sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Estudo da UC conclui que a diabetes dificulta o tratamento de infeções dentárias


A diabetes dificulta a cicatrização das infeções ósseas dos maxilares de origem dentária, devido à alteração do processo de formação de novos vasos sanguíneos e consequente deficiência de irrigação sanguínea, indica um estudo realizado por uma equipa do Instituto de Endodontia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

Para chegar a esta conclusão, a equipa de investigadores, liderada pelo professor Manuel Marques Ferreira, avaliou o sucesso de desvitalizações dentárias realizadas em doentes diabéticos, entre 2015 e 2021, e comparou com os resultados obtidos em doentes não diabéticos.

Foi também efetuado um estudo sobre a evolução das infeções dos ossos maxilares de origem dentária e os possíveis mecanismos envolvidos nesse processo, em ratos diabéticos e não diabéticos.

Esta investigação teve como objetivo compreender a associação entre o resultado do tratamento endodôntico e a diabetes mellitus e as alterações do processo angiogénico. A endodontia, explicam os autores do trabalho, é um ramo da medicina dentária que se dedica a tratar doenças «que atingem a parte interna do dente, nervos e vasos sanguíneos, ou prevenir e tratar infeções ósseas dos maxilares com origem em traumatismos ou cárie dentária, através do procedimento clínico conhecido por desvitalização do dente».

Os resultados obtidos «revelam a influência que a cárie dentária não tratada e as infeções ósseas consequentes têm na saúde da população, em particular nos doentes que sofrem de patologias sistémicas como a diabetes», afirma José Pedro Martinho, docente da FMUC e membro da equipa, que inclui também Ana Coelho, Salomé Pires, Margarida Abrantes, Siri Paulo, Ana Catarina Carvalho, Eunice Carrilho, Miguel Marto, Maria Filomena Botelho e Paulo Matafome.

Este trabalho científico, designado “Impairment of the angiogenic process may contribute to lower success rate of endodontic treatments in diabetes mellitus”, foi distinguido recentemente com o prémio “First Overall Best Scientific Presentation”, atribuído no “12th IFEA World Endodontic Congress 202ONE” da Federação Internacional das Associações de Endodontia, que decorreu na Índia.

Cristina Pinto

Bolsonaro garante que irá à Assembleia Geral da ONU mesmo sem estar vacinado

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que recusa vacinar-se contra a covid-19, afirmou que participará ainda assim na Assembleia Geral da ONU, na próxima semana, em Nova Iorque, onde deverá ser exigido um certificado de vacinação.

"Estarei na Assembleia Geral da ONU na próxima semana. Darei o discurso de abertura [na terça-feira]. Um discurso sereno, bastante objetivo, focado nos pontos de interesse para nós", disse Bolsonaro na quinta-feira (madrugada de sexta-feira em Lisboa), no seu tradicional discurso semanal nas redes sociais, apontando como exemplos a gestão da pandemia no Brasil, os agronegócios e a energia.

O chefe de Estado, infetado com o coronavírus no ano passado, reafirmou também que não vai tomar a vacina, defendendo que já está imunizado.

"Você toma a vacina para quê? Para ter anticorpos, não é isso? A minha taxa de anticorpos está lá em cima", disse Bolsonaro.

"Para que é que eu vou tomar? Todo mundo já tomou vacina no Brasil? Depois que todo mundo tomar vou decidir meu futuro aí", acrescentou o chefe de Estado, falando ao ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Queiroga, a quem mostrou um documento alegadamente com resultados a um exame médico.

Em resposta, o ministro disse a Bolsonaro: "O senhor precisa se vacinar".

A participação de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU foi posta em causa na quarta-feira, quando o líder da Assembleia, Abdulla Shahid, anunciou que todos os participantes devem estar vacinados, citando uma política da cidade de Nova Iorque, que impôs a apresentação de um certificado de vacinação para ter acesso à reunião.

O comissário da Saúde da cidade, Dave Chokshi, sublinhou que o anfiteatro da Assembleia Geral era "um centro de convenções" sujeito às mesmas regras que a maioria dos espaços de atividade interior em Nova Iorque.

No entanto, horas mais tarde, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que não podia impor essa restrição aos chefes de Estado.

Até ao momento, ainda não ficou claro como é que a regra será aplicada. Os porta-vozes de Shahid e Guterres disseram que as discussões estão em andamento, e o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stephane Dujarric, sugeriu que poderá haver "uma solução aceitável para todos".

A questão sobre se Bolsonaro será, eventualmente, vacinado ainda é tema de especulação no Brasil, onde a covid-19 já matou mais de 589 mil pessoas.

Em números absolutos, o Brasil é o segundo país do mundo com maior número de óbitos, depois dos Estados Unidos.

A vacinação contra a doença no Brasil encontra-se agora num ritmo mais acelerado, após um início lento, o que levou o número de mortes a diminuir significativamente no país.

Reconhecido mundialmente pela sua capacidade de realizar campanhas em massa de imunização em tempo recorde, este país de 213 milhões de habitantes só iniciou a vacinação contra a covid-19 em meados de janeiro, mais de um mês após a maioria dos países europeus ou da vizinha Argentina.

Quando as vacinas estavam prestes a ser lançadas, no final do ano passado, Jair Bolsonaro foi intransigente, dizendo repetidamente que não se vacinaria, nem obrigaria ninguém a fazê-lo.

"Não vou tomar a vacina, ponto final", disse o chefe de Estado em dezembro passado. Já em abril, o mandatário afirmou que só decidirá se receberá o antídoto "depois de o último brasileiro ter sido vacinado e se sobrarem vacinas".

Invocar a liberdade pessoal combina com a sua ampla oposição às restrições impostas por governadores para impedir a propagação do vírus. Bolsonaro, um cético em relação à gravidade da pandemia e defensor de fármacos sem eficácia contra a doença, continua a declarar que ninguém deve ser impedido de "ir e vir" quando quiser.

Na sua primeira participação na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2019, Bolsonaro protestou contra o socialismo e contra o que descreveu como sensacionalismo da imprensa em relação aos incêndios na Amazónia.

No ano seguinte, num vídeo gravado, Bolsonaro afirmou que o Brasil foi vítima de desinformação ambiental e ressaltou o prejuízo económico causado pelas recomendações de isolamento social face à pandemia.

Este ano, mais de 100 chefes de Estado e 23 ministros planeiam fazer discursos na ONU pessoalmente. Outros líderes falarão por vídeo, a única opção disponível no ano passado.

Por tradição, o líder brasileiro fala em primeiro lugar e é seguido pelo homólogo norte-americano. A administração de Bolsonaro tem trabalhado para demonstrar a Joe Biden, Presidente dos EUA, o seu compromisso em conter a desflorestação na Amazónia, tema que poderá ser abordado no seu discurso.

Lusa

Imagem: DN

SÃO ROBERTO BELLARMINO

 Quarto centenário da morte do maior polemista da história da Igreja

Bispo e cardeal, consultor das principais congregações do Vaticano e um dos mais temíveis adversários do protestantismo, escreveu inúmeras obras exegéticas, pastorais, ascéticas e apologéticas de grande valor, bem como uma obra mais popular, “Breve doutrina Cristã”, catecismo com o qual se tornou o “mestre” de muitas gerações de crianças. A Igreja celebra sua festividade em 17 de setembro.

Plinio Maria Solimeo

Roberto Francesco Romolo nasceu no dia 4 de outubro de 1542 em Montepulciano, numa família nobre empobrecida formada por Vicente Bellarmino e Cíntia Cervine, irmã do Cardeal Marcelo, elevado depois ao papado com o nome de Marcelo II.

         Muito dotado, estudou no colégio jesuíta de sua cidade. Ainda menino, sabia Virgílio de cor, compôs poemas em italiano e em latim, dominava o violino e já era hábil nos debates.

         Vendo suas belas qualidades, o pai desejava que Roberto seguisse a carreira política. Mas a mãe o queria na Companhia de Jesus, Ordem então no auge de seu fervor. Prevaleceu a influência materna e Roberto ingressou no noviciado jesuíta de Roma em 1560, ali permanecendo por três anos. Depois foi para Mondovi, no Piemonte, onde aprendeu tão rapidamente o grego que passou a lecioná-lo no colégio jesuíta dessa cidade e no de Florença.

Roberto Bellarmino foi ordenado sacerdote em Gant, na Bélgica, em 1570. Tornou-se então professor de teologia na Universidade de Louvain, naquele país, sendo o primeiro jesuíta a lecionar numa universidade. Em sua cátedra ensinava a Suma Teológica de Santo Tomás e atacava as opiniões heréticas de Baius, professor de exegese bíblica na mesma universidade, sobre a graça e o livre arbítrio. Nessa época, escreveu uma gramática hebréia e fez extensivos estudos sobre os Padres da Igreja e teólogos medievais.

         São Roberto permaneceu sete anos em Louvain. Tendo sua saúde sido abalada pelo excesso de estudo e ascetismo, empreendeu em 1576 uma viagem à Itália, para fortalecer a fé católica nesse país. Como diretor espiritual no Colégio Romano, teve a dita de guiar os últimos anos de São Luís Gonzaga, falecido em 1591. Anos depois, teve também a consolação de participar da comissão que se pronunciou favoravelmente à beatificação desse santo discípulo, modelo de pureza.

As “Controvérsias” no Index?

Em Roma o santo foi retido pelo Papa Gregório XIII para ensinar controvérsia teológica no Colégio Romano. Suas prédicas excitavam tão vivo entusiasmo, que os próprios protestantes viajavam da Inglaterra e da Holanda para ouvi-lo. Suas aulas formaram a base de sua famosa obra Lições relativas às controvérsias da fé cristã contra os hereges contemporâneos, ou simplesmente Controvérsias, que constituem uma sistematização das várias polêmicas do tempo, e um vasto arsenal repositório das melhores armas para a defesa da fé católica.

São Roberto trabalhou 11 anos para compor as Controvérsias. Sua publicação causou imensa impressão em toda a Europa e, no gênero, até hoje elas não foram suplantadas. O primeiro volume trata do Verbo de Deus, de Cristo e do Papa; o segundo, da autoridade dos concílios e da Igreja militante, padecente e triunfante; o terceiro versa sobre os sacramentos; e o quarto, sobre a graça, o livre-arbítrio, a justificação e as boas obras. O golpe assestado por elas no protestantismo foi tão doloridamente sentido pelos protestantes na Alemanha e na Inglaterra, que se fundaram cátedras especiais para tentar refutá-las. Esse escrito é tão erudito no conhecimento das Sagradas Escrituras, dos Padres da Igreja e da teologia protestante, que os adeptos desta última propalaram não ser obra de um só homem, mas de um grupo de eruditos com um pseudônimo. Na Inglaterra, a péssima rainha Isabel I proibiu sua leitura a quem não fosse doutor em teologia.

         Após o assassinato de Henrique III da França, o Papa Sixto V decidiu em 1590 enviar São Roberto a esse país, a fim de acompanhar como teólogo o legado pontifício Cardeal Caetano.

Enquanto estava na França, ele soube que o Papa, que se mostrara muito favorável às Controvérsias, havia proposto colocar seu primeiro volume no Index dos livros proibidos, porque nele o santo atribuía à Santa Sé não um poder direto, mas apenas indireto sobre as coisas temporais.

Ora, o santo, cuja lealdade à Santa Sé era intensa, levou isso muito a sério. E tanto tinha razão, que o Papa Gregório XIV, sucessor de Sisto V, concedeu ao seu trabalho a distinção de uma aprovação especial. Mas, segundo alguns de seus biógrafos, a opinião de São Roberto sobre o poder temporal dos Papas atrasou a sua causa de canonização. Além disso, ele também denunciou seis dos maiores abusos, comuns na Cúria Romana.

Sisto V e a revisão da Vulgata

O Papa Clemente VIII concedeu o chapéu
cardinalício a São Roberto Bellarmino em 1599. (Estátua do Papa sobre seu túmulo na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma.

Um novo Papa, Clemente VIII, concedeu às Controvérsias a distinção de uma aprovação especial; e em 1599 outorgou ao seu autor o chapéu cardinalício, com o título de Santa Maria in via, alegando como razão para isso que “a Igreja de Deus não tem outro igual em saber”. O Sumo Pontífice teve de invocar a virtude da obediência para que São Roberto aceitasse. Esse mesmo Papa já o tinha escolhido em 1597 como seu próprio teólogo, examinador de bispos em 1598 e consultor do Santo Ofício em 1599.

Acontece que a edição da Vulgata então existente deixava muito a desejar. Pelo que o Concílio de Trento recomendou sua revisão por peritos com vistas a uma nova edição. Clemente VIII indicou o cardeal Bellarmino para a comissão final encarregada dessa revisão. Pois ocorrera ao Papa Sisto V, desprovido de habilidade para esse ramo da crítica, fazer ele mesmo a revisão, nela introduzindo por conta própria aportes muito objetáveis. Ele tinha ido tão longe, a ponto de essa edição viciada ter sido impressa e parcialmente distribuída juntamente com a proposta de Bula obrigando seu uso. Ele morreu, entretanto, antes da promulgação da Bula, e seus sucessores procederam imediatamente a remover os erros e chamar a impressão de defeituosa. A dificuldade era substituir a edição de Sisto por uma mais correta, sem estigmatizar seu nome, o que poderia escandalizar os fiéis. São Bellarmino propôs então que a nova edição continuasse com o nome de Sisto, com uma explicação preliminar de que, por causa de aliqua vitia vel typographorum vel aliorum (“algumas impressoras ou outros vícios”) que haviam se infiltrado no texto, uma nova impressão deveria ser realizada[i]. Clemente VIII encarregou o santo de escrever o prefácio para essa versão revista e, em 1602, nomeou-o arcebispo de Cápua, sagrando-o com suas próprias mãos, favor que se faz apenas àqueles a quem se quer honrar especialmente. Isso não impediu São Roberto de continuar a praticar austeridades, como a de viver a pão e água e tirar as cortinas de seu aposento para vestir os pobres.

Arcebispo de Cápua e polêmicas

Vitral representando o Cardeal Roberto Bellarmino ensinando o catecismo.

Como arcebispo, São Roberto se entregou por três anos com igual zelo aos trabalhos pastorais, cuidando tanto do bem-estar espiritual quanto material de suas ovelhas. Ele também colocou em vigor os decretos do Concílio de Trento. Ensinava pessoalmente o catecismo, visitava as aldeias e atendia a cada um dos que o procuravam, a qualquer hora do dia ou da noite. Ao contrário dos que hoje pregam a luta de classes, ele dizia a seus diocesanos: “Aquele que percebe o que é ser filho de Deus, do Rei dos reis, está unido a Ele com filial amor, contente com o que tem, seja muito ou pouco, porque não duvida de que seu boníssimo Pai lhe concede a cada momento aquilo de que necessita”[ii].

Polêmicas com Jaime I e Luís XIV

         Clemente VIII faleceu em 1605. Sucedeu-lhe Leão XI, que reinou apenas 26 dias, e depois Paulo V. Nos dois conclaves para essas eleições, Bellarmino obteve significativa votação. Paulo V insistiu em mantê-lo em Roma. Designou-o prefeito da Biblioteca Vaticana e ativo membro do Santo Ofício e de diversas congregações romanas, além de principal conselheiro para questões teológicas da Santa Sé.

Jaime I, da Inglaterra – John De Critz, O Velho, 1609. (Coleção de Arte do Governo do Reino Unido, Londres).

         Por ter criticado o juramento de fidelidade que os católicos ingleses eram forçados a fazer a seu rei protestante, o santo teve ocasião de polemizar com Jaime I, da Inglaterra, que se gloriava de ser bom teólogo. O rei atacou-o em 1608, mediante um tratado em latim, ao que o erudito cardeal respondeu imediatamente, com humor, sobre os erros cometidos pelo monarca nessa língua. O soberano, que era anglicano, respondeu com novo ataque em estilo mais cuidadoso, no qual se arvorava em defensor do primitivo e verdadeiro cristianismo. Dedicou a obra ao imperador alemão Rodolfo II e a todos os monarcas da Cristandade. O cardeal contestou-o, e não houve tréplica. São Roberto costumava rezar diariamente pela conversão dos teólogos protestantes que enfrentava, incluindo o rei Jaime I. Fustigava-os em seus erros doutrinários, mas nunca lhes fez ataques pessoais.

Exerceu também papel primordial na controvérsia surgida na França com o rei Luís XIV, que pretendia, como soberano desse país, poder limitar a autoridade pontifícia, recebendo os rendimentos das dioceses vacantes, além de outros pontos de desentendimento em relação à autoridade papal. Defendeu a supremacia do Papa em suas obras Disputationes e De Potestate summi pontificis in rebus temporalibus.

Últimos tempos

Busto do Cardeal Bellarmino por
Bernini. Fairfield University Art Museum, Fairfield, Connecticut (EUA).

Em sua velhice, foi permitido a São Roberto voltar como bispo à sua cidade natal, Montepulciano, onde permaneceu por quatro anos, após os quais voltou para o colégio de Santo André, em Roma. Escreveu então obras de devoção, destacando-se seu famoso livro Elevação da mente a Deus pelos degraus das coisas criadas.

O santo quis entregar sua alma a Deus no noviciado do Gesù — a casa-mãe dos jesuítas —, para onde foi transferido em sua última enfermidade. Gregório XV foi visitá-lo em seu leito de dor. Ao sentir a aproximação da morte, São Roberto pediu ao padre André, seu amigo muito próximo, para consignar por escrito que, pela misericórdia de Deus, ele morria no seio da Igreja Católica e na verdadeira fé, e que em sua última hora não pensava de modo diferente do que escrevera nas Controvérsias em defesa da Igreja. Sentindo-se desfalecer, recitou o Símbolo dos Apóstolos, o salmo 50, o Pai Nosso e a Ave-Maria, assistido por padres da Companhia de Jesus. Faleceu aos 79 anos — há exatamente quatro séculos —, no dia 17 de setembro de 1621.

Restos mortais de São Roberto Bellarmino na capela do Colégio Romano.

“Seu espírito de oração, sua singular delicadeza de consciência, seu espírito de humildade e pobreza, junto com o desinteresse que ele exibia tanto sob as vestes de cardeal quanto sob o vestido de jesuíta, sua generosa caridade para com os pobres e sua dedicação ao trabalho combinaram para impressionar aqueles que o conheciam intimamente com a sensação de que ele era digno do número dos santos. Consequentemente, quando ele morreu, havia uma expectativa geral de que sua causa seria prontamente apresentada. E assim foi, sob Urbano VIII em 1627, quando ele recebeu o título de Venerável”[iii].

Entretanto, seu processo encontrou inúmeros obstáculos, de maneira que ele só seria beatificado e depois canonizado por Pio XI, em 1930. Esse Papa declarou-o também Doutor da Igreja. Seus restos mortais repousam na capela do Colégio Romano, ao lado do corpo de seu aluno e penitente São Luís Gonzaga, como ele tinha pedido[iv].

Apesar da orientação protestante Enciclopédia Britânica, ela presta tributo a São Roberto Bellarmino afirmando que ele foi um “oponente das doutrinas protestantes da Reforma. Ele é considerado uma figura importante na Contra-Reforma Católica, e apoiou fortemente os decretos de auto-reforma do Concílio de Trento. Durante sua vida foi considerado um dos teólogos mais iluminados [da Igreja] sendo nomeado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XI em 1931. É um dos santos padroeiros dos catequistas e catecúmenos”[v].

ABIM


[i] S. Smith, The Catholic Encyclopedia,

https://www.newadvent.org/cathen/02411d.htm

[ii] Pe. José Leite S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, 1987, vol. III, p. 57.

[iii] S. Smith, op. Cit.

[iv] Outras obras consultadas:

– Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo XI.

– www.cobra.pages.nom.br/fm-bellarmino.html

– http://www.answers.com/topic/robert-bellarmine

– http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Bellarmine[iv]

[v] https://www.britannica.com/biography/Saint-Robert-Bellarmine

Movimento Saúde em Dia lança consulta pública para melhorar acesso à saúde

A incidência de obesidade avaliada nos centros de saúde caiu 62% no primeiro ano de pandemia de covid-19, segundo dados do Movimento Saúde em Dia, que lançou hoje uma consulta pública para "melhorar o acesso à saúde em Portugal".

"O projeto tem como objetivo recolher soluções junto de quem todos os dias contacta com os serviços de saúde e tem respostas concretas para as dificuldades que enfrenta", refere em comunicado o movimento, constituído pela Ordem dos Médicos (OM) e pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), que divulga novos indicadores sobre o acesso aos cuidados de saúde no primeiro ano de pandemia em Portugal.

Com base no Portal da Transparência, a consultora MOAI analisou os dados de março de 2019 a janeiro de 2020, comparando com março de 2020 a janeiro de 2021, para aferir o impacto do primeiro ano da pandemia no Serviço Nacional de Saúde (SNS), refere.

Na área das dependências, os dados indicam que houve uma quebra de 44% de novos utentes admitidos e que as consultas relacionadas com dependências ou adições tiveram uma quebra de 25%.

Na saúde mental, a incidência de perturbação depressiva avaliada nos cuidados de saúde primários registou uma redução de 24% no primeiro ano de pandemia, assim como os distúrbios ansiosos que apresentaram uma queda de incidência de 15%.

No mesmo sentido, adiantam os dados, está a curva da incidência da obesidade registada nos centros de saúde, com uma diminuição de 62% no primeiro ano de pandemia.

O acompanhamento das grávidas também terá sido afetado: os indicadores exibem uma redução de 18% na proporção das grávidas com um acompanhamento adequado, segundo o Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários.

O Movimento Saúde em Dia, lançado há um ano, sublinha que "estes indicadores se juntam a outros que têm tornado evidente o impacto da pandemia no acesso a cuidados por parte dos doentes não covid".

"É essencial ouvir a população sobre um assunto que diz respeito a todos e a cada um de nós: a saúde", defende no comunicado.

A consulta pública, que decorrerá durante um mês, pretende perceber que medidas desejam os portugueses ver aplicadas para melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde prestados em Portugal.

"Como garantir que os cidadãos têm acesso aos cuidados de saúde quando deles necessitam? Como se pode promover a eficiência? Que áreas da saúde devem receber financiamento prioritário?", são algumas das questões colocadas na consulta pública.

O movimento pretende conseguir "uma ampla participação" de cidadãos, associações de doentes, organizações não-governamentais, unidades de saúde, academia, assim como "outras organizações ou entidades empresariais interessadas em dar o seu contributo".

Até ao dia 17 de outubro, todos os cidadãos podem contribuir com as suas ideias e sugestões no site do Movimento Saúde em Dia http://www.saudeemdia.pt, sendo os resultados desta consulta comunicados publicamente em novembro.

Em julho, o movimento, que conta com a parceria da Roche, lançou uma petição pública que apela ao poder político para promover a recuperação rápida e eficiente de todos os doentes que ficaram por diagnosticar, tratar ou cuidar durante a pandemia.

A OM e a APAH renovam o apelo aos cidadãos para que se juntem a este Movimento e assinem a petição.

Lusa

BREAKING NEWS: Special prosecutor John Durham charges ex-attorney for Clinton campaign with lying to FBI

 The special prosecutor probing the origins of the federal investigation into ties between the Trump campaign and Russia, John Durham, has charged Washington lawyer Michael Sussmann with lying to the FBI during the early stages of the inquiry.

Sussmann, who worked as an attorney for the Hillary Clinton campaign, is accused in a grand jury indictment returned Thursday of a single felony count of making a false statement during a September 2016 meeting with FBI General Counsel James Baker.

Prosecutors allege Sussmann lied by denying that he was representing any client as he told the FBI about digital evidence allegedly linking computers in Trump Tower to Russia’s Alfa Bank.

Sussmann’s lawyers contend that he never made such a statement, that the evidence in the case is weak and that there’s no sign the alleged falsehood affected the FBI’s work.

Read more: https://www.politico.com/news/2021/09/16/special-prosecutor-john-durham-charges-ex-attorney-for-clinton-campaign-with-lying-to-fbi-512316

Fonte: POLITICO



quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Silves | SÃO MARCOS DA SERRA É PALCO DO CONCERTO “SILVES OUTONO JAZZ”, A 18 DE SETEMBRO


Terá lugar no próximo dia 18 de setembro, pelas 18h30, no Largo da Igreja, em S. Marcos da Serra, o evento Silves Outono Jazz. A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal de Silves, em parceria com a Orquestra de Jazz do Algarve, tem entrada livre.
Este espetáculo, interpretado por Hugo Alves Acoustik Trio, reúne três músicos: Vasco Agostinho (guitarra), Luís Henrique (contrabaixo) e Hugo Alves (trompete), num formato conhecido, que deixa aberta a porta para um repertório mais “cool”, mas nem por isso menos original. O Largo da Igreja, em S. Marcos da Serra, terminará, assim, a tarde ao som de temas como Estate ou Almost Blue, num ambiente único que o local oferece.

O evento cumpre as orientações da DGS em matéria de espetáculos ao ar livre. A entrada no recinto é efetuada mediante voucher de entrada (entregue no local a partir das 17h00), estando limitada à ocupação de 50 lugares.

Os telefones 282 440 800 e 282 440 850 e o endereço de correio eletrónico cultura@cm-silves.pt são os contactos do sector de Cultura do Município de Silves disponíveis para o fornecimento de informação adicional sobre o evento.

O evento cumpre as recomendações da DGS

1. O recinto de espetáculo estará delimitado, o acesso será condicionado e controlado; 2. Acesso ao recinto apenas para os titulares de voucher de entrada (entregue no local a partir das 17h00); 3. Circuitos independentes de entrada e de saída; 4. Período de entrada e saída de público alargado; 5. Entrada de público desfasada, cumprindo as regras de distanciamento; 6. Lugares sentados com distanciamento físico entre espectadores de 1,5 metros; 7. Sessão sem intervalos; 8. Obrigatório o uso de máscara no acesso e durante todo o espetáculo; 9. Não é permitido movimentar a cadeira; 10. Lotação limitada a 50 lugares, 11. A permanência no recinto está sujeita ao cumprimento das regras e indicações da organização.

Liga MEO Surf – Festival de tubos e nota 10 no dia inaugural do Bom Petisco Peniche Pro

 - Halley Batista conseguiu primeiro 10 da temporada;

- João Kopke e Martim Carrasco também entubaram com qualidade;
- Jovem local Matias Canhoto em grande plano;
- Ronda 2 com algumas surpresas e vários tops eliminados;
- Supertubos ofereceu melhores condições do ano na Liga MEO Surf.
Quadro de resultados - Clique aqui
Fotografias do dia 1 de competição (Créditos: Jorge Matreno/ANSurfistas) - Clique aqui
Peniche (16/09/2021) - O dia inaugural do Bom Petisco Pro, a última de cinco etapas da Liga MEO Surf 2021, ficou marcado pelas condições tubulares proporcionadas pela praia de Supertubos, com os melhores surfistas nacionais a agradecerem e a oferecerem um festival de tubos de sol a sol. Um dia recheado de emoção, com direito a uma onda perfeita, pontuada com nota 10, e várias surpresas à mistura.

Se o momento alto do dia foi de Halley Batista, com um belo tubo de backside, seguido de um aéreo a finalizar, em que os juízes não hesitaram em dar o primeiro 10 da temporada, houve também outros surfistas em destaque ao longo do dia, mostrando muita capacidade para andarem dentro dos tubos de uma das ondas mais famosas da Europa. Ruben Gonzalez (8,25) e João Kopke (9,65) foram outros dos surfistas a conseguirem notas excelentes logo na ronda inaugural, com Martim Carrasco a fazer a melhor nota da ronda 2, com 9 pontos, a fechar o dia.

Com a organização a decidir realizar as duas primeiras rondas da prova masculina, já depois dos trials que se disputaram ao início da manhã, alguns dos surfistas em maior destaque na ronda inaugural acabaram por ser eliminados na fase seguinte. Curiosamente, Halley Batista foi um deles, comandando um quarteto de muito qualidade, onde se incluem também Ruben Gonzalez, Guilherme Fonseca e Tomás Fernandes.

Em grande plano também estiveram os surfistas mais jovens, com especial ênfase para o local Matias Canhoto, que superou três rondas, após ter começado nos trials. O jovem talento de Peniche, de 14 anos, brilhou alto na ronda 2, ao vencer o heat 2, com 13,80 pontos, deixando José Champalimaud no 2.º posto e ajudando ainda a eliminar o tetracampeão nacional Ruben Gonzalez e Vasco Cordeiro.

Outro jovem em grande evidência foi o wildcard João Maria Mendonça, que está a regressar à competição após uma lesão que o afastou durante praticamente um ano. Mesmo sem conseguir vencer os heats em que entrou, o jovem algarvio fez score altos (12,50 e 10,85), sendo dos surfistas mais sintonizados com o mar ao longo do dia, além de ter sido um dos responsáveis pela eliminação de Tomás Fernandes na ronda 2.

Com ondas de potencial, mas também exigentes para os surfistas, Luís Perloiro, Afonso Antunes, Joaquim Chaves e Martim Carrasco acabaram por ser os únicos surfistas a conseguirem vencer as duas baterias em que entraram na ronda 1 e 2, liderando, dessa forma, os 16 surfistas apurados para a ronda 3, que é a última Super Bock Power Round da temporada e onde os pontos serão convertidos em litros de cerveja.

Com as previsões a apontarem para a queda da ondulação, amanhã a chamada está marcada para as 7H30, para possível recomeço da ação e início da prova feminina. Para sábado está prevista a entrada de uma nova ondulação, pelo que esta sexta-feira poderá ser decisiva para definir os candidatos ao pódio e à presença no dia final do Bom Petisco Peniche Pro.

Agenda para sábado
07H30 – Chamada para o segundo dia do Bom Petisco Peniche Pro
A nível televisivo, tendo presente a proibição de público nos termos legais, o Bom Petisco Peniche Pro poderá ser acompanhado a partir de casa em direto na Sport TV, assim como nos restantes meios oficiais: facebook do MEO, na posição 810 da grelha de canais MEO, em ligameosurf.pt e redes sociais em @ansurfistas.

A Liga MEO Surf 2021 é uma organização da Associação Nacional de Surfistas e da Fire!, com o patrocínio do MEO, Bom Petisco, Allianz Portugal, Go Chill, Joaquim Chaves Saúde, Superbock, Somersby, Rip Curl, Ericeira Surf and Skate, o parceiro de sustentabilidade Jerónimo Martins, o apoio local da Câmara Municipal de Peniche, e o apoio técnico do Península de Peniche Surf Clube e da Federação Portuguesa de Surf.

Fotos: Halley Batista, Matias Canhoto e João Kopke (Jorge Matreno/ANSurfistas)