segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Campo Arqueológico de Proença-a-Nova inicia nova campanha em agosto

 
A 17 de agosto tem início a campanha de verão do Campo Arqueológico de Proença-a-Nova (CAPN), um projeto municipal dedicado à investigação, formação e divulgação do património arqueológico do concelho. Criado em 2012 e com dimensão internacional desde 2013, o CAPN reúne anualmente estudantes, investigadores e especialistas das áreas da arqueologia, história e arqueociências, que participam em escavações, estudos e ações de valorização do território, desenvolvidas em parceria com o Geopark Naturtejo.
Ao longo das várias edições, o CAPN tem contribuído para o estudo e preservação de um vasto conjunto de sítios arqueológicos, permitindo aprofundar o conhecimento sobre a ocupação humana no concelho e reforçando a proteção de um legado cultural que importa valorizar.
Este ano, os trabalhos centram-se na Igreja Velha do Peral, um dos mais singulares testemunhos religiosos da região, com origens entre os séculos XV e XVIII. A intervenção inclui escavação arqueológica, consolidação estrutural e ações de restauro, envolvendo estudantes de Arqueologia e Antropologia de várias universidades, bem como técnicos de conservação e restauro. O objetivo é manter a identidade do monumento, travando o processo de degradação, ao mesmo tempo que se aprofunda a leitura das diferentes fases de ocupação humana associadas ao templo e à sua envolvente.
A campanha contempla também sondagens arqueológicas destinadas à identificação da necrópole exterior, precedidas de diagnóstico geofísico, dando continuidade à investigação já realizada. A Igreja Velha do Peral, dedicada a São Tiago, integra um conjunto de templos rurais isolados e em ruínas, cujo estado de conservação já era referido em 1620 pelo arquiteto Pedro Nunes Tinoco e, mais tarde, em 1708, pelo padre António Carvalho da Costa.
Além dos trabalhos de campo, o programa inclui atividades abertas ao público, reforçando a dimensão formativa e de divulgação científica do CAPN. No dia 17 de agosto, entre as 17h00 e as 18h30, terá lugar na Casa das Associações, em Proença-a-Nova, a palestra “A Igreja Velha do Peral: resultados do CAPN 2021 e objetivos do CAPN 2026”, conduzida por Anabela Joaquinito (arqueóloga) e Carla Ribeiro (antropóloga). No dia 28 de agosto, entre as 16h00 e as 18h00, o Centro de Ciência Viva da Floresta acolhe o debate “Gestão Municipal do Património Arqueológico”, com entrada livre.

*Gabriel Reis
Comunicação, Turismo e Eventos

Assembleias Municipais ganham poder para decidir expropriações: ANAM saúda reforço da autonomia do Poder Local

 Associação considera que alteração ao Código das Expropriações representa um passo decisivo na descentralização, na confiança nos eleitos locais e na redução da burocracia
A Associação Nacional de Assembleias Municipais (ANAM) congratula-se com a entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 160/2026, de 4 de agosto, que altera o Código das Expropriações e atribui às Assembleias Municipais a competência para declarar a utilidade pública das expropriações promovidas pelas Câmaras Municipais, eliminando a necessidade de validação prévia por parte do Governo. A alteração concretiza a autorização legislativa aprovada pela Assembleia da República e insere-se na estratégia de reforço da autonomia do Poder Local e de simplificação administrativa.
Para a ANAM, esta alteração legislativa constitui um marco relevante no processo de descentralização e representa um claro sinal de confiança do Estado nas autarquias locais e, em particular, nas Assembleias Municipais enquanto órgãos deliberativos democraticamente eleitos.
"O Governo manifesta, com esta decisão, uma confiança inequívoca no Poder Local, designadamente nas Assembleias Municipais, reconhecendo a sua capacidade para decidir, com responsabilidade e conhecimento do território, sobre matérias de elevado interesse público", afirma Fernando Santos Pereira, Presidente da ANAM.
Até agora, sempre que uma Câmara Municipal necessitava de promover uma expropriação para concretizar um projeto de interesse público — como a construção de uma escola, de um cemitério, de uma estrada ou de outro equipamento municipal — tinha de aguardar pela declaração de utilidade pública emitida pelo Governo, um procedimento que frequentemente implicava atrasos de vários meses ou mesmo anos.
Com a entrada em vigor do novo regime, a declaração de utilidade pública passa a ser deliberada pela Assembleia Municipal, a pedido da Câmara Municipal, permitindo uma resposta mais célere às necessidades das populações e eliminando um procedimento administrativo que a ANAM considera desajustado à realidade da administração local.
"Durante décadas, as autarquias viram projetos essenciais para as suas populações sujeitos a demorados processos de validação pela Administração Central. Não fazia sentido que municípios como Vila Flor, Odemira, Amares ou qualquer outro concelho do país tivessem de esperar meses ou anos para obter uma decisão que agora passa, justamente, a competir aos órgãos autárquicos democraticamente legitimados para a tomar", sublinha Fernando Santos Pereira.
Para o Presidente da ANAM, esta alteração traduz-se num avanço significativo ao nível da desburocratização da Administração Pública e do reforço da autonomia do Poder Local, aproximando a decisão dos territórios e dos cidadãos.
A Associação destaca ainda que esta era uma reivindicação coerente com a valorização do papel das Assembleias Municipais enquanto órgãos deliberativos, reforçando a sua intervenção em matérias estruturantes para o desenvolvimento dos municípios.
Fernando Santos Pereira recorda igualmente que esta intenção do Governo tinha sido anunciada pelo Ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, durante a conferência promovida pela ANAM, em Aveiro, saudando agora a concretização desse compromisso.
"Congratulamo-nos com esta decisão e felicitamos o Ministro Castro Almeida pela concretização de uma medida que reforça a autonomia do Poder Local, confia nos eleitos locais e permite servir melhor os cidadãos", conclui o Presidente da ANAM.

*Alexandra Martins
Head Clientes Porto e Norte

domingo, 9 de agosto de 2026

Doar Sangue é Doar Vida! Campo Maior recebe brigada de dádiva de sangue.


O mês de agosto traz mais uma oportunidade para praticar um gesto simples, voluntário e insubstituível que pode fazer toda a diferença na vida de quem mais precisa.
Campo Maior
Centro Comunitário de Campo Maior
Av. Calouste Gulbenkian 10, 7370-054 Campo Maior
11 de agosto de 2026
09h00 às 13h00
A Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, através do Serviço de Imunohemoterapia e da Medicina Transfusional, estará presente em Campo Maior para mais uma brigada de dádiva de sangue.
A Associação dos Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre?locale=pt_PT apela no sentido de que cada dádiva representa uma esperança renovada para quem enfrenta uma doença, um acidente ou necessita de uma transfusão. O sangue não pode ser fabricado, depende exclusivamente da generosidade dos dadores.
Convidamos todos os dadores habituais a voltarem a marcar presença.
Deixamos também um apelo especial aos mais jovens. A renovação de dadores é fundamental para garantir que nunca falte sangue a quem dele depende. Se tem mais de 18 anos, goza de boa saúde e reúne as condições para doar, participe nesta corrente de solidariedade.
Porque doar sangue é oferecer vida.
Contamos consigo, em Campo Maior.
Dúvidas podem ser esclarecidas através dos contactos e informações disponíveis nas seguintes hiperligações:

ULS Alto Alentejo – Serviço de Imunohemoterapia e da Medicina Transfusional

Instituto Português do Sangue e da Transplantação https://www.ipst.pt/index.php/pt/sangue-faqs

sábado, 8 de agosto de 2026

Opinião - Quando os nossos animais morrem merecem dignidade...


Quando um animal morre, há uma casa que fica diferente, não apenas porque desaparece uma presença que durante anos fazia parte da rotina familiar, mas porque se altera uma espécie de equilíbrio silencioso a que nos habituámos sem nunca lhe darmos grande importância: deixamos de ouvir as patas no chão, de encontrar aquele olhar à porta quando chegamos, de ver o animal ocupar o seu lugar habitual, de falar com ele sem esperar uma resposta e, tantas vezes, de lhe confiar silenciosamente aquilo que não conseguimos ou não queremos dizer a mais ninguém, até que chega o dia em que esse lugar fica vazio e percebemos, talvez demasiado tarde, que aquele animal que para quem olha de fora era simplesmente um cão, um gato ou outro animal de companhia, para nós era uma parte da nossa própria história.

É precisamente por isso que escrevo hoje sobre uma questão que pode parecer menor a quem nunca teve um animal em casa, mas que assume uma dimensão completamente diferente para quem viveu durante dez, quinze ou vinte anos com um companheiro de quatro patas: Portugal precisa de encontrar soluções dignas, acessíveis e devidamente regulamentadas para a despedida dos animais de companhia, criando ou apoiando a existência de cemitérios, jardins memoriais e serviços de cremação que permitam às famílias escolher a forma como querem conservar a memória daqueles que fizeram parte da sua vida, sem que essa despedida tenha de depender exclusivamente da capacidade económica de cada pessoa ou da existência de um espaço privado onde possa ser enterrado o animal.

Não é uma questão que me tenha surgido agora, nem resulta de uma sensibilidade recente despertada pelas mudanças da sociedade, porque já em 2013, quando desempenhava funções como Presidente da Junta de Freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo, apresentei, através do movimento cívico que então liderava, uma proposta para a criação de um cemitério autárquico para animais na área metropolitana de Lisboa, associando essa possibilidade à criação de soluções de cremação e a preocupações de natureza ambiental, numa altura em que esta discussão estava ainda muito longe de ter a visibilidade que hoje começa a adquirir.

Na época, como acontece tantas vezes com propostas que antecipam problemas que ainda não chegaram plenamente à agenda pública, poderia parecer a alguns que se tratava de uma preocupação secundária perante tantas outras necessidades das comunidades locais, mas continuo hoje a considerar que era uma proposta perfeitamente legítima e, sobretudo, necessária, porque uma sociedade que reconhece a importância dos animais de companhia na vida das famílias deve também ser capaz de encontrar uma resposta digna para o momento em que essa relação termina.

A iniciativa foi então divulgada pela imprensa especializada e pode ser consultada aqui:


Mais de uma década depois, a ideia continua a parecer-me perfeitamente actual, não porque defenda que cada município tenha necessariamente de construir um cemitério para animais, o que seria pouco razoável em muitos territórios, mas porque seria perfeitamente possível criar uma rede regional ou intermunicipal de espaços de enterramento, cremação e memória, com regras claras, acompanhamento ambiental e preços acessíveis, permitindo que uma família que perdeu o animal que a acompanhou durante tantos anos não fique entregue à improvisação precisamente no momento em que mais precisa de uma solução simples e digna.

E há uma razão particularmente forte para defender que esta possibilidade não é uma extravagância nem uma invenção dos nossos tempos: Lisboa já possui um espaço desta natureza há quase um século.

No Jardim Zoológico de Lisboa existe, desde 1934, um cemitério destinado a animais de companhia, um espaço cuja existência demonstra que a ideia de proporcionar aos animais um lugar próprio depois da morte não nasceu com a actual cultura de valorização dos animais domésticos, mas tem já uma história considerável entre nós. O cemitério ocupa actualmente cerca de 2.050 metros quadrados e conserva sepulturas e lápides de animais que foram importantes para as famílias que com eles conviveram, mantendo-se ainda hoje como um espaço de memória e despedida.

É particularmente significativo que um espaço criado em 1934 continue a existir, porque demonstra que esta necessidade não é uma moda passageira e que a relação afectiva entre o homem e os animais de companhia tem uma profundidade muito maior do que por vezes somos levados a admitir.

Lisboa, aliás, não constitui uma excepção europeia, mas integra uma tradição muito mais antiga de criação de espaços destinados à memória dos animais que viveram próximos dos seres humanos.

Em Paris, o famoso cemitério de animais de Asnières, fundado em 1899, tornou-se um dos mais conhecidos espaços europeus deste género, acolhendo ao longo de mais de um século cães, gatos e outros animais que foram tratados pelas suas famílias como companheiros cuja morte merecia uma despedida e cuja memória justificava um lugar próprio; em Londres, o Hyde Park Pet Cemetery conserva igualmente mais de mil animais, sobretudo cães e gatos, sepultados ao longo de décadas num pequeno espaço que acabou por se tornar parte da própria história do parque e da cidade, e em Málaga encontramos uma resposta municipal contemporânea, com um cemitério destinado aos animais de companhia e soluções associadas ao enterramento e à cremação.

Estamos, portanto, perante uma realidade que atravessa épocas e países e que já encontrou respostas muito diferentes, mas que tem em comum uma mesma ideia: quando um animal ocupa durante anos um lugar na vida de uma família, a sociedade pode criar condições para que essa família tenha também um lugar onde possa preservar a sua memória.

A pergunta que devemos fazer é, por isso, bastante simples: se outras cidades europeias encontraram soluções para esta questão e se Lisboa mantém desde 1934 um cemitério de animais que continua em funcionamento, porque razão não conseguimos criar em Portugal uma verdadeira rede de espaços onde seja possível enterrar ou cremar dignamente os nossos animais de companhia?

Talvez a resposta para esta pergunta esteja, curiosamente, muito mais longe no tempo do que poderíamos imaginar, porque para percebermos que a relação entre o homem e determinados animais não nasceu na sociedade urbana contemporânea, nem resulta apenas da actual transformação dos animais domésticos em membros das famílias, temos de recuar milhares de anos e olhar para aquilo que a arqueologia nos deixou sobre as comunidades humanas da Pré-História.
E é então que chegamos a Muge.

Nos célebres concheiros de Muge, no vale do Tejo, foi encontrado um dos mais extraordinários testemunhos portugueses da relação antiga entre o Homem e o cão: o chamado Cão de Muge, um animal que viveu há cerca de 7.600 anos, durante o Mesolítico, entre comunidades de caçadores-recolectores que habitavam aquela região, e cujo esqueleto foi encontrado praticamente completo.

A sua importância não reside apenas na enorme antiguidade do achado, mas sobretudo nas circunstâncias em que o animal foi depositado, porque a forma do enterramento levou os investigadores a considerar a possibilidade de se tratar de um cão particularmente estimado pela comunidade humana com que vivia, tendo o Laboratório Nacional de Energia e Geologia chegado a apresentá-lo como um “companheiro do Homem de há 6.000 anos”, uma expressão que, independentemente da diferença entre a linguagem científica e a linguagem emocional, traduz bem aquilo que torna este achado tão extraordinário.

É evidente que não devemos projectar sobre a Pré-História os nossos sentimentos contemporâneos, nem transformar uma interpretação arqueológica numa certeza que os vestígios não permitem demonstrar, porque não sabemos exactamente o que aquelas pessoas pensavam, não sabemos se houve uma cerimónia, não sabemos se houve lágrimas e não sabemos qual era o significado religioso ou simbólico daquele enterramento; sabemos, porém, que aquele cão não foi simplesmente abandonado ao acaso e que alguém, ou alguma comunidade, teve o cuidado de depositar o seu corpo de uma determinada forma.

E isso é extraordinário.

Estamos perante uma sociedade de há milhares de anos, sem cidades como as conhecemos, sem igrejas, sem serviços funerários, sem cemitérios modernos, sem lápides e sem todas as estruturas através das quais as sociedades actuais exprimem a memória dos seus mortos, e, ainda assim, encontramos um animal cujo corpo foi colocado cuidadosamente na terra, deixando-nos uma das mais antigas testemunhas arqueológicas portuguesas de uma relação especial entre seres humanos e cães.

É impossível não pensar naquilo que separa e, ao mesmo tempo, aproxima o homem de Muge do homem de hoje, porque há cerca de 7.600 anos alguém viveu com aquele cão, alguém o viu diariamente, alguém o conheceu enquanto estava vivo e, quando a sua vida terminou, alguém tomou uma decisão sobre o destino do seu corpo, exactamente como hoje uma família se vê confrontada com a necessidade de decidir o que fazer quando morre o animal que durante tantos anos viveu dentro da sua casa.

Não sabemos se aquele cão acompanhava as pessoas nas deslocações, se participava na caça, se desempenhava alguma função específica ou se era simplesmente um companheiro doméstico, e seria abusivo inventar uma história que a arqueologia não pode contar, mas o cuidado colocado na sua deposição permite-nos pelo menos perceber que aquele animal não foi tratado como um resto indiferenciado e que a sua morte teve, de alguma forma, um significado para aqueles que ficaram.

Sete milénios depois, a pergunta permanece surpreendentemente actual: o que fazemos quando morre um animal que amámos?

Hoje temos veterinários, temos serviços especializados, temos cremação, temos tecnologia, temos legislação e temos meios financeiros e técnicos que aquelas comunidades de Muge jamais poderiam imaginar, mas continuamos, em muitas situações, sem uma resposta pública simples, acessível e digna para as famílias que perdem um animal de companhia, precisamente porque ainda não conseguimos transformar uma realidade social evidente numa política pública suficientemente organizada.

É por isso que continuo a considerar actual a proposta que apresentei em 2013, porque não se trata de transformar os animais em pessoas, nem de confundir os diferentes significados da morte humana e da morte animal, mas simplesmente de reconhecer uma realidade que já existe: há milhões de portugueses que vivem com animais de companhia e muitos desses animais passam uma parte significativa da sua vida dentro das nossas casas, acompanham o crescimento dos filhos, estão presentes quando mudamos de casa, quando perdemos alguém, quando atravessamos uma doença ou simplesmente quando regressamos ao fim de um dia difícil e encontramos, à nossa espera, aquele olhar que durante anos nos recebeu sempre da mesma maneira.
Por isso, quando chega o momento inevitável em que esse animal deixa de estar, não me parece razoável que a sociedade diga simplesmente a uma família que procure uma solução qualquer para aquilo que, durante tantos anos, fez parte da sua própria história, como se estivéssemos perante um objecto que deixou de ter utilidade e não perante a memória viva de uma relação que marcou uma parte importante da existência daquela pessoa ou daquela família.

O que defendo é, afinal, bastante simples: que possamos dizer a essa família que existe um lugar onde pode despedir-se do seu animal, onde o pode enterrar ou cremar com dignidade, onde poderá guardar as suas cinzas, colocar uma pequena placa, plantar uma árvore ou simplesmente permanecer alguns minutos em silêncio, porque há momentos na vida em que aquilo de que precisamos não é de uma grande cerimónia, mas apenas de um espaço onde possamos reconhecer que alguém que fez parte dos nossos dias já não vai voltar.

Talvez seja essa a razão pela qual o Cão de Muge continua a ter para nós, tantos milhares de anos depois, uma força tão extraordinária: não sabemos o nome daquele cão, não sabemos quem o acompanhou durante a vida, não sabemos se houve lágrimas quando morreu ou se existiu qualquer espécie de ritual, mas sabemos que alguém, numa comunidade humana que viveu nas margens do Tejo há milhares de anos, teve o cuidado de depositar aquele animal na terra de uma determinada forma, deixando para o futuro uma das mais antigas e silenciosas testemunhas da relação entre o Homem e o cão.

E é precisamente aqui que o passado e o presente se encontram, porque o homem que há milhares de anos teve o cuidado de dar um lugar ao corpo daquele cão não era tão diferente de nós como por vezes imaginamos, e talvez também ele tivesse conhecido aquilo que hoje conhecemos quando regressamos a casa e sentimos a falta de uma presença que durante anos fez parte da nossa vida, razão pela qual não considero que pedir cemitérios, jardins memoriais ou serviços de cremação para animais seja uma excentricidade dos nossos tempos, mas antes uma resposta contemporânea a uma relação que acompanha a própria história da Humanidade.

Quando os nossos animais morrem, não perdemos apenas a presença física de um cão, de um gato ou de outro animal que durante anos viveu connosco; perdemos uma rotina, uma companhia, uma parte da nossa memória e, muitas vezes, uma testemunha silenciosa de uma fase inteira da nossa vida, alguém que esteve presente em dias felizes e em dias difíceis sem nunca nos perguntar quem éramos, quanto ganhávamos, que ideias defendíamos ou que erros tínhamos cometido, e talvez seja precisamente essa ausência silenciosa que torna tão difícil explicar a quem nunca passou por isso porque é que a morte de um animal pode deixar uma casa tão estranhamente vazia.

Talvez por isso uma sociedade que já sabe construir cemitérios, memoriais e lugares de homenagem para preservar a memória dos seus mortos possa também encontrar um pequeno espaço para preservar a memória daqueles animais que, embora não sejam humanos, foram profundamente importantes naquilo que nos deram: companhia, lealdade, afecto e uma presença constante que só verdadeiramente aprendemos a valorizar quando deixa de existir.

Há cerca de 7.600 anos, alguém em Muge colocou cuidadosamente um cão na terra e, sem saber, deixou uma mensagem que atravessou milhares de anos até nós; hoje, com todos os recursos de que dispomos e com uma consciência muito maior da importância que os animais de companhia têm na vida das famílias, talvez seja tempo de responder a essa mensagem não com nostalgia, mas com uma solução concreta, criando em Portugal uma rede de espaços dignos onde aqueles que durante tantos anos fizeram parte das nossas casas possam também ter, quando a vida termina, um lugar na nossa memória.

Porque, no fundo, quando uma pessoa pede um lugar para enterrar ou cremar o seu animal, talvez não esteja a pedir um lugar para a morte, mas um lugar para aquilo que permanece depois dela: a memória de um companheiro que já não está à porta, já não corre pela casa e já não nos espera quando chegamos, mas que continuará, durante muitos anos, a existir naquele lugar invisível onde guardamos tudo aquilo que verdadeiramente fez parte da nossa vida.

E talvez seja essa a melhor homenagem que lhes podemos prestar: não fingir que não sentimos a sua ausência, mas reconhecer que, durante os anos em que estiveram connosco, foram suficientemente importantes para merecer, no fim, aquilo que o Cão de Muge recebeu há milhares de anos e que ainda hoje nos ensina tanto sobre nós próprios — um lugar onde o corpo possa repousar, um gesto de respeito perante a morte e, sobretudo, uma memória que não desapareça simplesmente porque a vida terminou.

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Oliveira de Frades, | Dia Internacional da Juventude. 12 AGO | Zona de Fruição Ribeirinha de Sejães

O Município preparou um programa cheio de atividades e diversão para o Dia Internacional da Juventude, reconhecendo o importante papel que os jovens assumem na sociedade. 
Zumba, O programa engloba: paddle surf & canoagem, beach volley, hidroginástica, yoga, dança, entrada gratuita na ZFR Sejães. 
Um dia perfeito para aproveitar o verão e experimentar novas atividades!

Proença‑a‑Nova | Município abre concurso para lotes habitacionais e reforça aposta na fixação de população


O Município de Proença‑a‑Nova abriu o concurso para a alienação de quatro lotes habitacionais em Sobreira Formosa, localizados na Quinta de São Bartolomeu, Portela da Lameira. A decisão foi aprovada pelo Executivo Municipal na reunião de 3 de agosto de 2026, ao abrigo do Regulamento Municipal de Alienação de Lotes, que visa promover a fixação de pessoas no concelho.

Os lotes destinam‑se exclusivamente a habitação, com áreas compreendidas entre 557 m² e 1.010,70 m². Os valores de venda variam entre 12.692,11€ e 16.755,19€, conforme tabela definida no Edital. Cada lote dispõe de parâmetros urbanísticos específicos, incluindo área máxima de implantação, volumetria, número de pisos permitidos e estacionamento interior.

O período de candidatura decorre até ao dia 7 de setembro de 2027, podendo a inscrição ser apresentada por três vias distintas: Correio registado, dirigido ao Município, mediante preenchimento da ficha de inscrição; Entrega presencial no Balcão Único de Atendimento ou Submissão online através dos Serviços Online do Município, mediante registo prévio.
O ato público de abertura das propostas terá lugar a 8 de setembro de 2026, às 09h00, na Sala de Sessões dos Paços do Concelho. O Regulamento e o Edital encontram‑se ainda disponíveis para consulta na Unidade Jurídica da Câmara Municipal, em dias úteis, bem como no site do Município.

Os adquirentes devem iniciar a construção no prazo máximo de 18 meses após a escritura e concluí‑la no prazo de 36 meses. A venda dos lotes está sujeita a uma cláusula de inalienabilidade de 10 anos, contados da data da escritura de compra e venda.
Paralelamente ao concurso de alienação de lotes, o Município disponibiliza ainda um conjunto de incentivos municipais à reabilitação urbana, enquadrados no projeto das Áreas de Reabilitação Urbana (ARU). Estes apoios destinam‑se a estimular a recuperação do património edificado, melhorar o parque habitacional e reforçar a atratividade das freguesias rurais, com apoios à pintura de paredes exteriores, portas e janelas, exteriores, coberturas ou substituição de telhas, num montante máximo por intervenção é de 2.500€.

Estas iniciativas integram-se na estratégia municipal de valorização do território e de criação de condições para que mais famílias escolham o concelho para viver, promovendo o acesso à habitação, a fixação de população e o desenvolvimento das freguesias.

*Gabriel Reis
Comunicação, Turismo e Eventos


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cantanhede | Dispositivo registou 163 ocorrências nos primeiros seis dias. Segurança reforçada é cada vez mais uma marca distintiva da Expofacic

 
Coordenado pelo Serviço Municipal de Proteção Civil de Cantanhede, o Posto de Coordenação de Segurança da Expofacic viu o dispositivo reforçado nesta 34.ª edição, para garantir um certame mais seguro a visitantes e expositores.
Para além de assegurar a articulação dos agentes envolvidos, por forma a garantir uma atuação rápida e eficaz, a equipa acompanha o desenvolvimento do evento em tempo real, assegura comunicações de emergência, garante articulação operacional e aciona meios de socorro de forma imediata.
Nos primeiros seis dias do certame, o Posto de Coordenação de Segurança foi acionado para 163 ocorrências, das quais 146 para problemas de saúde. Destas, apenas duas situações exigiram a evacuações para unidades hospitalares, enquanto as restantes foram resolvidas pelo dispositivo de socorro, que reúne elementos dos bombeiros, GNR, uma empresa de vigilância e outra de emergência médica, para além da INOVA-EM.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da INOVA-EM, Pedro Cardoso, destacou o “reforço substantivo do dispositivo de proteção e socorro”, de modo a garantir “uma feira segura, quer do ponto de vista da prevenção, mas também no que diz respeito às necessárias respostas céleres e eficazes”.
Para tanto, a equipa de segurança e socorro conta em permanência com um médico, dois enfermeiros e quatro socorristas, reforçada aquando dos espetáculos com três equipas de suporte básico de vida – duas junto ao palco principal e uma junto ao palco das tasquinhas.
No recinto encontram-se ainda em permanência um veículo ligeiro de combate a incêndios e duas ambulâncias.
“É essencial para garantir que um evento desta dimensão, que recebe dezenas de milhares de visitantes diariamente decorra de forma organizada, segura e eficiente”, salienta Pedro Cardoso, reforçando a necessidade da prevenção de riscos, mas igualmente da proteção de pessoas e património e a rápida resolução de ocorrências.
“A segurança é uma marca distintiva da Expofacic, reconhecida em 2025 como um dos eventos mais seguros na Península Ibérica pelos Iberian Festival Awards”, relembrou.
Também o coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil, Hugo Oliveira, referiu que este ano, a Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR está a monitorizar a utilização de drones no evento, em estreita articulação com os profissionais da produção e proteção civil, para assegurar o cumprimento da legalidade na utilização deste tipo de aparelhos.