domingo, 23 de julho de 2017

Pedrógão Grande: "revoltados", familiares de vítimas criam associação

Governo reitera que há 64 vítimas mortais e primeiro-ministro considera caso “esclarecido”. Famílias das vítimas constituem-se assistentes no processo judicial em curso e ponderam avançar com acção contra o Estado.

Tanto o MAI como a Protecção Civil reiteraram que são 64 as vítimas mortais
Tanto o MAI como a Protecção Civil reiteraram que são 64 as vítimas mortais ADRIANO MIRANDA
Depois da dor inicial, agora é tempo de “revolta”. Familiares de vítimas do incêndio de Pedrógão Grande estão a dar os passos necessários para a constituição de uma associação, um movimento cívico que permitirá que acompanhem a par e passo as investigações em curso, que possam contribuir para o apuramento de responsabilidades e, de alguma forma, evitar que tragédias semelhantes aconteçam.

Uma das grandes dificuldades dos promotores da associação foi chegar à lista oficial das vítimas mortais. A lista não foi divulgada pelas autoridades, que se recusam fazê-lo alegando que o caso está “em segredo de justiça”, no âmbito do processo-crime que investiga as circunstâncias das operações de combate ao fogo e de resgate às vítimas. “Andamos a cruzar informações. Tivemos que ir às paróquias, passar a palavra de boca em boca”, conta Nádia Piazza, que perdeu o filho de cinco anos na tragédia e é uma das promotoras da futura Associação de Familiares de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, que já tem um grupo no Facebook.


Este sábado, porém, o Expresso publicou a lista das 64 vítimas e acrescentou mais um nome ao rol, o de uma viúva de 71 anos que vivia sozinha e foi atropelada a 17 de Junho perto de sua casa, quando tentava fugir das chamas.

Ao final da tarde, o primeiro-ministro, António Costa, disse acreditar que “já está tudo esclarecido” pela "Autoridade Nacional de Protecção Civil e pelo Ministério da Justiça”, depois de a vice-presidente do PSD, a coordenadora do Bloco de Esquerda e a líder do CDS- PP terem reclamado um esclarecimento do Governo. Tanto o Ministério da Administração Interna como a Autoridade Nacional de Protecção Civil reiteraram que são 64 as vítimas mortais, de acordo com os critérios estabelecidos.

“Houve um abandono completo, antes e durante” o incêndio, lamenta Nádia Piazza. Um mês depois, "após o trauma e a dor inicial, as pessoas estão muito revoltadas, mas querem transformar esta revolta em acção para honrar os que morreram”, sintetiza.


Depois de uma primeira reunião preparatória há uma semana, em que participaram cerca de “duas dezenas” de pessoas, um novo encontro "à porta fechada" está marcado para o final da tarde deste domingo. Desta vez, o número de participantes deverá ser maior: a mensagem tem estado a circular através das redes sociais e há cada vez mais pessoas a aderir, explica Nádia, que é jurista na Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos.

Mas é ainda necessário definir os estatutos e marcar uma assembleia-geral para a constituição da associação, o que deve acontecer "em meados de Agosto", acrescenta, pedindo a todos os familiares de vítimas mortais e de feridos que entrem em contacto com a associação. Os familiares querem ser também ouvidos pela comissão independente que está a investigar o caso até para ter a certeza que, deste processo, resultarão medidas concretas que impeçam uma repetição de uma tragédia deste tipo. “Vivemos num mar de eucaliptos, vivemos num barril de pólvora, precisamos de máscaras, de luvas", afirma.

Entretanto, três pessoas já se terão constituído como assistentes no âmbito do inquérito judicial em curso e, contactado por "pessoas ligadas aos familiares das vítimas", o advogado lisboeta Ricardo Sá Fernandes disponibilizou-se a dar o apoio jurídico necessário.

“Ninguém recusaria ajudar pessoas nesta situação”, justificou ao PÚBLICO o advogado, para quem há “indícios suficientes” para se avançar com uma acção de responsabilidade extracontratual do Estado por violação do dever de zelo, como se diz na gíria jurídica. “Houve uma descoordenação manifesta”, sustenta Ricardo Sá Fernandes, que lembra que esta acção não tem necessariamente que chegar aos tribunais. “Oxalá isso não seja necessário”, enfatiza.
Governo diz que mortos são 64

Na edição deste sábado, o Expresso incluiu na lista de vítimas mortais o caso da idosa e questionou a possibilidade de este rol ser ainda ser maior, explicando que apenas terão sido consideradas as vítimas directas da tragédia — ou seja, as pessoas que morreram devido às queimaduras ou por inalação de fumo. Foi a filha da idosa que descreveu as circunstâncias da morte da mãe: “Levava uma lanterna, o telemóvel e o dinheiro que tinha em casa e foi encontrada na estrada, com a cabeça e o braço partido."

O PÚBLICO tentou obter uma reacção do gabinete do primeiro-ministro, que começou por remeter para a assessoria de imprensa da ministra da Administração Interna — que, por sua vez, remeteu uma resposta para o Ministério da Saúde. Este garantiu ser "infundada a suspeita de um número de óbitos superior ao oficialmente divulgado".

"No Instituto de Medicina Legal foram realizadas autópsias a 64 cadáveres relacionados com o grande incêndio de Pedrógão. O delegado de Saúde do PIN [Pinhal Interior] informou que, após a noite de 17 para 18 [de Junho], não mais foi convocado para qualquer outra verificação de óbito relacionada com o incêndio", assegurou o Ministério da Saúde.

Ao final da tarde deste sábado, o Ministério da Administração Interna e a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) reiteraram que 64 vítimas mortais é o número "validado e confirmado pelas autoridades competentes", nomeadamente pelo Instituto de Medicina Legal, com base "nos dados disponibilizados até ao momento".

"O número de vítimas mortais foi apurado com base nos critérios previamente definidos e que se prendem com cidadãos que morreram por queimaduras ou inalação de fumos decorrentes dos incêndios", precisou o Ministério da Administração Interna. "O Governo é o primeiro interessado em que tudo fique esclarecido e, por isso, aguarda as conclusões das diversas investigações em curso."

Fonte: Público

O silêncio do fogo na voz da dor...

Carta de uma mãe que perdeu o filho em Pedrógão Grande.

Daniel Rocha
Estamos tão cansados, mas não podemos estar. Os mortos não se calam e não nos deixam cansar. Gritam por Justiça! Exigem Mudança!

A Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, o grande, brutal e devastador incêndio que lavrou do dia 17 a 24 de Junho de 2017, nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, é um movimento cívico que partiu dos familiares e amigos das vítimas mortais desta tragédia. Uma associação cujo mote é apurar responsabilidades e ajudar a construir um futuro em que tal tragédia e crueldade não volte a acontecer!

Esta é a descrição do que pretendemos ser, com a ajuda de todos e a lembrança de todos aqueles que partiram. Porque hoje somos uma comunidade traumatizada. Uma comunidade sujeita a uma tal brutalidade que não se nos apaga da memória... O cheiro a terra ardida é algo que nos envolve, que nos macilenta e que se entranhou em cada um de nós.

A perda de dezenas de vidas e de forma tão trágica que roça a loucura deixou uma sociedade e todo o seu contexto à volta num luto imposto. A vida acabou ali, naquela estrada para muitas pessoas. Inocentes. E acabou também parte de uma vida para os que ficaram. Os que ficámos, ficámos mais pobres, mais sós, apenas com o alento das memórias, mas com a revolta de toda esta situação. São filhos sem pais. São pais sem filhos... são casas sem gente, é gente sem gente, não é natural!

Olho à volta e as pessoas não se riem, choram sozinhas, acanhadas, não se olham nos olhos, com vergonha pela sua impotência, com medo; o cenário é deprimente e não nos ajuda a superar com dignidade a tragédia. O Inverno não tarda e com ele as ruas despidas de vida. Despidas de ainda mais vida.

Há rancor, ressentimento com o território e com as entidades públicas. O Estado falhou. A Nação não existiu.

Mas não falhou apenas nesta tragédia. O Estado vem falhando ao longo de décadas. O Estado padece de uma cegueira crónica, está enfermo de um tal sentimento de negação de si próprio. Nega o seu estado de país rural, um país orgulhosamente rural e por isso mesmo rico.

Enquanto Estado é um conceito frio, masculinizado, distante, de um ente que impõe tributos e leis aos seus súbditos, um amontoado de entidades supostamente hierarquizadas, com dirigentes supostamente competentes, e que supostamente deveriam cumprir e fazer cumprir um conjunto de leis e regras que se vão aprovando (ou não!) conforme as vontades políticas da estação. Assim se vai governando Portugal. Sem pactos de regime e visão a longo prazo. Vão-se puxando o tapete uns aos outros, não se apercebendo que, por fim, só restam cacos, dor e tristeza para governar.

Nação, por sua vez, é um conceito acolhedor, integrador, feminino, belo, quase maternal, que agrega o seu Povo e o seu Território. É o que dá sentido à reunião das pessoas num determinado território a que chamamos “a nossa terrinha”, “o nosso cantinho a beira-mar plantado”, a proa desta “jangada de pedra”. Portugal.

O Estado falhou nesta tragédia levando consigo o sentimento de pertença de Nação que tínhamos. O Estado não protegeu a sua Nação. Não assegurou o seu Território e com ele o seu Povo...

Fomos vítimas desta ausência insuportável de Estado. Ontem e hoje. Mas não amanhã. Porque já chega de incêndios que ceifam vidas. Incêndios como os de 2003, 2005 e Junho de 2017, e que contabilizam, até a data, 100 vítimas mortais em solo português, não podem voltar a acontecer. É hora de todos dizermos “Basta!”. Este Estado que não quer ver secou uma parte importante da sua Nação, aquela que moveu este país por séculos, o Interior.

A primeira muralha e frente de defesa do País no passado contra as invasões estrangeiras, o celeiro do País em tempo de vacas magras, o emissor de soldados nas guerras ultramarinas, o mercado de mão-de-obra barata em tempos de construção europeia... Quando o Interior e os seus recursos já não eram precisos, substituídos pela oferta de bens e serviços mais baratos, o Povo e o Território do Interior foram abandonados À sua sorte. Emigrem! E assim o fizeram, abandonados à sua sorte.

Não houve solidariedade em tempos de vacas gordas, não houve estratégia para o Território quando os dinheiros dos Fundos Estruturais Europeus chegavam a rodos. Foram anos de esquecimento, de esvaziamento progressivo e consistente das instituições regionais e locais, depois seguiram-se as empresas e, por fim, as pessoas. Sobreviver é preciso.

Foram sucessivas décadas de descaso com o Interior, de negligência com o Território, com a Floresta e a Agricultura. Tendo como consequência a emigração das pessoas em idade ativa, restando uma população envelhecida e empobrecida a exigir cuidados redobrados do pouco Estado que restou e que nos foi esventrado e sobretudo das autarquias locais e misericórdias.

Parecia propositado... o Interior tornou-se terra de ninguém, envergonhado de o ser, abandonado e, assim, por fim, vergado.

Deveríamos dar graças por nos termos tornado a maior região eucaliptizada da Europa... Fomos “agraciados” pela falta de oportunidade! O Território estava a saldos e ninguém quis saber.

O Interior tornou-se um canteiro de ervas daninhas, sem jardineiros — as suas gentes. Um barril de pólvora em que se soma a indústria do fogo institucionalizada e um qualquer ano eleitoral. Os ingredientes ideais para a tempestade perfeita.

A tragédia de 17 a 24 de junho de 2017 estava mais que anunciada. Foi apenas uma questão de tempo... e o tempo não pára! E com ele foram muitas vidas abreviadas. Cedo demais... Cedo demais!

Por ti, meu filho...

Nádia Piazza, mãe de uma criança de cinco anos que morreu a 17 de Junho de 2017 em Pedrógão Grande

Fonte: Público

Emigrante português morre em despiste quando vinha de férias

Um emigrante português residente em França regressava ao país quando o carro em que seguia com mulher e filhos se despistou. O homem morreu e os restantes ocupantes ficaram feridos.
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O acidente ocorreu pelas 7.15 horas locais de sexta-feira (menos uma hora em Portugal continental), no município espanhol de Briviesca (Burgos), segundo o Serviço de Emergência de Castela e Leão, noticiou a imprensa local.
No carro, seguia um casal e cinco filhos, todos menores.
A família de emigrantes portugueses, escreve o "El Correo de Burgos", seguia em direção a Sul, na AP-1, autoestrada no norte de Espanha, quando o condutor perdeu o controlo da viatura, um monovolume de nove lugares, com matrícula francesa. O veículo saiu da estrada e capotou várias vezes, até cair numa valeta.
Os meios de socorro médico e os bombeiros de corporações vizinhas que acorreram ao local já não conseguiram salvar o homem, que ficou encarcerado no veículo, cuja instabilidade dificultou as operações de resgate.
A vítima mortal, de 37 anos, foi identificada apenas como J.M.R.S. A mulher, de 32 anos, e os filhos, três rapazes e duas raparigas com idades compreendidas entre um e doze anos, foram levadas para o Hospital Universitário de Burgos menos de uma hora depois do acidente, onde receberam tratamento médico.
Além do serviço emergente de socorro, acorreu ao local a Polícia Local, a Guarda Civil de Trânsito, os Bombeiros de Burgos, médicos do centro de saúde de Briviesca e ainda duas ambulâncias de Suporte Vital Básico (equivalentes às ambulâncias portuguesas de Suporte Imediato de Vida).

Fonte: JN
Foto: DR

Manhã de domingo: Muay Thai. Os nossos campeões a lutar na Tailândia

Manhã de domingo

As principais notícias do dia
Bom dia!
Trabalham o ano todo em Portugal e depois gastam as férias e as poupanças numa viagem para a Tailândia. Lá, treinam, treinam, treinam. Objetivo: tornarem-se campeões de Muay Thai.
Mikhail Kornienko passou 340 dias seguidos no espaço. Esteve a falar com estudantes portugueses e contou ao Observador como é viver tanto tempo longe da Terra. E diz que o futuro é em Marte.
Presidente da Associação Portuguesa de Bancos diz que fatura da venda do Novo Banco para os outros bancos pode chegar a quase dez mil milhões de euros. Mas admite que outras soluções não são viáveis.
Despacho da Procuradora Geral da República, citado pela RTP, dá instrução para concluir o inquérito aos ganhos, alegadamente excessivos, da EDP, em dez meses. Prazo pode ser estendido.
Donald Trump referiu o seu poder de conceder perdão através do Twitter. A Constituição norte-americana abre a porta a que o presidente dos Estados Unidos conceda perdão a si mesmo.
O presidente dos EUA acusou ainda o jornal de pôr "os seus interesses doentios acima da segurança nacional". O New York Times já pediu esclarecimentos à Casa Branca.
O Congresso chegou a acordo para aplicar sanções contra a Rússia pela interferência nas eleições e para limitar a capacidade de Trump de as remover. A União Europeia receia ser dano colateral.
Com mais de 82,33% dos votos contados, Fretilin lidera com 30,61%, seguido da CNRT com 27,74%. Díli, onde a contagem está mais demorada, pode levar a uma reviravolta no resultado das eleições.
Inspeção-Geral de Finanças justifica a recondução da inspetora ao longo dos últimos dois anos com um parecer da PGR e o "princípio constitucional da presunção de inocência".
É um dos países mais herméticos do mundo, sem parcerias internacionais na área da Defesa nem acordos comerciais para a aquisição de material tão sensível. Mas a Coreia do Norte é um Estado nuclear.
António Costa diz que "já está tudo esclarecido" relativamente à contabilização das vítimas mortais do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, Leiria, em junho passado. 
Opinião

Helena Matos
Há 45 anos, ciganos e cabo-verdeanos colocaram a Amadora em pé de guerra. Na época culpou-se a censura pela ausência de notícias. E agora culpa-se quem?

João Marques de Almeida
Os liberais devem defender os direitos dos homossexuais e lutar, contra os ataques das esquerdas radicais, por uma sociedade assente na família tradicional. A maioria dos portugueses terá esta posição

Alberto Gonçalves
Na sua página do Facebook, um comentador lembra-lhe educadamente que, além de outras interessantes peculiaridades “culturais”, os ciganos também acham a homossexualidade uma “anomalia”. Recue uma casa

Inês Domingos
Agora que a urgência da crise passou é importante refletir sobre a criação de uma instituição Europeia para apoiar os Estados em dificuldades (ilíquidos, mas não insolventes) de forma permanente.

Luis Carvalho Rodrigues
Eu percebo que gente como a deputada Isabel Moreira não faça a mínima ideia do que é uma “verdade científica” sobre a homossexualidade. Mas já custa ver a professora Ana Matos Pires repetir a tolice.
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Depois das sardinhas, UE quer regular as batatas fritas

Em causa estão as preocupações europeias sobre a presença da acrilamida, suspeito de ser um agente cancerígeno pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar desde 2015, e que é naturalmente libertado quando os alimentos à base de batatas, cereais, chocolate ou café são aquecidos a mais de 120 graus

A União Europeia aprovou uma lei que regula a forma de cozinhar alimentos que podem libertar acrilamida, tipicamente formada em alimentos ricos em carboidratos e com poucas proteínas quando fritos a altas temperaturas.
Os regulamentos que deverão entrar em vigor na primavera do próximo ano terão como alvo os produtores de alimentos e restaurantes e pretendem estabelecer os níveis máximos de acrilamida nos alimentos tendo em conta as propriedades dos mesmos, escreve o Le Figaro.
Em causa estão as preocupações europeias sobre a presença da acrilamida, suspeito de ser um agente cancerígeno pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar desde 2015, e que é naturalmente libertado quando os alimentos à base de batatas, cereais, chocolate ou café são aquecidos a mais de 120 graus.
As medidas serão aplicadas de forma “proporcional ao tamanho e natureza dos negócios” e “as novas regras não só irão reduzir a presença desta substância cancerígena, mas ajudar a sensibilizar o público sobre como evitar a exposição à substância frequentemente associada a cozinhas domésticas”, disse o comissário para a saúde e segurança alimentar, Vytenis Andriukaitis, citado pelo jornal francês.

Fonte: Jornal Económico

Norte sem praias naturistas legalizadas leva praticantes para a Galiza

Norte sem praias naturistas legalizadas leva praticantes para a Galiza
Falta de uma praia naturista legalizada no Norte de Portugal, obriga os milhares de naturistas que existem naquela região a debandarem para as praias da Galiza (Espanha) para a prática de nudismo, em contacto com a natureza.
Em entrevista à Lusa sobre a inexistência de espaços para praticar naturismo no Norte de Portugal, sem prevaricar contra a lei, o presidente da Federação Portuguesa de Naturismo (FPN), Rui Elvas, explicou que apesar de haver milhares de naturistas na região, esses veraneantes têm de se deslocar para a Galiza, a zona mais próxima com areais legalizados para o nudismo.
A Praia da Barra, em Cangas de Morrazo, perto de Vigo (Espanha), é uma das mais requisitadas para naturistas portugueses do Norte que até aos fins de semana se deslocam àquele areal para poderem usufruir da natureza sem os têxteis colados ao corpo, descreve o presidente da FPN.
A comunidade nortenha “é mais conservadora” e “tradicional” e ainda “não vê com bons olhos espaços naturistas junto às zonas de comércio ou de habitação”, observa Rui Elvas, referindo que a leitura dessa realidade sociológica é fruto de conclusões retiradas dos congressos internacionais de adeptos de naturistas.
Na região Norte, o único espaço onde é tolerado o “uso e costume naturista (práticas de vida em que é utilizado o nudismo), é a Praia da Estela, no concelho da Póvoa de Varzim (Porto), próxima do ‘camping’ "têxtil" da Orbitur de Rio Alto.
A par de uma alegada sociedade mais conservadora, ou simplesmente por ser um fenómeno cultural, outra das razões para o Norte não ter uma única praia oficial para a prática de naturismo é o facto de não existir nenhuma associação naturista na região, argumenta Rui Elvas.
“Infelizmente, é esta a realidade”, lamenta, avançando à Lusa que a FPN está a tentar desenvolver e viabilizar a criação de um clube de naturistas no Norte, com o objetivo de identificar as praias propícias para a prática de naturismo e, posteriormente, proceder ao pedido de legalização.
O presidente da FPN considera que o associativismo a Norte, que possa identificar as praias para a prática de naturismo, é essencial para depois aquela federação proceder aos pedidos de legalização.
Os pedidos de legalização têm de ser feitos nas juntas de freguesia e câmaras municipais e carecem, depois, de aprovação nas Assembleias Municipais.
“É essa ponte entre clubes naturistas e federação que é necessária para oficializar as praias, explica.
Há cerca de dez anos ou 15 anos houve um clube de naturistas no Norte, mas durou cerca de dois anos e depois fechou por divergências, contou o presidente da FPN.
“É uma lacuna que existe a Norte”, reforça aquele responsável, frisando que, sem organização das pessoas, nem vontade política das autarquias, nunca haverá praia, nem unidade hoteleiras oficiais, para naturistas no Norte.
Em Portugal, segundo a página da FPN, há oito praias oficiais para a prática de naturismo, sendo três no concelho de Lisboa, três no Algarve e duas no Alentejo.
Não há nenhum espaço de hotelaria dedicado ao naturismo em Portugal, há apenas dois parques nacionais – na Quinta do Maral, Marvão, que foi primeiro o espaço naturista oficial registado no país e que é gerido por portugueses, e o Monte Barão, em Ermidas do Sado, que é gerido por um casal holandês, recorda Rui Elvas.
Na lei atual indica-se que por naturismo se entende “o conjunto das práticas de vida em que é utilizado o nudismo como forma de desenvolvimento da saúde física e mental dos cidadãos, através da sua plena integração na natureza”.

Fonte: MadreMedia/Lusa
Imagem: Noticiasaominuto

Mostra de Ferraris leva ao Museu do Caramulo mais de mil pessoas numa semana

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O Museu do Caramulo, no concelho de Tondela, revelou que a exposição "Ferrari: 70 anos de paixão motorizada" recebeu mais de mil visitantes em apenas uma semana, sendo este "um recorde absoluto" em termos de mostras temporárias.
"Esta adesão extraordinária, não só em visitantes, mas também nas reações que vemos nos canais digitais, mostra que esta exposição é um sucesso à nascença, o que nos deixa muito satisfeitos", considerou o diretor do Museu do Caramulo (distrito de Viseu), Tiago Patrício Gouveia.
A mostra, que tem como tema central o 70.º aniversário da casa de Maranello, "é a maior dedicada à Ferrari alguma vez realizada em Portugal, juntando um alinhamento de luxo de Ferraris, tanto pela sua raridade como pelo seu valor histórico".
Composta por diversos modelos únicos e raros, repletos de história, nesta mostra figuram o Ferrari 275 GTB Competizione, o Ferrari 250 Lusso, o Ferrari 365 Daytona, o Dino 246 GT, o Ferrari F40 ou o Ferrari Testarossa.

"O objetivo da exposição é contar a história da Ferrari através de modelos das várias décadas da marca, começando logo pelo seu início, com o Ferrari 195 Inter de 1951, atualmente o modelo da casa da Maranello mais antigo em Portugal e o primeiro modelo de turismo da Ferrari a entrar no nosso país", informou.
Uma das estrelas da exposição é o Ferrari 500 Mondial de 1955, tipo "barchetta", com uma carroçaria Scaglietti, um raríssimo automóvel que esteve até agora guardado numa coleção privada, sempre longe do olhar e conhecimento do público, mesmo do especializado, e que só agora foi revelado no Museu do Caramulo.
Este automóvel de competição é um dos modelos da marca mais raros do mundo, sendo que o exemplar em exposição é considerado como um dos mais originais, mantendo ainda o seu motor de fábrica.
A exposição "Ferrari: 70 anos de paixão motorizada" poderá ser visitada até ao dia 29 de outubro.

Fonte: MadreMedia/Lusa