sexta-feira, 30 de julho de 2021

Em Paradela e Granjinha, Tabuaço, vive-se da agricultura e das reformas

Em Paradela e Granjinha, as ruas não são habitadas, não há espaços comuns para convívio e a igreja acaba por ser o ponto de encontro de alguns dos habitantes que há muito deixaram de ouvir o barulho de crianças.

Paradela e Granjinha, no concelho de Tabuaço e distrito de Viseu, perdeu 45% da sua população nos últimos 10 anos e é a freguesia mais pequena de Portugal continental, com 99 habitantes, segundo os Censos de 2021.

As ruas de Paradela estão desertas. O dia começa a aquecer e "as pessoas ficam em casa na hora do calor e a tratar do almoço, porque já não dá para se trabalhar na agricultura com este sol", alerta Maria dos Remédios Ferreira, em declarações à Lusa na quinta-feira.

Aos 73 anos, Maria dos Remédios "podia escrever um livro" com as histórias de vida que tem para contar. Mas ter alguém para a ouvir "é coisa rara", por isso, apesar de "não gostar de dar entrevistas, acaba por se sentar no muro e conversar".

"A solidão é muito triste e custa muito. Aqui, já não há muita gente para conversar. Somos cada vez menos. Mas também quem é que quer cá viver? Não há cá nada! Nem um café! Antigamente ainda tínhamos um café, mas fechou há mais de um ano, claro, não devia dar para as despesas da luz".

Natural de Paradela, no concelho de Tabuaço, a norte do distrito de Viseu, Maria dos Remédios Ferreira é viúva e vive sozinha, "os filhos vivem noutras cidades, onde há trabalho", e os locais de convívio acabaram com o fecho do café "há cerca de um ano".

"Agora, quando se quer encontrar alguém é na missa e mesmo aí não vai muita gente".

Um despovoamento que dá a "liberdade de não usar máscara, porque também não é preciso, não há ninguém na rua", justificou Maria dos Remédios em jeito de desculpa por não a ter a sua no rosto quando foi abordada pela agência Lusa.

Mais acima, também de regresso a casa, vai Paula Alcobio, uma das habitantes mais novas da freguesia e que aos 40 anos é mãe de seis filhos, entre um ano de vida e os 18. E "todos eles, os que falam, estão sempre a dizer que assim que puderem vão embora, porque não há nada que os prenda" a Paradela.

"Só há mais três crianças, mas não saem de casa, não há um parque para brincarem, não têm nada. Agora nas férias ou estão em casa ou nas terras enquanto ando a trabalhar", contou Paula Alcobio, que disse que, neste momento, mandou os filhos para o Porto, "passar férias, em casa de familiares, para conhecerem outra realidade".

O autocarro não vai à localidade, passa dois quilómetros abaixo, na estrada principal, às terças e quintas-feiras e, para lá chegar, Paula Alcobio vai a pé, mas Maria dos Remédios Ferreira conta com a carrinha da câmara que sobe ao aglomerado habitacional para levar os habitantes até autocarro que liga a Tabuaço, sede do concelho, a cerca de nove quilómetros.

"As compras são feitas com antecedência e, se de repente faltar alguma coisa, pedimos uns aos outros e há sempre alguém com carro que acaba por dar boleia ou por trazer da vila o que é preciso. É assim, contamos uns com os outros", disse Maria dos Remédios Ferreira, que não tem carta de condução.

Maria dos Remédios Ferreira contou que vive da reforma do falecido marido e conta com o apoio dos filhos e de irmãos que, quando a visitam, "trazem até sacos de compras, porque viver só da reforma não é fácil, para a medicação e tudo" o que é necessário e depois "tem-se os produtos que se vão colhendo das terras".

"Há por aí muita casa à venda e outras estão a cair, mas ninguém as quer, claro, e não é por serem caras, é porque ninguém quer vir para cá. Quem é que quer viver aqui sem trabalho? Só os reformados que têm a sua reformazinha para viver", contou Maria dos Remédios.

Mais em baixo, a cerca de três quilómetros de distância, está a povoação da Granjinha, que conta com 29 habitantes, diz "com toda a certeza" António Ribeiro, um militar da GNR reformado que é secretário na junta de freguesia e que adotou a terra da esposa como sua.

"Estou reformado, mas não paro. Só hoje já abri a porta do [Convento de] São Pedro [das Águias] a duas pessoas e, desde o início do ano, já abri, só eu, a 296 turistas. Hoje saí pela manhã para levar estas duas vizinhas a Tabuaço, às compras, mas não cobro pelas viagens, faço por solidariedade", admitiu António Ribeiro.

O Convento de São Pedro das Águias é um ponto turístico "muito visitado por quem anda pelo Douro e vai ao Rio Távora", explica António Ribeiro, explicando que o monumento fica nas encostas do rio.

"As pessoas descem aqui a rua para lá irem, porque também é o único caminho. É a rua do volta atrás e é a que atravessa a localidade", explicou o antigo militar que já se habitou a "ver mais pessoas de fora do que descendentes da Granjinha" a passar pela rua da povoação.

Na Granjinha, "o senhor António é quem ajuda" a população, porque "ele tem transporte e acaba por levar as pessoas a fazer as compras necessárias, ou levar alguém ao centro de saúde, se for preciso", explicou Olga Lopes.

Esta habitante mudou-se para a Granjinha "há uns anos", quando a sogra partiu um braço e percebeu que "ela não podia ficar a viver sozinha", não só pela diminuição da mobilidade como pela própria idade. Atualmente, Domitila Augusta é a freguesa mais velha, com 94 anos feitos em fevereiro.

"Aqui o que é que podemos fazer? Nada, a não ser dedicarmo-nos à agricultura, é o que fazemos, mas nem é para vender, é para nos alimentarmos e pouco mais. O que é que se pode fazer? Nada", soltou Olga Lopes, com 50 anos.

Um conformismo geral de quem habita na freguesia e que não foi apanhado de surpresa com os números dos Censos de 2021, divulgados na quarta-feira pelo instituto Nacional de Estatística (INE).

Lusa

Ana Gomes doa 31 mil euros que sobraram das presidenciais para promover jornalismo independente

A ex-candidata à Presidência da República Ana Gomes informou hoje que decidiu entregar os donativos que sobraram da campanha, avaliados em 31 mil euros, à Associação "Continuar para Começar", para promover o jornalismo de investigação independente.

Numa carta dirigida aos presidentes da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), José Eduardo Figueiredo Dias, e da Comissão Nacional de Eleições (CNE), José Vitor Soreto de Barros, à qual a agência Lusa teve acesso, Ana Gomes explica que chegou ao fim da campanha com um excedente.

"O saldo financeiro dos donativos recebidos - para os quais estabeleci o limite de 100 euros por pessoa - foi de cerca de 31.000 euros. Verba essa, proveniente de contributos de apoiantes, que acabou por não ser preciso gastar", pode ler-se.

Cumprindo o objetivo proposto de "máxima economia e contenção de meios", a também antiga eurodeputada afirma que o "donativo visa apoiar a publicação do jornal online 'Setenta e Quatro' que acaba de ser lançado pela Associação".

"Acredito que temos de defender a democracia, sobretudo quando a vemos ameaçada. E sei que o jornalismo de investigação é ferramenta indispensável no combate pelos valores fundamentais da democracia e dos direitos humanos. Estou crente de que esta minha escolha corresponde aos objetivos de todas e todos os que contribuíram livremente para financiar a minha campanha", adianta Ana Gomes.

Com as contas da campanha de candidatura às Presidências 2021 fechadas e entregues às entidades competentes, a ex-candidata acrescenta que tem muitas esperanças na "equipa de gente jovem e motivada que integra o novo coletivo que pública o 'Setenta e Quatro'".

"Que se norteie pelos valores da verdade, do rigor e da transparência, que sustentam a democracia. Que investigue, aprofunde e desvende, sem temor, o que deve ser revelado", sustenta.

A diplomata Ana Gomes foi a mulher mais votada de sempre numas eleições presidenciais em Portugal, com 12,93% dos votos, e a primeira a conseguir um segundo lugar.

Ana Gomes conseguiu um segundo lugar nas eleições presidenciais de 24 de janeiro, ao ser a escolha no boletim de voto de 536.236 portugueses.

A primeira mulher a candidatar-se a eleições presidenciais em Portugal foi Maria de Lourdes Pintassilgo, que, em 1986, ficou em quarto lugar com 7,38% dos votos na primeira volta as eleições, o correspondente a 418.961 votos. Nessa eleição, Mário Soares ficou em segundo na primeira volta, mas ganhou na segunda a Diogo Freitas do Amaral.

Lusa

Imagem: Observador

Um português na NBA: Neemias Queta eleito no ‘draft’ pelos Sacramento Kings

O poste Neemias Queta, de 22 anos, foi na quinta-feira eleito na 39.ª posição do 'draft' da Liga norte-americana de basquetebol (NBA), pelos Sacramento Kings, podendo tornar-se em 2021/22 o primeiro português a jogar na competição.

Depois de três anos na Universidade de Utah State, ao serviço dos Aggies, o ex-jogador do Barreirense e do Benfica propôs-se ao 'draft', abdicando da época de 'senior', a quarta, e foi escolhido na nona posição da segunda ronda.

O internacional luso acabou a carreira universitária com médias de 13,2 pontos, 9,0 ressaltos, 2,5 desarmes de lançamento e 2,0 assistências, com 59,4% nos lançamentos de campo, números que convenceram o conjunto da Conferência Oeste.

Lusa

Desconfinamento poderá ser antecipado mas Governo não afasta recuos

O primeiro-ministro admitiu a possibilidade de antecipar algumas das medidas do novo plano de desconfinamento, hoje apresentado, se o ritmo da vacinação for mais rápido, mas também não afasta a necessidade de recuar se a situação epidemiológica se agravar.

"Se tivermos a felicidade de as datas indicadas para completar cada uma destas fases da vacinação serem concluídas mais cedo, as restrições também poderão ser eliminadas mais cedo", admitiu António Costa, em conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

O Governo definiu hoje o novo plano de desconfinamento, constituído por três fases que acompanham o ritmo esperado do plano de vacinação contra a covid-19.

Segundo o primeiro-ministro, cada fase poderá ser antecipada se o plano de vacinação também acelerar, mas António Costa não afasta, ainda assim, a possibilidade de travar o desconfinamento.

Reconhecendo a importância da vacina contra a covid-19 no controlo da pandemia, designadamente na redução do número de óbitos e internamento, o chefe do Governo sublinhou que "a pandemia não desapareceu".

"Nós iremos manter uma monitorização permanente da evolução da pandemia e, tal como sempre fizemos no passado, não hesitaremos em parar ou mesmo recuar se for necessário, em função da evolução da pandemia", afirmou.

Perante esta possibilidade, o primeiro-ministro deixou um apelo claro aos portugueses: "Temos de continuar a adotar as medidas de proteção individual, são absolutamente indispensáveis para continuarmos a controlar a pandemia".

Lusa

Equipamentos de diversão podem voltar domingo ao trabalho em todos os concelhos

Os equipamentos de diversão, como carrosséis e jogos itinerantes, podem começar a trabalhar a partir de domingo em todos os concelhos do país, anunciou hoje o primeiro-ministro, António Costa.

De acordo com o primeiro-ministro, os equipamentos de diversão podem funcionar a partir do próximo domingo desde que cumpram as regras da Direção-geral da Saúde (DGS) e "em local autorizado pelo município".

As declarações de António Costa ocorreram numa conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros realizada hoje, em Lisboa, para decidir uma nova estratégia de combate à pandemia.

Esta atividade está incluída nas medidas que fazem parte da primeira de três fases de libertação das atividades económicas, que começa em 01 de agosto e que têm em consideração a percentagem de vacinação da população portuguesa.

Entre as medidas que entram domingo em vigor está a possibilidade de realização de casamentos e batizados com uma lotação de 50%; restaurantes, comércio e espetáculos podem ter horários normais; e o teletrabalho deixa de ser obrigatório, apesar de ser recomendado.

De fora das medidas que entram em vigor já em agosto ficam a realização de festas e de romarias.

Os profissionais da diversão, que ainda esta semana realizaram protestos em Lisboa para pedir a reabertura da atividade, englobam carrosséis, jogos e restauração itinerante, juntando cerca de duas mil pessoas, muitas delas famílias que dependem somente desta atividade para viver, segundo a Associação dos Profissionais Itinerantes Certificados (APIC).

A APIC estima que, no ano passado, apenas 5% do setor conseguiu trabalhar.

No âmbito das medidas de combate à pandemia, em 13 de maio, a atividade de diversão itinerante e os parques infantis e aquáticos privados foram autorizados a entrar em funcionamento nos concelhos do continente incluídos no nível mais avançado do plano de desconfinamento.

No entanto, no Conselho de Ministros realizado em 01 de julho, o Governo determinou o encerramento dos parques e equipamentos de diversão nos municípios de risco mais elevado.

Lusa

COSTA: Cerca de 85% dos portugueses devem ter em outubro vacinação completa

Cerca de 85% da população portuguesa devem ter em outubro a vacinação contra a covid-19 completa, estimou hoje o primeiro-ministro.

"Prevemos que no próximo domingo, dia 1, 57% da população portuguesa venha a estar completamente vacinada, isto é, com as duas doses de vacina", disse António Costa, na conferência de imprensa do final do Conselho de Ministros sobre o novo plano de desconfinamento.

O primeiro-ministro acrescentou que cerca de 70% dos portugueses devem ter a vacinação completa no início de setembro.

"Em outubro poderemos atingir 85% da população portuguesa com uma vacinação completa", afirmou.

Fonte: Lusa

Utilização de máscara deixa de ser obrigatória na via pública em setembro


A utilização de máscara na via pública deixará de ser obrigatória a partir de setembro, exceto em situações de ajuntamentos, segundo o novo plano de desconfinamento apresentado hoje pelo primeiro-ministro.

A medida faz parte da segunda fase do plano, que deverá arrancar no inicio do mês de setembro, quando o Governo antecipa que 70% da população portuguesa tenha já a vacinação completa.

Lusa