sábado, 25 de junho de 2016

Medo e receio: Portugueses põem em causa futuro no Reino Unido

O Reino Unido é principal destino da emigração portuguesa. Uma situação que pode vir a alterar-se, dado o novo estatuto do país, que acaba de decidir que quer sair da União Europeia.
A decisão preocupa não só britânicos, mas sobretudo emigrantes a viver no país. Entre eles estão centenas de portugueses, que se mudaram para o Reino Unido à procura de uma vida melhor e que agora se veem a braços com um novo clima que pode obrigá-los a regressar a casa, sem que o tivessem previsto.
É o caso, por exemplo, de Tiago Carvalho, que mudou há três meses para o pais. Ainda sem trabalho certo, este português de 30 anos, considerou que o mais provável é ter que regressar a casa, dado que esta decisão implicará “mais burocracias, com os vistos e autorizações” e lhe dificultará a permanência no país.
“Ódio pelos emigrantes” pode levar a saída
Laura Seixas é produtora e realizadora de cinema e CEO da uma companhia de produção no Reino Unido. Embora se encontre numa situação mais estável, refere ao Notícias Ao Minuto que o seu futuro é ainda “incerto”.
“Neste momento não sei mesmo [o que vou fazer]. Eu tenho aqui uma companhia de produção portanto não posso deixar tudo e ir me embora. Mas tudo vai depender das negociações agora e se este ódio pelos imigrantes é só passageiro”, afirma a portuguesa de 25 anos, que considera que o resultado da votação do Brexit é o resultado “infelizmente” de “grande ignorância da parte dos eleitores” e por “motivos racistas”.
Novos preços irão compensar?
Joana Teixeira está a trabalhar numa agência de comunicação desde dezembro de 2013, em Londres. A sua situação laboral estável deixa-a mais descansada quanto à sua permanência no país, mas há questões que ainda deixam esta portuguesa receosa do que o futuro lhe espera.
Com uma curso superior e um salário acima do valor mínimo anual, Joana Teixeira está crente de que conseguirá pedir facilmente um visto para permanecer e trabalhar no país. A jovem queixa-se porém da falta de informação e questiona se as mudanças que advêm da saída da União Europeia continuarão a ser vantajosas para os emigrantes.
“O que me preocupa neste momento em que estou ainda chocada, confusa e sinto-me desinformada, porque não sei o que vai acontecer ainda nem o que devo ou não fazer. O Brexit vai afetar o preço dos voos para Portugal, no valor da libra que vai descer e não sei se não chegará a uma altura em que já não compensa cá estar e no nível de vida. A vida aqui já é suficientemente cara, por isso tenho medo que o preço das rendas, dos bens essenciais, dos transportes aumente ainda mais”, confessa.
Clima contra emigrantes deixa portugueses receosos
Nas ruas, contam-nos estes portugueses já se ouve os britânicos “a celebrar”, e acresce o receio de uma atitude racista contra os emigrantes.
"Já me sinto um pouco receosa a andar na rua. Na minha cabeça já existe possibilidade de me abordarem por não ser inglesa e me insultarem", afirma Joana Teixeira, que diz que não se sente “bem-vinda” e que está a “a incomodar quando sei que estou a descontar e a contribuir para o país”.
Já Laura fala mesmo em atitudes racistas.
“Hoje de manhã a caminho do trabalho já tive uns ingleses a abanar a bandeira inglesa (ironicamente não a do Reino Unido) a celebrar a saída e a dizerem para ir para casa”, conta a jovem que admite que “ninguém quer ficar num país em que não é bem-vindo”
Fonte: notíciasaominuto

Respostas às dúvidas que assombram portugueses após vitória do Brexit

Quando sai o Reino Unido da União Europeia (UE)?
A saída não será imediata. Segundo o Tratado de Lisboa, prevê-se, no artigo 50.º, um prazo de dois anos para a negociação da saída de um Estado-membro do bloco europeu.
Os presidentes das instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE) defenderam já um 'divórcio' o mais rapidamente possível, "por muito doloroso que seja o processo".
Como será a relação do Reino Unido com a UE?
Mais uma vez depende das negociações que vão iniciar-se em breve. Mas após esses dois anos de negociações sobre as modalidades da saída, segundo o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, será necessário "negociar as relações entre o Reino Unido e a UE a partir do zero".
"Tudo tem de ser revisto e renegociado" e não apenas internamente, mas também na perspetiva dos acordos vigentes entre o Reino Unido e o resto do mundo, "pois todos os acordos comerciais internacionais (pelo menos 52) foram concluídos em nome da Europa", segundo Juncker.
Quantos portugueses vivem no Reino Unido?
De acordo com as autoridades portuguesas, vivem no Reino Unido meio milhão de portugueses.
Vai ser necessário usar o passaporte de cidadão da UE para voltar ao Reino Unido?
Para já, não. Pelo menos durante este período de negociação entre Londres e Bruxelas. Depois, dependerá das negociações entre o Reino Unido e a União. Poderá haver também mudanças relativamente às autorizações de residência e de trabalho. Afinal, um dos temas centrais da campanha foi a imigração, incluindo de países europeus com maiores problemas económicos -- há cerca de três milhões de cidadãos europeus a viver no Reino Unido, de acordo com um estudo de uma organização não-governamental britânica.
As viagens para o Reino Unido vão ser mais difíceis?
O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (The World Travel & Tourism Council), entidade vocacionada para viagens de executivos, garantiu hoje que, no curto prazo, não haverá alterações aos procedimentos de entrada no país, a partir dos países da UE.
Os emigrantes portugueses terão mais dificuldades em viver no Reino Unido?
A curto-prazo, um grande número de economistas e instituições internacionais previu um período de instabilidade económica e até recessão na eventualidade de "Brexit", logo é possível que os portugueses sintam o impacto de menor crescimento económico ou desemprego.
A médio e longo prazo, poderá ser mais difícil ter acesso a estatuto de residente ou vistos de trabalho e a apoios sociais como subsídio de desemprego. Mas isto vai depender do resultado das negociações com a União Europeia.
Fonte e Foto: Lusa

Um estranho som vem do Mar do Caribe, intrigando cientistas

Link to HypeScience



Posted: 23 Jun 2016 07:30 PM PDT
Satélites sobre o Mar do Caribe captaram estranho som que vem do fundo do mar; veja o que cientistas descobriram
 
Posted: 23 Jun 2016 07:25 PM PDT
Webcams podem ser, e já foram, hackeadas. Logo, se você não quer ninguém espiando sua privacidade, é uma boa ideia cobrir a sua
 
Posted: 23 Jun 2016 10:58 AM PDT
O reino animal é recheado de talentos incríveis e surpreendentes. A espécie humana pode ser a dominante, mas tem um monte de coisas que só os outros animais podem fazer e que são de nos dar a maior inveja
 
Posted: 23 Jun 2016 09:30 AM PDT
Um avião Twin Otter fez o resgate de um membro da base científica Amundsen-Scott no Polo Sul no último dia 21 de junho. No entanto, esse tipo de missão é tão perigosa que pessoas com câncer e derrame já foram deixadas na Antártida sem evacuação
 
Posted: 23 Jun 2016 08:30 AM PDT
Com este produto, não é necessário fazer o movimento de escovação – as três pequenas escovas cobrem todas as superfícies dos dentes
 
Posted: 23 Jun 2016 05:43 AM PDT
Alguns atletas desistiram dos Jogos Olímpicos no Brasil devido a preocupações com o vírus Zika. Segundo especialistas, essa decisão é exagerada
 

360º - Keep calm and carry on. Como vai ser a Europa sem o Reino Unido?

360º

Por Miguel Pinheiro, Diretor Executivo
Bom dia!
Enquanto dormia...... o mundo mudou de forma dramática. E, por isso, esta newsletter tem um formato diferente, para o informar melhor sobre tudo o que se está a passar neste momento.

Os eleitores do Reino Unido decidiram sair da União Europeia - o resultado final do referendo foi de 51,9% pelo "Sair" e de 48,1% pelo "Ficar". Só a Escócia e a Irlanda do Norte votaram pela permanência. O Observador acompanhou esta longa madrugada em permanência neste liveblog, onde pode ver como tudo se desenrolou. Já esta manhã, abrimos um novo liveblog, para atualizar ao minuto toda a informação ao longo das próximas horas.

David Cameron já anunciou a sua demissão. “O povo britânico votou para abandonar a União Europeia e a sua vontade tem de ser respeitada”, disse o futuro ex-primeiro-ministro. “Farei tudo como primeiro-ministro para comandar o navio nas próximas semanas e meses, mas acho que não seria correto para mim tentar ser o comandante a conduzir o navio até ao nosso próximo destino”.

Quem se segue? Muitos olham agora para Boris Johnson, um dos líderes do "Sair" e que com a sua posição passou, num segundo, de amigo de infância a inimigo para sempre de David Cameron. Há não muito tempo, Johnson afirmou ter “mais hipóteses de reencarnar como Elvis Presley ou numa azeitona do que ser primeiro-ministro”. Bem, talvez estivesse a exagerar ligeiramente.

O Reino Unido decidiu sair, mas agora é preciso abrir a porta. O processo de negociação pode demorar dois anos. Vai ser uma longa, longa negociação. A Catarina Falcão falou com Paulo Sande, antigo diretor do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal e colunista do Observador, e com o eurodeputado Rui Tavares e explica tudo.

A imprensa internacional está em ebulição. As palavras"choque", "histórico" e "atónita" aparecem nos principais sites de informação europeus. Já os jornais em papel... enfim, digamos queseria óptimo conseguir parar as rotativas e deitar para o lixo algumas destas capas.

José Manuel Fernandes já escreveu, hoje de manhã, um artigo de opinião sobre os resultados e pede "cabeça fria": "Não é tempo de despeito ou rancor, antes de compreender o mal-estar europeu que levou ao Brexit. A mensagem que os britânicos reforçaram é que os povos não querem nem 'mais' Europa nem mais integração."

Rui Ramos também já publicou um texto no Observador a analisar "a Europa na roleta dos referendos": "O referendo britânico talvez tenha mudado a Europa e o mundo. Mas é importante lembrar que começou como um truque de David Cameron para travar o UKIP. Para evitar uma inundação, deitou fogo à casa."

Outra informação relevante (sim, também há...)Os alunos fizeram ontem o exame de Matemática A do 12.º ano - consideraram a prova difícil, mas a Sociedade de Matemática diz que estava bem estruturada. Pode ver as respostas correctas aqui.

A ADSE vai ter uma dupla tutela: dividir-se-à entre os ministérios da Saúde e das Finanças. É uma solução intermédia, enquanto não se resolve definitivamente se a ADSE será totalmente autonomizada.

Espanha vota no domingo e o João Almeida Dias conta hoje a história do Robin dos Bosques de Marinaleda.Sánchez Gordillo é o líder da grande "utopia comunista" de Espanha e desconfia de Pablo Iglesias.

No futebol ainda não houve Brexit - as três nações do Reino Unido apuraram-se para os oitavos. O Hugo Tavares da Silva conta-lhe tudo.

Então quem é que já foi para casa? Muitos, muitos...Aqui estão eles.

Portugal empatou três vezes nos três jogos que ainda fez. Com resultados desses, ainda pode ser campeão? Claro que sim:olhem para a Itália em 1982.

Já Ronaldo, bateu muitos recordes neste Europeu. O Tiago Palma juntou-os todos neste texto.

Notícias surpreendentes

Há 72 novos emojis: caras, gestos, comida, animais, pares e desporto são as categorias que foram alargadas. Veja a lista completa.

Durante cinco meses, o Tiago Tavares vai largar o trabalho para viajar pela América do Sul com a mulher e com os filhos, de 2 e 4 anos. Vai fazer mais de 10 mil quilómetros e, claro, contar toda a experiência no Observador. O primeiro textomostra o itinerário.

As mulheres durante e depois da gravidez - é umafotogaleria deslumbrante que mostra momentos inesquecíveis.

E assim vai o dia. Já sabe que vai ter toda a atualidade sobre o Brexit ao minuto no site e no liveblog do Observador.
Até já!
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Brexit. E depois do adeus?

Título alternativo
​A diferença foi curta: 51,9% contra 48,1%. Foi curta, mas suficiente. Suficiente para fazer o Reino Unido sair da União Europeia. Suficiente para provocar a demissão do primeiro-ministro, David Cameron. Suficiente para abalar a liderança de Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista. Suficiente para levar a Escócia a referendar novamente a sua independência do Reino Unido. Suficiente para provocar a maior queda de sempre das Bolsas europeias. E suficiente para o Governo português aconselhar os imigrantes a pedirem dupla nacionalidade.

Ontem, os europeus deitaram-se a pensar que o Reino Unido ia ficar na União Europeia (enganados pelas primeiras sondagens) e acordaram a descobrir que afinal era tudo ao contrário. Quem se manteve acordado pôde seguir a evolução dos acontecimentos pelo liveblog do Observador, que esteve em atualização permanente ao longo de toda a madrugada. Logo de manhã, novo liveblogaberto, para seguir ao segundo as consequências de uma decisão histórica, com todos os detalhes.

Nesta newsletter especial, pode ler os melhores textos sobre o Brexit publicados no Observador nas últimas horas. É a nossa tentativa de responder à grande pergunta do dia: e agora?

Um país dividido e uma "City" atordoada

"Glorioso" para uns, "triste" para outros. Para todos, este foi um dia diferente em Londres, depois do "choque" que foi a vitória do "Sair" no referendo à UE. Leia a nossa reportagem.

Que fazer agora ao seu dinheiro?

Os especialistas são unânimes: se investe para o longo prazo, fique quieto. É possível, no entanto, aproveitar as fraquezas da bolsa para fazer boas compras.

9 análises ao choque do Brexit

A opinião de José Manuel Fernandes, Rui Ramos, Miguel Poiares Maduro, Francisco Seixas da Costa, Helena Garrido, João Carlos Espada, André Azevedo Alves, Alexandre Homem Cristo e Lucy Pepper.

Como vai ser o processo de saída? Demora até 2 anos

E agora? Cabe ao Reino Unido pedir ao Conselho Europeu a sua saída e vai decorrer uma longa negociação que pode durar até dois anos. Caso não haja acordo, Reino Unido sai de qualquer forma.

UE quer negociar saída do Reino Unido rapidamente

Líderes das principais instituições da União Europeia juntam-se para passar uma dura mensagem ao Reino Unido: negociações são para começar rapidamente para evitar incerteza desnecessária.

Quem vai ser o novo primeiro-ministro britânico?

Com a demissão de David Cameron, os conservadores vão escolher um novo líder em novembro. Será Boris Johnson, a "rainha do gelo" ou a estrela em ascensão?

As muitas polémicas do homem que diz não à UE

Quem é o político que tomou a dianteira dos eurocéticos fez a libra cair a pique e quer ser primeiro-ministro? Boris Johnson tem uma vida cheia de controvérsias.

Je suis, they aren't. Brincadeiras e reações na net

A madrugada ficou marcada pela saída do Reino Unido da União Europeia. Os internautas levantaram a voz para criticar, apoiar ou simplesmente brincar. As reações virais da Internet estão aqui.

Voto. Os ricos queriam ficar e os pobres sair

Os melhores resultados do "Ficar" foram em Londres, na Escócia e na Irlanda do Norte, enquanto os votantes do "Sair" estão essencialmente em Inglaterra. Mas a maior divisão é sócio-económica.

"Agora é a nossa vez", clama a extrema-direita

Os partidos mais extremistas em alguns países europeus estão a aproveitar o balanço da vitória do Brexit para pedir referendos à permanência na UE: em França, Holanda e Itália já há discórdia.

E agora, como vai ser a Premier League?

Os futebolistas da UE transferiam-se para a liga inglesa como comunitários que são, ou seja, sem restrições. Mas isso acabou com Brexit. Agora, só entram os de "alto calibre". Apenas três por equipa.

"Eu voto Remain em Lisboa". E vocês?

São portugueses com empresas no mercado britânico e fizeram planos de contingência para o Brexit. Será esta uma oportunidade para Lisboa se afirmar cada vez mais como "player" europeu de relevância?

União Europeia não deve negociar de cabeça quente

A UE deve evitar a sobranceria ou o espirito de retaliação nas negociações que vai iniciar com o Reino Unido, defende Jaime Gama. Jaime Nogueira Pinto sublinha a importância do regresso da política.

Canções para ouvir depois do Brexit

O referendo mostrou que a maior parte dos britânicos queriam a saída do Reino Unido da União Europeia. O Observador reuniu algumas canções para dar uma banda-sonora ao Brexit.

E se o referendo fosse em Portugal, como votaria?

A escolha dos britânicos está feita: o Reino Unido está fora da União Europeia depois de um referendo renhido. E Portugal? Votaria pela permanência? Prefereria voltar ao escudo? Vote aqui

21 momentos históricos da União Europeia

Foi muito longa a caminhada que levou à União Europeia como a conhecemos. O Reino Unido é o primeiro país a sair, mas houve muitos outros momentos históricos nos últimos 256 anos. Recorde-os aqui.
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Macroscópio – E agora? O dia em que entrámos em terra incógnita

Macroscópio

Por José Manuel Fernandes, Publisher
Boa noite!

Aconteceu. Tantas vezes a União Europeia foi a referendos que um dia tinha de quebrar. Até porque a construção já mostrava muitas rachas. E aconteceu no Reino Unido, onde os referendos não se repetem até darem o resultado “certo”. Com a confirmação do voto pelo Brexit – que ainda ontem à noite, no momento em que urnas fecharam, parecia pouco provável – a Europa acordou em estado de choque. E sob ondas de choque. Por isso este Macroscópio, que planeara dedicar às eleições espanholas do próximo domingo, tem de se submeter à actualidade. Para dar conta do que pode vir a acontecer, tal como das principais análises e comentários.

Primeiro, recapitulemos rapidamente, com a ajuda dos trabalhos do Observador, o essencial da informação, começando peloliveblog onde lhe fomos dando conta das principais notícias do dia, do anúncio da demissão de David Cameron à intenção da Escócia de voltar a realizar um referendo pela sua independência. Continuo com a reportagem especial do nosso enviado a Londres, Edgar Caetano, Um país dividido e uma "City" atordoada. Outros textos relevantes:
Relativamente às análises e comentários produzidos em Portugal, vou procurar arrumá-las em diferentes categorias. Começo pelas leituras mais pessimistas (ou então apenas mais tristes) sobre o que vêm aí:
  • Governo aconselha dupla nacionalidade, de Helena Garrido no Observador (já publicámos 11 textos de opinião com perspectivas diferentes sobre o Brexit), considerando que “O populismo venceu. As violentas ondas de choque financeiro, provocadas pelo voto do Reino Unido pela saída da UE, colocam a Europa perante o sério risco de enfrentar uma nova recessão.”
  • Nuvens negras sobre a Europa, de Teresa de Sousa no Público, onde considera que “O debate eternamente adiado sobre o caminho a seguir far-se-á agora à força e nas piores condições.”
  • A thousand natural shocks, de Pedro Santos Guerreiro no Expresso, que considera que “é a União Europeia que é atirada da estrada sinuosa que percorria, para uma ribanceira imprevisível. O efeito dominó é inescapável: outros estados membros quererão referendar a permanência na União.”
  • Alguém sabe como se sai de um buraco negro?, de Graça Franco na Renascença, que esceve que “É do futuro que falamos agora. Incerto. E a incerteza é cara. Trava o investimento, trava o consumo, gera desconfiança, paralisa o investimento, impede a mais leve retoma. É mau, mas não é sequer o pior: alguém sabe contabilizar o preço da paz?”
  • Um jogo de soma negativa, um texto de Inês Domingos no Observador centrado nas consequências económicas do Brexit: “Para Portugal, que tem pouco capital, poucas poupanças e que depende quase exclusivamente do exterior para se financiar, os custos de financiamento para as famílias e para as empresas deverá sem dúvida aumentar.”
  • As cinco razões por que é grave a saída do Reino Unido, de Miguel Mendes Pereira no Expresso, uma das quais é: “Do ponto de vista interno da UE, é (…) o Reino-Unido providenciava um elemento de equilíbrio crucial entre o poderio alemão e o desespero francês. A abordagem crítica britânica sempre recusou seguir acefalamente a retórica europeísta e foi o fator que tantas vezes dotou as soluções europeias do grau de pragmatismo que permitiu o avanço da integração europeia, ao contrário do que tantas vezes se pensa”. 
  • O meu coração está partido, um texto num registo mais pessoal de Lucy Pepper, no Observador, onde esta inglesa a viver há muitos anos em Portugal escreve: “Dêem-me uma ilha caótica, problemática, cheia de gente de todas as cores e crenças, e com um sentido colectivo de humor e humildade, em vez de uma nação governada e regulada por homens brancos, suados e cheios de medo. Esses homens mataram o “espírito do Blitz”. Little England matou Great Britain, e o meu coração está partido.”

 
Um conjunto de outros textos procura interpretar o sentido do voto britânico num quadro mais global, dele procurando inferir lições para a Europa. Começo por citar três textos saídos no Observador:
  • A falsa escolha e uma falsa solução, de Miguel Poiares Maduro, uma reflexão muito interessante sobre as consequências de viver num mundo interdependente, um texto que defende a ideia de que “O Reino Unido irá descobrir que a verdadeira causa dos seus problemas e ansiedades não é a Europa mas a incapacidade da sua democracia nacional em adaptar-se a um mundo interdependente. Não será regressando ao nacionalismo e protecionismo que responderá aos desafios da globalização.”
  • Cabeça fria. A resposta ao Brexit é “menos” Europa, a minha defesa apaixonada de que a Europa deve aproveitar esta crise para repensar as suas pulsões integradoras e federalistas: “Não é tempo de despeito ou rancor, antes de compreender o mal-estar europeu que levou ao Brexit. A mensagem que os britânicos reforçaram é que os povos não querem nem "mais" Europa nem mais integração.”
  • Brexit: uma lição para a UE, de André Azevedo Alves, onde se sublinha que “A retórica do medo e da intimidação tão do agrado de muitos eurocratas falhou dramaticamente. Fracassou também o dogma de que o processo de integração europeia é unívoco e não pode conhecer recuos”.

Outros textos, mesmo críticos da direcção seguida pela União Europeia, pedem exactamente o contrário. É o que faz, por exemplo, Celso Filipe no Jornal de Negócios em Mais Europa, menos incerteza – “A partir dos escombros da saída do Reino Unido é preciso construir uma União Europeia mais forte, mais solidária e mais coesa” – ou Francisco Seixas da Costa, que, de novo no Observador, em O “opt out” final, fala dos riscos de uma Europa menos integrada – “No passado, sempre falámos de “construção europeia”, agora iniciámos um tempo novo, o da “desconstrução”. Como disse, o tropismo em favor da generalização de “exceções” pode começar a “cogumelizar” (os ingleses têm para isso a bela expressão “mushrooming”, faça-se-lhes essa justiça!) por aí adiante. E isso, ao contrário do que alguns pretendentes caseiros à recuperação de soberania possam pensar, pode virar-se contra nós, contra Portugal.”

Outros textos fazem mais a análise do referendo, quer para apenas à re-união (como fez João Carlos Espada, no Observador, emTempo de re-união: no Reino Unido e na UE), quer fazer uma dura crítica a David Cameron e à forma como decidiu convocar o referendo. Rui Ramos, de novo no Observador, em A Europa na roleta dos referendos, é especialmente duro: “O referendo britânico talvez tenha mudado a Europa e o mundo. Mas é importante lembrar que começou como um truque de David Cameron para travar o UKIP. Para evitar uma inundação na cozinha, deitou fogo à casa e acabou por incendiar o bairro inteiro.”


A discussão sobre o papel de David Cameron dá-me o pretexto para passar à imprensa anglo-saxónica, onde as avaliações naturalmente divergem. Um dos textos mais elaborados, até porque recua até aos tempos em que o primeiro-ministro demissionário entrou na política é o de Martin Kettle no The Guardian: The downfall of David Cameron: a European tragedy. Nele discute-se a sua acção política nos últimos 20 anos, argumenta-se sobre até que ponto foi um eurocéptico e conclui-se citando um outro antigo primeiro-ministro: “Three years ago, in a comment on Cameron’s referendum pledge in the Bloomberg speech, Tony Blair likened it to a comedy western of the 1970s. “It reminds me a bit of the Mel Brooks comedy Blazing Saddles where the sheriff says at one point as he holds a gun to his own head: ‘If you don’t do what I want I’ll blow my brains out,’” Blair warned. This week, Cameron has done just that.”

A perspectiva de um editorial da Spectator, revista que apoiou o “leave”, é bem diferente, se bem que também descreva o fiasco político que constituiu a derrota no referendo, fiasco que, naturalmente, precipitou o pedido de demissão. A revista, no entanto, em In praise of David Cameron, considera que devemos recordá-lo por outros motivos: “This is how Cameron should be judged: on the results of his premiership, rather than the awful referendum campaign. Employment and disposable income are at record highs. The financial markets are in turmoil, but Britain is in a decent place to be able to deal with that: inflation is on the floor, so it can afford to rise. Crime is at its lowest level for 25 years. Thousands of schools have been freed from local authority control. Welfare has been reformed to make work pay. Inequality has been falling. This is David Cameron’s legacy to Britain.”

Já do muito material que encontrei na imprensa de Londres sobreo dia seguinte destaco dois trabalhos:
  • After the vote, chaos, um texto longo e informado da The Economist (que atrasou para hoje a saída para as bancas da sua edição para o Reino Unido), e que sistematiza as principais opções que terão de ser debatidas em Londres e depois negociadas com a União Europeia. Perspectiva? “What follows will be a new prime minister, volatile financial markets—and years of costly uncertainty”.
  • Brexit’s Economic Chill Depends on Three Unknowns é uma análise do Wall Street Journal que trata de elencar as principais incertezas: “Will uncertainty about what’s next, or falling financial-asset prices, have a chilling effect on investment and consumer spending in the U.K.? Will the U.K. struggle to maintain the same level of access to European and other markets for trade and investment? And will the British referendum result set off further political and economic fragmentation in Europe?”


No que diz respeito a posições editoriais e a textos de opinião mais veementes, os meus destaques são os seguintes:
  • Britain takes a leap into the dark, o preocupado editorial do Financial Times, um jornal que fez campanha pelo “remain”: “A country renowned for its conservatism and political stability has taken a leap into the dark. Many will blame an inept Remain campaign lacking in passion and underestimating the depth of resentment towards the metropolitan elite. Fears about immigration and its impact on local communities — more legitimate than many have admitted — trumped national economic self-interest. The slogan of “taking back control” resonated with people who see Europe as a continent in disarray.”
  • A tragic split, um outro editorial de uma publicação que também se manifestou pelo "remain", a revista The Economist, e que procura explicar “How to minimise e damage of Britain’s senseless, self-inflicted blow”. Até porque “This newspaper sees much to lament in this vote—and a danger that Britain will become more closed, more isolated and less dynamic. It would be bad for everyone if Great Britain shrivelled into Little England and be worse still if this led to Little Europe. The leaders of Leave counter with the promise to unleash a vibrant, outward-looking 21st-century economy. We doubt that Brexit will achieve this, but nothing would make us happier than to be proved wrong."
  • This is democracy in all its beauty and glory, um texto de Brendan O'Neill na Spectator, revista que, ao contrário das duas anteriores publicações, defendeu o “leave”. Pequeno extracto: “This result should send a clear warning to every politician and bureaucrat: do not dare to take the people for granted; do not presume that they think the same way as you do; do not underestimate their capacity to think about things and discuss them and to chuck out political ideas and systems they don’t like. (…) for now, let us marvel at the fact that democracy works, that democracy is powerful, and that the people can think for themselves.”
  • Why Brexit is worse for Europe than Britain, uma opinião de Lawrence H. Summers, que foi secretário de Tesouro de Bill Clinton, e que no Washington Post faz uma observação que me parece muito pertinente (e preocupante): “After Brexit, Trump, Sanders and the misforecast British and Canadian general elections, it should be clear that the term political science is an oxymoron. Political events cannot be reliably predicted by pollsters, pundits or punters. All three groups should have humility going forward. In particular no one should be confident about the outcome of the U.S. presidential election.”
  • Brexit: a vote that changes everything, um texto verdadeiramente furioso do principal colunista de temas políticos do Financial Times, Philip Stephens, que se mostra muito preocupado com o que pode suceder à posição e papel que o Reino Unido tem no Mundo: “The world no longer belongs to the west. Liberty, democracy, the rule of law — the values that Britain often claims as its own — are under challenge. Europe, for all its flaws and annoyances, was the agency through which Britain could make a difference.  For much of the past 70 years Britain has sought, in the words of one former foreign secretary, to punch above its weight in global affairs. Now it plans to withdraw into itself. Yet going it alone ignores at once the international nature of Britain’s interests and the stark geopolitical realities. How long before the regret sets in?”
  • After Brexit, Europe faces an existential crisis, uma análise de Peter Foster, o editor de assuntos europeus do Telegraph, jornal que esteve pelo “leave”, e que, pelo menos na frente das relações exteriores, manifesta preocupações que não andam muito longe das de Philip Stephens: “The unavoidable reality is that as globalisation continues, in terms of trade share, innovation capacity and population, Europe is shrinking relative to the rest of the world. The truly existential crisis for Europe is therefore how to combat that intoxicating populist narrative and drive through the kind of structural economic reforms that will prevent Europe (as distinct from the EU) from sliding into irrelevance and geo-political old age.”


Poderia acabar por aqui, até porque os pontos referidos por estes dois últimos autores são de especial importância, mas esta semana devo também chamar-vos a atenção para a minha habitual conversa semanal com Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto, que inevitavelmente abordou o Brexit. E deixou um conselho pertinente: A União Europeia não deve negociar de cabeça quente(o podcast pode ser subscrito aqui). São, recordo, duas das vozes mais informadas (e experientes) em assuntos internacionais do país, pelo que esta conversa é mais excepcional do que já costuma ser excepcional.

Vai longa esta newsletter, mas hoje não foi um dia comum. Tenham um bom descanso, um melhor fim-de-semana, que nos reencontramos na segunda-feira.

 
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