O Museu da
Pedra assinalou na passada terça-feira, 20 de outubro, o 25.º
aniversário com a inauguração de um novo segmento expositivo.
Intitulado “O Mundo Invisível do Jurássico”, este novo módulo,
instalado na sala geológica do museu, convidou os presentes –
entre os quais alunos do 11.º ano da Escola Secundária
Lima-de-Faria - a descobrir uma dimensão menos conhecida da vida que
floresceu há milhões de anos nos mares de Cantanhede.
Servindo de
contraponto aos exemplares de fósseis macroscópicos presentes nas
vitrinas do museu - as famosas amonites dos calcários de Ançã -
com a ajuda das lupas e dos dossiês informativos, os jovens puderam
observar microfósseis de foraminíferos.
De idade
jurássica, e encontrados na região de Cantanhede, estes organismos
são excelentes fósseis de idade, ou seja, permitem aos geólogos
datar camadas e conjuntos de camadas com precisão, definindo, assim,
unidades biostratigráficas. São ainda importantíssimos indicadores
paleoambientais, possibilitando aos geólogos reconstruir os mares de
antigamente, e o seu estudo permite também, entre outras aplicações,
o estudo dos reservatórios petrolíferos offshore.
Destaque ainda
para a presença de Maria Helena Henriques, do Departamento de
Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, e de Maria Luisa
Canales, da Universidade Complutense de Madrid, na inauguração
deste novo suporte museológico. De resto, sem os seus contributos e
mentoria, não teria sido possível erguer esse novo módulo.
Ao intervir na
sessão, o vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da
Cultura, Pedro Cardoso, sublinhou que “com
esta iniciativa, o Museu da Pedra reafirma a sua vocação de
promover o conhecimento científico e a valorização do património
natural, oferecendo ao público novas formas de interpretar e
compreender a história da Terra e da vida”.
Ainda de acordo
com o autarca, “o Museu da
Pedra tem mostrado, ao longo destes 25 anos, que é muito mais do que
um espaço de exposição”. “É
um local de aprendizagem, memória e valorização do património,
que contribui para que este património continue a ser conhecido,
respeitado e valorizado pelas gerações futuras”,
enfatizou.
Pedro Cardoso
entende “olhar para o percurso
deste museu é testemunhar um trabalho de excelência de salvaguarda
cultural, que o tornou numa referência na museologia, cuja
importância educativa, histórica e cultural e social, assim como um
polo de atração turística e um centro de saber, orgulha
profundamente a nossa região”.
Por isso,
agradeceu a quem ajudou a fazer este caminho. “O
sucesso que celebramos hoje é o resultado direto de todos aqueles
que fizeram parte desta belíssima caminhada. A todos os que deixaram
uma marca, desde os que ergueram esta Casa de Cultura aos que
consolidaram e fizeram crescer, deixo, em nome do Município, um
enorme elogio e um agradecimento sincero, pelo compromisso e entrega,
talento, paixão, profissionalismo e dedicação. Celebrar 25 anos é
o momento certo para olhar para trás com a alma cheia, honrar o
passado, mas é, sobretudo, uma oportunidade para olhar o futuro com
ambição, para construir mais 25 anos de sucesso, de inspiração e
de excelência”, finalizou.
Além da
inauguração do novo segmente expositivo, o programa de comemoração
do 25.º aniversário do Museu da Pedra conta com um vasto programa
durante este ano, com palestras, um espetáculo de video mapping e
atividades pedagógicas.
O Museu da
Pedra integra, desde a sua fundação, a RPM - Rede Portuguesa de
Museus e pertence também à MC2P - Associação de Museus e Centros
de Ciência de Portugal e é parceiro do Roteiro de Minas e Pontos de
Interesse Mineiro e Geológico de Portugal.
Galardoado pela
Associação Portuguesa de Museologia com a Menção Honrosa de
Melhor Museu Português do Triénio 1999/2001, foi também
distinguido com o Prémio Nacional de Geoconservação 2006,
atribuído pela ProGEO - Associação Europeia para a Preservação
do Património Geológico.
Em 2024, o
calcário de Ançã foi reconhecido como Pedra Património Mundial,
pelo conselho da IUGS Subcommission Heritage Stones, organismo da
UNESCO.