sábado, 29 de julho de 2023

Sensação de ligação e familiaridade na prestação de cuidados de longa duração é crucial para gerir a dor crónica


Um estudo realizado no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte), recentemente publicado na revista Nursing Open, explorou as experiências de pessoas mais velhas com dor crónica em estruturas residenciais para pessoas idosas, quando recebem apoio social formal relacionado com a sua dor. A investigação destaca a importância de uma comunicação eficaz entre os cuidadores formais no bem-estar dos residentes de unidades de cuidados de longa duração que vivem com dor crónica.
As investigadoras do CIS-Iscte Marta Matos e Sónia Bernardes tiveram como objetivo explorar as experiências de pessoas idosas que residem em estruturas residenciais para pessoas idosas e identificar os tipos de respostas dos cuidadores que são consideradas úteis ou inúteis na adaptação à dor crónica. Através da realização de entrevistas a um grupo diversificado de residentes, que sofriam de dor crónica, foi possível compreender que as pessoas residentes preferem receber ajuda que seja protetora da sua autonomia (psicológica e funcional) e quando as interações com os cuidadores e cuidadoras se revestem de uma sensação de ligação e familiaridade (como numa relação informal). A equipa de investigação adotou a perspetiva da pessoa que recebe os cuidados e obteve informações valiosas sobre as práticas facilitadoras que podem ter um impacto positivo no percurso de gestão da dor dos residentes.

Marta Matos, a primeira autora do artigo, explicou que “O primeiro tema que emergiu do estudo foi a importância do apoio útil durante uma crise de dor. As pessoas que participaram neste estudo salientaram a importância de receber apoio que reduzisse a intensidade da dor durante as crises. Isto sugere que a assistência atempada e adequada durante episódios de dor é crucial para as pessoas residentes com dor crónica.” Sónia Bernardes acrescenta: “Estas pessoas também salientaram a necessidade de apoio que facilitasse o seu envolvimento nas atividades diárias, apesar da dor crónica, o que sugere que a assistência em tarefas e atividades pode melhorar significativamente a qualidade de vida de quem reside em cuidados de longa duração com dor crónica.”

Considerando algumas limitações do estudo, a equipa de investigação reconhece que o formato (online) das entrevistas pode ter sido contraproducente em termos de profundidade e duração. Salientam também a necessidade de mais investigação sobre os papéis de género e a influência do contexto sociocultural nos cuidados relacionados com a dor, como por exemplo, a inclusão de mais homens em estudos de investigação desta natureza e a consideração de outros contextos de cuidados de longa duração.

As implicações desta investigação são vastas, uma vez que a dor crónica afeta uma grande proporção de pessoas residentes de cuidados de longa duração. “Ao reconhecerem a importância do apoio social e de respostas eficazes, os prestadores de cuidados de saúde podem contribuir para a qualidade de vida das pessoas mais velhas que vive com dor crónica”, concluem as investigadoras.

Pedro Simão Mendes
Comunicação de Ciência (CIS-Iscte)
APImprensa

Webb celebra o primeiro ano de ciência com um grande plano do nascimento de estrelas semelhantes ao Sol

Desde o nosso quintal cósmico no Sistema Solar até galáxias distantes perto do início dos tempos, o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA cumpriu a sua promessa de revelar o Universo como nunca antes no seu primeiro ano de operações científicas. Para celebrar a conclusão de um primeiro ano de sucesso, foi publicada uma nova imagem do Webb de uma pequena região de formação estelar no complexo de nuvens Rho Ophiuchi.
A nova imagem do Webb divulgada hoje apresenta a região de formação de estrelas mais próxima de nós. A sua proximidade, a 390 anos-luz, permite um grande pormenor, sem estrelas em primeiro plano no espaço intermédio.
A região apresentada contém cerca de 50 estrelas jovens, todas elas com uma massa semelhante à do Sol ou mais pequena. As áreas mais escuras são as mais densas, onde poeira espessa envolve protoestrelas ainda em formação. Enormes jactos bipolares vermelhos de hidrogénio molecular dominam a imagem, aparecendo horizontalmente no terço superior e verticalmente à direita. Estes ocorrem quando uma estrela irrompe pela primeira vez através do seu envelope natal de poeira cósmica, lançando um par de jactos opostos para o espaço. Em contraste, a estrela S1 esculpiu uma caverna brilhante de poeira na metade inferior da imagem. É a única estrela na imagem que é significativamente mais maciça do que o Sol.
Algumas estrelas na imagem mostram sombras que indicam discos protoplanetários – potenciais futuros sistemas planetários em formação.
Desde a sua primeira imagem de campo profundo, revelada em julho de 2022, o Webb cumpriu a sua promessa de nos mostrar mais do Universo do que nunca. No entanto, o Webb revelou muito mais do que galáxias distantes no Universo primitivo.
Para além das deslumbrantes imagens de infravermelhos, o que realmente entusiasma os cientistas são os espectros nítidos do Webb – a informação detalhada que pode ser recolhida da luz pelos instrumentos espectroscópicos do telescópio. Os espectros do Webb confirmaram as distâncias de algumas das galáxias mais longínquas alguma vez observadas e descobriram os buracos negros supermassivos mais antigos e mais distantes. Identificaram as composições das atmosferas dos planetas (ou a falta delas) com mais pormenor do que nunca, e reduziram pela primeira vez os tipos de atmosferas que podem existir em exoplanetas rochosos. Também revelaram a composição química de berçários estelares e discos protoplanetários, detectando água, moléculas orgânicas contendo carbono e muito mais. As observações do Webb já deram origem a centenas de artigos científicos que respondem a questões de longa data e levantam novas questões a abordar com o Webb.
A amplitude da ciência do Webb é também visível nas suas observações da região do espaço que nos é mais familiar – o Sistema Solar. Anéis ténues de gigantes gasosos surgem da escuridão, pontilhados por luas, enquanto ao fundo o Webb mostra galáxias distantes. Ao comparar as detecções de água e outras moléculas no nosso sistema solar com as encontradas nos discos de outros sistemas planetários muito mais jovens, o Webb está a ajudar a construir pistas sobre as nossas próprias origens – como é que a Terra se tornou o local ideal para a vida tal como a conhecemos.
Um ano depois, a missão científica do Webb está apenas a começar. O segundo ano de observações já foi selecionado, com planos para desenvolver um primeiro ano excitante que excedeu as expectativas.

Agência Espacial Europeia (ESA)
APImprensa

Afinal, o que se sabe sobre o azeite?


Maria João Cabrita e Raquel Garcia, professoras do Departamento de Fitotecnia e investigadoras do MED- Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento da Universidade de Évora, apresentam as mais valia do azeite, “um produto alimentar secular e principal fonte de gordura na dieta Mediterrânica”, cujos “principais países produtores de azeite localizam-se no Mediterrâneo e, até há alguns anos atrás, eram esses os países consumidores”. As investigadoras da UE sublinharam que, atualmente, o consumo de azeite tem vindo a estender-se a nível mundial, tal como a sua produção” Assim sendo, conheça as origens e os benefícios do azeite.
O que é o azeite?
O azeite é o óleo obtido a partir de azeitonas, exclusivamente por processos mecânicos ou físicos, em condições que não alterem o produto.

Azeite é diferente de outros óleos vegetais porque é obtido a partir de um fruto, a azeitona, e não de sementes. Em média, são necessários 6 quilograma de azeitonas para se obter 1 litro de azeite.

Como se classifica o azeite?
Os azeites comerciais, isto é, aptos para consumo, são classificados como Azeites Virgem Extra ou Azeite Virgem, dependendo das suas características químicas e sensoriais, sendo os primeiros de melhor qualidade. O grau de acidez é um dos parâmetros mais conhecidos, e que influencia esta classificação.

Quando um azeite não apresenta as características químicas e sensoriais que lhe permitam a atribuição da categoria de Azeite Virgem, é classificado como Azeite Lampante, que não pode ser comercializado, mas pode sofrer uma operação de refinação que permite eliminar as características indesejáveis, sendo comercializado sob a designação de Azeite. A rotulagem do azeite abrange estas diferentes categorias comerciais, permitindo ao consumidor selecionar o tipo de azeite que pretende adquirir.

Como é constituído o azeite?
Sendo uma gordura, cerca de 98% da composição química do azeite é constituída por triglicéridos, fosfolípidos e ácidos gordos livres. A acidez de um azeite é a quantidade de ácidos gordos livres existentes. Destes, o ácido oleico é o mais abundante, seguido do ácido linoleico e do ácido palmítico.

Os restantes 2% são a fração insaponificável, minoritária, mas onde se incluem os compostos que são responsáveis pelo elevado valor biológico e nutricional do azeite assim como pelas suas características organoléticas e pela sua resistência à oxidação.

Quais as características sensoriais dos azeites?
Sensorialmente os azeites podem apresentar características positivas, atributos e características negativas, defeitos.

Os atributos de um azeite são o frutado, o amargo e o picante, que variam de azeite para azeite em função da variedade da azeitona, da época de colheita da azeitona, da tecnologia, entre inúmeros fatores.

Os defeitos, que a existirem invalidam uma classificação em azeite virgem extra, são devidos à falta de qualidade da azeitona, ao seu armazenamento ou ao seu processamento. O ranço, é o defeito mais conhecido.

Sensorialmente a acidez de um azeite não é percetível. A sua cor, variando entre o amarelo e o esverdeado, não é um critério de qualidade, sendo apenas o resultado do grau de maturação das azeitonas e da sua variedade. Por este motivo o azeite é provado em copos azuis, que não permitem determinar a sua cor.

O azeite altera-se ao longo do tempo?
O azeite evolui com o tempo, e qualquer Azeite Virgem Extra evolui até apresentar as características de um Azeite Virgem. O oxigénio, a luz e a temperatura são os fatores conhecidos que aceleram esta evolução.

Um Azeite Virgem Extra deveria ser engarrafado em garrafas escuras e armazenado ao abrigo da luz e afastado de fontes de calor.

Esta evolução é um processo normal que em nada põe em causa a saúde do consumidor.

Porque devemos consumir azeite?
Este produto secular designado vulgarmente de “ouro líquido” é um produto natural, que quando consumido em doses adequadas, apresenta inúmeros benefícios para a saúde, nomeadamente devido à sua composição em compostos de elevado valor nutricional: vitamina E, ácido oleico e compostos fenólicos.

Em média, uma colher de azeite possui 7 gramas de gordura, das quais a maioria é insaturada, pelo que o azeite pode ser considerado como uma fonte de gorduras saudáveis e equilibradas, ajudando na prevenção de doenças cardiovasculares, sendo ainda de salientar as suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

Universidade de Évora
APImprensa

Estudo explorou barreiras específicas na procura de ajuda em casos de violência contra homens


Um estudo recentemente publicado, realizado no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte), informa sobre as dinâmicas da Violência nas Relações Íntimas contra os homens e as barreiras e facilitadores específicos à procura de ajuda.
A Violência nas Relações Íntimas – um subtipo da violência doméstica em que a pessoa agressora é parceira de quem é alvo do comportamento violento – é comummente associada à violência contra as mulheres. No entanto, a Organização Mundial de Saúde afirma que “ocorre em todos os contextos e entre todos os grupos socioeconómicos, religiosos e culturais.” (OMS, 2012). Eduardo Reis, estudante do Doutoramento em Psicologia no Iscte e primeiro autor deste estudo, explica que “os homens, independentemente da sua orientação sexual, podem ser alvo de várias formas de violência, incluindo violência física, psicológica, sexual e económica. Estas formas de violência podem ter consequências significativas para a sua saúde, incluindo ansiedade, depressão, ideação suicida e lesões físicas graves”.

Carla Moleiro, investigadora do CIS-Iscte e uma das orientadoras de doutoramento de Eduardo, acrescenta: “Os homens gays e bissexuais podem ser afetados negativamente por stressores minoritários com impacto na sua experiência de Violência nas Relações Íntimas, como por exemplo estigma internalizado contra pessoas LGBTI+ e expectativas de discriminação. Assim, apesar de viverem algumas dinâmicas de violência semelhantes às de homens em relações de sexo diferente, podem enfrentar desafios específicos”.

Neste estudo foram entrevistados homens portugueses de diferentes orientações sexuais que tinham sido alvo de Violência nas Relações Íntimas acerca dos processos e dinâmicas de procura de ajuda formal e informal. Paralelamente, o estudo também explorou o potencial Conflito com o Papel de Género dos homens que sofreram Violência nas Relações Íntimas. O Conflito com o Papel de Género ocorre quando papéis de género rígidos, sexistas ou restritivos causam restrição, desvalorização ou violação das outras pessoas ou da própria pessoa.

Os resultados mostraram que o tipo de violência mais experienciado foi a psicológica, como ser criticado e humilhado ou alvo de controlo coercivo e perseguição, seguida da violência física, que incluiu incidentes como ser esmurrado ou estrangulado. Além disso, durante as entrevistas, foi mencionada uma grande variedade de impactos psicológicos negativos resultantes das suas experiências de violência. A maioria dos participantes neste estudo não se sentia informada sobre a violência dirigida aos homens quando foi alvo de violência, e considerou que a violência contra os homens não é discutida na sociedade tanto quanto deveria. Eduardo Reis afirma: “Provavelmente por isso, quando os participantes sofreram violência, relataram que a violência dirigida aos homens é considerada menos grave do que a violência dirigida às mulheres”.

De acordo com Patrícia Arriaga, a terceira autora deste estudo e orientadora de Eduardo, “Alguns participantes expressaram desconforto e verbalizaram não se identificar com o rótulo de ‘vítima’, uma vez que o termo parece implicar atributos de passividade e fraqueza. Eles sentiram que este termo tem uma conotação negativa que contrasta com a sua auto-perceção”.

A equipa de investigação constatou também que alguns participantes não recorreram a fontes formais de ajuda, como centros de saúde ou terapeutas, ou apresentaram uma queixa criminal. “Foram apontadas várias razões para tal, incluindo falta de conhecimento sobre quem contactar e como seria o processo”, explica Eduardo. Por último, ser homem (e, em alguns casos, ser LGBTI+) aumentou as expectativas de discriminação por parte das forças policiais e outros serviços de apoio, embora a experiência sobre este processo tenha variado entre os participantes.

Em conclusão, este estudo qualitativo informa sobre a complexidade das experiências de violência vividas por homens em relações de sexo diferente e do mesmo sexo, destacando o potencial contributo do conflito com o papel de género nos comportamentos de procura de ajuda. A equipa de investigação sugere que a formação e a sensibilização adequada sobre Violência nas Relações Íntimas dirigida a homens e os recursos existentes são fundamentais para aumentar a procura de ajuda em homens alvo de Violência nas Relações Íntimas. Acrescentam que desconstruir ativamente os papéis de género tradicionais também é fundamental para desbloquear o potencial e maximizar o bem-estar de todas as pessoas. A equipa conclui “O nosso estudo sugere que há uma necessidade urgente de sensibilizar a população sobre a violência que ocorre entre parceiros íntimos, especialmente contra homens, para garantir a utilização dos recursos de ajuda disponíveis e de respostas comunitárias eficazes em lidar com estes problemas graves”.

Pedro Simão Mendes
Comunicação de Ciência (CIS-Iscte)
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Estudantes do Técnico apresentam novo foguete: “Camões” vai competir entre os melhores da Europa

É o mais avançado veículo criado até ao momento pelo RED (Rocket Experiment Division), equipa constituída por alunos de vários cursos do Instituto Superior Técnico e inserida no Núcleo de Estudantes de Engenharia Aeroespacial do Técnico (AeroTéc), e será hoje apresentado, às 18h, no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa. O rocket “Camões” é mais robusto e confiável que os seus antecessores (Baltasar, Blimunda, três rockets da Missão Aurora e o Pilot) e está praticamente pronto para competir no European Rocketry Challenge (EuRoC) 2023, na categoria de 3000 metros de altitude. “Este ano, voar mais alto só será possível alcançando a vitória”, aponta Duarte Lopes, um dos estudantes responsáveis pela equipa. Para além do espírito poético e competitivo, o “Camões” levará também três experiências científicas a bordo, resultantes de concursos de ideias lançados à comunidade, tornando-se o veículo com maior capacidade de transporte alguma vez realizado pelo projeto. Atualmente, a missão está em fase de testagem intensiva e montagem, de forma a garantir que todos os subsistemas funcionam isoladamente, o que será um preâmbulo para um futuro teste de lançamento.
A apresentação do foguete, intitulada CAMÕES Reveal Ceremony, tem este ano como objetivo realçar o papel de Portugal, das Universidades e dos estudantes na Exploração Espacial, culminando com a apresentação e revelação da missão Camões e do seu rocket. O evento é dirigido aos alunos, professores, patrocinadores do projeto e entidades institucionais. Contará com a presença do Presidente do Instituto Superior Técnico, o Professor Rogério Colaço, bem como o Presidente da Agência Espacial Portuguesa, o Engenheiro Ricardo Conde.
O projeto RED nasceu em 2017, tendo sido idealizado por dois estudantes do curso de Engenharia Aeroespacial do Técnico que pretendiam complementar com uma vertente prática os conhecimentos teóricos lecionados na licenciatura. Nos primeiros quatro anos de existência, a equipa foi aperfeiçoando a sua técnica, desde o lançamento do pequeno Pilot, que serviu como prova de conceito, até à construção dos três rockets da missão Aurora, que integravam já um motor inteiramente desenvolvido pelos estudantes.
O EuRoC, criado em 2020 pela Agência Espacial Portuguesa, trouxe a oportunidade perfeita de pôr à prova a experiência do RED, levando a equipa a competir com outras universidades europeias. Em outubro de 2021, o RED marcou, então, presença na segunda edição do EuRoC com o rocket Blimunda, batizado conforme a protagonista do “Memorial do Convento”, de José Saramago. “Apesar de não ter conseguido recuperar o rocket e ter acabado em penúltimo lugar na classificação, a estreia do RED na competição representou um marco importante e permitiu a troca de ideias e conhecimentos com outras equipas, bem como um aumento da visibilidade do projeto”, defende Duarte Lopes.
O sucesso viria na edição seguinte do EuRoC, após um ano a redesenhar o rocket e a corrigir as falhas da iteração anterior. O RED regressou à competição com o Baltasar (inspirado numa personagem do mesmo livro), que se tornou o primeiro rocket projetado por uma equipa universitária portuguesa a ser lançado e recuperado com êxito. O desempenho excecional do Baltasar foi o melhor na sua categoria e colocou, desta vez, a equipa no topo da tabela, galardoando-a com o segundo lugar na classificação geral.

Instituto Superior Técnico
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sexta-feira, 28 de julho de 2023

Marketing Agressivo 1 – 0 Sociedade

Tem sido interessante ler a propósito das preocupações em/da IA, e observar a multiplicação de cursos e as dezenas de especialistas emergentes nos últimos meses. Por um lado, temos o marketing agressivo sobre a importância da ética em IA a alertar para as consequências negativas de alguns algoritmos e a promover o seu uso adequado e responsável, idealmente contornando preconceitos e estereótipos. Por outro lado, temos esforços internacionais, sem carácter vinculativo, como é o da Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence da UNESCO.
Assumimos o risco de dizer, como bem ilustra o AI ACT, que a conclusão se resume a: afinal tudo é sobre ética! Discriminação, justiça social, privacidade e segurança das informações, transparência (a começar por fornecer as informações claras sobre o modo da tomada de decisão). Mas onde estão os eticistas neste processo? Reduzidos à automatização. A tomada de decisão ética é, agora, facilmente automatizada e não importa aqui diferenciar se se trata de apoio à decisão de nível superior, do apoio automático aumentado, ou de ambientes altamente automatizados.
Temos de voltar a referir – ética e “compliance” não são sinónimos e não se excluem entre si. E não, já não estamos no nível da discussão que percorre as diferenças entre a Teoria da Virtude, ou a do Direito Natural. Nem tão pouco das diferenças entre a ética descritiva e a ética aplicada – já nada disso importa, quando muito uns diagramas com alusão ao trolley problem para vender melhor a ideia da ética em automação. Como é que uma ética automatizada responde às suas quatro questões de base: “O que estamos a fazer?”; “Porque o estamos a fazer?”; “Podemos fazer algo melhor?” e “Porque é melhor?”
É caso para perguntar – em que momento é que a construção de conhecimento científico passou ao relativismo absoluto? Afinal não é privacidade que está morta como queria induzir o Mark Zuckerberg. A segunda fase que nos querem instigar é a de que a epistemologia está morta!
Reduzindo ao absurdo – o argumento tem sido: essas questões e esse conhecimento são académicos (e ideológicos) e pouco relevantes para os desafios práticos e velozes que enfrentamos. Quão contraditório é este ciclo discursivo?
De modo muito básico importa esclarecer um ponto, e reeducar: se não há conhecimento que alimente um modelo de linguagem grande (LLMs) como aquele que sustenta o ChatGPT (por exemplo) – não há evolução; e aquele que possa auto gerar-se tem, na maioria das vezes, vieses, falsas informações, invenções e um prenúncio do arrependimento.

Lia Rquel Neves, Teresa Forte.
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Investigadores da Universidade do Minho descobrem meia centena de espécies ao largo de Viana do Castelo


Uma equipa de investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) descobriu recentemente mais de meia centena de espécies ao largo da costa de Viana do Castelo. Dentro das “surpresas” destacam-se algumas esponjas de profundidade, populações de gorgónias bem conservadas e mesmo corais duros que geralmente só ocorrem a maiores profundidades. Neste leque não há para já espécies novas para o mundo, mas várias delas são inéditas no Norte de Portugal e apresentam distribuição limitada geograficamente.
Ao longo dos últimos três anos e até setembro de 2023, cientistas do projeto “Atlântida” estão a estudar as zonas marítimas mais profundas, a chamada zona de penumbra, onde a luz muito ténue que atinge o fundo não possibilita a fotossíntese, e que é muito pouco analisada a nível mundial. “Estamos a lidar com ecossistemas marinhos vulneráveis, que suportam espécies de conservação prioritária pela União Europeia e são muito importantes para a saúde dos ecossistemas marinhos; temos detetado inclusive espécies nunca antes observadas em Portugal”, avança Pedro Gomes, investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) e professor do Departamento de Biologia da ECUM.

Alguns dos registos conhecidos neste âmbito ao largo de Viana do Castelo têm mais de um século e resultam de capturas acidentais, logo não estão atualizados nem indicam a distribuição, o estado das populações e a sua importância no ecossistema, nomeadamente como habitat para os recursos pesqueiros, realça o responsável.

Com o objetivo de conseguir dados de base e desenvolver uma plataforma de monitorização do Oceano Atlântico Norte, os investigadores fazem batimetria (mapas detalhados do fundo do mar) para localizar as zonas desses habitats prioritários e avaliar os respetivos parâmetros e fatores de ameaça. A pesquisa é complementada com informações recolhidas por ROV (minissubmarino não tripulado, equipado com câmara de vídeo e sensores). “Já fizemos acima de 300 mergulhos com ROV e navegámos mais de 2000 horas. Vamos obter material que permita avançar para a modelação e delimitação de locais que justifiquem medidas de gestão concretas; temos já ‘instantâneos’ que caracterizam locais específicos e pretendemos alargar esse conhecimento a toda a área de trabalho, que vamos juntar com a topografia submarina”, acrescenta Pedro Gomes.

Biólogos querem explorar alto mar

Nos últimos anos, os cientistas exploraram a zona até cerca de seis quilómetros da costa e numa área de 85 km2, com alguns mergulhos pontuais em zonas situadas a 50 km da costa (a cerca de 200 metros de profundidade). Até ao final do projeto espera-se explorar esse espaço mais afastado, onde já foram detetados recifes de corais de profundidade. “Infelizmente, os limites do Parque Natural do Litoral Norte terminam a cerca de 1 km dos locais onde começam os recifes de qualidade. Ficou de fora a melhor zona, que não tem qualquer estatuto de proteção”, revela Pedro Gomes, realçando que aquela zona cumpre as normas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) para ser um espaço protegido. “Vamos ter surpresas, de certeza, e talvez mais espécies novas”, acredita.

Os investigadores mostram também preocupação com a destruição do fundo do mar provocada especialmente pela pesca de arrasto. “Precisamos de medidas legais, mas é um problema, porque o ganha-pão dos pescadores está nesta zona. Por indicação da União Europeia somos obrigados a aumentar as áreas protegidas até 30 por cento do território nacional, logo requer-se ações de recuperação e proteção”, remata.

O projeto “Atlântida” é financiado pelo Programa Norte2020 e envolve as universidades do Porto (coordenação), do Minho e de Trás-os-Montes e Alto Douro. Em paralelo, o CBMA está a dinamizar o projeto “River2Ocean”, que visa apresentar soluções socioecológicas e biotecnológicas para a conservação e valorização da biodiversidade aquática na região do Minho.

Universidade do Minho
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