domingo, 10 de dezembro de 2017

Rebentamento de conduta de água abre “cratera” de 20 metros em São Pedro de Moel

Enxurrada deitou abaixo o muro de proteção de uma das casas e arrastou alcatrão, pedras e areia
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O rebentamento de uma conduta de água da rede pública de São Pedro de Moel provocou esta manhã "uma cratera de vinte metros de extensão" numa zona residencial, obrigando ao corte da circulação, informou a GNR.
Segundo fonte do comando territorial de Leiria da GNR, a força da água provocou um desmoronamento de terras na rua Aníbal Bettencourt, arrastou o piso de alcatrão e os passeios e "escavou uma cratera com a largura da rua e vinte metros de extensão".
Vídeos colocados logo pela manhã no Facebook por moradores nesta rua mostram que o buraco escavado pelas águas é de grande dimensão, tornando impossível o acesso a algumas residências.
Resultado de imagem para Rebentamento de conduta de água abre “cratera” de 20 metros em São Pedro de MoelA GNR de São Pedro de Moel está no local desde as 07:45, tendo a água sido cortada pelos serviços da Câmara Municipal da Marinha Grande alguns minutos depois. Segundo fonte da GNR local, a enxurrada deitou abaixo o muro de proteção de uma das casas e arrastou alcatrão, pedras e areia, mas não existem residências em perigo.
As autoridades limitaram o acesso à rua, de sentido único, tendo sinalizado percursos alternativos.
A responsável pela comunicação da autarquia disse à Lusa que a situação está a ser avaliada no local por técnicos da Câmara Municipal, reservando para mais tarde a divulgação de informações "mais precisas". Lembrou, no entanto, que nas imediações daquela zona aconteceu este verão uma situação semelhante, embora de menor dimensão.

 Fonte: DN/Lusa

Francisco Louçã. “Vamo-nos aproximando de um novo colapso financeiro”

O crescimento das finanças sombras leva o mundo a repetir crises económicas e financeiras cada vez mais frequentes
NUNO RAMOS DE ALMEIDA09/12/2017 15:57
Quando pensamos num poder sombra ou numa finança sombra, vêm-nos à ideia procedimentos esconsos feitos por criminosos a lavar dinheiro do crime. Na realidade, a finança e a economia sombra não são isso, são as operações financeiras que estão completamente fora do controlo dos Estados e das instituições internacionais. Essas transações estão no centro do sistema financeiro e estão intimamente ligadas aos vários poderes políticos. “Sombras” é o novo livro de Francisco Louçã e do economista americano Michael Ash sobre esta situação. 
Em 1929, a solução que foi encontrada para a enorme crise foi uma solução keynesiana, que contrariava radicalmente as políticas económicas que vinham sendo seguidas. Durante a crise atual, começada em 2007, a solução que se encontrou foi a continuação das políticas anteriores. Qual a razão desta insistência?
Na verdade, a solução keynesiana dos anos 30 é mais moderada do que a lenda descreve, porque foi um chamado keynesianismo militar que acabou por dominar. Onde houve uma expansão keynesiana foi durante o segundo programa do New Deal do Roosevelt [Franklin Delano Roosevelt, que foi presidente dos EUA de 1933-1945 e adotou as políticas do chamado New Deal, um conjunto de programas para combater a Grande Depressão], com grau de investimento relativamente pequeno, mas que teve um efeito de recuperar o conjunto da economia e fazer uma rutura com a doutrina neoliberal, advogada pelo anterior presidente Herbert Hoover, que defendia a ideia de que o mercado resolveria a crise, quando acabou a ser o Estado que a resolveu. Na crise do subprime de 2007-2008, a primeira resposta foi uma resposta de expansão orçamental; foram nesse sentido as primeiras medidas tomadas pelo União Europeia, mas que tiveram uma inversão relativamente rápida.
Inicialmente esteve mesmo em cima da mesa, com o acordo da Alemanha, a renegociação da dívida da Grécia.
Exatamente. No primeiro encontro entre Hollande e Merkel depois da crise, o que está em cima da mesa é a expansão orçamental e a reestruturação da dívida grega. Veja-se o caso da expansão orçamental, em Portugal, em 2009, mas depois o BCE decide subir as taxas de juro e começam as políticas de austeridade. O que mudou substancialmente é que o setor financeiro é agora muito mais poderoso e amplo, com muito mais relações com o setor político, que em 1929-1930. É claro que já havia há muito tempo ligações entre o sistema financeiro e político, nomeadamente nos EUA e no Reino Unido, mas entre a Grande Depressão e a atual crise, o sistema financeiro ganhou uma autonomia muito maior, porque passou a ter liberdade de circulação de capitais. Vinte e cinco anos antes da crise de 2007-2008 já tinha ganho uma enorme independência em relação à capacidade de controlo público. 
Aquilo que levou Keynes a afirmar a um dos seus discípulos, numa polémica registada no seu livro, que queria controlar o capital totalmente, hoje era totalmente impossível?
A posição de Keynes é que não era possível haver política de gestão orçamental e de gestão da política pública sem um controlo sobre as taxas de juro: se há movimentos livres de circulação de capitais, nunca há controlo das taxas de juro; portanto, o Estado desaparece como poder autónomo a partir do momento em que deixa de influenciar as taxas de juro. E tem razão, toda a construção do capitalismo moderno foi feito com o controlo dos Estados sobre as condições de acumulação de capital. A partir de Margaret Thatcher e de Ronald Reagan que a liberalização dos movimentos de capitais começou a ser consagrada em tratados, na prática, e inscrita nas relações económicas. É isso que derrota o esforço do governo de François Mitterrand em 1982--83. Tendemos a esquecer-nos de que ele nacionalizou todos os bancos franceses, todas as companhias francesas e os sete maiores grupos industriais – uma política geral de nacionalização que colapsou imediatamente porque, havendo circulação de capitais, o franco foi atacado e ele deixou de ter capacidade de impedir a fuga de capitais. 
Mas mesmo que atualmente houvesse vontade política, a existência daquilo que você define como uma finança sombra não impediria que uma outra política económica fosse feita para combater a crise?
Não haveria instrumentos para isso. Se fosse escolhida uma política orçamental expansiva para evitar o efeito de recessão – perda da procura, desinvestimento e aumento de desemprego – e houvesse vontade política para isso, faltariam os instrumentos para o fazer. Na verdade, restam apenas os instrumentos de política monetária. E, no caso da UE, os do Banco Central Europeu, que atuou exatamente ao contrário do que devia ter feito: tornou mais difícil o investimento, aumentou as taxas de juro, fazendo uma política recessiva. Mas, para os Estados nacionais, a margem de manobra é ainda muito mais pequena. Até porque aquilo que se foi consagrando é a visão da desregulação, com homens como Trichet [Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu de 2003 a 2011], Greenspan [Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal dos EUA entre 1987 e 2006] e outros a construírem a ideia de que os mercados é que tinham de regular o sistema financeiro, de modo que não havia instrumentos para que as políticas públicas atuassem a não ser estritamente socializando os prejuízos: pagando os contribuintes os bancos que entretanto iam falindo. Pesa muito na incapacidade de resposta, depois da crise do subprime, a educação, doutrinação e consenso, e o quadro mental em que se movem presidentes de bancos centrais, governantes e principais partidos políticos. Estão todos formatados dentro dessa amálgama dessas políticas neoliberais, tendo a ideia de que o mercado é que resolve as coisas. 
Um dos aspetos fundamentais nesse processo, que está no seu livro quando cita o economista polaco Michel Kalecki, que anteviu muitas das conclusões e teorias do Keynes sobre a importância da procura agregada, é que pode haver aparente irracionalidade económica do patronato nas suas negociações com o movimento operário, desde que isso lhes garanta a perda de poder permanente dessas organizações.
Absolutamente, embora os termos “racional” e “irracional” sejam muito armadilhados em terrenos económicos, porque os supostos comportamentos racionais [de maximização da satisfação] são normalmente bastante irracionais. Mas é verdade que, se são vantajosos para a acumulação de capital, num determinado período, este tipo de processos que dão mais poder ao setor financeiro e permitem a sua desregulação, eles não deixam de ser de um enorme risco, porque o crescimento do setor sombra contribui para uma enorme alavancagem do setor financeiro. E no livro são dados exemplos: se há uma alavancagem de 1 para 40, isso significa que uma agência financeira perde 2,5% do seu capital nessa transação e entra em falência. 
No caso europeu, a alavancagem máxima prevista a certa altura era de 1 para 20 no setor financeiro....
Mas chegou a muito mais. Nós damos exemplo de uma operação financeira que tem uma alavancagem de 1 para 2770. E, desse ponto de vista, o que podemos dizer é que é um efeito de redistribuição do produto entre os capitais, privilegiando a lógica extrativa e a lógica da renda. Isto só é possível com um poder político e de ligações governamentais muito fortes. É por isso que instituições como a Goldman Sachs e outras necessitam de ter garantias estáveis de distribuição de renda, como parcerias público-privadas, aplicações financeiras de vários tipos, porque é isso que lhes garante que, no caso de haver um colapso, são sempre os seus concorrentes que vão morrer. E eles são demasiado gigantescos para falir. A crise é uma forma de limpeza e destruição de capital.
Tem de haver uma grande cumplicidade política entre esses grandes grupos financeiros e os decisores políticos e muitas “portas giratórias” entre ambos, de modo que o poder político salve esses grupos com o dinheiro dos contribuintes durante as crises?
Isso é verdade, mas deixe-me voltar ao argumento do economista polaco Kalecki, que citou, que foi precursor do Keynes e o próprio Keynes reconhecia isso: é que havia situações em que os capitalistas no seu conjunto podiam preferir uma solução de menor procura agregada e implicando um maior desemprego, significando uma menor venda de encomendas, desde que isso criasse uma disciplina, submissão e esmagamento da classe trabalhadora, que era vantajosa depois, nos períodos de retoma, porque os salários continuariam a nível mais baixo. É evidente que na sequência desta grande crise [2007] e durante a retoma medíocre, a grande preocupação das organizações patronais é manterem o esvaziamento da contratação coletiva e a incapacidade reivindicativa dos trabalhadores.
A retoma é medíocre para todos? Do ponto de vista do capital financeiro, o seu grau de poder e concentração parece acrescido depois da crise, e a ficar com uma fatia crescente do rendimento.
A concentração bancária aumentou. É notório isso na Europa, porque as autoridades europeias têm um projeto de concentração bancária europeia em torno do Deutsche Bank e do Santander. E, nos EUA, porque alguns dos principais bancos foram à falência e foram reabsorvidos por outros. A desregulação relançou este sistema sombra. Paul Krugman publicou há dias no “New York Times” um artigo em que analisa o peso da intermediação financeira, da economia sombra, antes e depois da crise de 2007. Era, se bem me lembro, 63% em 2007, e agora já está em 67%. É maior do que era naquela altura. E Robert Schiller, que foi Prémio Nobel da Economia, diz que os índices ciclicamente ajustados entre preços e ações só estiveram tão altos em dois momentos nos últimos 120 anos: em 1929 e na chamada bolha dot-com, em 2001. Tirando esses momentos, nunca alcançaram este nível de expansão. O que quer isso dizer? É muito caro comprar ações porque a poupança é desviada, não é aplicada no mercado de investimento, é aplicada em ações; e, portanto, temos uma bolha. Não foi muito notado na imprensa financeira, mas o governador do Banco Central da China, que termina o seu mandato agora em janeiro, fez um discurso em setembro dizendo que estamos a aproximar-nos de novo de um momento Minsky. O momento em que colapsa, como um castelo de cartas, o sistema financeiro é um momento Minsky, como aconteceu em 2007 e 2008. Que ele tenha escolhido estas palavras na véspera de se ir embora é importante: há uma bolha imobiliária na China; há sobretudo uma bolha financeira importante na Europa, com instituições que não são capazes de responder a uma crise destas, pelo contrário, estão arquitetadas para responder da forma mais prejudicial possível, com o aumento da austeridade; e a subida de juros nos EUA.
Mas não há uma relação em que os rendimentos do capital financeiro e dos lucros da produção de bens e serviços sejam cada vez mais favoráveis, de uma forma quase estratosférica, aos primeiros? Não há aqui uma dimensão de mero jogo pouco ligado à produção?
O Marx chamava a isso a produção do capital fictício e estava a falar do princípio desse processo. Para ele, capital fictício era comprar um navio que ainda vinha da Ásia. Era uma espécie de mercado de futuros, que já havia em Chicago, mas era muito limitado. Era como a compra de dívida pública a 99 anos. Portugal reestruturou a dívida na década de 1890, emitindo-a a 99 anos. Isso já existia, mas ganhou uma dimensão completamente diferente devido ao processo de titularização de dívidas. É o caso do subprime: porque é que o subprime ganhou a importância que teve, sendo tão marginal no crédito hipotecário, e este uma pequena parte do setor financeiro norte-americano? Porque aqueles títulos de dívida eram reempacotados e vendidos noutros pacotes, com nomes formidáveis. Estavam nos balanços de muitas instituições financeiras. 
Como a da maior seguradora do mundo...
A AIG, e é por isso que ela vai à falência. O que se pode talvez sublinhar na relação entre a finança e a indústria é que uma parte cada vez mais importante da mais-valia produzida pela indústria é absorvida pelas rendas financeiras. Nas 1000 maiores empresas, quase 500 pagam mais em custos financeiros do que em custos do trabalho; são muito mais vulneráveis a uma variação da taxa de juro do que a uma qualquer reivindicação social dos trabalhadores para um aumento salarial. 
Para se recuperar esse controlo da economia sombra é necessário um processo de “desglobalização” e “desfinanceirização”? Isso é possível?
Se é possível ou não, depende completamente da correlação de forças e da vontade política. Agora, nós vamo-nos aproximando de um novo colapso financeiro. O tamanho desse colapso é imprevisível, pode ter dimensões muito variáveis. Mas o certo é que entraremos nesse colapso em condições muito mais degradadas do que tínhamos em 2007-2008: com menos emprego, menos direitos e com um setor financeiro muito mais vulnerável, porque muito mais gigantesco, e com os Estados e as autoridades internacionais com ainda menos capacidade de resposta. É possível uma mudança? Depende dos movimentos populares e de como se consigam organizar neste contexto. São, de qualquer forma, necessárias mudanças mínimas para evitar um efeito de contágio social por parte de uma crise deste tipo: controlo dos movimentos de capitais, o seu registo e o seu controlo....
Aquilo que defende Gabriel Zucman, inventariar todos os depósitos e a quem pertencem nas offshores?
Sim, mas um pouco mais que isso. É conseguir um fisco leal, mas que os processos de ordens de movimentos de capitais possam ser regulados e vigiados pelo governo. Tem de haver controlo de capitais no sentido estrito do termo. Curiosamente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem um debate aceso sobre isso – chamando-lhe um outro nome, mas admitindo pela primeira vez que isso pode ser indispensável em muitos casos. Na verdade, os países que se protegeram melhor da crise do subprime foram aqueles que tinham controlo de capitais, como a China, a Coreia do Sul e outros países asiáticos. É preciso também bancos centrais que estejam dependentes da decisões políticas, que atuem conforme lógicas democraticamente assumidas e não segundo lógicas de mercado; e ter capacidade expansiva, poder basear a capacidade pública no controlo do sistema bancário.
No livro declara-se que não se pode voltar ao passado, do “boring banking”, a que se alude no filme “A Queda de Wall Street”, baseado no livro de Michael Lewis, mas que é preciso democratizar as finanças e a economia...
Isso será também boring banking. É preciso acabar com as aventuras financeiras, acabar com os títulos que ninguém sabe o que são e são vendidos a quem quer que acredite. Nós temos de ter uma banca cuja função seja receber depósitos e conceder empréstimos. Tudo visível e verificado. É preciso que haja controlo público da banca.
Isso significa a sua nacionalização?
Há várias formas possíveis. A nacionalização é a mais sólida, mas há outras formas. Só a partir do controlo do movimento internacional dos capitais é possível esse tipo de gestão. Mas a banca tem de funcionar assim. Toda a parte da banca sombra: investimento, mercados de títulos, derivados. Tudo isso tem de estar reduzido a operações financeiras correntes.
Para haver uma democratização da economia tem de haver um povo. Com a internacionalização do capital, esse povo é um povo nacional ou global? A economia controla-se e democratiza--se a nível nacional ou global?
É preciso que haja fronteiras no controlo da circulação do capital. Caso contrário, temos uma equação impossível: é preciso um controlo mundial sobre o capital global e para isso é preciso haver uma república mundial. É o discurso da impossibilidade. A única forma de fugir ao discurso da impossibilidade é haver o espaço onde as pessoas se reconhecem e são capazes de tomar decisões: e isso é o Estado nacional.
Houve uma altura em que achava que a Europa era uma boa base de sustentação para uma comunidade política que pusesse em prática políticas económicas diferentes.
Mudei alguma coisa. Mudei muito sobre o euro. Em 1999, eu, o Miguel [Portas], o Luís [Fazenda] e outros pensávamos que era possível um europeísmo de esquerda. Não que fosse possível reformar as instituições europeias – rejeitámos sempre o federalismo –, mas que era possível dar força constituinte a uma relação de forças entre os movimentos populares e a União Europeia que permitisse ganhar coisas importantes, como na proteção do desemprego e na expansão de políticas sociais. E provou-se que não é possível. É necessário, mas não é possível. Depois da experiência da Grécia, alguém me pode dizer que possa existir um grande movimento europeu de solidariedade com o primeiro governo que tome uma atitude? É um logro. É possível dizer que se consegue vergar as instituições europeias com um referendo num só país? Não é. Se isso não é possível, a única solução é um caminho de defesa de fronteiras nacionais.
Como vê a criação de novas fronteiras, como as propostas por quem defende a autodeterminação da Catalunha?
Os catalães parecem muito impreparados para o que fariam se houvesse independência. Parecem não ter pensado nisso. Não vi ninguém dizer “se saímos da UE, temos de ter uma moeda própria, temos de a emitir, temos de ter um banco central”. Mas evidentemente que os povos têm direito à autodeterminação. Agora, nos Estados constituídos como tal, como é o caso de Portugal, a forma de responder à globalização e, aliás, a única forma de disputar a relação de forças neste processo de globalização é ter um Estado nacional. 
Isso não é contraditório com a ideia do “Manifesto Comunista” de que a burguesia revoluciona tudo, que as fronteiras são ultrapassadas, tudo o que é sólido se dissolve no ar, e que é para isso necessário que os proletários de todos os países se unam?
Tem de se separar formas de propaganda e de educação política da política pragmática que pode fazer o seu caminho. Uma política socialista é uma política que constrói relações de forças e procura disputá-las; para o fazer, tem de construir uma maioria popular. Que esses movimentos populares contra a finança sombra têm de ter cooperação internacional, ambições e objetivos políticos por cima das fronteiras, isso é inteiramente verdade; que o caminho para o fazer é ganhar estruturas de poder, e elas não podem estar dependentes de uma universalização mágica e simultaneidade de ganho de forças, isso é também evidente. Na Europa, a relação de forças alterar-se-á segundo a história e a luta de classes em cada país.
Não será uma revolução permanente?
Permanente ou não, logo se verá, mas tem de começar por algum lado, não pode ser uma espécie de atentismo poético e de momentos milagrosos, porque isso não existe. O que existe verdadeiramente é aumentar as pensões, ajudar a desbloquear a contratação coletiva e ter um governo a reivindicar a política monetária para se proteger dos movimentos de capitais.
Não é possível pensar a política e a economia para além do pensável?
A política tem de estar para além daquilo que é imediatamente possível. Pragmatismo é lutar pela relação de forças. Não há política que não seja assim. Outra coisa é saber o que se quer e os objetivos que se tem. É preciso caminhar. Mas para isso é preciso estar a fazer o passo seguinte. 
Estamos em plena reforma e pouca revolução?
Não, só se pode combater a finança sombra com uma ideia de rutura, porque se trata de um poder gigantesco. Os resultados da Goldman Sachs são superiores ao PIB de 100 países do mundo. Eles tratam os governos como o contínuo da sua filial da Rua Augusta. Não há nenhum caminho viável ou realista, para a esquerda, que não seja o enfrentamento com o poder financeiro. 
Fonte: Jornal I
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Tempestade Ana. Que cuidados devemos ter?

A Proteção Civil alerta para os efeitos da tempestade que vai passar por Portugal e deixa alguns conselhos.

O estado do tempo vai agravar-se consideravelmente durante esta noite e madrugada devido à passagem da tempestade Ana.

A Proteção Civil alerta para o vento forte e para a precipitação e deixa vários conselhos.

Fixar estruturas soltas, evitar circular em terras altas, não atravessar zonas inundadas e não permanecer junto a zonas ribeirinhas, por exemplo, são alguns dos cuidados a ter.

Eis a lista dos conselhos da Proteção Civil para este domingo:

-Fixar as estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards e outras estruturas suspensas;

-Observar especial cuidado na circulação e permanência junto a áreas arborizadas, devido à possibilidade de queda de ramos e árvores em virtude de vento mais forte;

-Evitar a circulação e permanência nas terras altas, onde as rajadas de vento esperadas são fortes ou muito fortes;

-Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e a retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas;

-Abster-se de atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas e/ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;

-Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível acumulação de neve e formação de lençóis de água nas vias;

-Proceder à colocação das correntes de neve nas viaturas sempre que se circular nas áreas atingidas pela queda de neve;

-Ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas mais vulneráveis a galgamentos costeiros, evitando-se circular e permanecer nesses locais;

-Abster-se de praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando-se ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima;

-Estar atento às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e das Forças de Segurança.

Fonte: Jornal I

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Indignada, Tânia Ribas afirma: "Não somos todos iguais. Uns são ladrões"

A apresentadora da RTP não ficou indiferente à reportagem de Ana Leal.

Indignada, Tânia Ribas afirma: "Não somos todos iguais. Uns são ladrões"
Tânia Ribas de Oliveira mostrou a sua profunda indignação após uma reportagem da TVI de Ana Leal, na qual foi denunciada a forma como era gerida a instituição de solidariedade social Raríssimas, destinada a ajudar crianças com doenças raras.
“A reportagem da Ana Leal deixou-me profundamente enojada com a ‘gestão’ vergonhosa da Raríssimas, na pessoa da Paula Costa. Tanto dinheiro público gasto em proveito próprio (subsídios direcionados a crianças com doenças raras que foram utilizados em viagens, bmw, roupa caríssima...) tanta altivez, tanta arrogância desmedida. Obrigada a quem denunciou, tem razão: “para os maus vencerem basta que os bons não façam nada”. E não, Paula, nós não somos todos iguais. Entre outras diferenças igualmente importantes, uns são ladrões. Outros não. Vergonha”, escreveu na sua página de Facebook.
Desde logo a apresentadora recebeu o apoio dos seus seguidores.
Fonte: Noticiasaominuto

Brilho no céu… e no palco!

Pela tarde de sábado aconteceu o desporto, na Barrinha de Mira, a fazer parte do cartaz das Festas em Honra de Nossa Senhora da Conceição. Mas, isto foi só o começo!
Depois das 22:00 horas, a Banda Top Som veio encher o palco e mexer com a assistência, até bem perto da meia noite.
Naquele momento, entrou em cena um magnífico Fogo de Artifício Piromusical, que tomou conta do céu sobre a Barrinha. Minutos intensos, repletos daquela característica magia dos Fogos de Artifício que têm tanto de belo como de surpreendente!
Ao som de músicas dos Queen, Patrícia Tavares ou Ana Moura, centenas largas de pessoas desfrutaram de um extraordinário cenário a céu aberto. Ouviram lindas vozes e presenciaram movimentos multicoloridos que a todos deixou em atenção. Lindo espetáculo, aquele...
Logo de seguida, vieram os Sproud... que subiram ao palco, a sentirem-se em casa. Antes de mais, são todos zuas do melhor que há: gente alegre, de bem com a vida, amigos de toda a malta, mas também são excelentes músicos!
Bateria, teclado, baixo, guitarra, voz... tudo o que existe em todas as Bandas, mas com um bom toque à Praia de Mira, esteve cerca de uma hora em atuação, para gáudio de quem os assistia. Desde a voz de Bruno até a guitarra de João Facão, passaram canções de grandes artistas portugueses e estrangeiros. Quem ouviu, por exemplo, Coldplay, sentiu que esta Banda tem muito para dar, se assim o pretender. Mira é pequena demais para tanta qualidade e ninguém se surpreenderá em vê-los em altos voos por outras paragens...
Agora é esperar o tal. Quim Barreiros está quase a chegar para, durante a tarde, contribuir para o grande encerramento destas Festas que tanto dão o que falar!
Mira Online


Agressividade do crédito faz disparar riscos para as famílias

O crédito ao consumo está a crescer e as condições dos empréstimos são cada vez mais complexas, contendo verdadeiras armadilhas para os consumidores. Banco de Portugal assume preocupação
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Nos primeiros nove meses de 2017 foram emprestados, em média, 17,7 milhões de euros de crédito ao consumo por dia. No total, foram concedidos 4800 milhões de euros de novo crédito para compra de carro, electrodomésticos e muitas outras coisas. Um crescimento acima 12% em termos homólogos, e que faz despertar receios de que muitas famílias estão a cair, novamente, numa espiral de endividamento excessivo.
As campanhas de promoção deste tipo de crédito estão por todo o lado: na rádio, na televisão, na caixa do correio, no email e no telemóvel. E são cada vez agressivas, porque estão associadas a ofertas a que é difícil resistir, como saldos em cartão, equipamentos electrónicos, viagens e descontos. A par da forte persuasão, os produtos de crédito estão cada vez mais complexos, de difícil compreensão, mesmo para pessoas com formação superior fora da área da economia e gestão.
Alguns dos produtos têm verdadeiras “rasteiras”, como a proliferação de cartões de crédito com pagamento mínimo mensal de 5% e 10% dos saldos, percentagens que podem ser aumentadas se o cliente se dirigir a uma caixa automática (vulgo multibanco), ou no acto da compra. Pagar 5% ou 10%, ou mesmo 50% do montante em dívida, por mês, é fazer disparar o valor pago em juros.
Por outro lado, rapidamente o cliente atinge o limite de crédito autorizado e logo surge a tentação de subscrever outro cartão. E praticamente ninguém tem noção dos juros pagos, que nos cartões mais recentemente ronda os 16%, mas nos mais antigos podem ficar muito acima dos 20%. E, novidade recente, começam a surgir cartões em que o habitual período sem juros, de 30 a 50 dias, só se aplica a quem optar pelo pagamento fraccionado.
O saldo total do crédito ao consumo não é muito elevado, representava cerca de 20% do endividamento das famílias no passado mês de Setembro (num total de 115.106 milhões de euros), com a habitação a representar os restantes 80%. Mas é este crédito que gera maiores situações de incumprimento, e que está na origem de boa parte das situações de “falência” financeira dos consumidores. Isto porque é frequente as famílias terem vários créditos, nomeadamente através de cartões de crédito, e de subscreverem novos empréstimos para pagar outros já em incumprimento, e esse desequilíbrio chega, em muitos casos, ao empréstimo da casa.
A aceleração deste tipo de crédito, mais de 40% do qual é para a compra de automóveis, fica a dever-se “ao aumento da confiança das famílias, sendo a primeira variável a despertar num cenário de recuperação económica”, explicou ao PÚBLICO Jorge Farinha, professor da Faculdade de Economia do Porto.
A forte concorrência entre bancos para ganhar quota de mercado, um negócio dominado por bancos estrangeiros, leva a práticas que “replicam o que já aconteceu no passado, embora a sinistralidade [incumprimento] tende a ser menor que no pico da crise”, adiantou Jorge Farinha, responsável por várias disciplinas na área de Finanças.
E o que aconteceu no passado foi a assunção de empréstimos que, em face de uma redução de rendimentos, as famílias não conseguiram suportar, entrando em incumprimento, o que leva, no desfecho mais dramático, à perda da casa e ou à insolvência pessoal.
O Banco de Portugal (BdP) começa a olhar com preocupação para o ritmo de evolução do crédito, que resulta de critérios mais flexíveis na sua concessão, nomeadamente na avaliação da capacidade financeira das famílias para cumprirem os encargos assumidos em caso de redução do seu rendimento e num cenário de subida das taxas de juro, que se deverá colocar a partir de 2019. Boa parte do crédito ao consumo tem taxa fixa, ao contrário do que se passa na habitação, que está associado à Euribor, o que acaba por ter um impacto muito elevado no orçamento familiar.
No relatório de Estabilidade Financeiro, divulgada esta semana, o BdP destaca que “os fluxos de novos empréstimos a particulares [consumo e habitação] registaram um crescimento significativo no primeiro semestre de 2017, tendo já superado, em percentagem do rendimento disponível os níveis observados no início do Programa de Assistência Económica e Financeira”, imposto pela “troika”, em 2011. A preocupação do supervisor é bastante maior no crédito à habitação, onde admite tomar medidas para “apertar” alguns critérios de concessão por parte dos bancos, que na prática funcionarão como travão a operações de maior risco.
Recentemente, o BdP aprovou regras que reforçam os deveres das instituições na avaliação dos deveres de solvabilidade, que entrarão em vigor a 1 de Janeiro de 2018, no âmbito de legislação comunitária, que, no entanto, não impedem que o regulador admita tomar medidas complementares.

Sinais de alerta

A agressividade comercial é acompanhada de uma certa ligeireza na avaliação da capacidade financeira do cliente. Até 1500 euros é frequente encontrar crédito concedido na hora, sem comprovação de rendimentos, e da situação socioprofissional, despesas regulares. Quando muito, dá tempo para uma consulta à Central de Responsabilidade de Crédito, que é uma espécie de cadastro do histórico financeiro do cliente, contendo informação sobre eventuais falhas de pagamento de empréstimos.
Agressivas são também as campanhas de crédito com taxa de juro zero, reflectida na Taxa Anual Nominal, que é a taxa habitualmente promovida, mas pode não ser zero, porque os juros estão escondidos noutros custos, como o de abertura de processo, seguros obrigatórios, comissão de pagamento de prestação, e isso só é reflectido na Taxa Anual de Encargos Efectiva Geral (TAEG), que tem de ser comunicada ao cliente, e tem que estar nos contratos, mas que não é de fácil percepção pelos clientes.
Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco, considera que “se voltou à forma de contratação praticada antes da crise financeira de 2008”, e considera que “há um claro aproveitamento da iliteracia financeira de muitos consumidores”, o que deveria levar “a uma outra atenção do regulador”. E os resultados são preocupantes. Natália Nunes refere que “todos os dias chegam ao GAS pedidos de famílias sobre-endividadas e que não há uma diminuição face aos anos anteriores. De Janeiro a 25 de Outubro, o GAS recebeu 26.080 pedidos de ajuda, já perto dos cerca de 30 mil do total do ano passado.
“A situação das famílias não está também como parece”, refere a coordenadora do GAS, admitindo que já é visível uma preocupação de muitas famílias com o impacto que a subida da Euribor pode ter no seu orçamento.
O presidente da Apusbanc Consumo, associação de defesa do consumidor, Júlio Martins-Mourão diz não ter dúvidas que a publicidade do crédito ao consumo “é agressiva e enganosa”, admitindo que há coisas a corrigir, como rápida comunicação à Central de  Responsabilidade de Crédio da entrada em incumprimento dos clientes, que actualmente é de dois meses. Júlio Martins-Mourão também defende medidas rápidas relativamente à formação dos funcionários afectos à venda destes produtos.
A introdução de uma disciplina de formação financeira, a começar no secundário, é fundamental, defende Jorge Farinha, considerando que essa matéria “não é menos importante do que aprender Português ou História”. Da sua experiência pessoal, diz o professor universitário, “há muitas pessoas com formação superior com grande desconhecimento destas matérias”, em boa parte porque a linguagem “é muito inacessível”.
Público

APCC inaugurou “Isto não é uma exposição”, onde se cruzam o teatro e a terapia ocupacional

Decorreram no dia 8 de dezembro as três primeiras sessões de “Isto não é uma exposição”, uma iniciativa da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) que é um encontro entre a terapia ocupacional e a arte e que se repetirá nos próximos dias 11, 12 e 13, sempre no Convento São Francisco.
Através de uma visita guiada e de um Experimentário, os visitantes puderam perceber como objetos comuns do quotidiano precisam de ser adaptados para serem usados por pessoas com deficiência, mas também assistir e participar em jogos e num mini-espetáculo inspirados por esses mesmos objetos.
Foi assim que se descobriu, por exemplo, que as colheres usadas nas rotinas de alimentação são todas dobradas na sua nova forma pelo ‘Homem mais forte do mundo’, ou pelo menos que é isso que a imaginação pode permitir supor.
A guiar o público, estiveram mais de vinte utentes da instituição e as professoras de teatro e terapeutas ocupacionais de quem surgiu a ideia para “Isto não é uma exposição”. Da dinâmica gerada e da participação do público se construiu algo que, por não ser uma exposição, foi uma experiência de participação e de interações variadas.
No final, todos terão podido tirar algumas conclusões sobre questões como o que são verdadeiramente obstáculos, como os superar ou o que representa ser autónomo.
“Isto não é uma exposição” tem entrada livre, mas as visitas guiadas são sujeitas a inscrição, através do 239 802 820 ou do 919 219 729. As sessões da próxima semana decorrerão às 10H30, 14H00 e 15H30. Para o Experimentário não é necessária inscrição, podendo ser visitado das 10H30 às 17H00.
Esta iniciativa está integrada no projeto da APCC “E se o mundo não for como costuma…”, financiado pelo Instituto Nacional de Reabilitação, através do Programa Nacional de Financiamento a Projetos 2017.
A terapia ocupacional e o desenvolvimento de atividades ligadas ao campo artístico são duas das respostas da APCC enquanto instituição que fomenta a inclusão, em que se incluem ainda a reabilitação, a formação ou as unidades residenciais, entre muitas outras.
Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra