O Auditório Dr. José Henriques Vareda, no Sport Operário Marinhense, acolheu, nos dias 3 e 4 de setembro, o 4.º Encontro Municipal de Educação da Marinha Grande, subordinado ao tema “Territórios Resilientes Educam e Transformam”, reunindo docentes, educadores, técnicos, investigadores, académicos e representantes de diversas entidades ligadas ao setor educativo.
Promovida pelo Município da Marinha Grande, a iniciativa constituiu um espaço de reflexão e partilha sobre os desafios atuais da educação, abordando temas como o neurodesenvolvimento, a literacia, a relação escola-família, a inovação pedagógica, a inclusão, a tecnologia e a transformação dos contextos educativos.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, destacou que a temática escolhida assume, este ano, uma relevância acrescida, na sequência dos impactos provocados pela tempestade Kristin no concelho. O autarca recordou o esforço conjunto desenvolvido para garantir a rápida retoma da atividade letiva e sublinhou a capacidade de resposta da comunidade educativa e das instituições envolvidas.
Para Paulo Vicente, “a experiência destes meses ensinou-nos que resiliência não significa apenas resistir. Significa sermos capazes de responder, de nos adaptar, de aprender e de transformar”. O presidente da Câmara acrescentou que “perante uma dificuldade, ninguém consegue responder sozinho”, defendendo que a cooperação entre escolas, famílias, autarquias, instituições e comunidade é fundamental para enfrentar os desafios do presente e do futuro.
O autarca reforçou ainda o papel estratégico da educação no desenvolvimento do concelho, afirmando que “a Educação não é apenas uma competência administrativa. É uma prioridade estratégica para o desenvolvimento do nosso concelho”, sublinhando a necessidade de continuar a investir na qualificação das escolas e na criação de oportunidades para as novas gerações.
Educação é um serviço universal
Por sua vez, Paulo Fernandes, líder da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro do País, realçou a capacidade demonstrada pelas pessoas e pelas comunidades nos momentos mais exigentes. "Enquanto responsável pela Estrutura de Missão, tenho a obrigação de acompanhar e monitorizar, mas também de perceber o território e ter empatia pelo território, pelas comunidades e pelas pessoas concretas que nele vivem”, afirmou.
Referindo-se ao tema do encontro, destacou que "territórios resilientes constroem-se muito para além do exercício de uma competência. Constroem-se pela identidade, pela capacidade de uma comunidade se unir, de se adaptar e de encontrar respostas para os desafios que enfrenta."
Paulo Fernandes advertiu ainda que "a educação é um serviço universal e deve continuar a ser uma garantia central dos princípios da igualdade e da equidade, assegurando a todos o acesso às oportunidades necessárias para o seu desenvolvimento”.
Território que une
Na sessão de encerramento, a vereadora Carla Santana, salientou que uma das principais conclusões do encontro foi a importância das pessoas na construção de territórios resilientes. “Um território resiliente não é aquele que não enfrenta dificuldades. É aquele que, perante as dificuldades, é capaz de se unir, aprender, adaptar-se e seguir em frente”, declarou.
A responsável pelo pelouro da Educação defendeu uma escola inclusiva, capaz de responder às necessidades de todas as crianças e jovens, referindo que “uma educação que não deixe ninguém para trás” deve continuar a ser um objetivo coletivo. “A verdadeira transformação de um território começa quando investimos nas suas pessoas”, acrescentou.
Durante o encerramento, Carla Santana deixou uma mensagem de reconhecimento aos profissionais da educação, agradecendo o empenho diário de professores, educadores, técnicos e assistentes que contribuem para a formação das novas gerações e para a construção de escolas mais humanas, inclusivas e preparadas para os desafios do futuro.
Desafios da educação
Ao longo dos dois dias de trabalhos, o encontro reuniu especialistas e académicos de reconhecido mérito nacional, promovendo a reflexão em torno dos principais desafios da educação contemporânea.
O programa incluiu a conferência “Perturbações do Neurodesenvolvimento”, por Nuno Lobo Antunes, diretor do Centro de Desenvolvimento PIN – Partners in Neurociência; o painel “Como Nascem Leitores: Linguagem, Literacia e Desenvolvimento”, com Isabel Alçada, escritora, investigadora e ex-comissária do Plano Nacional de Leitura, e Miguel Borges, coordenador científico e pedagógico do Programa SPARKLE; e o painel “Caminhos para uma Educação Transformadora”, com Marco Rodrigues, terapeuta ocupacional e professor da Universidade de Leiria e Oeste, e Nicole Agrela, terapeuta da fala e doutorada em Ciências da Cognição e da Linguagem da Universidade Católica Portuguesa.
O segundo dia ficou marcado pelo workshop “Dinâmica Relação Escola-Família: Parceria para o Sucesso Educativo”, dinamizado por Bruno Leite, consultor pedagógico e professor assistente da Universidade de Leiria e Oeste; pela apresentação “Educar para Transformar: Inovação, Inclusão e Sucesso Escolar com a MILAGE APRENDER+”, por Mauro Figueiredo, coordenador do projeto da Universidade do Algarve; e pelo painel “Comunidade Educativa - Agente Essencial no Pensamento e na Transformação de Espaços e Contextos”, que contou com as intervenções de Filipe Martins, gestor da Área de Educação da Fundação Aga Khan, Cristina Oliveira, vice-presidente da CCDR Centro para a área da Educação, e Fernando Remondes, administrador delegado e docente do ISDOM.
O 4.º Encontro Municipal de Educação foi organizado pelo Município da Marinha Grande, em parceria com o Centro de Formação Leirimar, os Agrupamentos de Escolas Marinha Grande Poente, Marinha Grande Nascente e Vieira de Leiria, e a Escola Profissional e Artística da Marinha Grande.
*Gabinete de Comunicação e Imagem
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