segunda-feira, 15 de julho de 2019

Estarreja | Entrega de subsídios às coletividades na área da ação social

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Regulamento Municipal de Apoio ao Associativismo 2019: Entrega de subsídios às coletividades na área da ação social.

A Câmara Municipal de Estarreja procede, esta terça-feira, dia 16 de julho, às 18h00, no Edifício dos Paços do Concelho, à entrega de subsídios às coletividades e às associações da área da ação social, no âmbito do Regulamento Municipal de Apoio ao Associativismo 2019.

No âmbito do Regulamento Municipal de Apoio ao Associativismo deste ano, o Município de Estarreja entregará às coletividades e associações das áreas culturais e recreativa, ação social, educação e desporto, subsídios no valor total de mais de 1 milhão de euros.

Daniela Couto

Covilhã | CENTRO DE INOVAÇÃO DO TURISMO INAUGURADO NA COVILHÃ

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O NEST – Centro de Inovação do Turismo, projeto âncora da iniciativa Turismo 4.0 com o objetivo de potenciar Portugal como hub global de inovação no setor, é inaugurado na próxima quinta-feira, 18 de julho, às 16h30, na Praça do Município, Covilhã, pelo Ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira.

Com a missão de promover a inovação e o uso da tecnologia na cadeia de valor do turismo, o NEST tem como prioridades de atuação: a experiência dos turistas, big data & analytics, soluções em sustentabilidade e competências digitais. O objetivo é apoiar o desenvolvimento de novas ideias de negócio, a experimentação de projetos e a capacitação das empresas na transição para a economia digital, posicionando-se como um polo de referência internacional em termos de empreendedorismo e desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor.

A localização da sede, na Covilhã, é também inovadora, indo ao encontro dos objetivos da Estratégia Turismo 2027 de criar valor por todo o território, ao longo de todo o ano.

O NEST – Centro de Inovação do Turismo é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, constituída em fevereiro de 2019 por oito entidades fundadoras: ANA Aeroportos, Brisa / Via Verde, Google, Microsoft, Millennium BCP, NOS, BPI e Turismo de Portugal.


Aldeia Histórica de Marialva reaviva a lenda de Maria Alva Pés de Cabra em três dias de grande animação

Reza a lenda que, há muito tempo, vivia uma donzela muito formosa numa pequena aldeia do interior do nosso país. Um certo dia, um nobre que por ali passava enamorou-se dela. Desejando pedi-la em casamento, decidiu encomendar a um sapateiro uns sapatos para oferecer à donzela. Como se tratava de uma surpresa, e o sapateiro não tinha maneira de saber o tamanho dos seus pés, este pediu ao nobre para espalhar farinha aos pés da cama da donzela, para que esta deixasse a marca da farinha espalhada no chão quando se levantasse.
Qual não é o espanto do sapateiro quando descobre, pela forma deixada no chão, que a donzela tinha “pés de cabra” – mas profissional como era, cumpre a encomenda sem comentários, guardando segredo até do próprio cliente. Eis senão quando o nobre entrega o presente à donzela, que se apercebe que todos acabaram de descobrir o seu segredo… Aterrorizada, atira-se da torre de menagem do castelo. A donzela chamava-se Maria Alva.
A aldeia desta lenda é Marialva, onde é contada, de geração em geração, como a estória que deu origem ao nome da terra. Graças ao Ciclo “12 em Rede - Aldeias em Festa”, que chega àquela Aldeia Histórica de 19 a 21 de Julho, a bonita donzela volta a ser recordada, num fim-de-semana repleto de animação, com mil e uma atividades e momentos imperdíveis, inspirados na lenda de Maria Alva.
De entrada livre, a festa "Maria Alva Pés de Cabra" vai dar mais vida à Aldeia Histórica de Marialva, com concertos, oficinas de cozinha regional, trabalhos em feltro, visitas guiadas encenadas, passeios equestres, teatros de rua, mostra e venda de produtos regionais, showcooking, entre outros.
No sábado, dia 20 de Julho, às 21h, Marialva recua no tempo e apresenta uma encenação da lenda Maria Alva Pés de Cabra, com o magnífico cenário do Castelo da Aldeia Histórica como pano de fundo.
Com sugestões para miúdos e graúdos, a diversão está garantida em Marialva. É, também, uma excelente oportunidade para conhecer esta Aldeia Histórica, assim como as suas gentes, que também participarão nos vários momentos do evento.
Este evento é promovido pela Associação de Desenvolvimento Turístico Aldeias Históricas de Portugal, numa organização do Município da Mêda, Junta de Freguesia de Marialva, Associações e Agentes económicos locais. Uma iniciativa apoiada pelo Centro 2020, Portugal 2020 e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos (PROVERE).
Entre nesta grande festa e viva grandes emoções na Aldeia Histórica de Marialva!
Inscrições e informações em:
Posto de Turismo de Marialva
T. 279 859 288


Nacional | Operação “Viajar Sem Pressa” está a decorrer

Desde o dia 12 de Julho e até ao dia 19, a Guarda Nacional Republicana (GNR), na sua área de responsabilidade, realiza ações de sensibilização e de fiscalização rodoviária intensiva de controlo da velocidade, com o objetivo de promover uma cultura que resulte em comportamentos mais seguros por parte dos condutores e na diminuição da sinistralidade rodoviária grave.
O excesso de velocidade continua a constituir em Portugal uma das principais causas da sinistralidade rodoviária grave, seja pela diminuição do tempo de reação do condutor para fazer face a um imprevisto, ou pelo agravamento das suas consequências em resultado da maior violência do embate. Importa salientar que quando a velocidade duplica, a distância de travagem quadruplica, e em caso de acidente, a probabilidade de resultarem vítimas mortais ou feridos graves aumenta 8 a 16 vezes.
A GNR, relativamente à prevenção da sinistralidade rodoviária, no ano de 2018 e 1.º semestre de 2019, controlou a velocidade de cerca de 11 milhões de veículos, dos quais 232 532 circulavam em excesso.
Nesta operação serão empenhados militares dos Destacamentos de Trânsito dos Comandos Territoriais e da Unidade Nacional de Trânsito, que estarão especialmente atentos à infração de excesso de velocidade, uma vez que este período de Verão caratceriza-se, não só pela realização de grandes deslocações, seja por motivo de férias ou para o gozo de períodos de lazer mais curtos, como também pelo aumento do tráfego rodoviário e do cometimento de alguns excessos, nomeadamente de velocidade, potenciando a ocorrência de acidentes e o agravamento das suas consequências.

Coimbra | Alterações climáticas: cientistas estudam soluções para impedir o desaparecimento dos sapais estuarinos


Devido às alterações climáticas, os sapais estuarinos correm sérios riscos de desaparecer, tornando-se urgente a adoção de medidas de proteção e conservação destas zonas de elevada importância ecológica e socioeconómica.

Para mitigar o impacto causado por eventos climáticos extremos, mas também por atividades humanas (agricultura, urbanização, poluição), nas zonas de sapal dos estuários, está em curso o projeto de investigação ReSEt – Restauro de sapais estuarinos com vista à sustentabilidade. 

Financiado por fundos europeus através do Programa Operacional MAR 2020, o ReSEt junta 15 investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente das universidades de Coimbra (MARE-UC) e de Lisboa (MARE-UL), do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia Estrutural (ISISE) e do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). 

No âmbito do projeto, será instalado, ainda durante o mês de julho, um conjunto de células experimentais no estuário do Mondego, perto de Vila Verde, onde os investigadores vão estudar novas técnicas que impeçam a destruição dos sapais. 

«Vamos testar e validar quatro técnicas de eco engenharia que possam ser utilizadas para promover a sedimentação e proteger e recuperar estas zonas de sapal, nomeadamente uma paliçada de madeira, uma tela de geotêxtil e sacos de geotêxtil com areia, bem como o transplante de plantas autóctones. Estas experiências vão ser implementadas ao longo de um ano e meio, para assim podermos avaliar a evolução da taxa de sedimentação e das comunidades biológicas, com o objetivo de compreender qual destas técnicas será mais vantajosa do ponto de vista ambiental e económico», clarifica Tiago Verdelhos, investigador do Laboratório MAREFOZ do MARE e coordenador do projeto.

Sabendo da importância das zonas estuarinas para a sustentabilidade das pescas, já que são fundamentais para os primeiros tempos de vida de muitas espécies de peixe, os investigadores vão também explorar a hipótese de proteger e conservar a fauna autóctone do estuário do Mondego com recurso à utilização de um tanque de aquacultura como “viveiro”. Para tal, «vamos deixar entrar a água do estuário, capturando o peixe dentro desse tanque, para que seja possível avaliar quer a quantidade quer a diversidade de peixes, assim como perceber se este método pode ser usado como técnica de proteção e conservação de espécies», adianta Tiago Verdelhos.

O investigador do laboratório MAREFOZ adverte que é urgente adotar medidas de proteção e restauro dos sapais estuarinos porque, «se nada for feito, com a subida do nível do mar prevê-se que estas zonas, que por natureza estão situadas entre marés, tendam a desaparecer, com consequências bastante negativas. Assistir-se-á à diminuição da biodiversidade e os serviços que são fornecidos por estes ecossistemas serão bastante afetados. Os sapais contribuem, por exemplo, para a retenção de carbono, a qualidade da água e reciclagem de nutrientes, e são fundamentais para a reprodução de peixes». Além disso, são ainda ecossistemas muito importantes para o turismo e lazer.

Em resumo, o projeto ReSEt desenvolve-se em três grandes eixos: ecossistema (testar técnicas de proteção dos habitats), biodiversidade (proteção da fauna) e sociedade (apostando em atividades de comunicação de ciência e ações de ciência cidadã, nomeadamente ao nível de sensibilização). A equipa do projeto espera que as soluções de proteção e restauro de sapais estuarinos desenvolvidas sejam aplicadas no estuário do Mondego e possam ser replicadas em qualquer estuário do mundo.

Cristina Pinto



Figueiró dos Vinhos | "Vou levar-te comigo" com José Raposo em Figueiró dos Vinhos



As Festas da Feira de S. Pantaleão, em terras figueiroenses, vão ter sabor a teatro musical com o espetáculo "Vou levar-te comigo".

Pelas mãos de José Raposo, Vera Mónica e Diana Nicolau, o público viajará pelo tempo, passando por várias épocas através das canções que as caracterizaram, jogando, assim, com a memória coletiva dos presentes.

O espetáculo, que terá lugar no dia 27 de julho, pelas 21h30, no belíssimo Anfiteatro da Biblioteca Municipal, promete não só fazer rir, mas sobretudo recordar as histórias de todos nós!

O evento integra o projeto “Região de Leiria – Rede Cultural”, promovido pela CIMRL - Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, cofinanciado pela UE através do CENTRO 2020 no âmbito do Eixo 7 “Afirmar a Sustentabilidade dos Territórios” (CONSERVAR).

As tradicionais Festas da Feira de S. Pantaleão, de raízes medievais, decorrem de 26 a 28 de julho e oferecem um fim de semana emblemático e festivo, aliando cultura, teatro e música à concentração de feirantes de todo o país.

Religião | O princípio de legalidade se extingue na Igreja?


  • Roberto de Mattei
Se o Papa Francisco fosse acusado de um crime por algum juiz, em qualquer parte do mundo, ele deveria despojar-se de seu cargo de Sumo Pontífice da Igreja Católica e submeter-se ao julgamento de um tribunal. Esta é a consequência lógica e necessária da decisão clamorosa com a qual a Santa Sé privou da imunidade diplomática o Núncio Apostólico na França, Mons. Luigi Ventura, acusado de assédio sexual.
A Santa Sé poderia ter dispensado o núncio de seu cargo e, enquanto esperava a justiça francesa seguir seu curso, ter dado início a uma investigação canônica contra ele, mesmo como uma garantia de imparcialidade para com o acusado. Mas a decisão de entregar o representante pontifício a um tribunal secular derruba a instituição da imunidade diplomática — expressão por excelência da soberania da Igreja e de sua liberdade e independência —, essa mesma imunidade diplomática, aliás, invocada para proteger os crimes cometidos na Itália pelo esmoleiro do Papa, o cardeal Konrad Krajewski [aquele que reconectou ilegalmente a eletricidade de um imóvel romano ocupado por grupos esquerdistas alternativos que não pagavam as contas].
O sucedido se insere no quadro de uma preocupante extinção de todo princípio de legalidade dentro da Igreja. O direito é coessencial à Igreja, que tem uma dimensão carismática e uma dimensão jurídica, ligadas inseparavelmente entre si, como o são a alma e o corpo. No entanto, a dimensão jurídica da Igreja é ordenada ao seu fim sobrenatural e está a serviço da verdade. Se a Igreja perde de vista seu fim sobrenatural, torna-se uma mera estrutura de poder, na qual a força da função eclesiástica prevalece sobre o que é verdadeiro e justo.
Este conceito “funcionalista” da Igreja foi denunciado pelo cardeal Gerhard Ludwig Müller, em recente entrevista a Edward Pentin no National Catholic Reporter. O cardeal Müller afirmou que a chamada reforma da Cúria, que está sendo discutida nos últimos meses, corre o risco de transformar a Cúria em uma instituição na qual todo o poder fica concentrado na Secretaria do Estado, desacreditando o colégio cardinalício e as congregações competentes: “Eles estão convertendo a instituição da Cúria em uma simples burocracia, em simples funcionalismo e não em uma instituição eclesiástica”.
Uma manifestação desse funcionalismo é o uso instrumental do direito canônico para sancionar institutos religiosos e simples sacerdotes que não estão dispostos a se alinhar com o novo paradigma do Papa Francisco. No caso das comunidades religiosas, a intervenção repressiva geralmente ocorre através do comissariado, seguida de um decreto de supressão ou reforma completa da instituição, sem dar motivação adequada e muitas vezes expressa na chamada “forma específica”, ou seja, com aprovação pontifícia, sem possibilidade de recurso.
Este procedimento, cada vez mais difundido, certamente não ajuda a acalmar os espíritos numa situação eclesial sujeita a fortes tensões. Mesmo se admitirmos a existência de deficiências humanas em algumas comunidades religiosas, não seria melhor corrigi-las do que destruí-las? O que acontecerá aos jovens sacerdotes e seminaristas que decidiram dedicar suas vidas à Igreja e são privados de seu carisma de referência? Que misericórdia é exercida em relação a eles? O caso dos Franciscanos da Imaculada é emblemático neste sentido.
No caso dos simples sacerdotes, o equivalente à supressão é a sua exclusão do status jurídico clerical, isto é, a chamada redução ao estado laico. Cumpre não confundir o estado clerical — que se refere a uma condição jurídica — com a ordem sagrada, que indica uma condição sacramental e imprime um caráter indelével na alma do sacerdote. A perda do estado clerical é uma medida problemática, especialmente no que diz respeito aos bispos, sucessores dos Apóstolos. Muitos bispos, ao longo da História, caíram em pecados graves, cismas e heresias. A Igreja muitas vezes os excomungou, mas quase nunca os reduziu ao estado laical, precisamente por causa da indelebilidade de sua consagração episcopal.
Hoje, pelo contrário, se procede com muita facilidade à redução ao estado laical, e frequentemente não através de um processo judicial, mas usando o processo penal administrativo introduzido pelo novo código de 1983. No processo administrativo há apenas uma instância de julgamento, os poderes discricionários dos juízes são muito amplos, e o réu, a quem às vezes nem sequer se concede advogado de defesa, é privado dos direitos que lhe são atribuídos pelo processo judicial ordinário. O prefeito da congregação competente também tem a possibilidade, como no caso da dissolução de um instituto, de solicitar uma aprovação papal na forma específica,o que torna impossível qualquer recurso.
A consequência é uma praxe justicialista da parte da instituição que, ao longo da história, mais dava garantias aos processados, esquecendo as palavras que Pio XII dirigiu aos juristas: “A função do direito, sua dignidade e o sentimento de equidade, natural ao homem, exigem que o a ação punitiva, do começo ao fim, não se baseie na arbitrariedade e na paixão, mas em regras jurídicas claras e fixas […]. Se é impossível estabelecer a culpa com certeza moral, o princípio deve ser aplicado: ‘in dubio standum est pro reo’” (Discurso de 3 de outubro de 1953 aos participantes do Congresso Internacional de Direito Penal, em AAS 45 (1953), pp. 735-737).
Ao contrário da excomunhão, que sugere a ideia de verdade absoluta defendida pela Igreja, a redução ao estado laico é um castigo mais facilmente compreendido por pessoas mundanas, que concebem a Igreja como uma vulgar empresa que pode “demitir” seus empregados, mesmo sem justa causa. Essa concepção funcionalista da autoridade anula a dimensão penitencial dos castigos na Igreja. Ao impor a oração e a penitência aos culpados, a Igreja demonstrava ter em vista acima de tudo suas almas. Hoje, para agradar o mundo, que exige punições exemplares, não há interesse pelas almas dos réus, que são mandados para casa, sem que a Igreja cuide mais deles.
Em artigo publicado pelo “Corriere della Sera” em 11 de abril de 2019, Bento XVI acusou o “garantismo” como uma das causas do colapso moral da Igreja. Nos anos seguintes à Revolução da Sorbonne, em Maio de 1968, dizia ele, mesmo na Igreja, “os direitos do acusado deviam ser garantidos, a ponto de excluir uma condenação”. O problema, na realidade, não era o de uma garantia excessiva para o acusado, mas de excesso de tolerância para seus crimes, alguns dos quais, como a homossexualidade, deixaram de ser considerados como tais desde os anos do Concílio Vaticano II, que antecedeu aquela Revolução. Foi nos anos do Concílio e do pós-Concílio que uma cultura relativista — na qual a homossexualidade foi considerada moralmente irrelevante e pacificamente tolerada — entrou nos seminários, faculdades e universidades católicas. Bento XVI, que pediu “tolerância zero” contra a pedofilia, nunca invocou a “tolerância zero” contra a homossexualidade, curvando-se, como seu sucessor, às leis do mundo.
Nas últimas semanas foram feitas novas revelações do arcebispo Dom Carlo Maria Viganò a respeito de crimes graves contra a moralidade, cometidos pelo arcebispo Dom Edgar Peña Parra, escolhido pelo Papa Francisco como Substituto na Secretaria de Estado. Porque as autoridades eclesiásticas, que há anos estavam inteiradas dessas acusações, nunca iniciaram investigações, como não as iniciaram pelos crimes cometidos no pré-seminário Pio X, que forma os coroinhas para as cerimônias papais na Basílica de São Pedro? As autoridades têm o dever de iniciar uma investigação: um dever inalienável, depois que as palavras do corajoso arcebispo ressoaram em todo o mundo.
Outra pergunta aguarda resposta. O cardeal George Pell está, desde março passado, em confinamento solitário na penitenciária de segurança máxima de Melbourne, aguardando um novo julgamento, após ter sido condenado em primeira instância. Por que as autoridades eclesiásticas o privam de um processo canônico que estabeleça sua culpa ou inocência não diante do mundo, mas da Igreja? É escandaloso que o Cardeal Pell esteja na prisão e a Igreja esteja em silêncio, aguardando o julgamento do mundo e recusando-se a emitir seu próprio julgamento, possivelmente em contraste com o do mundo.
Do quê a Igreja tem medo? Jesus não veio para vencer o mundo? O direito, que deveria ser um instrumento da verdade, tornou-se um instrumento de poder por parte daqueles que hoje governam a Igreja. Mas uma Igreja na qual o princípio da legalidade se extingue é uma Igreja sem Verdade e uma Igreja sem Verdade deixa de ser Igreja.
ABIM
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(*) Fonte: “Corrispondenza romana”, 10-7-2019. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.