O Presidente da Câmara Municipal de Viseu parece ter encontrado uma forma peculiar de governar: primeiro constrói a narrativa e depois escolhe os factos que lhe dão jeito para a sustentar.
Tudo o que corre bem já é mérito seu. Tudo o que apresenta dificuldades é responsabilidade de quem esteve antes. O problema é que a realidade insiste em desmentir as suas narrativas.
A mais recente é a dos alegados 26 milhões de euros do PRR que Viseu não terá aproveitado, procurando associá-los à falta de planeamento, de projetos e de capacidade de execução do anterior executivo. É uma boa narrativa. Só tem um problema: os factos.
Quando o Governo da AD tomou posse, em abril de 2024, a execução global do PRR português rondava apenas os 20%. Cerca de 80% permanecia por executar. Foi mais uma pesada herança dos governos socialistas de António Costa, que desenharam programas, regras e procedimentos fortemente centralizados, burocráticos e complexos, muitas vezes pouco ajustados à execução de obra pública em prazos extremamente exigentes.
Foi um problema nacional, sentido por municípios de diferentes cores políticas. Transformá-lo agora num caso de incompetência exclusivamente viseense é reescrever a história.
João Azevedo diz também que não havia planeamento nem projetos. Então quem planeou, projetou, candidatou e lançou as obras PRR que encontrou quando chegou à Câmara?
Com exceção das novas opções entretanto assumidas pelo atual executivo, como o Fontelo, as obras que hoje estão no terreno não nasceram depois das eleições. Foram preparadas anteriormente.
Na saúde, vários procedimentos tiveram de ser repetidos porque ficaram desertos ou porque as propostas ultrapassavam as dotações disponíveis. E há uma evidência difícil de contornar: só fica deserto um concurso que alguém preparou e lançou.
Havia projetos, candidaturas e procedimentos. Existiram dificuldades de mercado, insuficiência das dotações e problemas no próprio modelo definido para executar o PRR.
Nas USF, o atual executivo decidiu agora não prosseguir com algumas das soluções previstas. É uma opção política legítima, mas é uma opção de João Azevedo. Não pode desistir hoje de um investimento e amanhã colocá-lo na conta daquilo que acusa os outros de não terem executado.
E se João Azevedo escolheu a execução como medida da competência, aceitamos o critério. Mas a régua tem de ser igual para todos.
O atual executivo anunciou uma OPA de 12,5 milhões de euros para adquirir 50 habitações.
12,5 milhões anunciados - 50 casas pretendidas - 9 propostas recebidas -Zero casas adquiridas.
Foi o próprio João Azevedo que reconheceu: “O sucesso foi zero.”
Aqui já não há anterior executivo para responsabilizar. A opção foi deste executivo, a operação foi deste executivo e o zero também é deste executivo. E chegamos aos famosos 26 milhões de euros.
João Azevedo tem uma obrigação simples: demonstrá-los. Projeto a projeto. Euro a euro. Quanto estava aprovado? Quanto estava contratualizado? Quanto resultou de concursos desertos ou dotações insuficientes? Quanto corresponde a investimentos aos quais o atual executivo decidiu não dar continuidade? E quanto representa, efetivamente, financiamento atribuído a Viseu que foi definitivamente perdido?
Porque uma candidatura não é financiamento contratado, um concurso deserto não é ausência de projeto e uma decisão do atual executivo não pode ser transformada em responsabilidade do anterior.
Uma narrativa não se transforma num facto por repetir muitas vezes um número.
VISEU PRECISA DE UM PRESIDENTE. NÃO DE UM CONTADOR DE HISTÓRIAS.
Governar não é escolher uma dificuldade, apagar o contexto, responsabilizar quem esteve antes e apresentar-se depois como solução.
Governar é assumir decisões e apresentar resultados.
Os viseenses não precisam que lhes contem uma história todos os dias. Precisam que lhes digam a verdade.
Menos narrativas. Mais factos. Mais resultados.
Comissão Política de Secção do PSD de Viseu
O Presidente
*Pedro Alves
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A Comissão Política de Secção
PSD Viseu

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