segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Mensagem do Conselho de Administração da ULS Alto Alentejo a propósito do dia Mundial da Fisioterapia

 Hoje celebramos o trabalho incansável, a dedicação e o impacto transformador dos nossos Fisioterapeutas na vida dos utentes da ULS do Alto Alentejo.
A todos os Fisioterapeutas que, com profissionalismo, empatia e competência, promovem a reabilitação, a autonomia e a qualidade de vida dos nossos cidadãos — o nosso mais profundo agradecimento.
O Vosso contributo é essencial para a Construção  de uma Comunidade Saudável, mais Humano, próximo e eficaz.
Obrigado por cuidarem com as mãos, com o saber e com o Coração ♥️
Este ano, a ULS Alto Alentejo celebra esta data com várias iniciativas alinhadas com o seu eixo estratégico “Cuidar de quem cuida”, direcionando a atenção para a Saúde Ocupacional dos seus profissionais, sob o lema:
 “A cuidar e a permitir cuidar”
As atividades incluem:
Exposição de testemunhos e estudos de caso no hall de entrada dos hospitais de Portalegre e Elvas, com divulgação em diversos canais digitais.
Atividade prática “Movimento é Saúde”, em várias unidades da ULS Alto Alentejo, com exercícios em grupo para sensibilizar e capacitar os profissionais de saúde para a prática de atividade física em contexto laboral, promovendo o bem-estar e prevenindo queixas relacionadas com o trabalho.
Contamos com o envolvimento de todos para tornar este momento uma celebração do cuidado, da prevenção e da valorização dos nossos profissionais.




Portalegre | Mulheres marcam colheita de sangue em Montargil

A outrora capital do pêssego do Alentejo, graças aos extensos pomares e qualidade comprovada dos seus apetitosos frutos, recebeu uma brigada estival. Mais uma iniciativa abraçada pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – e da Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE. Fomos recebidos no centro de saúde desta localidade do concelho de Ponte de Sor, no qual entraram 23 voluntários, 15 deles do sexo feminino (65,2 %, o que é uma marca a ser realçada).
De Montargil seguiram, para as reservas regionais, 23 unidades de sangue total, dado que todos os inscritos estavam em condições de estender o braço.
Uma mulher doou sangue pela primeira vez na vida – e que bom se outros lhe seguirem o exemplo.
O almoço, servido aos dadores e equipas no final da manhã, contou com o apoio da Junta de Freguesia de Montargil.
No kartódromo de Portalegre
Sábados de manhã têm lugar as nossas colheitas. Todos estão convidados a ir ao kartódromo de Portalegre a 20 de setembro, no contexto do 26.º aniversário do Grupo Motard Novo Milénio. Na sede do Rancho Folclórico de Arronches temos encontro marcado a 27 de setembro
Contamos com a sua partilha! E que tal visitar: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/


domingo, 7 de setembro de 2025

CCDR CENTRO DISTINGUE CARLOS COUCEIRO COMO EMPREENDEDOR 50+ DA REGIÃO CENTRO EM 2025

 
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, I.P. (CCDR Centro) distingue amanhã, dia 8 de setembro, o empresário Carlos Couceiro como Empreendedor 50+ da região Centro em 2025. A cerimónia de distinção terá lugar nas instalações da empresa Measindot - Engineering Lda, propriedade do Empreendedor, localizada na Mealhada.

A iniciativa Empreendedor 50+ da região Centro, que conta já com seis edições, é promovida pela CCDR Centro, em parceria com 25 entidades da região, e tem como objetivo valorizar publicamente empreendedores com trajetórias de vida inspiradoras, além de incentivar o espírito empresarial em pessoas com mais de 50 anos.

Sendo a região Centro uma região envelhecida e a envelhecer rapidamente, importa criar condições para que cada vez mais pessoas se mantenham ativas por mais tempo, prolonguem ou alterem as suas carreiras profissionais e se envolvam na transmissão e partilha de conhecimentos, dando assim um valioso contributo para a economia e para a sociedade. Com esta iniciativa, a CCDR Centro vai ao encontro desse desígnio regional e contribui para o combate ao idadismo.

Os candidatos a esta distinção são indicados pelas entidades parceiras (Associações Empresariais, Comunidades Intermunicipais, Parques de Ciência e Tecnologia, Instituto do Emprego e Formação Profissional, Portugal Inovação Social e Turismo Centro de Portugal). Todas as candidaturas são analisadas por um júri, constituído por representantes de entidades relacionadas com o emprego, o empreendedorismo e o envelhecimento ativo e saudável.

Além do reconhecimento e distinção do Empreendedor 50+, o prémio inclui a atribuição, pela CCDR Centro, de cheques-prenda no valor total de 5.000 mil euros, destinados a instituições com impacto social e cultural na região Centro. Este ano, as entidades beneficiadas serão:

.Centro de Santo Amaro da APPACDM de Anadia (indicada pelo Empreendedor 50+), que receberá 4.000 euros.
.Casa dos Pobres de Coimbra (indicada pelo IPN – Instituto Pedro Nunes, entidade que propôs o empresário distinguido nesta edição), que receberá 1.000 euros.
As instituições têm sede na Mealhada e em Coimbra, reforçando assim o impacto territorial desta distinção.

Programa:
16h00 – Receção de Convidados
16h15 – Sessão de Abertura
16h30 – Distinção do Empreendedor 50+ da Região Centro
16h45 – Entrega de prémios às entidades sociais
Centro de Santo Amaro da APPACDM de Anadia (indicado pelo Empreendedor 50+)
Casa dos Pobres de Coimbra (indicada pela Entidade Parceira – Instituto Pedro Nunes)
17h00 – Sessão de Encerramento
Isabel Damasceno - Presidente da CCDR Centro

Nota: Mais informações sobre o empreendedor Carlos Couceiro podem ser consultadas em: https://envelhecimentoaocentro.ccdrc.pt/Empreendedor50.aspx?ano=2025

Opinião | O lado negro do prémio Nobel do português Egas Moniz


O nome de António Egas Moniz ocupa um lugar singular na história portuguesa. Médico e homem de ciência, tornou-se conhecido por uma operação que hoje se reconhece como um erro doloroso: a lobotomia. O procedimento consistia em cortar ligações no cérebro de doentes mentais graves. O resultado raramente correspondia às promessas iniciais. Muitos pacientes ficavam apáticos, sem energia e sem identidade, sobrevivendo sem verdadeira vida.

A prática espalhou-se com rapidez. Nos Estados Unidos, milhares de pessoas foram operadas. Na Dinamarca, de forma que causa espanto, o método prolongou-se até ao início da década de 80, aplicando-se mesmo a cidadãos com deficiência mental. O prolongamento desta intervenção revela até que ponto a medicina pode iludir-se com falsas soluções.
A carreira de Egas Moniz não se limitou a este campo. Conquistas anteriores no estudo do cérebro deram-lhe reconhecimento internacional. Em 1949, o Prémio Nobel coroou esse percurso, com particular destaque para a lobotomia. O Estado Novo aproveitou o momento para apresentar Portugal como país capaz de se afirmar na ciência mundial, transformando a distinção em propaganda nacional.
Lisboa foi o palco das experiências que abriram caminho ao prémio. Hospitais ligados à Universidade serviram de espaço para a aplicação da técnica, apoiada por organismos oficiais que financiavam a investigação. A celebração internacional acabou por premiar uma prática que poucos anos depois cairia em descrédito.
A vida de Egas Moniz teve ainda outros contornos. Político ativo na Primeira República, afastou-se da cena pública com a ascensão de Salazar. Escritor e intelectual, publicou obras variadas que confirmam o seu interesse pelo debate de ideias. Já doente, recebeu o Nobel em sua casa, sem nunca viajar a Estocolmo.
O médico cruzou-se também com figuras inesperadas. Fernando Pessoa foi um dos seus pacientes, em 1907, e saiu da consulta com a recomendação de praticar exercício físico. A reação do poeta, marcada pela ironia, ficou registada: para ser cadáver, apenas lhe faltava morrer.
A memória de Egas Moniz oscila entre a luz e a sombra. O génio que procurou respostas para os enigmas do cérebro foi também o homem que acreditou numa solução brutal. O Nobel de 1949 permanece como símbolo dessa ambiguidade: motivo de orgulho nacional, mas também recordação do lado negro da ciência quando se esquece da dignidade humana.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Obra contou com um apoio municipal de 98.400 euros. Grupo Desportivo de Sepins inaugurou nova bancada coberta


Foi um dia de festa em Sepins, este sábado, 6 de setembro, com o clube local a dar mais um passo importante na requalificação do recinto desportivo. Com efeito, foi inaugurada a nova bancada coberta do Campo de Futebol Eng.º Barreiros, que vem trazer outra comodidade a quem assiste aos jogos, mas também permite um apoio diferenciado à atividade desportiva.
A sessão contou com a presença da presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, do vereador do Desporto, Adérito Machado, do presidente da União de Freguesias de Sepins e Bolho, Luís Arromba, do presidente do Grupo Desportivo de Sepins, António Santos, além de dirigentes e atletas do clube e população local.
Na ocasião, a presidente da autarquia destacou o importante trabalho no domínio desportivo, mas também social, que o clube desenvolve, elogiando o espírito de comunidade de todos quantos trabalham em prol do desenvolvimento do Grupo Desportivo de Sepins e da própria freguesia.
A autarca enfatizou ainda a importância que o clube dá ao futebol de formação, com todos os benefícios que daí decorrem, nomeadamente na adoção de comportamentos mais ativos e saudáveis.
Para avançar com a construção desta importante estrutura, com capacidade para mais de 200 lugares sentados, o clube contou com um apoio da Câmara Municipal de 98.400 euros, ao abrigo do Subprograma 3 do Regulamento de Apoio ao Associativismo Desportivo, que prevê apoio a obras de beneficiação/requalificação e apetrechamento de equipamentos desta natureza.
Com trabalho meritório no futebol de formação, o Grupo Desportivo de Sepins terá na época desportiva 2025/26 6 escalões até aos sub-13, num total aproximado de 70 atletas. Conta ainda com uma equipa sénior, que disputa o segundo escalão mais importante das competições da Associação de Futebol de Coimbra.

Fim de vida para o Ferry "Cale de Aveiro" Caixa de entrada Simao Santana


Aveiro, 06 de setembro – O antigo Ferry Boat “Cale de Aveiro”, que saiu de operação a 01 de fevereiro de 2024 e foi substituído pelo novo ferry 100% elétrico “Salicórnia”, deixou na manhã deste sábado (06 de setembro), o cais de São Jacinto com destino a Lisboa, onde será abatido física e formalmente.
Após a realização de um procedimento por hasta pública para alienação e abate da embarcação, que ficou deserto, a Câmara Municipal de Aveiro (CMA) decidiu avançar com a aquisição direta de serviços especializados de remoção, transporte, desmantelamento e abate, adjudicando o contrato ao agrupamento de empresas Navalrocha – Sociedade de Construção e Reparação Navais, S.A. / ETE – Fluvial, S.A. / Batistas – Reciclagem de Sucatas, S.A., no valor global de 39.200€.
O “Cale de Aveiro”, construído em 1960 e adquirido pelo Município em 2001, desempenhou durante mais de duas décadas um papel essencial na ligação fluvial entre São Jacinto e o Forte da Barra, antes de ser substituído pelo “Salicórnia”. A nova embarcação, financiada pelo POSEUR, Portugal 2020 e União Europeia através do Fundo de Coesão, num investimento global de cerca de 10 milhões de euros, entrou em operação a 02 de fevereiro de 2024, garantindo zero emissões de CO2 e uma redução de cerca de 30% no consumo energético face ao modelo anterior.
Com a saída do “Cale de Aveiro” para abate, a CMA dá cumprimento às obrigações assumidas junto dos financiadores (Fundo Comunitário do PT2020 - POSEUR) no âmbito do projeto de renovação do Transporte Fluvial Municipal, encerrando em definitivo o ciclo de vida do histórico Ferry, cuja operação representava elevados custos de manutenção e uma pegada ecológica de cerca de 300 toneladas de CO2 por ano.

*Simão Santana
Adjunto do Presidente da Câmara Municipal de Aveiro

sábado, 6 de setembro de 2025

Opinião - Quando um barco foi em direção a Timor-Leste

 Em março de 1992, um pequeno barco ousou desafiar o silêncio cúmplice das potências e a indiferença da comunidade internacional. O Lusitânia Expresso, navio fretado por cidadãos portugueses e estrangeiros, partiu de Lisboa com destino a Dili, Timor-Leste, num gesto simbólico de repúdio à ocupação indonésia após o massacre de Santa Cruz.
A bordo seguiam personalidades de relevo. Entre elas estava o médico Rui Marques, fundador do Movimento para a Independência de Timor-Leste (MEP) e coordenador da Missão Paz em Timor, que dedicara a sua vida cívica ao compromisso com a autodeterminação timorense. Com ele, viajavam ainda figuras como João Bosco Mota Amaral, então presidente da Assembleia da República, Almeida Santos, Medeiros Ferreira, representantes da Igreja, jornalistas e jovens ativistas que viam naquela viagem uma forma de transformar indignação em ação.
O barco nunca chegou a Dili. Interceptado por navios de guerra indonésios ao largo de Timor, foi obrigado a inverter a rota. Mas essa derrota física transformou-se em vitória política. As imagens correram o mundo: Portugal, pequena nação europeia, confrontava a Indonésia perante as câmaras, revelando a assimetria gritante entre cidadãos desarmados e fragatas militares. A operação deu visibilidade internacional à causa timorense, pressionou as Nações Unidas e reforçou a solidariedade entre a diáspora e Lisboa.
Os resultados não foram imediatos, mas foram palpáveis. O massacre de Santa Cruz deixou de ser apenas um episódio esquecido em Jacarta: passou a estar inscrito na consciência europeia e americana. A insistência portuguesa ganhou força diplomática, e a causa timorense consolidou-se no debate internacional até culminar no referendo de 1999, que conduziu à independência do novo Estado em 2002. Rui Marques continuou, entretanto, a liderar iniciativas de solidariedade, ajudando estudantes timorenses, participando na criação da Associação 12 de Novembro e, mais tarde, no Centro Juvenil Padre António Vieira em Díli.
Hoje, quando outro barco se dirige para Gaza, muitos recordam o precedente timorense. Também agora, o gesto não se mede pela robustez do casco, mas pelo valor simbólico de enfrentar uma injustiça. Se o Lusitânia Expresso mostrou que a persistência da solidariedade podia abalar o silêncio de um império, o navio que segue para Gaza inscreve-se na mesma tradição: a de que, por vezes, é no frágil movimento das embarcações civis que a História encontra o seu rumo.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor