quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Este domingo, 30 de agosto, na Foz do Douro, Porto. Cortejo de São Bartolomeu leva 700 figurantes, 30 mil metros de papel e histórias de “Fábulas e Lendas” às ruas da Foz


Primeira edição após a integração no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial reúne um número recorde de figurantes e transforma cerca de três quilómetros de percurso num desfile de cor, criatividade e tradição

O Cortejo de São Bartolomeu leva este domingo, 30 de agosto, um recorde de 700 figurantes às ruas da Foz do Douro, no Porto. O desfile decorre entre as 10h30 e as 13h00, com início na Rua de Sobreiras, e percorre cerca de três quilómetros até à Praia do Ourigo, onde termina com o tradicional “banho santo”.

A preparação do Cortejo prolonga-se por vários meses e envolve associações, coletividades, escolas, artesãos, costureiras e voluntários. Entre todos, dão forma aos trajes e acessórios que vão desfilar pelas ruas da Foz, utilizando este ano mais de 30 mil metros de papel crepe. Só os blocos da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde e das escolas produzem 771 elementos, entre 323 peças de vestuário e 448 acessórios.

Esta edição tem como tema “Fábulas e Lendas” e veste de papel crepe personagens e histórias que atravessam gerações. “O Canto da Sereia”, o “Capuchinho Vermelho”, personagens dos contos dos Irmãos Grimm, Pedro e o Lobo, “A Festa das Rosas” e ainda “Beleza, Ciúme e Amizade”, uma adaptação livre inspirada nos jardins do Palácio de Cristal.

Este é também um ano particularmente simbólico para o Cortejo, por ser a primeira edição após a sua integração no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, um reconhecimento que valoriza uma tradição que a comunidade tem mantido viva ao longo de gerações e reforça a importância de a salvaguardar.

O envolvimento da comunidade é uma das características centrais do Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu. Diferentes gerações participam na preparação dos trajes, recuperando técnicas e conhecimentos que passam de uns para os outros, transformando o papel crepe em peças que ganham vida na Foz. Associações locais, escolas, artesãos, costureiras, voluntários e centenas de figurantes contribuem, em diferentes momentos, para a realização desta celebração.

“A inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial é uma distinção de todos aqueles que, geração após geração, mantêm viva esta tradição. Este é um trabalho voluntário e coletivo que envolve toda a comunidade e que nos coloca agora um passo mais perto da candidatura conjunta à UNESCO com Mollerussa e Amposta, reforçando a importância de preservar e valorizar este património”, afirma Cláudia Bravo, presidente da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.

Entre as presenças confirmadas estão o Presidente da Câmara Municipal (CM) do Porto, Pedro Duarte, o Presidente da CM de Mollerussa, Marc Solsona, a Conselheira para os Direitos Sociais e Cidadania e para as Políticas de Emprego e Negócios da CM de Amposta, Núria Ferrer e ainda a diretora da Candidatura à UNESCO, Carme Polo.

A dimensão internacional da edição deste ano está também presente no desfile. Mollerussa e Amposta, na Catalunha, mantêm a ligação estabelecida no âmbito da candidatura conjunta dos trajes de papel a Património Cultural Imaterial da UNESCO e estão representadas no Cortejo através de cinco vestidos de papel provenientes dos seus acervos.

O Cortejo parte da Rua das Sobreiras, segue pelo Passeio Alegre e pela Rua Senhora da Luz e chega à Esplanada do Castelo, em frente ao Hotel Boa Vista, onde, pelas 12h30, está prevista a passagem dos grupos pela tribuna. Ao longo do percurso, haverá atuações dos “Pauliteiros de Nevogilde”, da Batucada Radical e da Banda Marcial da Foz do Douro, que também vão atuar junto à tribuna, juntamente com a Associação Musical AMASING. O desfile prossegue depois até à Praia do Ourigo, onde terá lugar, pelas 13h00, o tradicional “banho santo”.

Recorde-se que o primeiro desfile de Trajes de Papel em dia de São Bartolomeu, 24 de agosto, realizou-se em 1952, depois de a tradição dos trajes de papel ter surgido na Foz na década de 1930, associada à “Festa do Banheiro”.

SOBRE O CORTEJO DE SÃO BARTOLOMEU:
A Romaria de São Bartolomeu remota à tradição do século XIX, quando fiéis acreditavam que, a 24 de Agosto, São Bartolomeu encarnava nas águas e o Diabo andava à solta e procuravam proteção conta males de pele, gaguez ou efeitos demoníacos, mergulhando no mar em busca da sua proteção. A romaria trazia até à Foz um vasto número de crentes que procuravam o banho milagroso.

Nos anos 30 do século passado surge a tradição dos trajes de papel, trazida pelo antigo embarcadiço “Costa Padeiro” e associada à “Festa do Banheiro”. Já o primeiro Cortejo de Trajes de Papel em dia de São Bartolomeu realizou-se em 1952. A partir de 1963 é dado novo fôlego ao Cortejo por Joaquim Picarote, um “bairrista da Foz”. Desde 1979/1980 a organização do Cortejo ficou a cargo da Junta de Freguesia e, após a união das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde em 2013, estabeleceu a Junta o seu Atelier de São Bartolomeu.

O Cortejo dos Trajes de Papel, ao longo da sua diacronia, adquiriu um carácter identitário para a comunidade local, onde há uma clara valorização do trabalho manual e conteúdo material desta tradição. A criação dos trajes implica uma logística prolongada no tempo e a transformação minuciosa de papel crepe em trajes colorido

*SARA MARINHO
**SARA INÊS GRAÇA

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