terça-feira, 22 de agosto de 2023

Será rir mesmo o melhor remédio?


Uma recente revisão da literatura realizada no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) sugere que o humor está associado a um aumento do bem-estar, nomeadamente do bem-estar psicológico.
Raquel Oliveira, aluna do Doutoramento em Psicologia do Iscte e primeira autora deste trabalho, explica que “Não se sabe ao certo porque é que as pessoas riem, mas há evidências de que possa estar relacionado com a socialização. Por exemplo, as pessoas tendem a rir mais na presença de outras, e o humor tem sido associado ao fortalecimento de laços sociais”. Para além do seu valor social, o humor e o riso têm sido associados a diferentes tipos de bem-estar.

A equipa de investigação pretendia compreender a relação entre o humor e o bem-estar. Patrícia Arriaga, investigadora do CIS-Iscte e orientadora de Raquel, esclarece que “Existem muitas teorias sobre o humor e o bem-estar, e cada teoria tem o seu próprio entendimento destes dois conceitos. Isto é um desafio quando se tenta compreender se o humor tem um impacto no bem-estar das pessoas, porque depende do estilo de humor e do tipo de bem-estar considerados”. Ao analisar 128 estudos empíricos com participantes adultos, a equipa de investigação quis resumir sistematicamente as evidências da associação entre o riso, o humor e o bem-estar. Para isso, analisaram diferentes componentes do humor, como os estilos de humor e os estilos de comédia.

Segundo Raquel Oliveira, “Os estilos de humor referem-se às formas habituais como as pessoas utilizam o humor no seu quotidiano e podem ser classificados em quatro categorias: afiliativos (positivos, dirigidos aos outros), auto-reforçadores (positivos, dirigidos a si próprio), agressivos (negativos, dirigidos aos outros) e auto-destrutivos (negativos, dirigidos a si próprio)”. Os estilos de comédia baseiam-se na literatura clássica do humor e incluem diferentes tipos de humor, como a sátira, a ironia e a comédia física. Já o riso, por sua vez, é um tipo específico de vocalização que está tipicamente (mas nem sempre) associado ao humor. A investigadora refere ainda que “também encontrámos estudos que exploraram a forma como as pessoas utilizam o humor como mecanismo para lidar com o stress e a adversidade (humor de “coping”), e o sentido de humor – a capacidade do indivíduo para perceber e apreciar o humor”.

Esta revisão debruçou-se sobre as diferentes dimensões do bem-estar, nomeadamente o bem-estar psicológico, físico, social e geral. João Barreiros, terceiro autor do artigo, explica as diferenças entre elas: “O bem-estar psicológico refere-se à avaliação subjetiva que um indivíduo faz da sua própria vida, incluindo o sentido de propósito e o crescimento pessoal, por exemplo. O bem-estar físico refere-se à saúde física de um indivíduo e o bem-estar social está relacionado com um sentimento de pertença e de ligação aos outros. O bem-estar geral refere-se ao sentido mais global de felicidade e satisfação com a vida.”

Os resultados da revisão de literatura indicam que os estilos de humor parecem ser os mais investigados. Os resultados deste conjunto de estudos apoiam a ideia de que os estilos de humor positivos (afiliativos e auto-reforçadores) estão associados a um maior bem-estar psicológico. Verificou-se também uma associação entre os estilos de humor positivos e o bem-estar social e geral. Embora a relação entre o humor e o bem-estar físico seja menos explorada na literatura, os resultados sugerem que o humor auto-reforçador está associado a um maior bem-estar físico. No entanto, não se observou uma associação consistente entre quaisquer outros estilos de humor e o bem-estar físico. Por fim, as intervenções baseadas no riso e no humor produziram resultados positivos em muitas dimensões do bem-estar, especialmente no bem-estar psicológico.

Em suma, este estudo fornece evidências da importância do humor na promoção do bem-estar e salienta os potenciais benefícios de cultivar estilos de humor positivos, em particular o humor auto-reforçador. Embora a equipa de investigação reconheça a limitada evidência empírica que existe na literatura relativamente à associação entre humor e bem-estar físico, considera que a sua natureza positiva estabelece um caminho promissor para investigação futura. Além disso, “estes resultados podem ter implicações importantes para intervenções destinadas a melhorar o bem-estar, em particular o bem-estar psicológico”, conclui Raquel Oliveira.

Pedro Simão Mendes
Comunicação de Ciência (CIS-Iscte) 
Fonte: APImprensa

Bioblitz da Universidade do Minho identifica 160 espécies de fauna e flora no centro de Braga

Melros, sapos, rabirruivos, poupas, toupeiras, alvéolas-brancas, nenúfares, dedaleiras, choupos, medronheiros, mentas, chapins ou líquenes. Estas foram algumas das 163 espécies identificadas por várias dezenas de pessoas, durante uma manhã, no parque desportivo da Rodovia e na vizinha ecovia do rio Este, em Braga. Chamada “Bioblitz”, a iniciativa partiu da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) e desafiou o público a encontrar espécies vivas naqueles locais. Tratou-se do primeiro evento em Braga a antecipar a Noite Europeia dos Investigadores, que se realiza a 29 de setembro em toda a Europa.
No total, registou-se 384 observações na aplicação online iNaturalist, onde é possível ver agora as fotos tiradas pelos participantes e a fauna e flora elencadas. “Correu muito bem, com pessoas e famílias curiosas, em especial as crianças, muito entusiasmadas e a quererem ‘carregar’ espécies na aplicação, desde aves, peixes, répteis, batráquios, insetos, líquenes e plantas. Se o sol tivesse aparecido, haveria mais insetos, como as borboletas”, assinalou Alexandra Nobre, professora do Departamento de Biologia da ECUM. O “Bioblitz” juntou naturalistas, cientistas e cidadãos, promovendo a “ciência cidadã” e momentosde convívio em prol da conservação da biodiversidade, da gestão ambiental e de decisões políticasinformadas.

Pais, filhos e avós à descoberta
A chuva miudinha não impediu os participantes de andarem de telemóvel ou máquina fotográfica na mão à procura das espécies. Sem saber o que iam encontrar, jovens e menos jovens deixaram-se por vezes conduzir pelos elementos da ECUM e tiraram fotos ao que iam encontrando, descarregando-as com o respetivo local e hora e identificando as espécies. “Encontrei insetos e plantas. Na edição de 2022, no campus de Gualtar, só identifiquei plantas”, disse Alice Afonso, com 11 anos e o sonho do curso de Biologia. A seu lado seguiam o pai, a mãe, a irmã e o avô. “É a segunda vez que participamos e as miúdas gostam”, avançou a mãe Marta, professora. O avô Agostinho não deixava escapar nenhuma espécie. “Gosto de tudo o que tem a ver com natureza. Só fiz a quarta classe, mas tenho a experiência de vida”, assegurou o vimaranense de 82 anos.

Município alia-se

O “Bioblitz” tem a colaboração do Município de Braga, que se fez representar pelo vereador do Ambiente e Alterações Climáticas. Altino Bessa considerou a iniciativa “muito positiva” e destacou as intervenções da autarquia na última década para melhorar a qualidade da água e o repovoamento do rio Este. “Havia grandes agentes poluidores e temos vindo a ‘degolar’ essas descargas”, disse, lembrando que em torno da área onde decorreu o “Bioblitz” “vivem mais de 100 mil pessoas e há indústrias, empresas e restaurantes”.
O município está também a cadastrar a rede de águas pluviais na envolvente do rio para identificar ligações irregulares. Desenvolve ainda um projeto de renaturalização do Este, tendo já efetuado um repovoamento com duas mil trutas. “Precisamos de mais corredores verdes e galeria ripícola, para aumentar a biodiversidade e para o aparecimento de espécies como a lontra, que não era avistada desde 2016”, concluiu Altino Bessa.

Universidade do Minho
Fonte: APImprensa

Novo tipo de estrela dá-nos pistas sobre a origem misteriosa das magnetars

As magnetars são os ímanes mais fortes do Universo. Estas estrelas mortas super densas com campos magnéticos extremamente fortes podem ser encontradas em toda a parte na nossa Galáxia, mas os astrónomos não sabem exatamente como é que estes objetos celestes se formam. Agora, usando vários telescópios de todo o mundo, incluindo infraestruturas do Observatório Europeu do Sul (ESO), os investigadores descobriram uma estrela viva que provavelmente se transformará numa magnetar. Este resultado marca a descoberta de um novo tipo de objeto astronómico — estrelas magnéticas massivas de hélio — e ajuda-nos a investigar as origens das magnetars.
Apesar de já ter sido observada há mais de 100 anos, a natureza enigmática da estrela HD 45166 continua a não ser facilmente explicada por modelos convencionais e pouco se sabe sobre este objeto para além do facto de pertencer a um binário de estrelas, ser rica em hélio e ser algumas vezes mais massiva que o nosso Sol.
“Esta estrela tornou-se um pouco uma obsessão minha,” diz Tomer Shenar, autor principal de um estudo sobre este objeto publicado hoje na revista Science e astrónomo na Universidade de Amesterdão, Países Baixos. “Tomer e eu referimo-nos à HD 45166 como a ‘estrela zombie’,” confessa a co-autora e astrónoma do ESO Julia Bodensteiner, que trabalha na Alemanha. “E não é apenas pelo facto desta estrela ser tão única, mas também porque eu digo a brincar que este objeto consegue transformar o Tomer num zombie.”
Tendo já estudado anteriormente várias estrelas ricas em hélio, Shenar teve a ideia de que os campos magnéticos poderiam ajudar a explicar o comportamento desta estrela. De facto, sabe-se que os campos magnéticos influenciam o comportamento das estrelas e por isso talvez pudessem explicar também por que é que os modelos tradicionais falharam na descrição da HD45166, a qual se localiza a cerca de 3000 anos-luz de distância da Terra, na constelação do Unicórnio. “Lembro-me de ter tido um ‘momento eureka’ enquanto lia alguns artigos da literatura e pensar: ‘Então e se a estrela for magnética…?’,” comenta Shenar, atualmente a trabalhar no Centro de Astrobiologia de Madrid, em Espanha.
Shenar e a sua equipa prepararam-se para estudar esta estrela utilizando várias infraestruturas de todo o mundo. As observações principais foram efetuadas em Fevereiro de 2022 com um instrumento montado no Telescópio Canadá-França-Hawaii, o qual pode detectar e medir campos magnéticos. A equipa utilizou também dados de arquivo obtidos com o instrumento FEROS (Fiber-fed Extended Range Optical Spectrograph), no Observatório de La Silla do ESO, no Chile.
Assim que teve acesso a todas a observações, Shenar pediu ao co-autor Gregg Wade, especialista em campos magnéticos estelares, do Colégio Militar Real do Canadá, para examinar os dados. A resposta de Wade confirmou o palpite de Shenar: “Bom, meu amigo, o que quer que esta coisa seja, é definitivamente magnética!”
A equipa de investigadores descobriu que a estrela tem um campo magnético extremamente forte, de 43 000 gauss, o que faz da HD 45166 a estrela massiva mais magnética encontrada até à data. “Toda a superfície da estrela de hélio tem um campo magnético quase 100 000 mais forte que o da Terra” explica o co-autor Pablo Marchant, astrónomo no Instituto de Astronomia da KU Leuven, Bélgica [ver correção].
Esta observação marca a descoberta da primeira estrela magnética massiva de hélio. “É muito excitante descobrir um novo tipo de objeto astronómico,” diz Shenar, “especialmente quando esteve este tempo todo ‘escondido de rabo de fora’.”
Adicionalmente, esta descoberta dá-nos pistas sobre a origem das magnetars — estrelas mortas compactas permeadas por campos magnéticos pelo menos um milhar de milhões de vezes mais fortes do que o da HD45166. Os cálculos da equipa sugerem que esta estrela irá terminar a sua vida como uma magnetar. À medida que for colapsando sob a sua própria gravidade, o seu campo magnético irá fortalecer-se e eventualmente a estrela tranformar-se-á num núcleo muito compacto com um campo magnético de cerca de 100 biliões de gauss — o tipo de íman mais poderoso do Universo.
Shenar e a sua equipa descobriram igualmente que a HD 45166 tem uma massa mais pequena do que a registada anteriormente, cerca de duas vezes a massa do Sol, e que a sua companheira orbita a uma distância maior do que o que se supunha antes. Para além disso, este trabalho indica que a HD 45166 se formou através da fusão de duas estrelas mais pequenas ricas em hélio. “Os nossos resultados alteraram radicalmente a nossa compreensão da HD 45166,” conclui Bodensteiner.

Observatório Europeu do Sul
Fonte: APImprensa

Cosmos

O termo “cosmos” tem várias interpretações e significados, dependendo do contexto em que é usado. Geralmente, cosmos refere-se ao universo como um todo, abrangendo tudo o que existe, desde estrelas e planetas até galáxias e todas as formas de matéria e energia. Nesse sentido, cosmos é o sistema organizado e em constante expansão que compreende o espaço, o tempo e todas as leis físicas e naturais que o regem.

A palavra “cosmos” tem origem na palavra grega “kosmos”, que significa “ordem” ou “beleza”. Essa origem reflete a ideia de que o universo possui uma estrutura organizada, em que os corpos celestes, como estrelas, planetas e galáxias, seguem padrões e leis previsíveis e entendíveis.
O estudo científico do cosmos e do universo é designado por cosmologia. A cosmologia investiga a origem, a evolução, a estrutura e a composição do universo, bem como as leis fundamentais da física que o governam. Através de observações, experiências e modelos teóricos, os cientistas buscam compreender as forças e fenómenos que moldam o cosmos.
A cosmologia moderna revelou-nos uma série de descobertas fascinantes sobre o universo. Por exemplo, descobrimos que o universo está em constante expansão desde o seu início, há cerca de 13,8 mil milhões de anos, num evento designado por Big Bang. Também foi observado que a matéria visível, como estrelas e galáxias, representa apenas uma pequena fração da composição total do cosmos, sendo a maior parte composta por matéria escura e energia escura, que ainda são áreas de investigação e compreensão ativas.
Além disso, a exploração espacial e o avanço da tecnologia permitiram que os seres humanos testemunhassem a beleza e a diversidade do cosmos através de telescópios, sondas espaciais e missões espaciais. Através dessas explorações, fomos capazes de obter imagens impressionantes de estrelas, nebulosas, galáxias distantes e outros objetos cósmicos, despertando um senso de admiração e curiosidade sobre o nosso lugar no vasto cosmos.
O cosmos não é apenas um objeto de estudo científico, mas também um tema de reflexão filosófica e contemplação espiritual. Muitas culturas e civilizações ao longo da história desenvolveram mitologias, cosmogonias e cosmologias próprias para explicar a origem e o significado do cosmos. Essas perspectivas variam, mas geralmente refletem a busca humana por compreender nossa existência e nosso papel no universo.
Em resumo, o cosmos refere-se ao universo como um todo, abrangendo tudo o que existe e as leis naturais que o governam. É um tema fascinante e complexo que nos desafia a explorar e entender as maravilhas do espaço e do tempo.

António Piedade
Fonte: APImprensa

Depressão: Que história acha que os seus netos lhe vão pedir para contar?

 Em saúde mental temos uma medida chamada DALY: Disability Adjusted Life Years (em português – AVAI: Anos de Vida Ajustados por Incapacidade) que mede o peso da doença expressa no número de anos perdidos por questões de doença.
No mundo, no TOP 1 dos DALY temos a depressão, independentemente der se ser homem ou mulher. Em segundo lugar, enquanto que nos homens aparece o álcool, nas mulheres surge a ansiedade. A ansiedade nos homens aparece em terceiro lugar, sendo nas mulheres este lugar ocupado pela enxaqueca.
A depressão é o transtorno mental mais comum que actualmente atinge um número cada vez maior de pessoas no mundo. A depressão é mais do que apenas tristeza. A depressão é uma doença real e traz consigo um alto custo em termos de problemas de relacionamento, sofrimento familiar e perda de produtividade.
No entanto, a depressão é uma doença altamente tratável, com técnicas de psicoterapia (coping = lidar com as situações, cognitivo-comportamental = pensamentos e comportamento) e nalguns casos também medicação.
As pessoas com depressão podem sentir falta de interesse e prazer em actividades diárias, perda ou ganho de peso significativo, insónia ou sono excessivo, falta de energia, incapacidade de concentração, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
Estas pessoas às vezes precisam de ajuda psicológica. Principalmente quando elas ou quem está à sua volta percebe que não estão a funcionar tão bem como podiam.
Quanto mais cedo se procurar ajuda profissional, melhor. Psicólogo ou também juntamente um psiquiatra. Há casos em que uma combinação de terapia e medicação antidepressiva pode ajudar a garantir a recuperação. Os psicólogos podem ajudar estas pessoas e as suas famílias a lidar com problemas de depressão.
Felizmente, a depressão é tratável. O isolamento social aumenta o risco de depressão. Mas acontece que passar muito tempo a discutir problemas também pode aumentar a depressão.
Hábitos saudáveis como a prática de um tipo de exercício físico que lhe dê prazer e uma dieta saudável, principalmente saber tomar melhores decisões sobre o que come e ter sempre no prato várias cores, são um tratamento efectivo e económico para a depressão e podem ajudar na prevenção e tratamento de outras doenças, como por exemplo a obesidade.
Marta Pimenta de Brito (Psicóloga)
Fonte: APImprensa

Os ursos polares comem pinguins?


Imagine um urso polar. E agora tente um pinguim. Porque será que um não come o outro? Esta e outras perguntas têm sido essenciais para transferir conhecimentos básicos sobre geografia, biologia, física e até línguas nas nossas escolas. Como biólogo marinho a estudar estes animais na Antártida desde 1997, tenho ido a inúmeras escolas a mostrar que os cientistas podem não ter óculos fundos de garrafa, podem não usar sempre a bata de laboratório e que também adoram seguir o nosso Sporting, Benfica ou Porto (ou qualquer outro clube). Sim, os cientistas também têm sentido de humor, podem ser simpáticos e a nova geração de jovens cientistas provam isso.
Agora já não são só os documentários da BBC a falar da natureza. São os nossos próprios cientistas Portugueses que vão a áreas remotas do planeta, como o Ártico e a Antártida, para desvendar questões importantes para a ciência e para a Humanidade. Nas escolas, menciono que também TU (os alunos) podes seguir a carreira que desejas, só tens de dar o teu melhor na escola. Para ser cientista, ou qualquer outra profissão, é importante gostar muito do que se faz, mas é tão importante ser bom também, e ter espírito de sacrifício e muita dedicação. O papel dos pais, dos avós e da restante família, da escola e da sociedade são muito importantes. Evidencio nas palestras que, apesar de querer ser jogador de futebol (eu queria ser o Figo!), também tentava tirar boas notas na escola, e que foi muito importante dedicar-me a todas as disciplinas. Como biólogo marinho, foi essencial ser bom a biologia, mas também no inglês (como falaria com os meus colegas estrangeiros?), na matemática (como analisaria os meus dados?), na educação física (como poderia trabalhar na Antártida se não estivesse em forma?) e em todas as restantes disciplinas. Ainda hoje reencontro conceitos de matérias dadas nas aulas, que só agora compreendo serem importante para o que faço. O segredo é incutir nos nossos filhos/netos/bisnetos que não basta gostar, é preciso ser bom também. A minha Avô sempre dizia que “o conhecimento não ocupa espaço, e ele irá sempre contigo e ajudar-te-á todos os dias…por isso, toca a estudar!”. E para se ser bom é preciso dedicação e trabalho, tal como o Cristiano Ronaldo que treina mais que os outros…dando sempre o seu melhor.

Deve estar ainda curioso(a) para saber porque é que os ursos polares não comem pinguins? Bem, os ursos polares vivem na região Ártica do nosso planeta e os pinguins só vivem no hemisfério sul. Resumindo: eles vivem em partes diferentes do planeta, daí não ser possível os ursos polares comerem pinguins.

Através da ciência que faço, e dando exemplos como este acima, pretende-se transmitir os valores que a escola e a sociedade deverão transmitir às gerações mais novas. Ao fim das palestras, nada me deixa mais feliz do que ouvir que “eu quero ser é engenheiro! Mas agora sei que, para o conseguir, vou ter de estudar tudo!”. Nem mais…

José Xavier (Cientista polar português)
Fonte: APImprensa

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

QS europeu: Francisca Veselko alcança 3º lugar em Lacanau

Surfista portuguesa chegou hoje às meias-finais da 2ª etapa do circuito de qualificação regional europeu 2023/2024.
Francisca Veselko alcançou hoje o 3º lugar no Lacanau Pro, QS1000 e 2ª etapa do circuito de qualificação regional europeu 2023/2024 que se realizou em Lacanau, França.

A surfista nacional chegou às meias-finais onde perdeu com o score de 9.00 pontos (5.83 + 3.17) para a basca Nadia Erostarbe que fez 11.50 pontos (6.67 + 4.83) e viria, mais tarde, a vencer o campeonato.

Desta forma, ao não conseguir chegar à final, a campeã nacional de 2021 perdeu a oportunidade de defender o seu título conquistado com uma vitória nesta etapa no ano passado.

Em termos de ranking, a atual campeã europeia, Yolanda Hopkins, ocupa a 2ª posição enquanto que Francisca Veselko está em 9º lugar.

No masculino, o melhor atleta português no Lacanau Pro foi Francisco Almeida que terminou em 13º lugar e ocupa agora a 27ª posição do ranking.

A próxima etapa do circuito de qualificação europeu é o Pro Anglet, QS3000 que se realiza de 22 a 27 de Agosto em Anglet, França.

Fotos: Francisca Veselko em Lacanau. (Crédito: Damien Poullenot / World Surf League)