quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
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Lusa
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CEARTE executa prémio atribuído no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência
Este ano foi atribuído à iKi® Technologies, distingue o projeto “KIT4inclusion”.
Os autores do projeto, Filipe Silva e Pedro Almeida, afirmam que o “KIT4inclusion” é uma “Ferramenta multifacetada, uma “extensão” tecnológica da Bengala, que vai auxiliar as pessoas com algum grau de dificuldade na sua mobilidade a tornarem-se mais autónomas contribuindo assim para uma sociedade mais inclusiva.
O Júri do Prémio decidiu, este ano, atribuir uma Menção Honrosa ao projeto “BATS – Sistema de programação acessível baseado em blocos tangíveis”, que também recebeu uma peça prestígio do CEARTE.
O processo de conceção e execução da peça decorreu nas oficinas do CEARTE, em Coimbra - uma peça em pasta cerâmica branca com vidrado exterior a branco, e serigrafada manualmente.
Trata-se de uma peça única e exclusiva, de execução complexa e demorada, que foi enriquecida com uma “embalagem” em feltro artesanal também confecionada nas oficinas e nos cursos da área Têxtil do CEARTE.
O CEARTE teve ainda ocasião de celebrara um acordo de parceria com o INR partilhando o objetivo de dar visibilidade pública e premiar quem trabalha para a inclusão e participação das pessoas com deficiência.
ASSEMBLEIA MUNICIPAL APROVA NOVO PLANO DIRETOR MUNICIPAL DE SILVES
A versão final da proposta de revisão do Plano Diretor Municipal de Silves (PDM de Silves) foi aprovada pela Assembleia Municipal de Silves, com 24 votos a favor e uma abstenção, em reunião extraordinária realizada no dia 11 de dezembro de 2020. Este documento da iniciativa do executivo municipal liderado pela Presidente Rosa Palma, já tinha sido unanimemente aprovado pela Câmara Municipal de Silves, no passado dia 04 de dezembro.
A aprovação dos órgãos municipais competentes surge no seguimento da realização de um período de discussão pública, que decorreu entre 19 de agosto e 30 de setembro, que contou com cerca de duas centenas de participações formais de particulares, que obtiveram a devida ponderação e resposta fundamentada, tendo algumas delas justificado a realização de um conjunto de reuniões de concertação técnica com a Direção Regional de Agricultura do Algarve, a Agência Portuguesa do Ambiente / Administração da Região Hidrográfica do Algarve e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
Conclui-se, assim, um procedimento complexo, exigente e, simultaneamente, pioneiro, uma vez que a revisão do PDM de Silves preconiza um novo PDM, de 2.ª geração (o primeiro na região do Algarve), que vem substituir o PDM de 1995 e que é impulsionador de uma nova estratégia municipal de desenvolvimento territorial, alicerçada num conjunto de desafios e vetores de ação que visam tornar o concelho de Silves mais atractivo, coeso, dinâmico, competitivo e sustentável a diversas escalas e domínios.
O novo plano, mais estratégico do que urbanístico, traduz uma preocupação de atualização ao novo quadro legal vigente no domínio do ordenamento do território e urbanismo, de adaptação às especificidades do território municipal e de ajustamento à satisfação das reais necessidades da população, e constitui uma importante ferramenta de operacionalização da estratégia para trilhar os caminhos do desenvolvimento sustentável no concelho de Silves.
Com a sua publicação em Diário da Republica, que se espera vir a acontecer antes de 09 de janeiro de 2021, o Município de Silves passará a dispor de um novo instrumento de governança estruturante e fundamental para a gestão e desenvolvimento do território, que se mostra atualizado, prospetivo, adaptado e flexível, e revelador que vale a pena viver, fruir e investir no concelho de Silves, que vai da Serra ao Mar.
Recomeço dentro do mar conservador
- Péricles Capanema
Um amigo que leu o artigo “Orfandade” comentou comigo: — você precisa continuar no tema, vai ajudar muita gente. Muitas vezes o auxílio vem pela recordação. Não foi a primeira vez que tratei da orfandade, nem me parece que no último artigo tenha posto todos os dados importantes. Meses atrás, a 5 de julho, postei “Mar conservador”, depois reproduzido em alguns órgãos, em que discorro sobre a orfandade da opinião pública. Vou lembrar aqui alguns temas lá desenvolvidos.
Comentei no mencionado artigo a observação feliz do jornalista Alexandre Garcia que negava existir no Brasil uma onda conservadora; o que existia e sempre existiu, sustenta ele, é um mar conservador. Até matizou o pensamento: existem ondas encrespadas, contudo o mais importante é o mar conservador.
Aí aproveitei o gancho do jornalista e examinei, entre outras matérias, a orfandade dos conservadores no Brasil:
“Existe no Brasil e vem de longe um oceano conservador pacato; de momento temos ainda ondas conservadoras encrespadas. Visto mais de perto, o oceano conservador é imenso, retorna logo à calmaria, depois das borrascas e tormentas; mais, gosta dela e para ela retorna, logo que possível. Público de hábitos simples, com escassas possibilidades de se fazer representar na vida pública, tem o olhar posto na família, está desabituado a considerar longamente interesses além do círculo doméstico. Preza a honestidade, a discrição, a palavra dada. Seu maior entretenimento é o convívio, em especial no interior da família. Temperante por atavismos, desagradam-lhe incontinências, desmandos, linguagem chula, palavrões, insolências, agressões destemperadas. Desconfia de perspectivas e planos mirabolantes. Tem, a bem dizer, nenhuma presença na vida pública, não é visto nos meios de divulgação, não chama atenção na economia. Quanto representa do total da população? Não sei, bem pode ser mais que a metade. Entre o mar tranquilo e as vagas crispadas, o mais importante é o oceano sereno, ainda que, as segundas apareçam mais, o primeiro seja quase nunca visto.
O Brasil mar tranquilo se vê representado no Brasil ondas encrespadas? O tom agrada? O conteúdo convida à adesão? A postura tranquiliza? Não, o Brasil divisado acima ainda se sente órfão — pelo menos em larga medida. Ou, quase sempre, a sensação do público é, estamos em presença de contrafações”.
Volto aos conservadores entocados, os que chamei órfãos. Vivem no ostracismo da esfera pública, estão banidos dos meios de divulgação, são inscientes de sua real importância. São os exilados internos, sombra melancólica no meio de fulgurações fátuas — intensas, por vezes. Uma tarefa de restauração nacional seria colocá-los à luz do dia, nos espaços que seu número e talento naturalmente reivindicariam. A vida pública brasileira então, mais arejada, seria aperfeiçoada pela polidez e cultura, bem como ganharia em elevação, lógica e preocupação com o bem comum.
Reconheço, é objetivo dificílimo. Mas o começo de uma solução é apresentar bem o problema. Outros poderão apontar para soluções. Aqui estão apenas esboços de grave problema brasileiro. Recorro a exemplos. Dois homens marcaram as respectivas épocas, ainda que em graus e motivos diversos. Peter Drucker (1909-2005), luminar da administração, foi requisitado teórico, professor e consultor de empresas. Para o êxito, dizia ele, “o trabalho mais importante e mais difícil não é encontrar a resposta correta, mas fazer a pergunta certa”. Em comentário parecido, Voltaire (1694-1778) observou que “um homem deve ser julgado mais pelas suas perguntas do que por suas respostas”. Vamos então, no presente esforço, com olhos no público órfão, procurar formular bem os problemas e encontrar as perguntas a serem feitas; essa é a tarefa primordial. As respostas aflorarão depois. Teríamos recomeço sadio com barco singrando com instrumentos seguros de orientação. A mais, tal esforço ajudará a manter limpo o mar conservador.
ABIM








