sexta-feira, 23 de junho de 2017

Comunicado mais recente da nossa Candidatura Dr. Manuel Martins


A ECONOMIA POLÍTICA E O GRANDE SALTO ATRÁS

Os banqueiros dominam a produção, controlam os palácios, não pagam impostos. As sociedades tornam-se impotentes. A democracia reduz-se a ficção. Diante da crise da modernidade, o neoliberalismo propõe marcha à ré

Luis Casado, Politika | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Alamy Shutterstock, The Economist

A gruta de Lascaux (Dordogne, França) possui uma das mais impressionantes amostras de arte rupestre do Paleolítico. Em 80 a 90 metros de comprimento, foram classificadas 1.963 unidades gráficas entre pinturas e gravações, 915 das quais são de animais. Ao lado de Altamira (Cantabria, Espanha) e Chauvet (Ardèche, França), ela constitui o que os entendidos chamam de Capelas Sistinas da arte pré-histórica, ainda que as imagens não mostrem nenhum querubim.

Apesar de Lascaux não ter as atrações ou a variedade de um shopping e, diga-se o que quiser, não ser tão emocionante como a Eurodisney ou o final da Liga dos Campeões, até 1955 recebia mais de 1.200 visitantes por dia. O dióxido de carbono produzido pelos turistas começou a danificar as obras que o Homo sapiens sapiens pintou há uns 15 a 18 mil anos, de modo que, para garantir sua preservação, a gruta de Lascaux foi fechada ao público em 1963: triste fim de uma oportunidade de negócio.

Conta-se que Picasso esteve entre os privilegiados que chegaram a visitar Lascaux. Ao sair, os jornalistas perguntaram sua opinião. O pintor, impressionado pelo que havia visto, declarou: “não inventamos nada”.

Nem o abuso de criatividade de Picasso, que no seu auge pintava de diferentes maneiras, sem jamais satisfazer-se com o resultado, conseguiu superar as técnicas e a arte que praticaram os cro-Magnons do Paleolítico.

Por isso, entre outras razões, não me surpreendeu que Bernard Maris assegurasse, num de seus livros, que a Teologia e a Economia não descobriram nada nos últimos séculos. Questão de fé, há mais de dois mil anos é a mesma cantilena: o padre, o filho e o espírito santo. Amém. Por sua vez, quando perguntavam a Milton Friedman, “O que há de novo?”, Milton, que era um gozador, respondia “Adam Smith” — e morria de rir.

Como qualquer pessoa normal, considerava Adam Smith (1723-1790) e Jean-Baptiste Say (1767-1832) os fundadores da Economia Política. Sabendo que ainda em nossos dias a mão invisível do mercado é o dogma entre os dogmas, e a política econômica da oferta é a panacéia universal, compreende-se por que razão ambos autores pesam tanto.

O bom dos primeiros economistas é que não havia ilusões quanto à ciência econômica, a ciência do mal e da miséria, a dismal science, a ciência sinistra — porque sinistro é o destino a que conduzem o capitalismo e o liberalismo que eles defendiam (B. Maris). Um pouco mais tarde, Marx concordou com esse sentido quando escreveu: “A humanidade se situa fora da economia política, a desumanidade dentro”. Bernard Maris não deixou por menos, ao escrever: “Tudo o que é econômico é desumano. Tudo o que é desumano diz respeito à economia. A economia é o domínio do horror e da desumanidade. O homem nasce quando morre a economia”. Como não dou uma de erudito, não vou lembrar que para John Maynard Keynes a economia era um vasto horror que um dia, felizmente, iria dar lugar à cultura, à arte, à política, à liberdade, à felicidade.

Se conto essas coisas é porque, há alguns dias, uma leitora de Politika sentiu-se mal quando lhe fiz ver que os economistas são seres abomináveis. Eu não sabia que um de seus sobrinhos é economista, que sempre teve boas notas, que fez seus estudos nos EUA, que é um orgulho para a família…

E eu tentando explicar-lhe que “na melhor das hipóteses um economista não passa de um vigarista, um charlatão que esconde em seu palavrório, geralmente complicado, o objetivo imposto por seus senhores, que é manter os homens na servidão. Na pior, é a polícia ou o prostituto do capital. E a economia é o canto gregoriano da submissão do homem. A teoria da ordem dominante, a ciência da escravidão”. (B. Maris).

Não sou o único estraga-prazeres. Antes de mim, Nicolás Guillén, em um de seus poemas, falou do ofício do filho de “Dona Maria”:

Ai, pobre dona Maria,
ela que nada sabe!
Seu filho, o que tem a pele manchada
a soldo na polícia.
Ontem, sorrateiro e sutil,
andou rondando minha casa.
Passa! – pensei ao vê-lo – Passa!
(Ia de traje civil);
Senhora tão respeitada,
a pobre dona Maria,
com um filho na polícia,
e ela não sabe de nada [1]

Karl Marx e, por que não dizer, John Maynard Keynes, tentaram libertar o homem da economia. Não se deram bem. Hoje, não há santo dia em que meia dúzia de economistas não subam ao púlpito, perdão, à televisão, para nos contar suas fabulações, mentiras, dogmas, números e percentuais que, em sua visão distorcida, são mais importantes que o ser humano.

O certo é que Adam Smith, Jean-Baptiste Say, Karl Marx, John Maynard Keynes e muitos outros só tiveram que examinar uma realidade tão antiga quanto o mundo para se dar conta da cloaca em que se metiam ao dedicar-se à economia.

Adam Smith e Jean-Baptiste Say eram comerciantes; às vezes, produtores. John Maynard Keyner e David Ricardo foram especuladores. Marx foi pobre. Quando nasceram as técnicas de produção industrial, do comércio, dos bancos e das finanças, os truques da dupla contabilidade, os monopólios, o tráfico de influência, o conflito de interesses, o engano, a fraude, o golpe, o roubo, a arbitrariedade, a pilhagem, a exploração, a dissimulação, a informação privilegiada, os privilégios, a incúria, a prevaricação, as propinas, a usura, o abuso do poder, a conspiração — em suma, as técnicas do capitalismo já existem há séculos!

Se você vai a Provins, cidadezinha medieval perto de Paris, encontrará não apenas uma fortaleza, as imponentes muralhas e torres que circundam o povoado, mas também a igreja basílica colegial de Saint-Quiriace, que data do século XII, onde Joana d’Arc ajoelhou-se ao lado do rei Charles VII em 3 de agosto de 1429, e este escritor há cerca de um mês, mas não exatamente para rezar.

Se anda por Provins, chegará a Le Roy Lire, livraria especializada na Idade Média. Ali encontrei duas jóias que veem ao caso: um livro sobre as Foires de Champagne (Feiras de Champanhe), que reuniam comerciantes das cidades mercantes da Europa entre os séculos XII e XV. A cada ano, as cidades de Lagny-sur-Marne, Bar-sur-Aube, Troyes e Provins organizavam uma enorme feira à qual acorriam negociantes de Veneza, Florença, Gênova, Lucques, Bruges, Londres, Leipzig, Sevília, Stettin, Cracóvia, Lübeck, Barcelona, Praga, Paris, Novgorod e outras tantas.

Essas feiras precederam, por sua influência econômica e financeira, os primeiros centros financeiros internacionais. Ninguém saía andando com o dinheiro das vendas: já existiam redes bancárias e as duplicatas e ordens de pagamento emitidas em Bruges e compensadas em Veneza ou Londres.

Era preciso lidar com os incipientes caminhos cheios de grupos de assaltantes armados, da navegação aleatória em redes fluviais incertas e dos pedágios caros, para não falar de um tráfego marítimo exposto aos caprichos dos ventos e ao temor dos corsários. Goscinny conta, em um de seus Astérix: um navio de comerciantes fenícios avista um barco pirata. A reflexão de um comerciante diz tudo: “Piratas! Que má sorte! Poderiam nos afundar, ou então nos matar. Pior ainda, roubar nossas mercadorias”.

Se cada cidade possuía sua própria moeda e seu próprio sistema de pesos e medidas, os banqueiros e agentes de câmbio facilitavam os intercâmbios com uma ciência que já era milenar. O denier provinois (dinheiro de Provins) fazia as vezes do euro medieval, e a onça troy (medida de peso), que era então calculada no trébuchet (balança de precisão), continua ainda hoje sendo a referência mundial de peso para metais preciosos.

A outra joia é um livro de Jean Favier, membro do Instituto da França, ex-Diretor Geral dos Arquivos da França, e ex-presidente da Grande Biblioteca Nacional. Um erudito, o Favier. O título do seu livro diz tudo: Do ouro e das especiarias – Nascimento do homem de negócios da Idade Média.

Sua leitura oferece, para além de uma visão estereoscópica da vida medieval, um compêndio tão completo de truques, armadilhas e velhacarias que daria para poupar as cobranças das escolas de comércio. Harvard, The London School of Business and Finance, HEC Paris (Escola de Altos Estudos Comerciais de Paris) e outras instituições semelhantes são um arremedo perto dos comerciantes da Idade Média.

O livro é uma mina de ouro. Jean Favier nos conta que, entre os homens de negócios da época, “o grupo social se fecha deliberadamente para preservar e explorar suas vantagens”. Como se vê, o capítulo começa bem. Entre as vantagens, contam-se “as do reino ou cidade, a do ofício organizado, a arte ou a corporação”. Quer dizer que, no marco de determinadas fronteiras, quem exercia o poder estabelecia privilégios que a alguns caíam bem e a outros caíam mal — você sabe como é isso de livre concorrência…

Se havia concorrência, ela ocorria entre privilegiados de diferentes reinos, cidades-república ou domínios feudais. Assim, cada reino, cada cidade, cada ofício, cada corporação definia regras que dificultavam o trabalho da concorrência. “Eliminar as barreiras era desaparecer”, dizia Favier. Para definir privilégios, estabelecer barreiras, construir obstáculos, era imprescindível que “o poder público tivesse força para impô-los, e sobretudo obter a concordância, ainda melhor, a conivência dos meios de negócios”. Na Idade Média, os ricaços já manipulavam.

Os privilégios concedidos aos grandes, aos poderosos, aos peixes gordos, tornavam virtualmente impossível que surgisse um concorrente entre os peixes pequenos, “a impossibilidade para o pequeno comerciante de algum dia integrar o grupo dos comerciantes de horizontes amplos”. Soa familiar?

Em Veneza, no ano de 1297, acabaram fechando a lista das famílias mercadoras autorizadas a tomar parte do Grande Conselho. Desse modo “consolidavam-se as grandes fortunas, continham-se as audácias e cimentavam-se as mediocridades”. Não era o Chile [ou o Brasil — Nota da Tradução], mas a República de Veneza.

Biche e Mouche, comerciantes toscanos, conseguiram transformar-se nos conselheiros mais ouvidos de Felipe, o Belo, rei da França (1268-1314) “e aproveitaram-se disso sem vergonha. Reservaram para si as melhores especulações. Monopolizaram a moeda real. Receberam concessão dos impostos das Feiras de Champanhe. O privilégio de informação que confere a familiaridade com o rei lhes ofereceu muitas oportunidades no comércio e nos bancos. E seu sobrinho Tote foi o homem de negócios pessoal de Enguerran de Marigny, na época em que aquele que era chamado de vice-rei pelos invejosos transformou as relações diplomáticas – com o Papa, assim como com as cidades flamengas – numa sórdida negociata em escala europeia”. Das duas uma: ou naqueles anos não se conhecia a confiança cega, ou então eram especialistas no assunto.

Entre os anos de 1298 e 1326 sucedem-se as quebras e as crises. “A confiança afunda”. Para restaurar a confiança, parece mais útil eliminar a livre concorrência. “As empresas novatas que são formadas preferem então entender-se para não se arruinar mutuamente. Os mercados se distribuem, operam em conjunto nas praças bancárias. Cada empresa explora uma área geográfica bem definida”. Aparição – ou reaparição – dos carteis. Os Papas João XXII e Benedito XII bendizem as operações. Não inventamos nada.

“Uma das armas da livre concorrência – disse Jean Favier – é naturalmente o segredo”. Já na Idade Média. O que nos faz compreender a profundidade da “transparência” e os discursos sobre a simetria da informação, virtude sine qua non dos mercados perfeitos em que as barreiras de entrada devem ser as mesmas para todos os concorrentes. Palavrório oco.

A informação já é um ativo, um valor que não convém compartilhar com ninguém, nem sequer com os sócios que contribuem com capital: “As estruturas do capitalismo nascente – escreve Jean Favier – refletem esta preocupação: evitar que muitos sócios conheçam a realidade econômica. A prática do depósito remunerado, que atrai capitais estrangeiros no contrato constitutivo da sociedade, exclui com eficácia do conhecimento e da gestão dos negócios boa parte dos investidores. Bernard Madoff e as administradoras de fundos de pensão tiveram precursores.

Melhor ainda, “as sociedades em nome coletivo e as sociedades com filiais permitem de modo mais sutil a multiplicação de sócios, que em sua grande maioria não conhecem senão uma parte do negócio”.

Tal cidade, tal rei cobra pedágios nas pontes dos rios que cruzam seus territórios, ou exime de tais tributos determinados comerciantes, mediante retribuição. Paris exige que cada comerciante estrangeiro “se associe” a um parisiense, sob pena de exclusão de suas mercadorias. Assim nasceu – ou renasceu – o traficante de influências com entrada no palácio, o lobista, o “agente local” cujo aporte limitava-se a cobrar – naquela época – até uns 50% de lucro sem fazer absolutamente nada.

Às vezes a “livre concorrência” chega à agressão física. Os comerciantes ingleses pediram a Henri VI – no ano de 1949 – que afundasse os barcos bretões ou normandos para que pudessem “dominar os mares”.

Uma magnífica biografia de Jean-Baptiste Colbert (1619-1683) – ministro das finanças de Luis XIV e grande impulsionador do Estado no desenvolvimento econômico da França –, publicada no século XVIII, conta sobre a pirataria holandesa contra os navios mercantes franceses. E sobre a espionagem francesa que conseguiu apoderar-se das técnicas dos vidraceiros de Murano. Livre concorrência. Em matéria de pirataria, e de espionagem, os ingleses não ficam atrás. Às vezes vale a pena ler livros velhos.

Graças a estas joias da literatura econômica, à minuciosa pesquisa realizada durante décadas por verdadeiros estudiosos, ao exame de milhões de documentos comerciais dispersos por toda a Europa, cresce minha convicção: quando as grandes corporações, as multinacionais, algum chefe de Estado, dois ou três lacaios, muitos políticos, não poucos “homens de armas” e seus inúmeros criados acumulam uma rápida riqueza e transformam-se em milionários da noite para o dia, utilizam técnicas e recursos que nasceram, em alguns casos, há milênios.
Não inventamos nada nos tempos de nossa feliz modernidade.
—
[1]

¡Ay, pobre doña María,
ella que no sabe nada!
Su hijo, el de la piel manchada,
a sueldo en la policía.
Ayer, taimado y sutil,
rondando anduvo mi casa.
¡Pasa! – pensé al verle – ¡Pasa!
(Iba de traje civil).
Señora tan respetada,
la pobre doña María,
con un hijo policía,
y ella que no sabe nada.

TIMOR-LESTE | PR pede respeito e ambiente de paz e estabilidade para voto de 22 julho

O Presidente da República de Timor-Leste apelou ontem aos eleitores que votem com responsabilidade e ajudem a garantir que a campanha para as eleições de 22 de julho, que começa terça-feira, decorre num ambiente de respeito, paz e estabilidade.

"A todos os cidadãos apelo a que votem com sentido de responsabilidade e respeito. Participem no processo de campanha para ajudar a esclarecer o povo timorense. O voto é muito importante para o país", afirmou Francisco Guterres Lu-Olo numa mensagem em vídeo.

"As forças de segurança garantirão a segurança. Sei que o povo votará com sentido de responsabilidade", afirmou.

Numa mensagem transmitida na página da Presidência da República no Facebook, Francisco Guterres Lu-Olo dirige-se ao "povo de Timor-Leste" para recordar a responsabilidade de todos em eleger um Governo que terá a responsabilidade de conduzir a vida do país.

"São 21 forças políticas que correram para ter o vosso voto de confiança a 22 de julho. Uma corrida normal no sistema multipartidário e democrático que temos em Timor-Leste e onde não cabe a violência", disse.


"Peço-vos a todos que não profiram ou escrevam palavras que atinjam a dignidade dos outros. Que falem sempre respeitando os outros e as suas ideias", afirmou ainda.
O objetivo, disse Lu-Olo, é levar a cabo uma eleição "livre e democrática" em que "não haja violência organizada, sem conflito, num ambiente de paz e estabilidade".

Lu-Olo recordou que os líderes dos partidos "já assinaram a 16 de junho no Palácio do Presidente um compromisso de garantir a paz e a estabilidade" e apelou "a todos os militantes e simpatizantes dos partidos para que honrem esse compromisso".

Os eleitores timorenses escolhem a 22 de julho os 65 membros do Parlamento Nacional, tendo um boletim de voto com 20 partidos e uma coligação.

A campanha começa na terça-feira e decorre até 19 de julho, decorrendo antes do voto dois dias de reflexão e que permitem que os timorenses se desloquem para votar nos locais onde estão recenseados.

SAPO TL com Lusa

Também publicado em TIMOR AGORA 

Timor-Leste | PST ENTREGA MENSAGEM AO PRESIDENTE LU ÓLO

Mensagem do PST entregue ao Presidente da República de Timor-Leste durante o encontro com dirigentes partidários

Sua Excelência
Presidente da República Democrática de Timor-Leste
Dr. Francisco Guterres Lu Ólo

Exmos. Senhores líderes dos Partidos Políticos de Timor-Leste

Díli, 16 de Junho de 2017

Respeitosos cumprimentos.

Estamos hoje aqui reunidos no Palácio Presidencial para falarmos sobre a consolidação dos Partidos e sobre a paz e estabilidade em contexto de eleições legislativas.

A “paz” (do latim Pax) é uma palavra geralmente entendida como um estado de calma e tranquilidade, ou seja, quando estamos em “paz” não há preocupações, nem agitações.


Se “paz” significa bem-estar e felicidade, perguntamos, será que o povo timorense está em paz?

Será que os nossos agricultores e assalariados estão calmos, tranquilos e felizes? Estão em paz?

Estas são perguntas que devemos fazer a todos nós, com total responsabilidade, principalmente em contexto de eleições legislativas e enquanto candidatos ao Parlamento Nacional.

Ao pensarmos na Constituição da RDTL, em particular nos artigos referentes aos direitos e deveres económicos, sociais e culturais, depressa concluiremos que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançarmos a paz.

Segundo a constituição da RDTL, entre outros objectivos:

O “Estado promove a criação de cooperativas de produção e apoia as empresas familiares como fontes de emprego”; “Todos os cidadãos têm direito à segurança e à assistência social nos termos da lei”; “Todos têm direito à saúde e à assistência médica e sanitária e o dever de as defender e promover”; “Todos têm direito para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar; “Todos têm direito à igualdade de oportunidades de ensino e formação profissional”.

Para o PST, Partido Socialista de Timor, o compromisso com a paz e a estabilidade estão directamente ligados aos objectivos defendidos no seu programa partidário conducente ao cumprimento da Constituição da RDTL, ao bem-estar do povo, e à construção da paz e da estabilidade.

A paz não é somente a ausência de guerra entre países ou entre pessoas.

Para o PST, paz é garantir que todos tenhamos casa com dignidade, que os agricultores possam trabalhar as suas terras, que os estudantes tenham apoios sociais diversos, e que todos os timorenses tenham acesso à saúde, à educação e ao trabalho, construindo-se o amor, a paz e a compreensão.

Nestes termos, o Partido Socialista de Timor,

Iluminado pelos princípios e objectivos enunciados na Constituição da República Democrática de Timor-Leste e na Carta Universal dos Direitos do Homem;

Sentindo que os partidos políticos timorenses podem e devem contribuir para a promoção e reforço da paz, da democracia, do Estado de direito, da segurança e do desenvolvimento do país;

Decidido em contribuir para a promoção dos valores universais e dos princípios da democracia e dos direitos humanos;

Preocupado em contribuir para a promoção de uma cultura de alternância política com base em eleições legislativas verdadeiramente justas e livres supervisionadas por um órgão eleitoral independente nos termos da Constituição da RDTL;

Defende que,

Os partidos políticos desempenham um papel fundamental na consolidação da democracia e da paz porque representam várias ideologias e convicções políticas existentes na sociedade.

Uma das principais razões e importância dos partidos políticos nas eleições legislativas é que estando devidamente registados e aprovados pelo Tribunal de Recurso podem apresentar candidatos ao Parlamento Nacional que por sua vez, depois de eleitos, irão debater e procurar soluções para os inúmeros problemas e desafios que atormentam a nossa sociedade.

A construção da paz e da estabilidade é um processo delicado e complexo que exige o empenho e dedicação de todos os partidos políticos, principalmente aqueles que integram os órgãos do poder e decidem sobre a definição das políticas necessárias à governação e ao desenvolvimento sustentável de Timor-Leste.

Muito obrigado pela Vossa atenção.

Viva a paz e a estabilidade em Timor-Leste! Viva o Povo Timorense!

Com a mais elevada consideração,

O Secretário-Geral do PST, M. Azancot de Menezes

O Vice-Presidente do PST, Constâncio dos Santos /Akita Tama Laka

Também publicado em TIMOR AGORA 

ANTES E DEPOIS | O verão da tolerância zero de António Costa

Bernardo Ferrão | Expresso | opinião

Haverá um antes e um depois do incêndio de Pedrógão para o Governo de António Costa? Há, sem dúvida.

No ano e meio que já leva de chefia de Governo, Costa conseguiu somar uma alta popularidade. Não era fácil para alguém que não ganhou as eleições e a quem a direita teimava em chamar “primeiro-ministro ilegítimo”. Mas além das conquistas alcançadas na frente económica e política, o primeiro-ministro trouxe a confiança que faltava aos portugueses.

Só que depois de Pedrógão um novo filme começou a correr. Na entrevista que deu à TVI, Costa quis fazer o chamado “damage control” e responder aos “porquês?”, mas saltou à vista o seu desconforto. A falta de confiança na atuação das autoridades. Logo ele, ex-ministro da Administração Interna, que sabe como poucos o que é lidar com fogos desta dimensão.

As coisas não correram bem e Costa não pôde deixar de admitir o óbvio: houve descoordenação no terreno. Mas, sublinhe-se, a situação foi de tal forma grave e rápida no tempo que redundou numa série de acontecimentos que correram da pior forma. Um exemplo perfeito da Lei de Murphy. Ainda sem culpados.

Não se trata aqui de apontar o dedo a ninguém. Haverá certamente culpas mas essa é tarefa da investigação. No entanto, acredito que depois de Pedrógão a vida deste governo não será exatamente a mesma. O nível de tolerância com o Executivo será menor. É difícil imaginar como será a reação do país se, nos próximos meses, surgirem novas mortes em incêndios descontrolados. Reparem que o verão ainda mal começou.

Dirá o leitor que estou a agoirar. Nada disso! O que vos falo é de um historial que conhecemos de cor. Décadas de incêndios, ano após ano, e de erros sistemáticos que nunca são corrigidos apesar das muitas promessas que se fazem quando as cinzas ainda estão quentes. Vejam a vergonha do SIRESP: custa uma fortuna mas serve-nos de pouco. O Estado já nos falhou muitas vezes, mas desta vez foi diferente. Há 64 mortos e mais de 200 feridos. A nossa confiança esmoreceu.

Num artigo duro sobre o que se está a passar em Portugal, o correspondente do “El Mundo” escrevia que esta tragédia pode por fim à carreira política de António Costa. A profecia parece-me claramente exagerada, mas toca numa questão que está ainda adormecida no debate: quais são as consequências políticas? É lícito concluir que se fosse com outro Governo, e sobretudo com outra oposição, a discussão política já teria subido de tom. A ausência e a fragilidade política de Passos Coelho, o discurso alinhado das esquerdas - que agora até “rezam” pela chuva - e os abraços “reconfortantes” de Marcelo no terreno têm evitado a contestação ao poder político.

Sim, ao poder político. Na verdade, não podemos olhar para o que se passou e concentrar as nossas acusações apenas e só na liderança de António Costa. As culpas repartem-se por quem nos governou nos últimos anos de mão dada com muitos interesses: o PS de António Costa esteve lá mas também o PSD de Passos Coelho. Fizeram-se muitas leis, mas faltou um olhar de conjunto para este enorme problema. O desígnio nacional que não existiu não pode agora ser resolvido à pressa como quer Marcelo no seu afã de agradar ao povo (e ficar bem na fotografia). 64 vidas… O verão será de tolerância zero para António Costa.

Agora é ele que representa o Estado, que uma vez mais não nos soube proteger.

Foto Reuters

DESORGANIZAÇÃO | Deputado do PSD diz que a sua filha foi mandada para a “estrada da morte”

Dois sociais-democratas que estiveram no terreno denunciaram esta manhã, na reunião do grupo parlamentar, uma campanha de “propaganda sem respeito pelo que aconteceu” durante os incêndios na zona Centro. Dizem que falhou a primeira resposta às chamas, o sistema de comunicação e a coordenação de meios. Um deputado contou que andou a deslocar familiares e que a sua filha foi mandada para a “estrada da morte”, mas decidiu tomar outro caminho

Foram testemunhos muito duros, comovidos e revoltados, conta quem assistiu: dois deputados do PSD que nos últimos dias estiveram nos locais dos grandes incêndios do centro do país, foram esta quinta-feira à reunião do grupo parlamentar social-democrata denunciar uma realidade que nada tem a ver com o discurso oficial de que foi feito tudo o que podia ter sido feito para combater os fogos.

"A Proteção Civil falhou redondamente", afirmou Pedro Pimpão, deputado eleito por Leiria, que por várias vezes se emocionou durante o seu relato. Também Maurício Marques, eleito por Coimbra, descreveu dias de confusão e descoordenação entre as autoridades, contando as dificuldades por que passou para conseguir tirar familiares de locais onde a Proteção Civil não chegou.

Pedro Pimpão, que desde sábado até quarta-feira esteve nos concelhos afetados, afirmou a sua revolta por ouvir um discurso oficial que não bate certo com a realidade em que esteve mergulhado nos últimos dias. "Custa-me ver esta propaganda sem respeito pelo que aconteceu", afirmou o deputado, ouvido em total silêncio pelos seus colegas de bancada, durante a reunião que decorreu, ao fim da manhã desta quinta-feira, à porta fechada.

De acordo com fontes sociais-democratas que estiveram no encontro, o deputado de Leiria reconheceu que é preciso respeitar o luto, mas acrescentou que "já chega" e que "é preciso que as pessoas saibam a verdade". E a verdade que relatou foi assim: falhou a primeira ajuda após o início do incêndio, falhou o sistema de comunicação e, por isso, falhou a coordenação de meios.

"TEMOS O DEVER DE NÃO DEIXAR ISTO SER SILENCIADO"

Pedro Pimpão deu conta de aldeias completamente isoladas, sem qualquer tipo de apoio, pessoas que pediram ajuda "a meio da tarde", "muito antes das mortes", sem que nunca aparecesse ajuda alguma. E, contou, o centro de saúde de Castanheira de Pera estava fechado e quando abriu não tinha material. "Os deputados do PSD têm o dever de não deixar isto ser silenciado", exortou o parlamentar leiriense.

Também Maurício Marques, deputado eleito por Coimbra e ex-autarca de Penacova, contou o que viveu no terreno: teve de se fazer à estrada para retirar vários familiares que não conseguiam o apoio das autoridades e chegou a receber instruções de um responsável da Proteção Civil para seguir por uma estrada que, afinal, estava fechada. Contou também que a sua filha foi encaminhada para a "estrada da morte", e só se salvou porque decidiu tomar outra direção. E viu gente a seguir em direção ao incêndio sem que qualquer autoridade os travasse.

O clima, durante a reunião, foi muito pesado e os relatos reforçaram a convicção de que há muitas perguntas por fazer e responsabilidades por apurar. "Já é óbvio para toda a gente que houve muitas falhas e que a falta de coordenação foi gritante", diz um deputado com ligação aos distritos atingidos, lamentando que Marcelo Rebelo de Sousa tenha sido o primeiro a lançar a ideia de que foi feito tudo o que era possível.

Filipe Santos Costa | Expresso | Foto Lucília Monteiro

Angola | PRATO CHEIO

Kumuênho da Rosa| Jornal de Angola | opinião

O dia político ontem bem pode ser considerado prato cheio. A poucas semanas do início oficial da campanha eleitoral foi interessante acompanhar as três principais forças políticas mostrarem ao que vêem.

Apesar de ser ainda prematuro tirar-se conclusões sobre o que podem vir a ser os resultados das eleições de 23 de Agosto, o certo é que facilmente se percebe que estas eleições não serão iguais a qualquer outra das três até aqui realizadas. Mas há-de interessar sempre uma apreciação, de certo modo, sobre as leituras possíveis e imaginárias à volta das escolhas dos candidatos em relação aos locais para desenvolverem actividades.

Este fim de semana temos Isaías Samakuva, o candidato da UNITA na Huíla, um território que segundo as contas da CNE e os dados do Censo da População e Habitação representa a segunda maior praça eleitoral, enquanto Abel Chivukuvuku faz o seu trabalho na província do Zaire, outra praça eleitoral importante.

Do ponto de vista da história, essas duas províncias foram claramente dominadas pelo MPLA nos últimos actos eleitorais, e a deslocação dos candidatos da UNITA e da CASA-CE tanto podem ser entendidas como incursões atrevidas em zonas proibidas ou demonstrações de vontade de disputar voto por voto ali onde se pensa ou se entende como zonas de influência de outro partido.

Mas o país inteiro pôde acompanhar essas movimentações de três dos candidatos às eleições de 23 de Agosto através dos meios de comunicação e das redes sociais. Em matéria de eleições as redes sociais representam um avanço portentoso, no que respeita ao acompanhamento e mesmo o escrutínio dos actos dos candidatos durante as diferentes fases do processo.

É proibido ignorar o facto de hoje, por causa das facilidades das novas tecnologias de informação e comunicação, claramente impulsionadas pela Internet, aportam ao processo eleitoral uma dinâmica incomparavelmente superior à que tínhamos com os meios convencionais, como a rádio e a televisão.

Hoje não é necessário pôr aparelhos de televisão por todos os compartimentos da casa ou andar de cima para baixo com o rádio colado ao ouvido para se acompanhar as notícias e estar actualizado em relação ao que se passa no país e no mundo. E isso em época de eleições faz toda a diferença. Na cozinha ou na casa de banho o eleitor pode acompanhar o candidato, desde que tenha consigo um aparelho conectado à internet.

Mas esse avanço tecnológico não afasta, muito menos diminui a responsabilidade dos meios convencionais, e este fim-de-semana ficou demonstrado que apesar do avanço célere das tics, os meios convencionais mantêm o seu espaço e importância. E foi por essa via que o país e o mundo puderam testemunhar mais um dia de actividade de actores políticos, com aspirações de poder, num ambiente de estabilidade, como se vê noutras latitudes.

É deste ambiente que os eleitores e que os angolanos de um modo geral precisam. Foram muitos anos de instabilidade e de uma guerra fratricida, que desaconselha a qualquer atitude, que ponha em causa a paz e a estabilidade tão duramente conseguida. Seja nos meios convencionais, públicos ou privados, seja nas redes sociais, é responsabilidade de todos trabalhar para o melhor uso da comunicação, que é sem dúvida uma ferramenta tão importante na vida de qualquer sociedade.

Quanto ao “prato cheio” deste fim-de-semana político, em qualquer um dos casos ficou o registo de capacidade de mobilização. Mas importa salientar a diferença de velocidades com que se movem as máquinas de campanha. Disse-o bastas vezes que o MPLA é a candeia que vai na frente. Tem claramente definidos os seus objectivos e mantém-se focado neles, faça sol ou faça chuva. Candidatos, Programa de Governo, Manifesto Eleitoral… processos com timings e estratégias claramente definidos. Tudo ali, certinho. A concorrência também tem a sua estratégia. A UNITA focada em afirmar-se como segunda força política, faz por marcar presença no espaço mediático, mas revela alguma dificuldade para resistir à tentação de atacar a Comissão Nacional Eleitoral com tudo o que lhe chega à mão.

A CASA-CE procura transparecer maior equilíbrio e coerência no discurso. Pela voz do deputado André Mendes de Carvalho ouvimos uma declaração que bem pode ser considerada das mais ajustadas à realidade e às aspirações de um candidato.

O candidato a Vice-Presidente da República pela única coligação de partidos na corrida às eleições de 23 de Agosto assume que antes de atacar as regras e fomentar crispações, só para alhear-se das culpas pelos maus resultados, era melhor assumir os erros e trabalhar mais para consolidar as conquistas alcançadas. Um exercício de elevação que fica bem a qualquer um.

*Artigo de opinião no JA em 18 de Junho de 2017