quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Proença-a-Nova | 33 anos de carreira do palhaço Mário Faísca resumidos em exposição



A exposição “33 anos de carreira do palhaço Mário Faísca” está patente no auditório municipal de Proença-a-Nova até 28 de fevereiro de 2021, apresentando os principais marcos de três décadas de vida em cima do palco. Desenhos, pinturas, fotografias e esculturas ajudam a contar a história deste palhaço mágico e que podem ser divididos em três momentos: “o camarim, a montra da magia e a montra da parte musical, com o violino e o trompete”. Naquela que é a primeira exposição que organiza para assinalar os 33 anos de carreira, está refletida a experiência de vida de Mário Faísca, o seu regresso ao teatro, as apresentações realizadas nos canais televisivos nacionais, as inaugurações em que participou e as muitas festas que animou. Para além de fazer da sua missão os sorrisos das crianças, tem também espetáculos destinado ao público mais crescido, o que chama “a parte séria” do seu trabalho, sempre com mensagens importantes para transmitir. Há ainda uma coleção de postais, um crachá e o CD “Amigos de Natal” que podem ser comprados junto de Mário Faísca ou encomendados na Biblioteca Municipal. 

A comemoração dos 33 anos de carreira, que já tinha sido iniciada em 2019 com uma série de espetáculos em Aveiro – onde reside –, foi interrompida devido ao surto pandémico. Depois de meses afastados do palco, o palhaço Mário Faísca realizou o primeiro espetáculo no dia 12 de dezembro, incluído no programa de animação do Mercado dos Sabores de Natal de Proença-a-Nova. Para quem não teve oportunidade de assistir, haverá uma nova sessão este sábado, 19 de março, às 16h00, no Mercado Municipal, cumprindo-se todas as recomendações da DGS. 

De acordo com Francisco Mário Robalo, a alma do palhaço e do mágico, “o espetáculo foi adaptado por causa das distâncias”, mas mantém uma mensagem de sensibilização quanto a temas como a desinfeção das mãos e do distanciamento físico, mas também quanto à preservação da natureza e do meio ambiente. Com ligação familiar ao concelho, Mário Faísca já fez várias atuações em Proença-a-Nova: num espetáculo solidário e noutro que realizou a seguir aos incêndios florestais para trazer o arco íris às crianças.

Proença-a-Nova | Árvore de Natal dos Paços do Concelho é projeto partilhado



Todos os anos, a árvore de Natal que se encontra à entrada do edifício dos Paços do Concelho é diferente, acompanhando as atividades do Município ou, como este ano, convidando a comunidade a participar: os munícipes, as instituições e as empresas do concelho podem contribuir para o seu embelezamento, trazendo consigo objetos para decorar o pinheiro bravo. “Este projeto sintetiza aquela que tem sido uma das ideias mais repetidas durante esta pandemia e na qual tenho insistido particularmente: a de que nunca como agora a responsabilidade individual teve tanto impacto no coletivo e na sua segurança”, explica João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova. “Quisemos então trazer para este objeto tão simbólico desta época de Natal este princípio de que todos contribuímos para a comunidade que queremos ter”, refere. 

Até ao momento, já contribuíram com diferentes objetos a Academia de Música, a Santa Casa da Misericórdia de Proença-a-Nova, o Cortiço, a Biblioteca Municipal e vários munícipes a título particular. Não é necessário realizar agendamento prévio, apenas respeitar o distanciamento físico e as restantes medidas em vigor no interior dos Paços do Concelho. 

A tendência de a autarquia inovar nas suas árvores de Natal não é de agora: a título de exemplo, em 2017, depois dos violentos incêndios que fustigaram a zona centro, incluindo o concelho de Proença-a-Nova, a árvore de Natal foi feita com troncos de pinheiros queimados, instalação artística que pode ser vista atualmente no Centro Ciência Viva da Floresta. Em 2018, foram os produtos da marca Proença-a-Nova Origem a brilhar numa estrutura feita com cubos de cortiça, destacando a importância dos recursos locais. Em 2019, a opção foi por um presépio de madeira em tamanho real.


OMS alerta para terceira vaga na Europa e pede uso de máscaras no Natal

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para o risco de uma terceira vaga da pandemia da covid-19 na Europa em 2021, recomendando o uso de máscaras durante reuniões familiares no Natal.

Os encontros devem ser em espaços exteriores, se possível, e os participantes devem usar máscaras e manter a distância física. Em espaços interiores, deve limitar-se o tamanho dos grupos e assegurar boa ventilação para reduzir o risco de exposição" [ao novo coronavírus], recomendou o departamento europeu da agência das Nações Unidas em comunicado.

Alerta ainda que "apesar de um progresso frágil" na contenção de novas infeções, "a transmissão da covid-19 continua ampla e intensamente e há um grande risco de uma nova vaga nas primeiras semanas e meses de 2021".

Lusa

Linha férrea do Vouga interrompida entre Feira e São João da Madeira



A circulação ferroviária na Linha do Vouga foi hoje interrompida no troço entre Santa Maria da Feira e São João da Madeira, depois de detetados perigos na via devido ao mau tempo, revelou a Infraestruturas de Portugal (IP).

Segundo revelou a empresa pública que gere as linhas ferroviárias do país, a suspensão no referido trajeto do distrito de Aveiro deve-se ao facto de "ter sido detetada uma situação de desguarnecimento de via ao quilómetro 21,4", numa extensão de alguns metros.

Na prática, isso significa que foi identificado um deslizamento de terras que afeta a estabilidade do apoio aos carris, pelo que as equipas de manutenção da IP já se encontram no local "para proceder aos trabalhos de avaliação e reposição das condições de circulação".

O problema foi detetado antes de iniciadas as primeiras viagens de comboios de hoje, pelo que nenhuma carruagem chegou a circular sobre o piso afetado pelo temporal.

As operações para repor a estabilidade do terreno deverão ser relativamente simples e pouco demoradas, mas a IP ainda não adianta uma data para a normalização da circulação porque, segundo explica fonte da empresa, as atuais condições climatéricas dificultam o trabalho.

O mau tempo que se faz sentir desde terça-feira no Norte e Centro do país vem afetando sobretudo os distritos de Aveiro, Viseu e Coimbra, que até às 08:00 de hoje estiveram sob aviso laranja e, entretanto, já passaram a amarelo.

Pelas mesmas razões, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) também colocou sob aviso amarelo até às 12:00 de hoje os distritos de Évora, Guarda, Faro, Vila Real, Setúbal, Santarém, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra, Portalegre e Castelo Branco.

Os de Castelo Branco e Guarda estão igualmente sob aviso amarelo devido à queda de neve acima dos 1.800 metros de altitude, do que se espera uma acumulação provável de 4 a 8 centímetros de flocos de gelo até às 12:00 de hoje.

Até às 21:00, o IPMA colocou ainda sob alerta amarelo os distritos do Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga devido à previsão de forte agitação marítima, com ondas de Oeste e Sudoeste que se apresentarão com 4 a 5 metros de altura e passarão gradualmente a vagas de Noroeste.

Lusa

CEARTE executa prémio atribuído no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

 O CEARTE foi a entidade escolhida pelo INR – Instituo Nacional para a Reabilitação para conceber e executar o troféu / Prémio de Inovação Tecnológica Eng.º Jaime Filipe, que este Instituto atribui anualmente e que distingue projetos de conceção, produção e comercialização de produtos, equipamentos e tecnologias que promovam a inclusão e a participação das pessoas com deficiência na vida ativa como agente de melhoria da qualidade de vida.

Este ano foi atribuído à iKi® Technologies, distingue o projeto “KIT4inclusion”.

Os autores do projeto, Filipe Silva e Pedro Almeida, afirmam que o “KIT4inclusion” é uma “Ferramenta multifacetada, uma “extensão” tecnológica da Bengala, que vai auxiliar as pessoas com algum grau de dificuldade na sua mobilidade a tornarem-se mais autónomas contribuindo assim para uma sociedade mais inclusiva.

O Júri do Prémio decidiu, este ano, atribuir uma Menção Honrosa ao projeto “BATS – Sistema de programação acessível baseado em blocos tangíveis”, que também recebeu uma peça prestígio do CEARTE.

O processo de conceção e execução da peça decorreu nas oficinas do CEARTE, em Coimbra - uma peça em pasta cerâmica branca com vidrado exterior a branco, e serigrafada manualmente.

Trata-se de uma peça única e exclusiva, de execução complexa e demorada, que foi enriquecida com uma “embalagem” em feltro artesanal também confecionada nas oficinas e nos cursos da área Têxtil do CEARTE.

O CEARTE teve ainda ocasião de celebrara um acordo de parceria com o INR partilhando o objetivo de dar visibilidade pública e premiar quem trabalha para a inclusão e participação das pessoas com deficiência.

ASSEMBLEIA MUNICIPAL APROVA NOVO PLANO DIRETOR MUNICIPAL DE SILVES

A versão final da proposta de revisão do Plano Diretor Municipal de Silves (PDM de Silves) foi aprovada pela Assembleia Municipal de Silves, com 24 votos a favor e uma abstenção, em reunião extraordinária realizada no dia 11 de dezembro de 2020. Este documento da iniciativa do executivo municipal liderado pela Presidente Rosa Palma, já tinha sido unanimemente aprovado pela Câmara Municipal de Silves, no passado dia 04 de dezembro.

A aprovação dos órgãos municipais competentes surge no seguimento da realização de um período de discussão pública, que decorreu entre 19 de agosto e 30 de setembro, que contou com cerca de duas centenas de participações formais de particulares, que obtiveram a devida ponderação e resposta fundamentada, tendo algumas delas justificado a realização de um conjunto de reuniões de concertação técnica com a Direção Regional de Agricultura do Algarve, a Agência Portuguesa do Ambiente / Administração da Região Hidrográfica do Algarve e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.

Conclui-se, assim, um procedimento complexo, exigente e, simultaneamente, pioneiro, uma vez que a revisão do PDM de Silves preconiza um novo PDM, de 2.ª geração (o primeiro na região do Algarve), que vem substituir o PDM de 1995 e que é impulsionador de uma nova estratégia municipal de desenvolvimento territorial, alicerçada num conjunto de desafios e vetores de ação que visam tornar o concelho de Silves mais atractivo, coeso, dinâmico, competitivo e sustentável a diversas escalas e domínios.

O novo plano, mais estratégico do que urbanístico, traduz uma preocupação de atualização ao novo quadro legal vigente no domínio do ordenamento do território e urbanismo, de adaptação às especificidades do território municipal e de ajustamento à satisfação das reais necessidades da população, e constitui uma importante ferramenta de operacionalização da estratégia para trilhar os caminhos do desenvolvimento sustentável no concelho de Silves.

Com a sua publicação em Diário da Republica, que se espera vir a acontecer antes de 09 de janeiro de 2021, o Município de Silves passará a dispor de um novo instrumento de governança estruturante e fundamental para a gestão e desenvolvimento do território, que se mostra atualizado, prospetivo, adaptado e flexível, e revelador que vale a pena viver, fruir e investir no concelho de Silves, que vai da Serra ao Mar.

Recomeço dentro do mar conservador

 

  • Péricles Capanema

Um amigo que leu o artigo “Orfandade” comentou comigo: — você precisa continuar no tema, vai ajudar muita gente. Muitas vezes o auxílio vem pela recordação. Não foi a primeira vez que tratei da orfandade, nem me parece que no último artigo tenha posto todos os dados importantes. Meses atrás, a 5 de julho, postei “Mar conservador”, depois reproduzido em alguns órgãos, em que discorro sobre a orfandade da opinião pública. Vou lembrar aqui alguns temas lá desenvolvidos.

Comentei no mencionado artigo a observação feliz do jornalista Alexandre Garcia que negava existir no Brasil uma onda conservadora; o que existia e sempre existiu, sustenta ele, é um mar conservador. Até matizou o pensamento: existem ondas encrespadas, contudo o mais importante é o mar conservador.

Aí aproveitei o gancho do jornalista e examinei, entre outras matérias, a orfandade dos conservadores no Brasil:

“Existe no Brasil e vem de longe um oceano conservador pacato; de momento temos ainda ondas conservadoras encrespadas. Visto mais de perto, o oceano conservador é imenso, retorna logo à calmaria, depois das borrascas e tormentas; mais, gosta dela e para ela retorna, logo que possível. Público de hábitos simples, com escassas possibilidades de se fazer representar na vida pública, tem o olhar posto na família, está desabituado a considerar longamente interesses além do círculo doméstico. Preza a honestidade, a discrição, a palavra dada. Seu maior entretenimento é o convívio, em especial no interior da família. Temperante por atavismos, desagradam-lhe incontinências, desmandos, linguagem chula, palavrões, insolências, agressões destemperadas. Desconfia de perspectivas e planos mirabolantes. Tem, a bem dizer, nenhuma presença na vida pública, não é visto nos meios de divulgação, não chama atenção na economia. Quanto representa do total da população? Não sei, bem pode ser mais que a metade. Entre o mar tranquilo e as vagas crispadas, o mais importante é o oceano sereno, ainda que, as segundas apareçam mais, o primeiro seja quase nunca visto.

O Brasil mar tranquilo se vê representado no Brasil ondas encrespadas? O tom agrada? O conteúdo convida à adesão? A postura tranquiliza? Não, o Brasil divisado acima ainda se sente órfão — pelo menos em larga medida. Ou, quase sempre, a sensação do público é, estamos em presença de contrafações”.

Volto aos conservadores entocados, os que chamei órfãos. Vivem no ostracismo da esfera pública, estão banidos dos meios de divulgação, são inscientes de sua real importância. São os exilados internos, sombra melancólica no meio de fulgurações fátuas — intensas, por vezes. Uma tarefa de restauração nacional seria colocá-los à luz do dia, nos espaços que seu número e talento naturalmente reivindicariam. A vida pública brasileira então, mais arejada, seria aperfeiçoada pela polidez e cultura, bem como ganharia em elevação, lógica e preocupação com o bem comum.

Reconheço, é objetivo dificílimo. Mas o começo de uma solução é apresentar bem o problema. Outros poderão apontar para soluções. Aqui estão apenas esboços de grave problema brasileiro. Recorro a exemplos. Dois homens marcaram as respectivas épocas, ainda que em graus e motivos diversos. Peter Drucker (1909-2005), luminar da administração, foi requisitado teórico, professor e consultor de empresas. Para o êxito, dizia ele, “o trabalho mais importante e mais difícil não é encontrar a resposta correta, mas fazer a pergunta certa”. Em comentário parecido, Voltaire (1694-1778) observou que “um homem deve ser julgado mais pelas suas perguntas do que por suas respostas”. Vamos então, no presente esforço, com olhos no público órfão, procurar formular bem os problemas e encontrar as perguntas a serem feitas; essa é a tarefa primordial. As respostas aflorarão depois. Teríamos recomeço sadio com barco singrando com instrumentos seguros de orientação. A mais, tal esforço ajudará a manter limpo o mar conservador.

ABIM