quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Universidade de Évora identifica local na costa portuguesa com capacidade estimada para armazenar pelo menos 93 milhões de toneladas de CO


Reservatório offshore a 22 quilómetros da Figueira da Foz, com capacidade de armazenamento superior a 93Mt, poderá acolher um projeto-piloto de armazenamento geológico. Roteiro prevê primeira injeção experimental em 2031–2032, dependendo de financiamento, autorizações e dos resultados das fases de caracterização.

Évora, 03 de outubro de 2026
Portugal identificou um local concreto no offshore nacional onde poderá ser testado o armazenamento geológico de dióxido de carbono (CO₂). O reservatório situa-se na Bacia Lusitaniana, a cerca de 22 quilómetros ao largo da Figueira da Foz, em formações rochosas centenas de metros abaixo do fundo marinho.
Os estudos desenvolvidos pela Universidade de Évora no âmbito do projeto PilotSTRATEGY, desenvolvido em colaboração com a GALP e o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, apontam para uma capacidade de referência de pelo menos 93 milhões de toneladas de CO₂ no local selecionado.
“Temos identificado e estudado um local concreto onde poderá ser realizado um projeto-piloto de armazenamento geológico de CO₂ em Portugal”, explica Júlio Carneiro, professor do Departamento de Geociências da Universidade de Évora, investigador do CREATE e responsável pelo projeto.
O CO₂ seria injetado a cerca de 1.200 metros abaixo do nível do mar, num reservatório de arenito, “uma rocha porosa com bastante permeabilidade”, ficando retido nos poros entre os grãos, atualmente preenchidos por água de elevada salinidade. O reservatório geológico é sobreposto por rochas de muito baixa permeabilidade, que impedem a migração do CO₂ para a superfície.
O objetivo imediato não é armazenar dezenas de milhões de toneladas, mas efetuar um projeto-piloto para testar o comportamento do reservatório no terreno. O roteiro estudado prevê uma campanha de prospeção sísmica 3D em 2027–2028, a perfuração de um poço de injeção em 2030 e uma injeção experimental durante cerca de 12 meses, em 2031–2032, seguida de monitorização pelo menos até 2034.
Este calendário está, contudo, dependente da disponibilidade de financiamento, das autorizações necessárias e dos resultados obtidos em cada etapa.
“A prioridade é efetuar uma campanha de prospeção sísmica 3D que permita conhecer melhor a continuidade das formações geológicas em profundidade e identificar eventuais falhas que possam constituir um risco de fuga do CO₂”, explica Júlio Carneiro.
O piloto deverá injetar menos de 100 mil toneladas de CO₂ e terá finalidade científica, não comercial. Deverá permitir confirmar experimentalmente a capacidade efetiva de injeção, acompanhar o comportamento do CO₂ no reservatório, avaliar a evolução da pressão e testar a capacidade de retenção das formações selantes.
CO₂ capturado na cimenteira de Souselas poderá ser transportado por comboio e navio
Uma das soluções estudadas permite testar toda a cadeia de transporte com uma infraestrutura permanente reduzida. O conceito prevê o recurso a CO₂ capturado na cimenteira de Souselas e o seu transporte por comboio em contentores criogénicos até ao porto da Figueira da Foz e, daí, por navio até ao local de armazenamento. O navio faria a ligação direta ao poço e permitiria a injeção do CO₂.
“Esta solução permite testar a cadeia com um mínimo de infraestrutura permanente, sem necessitar de uma plataforma offshore ou gasodutos”, explica Júlio Carneiro.
O custo estimado para o projeto-piloto é de cerca de 98 milhões de euros, num intervalo entre 90 e 120 milhões, não incluindo a unidade de captura de CO₂ na fábrica de Souselas.
Uma possível infraestrutura nacional de CO₂
Em paralelo, o projeto CTS (Carbon Transport and Storage) estudou diferentes possibilidades para criar uma futura infraestrutura nacional de transporte e armazenamento de CO₂, incluindo redes de gasodutos e soluções combinando gasodutos com transporte marítimo.
Os setores do cimento e da cal surgem entre os principais potenciais utilizadores. A tecnologia poderá também ter interesse para a indústria da pasta e papel, nomeadamente no caso do CO₂ de origem biogénica, cuja captura e armazenamento permanente poderá, em determinadas condições, ser considerado como remoção de CO2 da atmosfera.
Para Júlio Carneiro, o armazenamento geológico poderá ser uma opção para setores industriais onde outras alternativas de descarbonização não podem ser utilizadas para reduzir as emissões de CO2.
“Continuar a investigação sobre captura e armazenamento de CO₂ é essencial para sabermos em que condições esta tecnologia pode contribuir para esse objetivo e para manter em Portugal a atividade dos setores de difícil descarbonização”, afirma.
O investigador acrescenta que “existe legislação sobre armazenamento geológico de CO₂”, mas considera que a participação das entidades competentes num eventual piloto poderá ajudar a clarificar procedimentos e competências fundamentais para uma futura fase comercial.
Antes de qualquer eventual infraestrutura industrial de grande escala, será necessário confirmar no terreno os resultados obtidos através dos modelos geológicos e das simulações. O projeto-piloto será precisamente essa etapa: passar dos estudos e modelos para a demonstração experimental do armazenamento de CO₂ no subsolo marinho português.
“Portugal assumiu o objetivo de neutralidade climática em 2045 e há setores industriais para os quais as soluções disponíveis são limitadas. Continuar a investigação sobre captura e armazenamento de CO₂ é essencial para sabermos em que condições esta tecnologia pode contribuir para esse objetivo e para manter em Portugal a atividade dos setores de difícil descarbonização”, conclui Júlio Carneiro.

Contactos: Divisão de Comunicação da Universidade de Évora
*Andreia Rosa [Coordenação] 
**Marco Cardoso [Ciência e Investigação] 
***Pedro Conceição [Institucional] 

Centro Municipal de Marcha e Corrida de Águeda distinguido com selo prata pela Federação Portuguesa de Atletismo

Distinção reconhece a qualidade do trabalho desenvolvido pelo CMMCA, que conta atualmente com 725 pessoas inscritas e mais de mil utilizadores

O Centro Municipal de Marcha e Corrida de Águeda (CMMCA) foi premiado com o Selo Prata do Programa Nacional de Marcha e Corrida (PNMC), uma iniciativa da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) e do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), que reconhece o trabalho realizado pelos Centros de Marcha e Corrida em todo o país.
A distinção foi entregue no âmbito do Encontro Nacional dos Centros de Marcha e Corrida, realizado no passado sábado, dia 3 de outubro, em Oliveira do Bairro, que reuniu mais de 350 participantes, entre praticantes e técnicos de diferentes Centros de todo o país.
O encontro nacional proporcionou um dia dedicado à atividade física, ao convívio e à partilha de experiências, incluindo uma caminhada/mini trail e um almoço-convívio. Durante a tarde, aconteceram diversas atividades entre os participantes, culminando com a cerimônia de entrega dos Selos de Ouro e de Prata.
Para Edson Santos, vice-prefeito de Águeda, “este Selo Prata representa o reconhecimento de um trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo de 12 anos de atuação do CMMC de Águeda e que tem mobilizado nossa população, promovendo saúde, bem-estar e qualidade de vida para todos”.
O responsável pela área de Esportes ressalta que “mais do que os números, que demonstram bem a dimensão que o projeto alcançou, é importante destacar a proximidade com as pessoas e a capacidade de levar atividade física para diferentes freguesias do município”. “Queremos que cada vez mais pessoas encontrem nesse programa uma forma simples, acessível e regular de cuidar da saúde e melhorar a qualidade de vida”, completa.
O reconhecimento acontece num momento de crescimento do PNMC, que registou um aumento de 32% no último ano, contando atualmente com 65 Centros em todo o país. Para a época 2026/2027, a expectativa é de continuidade deste crescimento, destacando-se ainda a possibilidade de os atletas federados se inscreverem no PNMC sem custos.
12 anos a promover atividade física e estilos de vida saudáveis
O CMMC de Águeda assinalou, em abril deste ano, 12 anos de atividade, período durante o qual tem vindo a afirmar-se como uma resposta municipal de promoção da atividade física, da saúde e do bem-estar. Atualmente, o CMMCA conta com 725 pessoas inscritas e mais de 1000 usuários, mantendo presença regular em nove freguesias do município, numa lógica de proximidade e incentivo à adoção de estilos de vida ativos.
Entre as iniciativas promovidas, destaca-se o programa “Caminhar pela Natureza”, uma das ações com maior adesão, que contempla etapas realizadas em diferentes locais do município, proporcionando aos participantes a prática de atividade física em contato com a natureza e contribuindo, simultaneamente, para a valorização do território e do patrimônio natural de Águeda.
As caminhadas temáticas e solidárias, bem como as avaliações físicas gratuitas, integram igualmente o conjunto de ações desenvolvidas pelo Centro, procurando responder a diferentes públicos e promover uma prática desportiva acessível e regular.
Em 2026, o CMMCA reforçou ainda a sua intervenção na área da saúde, passando a disponibilizar aconselhamento nutricional aos participantes. Esta nova valência pretende complementar a prática de exercício físico com um acompanhamento mais abrangente, reforçando a importância da alimentação e de hábitos de vida saudáveis para o bem-estar e a qualidade de vida.
O reconhecimento do CMMCA integra-se numa estratégia municipal mais ampla de promoção da atividade física e do desporto enquanto instrumentos de saúde, inclusão e qualidade de vida.
Este percurso tem sido acompanhado por diversos reconhecimentos externos ao trabalho desenvolvido pelo Município de Águeda na área do desporto, incluindo a distinção de Município Amigo do Desporto, bem como o reconhecimento de projetos como o “Desporto para Todos” e o “Pedal in Águeda”, distinguidos no âmbito do Prémio de Excelência Autárquica.

*Ana Sofia Pinheiro
Técnica Superior
Gabinete de Comunicação e Imagem

Águeda | “Bicicleta vai à Escola” ensina mobilidade segura e sustentável desde a infância

Projeto municipal começou hoje na Escola da Trofa e vai abranger, ao longo do ano letivo, todos os alunos do 3.º ano de escolaridade do concelho, abrangendo mais de 450 alunos

Teve início hoje, na Escola da Trofa, o arranque deste ano letivo do projeto “Bicicleta vai à Escola”, uma iniciativa do Município de Águeda que promove, desde a infância, uma relação positiva, segura e responsável com a bicicleta e com o espaço público.
Dirigido a todos os alunos do 3.º ano de escolaridade das escolas do concelho, o projeto pretende trabalhar a bicicleta enquanto meio de transporte, instrumento de atividade física e veículo de promoção de uma mobilidade mais sustentável, através de uma abordagem que combina educação rodoviária, segurança, autonomia, atividade física e sensibilização ambiental.
A iniciativa integra o programa municipal “Pedal in Águeda”, que promove a utilização da bicicleta, a mobilidade suave e a adoção de estilos de vida ativos e saudáveis, reunindo diferentes projetos dirigidos a públicos diversos, entre os quais o “Bicicleta vai à Escola”, “Escolas com Pedal”, “Águeda Bike 4 Kids” e “Águeda Bike Ativa”.
“Educar para a mobilidade é também educar para a cidadania e para a responsabilidade”, afirma Edson Santos, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Águeda, sublinhando que “é desde cedo que se começam a construir hábitos e comportamentos que podem acompanhar as crianças ao longo da vida”.
“Queremos que esta seja uma aprendizagem que ultrapasse os muros da escola”, refere Edson Santos. “Quando uma criança aprende a circular de bicicleta com segurança, a compreender as regras e a valorizar formas de mobilidade mais sustentáveis, esse conhecimento pode chegar também às famílias e ter impacto na comunidade. É essa cultura de mobilidade ativa que queremos ajudar a construir em Águeda”, disse.
O projeto está na sua 6.ª edição (iniciou no ano letivo 2021/2022), tendo abrangido, até este momento, mais de 1980 alunos no total. Na edição deste ano, espera-se envolver mais de 450 alunos dos 3 agrupamentos do concelho (Águeda, Águeda Sul e Valongo do Vouga) do 3.º ano do Ensino Básico, o que fará com que mais de 2.400 crianças tenham contacto com a bicicleta.
Educação rodoviária e mobilidade sustentável
A educação rodoviária assume uma dimensão central no “Bicicleta vai à Escola”. Para além de aprenderem ou aperfeiçoarem as suas competências na utilização da bicicleta, os alunos vão trabalhar regras de circulação, sinalização, comportamentos seguros e princípios de segurança rodoviária.
Através destas aprendizagens, pretende-se reforçar a consciência das crianças relativamente aos riscos e responsabilidades associados à utilização do espaço público, quer enquanto ciclistas, quer enquanto peões e futuros utilizadores de outros meios de transporte.
A iniciativa tem também uma componente ligada à promoção de estilos de vida ativos e saudáveis, valorizando a bicicleta como instrumento de atividade física e contribuindo para o desenvolvimento das capacidades motoras, da autonomia e da confiança das crianças.
A dimensão ambiental constitui igualmente uma vertente importante do projeto, permitindo abordar conceitos associados à mobilidade sustentável, à redução da dependência do automóvel, à diminuição das emissões e à criação de espaços públicos mais seguros, acessíveis e centrados nas pessoas.

Projeto chega a todas as escolas do concelho
O “Bicicleta vai à Escola” vai decorrer ao longo dos três períodos letivos, abrangendo progressivamente os diferentes agrupamentos de escolas do concelho.
No 1.º período, a iniciativa decorre no Agrupamento de Escolas de Valongo do Vouga; no 2.º período, chega ao Agrupamento de Escolas de Águeda; e, no 3.º período, será desenvolvido no Agrupamento de Escolas de Águeda Sul.
Esta calendarização permite assegurar que todos os alunos do 3.º ano de escolaridade do concelho têm acesso à mesma oportunidade de aprendizagem, independentemente da escola que frequentam.
Para além das atividades desenvolvidas em contexto escolar, os alunos terão ainda a oportunidade de visitar e conhecer o Águeda Bike Park, contactando com um espaço de referência ligado à bicicleta e colocando em prática, num contexto diferente e seguro, algumas das competências adquiridas ao longo do projeto.

*Ana Sofia Pinheiro
Técnica Superior
Gabinete de Comunicação e Imagem



 

Silves | DISCUSSÃO PÚBLICA DO PLANO DE PORMENOR DE PÊRA SUL TEM INÍCIO A 07 DE OUTUBRO

 Decorre de 07 de outubro a 03 de novembro de 2026, o período de discussão pública da proposta de Plano de Pormenor de Pêra Sul (PPPS), aprovada na reunião da Câmara Municipal de Silves (CMS) de 22 de setembro de 2026.
 
O PPPS, com proximidade à vila de Pêra, enquadra-se na estratégia de desenvolvimento territorial definida pelo Município de Silves, que, apostando numa política pública de promoção da atratividade e competitividade territorial, nomeadamente incentivando a oferta de habitação e o reforço de infraestruturas e equipamentos públicos, em complemento e harmonia com os espaços urbanos contíguos, garante a salvaguarda e valorização dos recursos existentes, com destaque, no caso em apreço, para o património natural e paisagístico.
Durante este período, os interessados poderão apresentar reclamações, observações ou sugestões, devendo utilizar, para o efeito, a ficha de participação disponível em, https://www.cm-silves.pt/pt/menu/1020/pp-de-pera-sul-elaboracao.aspx,  e remetê-la para a Câmara Municipal de Silves, Largo do Município, em Silves, ou através do endereço eletrónico dogu.ordenamento@cm-silves.pt.
 
Os documentos que integram a proposta de plano (incluindo o relatório ambiental, o parecer final, a ata da conferência procedimental, os demais pareceres emitidos e os resultados da concertação) podem ser consultados e descarregados através do link anteriormente mencionado ou consultados presencialmente na Divisão de Ordenamento e Gestão Urbanística, Ordenamento do Território, da Câmara Municipal de Silves (mediante marcação prévia), ou na Freguesia de Pêra.
 
Procurando assegurar a maior transparência no processo e o envolvimento da população na concretização de mais uma solução que reforça a oferta de habitação no concelho de Silves, o Município de Silves vai realizar uma sessão pública de esclarecimento no próximo dia 12 de outubro, pelas 21h00m, no Centro Pastoral de Pêra, para a qual convida todos os interessados a participar.
 
Mais se informa que, tratando-se este de um procedimento que visa a elaboração de plano territorial municipal, o mesmo encontra-se alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, concretamente com o ODS 11 - Cidades e comunidades sustentáveis, ODS 6 - Água potável e saneamento, ODS 8 - Trabalho digno e crescimento económico, e ODS 16 - Paz, justiça e instituições eficazes, para referenciar apenas os mais relevantes.