quarta-feira, 6 de maio de 2020

“Como homem, cigano e jogador de futebol”, Quaresma diz que a “vida é demasiado preciosa para ouvirmos vozes de burros”

Como homem, cigano e jogador de futebol", Quaresma diz que a "vida ...
O internacional português Ricardo Quaresma escreveu uma publicação no Facebook em resposta às declarações do deputado do Chega ao jornal i.
"Olhos abertos amigos, a nossa vida é demasiado preciosa para ouvirmos vozes de burros... isto se queremos chegar ao céu".
As palavras de Ricardo Quaresma surgem em resposta às declarações do deputado do Chega ao jornal 'i' a defender  um "plano de confinamento específico para a comunidade cigana".
Acompanhado de uma imagem do slogan anti-racista "todos diferentes, todos iguais", o internacional português tece duras críticas a André Ventura.
"Eu sou cigano. Cigano como todos os outros ciganos e sou português como todos os outros portugueses e não sou nem mais nem menos por isso. Como homem, cigano e jogador de futebol já participei em várias campanhas de apelo contra o racismo, não porque parece bem mas porque acredito que somos todos iguais e todos merecemos na vida as mesmas oportunidades independentemente do berço em que nascemos".
Na publicação, o atleta que atualmente joga no Kasimpasa (Turquia), diz ainda que "o populismo racista do André Ventura apenas serve para virar homens contra homens em nome de uma ambição pelo poder que a história já provou ser um caminho de perdição para a humanidade".
Leia aqui a publicação (que também foi feita no Twitter e no Instagram do jogador)
Madremedia

Covid-19: Investigadores estudam forma personalizada de prever evolução da infeção

Investigadores portugueses estudam forma personalizada de prever ...
Investigadores da Faculdade de Medicina do Porto (FMUP) estão a estudar a implementação de uma ferramenta “baseada em medicina personalizada, rápida e de baixo custo”, para prever a evolução da infeção por covid-19 nos pacientes, anunciou hoje a FMUP.
A ideia é “estratificar melhor os doentes, antecipando a sua evolução clínica”, esclarece João Tiago Guimarães, que lidera este projeto.
“Isto tem impacto para a saúde pública na medida em que, ao classificar melhor os doentes, podemos definir estratégias terapêuticas mais adequadas. Cada pessoa poderá beneficiar de uma abordagem mais personalizada e ajustada às suas necessidades clínicas”, afirma o médico e investigador.
Tiago Guimarães refere que “a ferramenta será construída na plataforma iLoF (intelligent Lab on Fiber) – uma solução validada, totalmente operacional, baseada em algoritmos fotónicos e inteligência artificial, que permite a deteção e identificação de bio-nanoestruturas em dispersões líquidas (por exemplo, no plasma sanguíneo) para medicina personalizada e de precisão”.
A plataforma iLoF, uma tecnologia patenteada desenvolvida pela ‘spin-off’ de mesmo nome e atualmente incubada no FMUP, permite “registar e analisar a impressão digital ótica resultante da interação do feixe de luz com determinadas bio-nanoestruturas, como as que se encontram especificamente desreguladas no plasma devido à resposta inflamatória ao SARS-CoV-2”.
É com base nesta informação que os investigadores pretendem estratificar melhor os doentes.
Além da FMUP, integram este estudo o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), o INESC TEC e a ‘spin-off’ iLoF.
O projeto, intitulado “CAIRUS – COVID-19 Artificial Intelligence-based Risk Unified Stratification tool for clinical management”, recebeu um financiamento de cerca de 30 mil euros, no âmbito da RESEARCH4COVID19, um programa de apoio especial para implementação rápida de soluções inovadoras de resposta à pandemia de covid-19, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
Lusa / Madremedia

Visitas à varanda: Neste lar da Figueira da Foz uma grua ajuda a matar saudades

Visitas à varanda. Neste lar da Figueira da Foz uma grua ajuda a ...
Vários utentes da Misericórdia da Figueira da Foz, confinados nessa instituição de solidariedade social há quase dois meses, devido ao novo coronavírus, falaram hoje pela primeira vez com familiares, através de uma plataforma elevatória exterior, disponibilizada gratuitamente.
O sistema, que começou hoje a funcionar e está disponível de segunda a sexta-feira, por marcação prévia, às famílias dos 150 utentes dos lares de Santo António e Silva Soares, permite cerca de duas dezenas de ‘visitas’ diárias, a dois metros das varandas do primeiro andar de cada um dos edifícios, constatou a agência Lusa.
Na manhã de hoje, Carlos e Margarida Santos, estrearam a iniciativa para visitar a mãe e avó, de 93 anos, que não veem há dois meses: “Dentro das possibilidades, é o que temos de melhor. É menos prejudicial do que ir lá para dentro [do lar] e correr o risco de infetar os idosos”, disse aos jornalistas Carlos Santos.
A visita foi uma surpresa para a idosa, que padece de alguns problemas de saúde devido à idade avançada “e não alimenta muito a conversa”.
“Mas conhece muito bem a neta e vai gostar”, antecipou Carlos Santos, que saiu de casa hoje pela primeira vez para ver a mãe: “Não saía há dois meses e sair para ver a minha mãe é uma alegria”, enfatizou, emocionado, antes de a plataforma elevatória articulada, pertença de uma empresa de construção que a cedeu gratuitamente às Misericórdia – Obra da Figueira, fazer subir as duas pessoas pelo exterior do lar de Santo António até a uma varanda do primeiro andar do edifício, onde, até à década de 1970, funcionou o hospital distrital da Figueira da Foz.
Visitante habitual da mãe “dia sim, dia não”, Carlos Santos deslocava-se de São Martinho do Bispo – nos arredores da cidade de Coimbra, onde reside – de comboio até à Figueira da Foz, uma viagem que demora cerca de uma hora, mas hoje veio de carro com a filha.
“Ainda não arrisco de comboio nem de autocarro, por enquanto ainda é cedo [para usar transportes públicos]”, notou.
As subidas e descidas na plataforma elevatória foram-se sucedendo ao longo da manhã, 10 a 15 minutos a cada família, de forma ordeira e observando as condições de segurança face à pandemia de covid-19, nomeadamente no uso de máscaras e viseiras de proteção ou na desinfeção do cesto da máquina a cada utilização.
Junto ao muro do pátio de Santo António, Maria José, natural de Oliveira do Hospital, mas a residir na Figueira da Foz, esperava pela sua vez de falar com o pai, de 91 anos.
“É uma ótima solução, porque já há mais de mês e meio que não vejo o meu pai. Era bom para outros sítios também, porque não é fácil estar sem ver os nossos familiares tanto tempo e eu vinha cá todos os dias vê-lo”, frisou Maria José.
Por seu turno, o provedor da Misericórdia-Obra da Figueira, Joaquim de Sousa, assinalou que “todos os familiares aderiram de imediato” à iniciativa da instituição, que definiu como “uma espécie de regresso ao antigamente, um namoro à janela”.
“E eu ainda sou do tempo do namoro à janela”, brincou.
Joaquim Sousa lembrou que a Misericórdia da Figueira da Foz tomou internamente diversas medidas de segurança desde o início de março e mantém-se sem qualquer de infeção pelo novo coronavírus.
Disse, por outro lado, que o uso da plataforma elevatória “serve para aligeirar a ansiedade” dos idosos “que estão desde meio de março sem estarem presencialmente com os familiares”, embora mantenham contacto por telefone ou através de vídeo chamada por meios eletrónicos.
Já o empresário Filipe Oliveira, proprietário da Qualigesso, a empresa detentora da plataforma elevatória que habitualmente é usada por trabalhadores em obras em altura, admitiu que nunca lhe tinha passado pela ideia usar a máquina para uma iniciativa de solidariedade.
“Tinha a máquina parada e, quando fui contactado, acedi de imediato a cedê-la gratuitamente. Estamos a contribuir para fazer o bem pelos outros e só podemos estar felizes com isso”, argumentou.
Fonte e Foto: Lusa

Ministério da Educação garante escolas com máscaras para todos

Covid-19: Ministério da Educação garante escolas com máscaras para ...
O Ministro da Educação garantiu que a tutela "será responsável" pelo apetrechamento das máscaras necessárias para distribuir por alunos e funcionários das escolas que vão reabrir dentro de duas semanas.
Os alunos do 11.º e 12.º ano deverão voltar a ter aulas presenciais a partir de 18 de maio e a entrada na escola só será permitida a quem tenha máscara, para conter a disseminação do novo coronavírus, que já provocou mais de mil mortos e infetou mais 25 mil pessoas em Portugal.
"Obviamente que o Ministério da Educação será o responsável por esse apetrechamento. O Ministério faz esse trabalho", garantiu Tiago Brandão Rodrigues, durante a audição parlamentar da Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, na terça-feira.
Para os cerca de 190 mil alunos que regressam às escolas "serão necessárias pelo menos cinco milhões e setecentas mil máscaras" para os primeiros 30 dias, segundo contas da deputada do PSD Cláudia André, às quais falta somar professores e funcionários.
Outro dos temas abordados na comissão por vários deputados foi sobre a disponibilidade de professores para garantir as aulas presenciais, uma vez que esta é uma classe bastante envelhecida e com algumas morbilidades.
Tiago Brandão Rodrigues garantiu que o Ministério está a trabalhar para "ter um corpo docente robusto", sublinhando que neste processo de regresso às aulas presenciais serão em breve ouvidas as estruturas sindicais.
Em algumas escolas, as turmas poderão ficar divididas por várias salas de aula para garantir o distanciamento social e nesses casos serão precisos mais professores.
"Trabalharemos para ter um corpo docente robusto, para ter o corpo docente que seja necessário para dar a resposta com todos os condicionalismos de higienização e de distanciamento", garantiu no parlamento, no mesmo dia em que as escolas receberam o manual para diminuir o perigo de contágio do novo coronavírus.
"Os corpos docentes das nossas escolas estão preparados para atuar, mas sempre que tivermos professores em situação de risco, que não possam estar na escola presencialmente com os seus alunos, estes podem ser coadjuvados por outros professores", acrescentou Tiago Brandão Rodrigues.
O ministro esteve na terça-feira no parlamento a pedido do CDS-PP e do Bloco de Esquerda que queriam debater as politicas educativas anunciadas para este 3.º período e a preparação do próximo ano letivo.
Ana Rita Bessa afirmou que o CDS estava contra as novas regras sobre os exames nacionais, como os alunos ficarem inibidos de realizar melhorias de nota e de não fazerem exames de conclusão do secundário.
"O CDS discorda destas alterações porque aparecem quase no final do jogo para muitos alunos e para as suas famílias e vêm pôr em causa a consistência interna do concurso de acesso", afirmou a deputada.
Por outro lado, a deputada do CDS criticou o facto de se acabar com as melhorias de nota este ano para reduzir o número de alunos a fazer exames, mas depois existirem "centros comerciais abertos".
"Está o Governo ainda a tempo e capaz de rever esta decisão, porque as matrículas acabam a 11 de maio?", questionou Ana Rita Bessa.
O ministro Tiago Brandão Rodrigues voltou a lembrar que as opções foram tomadas num contexto de pandemia e o secretário de Estado da Educação, João Costa, acrescentou que este ano terá mais três semanas de aulas e a realização de provas de melhoria punha em causa o descanso dos professores.
Segundo João Costa, as melhorias de nota "representam dois terços de todas as provas realizadas", o que iria "comprometer toda a atividade dos professores".
O secretário de Estado acrescentou ainda que o modelo encontrado não cria desigualdades no acesso ao ensino superior entre os alunos que este ano terminam o secundário e os que já o fizeram em anos anteriores.
A deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, criticou a opção do Ministério em manter aulas e avaliações no 3.º período, alertando para as injustiças causadas pelo ensino à distância.
"Para a maioria dos alunos, o ensino à distância aprofunda assimetrias brutais. Para a maioria dos alunos, apesar do todo o esforço dos professores, é mais um peso que os puxa para baixo. O ensino à distância encerra os alunos nos seus contextos sociais", afirmou a deputada, lembrando os alunos sem internet, computador ou cujos pais "são incapazes de dar explicações".
Para o BE, o ensino à distância devia acompanhar os alunos nas necessidades sociais e não tentar "imitar o ensino presencial e aprofundar as desigualdades", dando matéria nova e "deixando para trás aqueles que não têm capacidade".
"A opção de regresso às aulas apenas para preparar os exames faz e reduz a escola a um centro de explicações, o que é lamentável", criticou.
Em resposta, o Ministro da Educação acusou a deputada do BE de ter apresentado um "tratado em como ser contraditória em apenas cinco minutos" e considerou que a sugestão de Joana Mortágua iria "transformar toda e qualquer ação do 3.º período numa grande AEC".
O ministro sublinhou a importância das aulas à distância, caso contrário haveria "alunos absolutamente desacompanhados", lembrando que através daquelas aulas foi possível manter redes de proximidade entre alunos e professores.

Tenista Pedro Sousa triste pela paragem, mas confiante para o regresso

LusaVídeo: Covid-19 - Tenista Pedro Sousa triste pela paragem, mas ...
O tenista português Pedro Sousa está de regresso aos 'courts' após a paragem forçada devido à pandemia de covid-19 e, apesar de triste pela suspensão das competições, diz estar confiante num regresso em "boa forma".
Em entrevista à agência Lusa num dos campos de treino do Centro de Alto Rendimento (CAR) do Jamor, o 110.º classificado do 'ranking' ATP assume que foi "estranho" encarar uma paragem tão prolongada.
"Foi um pouco, sobretudo ao início. Como jogadores, estamos habituados a andar sempre de um lado para o outro e agora fomos obrigados a ficar em casa, praticamente sem poder sair, sem treinar. Foi duro, mas felizmente agora já podemos treinar e quero é voltar a ganhar forma para que, quando o circuito reinicie, esteja o melhor possível", afirma o tenista que há uma semana trabalha no CAR.
Durante dois meses, Pedro Sousa seguiu as indicações dos técnicos e cumpriu um plano de treino em casa e num campo perto de casa, mas admite que "não é a mesma coisa" que pisar o pó de tijolo do Jamor.
O regresso aconteceu na semana passada e o atleta de 31 anos confidencia que fisicamente está a ser desafiante voltar a adquirir ritmo.
"Está a custar um bocadinho voltar a treinar. Fisicamente, não estou tão bem como antes, mas é como se fosse o regresso de uma lesão ou das férias de final do ano. Temos bastante tempo para nos preparar e, por isso, podemos ir com calma", explica o jogador.
Antes da chegada da pandemia de covid-19, Pedro Sousa conquistou um dos melhores resultados da sua carreira ao atingir a final de um torneio ATP. Em Buenos Aires, na Argentina, o luso acabou derrotado pelo norueguês Casper Ruud, mas conseguiu um 'salto' de 38 lugares no 'ranking' mundial. Uma fase muito positiva que o tenista lamenta que agora tenha sido abruptamente interrompida.
"É verdade que estava numa boa fase, tinha feito um grande resultado, estava com confiança, sentia-me bem e a jogar bem. Infelizmente, o circuito parou, mas não vale a pena estar a pensar muito nisso, porque a saúde de todos é mais importante do que o ténis neste momento", salienta Pedro Sousa, que espera em breve voltar a ter momentos como o vivido na Argentina.
A pandemia de covid-19 cancelou todos os torneios em que o tenista ia participar e Pedro assume que esta era mesmo a sua fase preferida do ano.
"É a minha fase favorita. Temos o Estoril Open, o torneio do CTB, em Braga, e para terminar Roland Garros. É uma fase que adoro jogar", revela triste, mas esperançado de que em breve seja possível regressar aos 'courts'.
Quanto à ideia da Federação Portuguesa de Ténis de criar um circuito nacional para que jogadores portugueses e internacionais se possam preparar para a retoma da competição internacional, Pedro Sousa dá o seu aval à iniciativa.
"Acho excelente, porque afinal de contas vamos estar bastante tempo sem competir e antes de voltar ao circuito termos esses jogos é sempre bom, porque treinar, às vezes, não chega e competir é diferente. Se esses torneios se realizarem, vai ser muito importante para nós, que competimos lá fora. Vai-nos possibilitar estarmos mais rodados e termos mais rotinas de competição", conclui.
Lusa

BE propõe subsídio excecional e temporário para trabalhadores sem apoios

Bloco de Esquerda propõe subsídio excecional e temporário para ...
O BE propôs a criação de um subsídio excecional e temporário para todos os trabalhadores que perderam rendimento ou atividade devido à pandemia, mas que estão excluídos dos outros apoios e prestações.
Em declarações à agência Lusa, o deputado do BE José Soeiro detalhou o projeto de lei, que dá hoje entrada no parlamento, através do qual o partido pretende criar um subsídio extraordinário de desemprego e de cessação de atividade que terá o valor correspondente ao indexante de apoios sociais, que atualmente é de 438,81 euros, com duração máxima de seis meses.
"Neste momento estamos numa situação em que há centenas de milhares de trabalhadores que perderam o emprego, rendimento ou atividade e estão desprotegidos", afirmou, explicando que "estão excluídos quer das prestações de desemprego que já existiam quer dos apoios extraordinários que, entretanto, foram criados".
Neste universo de pessoas sem proteção social nesta crise provocada pela pandemia de covid-19 estão "trabalhadores precários, informais, trabalhadores no autoemprego, trabalhadores das plataformas digitais, trabalhadoras domésticas, advogados e solicitadores e intermitentes da cultura", enumerou José Soeiro.
Este subsídio, não acumulável com outros apoios, tem como objetivo ser "um mecanismo expedito" para responder aos trabalhadores sem qualquer tipo de apoio.
"É um apoio excecional, que tem um caráter temporário. Não estamos a redesenhar o sistema de proteção social com esta medida, estamos a criar uma medida que tem uma validade de seis meses, uma medida extraordinária, financiada pelo Orçamento do Estado, aliás como aconteceu com outros países", referiu, dando o exemplo de Espanha.
José Soeiro reconhece que o valor de 438,81 euros é "baixo, mas em linha com o que está previsto como valores mínimos para trabalhadores que têm acesso à proteção social".
"É o mínimo dos mínimos para garantir que as pessoas que neste momento estão com zero podem ter este apoio", justificou.
Segundo o deputado do BE, este mecanismo "não exige um prazo de garantia nem que as pessoas tenham tido um determinado número de meses de descontos", sendo a sua prova "muito simplificada", podendo nalguns casos ser uma declaração sob compromisso de honra, que depois é verificada posteriormente pela Segurança Social.
José Soeiro fez ainda questão de assinalar que "nos últimos dias, o Governo já admitiu publicamente que havia um conjunto importante de trabalhadores informais ou trabalhadores independentes que não estão cobertos pelos apoios".
"É para esses que nós queremos que haja um subsídio excecional de desemprego e de cessação de atividade que se aplica a todos estes trabalhadores", afirmou.
O BE pretende agendar este projeto de lei para debate no parlamento "assim que possível, preferencialmente para a semana".
Lusa

Médicos misteriosamente estão caindo de janelas de hospitais na Rússia


Por Marcelo Ribeiro, em 5.05.2020

Três profissionais da saúde que ficavam na linha de frente misteriosamente caíram de janelas nos hospitais que trabalhavam na Rússia, aumentando o escrutínio do público sobre as condições de trabalho dos médicos e profissionais de saúde em meio à pandemia de coronavírus.
Dois destes profissionais — que caíram nas duas últimas semanas — morreram e um deles encontra-se hospitalizado.
Todos os incidentes estão sendo investigados pelas autoridades na Rússia e provocaram muita discussão tanto na imprensa da Rússia quanto nas mídias sociais.
Alexander Shulepov está em estado grave desde sua queda, no sábado. Ele é médico que trabalha em ambulância em Voronezh, cidade que fica a 320 km de Moscou. A televisão estatal disse que ele caiu de uma janela no segundo andar do hospital Novousmanskaya onde recebia tratamento por estar contaminado com coronavírus.
Sua hospitalização ocorreu em 22 de abril, mesmo dia em que ele e o colega Alexander Kosyakin publicaram um vídeo afirmando que Shulepov foi obrigado a permanece trabalhando mesmo após se teste de coronavírus ter o resultado positivo.
Kosyakin, anteriormente, era crítico nas mídias sociais com relação a administração do hospital por não haver equipamentos de proteção suficientes. Ele foi interrogado pelas autoridades por hipoteticamente estar divulgado notícias falsas.
Kosyakin foi entrevistado pela CNN em uma entrevista, confirmando os detalhes: “[Shulepov] está uma UTI, até onde eu sei em estado grave, a última vez que falei com ele foi no dia 30 de abril (…) Ele se sentia bem, estava se preparando para receber alta do hospital … e, de repente, acontece isso, não está claro por que e para quê, são tantas perguntas sem resposta.”
Em um comunicado oficial do Ministério da Saúde local da Rússia afirmou que Shulepov “foi vítima de um acidente devido à sua própria falta de cautela” e que estaria recebendo os cuidados médicos que necessitava.

O hospital onde ocorreu o acidente disse em comunicado que Shulepov havia sido removido do seu plantão logo que informou ao hospital sobre ter testado positivo para coronavírus, sendo hospitalização em seguida.
Se passaram três dias e Shulepov retirou suas afirmações anteriores, afirmando agora que no seu vídeo com Kosyakin ele estava “dominado por emoções”. Outro vídeo que Shulepov gravou com Igor Potanin, médico chefe do hospital de Novousmanskaya, afirmou que sua equipe médica possuia equipamentos de proteção suficientes.
“Falei sobre isso com os funcionários do departamento: não deixarei ninguém atender pacientes ambulatoriais ou internados se não tivermos meios de proteção suficientes”. Afirmou Potanin.
É raro que médicos caiam de janelas na Rússia, mas Shulepov foi o terceiro profissional de saúde que caiu de uma no país nas últimas duas semanas.
No dia 1º de maio, Elena Nepomnyashchaya, médica chefe de um hospital na cidade de Krasnoyarsk, Sibéria, morreu após passar uma semana na UTI, de acordo com o departamento regional do Ministério da Saúde em comunicado.
A estação de TV local afirmou que Nepomnyashchaya havia caído da janela enquanto participava de uma reunião com autoridades regionais de saúde, na qual se discutia transformar a clínica em uma instalação de tratamento coronavírus.
Foi relatado que ela se opôs a tais mudanças pela à falta de equipamentos de proteção no hospital. O departamento de saúde regional do Ministério da Saúde negou estas alegações em comunicado, informando também que o hospital estaria em “reserva” para que pacientes com coronavírus e treinamento da equipe.
No sia 24 de abril, Natalya Lebedeva, chefe do serviço médico de emergência na cidade de Star City, a base principal para treinamento de cosmonautas russos, morreu após uma queda em um hospital.
O hospital da Agência Biomédica Federal, que afirma tê-la tratado por suspeita de coronavírus, comunicou que “ocorreu um acidente trágico”, sem mais detalhes e sem responder ao pedido de comentários.
Na declaração, o hospital afirmou: “Ela era uma verdadeira profissional em seu campo, salvando vidas humanas todos os dias!”
Anastasia Vasilyeva, chefe do sindicato da Aliança dos Médicos, disse que não pensava que alguém estivesse propositalmente matando médicos. Estes incidentes, afirmou ela, possivelmente são reflexo do estresse que os profissionais da saúde sofrem em um sistema carente durante uma pandemia.
“Trata-se realmente da destruição de nosso sistema de saúde”, disse Vasilyeva, que tem criticado amplamente a maneira que o governo abordou o combate ao coronavírus. “Muitas clínicas e hospitais foram fechados … E, é claro, isso significa que é muito difícil tratar nessas condições muitos pacientes com coronavírus”.

[CNN]
hypescience