugal", diz o dirigente.

"Procuram alimento e é no Alentejo e Ribatejo que conseguem encontrar pivôs de milho que têm a comida, água e a cobertura ideal que para eles", diz, alertando ainda para os acidentes que têm vindo a provocar nas estradas, sobretudo nas vias de Coruche, Arraiolos, Montemor-o-Novo e Vendas Novas. "É rara a semana que não temos notícia de mais um carro que embateu num javali", conta.

600 abatidos na Arrábida

Os 600 javalis que anualmente têm sido abatidos na serra da Arrábida, segundo dados oficiais avançados pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), pelos donos dos terrenos onde os animais procuram comida, atestam o boom que a espécie alcançou nesta região. Por aqui proliferou nos últimos sete anos entre os concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra, tendo este verão sido vistos alguns animais na praia da Fonte da Telha, já no concelho de Almada.

Mas mas nem as chamadas "correções de densidades" levadas a cabo pelos proprietários e as associações de proprietários têm logrado travar o avanço da espécie na Arrábida, onde já é adjetivada de "praga". Este ano, o calor levou vários exemplares a refrescarem-se na praia de Galapinhos, indiferentes às dezenas de banhistas, enquanto em setembro dois javalis aproveitaram a calada da noite para tomarem de assalto o restaurante do Clube Naval Setubalense (Âncora Azul), deixando o estabelecimento parcialmente destruído.

Contactadas pelo DN, as câmaras de Setúbal e Sesimbra preferiram não comentar o assunto, alegando não ser da sua competência, mas o presidente da Clube da Arrábida, Pedro Vieira, reclama "mão pesada" ao ICNF no combate à invasão destes suínos selvagens, "antes que haja más notícias, com ataques a pessoas, por exemplo", diz. O dirigente, recorda que as batidas promovidas pelas autoridades e caçadores para correção de densidades, há dois anos, não resultaram, tal como viria a acontecer em 2016 com as capturas de animais vivos, com recurso a capturadores.

"É preciso investir noutras modalidades, como a espera noturna", sugere Pedro Vieira, revelando que esta estratégia tem resultado no lado norte da serra com os proprietários que dispõe de licença de uso e porte de arma e a quem o ICNF tem passado as credenciais que os habilitam a disparar sobre os animais que invadem os seus terrenos.

Ninguém sabe explicar ao certo como apareceram os primeiros javalis na serra Arrábida, onde estiveram décadas sem darem sinais de vida, mas recentemente passou a ser cenário recorrente encontrar javalis à procura de comida junto a um contentor do lixo ou até debaixo da mesa da esplanada de um qualquer restaurante no Portinho da Arrábida.

Fonte:DN

360º - Tensão Marcelo-Costa sobe de tom ou o guia de um Presidente carnívoro; dia C (será hoje?) de Catalunha; e mais revelações sobre a morte de JFK

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360º

Por Filomena Martins, Diretora Adjunta
Bom dia!
Enquanto dormia... 
... ninguém sabe o que vai acontecer hoje com a Catalunha (parte II). Desde as 9h00, o Senado está reunido em Madrid para aprovar a aplicação do Artigo 155. Duas horas depois, o parlamento catalão responde, provavelmente decretando a independência. É mais um dia de muitas dúvidas que já estamos a seguir em direto

Ontem foram 24 horas de avanços e recuos (aqui registados), que começaram com a possibilidade de eleições regionais antecipadas e acabaram em nada. Ou, como escreve o João de Almeida Dias, no dia em que teve todas as opções nas mãos, Puigdemont deixou a Catalunha sem nenhuma além do Artigo 155.

Os editoriais dos jornais espanhóis refletem isso mesmo: "Caos e confusão", escreve o El País, como "Puigdemont leva a Catalunha ao desastre", lê-se no El Mundo, "Puigdemont, cobarde a dobrar", diz o diretor do El Español, "Um país à deriva", conclui o La Vanguardia.

Hoje é também dia de greve da administração pública, a primeira de muitas que aí vêm e que até incluem os árbitros. Os hospitais paralisaram desde a meia noite e os sindicatos avançam com números de adesão perto dos 100%

Afinal, Trump não libertou todos os documentos sobre o assassínio de John Fitzgerald Kennedy. Opresidente americano acatou (para já) as recomendações dos serviços secretos e só permitiu divulgar 2.800 documentos secretosCIA e o FBI têm agora 18o dias para fundamentar as suas razões antes que os restantes ficheiros, mais 300, se tornem públicos.



Outra informação importante 

A tensão entre Costa e Marcelo subiu de tom, com troca de palavras que há seis meses pareceriam impossíveis. Depois de ler críticas de um deputado socialista e um artigo duro no jornal do PS na sequência da manchete do Público que revelava que o Governo tinha ficado "chocado" com o discurso do Presidente depois dos fogos,  Marcelo respondeu à letra a partir dos Açores. "Chocado ficou o país". Foi o sinal que faltava de que acabou o bom tempo e começou o inverno entre Belém e S. Bento. Ou como escreve o Vítor Matos na análise à nova coabitação, este é um guia para perceber um Presidente carnívoro.

Mas Marcelo não se ficou pelo novo (e violento) ralhete em públicoNa visita aos Açores, como conta a reportagem do Rui Pedro Antunes, comentou o actual momento da política nacional em várias ocasiões: sugeriu que Costa amuou, lembrou que é militante do PSD e disse ainda que anda sempre a "colar coisas".

Num jantar de campanha no Porto, Santana Lopes suavizou o discurso disse não acreditar que Marcelo tivesse passado uma rasteira a Costa.


Já Fernando Medina tomou posse como presidente da Câmara de Lisboa mas sem acordo à esquerda e desapontado com a recusa do PCP a qualquer coligação. Resta o apoio do Bloco...
 
Porque são os juízes inamovíveis, como podem ser avaliados e que tipo de punições podem sofrer? A Sónia Simões responde a estas e a outras questões e conta vários exemplos de casos com juízes a propósito do polémico acórdão sobre a violência doméstica e o adultério. A PGR disse entretanto que não vai recorrer da decisão do Tribunal da Relação do Porto. Decisão que já é notícia na CNN.

Sem deixar a polémica arrastar-se, a Proteção Civil divulgou o nome de 44 das 45 vítimas dos últimos incêndiosNão são contudo reveladas as circunstâncias das mortes. E soube-se agora, via comunicado, que ainda há dois desaparecidos.

Da polémica dos incêndios sobra ainda o debate sobre as conclusões da Comissão Independente que acontece hoje no Parlamento a partir das 10h00 (e que seguiremos em direto). A TSF está a adiantar esta manhã que o Comandante afastado teve um papel decisivo nas críticas à Proteção Civil, enquanto o Público escreve que a última decisão da ministra antes de se demitir foi deixar os polícias a tomar conta do SIRESP 24 horas por dia, todos os dias do ano.


E por falar em polícias, o DN diz que são cada vez menos: a PSP só substituiu metade dos agentes que saíram para a reforma.

Na economiao crescimento de 6% das receitas com os impostosajudou o défice a cair para 569 milhões de euros. E as boas notícias para a economia nacional não ficaram por aqui: o BCE ainda deve comprar mais de 12 mil milhões de dívida portuguesa nos próximos anos, apesar de Mario Draghi ter anunciado ontem que o Banco Central vai reduzir para metade o ritmo de compras, ainda que o programa de estímulos só termine em setembro de 2018.

Entretanto, o Governo anunciou um novo instrumento de poupança que vai substituir os Certificados do TesouroMas tem menos rendimento.
 
Já lhe chamam o efeito Weinstein: as acusações de assédio sexual entre personalidades famosas tornou-se uma bola de neve que já envolve 26 nomesHá realizadores de cinema, atores, músicos, fotógrafos, escritores e até ex-presidentes envolvidos em escândalos sexuais. No caso de James Toback, há até agora uma história de ameaças de morte.

Os nossos especiais

Numa altura em que tanto se fala de igualdade de género (ou da falta dela), a Ana Cristina Marques entrevistou Ana Tapia, a psicóloga e autora do livro "Stop. As 50 Estratégias das Mulheres sem Tempo". Que lhe falou das pressões de trabalho internas e externas e na distinção de género no escritório.

No Conversas à Quinta, o tema foi a Revolução de Outubro. José Manuel Fernandes debateu com Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto como o golpe de Lenine se transformou na revolução russa que mudou o mundo há 100 anos e a ilusão comunista se revelou uma tragédia da qual a Rússia ainda não recuperou.

A nossa opinião

  • Rui Ramos escreve sobre a reforma da floresta de Costa e as medidas contra os fogos: "A pretexto da floresta, o governo vai tornar a vida ainda mais difícil às populações rurais. A Idade Média foi o tempo dos povoadores. Vivemos agora no tempo dos despovoadores".
  • José Milhazes escreve sobre a ingerência da Rússia na questão catalã: "A necessidade da criação de meios de informação concentrados no desmascaramento de notícias falsas vindas do Kremlin é urgente, devendo a União Europeia agir nesse sentido".
Notícias surpreendentes
Eu sei que o tempo ainda apetece praia e esplanadas, mas esta noite é boa para ficar em casa e ver (além do futebol) Stranger ThingsA segunda temporada de umas das mais populares séries do momento promete.

Para jantar pode até preparar comida vegetarianaO chef Paul Ivić, que tem uma estrela Michelin, explica porquê e eu garanto que não se vai arrepender (pelo menos de ler a entrevista do Diogo Lopes).


Se ainda não comprou máscaras para este Halloween, o Mauro Gonçalves tem soluções. Siga as tendências com as melhores peças para eles, para elas e para os miúdos e vá pregar uns sustos.

E se já está a pensar em férias para o próximo ano, eis uma lista de sugestões que pode dar muito jeito. A Lonely Planet revela os dez países com os preços mais baratos em 2018: é possível comer por 2,5 euros e dormir por 25.

E que tal tirar fotos do quotidiano da Coreia do Norte a partir da janela de um quarto de hotel, com um telemóvel barato, como se fosse um 'sniper'? Eis o resultado.

O resumo das notícias que agora lhe fiz pode ficar desatualizado já daqui a pouco: sobre a Catalunha pode haver decisões a qualquer momento, a tensão Marcelo/Costa pode conhecer desenvolvimentos (ou acalmia) e a greve da Função Pública pode paralisar vários serviços pelo País. Se passar pelo Observador ficará de novo a par de tudo o que se passa

Uma boa sexta-feira e um bom fim de semana
 
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Arganil quer mais autóctones após eucalipto ter proliferado nos últimos três anos

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A Câmara de Arganil quer que a reflorestação avance rapidamente e com mais autóctones, depois de ter assistido a uma "proliferação" do eucalipto nos "últimos três anos", face ao regime do anterior Governo que retirou as autarquias do processo.
"Há três anos, houve uma alteração que fez com que os projetos de reflorestação ou florestação deixassem de passar pelas autarquias. Passaram a ser projetos centralizados no ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas] e em que o município apenas pode emitir pareceres que não são vinculativos em áreas que ultrapassem os dois hectares. O que assistimos foi à proliferação de novas plantações de eucalipto", disse à agência Lusa o novo presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa (PSD).
O eucalipto, frisou, é necessário para a economia local, mas é importante "compatibilizar com outras espécies para não se ter um barril de pólvora". 
Lusa
Imagem: Destinos de Portugal

Vem aí a mudança da hora. Prepare-se

Resultado de imagem para Vem aí a mudança da hora. Prepare-seEste fim-de-semana ganha uma hora e, na próxima semana, quando acordar, já não vai ver as estrela no céu.
A hora de Inverno está a chegar. Às duas da manhã do domingo, 29 de Outubro, os relógios deverão atrasar uma hora, para a 1h00.
Isto, em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira. Nesse mesmo instante será uma da manhã na Região Autónoma dos Açores, pelo que quem lá vive deverá atrasar o relógio para as 00:00 h
Esta será a hora legal de Inverno, que vai vigorar durante cinco meses, até 25 de Março de 2018.
Como é que esta mudança interfere no nosso organismo?
Com a diminuição da duração da luz solar, o organismo aumenta a produção de melatonina, uma substância natural que actua diretamente no sono e que determina o ciclo sono-vigília.
Por outro lado, diminui a produção de serotonina, um neurotransmissor que actua no cérebro e regula o humor, o sono, o apetite, o ritmo cardíaco, a temperatura corporal, as funções intelectuais – ou seja, é muito importante no nosso bem-estar.
Quando a serotonina se encontra numa baixa concentração, pode levar ao mau humor, à dificuldade em adormecer, à sonolência durante o dia, a distúrbios de memória e vontade de comer a qualquer hora, especialmente doces.
Estas alterações biológicas são normais na estação do ano em que vamos entrar, mas os sintomas que provocam podem ser potenciados pela mudança da hora.
Segundo os especialistas, o desconforto pode ir de 24 horas até cinco dias após a transição. Se ultrapassar os cinco dias, pode ser preocupante e poderá ser necessário procurar ajuda especializada.
Sinais de que a serotonina está baixa
A baixa concentração de serotonina no organismo pode levar ao aparecimento de:
  • Mau humor pela manhã
  • Sonolência durante o dia
  • Inibição do desejo sexual
  • Vontade de comer doces
  • Comer a toda hora
  • Dificuldade na aprendizagem
  • Distúrbios de memória e de concentração
  • Irritabilidade
Cansaço e ficar sem paciência facilmente também podem indicar que o corpo precisa de mais serotonina na corrente sanguínea
renascença

Constança. Geringonça. Greve. Catalunha. E JFK

P
 
 
Enquanto Dormia
 
David Dinis, Director
 
Bom dia!
As últimas notícias são estas:

Trump libertou ficheiros sobre o assassinato de JFK. A ordem do Presidente já pôs investigadores e jornalistas a vasculhar 2800 documentos, mas manteve outros 280 em segredo. Mas, a julgar pelo que se diz em Washington, os amantes de teorias da conspiração vão ter de continuar à procura daquela página em que a CIA, Fidel Castro, a Máfia ou o pai do senador Ted Cruz são apontados como os responsáveis, conta-nos o Alexandre Martins.  
Mas Trump também declarou “emergência de saúde pública” nos EUA. Está sentado? Foi por isto: o consumo de analgésicos e medicamentos opiáceos provocou a morte de 64 mil pessoas na América só no ano passado.
A ONU acusou Assad de um ataque químico que matou 81 pessoas. “O relatório confirma o que há muito sabíamos ser verdade”, disse a embaixadora norte-americana na ONU, deixando críticas bem directas para Moscovo.

O que marca o dia

Uma notícia sobre a ministra Constança. A ex-MAI criou um gabinete de crise para o SIRESP, a dois dias de se demitir - e um dia do importante discurso de Marcelo. A Liliana Valente conta como funciona, na manchete de hoje.
O azedar de relações entre Costa e Marcelo deu que falar: o PS deu sequência ao ataque; o Presidente respondeu à letra; o PSD fez as pazes com o chefe de Estado. Aqui fica o balanço e contas, enquanto nos Açores, ao lado do Presidente, a Leonete Botelho registava isto: "O Presidente esteve em dois territórios fictícios como se fossem reais. Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência."
Mas hoje é Francisco Assis quem avisa Costa: "Marcelo está para ficar e é preciso saber conviver com ele", sobretudo quando vem aí uma "novíssima geringonça". Vale a pena perceber qual.
Enquanto isso, o PSD divide-se numa contagem de apoios. E Santana mostrou-se "preocupado" com o que leu no PÚBLICO ontem.
Hoje é dia de greve global. A CGTP conseguiu mobilizar médicos e enfermeiros, mas também professores, no seu maior protesto contra a "geringonça" - ou contra "o desastre dos serviços públicos".
Entretanto, o coro da Justiça desafinaPor causa do polémico acórdão do juiz do Porto, relata a Mariana Oliveira.
E as universidades públicas desalinhamas novas fundações não geraram mais receitas, mas já há mais quatro candidatas àquele estatuto.
Ainda vale a pena saber istoo tempo quente e seco vai manter-se pelo menos até domingo. E isto também: a hora volta a mudar já amanhã, naquela noite em que ganhamos uma hora para sonhar (ou para viver).

Uma pausa para ler... 

Coisas boas para ler no PÚBLICO - nem que seja no fim-de-semana:
1. Voltamos aos "JFK files"? É que temos dois textos, via Washington Post, que são um "must read" - como eles dizem lá pela América. O primeiro começa assim: "Esteve quase a não levar a câmara. A 22 de Novembro de 1963, o dia em que o nome de Abraham Zapruder iria para sempre ficar ligado a uma tragédia americana, o costureiro de Dallas que adorava fazer filmes caseiros tinha decidido deixar a sua Bell and Howell Zoomatic em casa. Foi a sua assistente que o convenceu de que valia a pena registar em filme o desfile do Presidente John F. Kennedy pela Dealey Plaza." Sabemos o que aconteceu depois, sim. Mas não sabíamos isto: Zapruder filmou a morte de JFK e isso só lhe trouxe tristezas. E depois disso vieram as seis teorias da conspiração sobre o assassinato (que até passam pelo monte relvado, o Homem do Guarda-Chuva, Lyndon B. Johnson e o pai de Ted Cruz).
2. No Senado de Madrid, a sessão foi dura e longa. Depois de Puigdemont ter recuado na intenção de fazer eleições antecipadas, o debate com o representante catalão aqueceu. Mas é como diz a Sofia Lorena: poucos terão sido os dias em que pareceu ter acontecido tanto para, na verdade, não acontecer nada. Agora, a questão é esta: como vai Madrid tomar conta da Catalunha. E também se a Catalunha não será um Estado falhado, como anota o nosso Jorge Almeida Fernandes.
3. O teatro de Tiago Rodrigues está sujo de realidade. Depois de uma elogiada estreia em Avignon, Sopro mostra-se em Lisboa no Teatro Nacional Dona Maria II. Em palco, a história que se conta rebenta com as fronteiras entre realidade e ficção. O Gonçalo Frota conta-a na capa do ípsilon, com uma expressão que me arrepia: o lugar feliz de não saber o que se segue
4. Lugar feliz, também na Fugas, até ao arquipélago de todas as cores: seduz surfistas, atrai hedonistas, magnetiza os amantes do silêncio e da natureza. Bocas del Toro, no mar das Caraíbas, com nove ilhas, 50 cayos e duas centenas de ilhotes, deve muito à indústria da banana e nada fica a dever à ideia que temos de paraíso. E tanto que queremos esse paraíso, meu caro Sousa Ribeiro.

Agenda do dia

Hoje é de greve na função pública, mas também de muitos debates sobre os incêndios: um no Parlamento, sobre o relatório dos técnicos independentes; outro no congresso da Liga dos Bombeiros, que seguirá até domingo (em fim-de-semana de alerta para incêndios....). É também dia de uma manifestação de protestocontra o acórdão da Relação do Porto sobre violência doméstica. E da apresentação de resultados da CGD, relativos ao terceiro trimestre.  
Por cá está o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, o polémico Boris Johnson. E aqui ao lado, em Madrid, o Senado decide se há ou não intervenção directa na Catalunha.
Noite fora há jornada de futebol, com o Benfica a receber um Feirense desafiante e o Sporting a ter uma difícil deslocação a Vila do Conde.
Mais logo chega-nos também uma boa surpresa. Conta-nos a Joana Amaral Cardoso: "Já se ouve a música do genérico, como se a cassete tivesse acabado de rolar e de encaixar no videogravador. Stranger Things, a surpresa do Verão passado, regressa esta sexta-feira à plataforma do presente, o Netflix, para o seu segundo acto".
Eu volto no próximo acto, já na segunda-feira.
Tenha uma boa sexta-feira e um excelente fim-de-semana.

Opinião | Se um é sapo e o outro escorpião, o fundo do rio é igual para os dois


Paulo Baldaia
A informação que nos chegou, através do jornalPúblico, de que o governo estava "chocado" com a intervenção do Presidente da República choca com a realidade. Entre a tragédia de Pedrogão Grande e a tragédia de 15 de Outubro, Marcelo enviou imensos sinais a António Costa mas o primeiro-ministro fez como a direita, não viu nem ouviu.

A 30 de Julho foi publicada no Diário de Notíciasuma longa entrevista em que o chefe de Estado foi particularmente assertivo em relação aos casos de Tancos e de Pedrogão. Pelo caminho foi deixando imensos avisos e, quatro meses depois, em coerência, exigiu o mesmo a um chefe do governo que teimava em reafirmar publicamente a sua confiança na ministra. Esta entrevista em que, quase só, Marques Mendes viu um distanciamento subtil do presidente em relação ao governo acaba por ser um verdadeiro preâmbulo da comunicação ao país em que Marcelo fez cheque a Costa. Também a propósito da geringonça a quem, na comunicação ao país, o presidente pediu uma clarificação, depois de ao DN ter afirmado que "os partidos que fazem parte da área do governo têm de decidir em cada momento se querem ou não durar até ao fim da legislatura".

Por ter dito ao Presidente o que estava a pensar fazer, o governo pensou ter o assunto resolvido. Não lhe ocorreu que entre o que se disse no segredo dos palácios e o que foi dito publicamente pelo primeiro-ministro e pela ministra da Administração Interna vai uma grande distância que não podia ficar a carregar nas costas do Presidente. Já todos sabemos o que aconteceu ao sapo que deu boleia ao escorpião na travessia do rio, sendo que cada uma das claques pode ver o escorpião no outro lado. Não muda nada, esta é uma história em que ninguém ganha, parecendo evidente que o governo tem muito mais a perder.

Imaginemos, por um minuto, que o governo tem mesmo razões de queixa do Presidente da República. Estamos a falar de Marcelo, senhor de uma taxa de popularidade raramente vista num político português, com uma comunicação que agradou a uma larga maioria dos portugueses e que foi altamente elogiada pela opinião publicada. Que raio de ideia é esta de comprar uma guerra surda com o chefe de Estado? Se em off se afirmam chocados com Marcelo é em em on que Marcelo lhes responde: "Chocado ficou o país com a tragédia vivida".

Teria sido melhor ideia afirmarem publicamente que aquilo que o presidente exigiu na comunicação ao país era o que o Presidente sabia que o governo ia fazer. Sem acinte, desdramatizando a importância dessa comunicação na relação entre os palácios, apenas como informação, para que cada português pudesse tirar as suas conclusões.

Longe vai o tempo em que Costa e Marcelo sorriam debaixo do mesmo chapéu. Pode até acontecer que a esquerda esteja mesmo a olhar para Marcelo e a ver um escorpião, não lhe querendo dar boleia nas boas novas da economia que chegam à carteira dos portugueses. Assim como assim, Passos está de partida e à aliança das diferentes esquerdas dá sempre jeito ter um inimigo comum que funcione como cola para a geringonça. Bloco e PCP nunca acharam muita graça a Marcelo, só o PS andou embevecido com o colo presidencial.

Fonte: DN


Voluntários? Profissionais? Somos Bombeiros a 100%

João é “bombeiro no trabalho” e “mecânico no quartel”. Elodie passa o dia a atender pedidos de ajuda. Tiago e Ana trabalham a tempo inteiro no quartel dos Bombeiros Voluntários de Leiria, onde mora uma das corporações mais jovens e qualificadas do país. Aplaudem a ideia de profissionalização dos bombeiros. “Mas sem se perder o espírito voluntário.”
Do outro lado da rua do quartel dos bombeiros voluntários de Leiria, há um pinhal. Não pertence à mata nacional que ardeu. Ali os pinheiros continuam intactos, as copas verdes. Ao contrário de outras. Muitas outras, negras, que estes homens e mulheres viram no terreno.
Uns dias depois, à primeira vista, nada do quartel lembra o grande fogo de 15 e 16 de Outubro. Carros, carrinhas, camiões estão alinhados no parque e brilham, vermelhíssimos. Não mostram sinais do combate ao fogo que destruiu 80% do Pinhal de Leiria.
Só no fim da visita percebemos os danos causados pelas chamas: um dos carros da corporação ficou completamente destruído pelo fogo. A carcaça está atrás do quartel, completamente tapada com uma rede verde. “Para não estar à vista, para não lembrar”, diz Tiago Ferreira, adjunto de comando.
Dentro do quartel, reina a tranquilidade. Estamos num final de manhã de um dia de semana, igual a tantos outros. A corporação é voluntária e, por isso, em dias em que não há urgências, são os funcionários da associação humanitária que fazem o trabalho diário, como o transporte de doentes não urgentes, as formações de primeiros socorros ou a gestão corrente.
É a tratar destes assuntos que encontramos Tiago Ferreira no escritório do primeiro andar do quartel, sentado à secretária, de telefone na mão. Tem “coisas para resolver” e mostra reticência em falar – “não estou fardado nem nada”, justifica. Em teoria, não devia estar ali, mas, hoje, é o responsável pelo quartel (o comandante Luís Lopes não está).
Nem pena nem culpa
“Os bombeiros não são heróis”, começa por dizer Tiago Ferreira. “Quero que as pessoas tenham essa noção, de que os bombeiros não são heróis.”
Mede as palavras, mas o que diz não está à altura do que fez. Tiago caiu no combate às chamas – teve de levar injecções para as dores. Confessa que devia estar em repouso e não no quartel porque “a zona lombar não ficou com muita saúde e vai demorar a recuperar”.
Caminha devagar e vai passando a mão pelas costas, mas não desarma. É telegráfico a descrever o incidente, ao qual não voltará durante a conversa. “Eu gostava que um dia as pessoas vissem os bombeiros como qualquer outra profissão. Isso é fundamental porque cada vez mais há a tendência a que as pessoas tenham pena dos bombeiros,” afirma. Tiago não quer os votos de pesar nem a arca das culpas.
“Quando existem situações de uma grande envergadura, como esta dos incêndios, tende-se a dizer: a culpa é dos bombeiros, não vêm cá os bombeiros, eles não querem trabalhar, eles estão parados.” Até pode acontecer, admite Tiago, “mas são situações muito diminutas”.
Tiago alude aos relatórios pedidos pelo Governo no rescaldo da tragédia de Pedrogão Grande: voluntarismo e falta de confiança na estrutura; necessidade de mais e melhor qualificação dos agentes que combatem os fogos no terreno; erros vários (de percepção, no imediato, da gravidade dos incêndios e também no combate inicial às chamas). Palavras duras que se lêem nas duas análises ao que aconteceu e ao que falhou no terreno.
No fim da longa lista de problemas identificados ao nível da acção, a solução apontada pelos especialistas: profissionalizar os bombeiros já. Porque a análise não poupa ninguém, dos decisores aos agentes no terreno – incluindo os bombeiros.

por  Elsa Araújo Rodrigues em http://rr.sapo.pt