terça-feira, 13 de abril de 2021

Câmara de Águeda assinala Dia Internacional da Pessoa cigana com ação pedagógica


Iniciativa no âmbito do projeto de mediação cultural da Autarquia levou cultura e costumes ciganos a duas escolas do concelho.
A Câmara Municipal de Águeda, no âmbito do projeto de mediação municipal e intercultural de Águeda “Igualdade na Diversidade”, que promove em parceria com a Associação Cultural e Recreativa de Vale Domingos e a Gipsy Produções, assinalou o Dia Internacional da Pessoa Cigana (8 de abril) com uma ação pedagógica e cultural em duas escolas do Concelho.

Os mediadores interculturais, as assistentes sociais e membros das duas associações organizaram sessões de apresentação e conversa sobre os costumes e cultura ciganas junto de quatro turmas dos 7.º e 8.º anos da Escola Secundária Marques de Castilho e de outras quatro turmas dos 5.º, 6.º, 7.º e 9.º anos da EB 2,3 de Aguada de Cima.

Neste espaço de diálogo, o mediador do projeto Davide Jimenez falou com os alunos, abertamente e sem restrições, sobre a cultura do povo cigano e as suas tradições. Os jovens mostraram-se interessados e demonstraram toda a sua curiosidade sobre as características definidoras do povo cigano, questionando sobre temas como o casamento, o luto, a frequência escolar ou os costumes.

Uma das mediadoras municipais, Joana Monteiro, salientou que um dos aspetos que rege o projeto “Igualdade na Diversidade” é precisamente “a valorização cultural da comunidade de etnia cigana”, pelo que é de extrema importância “levar aos alunos que não são de etnia esta cultura e desmistificar algumas ideias preconcebidas”.

Érica, uma das alunas da Escola Secundária Marques de Castilho, de 13 anos, disse ter gostado muito desta iniciativa, porque assim os jovens como ela podem entender “o nosso mundo” e podem “mudar para que mais tarde, como adultos, possamos compreender melhor (este povo) e não cometer erros”. Um dos aspetos que a impactou foi a “força de quererem continuar a estudar”, um aspeto que pode mudar paradigmas sociais.

Orgulhosa das suas origens, Filipa, confessou gostar de comemorar o “seu” dia. Sobre a comunidade onde está inserida, disse que hoje se sente “feliz. Dou-me bem com todos e tenho vários amigos e não ciganos”. Mas nem sempre foi assim. Recorda que passou por várias situações, noutra escola, em que “foram racistas comigo, em que não me aceitavam. Não gosto que as pessoas sejam racistas”, desabafou, satisfeita, contudo, por hoje tudo estar ultrapassado.

Para Paula, uma outra jovem de etnia cigana que estuda igualmente na Escola Secundária Marques de Castilho, celebrar este dia “é importante”, porque, defende, “é preciso apoiar aqueles que não são da mesma origem que os outros”.

Esta iniciativa de levar a cultura e tradições ciganas às escolas foi abraçada com entusiasmo pelo Agrupamento de Escolas de Águeda Sul, que também divulgou na sua página web um pequeno texto alusivo à bandeira cigana, numa resposta positiva ao desafio lançado pelo consórcio do projeto de mediação intercultural.

Ana Sofia Pereira, técnica de serviço social daquele agrupamento de escolas, salientou a importância desta ação. “É excecional que haja este tipo de iniciativas, não só para dar a conhecer outras culturas, como para permitir uma educação mais inclusiva, no âmbito da diversidade cultural, étnica, etc.”, declarou. A técnica sublinhou que essa é, de resto, a postura pedagógica do agrupamento, “que prima pela inclusão e por promover iniciativas para fazer chegar aos alunos uma linguagem de diversidade e de inclusão na diferença”.

Refira-se que o projeto “Igualdade na Diversidade” resulta de uma parceria entre a Câmara de Águeda e as duas associações referidas, com o objetivo de promover a integração das famílias e crianças de etnia cigana, procurando atenuar cenários de exclusão e desintegração social destas comunidades. Aumentar a escolarização, promover o sucesso escolar, diminuir os índices de analfabetismo e aumentar a integração no mercado de trabalho são eixos de ação deste projeto, que pode ser acompanhado em htts://mediadoresinterculturais.cm-agueda.pt/.

 

Há cada vez mais pedidos de ajuda para tratar vício das raspadinhas


O número de pessoas viciadas em raspadinhas a pedir ajuda a instituições que tratam comportamentos aditivos está a aumentar. Os psiquiatras alertam para uma dependência que cresceu "muitíssimo" e comparam a incidência à do álcool.

O número de pessoas viciadas em raspadinhas a pedir ajuda a instituições que tratam comportamentos aditivos está a aumentar de forma exponencial, noticia o Jornal de Notícias. A maioria dos pedidos é feito junto de hospitais e Centros de Apoio a Toxicodependentes (CAT), mas as clínicas privadas também confirmam um crescimento de internamentos.

Um estudo realizado há um ano indicava que, em média, cada português gasta 160 euros por ano em raspadinhas, dez vezes mais do que em Espanha. No estudo, os investigadores alertavam para "o aumento brutal do dinheiro investido neste jogo em Portugal e para as características que favorecem o estabelecimento de comportamentos de jogo problemático ou patológico".

Segundo Alexandre Inverno, da clínica Linha d’água, citado pela publicação, cerca de 40% dos seus pacientes são "jogadores sem ser de casino físico, uma grande parte de raspadinhas", referindo ainda que, em termos percentuais, estão "equiparados aos alcoólicos".

A perceção no setor público é a mesma. Sofia Pinto, psiquiatra responsável pela Unidade de Psiquiatria Comunitária do Centro Hospitalar Universitário do Porto, refere que a “prevalência tem vindo a subir muitíssimo” e alerta que "estamos a deixar passar o fenómeno sem intervir muito sobre ele, o que é preocupante”. A psiquiatra explica que este vício "afeta muito a população mais vulnerável", por estar presente em vários locais e não ser um jogo caro, e conta que “há casos sinalizados entre beneficiários do RSI porque as pessoas acabam por ficar depauperadas de recursos por causa deste tipo de jogo e são referenciados pela Segurança Social para tratamento".

Emídio Abrantes, coordenador do Centro de Respostas Integradas de Aveiro, do qual faz parte o CAT local, reitera um “aumento da procura” de ajuda, principalmente nos últimos dois anos e reporta casos que chegam através da família e até pelo médico de família.

O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) propôs ao Governo que o internamento de pessoas com problemas relacionados com o jogo passasse a ter um financiamento público, tal como ocorre com os internamentos associados ao álcool e drogas.

Atualmente, o internamento é feito com recurso a comunidades terapêuticas privadas, o que o torna inacessível a grande parte dos viciados em raspadinhas, porque já não têm dinheiro para o tratamento.

Segundo a publicação, em 2019, 51,1% das vendas da Santa Casas da Misericórdia de Lisboa (SCML) vieram da raspadinha (1718 milhões de euros) e que as receitas dos jogos sociais foram de 3360 milhões de euros.

Madremedia

Portugal – Que Prioridades para o Futuro

O futuro de Portugal visto pela Associação Participar+

Com prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, Portugal – Que Prioridades para o Futuro? é um contributo para a promoção de reflexões e debates sobre temas com uma importância vital para o nosso futuro colectivo. O livro apresenta o Manifesto Fundacional da associação Participar+ e as apresentações feitas por António Costa Silva, João Ferreira do Amaral, Ricardo Paes Mamede e Vitor Ramalho, quatro dos membros fundadores desta associação cívica que pretende promover a análise e o debate sobre os principais problemas que atingem a sociedade portuguesa. Portugal – Que Prioridades para o Futuro? chega à rede livreira nacional no próximo dia 20 de Abril, com o alto patrocínio da Fundação Calouste Gulgenkian, da Fundação do Oriente e da consultora Diorama.

A associação cívica Participar+ constituída em Março de 2020, poucos dias antes da declaração da primeira vaga da pandemia de COVID-19, – promoveu a sua primeira sessão pública, no dia 5 de Outubro de 2020, na Fundação Calouste Gulbenkian, com intervenções de António Costa Silva, gestor que elaborou a pedido do Governo a estratégia de recuperação da economia portuguesa para a próxima década, dos economistas João Ferreira do Amaral e Ricardo Paes Mamede, e de Vitor Ramalho, secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e presidente da Participar+, numa sessão moderada por Ana Paula Martins.

Portugal – Que Prioridades para o Futuro? é o balanço dessa sessão, que, segundo a direcção da Associação, contou com uma «forte participação, apesar das limitações decorrentes da pandemia». Mas é também uma forma de tornar públicos os estatutos e os associados fundadores (que poderão conhecer na lista em anexo).

Esta iniciativa mereceu a melhor atenção do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que aceitou o convite da associação para assinar o prefácio desta edição. Nele tece elogios à iniciativa de uma associação «transversal, intergeracional, profundamente empenhada na participação cívica como alicerce do nosso Estado de Direito Democrático.»

O Presidente deixa ainda esta nota à Participar+ no seu Prefácio: «Por tudo isto vos agradeço a presente edição. Por uma derradeira razão, se possível mais forte, também. Porque a atravessa um sadio Patriotismo, não serôdio ou ritualista, mas ligado aos portugueses, a cada um e a todos eles, a começar nas suas existências diferentes e complementares. No fundo, representa, à sua maneira, uma forma de amar Portugal.»

Portugal – Que Prioridades para o Futuro? chega à rede livreira nacional no próximo dia 20 de Abril, com a chancela da Guerra e Paz Editores e com o alto patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian, da Fundação do Oriente e da consultora Diorama.

O livro será apresentado ao vivo, no próximo dia 27 de Abril, pelas 18h00, nas instalações da Fundação do Oriente, no Edifício Pedro Álvares Cabral, Doca de Alcântara Norte, em Lisboa, por ocasião do colóquio Contributos para respostas a importantes questões do presente, com moderação de Susana Santos e as intervenções de António Saraiva, director-geral da Confederação Empresarial de Portugal e de António Costa Silva.

Portugal – Que Prioridades para o Futuro?
Intervenções de: António Costa Silva, João Ferreira do Amaral,
Ricardo Paes Mamede, Vitor Ramalho
Moderação de: Ana Paula Martins
Não-Ficção / Actualidade
112 páginas · 5,5x23 · 12,00 €
Nas livrarias a 20 de Abril
Guerra e Paz, Editores

Investigadores da Universidade de Coimbra criam programa inovador para ajudar a lidar com a dor crónica

 Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um programa psicoterapêutico inovador destinado a pessoas com dor crónica, um problema de saúde que afeta cerca de 37% da população portuguesa.

Chama-se iACTwithPain, está disponível numa plataforma digital desenhada para o efeito – https://iact.isr.uc.pt – e foi desenvolvido por investigadores do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) e do Instituto de Sistemas e Robótica, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCEUC) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), respetivamente.

No essencial, este programa de intervenção psicológica de terceira geração, em formato online, pretende promover o desenvolvimento de competências de autogestão da dor e de autorregulação emocional, de modo a diminuir o impacto da dor e a melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem desta patologia. Tem uma duração de oito semanas e inclui dois momentos de follow-up – aos 3 e 6 meses após a conclusão da intervenção.

«A intervenção é constituída por 8 módulos, de cerca de 20 minutos de duração cada, disponibilizados uma vez por semana. Os participantes são orientados, ao longo da intervenção, mediante o recurso a vídeos explicativos e animados ou com os próprios terapeutas (ou os seus avatares) em tópicos relacionados com a gestão da dor e das respostas emocionais e cognitivas associadas, através da prática de exercícios experienciais e meditativos guiados», descreve Paula Castilho, coordenadora do projeto.

No final de cada módulo é sugerida a prática de exercícios relacionados com o tópico abordado e solicitado o preenchimento de um pequeno questionário sobre a sessão e o seu impacto. A progressão no programa «depende da conclusão de cada um dos módulos. A prática continuada e comprometida é fundamental para a eficácia da intervenção, pelo que os/as participantes serão incentivados/as e motivados/as através do envio de uma mensagem, via email, uma vez por semana, entre cada sessão a praticar/treinar as competências ensinadas», sublinha Paula Castilho.

Agora, a equipa pretende validar a eficácia deste programa. Está, por isso, a pedir a colaboração de pessoas com diagnóstico de dor crónica nos últimos três meses, com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos, que possuam acesso à internet e que não estejam envolvidas noutra forma de intervenção psicológica para a dor crónica. A elegibilidade para a participação no programa será aferida mediante questionários de autorresposta disponibilizados na plataforma, assim que cada voluntário tiver lido e aceite o consentimento informado depois de efetuado o registo.

No fim do estudo, cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), os participantes que ficarão distribuídos no grupo controlo terão a possibilidade de usufruir integralmente do programa iACTwithPain.

A investigadora do CINEICC e professora da FPCEUC nota que «cerca de 37% da população portuguesa sofre de um quadro com dor crónica, o que acarreta importantes custos sociais e económicos significativos. Além disso, a dor crónica está presente em diversos problemas psicológicos e quadros clínicos, como a ansiedade e a depressão».

Através do programa iACTwithPain, conclui, «pretendemos testar a eficácia de determinados componentes e estratégias terapêuticas e o seu contributo diferencial na gestão emocional e da dor. O iACTwithPain conta com a vantagem de ter um formato online, possibilitando o acesso generalizado da população a uma intervenção promotora da saúde (eHealth), aspeto ainda mais relevante pelas circunstâncias atuais decorrentes da crise pandémica. Deste modo, as pessoas podem efetuar a intervenção ao seu próprio ritmo, no seu ambiente natural e de acordo com as suas necessidades».

Cristina Pinto


Cantanhede | Agrupamentos de Escolas Lima-de-Faria e Marquês de Marialva

Alunos participam em atividade com o escritor e ilustrador Pedro Seromenho

“Encontro com o escritor Pedro Seromenho” foi o mote de três sessões virtuais do escritor e ilustrador infantojuvenil Pedro Seromenho com mais de duas centenas de alunos dos Agrupamentos de Escolas Lima-de-Faria e Marquês de Marialva, nos dias 7 e 8 de abril.

À primeira sessão assistiram os alunos que frequentam os 3º e 4º anos de escolaridade do Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria, nomeadamente das EB1 de Balsas, Corticeiro de Cima, Covões, Febres, S. Caetano e Vilamar. Ainda no dia 7 presenciaram algumas turmas das EB1 de Cantanhede Sul e Murtede, concluindo a atividade com a realização da terceira sessão, no dia 8, na presença de estudantes das escolas do ensino básico de Ourentã, Bolho e Cordinhã.

Durante as iniciativas, Pedro Seromenho interpretou textos literários de sua autoria, partilhando aspetos relacionados com a sua vasta experiência enquanto escritor e ilustrador, em particular sobre a sua mais recente obra “Inês, a inventora de profissões”.

Presente nas três sessões, Pedro Cardoso, vice-presidente da Câmara Municipal, que fez questão de não faltar e de se associar a esta atividade tão importante para a promoção da leitura, por entender que “são iniciativas bastante pertinentes e muito adequadas aos tempos atuais que vivemos”. O autarca salientou a “relevância de cimentar e reafirmar hábitos de leitura, nomeadamente incentivar o reforço do importantíssimo papel que os livros têm no desenvolvimento cultural humano das crianças e jovens. A prática de leitura desde tenra idade, associado ao inevitável contacto com os livros apresenta um enriquecimento do ser humano ímpar e singular nas suas diversas vertentes da sociedade”.

O livro “Inês, a inventora de profissões” foi apresentada pela Comunidade Intermunicipal Região de Coimbra (CIM-RC), numa sessão pública online, que decorreu em novembro de 2020, e que contou com a presença do escritor Pedro Seromenho e da ilustradora, Zita Pinto. Esta obra foi selecionada para os alunos do 1.º ciclo no âmbito da fase intermunicipal do Concurso Nacional de Leitura, que decorrerá no dia 16 de abril de 2021, na Biblioteca Municipal da Mealhada.

A Inês é a jovem mascote do projeto de educação promovido pela CIM Região de Coimbra – o Realiza.te – e que desafia, desde 2016, os pequenos empreendedores do 1.º ciclo da nossa região a criar histórias e jogos didáticos, dando a conhecer o nosso território na companhia de amigos que a visitam, ganhando assim nova roupagem e novos desafios, procurando-se adaptar ao perfil dos alunos do século XXI.

O livro nasceu da vontade e desejo de várias bibliotecas públicas, promotores de excelência da leitura no território que desenvolvem o potencial das crianças da Região de Coimbra, dando a oportunidade de explorarem as suas vocações, promovendo o seu desenvolvimento pessoal e preparando-os para os desafios de uma sociedade em constante mudança.

Realiza.te é o programa de ação territorial que visa promover o sucesso escolar, a equidade social, o emprego e a igualdade de oportunidades nos seus jovens. O projeto, cofinanciado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e Fundo Social Europeu, destina-se a todas Escolas da Rede Pública dos 19 municípios da Região de Coimbra, desde alunos, professores, pais, pessoal não docente, entre outros e tem como meta diminuir o insucesso e o abandono escolar precoce em 10% no território da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.

Pedro Seromenho Rocha nasceu em 1975, na República do Zimbabué. Com apenas dois anos de idade fixou-se em Tavira e mais tarde em Braga, onde reside atualmente. Licenciado em Economia, desde muito cedo demonstrou excecionais apetências pelo universo da escrita e da pintura, colaborando em inúmeras publicações e exposições como escritor e ilustrador


Presidente da câmara de Vila Real de Santo António detida pela Polícia Judiciária


A autarca de Vila Real de Santo António, Conceição Cabrita (PSD), foi detida por alegado crime de corrupção, avança esta manhã a TVI24. A câmara da cidade algarvia está a ser alvo de buscas.

A presidente da câmara municipal de Vila Real de Santo António, no distrito de Faro, foi esta manhã detida por um alegado crime de corrupção, avança a TVI24, informação também já confirmada pela Renascença. Fonte do município disse à agência Lusa que Conceição Cabrita foi detida por suspeitas de irregularidades num negócio imobiliário em Monte Gordo.

Além da autarca do PSD, foram ainda detidas mais três pessoas, acrescenta a mesma fonte.

Antes, a RTP tinha já adiantado que oito inspetores da Judiciária de Lisboa tinham ido à cidade algarvia. Fonte da câmara municipal, tinha dito que as diligências estão relacionadas com suspeitas de crime económico.

A autarca foi detida “à saída de casa”, quando se dirigia para o município, onde iria participar numa reunião de câmara, que acabou por se realizar sem a sua presença.
Conceição Cabrita foi eleita pelo PSD em 2017 para presidir ao município de Vila Real de Santo António, depois de ter sido vereadora e vice-presidente do anterior presidente, Luís Gomes, mas já tinha anunciado que não se iria recandidatar ao cargo nas eleições deste outono.

A Lusa questionou a Polícia Judiciária (PJ) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os motivos da detenção e a possível existência de mais detidos nesta operação, mas não obteve resposta até ao momento.

Lusa

Especialista alerta que uso de máscara aumentou doenças da voz


A otorrinolaringologista Clara Capucho alertou hoje que o uso de máscaras imposto pela pandemia da covid-19 aumentou o número de patologias da voz, sobretudo nos aparelhos vocais dos portugueses.

O alerta da coordenadora da Unidade de Voz do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (CHLO), que integra os hospitais Egas Moniz, S. Francisco Xavier e Santa Cruz, surge nas vésperas de se assinalar o Dia Mundial da Voz (a 16 de abril).

"O número de pacientes com disfonia por tensão muscular está a aumentar desde março de 2020", afirma em comunicado a especialista, que diz ter atendido nos últimos meses cada vez mais pessoas com este problema que se caracteriza pela dificuldade para emitir a voz, rouquidão, falta de volume e projeção, entre outros.

A especialista reconhece que, "ainda que importantes para travar a propagação do vírus, a utilização de máscaras tem agravado as patologias associadas à voz".

"O número de pacientes diagnosticados com disfonia por tensão muscular tem aumentado desde março de 2020, quando as autoridades de saúde recomendaram o uso de máscaras como medida essencial para reduzir os riscos de contágio por covid-19", salienta.

"O aumento do esforço para a emissão vocal -- provocado pelas máscaras, pela ansiedade e pela postura em frente ao computador -- conduz a uma tensão muscular na zona cervical, dos ombros e do próprio aparelho vocal, resultando muitas vezes numa disfonia por tensão muscular. Essa tensão é tão intensa que, em certos casos, acarreta graves prejuízos vocais", salienta.

Dado que a voz é o principal instrumento de trabalho dos artistas, a Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz a Fundação GDA -- Gestão dos Direitos dos Artistas irão lançar um inquérito para avaliar o impacto da covid-19 no desempenho da voz de atores e cantores, uma iniciativa que irá assinalar o Dia Mundial da Voz 2021, este ano sob o lema "Um mundo, muitas vozes".

O vice-presidente da GDA, Luís Sampaio, afirma que "os artistas estão a ser severamente fustigados com os efeitos causados pela pandemia da covid-19, tais como a limitação das atividades culturais e o cancelamento de espetáculos. Mas, apesar desta paragem, não podem descurar aquele que para muitos é o principal instrumento de trabalho: a voz".

"É fundamental que os artistas tenham cuidados preventivos de saúde que identifiquem e tratem patologias do aparelho vocal, mantendo-o apto para as exigências que o regresso do seu uso profissional no pós-pandemia irá colocar", defende Luís Sampaio.

A Fundação GDA irá enviar a todos os cooperadores um inquérito 'online' para avaliar os níveis do desconforto vocal dos artistas, cujos dados serão remetidos à Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz, que irá avaliar os sintomas e, posteriormente, reencaminhar os casos graves para consultas ou rastreios.

A equipa de Clara Capucho irá depois utilizar os resultados na elaboração de um estudo científico sobre os efeitos das máscaras anti-covid-19 na voz dos artistas em Portugal.

A Fundação e o CHLO irão promover também, na quarta e quinta-feira, rastreios gratuitos da voz dirigidos à comunidade artística, mas também à população no Hospital Egas Moniz.

Devido à pandemia, os artistas interessados devem inscrever-se previamente, preenchendo um formulário no 'site' da Fundação GDA, e restante população deverá contactar a Unidade da Voz do CHLO.

Lusa