segunda-feira, 13 de abril de 2020

Estados Unidos registam mais de 1500 mortos nas últimas 24 horas

EUA com mais de 16 mil mortes, 1.783 em 24 horas - Renascença
Os Estados Unidos registaram mais 1.514 mortos nas últimas 24 horas, elevando para 22.020 o número total de mortos devido à Covid-19, de acordo com um relatório divulgado na última noite pela Universidade Johns Hopkins.
Este é o segundo dia consecutivo de descida do número de vítimas mortais da doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) nos EUA, depois de a mesma universidade ter registado, na contagem que divulga diariamente, 1.920 mortes no sábado e 2.108 na sexta-feira.
Os Estados Unidos são o país mais atingido pela pandemia da Covid-19, com mais de 555 mil casos confirmados, acrescentou a instituição do ensino superior de Baltimore, no estado de Maryland.
Mário Aleixo - RTP

Vírus “made in China”. Que lição tirar?

  • Pe. David Francisquini *
Diante da conjuntura mundial golpeada pelo vírus chinês, a mídia vem se ocupando tão-só da proteção à saúde com o confinamento dos indivíduos e o fechamento de shoppings, casas comerciais, casas de diversão, e até de igrejas. Tudo para evitar a aglomeração de pessoas.
Apesar de haver grandes divergências entre as autoridades institucionais, todas procuram se alinhar com os mesmos métodos e metas para cumprir determinações, ditadas ora pela esquerdista Organização Mundial da Saúde, ora pelas autoridades de cada país. E ai de quem não obedecer!
Afinal, quem comanda em âmbito mundial toda essa articulação, à qual a própria Igreja Católica deve obedecer? Será a vida terrena mais importante que a vida eterna? Será que essa mesma Igreja, que sempre pregou as verdades eternas, se abdica em momento tão delicado de sua missão salvífica? Nosso Senhor Jesus Cristo afirma no Evangelho:
“Aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma? Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras. Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino” (Mt 16, 24-28).
“A vós, pois, meus amigos, vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer. Mas eu vos mostrarei a quem haveis de temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vos digo, temei este” (Lc 12, 1-8).
A missão da Igreja é divina como divino é o seu Fundador. Cuidemos, sim, da nossa saúde, mas não em detrimento da missão divina confiada por Deus à Igreja, de encaminhar os homens para estarem junto d’Ele por toda a eternidade.
Com efeito, temos tantos exemplos de santos que expuseram suas vidas para cuidar de leprosos, de tuberculosos e de toda sorte de peste, como Frei Damião de Molokai, o leproso; São Luís de Gonzaga, atingido por epidemia; São João Bosco [representação ao lado], que prometeu aos seus alunos que eles se salvariam do flagelo do cólera asiático se vivessem na Graça de Deus, e nenhum deles foi atingido…
Em outras circunstâncias, as igrejas não cerraram suas portas; os padres ficavam sempre à frente de seu trabalho apostólico; celebravam os ofícios e a Santa Missa; facilitavam o acesso aos sacramentos; além do conforto material como comida, roupa e medicamento aos atingidos pelas pestes.
Na verdade, houve agora uma mudança drástica no comportamento eclesiástico, que passou a ter uma concepção transitória, oportunista, materialista e relativista diante de uma situação de calamidade pública, pois parece ter-se afastado de Deus como fundamento absoluto e razão de ser de todas as coisas.
Como é natural, quanto mais alto um homem for constituído em honra e dignidade, tanto maior deve ser a caridade dele para com os próximos, sobretudo se forem seus fiéis. Como não há dignidade mais alta do que ser ministro de Deus, as pessoas a Ele consagradas devem procurar antes de tudo a glória divina e o bem do próximo.
Creio que um dos maiores elogios que se possa fazer a uma autoridade é chamá-la de paternalista, pois Deus, na mais sublime das orações que é o Pai-Nosso, quis ser chamado de Pai.
Transcrevo a seguir algumas palavras do combativo e zeloso líder católico Plinio Corrêa de Oliveira sobre a figura do sacerdote.
“O Padre, nas horas mais difíceis, reluz o esplendor de sua vocação pelo seu zelo e dedicação, pela bondade e compreensão, pelo carinho e amabilidade com aqueles que se encontram nos revezes da vida.
“O Padre deve estar disposto a se imolar por suas ovelhas. O mercenário, aquele que não é pastor das ovelhas, quando vem o lobo, foge, porque não é pastor. Verdadeiro pastor, por exemplo, foi Santo Odilon [(962-1049) abade da Abadia beneditina de Cluny (pintura ao lado)], que amava com uma caridade bem ordenada a Deus mais do que a si mesmo, o próximo como a si mesmo, e as coisas menos do que a ele mesmo.
“Administrador fiel e sábio, Santo Odilon colecionava víveres e roupas para os enfermos. Fez mesmo construir casas para os leprosos, às ocultas, e como se fossem construídas por outros, para que essa boa obra não fosse atribuída a ele”.
Citamos acima Frei Damião como modelo luminoso de heroísmo e de zelo na ilha de Molokai, onde viveu o sacerdócio em função dos leprosos. Ao contrair ele mesmo a lepra, declarou altaneiro num sermão: “Nós, leprosos…”, pois ser leproso era para ele um título de glória, à imitação de Jesus Cristo, que se sacrificou por nossa salvação.
Frei Damião [foto ao lado] não fugiu à obrigação do ministério sacerdotal, antes, pois partiu para Molokai por sua sede de almas, desejava consolar os aflitos e enxugar as lágrimas daqueles que deixaram seus entes queridos pelo fato de terem sido atingidos pela lepra.
Molokai era um palco de violência, sem um parâmetro civilizador, sem esperança, sem fronteira de carinho, de bondade, de misericórdia e de calor humano. Frei Damião imolou-se dentro dessa ilha como um pai que se imola aos filhos em dedicação extrema, porque possuía Deus como parâmetro absoluto em sua vida.
Ele construiu igrejas, hospitais, escolas e atendimentos caritativos, não pensando em si, mas somente em Deus e no próximo. Bem diferente do procedimento do clero de hoje diante da pandemia made in China… Afinal, o que esperam os fiéis da dedicação de um padre?
São Luís Gonzaga [pintura ao lado], no final do século XVI, ao chegar a Roma, deparou-se com as vítimas de uma doença contagiosa chamada tifo. Ao presenciar o sofrimento do povo, movido pela caridade e amor ao próximo, passou a ajudar os doentes como podia. Acabou sendo contagiado, vindo a falecer com apenas 23 anos, pouco antes de se ordenar sacerdote.
A figura do padre diante do perigo e da dor deve ser um referencial. Além de formador de opinião, cabe-lhe liderar a comunidade católica com seu exemplo, sua caridade e sua elevação de alma. Ele deve comunicar tranquilidade, paz e bem-estar espiritual aos fiéis.
A pessoa revestida do sacerdócio católico não pode participar do pânico, do medo e da incerteza gerados por essa pandemia, nem mesmo dar ares de quem teme, pois se ele se deixar contagiar pela doença psicológica poderá ser mais nocivo aos seus fiéis do que o vírus chinês.
Nessas horas difíceis, a oração é o nosso único refúgio e mesmo a solução. Os sacramentos são os únicos remédios que proporcionam segurança e estabilidade. A Missa celebrada na igreja com os fiéis é a única fonte de esperança que liga o Céu e a Terra, pois é o sacrifício do Homem-Deus.
As nossas matrizes, capelas e reitorias são lugares onde se encontram a unidade, o conforto e o equilíbrio. Fechar as igrejas, suprimir as Missas, os sacramentos pode ser um elemento a mais de definhamento e desequilíbrio psicológico. O soldado que foge à luta por medo de morrer não é um soldado, mas um mole e um covarde. O mesmo se aplica ao sacerdote de Cristo que foge à luta por medo da epidemia.
Melhor lhe fora não ter sido ordenado padre, pois esta palavra quer dizer pai, fazendo-nos lembrar de Deus, que quis ser chamado de Pai, Aquele que nos vivifica e nos ilumina em todas as coisas. Como o sal que salga, alimenta e atiça o paladar, assim deve ser o padre.
ABIM
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* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

Aniversário do Porto de Aveiro trouxe nova imagem e elogios a quem assegura a operacionalidade

Fonte: Notícias de Aveiro, 12 Abril, 2020
Terminal químico do Porto de Aveiro.
O Porto de Aveiro comemorou o seu aniversário com uma evocação especialmente adaptada aos tempos de contingência, devido à pandemia do Covid-19, preventivamente sem eventos presenciais, renovando a sua presença virtual e com mensagens de parabéns partilhadas pelas redes sociais.

212 anos depois da abertura da barra, o Porto de Aveiro navega a ‘todo pano’ nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Com uma nova imagem gráfica e um up grade também do seu site institucional.

Pelas suas redes sociais, foram partilhadas mensagens de parabéns pela data e incentivos para encarar os desafios do futuro, algumas das quais destacadas no último espaço da Comunidade Portuária de Aveiro transmitido quinzenalmente pela Rádio Voz da Ria.

Desde logo, vindas do território envolvente. Fernando Caçoilo, presidente do município de Ílhavo, sublinhou o papel do Porto de Aveiro como um “exemplo de progresso” com o qual partilha “o objetivo comum de desenvolvimento, de emprego e riqueza”.

Para Ribau Esteves, líder da autarquia de Aveiro e da Região de Aveiro, aludiu ao momento atual do país e do mundo que aumentar a responsabilidade da estrutura portuária “na luta nova de ter uma retoma forte” após a pandemia.

Nuno Pires, presidente da Comunidade Portuária de Aveiro, também transmitiu confiança das empresas utilizadoras do porto, aproveitando para “reafirmar o apoio à estratégia de construção de um porto moderno, inovador, competitivo, comprometido socialmente, que responde aos desafios do comércio global criando valor económico e social para a região e país”.

Do Governo, o Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto, associou-se à celebração dos 212 anos “em circunstâncias muito difíceis”, lembrando que o porto tem ele próprio “uma história de superação de dificuldades”.

“É essencial que continue com a regularidade possível. O país não pode estagnar, é essencial que as empresas possam continuar a beneficiar da sua atividade. Por isso apelo ao sentido de responsabilidade, à capacidade de sacrifício, com todas as cautelas adequadas”, caminhando para um futuro que ficará marcado pelos desafios “dos portos de nova geração”.

Discurso direto

“Importa referir que em janeiro deste ano conseguimos em janeiro deste ano alcançar pela primeira vez o quarto lugar. Por outro lado, os números relativos a março, mesmo na adversidade, com empenho de todos, ultrapassámos as 500 mil toneladas movimentadas. Em tempos de emergência, alguns serviços exigem a presença física de trabalhadores, os na linha da frente mais expostos, outros em teletrabalho. O porto não pára, fazem-no com elevado empenho e sentido institucional. No contexto de adaptação tecnológica, lançamos o novo site alinhado com a nova imagem e mais adequado aos desafios da atividade comercial” – Fátima Alves, presidente do Porto de Aveiro.

QUANDO A PESTE FECHOU A INVICTA. ASSIM FOI O ÚLTIMO CERCO AO PORTO

5 abr 2020
Quando a peste fechou a Invicta. Assim foi o último cerco ao Porto
O Porto foi o epicentro nacional da terceira pandemia da peste bubónica na Europa. Numa semana marcada pela possibilidade de um cerco sanitário à Invicta para combater a propagação do novo coronavírus, o SAPO 24 recua até 1899 para lhe relatar a última vez que a cidade foi forçada a fechar-se.
No quarto dia de julho de 1899, Ricardo Jorge recebeu um bilhete, “enviado por um comerciante da Rua de São João”, que chamava a atenção para “mortes inopinadas e consecutivas” na Fonte Taurina, na zona da Ribeira, junto ao rio. O médico municipal da cidade do Porto não demorou até ir visitar os infetados e volvidos dois dias alertava as autoridades para aquilo que observara naqueles “prédios miseráveis e imundíssimos”, junto aos cais do Douro, onde viviam os carrejões espanhóis que se debatiam com uma “epidemia de febre infecciosa”. Oito dias mais tarde, comunica em relatório ao Governador Civil, que a “sintomatologia e a marcha da epidemia assemelham-se às da peste bubónica”, a doença que no século VI matou entre 25 a 50 milhões de pessoas e que no século XIV se acredita que tenha sido a causa da peste negra que devastou a Europa, África e Ásia, causando 50 milhões de mortes.
A doença colocaria a nu uma cidade com condições de vida e higiene pré-industriais, quase medievais. O Porto que introduziu a luz elétrica em 1886, importou o primeiro carro em 1895, que à beira do virar do século era pioneiro na fotografia e no cinema, contrastava com a “cidade cemiterial” e “mortuária” descrita por Ricardo Jorge:
“Cada vez mais insalubre, a cidade não tem nas condições devidas nem água, nem esgotos, esses dois elementos imprescindíveis de limpeza, que a experiência tem demonstrado reduzirem a cifra da mortalidade geral. O hospital é um antro infecto, onde se amontoam doentes fora de todos os limites da tolerância e num desprezo repugnante das leis mais comezinhas da boa higiene. As classes pobres, o mundo dos proletários, vegetam ancoradas nuns alvéolos húmidos e lôbrengos, sem ar e sem luz, e abandonadas a uma especulação torpe que tão sordidamente as explora com a miserável edificação das ilhas. Há a desfiar um estendal de misérias e vergonhas, de males e de incúrias. É forçoso lavrar um protesto contra tanto desleixo, contra tanta inépcia, contra tanta loucura criminosa” .
Ricardo Jorge, que começou mostrar fascínio pela neurologia e hidroterapia, viria a destacar-se na área da saúde pública. Ganhou espaço e visibilidade com a realização de quatro conferências sob o título “A higiene em Portugal; A evolução da sepultura; Inumação e cemitério; A cremação”, que lhe valeram o convite de Oliveira Monteiro, então presidente da Câmara Municipal do Porto, também médico e seu colega, para integrar uma comissão técnica de estudo sobre as condições sanitárias da cidade.
O estudo, apresentado publicamente em 1888, para além de evidenciar uma elevada taxa de mortalidade (32,9%), muito superior à de zonas rurais (25%) e de outras cidades europeias, mostrava que “o problema que a todos sobreleva, que na cidade atinge toda a sua complexidade e importância, é o problema sanitário, provocado pelas condições materiais da vida em comum num espaço limitado. O formigueiro humano germina em si próprio o veneno da sua destruição. A vida social ganha em intensidade à custa da duração da vida individual”.
Para o Porto mudar enquanto cidade eram necessárias duas medidas fundamentais: “fornecer água pura, captada e canalizada; praticar a desinfecção e o saneamento”. As principais propostas para o combate aos problemas de salubridade baseavam-se no exemplo das cidades inglesas. Ricardo Jorge sugeria um conjunto de propostas que passavam por um inquérito ao saneamento, esgotos, natureza do solo, estatística populacional e legislação municipal, a criação de serviços de exaustão pneumática de fossas, uma organização completa do serviço de limpeza viária e remoção do lixo, a criação de sanitários públicos pela cidade, entre outras.
O relatório teria como consequência o convite da vereação da Câmara Municipal para que Ricardo Jorge ficasse à frente dos Serviços Municipais de Saúde e Higiene da Cidade do Porto, responsabilizando-se ainda pela secção bacteriológica. A intervenção levado a cabo na cidade prestigiavam o homem que aos 37 anos, em 1895, subia a “lente proprietário” [posição académica semelhante à de um professor catedrático] da cadeira de Higiene e Medicina Legal na Escola Médico Cirúrgica do Porto.
É nesta posição que Ricardo Jorge se volta a reencontar com a nossa história, para enfrentar uma doença que reaparecia mais de 200 anos depois, naquela que seria a terceira pandemia de peste bubónica, pela primeira vez a uma escala realmente planetária, atingindo todos os continentes.
Quem é o espanhol de 47 anos de idade que se demorou na latrina?
Quando Ricardo Jorge respondeu ao bilhete enviado por um comerciante portuense e se dirigiu à Fonte Taurina para realizar as primeiras observações, o médico municipal, inteirado dos novos casos de peste bubónica tinham sido identificados na província de Yunnan, na China, no final da primeira metade do século XIX, retirou várias amostras para tentar identificar o vírus. A oito de agosto, o trabalho laboratorial feito em paralelo com Câmara Pestana - diretor do Instituto de Bacteriologia de Lisboa - permitiria chegar a uma identificação sem margem para dúvidas e que era agora comunicada oficialmente ao país.
Sobrava uma questão: como tinha a peste, que ressurgia no continente asiático, chegado ao Porto, sobretudo se o próprio Ricardo Jorge verificou que no últimos meses só atracaram no cais do Douro embarcações vindas de portos europeus? Para a pergunta que nunca chegou a encontrar resposta certa — as responsabilidades ficaram repartidas entre os ratos e as pulgas e um navio de guerra vindo de Macau que atracou em Viana do Castelo no ano anterior, tendo o clínico a classificado como um evento "tão extraordinário que figurará por certo com realce especial nos anais da peste" —, o médico exibiu algo igualmente raro numa pandemia naqueles tempos: o perfil de um espanhol, o doente número um. O seu nome era Gregório Blanco.
"Espanhol, de 47 anos de idade, era carrejão de bordo e de armazéns de porto. Andava há pouco tempo adoentado duma pontada no lado direito, sem inchaço algum, quando a 5 de junho passado depois de um dia de serviço, entrou no domicílio taciturno e cambaleante; a gente da casa chegou a supô-lo embriagado. Foi à latrina, e como se demorasse, os companheiros foram dar com ele já morto. Trabalhava ultimamente em carrego de trigo para os armazéns da casa Barreto", pode ler-se nos registos de Ricardo Jorge.
Peste? Qual peste?
Os casos identificados de peste bubónica não tinham grande eco na imprensa do Porto da altura que procurava abafar o tema, insistindo que não se vivia uma situação epidémica, com os jornais a guiarem-se por um discurso apaziguador e de apelo à higiene urbana, mesmo quando já tinham sido identificados casos no Largo de São Domingos e na rua de Santa Catarina, na zona alta da cidade, distantes da Fonte Taurina.
A verdade é que o dispositivo sanitário também não causava grande alarido. Em julho, as medidas levadas a cabo pelo Governador Civil ter-se-ão limitado à limpeza e queimadas de algumas das casas onde se registaram surtos de doença suspeita e a visitas sanitárias a mercados e a locais com más condições de salubridade. No entanto, era na sombra que Ricardo Jorge ia produzindo um trabalho que lhe valeu o prestígio internacional como epidemiologista.
O clínico determinou o isolamento dos doentes, numa primeira fase, no Hospital de Santo António e teve o cuidado de mandar desinfetar o pessoal que transportava os infetados. No entanto, as ações rápidas e a comunicação simples e concisa não encontravam resposta semelhante na Junta Consultiva de Saúde Pública.
Só 20 dias depois do primeiro relatório de Ricardo Jorge e mais de dois meses volvidos após o primeiro óbito registado é que o governo progressista de Luciano de Castro emite o decreto que segue as diretrizes traçadas por aquele instituto de saúde pública nacional. O documento seria o primeiro esboço do cerco que estaria para chegar, uma vez que para além de proibir a realização de feiras, romarias e ajuntamentos, só se ocupa de medidas de limitação de circulação de pessoas e mercadorias a partir do Porto. Quem chegava de comboio à cidade, por exemplo, passava a estar obrigado a uma inspeção médica no destino e, novamente, na partida. Além disso, partiriam do Porto com uma guia sanitária e tinham a obrigatoriedade de, nove dias depois da chegada, fazer novo exame. As bagagens, essas, não eram esquecidas, devendo ser desinfetadas. As mercadorias passavam a só poder circular pelo mar a não ser que pudessem também elas ser desinfetadas.
Perante uma peste que não afetava o quotidiano das pessoas e os casos que não eram em demasia, as medidas do governo central de Lisboa, que nunca mandara uma delegação ao Porto para se colocar a par dos acontecimentos, causavam desconfiança entre a população em relação à epidemia. A imprensa, que alimentava o sentimento de paz na cidade e de guerra contra o governo central da capital portuguesa, fazia aumentar essa desconfiança. No dia 20 de agosto, o jornal Voz Pública publicou a carta do médico Ferreira Vaz sobre o que se passava na cidade e na qual é dito que uma “epidemia é caracterizada pelo acometimento de uma doença ao mesmo tempo e no mesmo lugar de grande número de pessoas”, interrogando-se se tal “não é cómico e muito para rir não fora o enorme prejuízo que acarreta” quando se fala da situação do Porto.
O cerco ao Porto
A aclamação de Ricardo Jorge entre a classe médica estava longe de ser partilhada pelos portuenses, que desconfiavam cada vez mais da peste e que viam no médico municipal a razão para as medidas que condicionavam a vida e a economia da cidade. O ânimo da população contra o médico escalaria em vários episódios. Um deles, após o suicídio da viúva de António Rodrigues dos Santos, a quem Ricardo Jorge tinha diagnosticado a peste. Esta, vivendo em isolamento com dois filhos menores, atirou-se da janela do número 32 da rua Escura.
“Atirou-se seminua e uma multidão não inferior a 300 pessoas seguiu a maca até ao hospital”, relata o Jornal de Notícias à época. No dia seguinte, o funeral de Maria de Oliveira Pinho é seguido por uma multidão que protestava contra as medidas sanitárias em vigor. Enterrado o corpo, uma massa de pessoas que se diz não inferior a mil, desfilou até casa de Ricardo Jorge. Sorte a do médico que não vivia na rua do Almada para onde se dirigiu o protesto que, ao engano, apedrejou a casa do pai de forma incansável até uma vizinha os conseguir convencer que Ricardo Jorge já não vivia ali.
O médico que detetara a peste era agora o alvo da ira popular, inflamada pelos jornais que o desacreditavam, alicerados na opinião de outros médicos portugueses que não rejeitando a doença, rejeitavam a situação de epidemia e criticavam as medidas do governo. A situação de insatisfação chegou a tal que as brigadas de higienização e equipas médicas eram apedrejadas e insultadas na rua, ao ponto de a transferência de doentes para hospitais e locais de isolamento ter de passar a ser feita à noite.
De uma Lisboa, amedrontada que a peste se espalhasse pelo país e que Espanha fechasse as fronteiras, o que resultaria em avultadas perdas económicas para Portugal, começa a chegar o rumor de que o Porto seria fechado com um cordão sanitário. O medo veio anunciado nas páginas do Voz Pública do dia 20 de agosto: "O Porto teve a peste, a fome e a guerra quando do cerco homérico que experimentou; e a geração altaneira desse tempo não tremia diante dos micróbios, como não tremia debaixo da metralha. Se há coisa hedionda agora, não é a peste infeta: é o medo infeto da peste", podia ler-se. "Estas ideias de isolamento são a calamidade mais espantosa. [...[ Isolar o Porto, dadas as relações económicas que o prendem particularmente às províncias do Norte, implica decretar a miséria", acrescentava.
Dois dias depois, a Junta Consultiva de Saúde Pública oficializava os rumores. Era decidido “isolar o Porto por meio de um rigoroso cordão sanitário, estabelecendo-se além de outras medidas por enquanto de caráter reservado um lazareto e pontos de desinfeção.” O diploma determinava que, enquanto durar a epidemia da peste bubónica no Porto, “será interrompida a liberdade incondicional das suas relações com o resto do reino por meio dum cordão sanitário, disposto pelo modo mais ajustado”. Preparava-se assim um dispositivo composto pela Infantaria 3 de Viana do Castelo, Infantaria 20 de Guimarães, Cavalaria 6 de Chaves e Cavalaria 10 de Aveiro. Seria um cerco militar com cerca de 2.500 homens.
O resultado da medida foi um êxodo brutal. Os números que nos chegam hoje divergem, mas a imprensa da época afirmava que entre 20 a 40 mil pessoas fugiram do Porto.
O ‘cerco’ a Ricardo Jorge
A ideia da cerca sanitária como solução para lutar contra a peste vinha da segunda pandemia, há centenas de anos. No período entre a segunda e terceira pandemia de peste bubónica já tinha sido descoberta a natureza infecciosa da peste, em 1894, por Alexander Yersin, do Instituto Pasteur, que batizou assim a doença. Uma vacina com sucesso só chegaria em 1933, com os soros produzidos até 1899 a serem pouco eficazes. Tinha-se também provado que o cerco sanitário já não era a melhor solução. Foi com esse tema que O Comércio relatou a experiência que um delegado inglês levou à conferência de Veneza, sobre a peste bubónica, e na qual o próprio disse que Inglaterra tinha identificado três casos por importação, mas que foi “sem recorrer a medidas quarentenárias, e com o único auxílio dos meios profiláticos que a ciência aconselha” que tinha conseguido “não só evitar o desenvolvimento da doença, como ainda curar aquelas três pessoas atacadas”.
Em Portugal, os grandes nomes da medicina falaram contra o cordão, apelidando-o de uma medida que já não pertencia a este tempo, salientando a necessidade do reforço da higiene e saneamento da cidade e a adoção de medidas profiláticas para com os infetados.
Em relação a Ricardo Jorge, só uma referência na imprensa existiu em relação à sua opinião sobre o cerco: ‘O estabelecimento de cordão sanitário é um disparate máximo, tanto mais que a peste bubónica acha-se já em diversas localidades do país. O cordão servira para aqui nos devorarmos uns aos outros’”.
A decisão que vinha de Lisboa era vista no Porto como um golpe numa cidade que prosperava, como uma vingança contra a cidade que nesse mesmo ano elegera três deputados republicanos. No Porto, fechado, as pessoas juntavam-se, reclamavam a independência acima do Mondego, rogaram pragas à capital. Exigiram mudanças, mas a cidade apenas gritou sobre si mesmo. O Porto que pouco mais de 60 anos antes tinha sido último baluarte das tropas liberais de D. Pedro contra o cerco miguelista e absolutista, padecia perante Lisboa que não arredava o cerco, mesmo face à enorme e notória crise económica que se avizinhava com fábricas e lojas fechadas, a pobreza a alastrar na cidade e a dificuldade em fazer entrar mercadorias.
O clima de tensão, à falta de um representante do governo central, recaía cada vez mais sobre Ricardo Jorge que começa a considerar intolerável continuar nas suas funções. Mas tudo iria ainda piorar. Primeiro com a guerra aberta à imprensa, com a ameaça de suspensão dos jornais, que resultou num movimento maior contra o seu nome e o aumento de tiragens dos títulos da época que faziam a ginástica necessária para conseguir chegar às pessoas. Depois, com a chegada de Gomes da Silva a Portugal, afamado médico que vivera nos últimos anos em Macau onde combateu a peste.
Gomes da Silva, em entrevista ao Comércio, acabaria por confirmar que o Porto tinha sido atacado pela peste bubónica, mas um ataque “fraco e obscuro”, o que o levava a dizer que estávamos perante “endemia, mas nunca poderá chamar-se-lhe epidemia”, acrescentando ainda que o “cordão sanitário era um absurdo prejudicial” e o isolamento de casas “uma selvajaria”. O médico colocou ainda em dúvida a data do aparecimento da peste, defendeu o saneamento como principal medida e assumiu ainda duvidar de muitos diagnósticos feitos a pacientes que observara.
Cansado, desacreditado e com uma cidade que o olhava como rosto de todas as maleitas, Ricardo Jorge escrevia ao Governador Civil: “como se já não fosse triste o lutar com armas insuficientes contra uma epidemia devastadora vemo-nos sem força moral e legal para prosseguir no combate. Há trezentos anos havia mais e melhor; parece que até nisto se mostra mais uma vez a degeneração da sociedade portuguesa”. Sem resposta animadora, o destino parecia traçado e Ricardo Jorge acabaria mesmo por a 18 de outubro aceitar ocupar o lugar de diretor da nova Direção-Geral da Saúde e Beneficência Pública, partindo assim para Lisboa.
O cordão sanitário seria levantado em vésperas de Natal desse mesmo ano, sem grande alarido, com uma cidade que se habituava a uma nova rotina e que furava uma cerca cada vez mais frágil. Até ao final do ano os casos mantinham-se relativamente concentrados no centro do Porto, com exceção do surto registado em Baguim, Gondomar. Em Gaia, do outro lado do rio, não se registavam, até à altura, contaminados.
A peste ficou na cidade, endemicamente, até 1915. No total, houve cerca de 320 casos e 132 mortes. O Porto foi a última grande cidade europeia a viver a peste como verdadeira catástrofe, apesar de a ter havido em locais como Paris, Marselha e Açores, mas de reduzida expressão. Nesta terceira pandemia da peste, o país mais fustigado foi a Índia que registou entre 13 a 15 milhões de mortos nos 12 anos seguintes.
Até hoje, vive a memória da catástrofe, da revolução higiénica e sanitária e uma cidade que já não conseguiu lutar como outros tempos e que foi cercada e vaticinada à pobreza e à fome pelo governo central, contra a opinião especializada. Hoje, 121 anos depois, falou-se somente na possibilidade de um cordão sanitário ao concelho do Porto e logo imediatamente a Câmara liderada por Rui Moreira disse que não, que tal medida não fazia sentido e disse não reconhecer autoridade na Direção-Geral da Saúde que curiosamente nascera na sequência daquele episódio negro da história da cidade. Fustigado por outro vírus e outra pandemia, o Porto segue como uma nação que não se verga, mas que se trata.

Este artigo foi escrito com base nos seguintes escritos: "O cerco da peste no Porto - Cidade, imprensa e saúde pública na crise sanitária de 1899", tese de mestrado de David Pontes; A Peste Bubónica no Porto, Ricardo Jorge; O Cerco – Sobre a epidemia de peste bubónica no Porto em 1899; "Ricardo Jorge e a Saúde Pública em Portugal - Um "Apostolado Sanitário""
Fonte: SAPO24

Há responsáveis pelos 30 dias que estão a abalar o mundo?


A opinião de José Couto Nogueira



O que não falta são teorias da conspiração sobre o mal que assola mais de 180 países e 200 territórios deste mundo, e que provavelmente irá mudá-lo... ou talvez não. Serão verdadeiras?
A História tem sido reescrita várias vezes desde 11 de Março, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS), anunciou oficialmente que o SARS-CoV-2 é uma pandemia. E continuará a ser mudada, sem talvez nunca se saber a verdade.

11 de Março foi há um mês, apenas, mas um mês em que tudo mudou e, até onde se pode ver, não se sabe quanto mudará mais. As notícias são diárias, horárias até, mas as opiniões são constantes e aparecem de minuto a minuto.
Há responsáveis pelos 30 dias que estão a abalar o mundo?
Vale a pena fazer a cronologia dos acontecimentos, que é reveladora.
A 31 de Dezembro de 2019, a China informou a OMS que no Mercado de Frutos do Mar (e animais vivos, marinhos e terrestres), em Wuhan, província de Hubei, algumas pessoas apareceram com uma síndrome respiratória aguda. Mais tarde soube-se que se tratava de um novo vírus, depois batizado de SARS-Cov-2 (ou covid-19), descendente de outros que, noutros anos, se tinham espalhado pela China e pelo mundo, como o SARS, que em 2002-03 matou cerca de 700 pessoas, ou o H7N9, em 2013. Há quem se lembre da Gripe A, ou suína, nascida não na China, mas no México, cuja estimativa é de de tenha feito mais de cem mil mortos em todo o mundo, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americano.
Quem alertou para este novo coronavírus foi um médico de Wuhan, Li Wenliang, a 30 de Dezembro do ano passado. Foi imediatamente censurado, detido e obrigado a retratar-se. O Governo chinês seguiu o seu modus operandi de reprimir qualquer informação menos favorável ao paraíso social-capitalista que Xi Jinping lidera com grande vigor.
Mas, ao mesmo tempo que silenciavam o médico, terão averiguado as suas afirmações, já que o primeiro relato sobre a estranha doença à OMS, recordo, foi no dia 31 de Dezembro. 
Li Wenliang tinha razão, tanto que morreu a 7 de Fevereiro, vítima do vírus que identificara. A sua morte provocou uma onda de indignação na China e no mundo, mas muita coisa já tinha acontecido antes. A revista inglesa “The Economist” de 13 de Fevereiro dedicou-lhe um obituário onde se lê: “Como Wenliang partilhava online todas as observações que passavam por ele, não é surpresa que, em 30 de Dezembro, tenha publicado sobre um estranho grupo de casos de pneumonia no hospital. Eram inexplicáveis, mas os pacientes estavam em quarentena e todos haviam trabalhado no mesmo local, o pungente leito de barracas espalhadas por lixo que compunham o mercado local de frutos do mar. Imediatamente isso pareceu uma transmissão de pessoa para pessoa, mesmo que pudesse ter sido originária de morcegos ou alguma outra iguaria. Imediatamente, também, levantou o espectro do vírus SARS. Decidiu, portanto, alertar no seu grupo privado do WeChat todos os colegas da Universidade de Wuhan a tomar precauções. (...) O problema era que ele não sabia se era realmente SARS. Uma hora depois corrigiu-se, explicando que, embora fosse um coronavírus, como o SARS, ainda não havia sido identificado. Mas foi tarde demais: o seu primeiro post já se tinha tornado viral, com seu nome e ocupação incluídos. A meio dessa noite foi convocado para o hospital e, em 3 de Janeiro, levado para a esquadra da polícia e acusado de espalhar boatos e subverter a ordem social.”
Uma nova comunicação à OMS por parte da China tem lugar a 11 de Janeiro, com mais detalhes sobre a origem deste vírus. É nesta altura que se sabe que a China isolou e identificou um novo tipo de coronavírus, a 7 de Janeiro. Só no dia 12 o país liderado por Xi Jinping partilhou a sequência genética do novo coronavírus com o mundo para que pudessem começar a ser desenvolvidos kits de diagnóstico.
Nestes cerca de 15 dias entre o primeiro alerta de Li Wenliang e o momento em que o mundo ficou a conhecer este novo coronavírus, milhões entraram e saíram da província de Hubei (na China os números são sempre milhões...). E muitos outros milhões se seguiram até 30 de Janeiro, quando a OMS declarou o surto como uma emergência, pedindo uma acção coordenada de combate à doença a ser delineada pelas diferentes autoridades e governos.
Pouco antes, nos dias 22 e 23 de Janeiro, a OMS tinha-se reunido para discutir o assunto, mas "vários membros consideraram cedo demais para declarar situação de emergência pública internacional". Seria demasiado cedo?
Ou será mais provável admitir que Tedros Ghebreyesus, o Director Geral da OMS, colocado no posto por vontade da China — e criticado pela forma como elogiou publicamente a "rapidez" e a "eficiência" chinesa da identificação, divulgação e combate ao vírus — não quisesse aborrecer o seu patrocinador?
Sobre a forma como a OMS falhou em responsabilizar a China e o custo que isso terá para todos nós, vale também a pena ler este artigo da revista “Newstatesman”.
Finalmente, a 30 de Janeiro, a OMS teve de comunicar ao mundo o que se passava, e declarou o novo coronavírus como uma emergência de saúde pública internacional. 
O sub-director da organização, Bruce Aylward, chegou a afirmar a 24 de Fevereiro que “o mundo está em dívida com o povo de Wuhan e a resposta de Pequim foi admirável”, tendo este elogiado a superioridade do sistema político chinês. Ora o entusiasmo parece pouco apropriado para uma organização internacional falar dum Governo – sobretudo um Governo cuja eficiência só é possível por se tratar de uma ditadura que pode submeter os seus cidadãos a todo o tipo de constrangimentos. O argumento de que a OMS não se mete em política não faz sentido; se assim fosse, usaria termos mais neutros, não endossando implicitamente um regime brutal. E, já agora, reconheceria a existência de Taiwan, o que não faz por exigência da China. Até hoje, Taiwan, que é um exemplo da contenção da epidemia, não é citada nos balanços diários da situação apresentados pela OMS.
Finalmente, a 11 de Março, a OMS teve de reconhecer que o “surto” afinal era uma pandemia.
A China colocou Wuhan e as cidades vizinhas em lockdown em 23 de Janeiro. Ou seja, durante quase 30 dias o vírus espalhou-se sem qualquer controle. Um cálculo, que não podemos confirmar, avalia em 5 milhões o número de pessoas que saiu da zona infectada durante esse período. 
Mais ainda: segundo a revista francesa Liberation, a 18 de Janeiro as autoridades de Wuhan organizaram um banquete oficial para 40 mil famílias, em que os presentes foram felicitados por ter comparecido “apesar da tosse e dos sintomas de doença”!
Estes são os factos. Que conclusões se podem tirar? Concretamente, não há nenhuma prova de que o vírus tenha sido fabricado. Também me parece extremo, mesmo para um ditador de sangue frio como Xi Jinping, criar uma epidemia que custou caro aos seus (há quem fale em centenas de milhares de mortos, mas são suspeitas não confirmadas) com o objectivo de fortalecer o domínio chinês sobre o mundo.
Todavia, ao espalhar-se a epidemia, os chineses podem ter visto a oportunidade que efectivamente se veio a concretizar. Ou seja, que os Estados Unidos não estariam preparados para enfrentar uma catástrofe destas proporções – nem a Europa, se bem que a Europa, por um lado, estivesse melhor preparada, com os seus sistemas de saúde públicos e, por outro, tenha um interesse secundário.
Estou a especular? Talvez. Mas também é um facto que hoje, princípio de Abril, os Estados Unidos estão no princípio da pior situação da sua História sanitária e económica e a Europa não fica muito atrás, enquanto a China já está a funcionar e até a exportar toneladas de equipamento médico para “salvar” o resto do mundo.
Transformar um problema numa oportunidade, não é um princípio da filosofia chinesa?
Fonte:sapo24

Estudantes e docentes do Politécnico de Viana do Castelo produzem viseiras

Visão | Covid-19: Estudantes e docentes do Politécnico de Viana do ...
Estudantes e docentes do curso de licenciatura em Mecatrónica do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) estão a produzir viseiras de proteção contra a covid-19 para oferecer a diversas instituições da região do Alto Minho, foi hoje anunciado.
Em produção desde 01 de abril, as primeiras viseiras produzidas pelas equipas da Escola Superior Técnica de Gestão do IPVC “foram já entregues à Polícia Marítima de Viana do Castelo”, refere a nota de imprensa.
“A segunda entrega será feita, brevemente, ao Centro Paroquial e Social de Grade, seguindo-se o Hospital de Santa Luzia, entre outras instituições já referenciadas”, acrescenta a nota.
Num esforço de solidariedade que contou com a colaboração de “uma empresa local que produziu e ofereceu uma centena de hastes”, parte das viseiras “estão a ser produzidas numa impressora 3D, pertencente aos laboratórios da ESTG, e incluem acetatos A4 e elásticos”.
As instituições beneficiárias “estão a ser referenciadas pela Câmara de Viana do Castelo, conseguindo assim ser mais fácil chegar às que mais necessitam deste equipamento”.
Lusa

Marcelo falou com enfermeiro que tratou o primeiro-ministro britânico e agradece o empenho dos profissionais de saúde

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, agradeceu hoje o “empenho de todos os profissionais de saúde” na luta contra a covid-19 e revelou que falou com o enfermeiro português que tratou o primeiro-ministro britânico.
Numa nota divulgada hoje no portal da Presidência da República na ‘internet’, o chefe de Estado salienta “o especial reconhecimento apresentado hoje pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ao enfermeiro português Luís Pitarma pelo seu trabalho e vigilância durante o internamento nos cuidados intensivos”.
“O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa já transmitiu pessoalmente o seu agradecimento ao enfermeiro Luís Pitarma, e, na sua pessoa, agradece também o empenho de todos os profissionais de saúde portugueses que em Portugal e em todo o mundo estão a prestar uma ajuda decisiva no combate à pandemia”, é referido também.
O Presidente da República aproveitou igualmente para deixar “uma palavra de estímulo” aos “profissionais de outras nacionalidades que, reforçando o Serviço Nacional de Saúde, prestam um serviço inestimável a Portugal”.
“É também por eles que reforça o apelo para que, quem pode, permaneça em casa e cumpra as orientações das autoridades de saúde”, acrescenta o Palácio de Belém.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, agradeceu hoje a um enfermeiro português pelo tratamento que recebeu durante o internamento no hospital St. Thomas, em Londres, onde esteve durante uma semana devido à infeção com covid-19.
Natural de Aveiro, Luís Pitarma, 29 anos, formou-se na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, tendo realizado um ano de Erasmus na universidade de Lathi, na Finlândia. Em 2016, começou a trabalhar em Londres, onde passou por três unidades de saúde antes de ser recrutado para o grupo hospitalar de Guy e St. Thomas, onde é enfermeiro especializado em cuidados intensivos, em particular ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorporal), segundo informação do próprio nas redes sociais.
O português e uma enfermeira da Nova Zelândia, receberam um agradecimento especial por terem acompanhado Boris Johnson nos cuidados intensivos, numa mensagem na rede social Twitter.
A mensagem foi publicada pouco depois de ter sido anunciado que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, recebeu alta do hospital, onde estava internado desde 05 de abril, inicialmente “por precaução” para fazer testes devido a sintomas persistentes da doença.
Um agravamento do estado de saúde levou à passagem para uma unidade de cuidados intensivos na segunda-feira, onde passou três noites, encontrando-se desde quinta-feira numa enfermaria normal.
Boris Johnson, de 55 anos, foi o primeiro líder mundial a ser diagnosticado com a doença, a 26 de março, inicialmente com sintomas ligeiros de tosse e febre, o que o levou a continuar a trabalhar durante o período de isolamento.
Lusa