quinta-feira, 5 de novembro de 2026

“Estar sozinho em casa não é uma comédia”: Aldeias de Crianças SOS lançam campanha de Natal e apelam à solidariedade dos portugueses

 Inspirada num clássico do cinema natalício, esta campanha recorda que nenhuma criança deve crescer sem cuidado, proteção e alguém com quem contar. A iniciativa apela à solidariedade dos portugueses para que mais crianças e jovens possam crescer cuidadas, protegidas e com o afeto de que precisam.
No cinema, uma criança sozinha em casa faz-nos rir. Na vida real, crescer sem cuidado, proteção e alguém com quem contar não é uma comédia. É esta a mensagem da campanha de Natal das Aldeias de Crianças SOS, que recupera o imaginário de um dos filmes mais emblemáticos da época para sensibilizar os portugueses para a importância de uma infância protegida e apelar à solidariedade.
 
A campanha já arrancou e os donativos podem ser realizados através do website das Aldeias de Crianças SOS, em https://www.aldeias-sos.org/como-ajudar/campanhas/natal/2026/estar-sozinho-em-casa-nao-e-uma-comedia-2026. O valor angariado irá contribuir para dar continuidade ao trabalho da instituição junto de crianças, jovens e famílias.
“Todos nos lembramos das aventuras de uma criança que fica sozinha em casa no Natal. Mas, fora do cinema, crescer sozinho tem de nos mobilizar a todos. Todas as crianças precisam de sentir que existe alguém que as ouve, protege e acompanha, nos momentos bons e nos mais difíceis. É esse o verdadeiro significado de cuidar e é também a razão pela qual trabalhamos todos os dias”, afirma Guida Mendes Bernardo, Diretora-Geral das Aldeias de Crianças SOS.
 
Estar sozinho nem sempre significa não ter ninguém por perto. Uma criança pode estar rodeada de adultos e, ainda assim, não receber o cuidado e a atenção de que precisa. Em Portugal, esta realidade continua a exigir atenção: em 2025, as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens receberam mais de 60 mil comunicações de situações de perigo, com a negligência e a violência doméstica entre as problemáticas mais frequentemente identificadas.
 
Todos os anos, as Aldeias de Crianças SOS apoiam mais de 500 crianças e jovens e mais de 200 famílias, através de programas que procuram fortalecer as famílias, prevenir situações de perigo e garantir que as crianças crescem em ambientes seguros e protetores. Com a campanha “Estar sozinho em casa não é uma comédia”, a Associação convida os portugueses a olhar para além da ficção e a contribuir para que nenhuma criança tenha de crescer sozinha.
 
O Natal é um momento fundamental para a solidariedade, mas as necessidades reais das crianças e das famílias que as Aldeias de Crianças SOS acompanham são permanentes. O apoio da sociedade é fundamental para dar continuidade ao trabalho da organização, garantindo que mais crianças e jovens crescem com o cuidado, a proteção e as relações afetivas de que precisam.  Os donativos angariados através da campanha vão contribuir para assegurar a continuidade do acompanhamento de crianças, jovens e famílias, permitindo à organização desenvolver respostas que promovem relações mais seguras e protetoras e ajudam a prevenir situações de vulnerabilidade.
 
A campanha “Estar sozinho em casa não é uma comédia” está presente nas plataformas digitais e nas redes sociais das Aldeias de Crianças SOS.
 
*Mafalda Gomes
Account Director

Cantanhede | Espaço museológico acaba de assinalar o 25.º aniversário. Executivo Municipal reuniu no Museu da Pedra

 
O Executivo Municipal reuniu terça-feira, 3 de novembro, no Museu da Pedra, iniciando desta forma um ciclo de reuniões descentralizadas, tendo, em simultâneo, assinalado o 25.º aniversário deste espaço museológico, comemorado recentemente.
A anteceder a reunião, os vereadores visitaram os diversos espaços do museu, com destaque para o novo segmento expositivo. Intitulado “O Mundo Invisível do Jurássico”, este novo módulo, instalado na sala geológica do museu, convida à descoberta de uma dimensão menos conhecida da vida que floresceu há milhões de anos nos mares de Cantanhede.
Para a presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio, a realização da reunião do Executivo no Museu da Pedra tem um duplo significado: por um lado assinala o 25.º aniversário, por outro sublinha a importância da Cultura nas políticas municipais.
“A Cultura é um motor essencial para o desenvolvimento dos territórios”, porquanto “contribui para a valorização da identidade local, a preservação das tradições e o fortalecimento da comunidade”, observou.
Ainda de acordo com a autarca, o Museu da Pedra tem “uma grande importância histórica, cultural e científica”, pois valoriza uma das maiores riquezas naturais da região - a pedra calcária de Cantanhede, também conhecida como Pedra de Ançã -, assumindo-se como “um espaço que liga o passado ao presente e ajuda a transmitir este conhecimento às gerações futuras”.
Também o vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso, salientou a importância do Museu da Pedra enquanto “referência na museologia, um polo de dinamização educativa e cultural e de atração turística e um centro de saber que orgulha profundamente a nossa região”.
“A inovação, as exposições marcantes, o trabalho e rigor científico, e as dinâmicas educativas e culturais para todas as gerações, marcaram este percurso de excelência de 25 anos, e cujo sucesso é o resultado direto de todos aqueles que fizeram parte desta belíssima caminhada, desde a criação do museu até ao presente”, referiu, concluindo que “o Museu da Pedra é simultaneamente uma homenagem à nossa herança e um monumento ao nosso futuro, e por isso o momento perfeito para honrar o passado e uma oportunidade para olhar o futuro com ambição, para construir mais 25 anos de sucesso, de inspiração e de excelência”.
Depois da reunião do Executivo Municipal, foi descerrada uma lápide que assinala o 25.º aniversário do museu.
Inaugurado a 20 de outubro de 2001, o Museu da Pedra integra, desde a sua fundação, a RPM - Rede Portuguesa de Museus e pertence também à MC2P - Associação de Museus e Centros de Ciência de Portugal e é parceiro do Roteiro de Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal.
Galardoado pela Associação Portuguesa de Museologia com a Menção Honrosa de Melhor Museu Português do Triénio 1999/2001, foi também distinguido com o Prémio Nacional de Geoconservação 2006, atribuído pela ProGEO - Associação Europeia para a Preservação do Património Geológico.
Em 2024, o calcário de Ançã foi reconhecido como Pedra Património Mundial, pelo conselho da IUGS Subcommission Heritage Stones, organismo da UNESCO.


ANAM propõe criação de Fundo de Catástrofe, Emergência e Adaptação Climática para reforçar a resiliência dos municípios

 No parecer sobre o Orçamento do Estado para 2027, já enviado à Assembleia da República e ao Governo, a Associação defende também a continuidade do investimento na coesão territorial e o reforço dos meios das Assembleias Municipais.

A Associação Nacional de Assembleias Municipais (ANAM) propõe a criação de um Fundo de Catástrofe, Emergência e Adaptação Climática, com financiamento permanente e previsível, destinado a apoiar os municípios na prevenção de riscos, na resposta a situações de emergência e na recuperação dos territórios afetados por fenómenos extremos. A proposta consta do parecer da ANAM sobre a Proposta de Lei do Orçamento do Estado (OE) para 2027, já remetido ao Presidente da Assembleia da República, ao Ministro da Economia e da Coesão Territorial e ao Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território.
O documento apresenta o contributo da Associação para o debate orçamental, reconhecendo os avanços no financiamento do Poder Local e identificando medidas que considera importantes para reforçar a capacidade de resposta das autarquias e promover uma descentralização equilibrada e sustentável.
“Os municípios estão na primeira linha da resposta às necessidades das populações, incluindo perante situações de emergência e fenómenos climáticos extremos. É, por isso, importante dotar o Poder Local de instrumentos financeiros que permitam planear, prevenir e responder a estes desafios com maior previsibilidade, protegendo simultaneamente a capacidade de investimento e a qualidade dos serviços públicos. O nosso parecer procura contribuir construtivamente para esse objetivo, identificando soluções que reforcem a resiliência dos territórios e a qualidade da democracia local”, afirma Fernando Santos Pereira, Presidente da ANAM.
A ANAM considera que os riscos climáticos — incluindo cheias, tempestades, incêndios rurais, secas e ondas de calor — exigem uma resposta financeira estruturada, que não dependa exclusivamente de mecanismos de emergência acionados após a ocorrência dos danos.
O Fundo de Catástrofe, Emergência e Adaptação Climática, que a Associação já tinha proposto no âmbito do Grupo de Trabalho para a Revisão da Lei das Finanças Locais, pretende assegurar uma resposta mais estável e abrangente a estes desafios.
Entre as medidas defendidas estão a inscrição de uma dotação anual no Orçamento do Estado, calculada com base numa percentagem do Fundo de Equilíbrio Financeiro a definir por lei, a possibilidade de transitar os saldos não utilizados para os anos seguintes e o financiamento de ações de prevenção e adaptação climática, além da reparação dos danos provocados por catástrofes.
No parecer sobre o OE 2027, a ANAM defende igualmente que a recuperação dos equipamentos públicos afetados pela tempestade Kristin e pelas ocorrências subsequentes beneficie de uma comparticipação de 100% das despesas elegíveis do Fundo de Emergência Municipal, acompanhada do alargamento do prazo de candidaturas. O objetivo é permitir que os municípios recuperem as infraestruturas e os equipamentos ao serviço das populações sem comprometer outros investimentos e serviços públicos.
Coesão territorial como prioridade do Poder Local
A ANAM destaca também a importância de manter uma política consistente de coesão territorial, capaz de responder às desigualdades entre o litoral e o interior, entre áreas urbanas e territórios de baixa densidade.
Embora reconheça positivamente o reforço das transferências para os municípios, que atingem 4.676,8 milhões de euros em 2027, mais 266 milhões de euros do que em 2026, a Associação considera necessário continuar a investir em mecanismos que promovam a convergência territorial e reforcem a capacidade dos municípios mais vulneráveis.
O combate ao despovoamento, a atração de investimento, a criação de emprego qualificado e o acesso equitativo aos serviços públicos devem, na perspetiva da ANAM, permanecer no centro das políticas nacionais, através de uma estratégia de desenvolvimento territorial sustentada e de longo prazo.
Reforçar as Assembleias Municipais e a qualidade da democracia local
O parecer sublinha ainda a importância de valorizar as Assembleias Municipais enquanto órgãos deliberativos e de fiscalização democrática do Poder Local. Para a ANAM, o aprofundamento da descentralização deve ser acompanhado por melhores condições para o exercício das funções de acompanhamento, escrutínio e avaliação da atividade dos executivos municipais.
“Neste sentido, a Associação propõe a criação de um Programa de Modernização e Valorização das Assembleias Municipais, que contemple dotações mínimas de funcionamento, apoio técnico independente, formação dos eleitos locais e mecanismos reforçados de transparência e participação cidadã”, acrescenta Fernando Santos Pereira.
Entre as medidas concretas, destaca-se a definição de um orçamento de funcionamento adequado à dimensão de cada município e a possibilidade de as Assembleias Municipais emitirem parecer prévio sobre os seus próprios orçamentos, reforçando a sua autonomia e capacidade de fiscalização.
Com este parecer, a ANAM pretende contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas dirigidas ao Poder Local, promovendo soluções que conciliem a sustentabilidade financeira dos municípios, a coesão territorial, a capacidade de resposta às emergências e o reforço da democracia local.
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Agradecemos a divulgação jornalística do parecer da ANAM sobre o OE 2027 e das propostas que apresenta e ficamos disponíveis para informações adicionais.
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*Alexandra Martins
Head Clientes Porto e Norte

Concurso Público para a Requalificação da Mata Municipal de Ansião aberto até 4 de de janeiro


O Concurso Público de Conceção para a Recuperação, Valorização e Requalificação da Mata Municipal de Ansião está aberto até 4 de janeiro de 2027, no seguimento da aprovação unânime na reunião da Câmara Municipal de Ansião do passado dia 8 de outubro. Este procedimento prevê a atribuição de um prémio monetário no valor de 25.000 euros ao trabalho classificado em primeiro lugar, para uma intervenção que visa dotar aquele espaço verde de soluções concretas, sustentáveis e resilientes às alterações climáticas, potenciando a sua regeneração vegetal e biodiversidade, face aos danos decorrentes da Tempestade Kristin, bem como a sua utilização comunitária nas vertentes de lazer, atividade física, cultura e educação ambiental. Quanto ao valor máximo de referência para a execução da intervenção objeto deste concurso, ele é fixado em um milhão de euros.
Sobre este procedimento, o Presidente da Câmara Municipal de Ansião, Jorge Cancelinha, refere que este modelo de concurso constitui uma oportunidade para atrair conhecimento especializado e diferentes abordagens à recuperação e valorização da Mata Municipal. “Queremos abrir espaço à participação de diferentes atores, permitindo que apresentem as suas ideias e soluções para o futuro deste espaço. Acreditamos que esta diversidade de propostas será uma mais-valia para o resultado final, contribuindo para uma intervenção mais qualificada, sustentável e ajustada às necessidades do concelho”, destaca o autarca.
Jorge Cancelinha acrescenta que o objetivo passa por criar um espaço capaz de responder às atividades promovidas pelo Município, mas também de potenciar a utilização e as funcionalidades dos equipamentos existentes na sua envolvente, nomeadamente a escola, o pavilhão gimnodesportivo, a piscina municipal e o Centro Cultural. “Pretendemos que a Mata Municipal seja um espaço de referência para a comunidade, articulado com os equipamentos que a rodeiam e capaz de acolher e valorizar as atividades que integram, ao longo de todo o ano, a programação municipal e associativa, contribuindo para dinamizar a vida da vila de Ansião. Tudo isto sem descurar a preservação e a valorização ambiental deste espaço verde, que constitui um verdadeiro pulmão no centro da vila e cujo património natural queremos recuperar, proteger e potenciar, promovendo a biodiversidade e uma relação cada vez mais próxima da população com a natureza”, conclui o autarca.
Para além da recuperação e valorização do coberto vegetal e das estruturas existentes, as propostas podem prever diversas potencialidades, desde estruturas de apoio, atividades culturais, circulação pedonal, entre outras, desde que funcionalmente justificadas pela utilização pública da Mata Municipal de Ansião e devidamente integradas na solução arquitetónica, paisagística e ambiental proposta. Quanto ao júri deste concurso, é composto por três elementos externos à autarquia ansianense, profissionais das áreas de arquitetura, arquitetura paisagística e engenharia florestal, sendo que o vencedor deverá ser conhecido no início de 2027.
Quanto às diretrizes deste Concurso Público de Conceção para a Recuperação, Valorização e Requalificação da Mata Municipal de Ansião, que compreende a totalidade da sua área - com uma superfície de referência aproximada de 14.807 metros quadrados -, abrangem quatro áreas: Estratégia de Rearborização, Seleção de Espécies, Regeneração Natural e Evolução Temporal, sendo que os projetos apresentados devem salvaguardar não só as disposições e restrições fixadas pelo Plano Diretor Municipal de Ansião, mas também as restrições impostas pelos regimes jurídicos da Reserva Ecológica Nacional e das linhas de água.
O Município de Ansião informa ainda que os interessados poderão aceder à documentação relativa a este procedimento no respetivo site oficial: https://www-cm.ansiao.pt/.

*RITA PIRES
Gabinete de Comunicação e Imprensa

Universidade de Évora - Porque é que nem sempre escolhemos alimentos sustentáveis? Estudo identifica os principais fatores que influenciam os consumidores

 
Estudo de investigadoras portuguesas identifica os principais fatores que condicionam as escolhas alimentares e evidencia a distância entre as preocupações dos consumidores e os seus comportamentos de compra.

Universidade de Évora, 05 de novembro de 2026
A preocupação com a saúde e o ambiente tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante nas escolhas alimentares. Ainda assim, reconhecer a importância de uma alimentação sustentável não significa, necessariamente, optar por produtos mais responsáveis no momento da compra. O preço, a disponibilidade dos alimentos, os hábitos de consumo e a confiança na informação disponibilizada aos consumidores estão entre os fatores que ajudam a explicar esta diferença.
Esta é uma das principais conclusões de um estudo desenvolvido por Eunice Venâncio, recém-diplomada do Programa de Doutoramento em Agronegócios e Sustentabilidade, por Maria Raquel Lucas, investigadora da Universidade de Évora (MED&CHANGE), e Ana Marta-Costa, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (CETRAD). A investigação foi publicada na revista científica internacional The International Review of Retail, Distribution and Consumer Research.
Intitulado Factors influencing food consumption in a sustainability context: systematic literature review, o trabalho procura compreender os fatores que influenciam as escolhas alimentares num contexto de sustentabilidade e identificar os principais obstáculos à adoção de práticas de consumo mais responsáveis.
Os resultados mostram que as decisões alimentares resultam da interação entre fatores individuais, económicos, sociais e culturais. As preocupações com a saúde e o ambiente coexistem com critérios como o preço e o sabor dos alimentos, os hábitos de consumo, as tradições culturais e a influência da família e dos amigos.
A informação disponível também desempenha um papel importante, assim como a confiança nos rótulos e nas certificações, que podem ajudar os consumidores a identificar produtos alinhados com as suas preocupações ambientais e de saúde.
Esta diversidade de fatores demonstra que as escolhas alimentares não dependem exclusivamente da consciência ambiental ou do conhecimento sobre os benefícios de uma alimentação sustentável. As decisões são igualmente condicionadas pelas circunstâncias económicas, pela oferta disponível e pelas rotinas de consumo.
Um dos aspetos centrais identificados no estudo é a diferença entre aquilo que os consumidores dizem valorizar e aquilo que efetivamente compram e consomem.
Mesmo quando existe vontade de adotar uma alimentação mais sustentável, há obstáculos que podem impedir essa mudança. Os preços elevados, a disponibilidade limitada de produtos e a falta de informação clara e credível dificultam a concretização de escolhas mais responsáveis.
O sabor dos alimentos, os hábitos adquiridos e as tradições culturais são igualmente relevantes. Alterar os padrões de consumo implica, por isso, mais do que sensibilizar os cidadãos para as consequências ambientais e os benefícios para a saúde das suas escolhas alimentares.
A confiança na informação disponibilizada aos consumidores constitui outro elemento importante. Os rótulos e as certificações podem facilitar a identificação dos produtos, mas a sua influência depende da credibilidade da informação e da capacidade dos consumidores para a interpretar.
As conclusões da investigação apontam para a necessidade de ultrapassar uma abordagem centrada exclusivamente na responsabilidade individual. Embora as escolhas dos consumidores sejam importantes, a adoção de padrões alimentares mais sustentáveis depende também das condições em que essas escolhas são feitas.
Segundo os resultados do estudo, é fundamental criar condições que tornem as opções sustentáveis mais acessíveis, economicamente viáveis, atrativas e fáceis de identificar. O objetivo passa por reduzir os obstáculos que separam a intenção de consumir de forma responsável da possibilidade efetiva de o fazer.
Esta perspetiva tem implicações para diferentes intervenientes do sistema alimentar, desde as empresas agroalimentares e os distribuidores até aos decisores políticos e às organizações da sociedade civil.
O conhecimento dos fatores que influenciam as decisões de compra pode contribuir para desenvolver estratégias de comunicação e comercialização mais eficazes, bem como políticas públicas capazes de promover sistemas alimentares mais sustentáveis, saudáveis e socialmente inclusivos.
Ao evidenciar a distância entre as preocupações declaradas pelos consumidores e os seus comportamentos efetivos, o estudo contribui para uma compreensão mais abrangente dos desafios associados à transição para padrões de consumo alimentar mais responsáveis.
Para compreender o que determina as escolhas dos consumidores, as investigadoras analisaram 110 artigos científicos publicados entre 2010 e 2024, através de uma revisão sistemática da literatura.

* Divisão de Comunicação da Universidade de Évora
Andreia Rosa [Coordenação]
Marco Cardoso [Ciência e Investigação] 
Pedro Conceição [Institucional] 



Câmara de Águeda “regressa à escola” com programa de sensibilização ambiental sobre rios

Iniciativa abrange as 23 turmas do 4.º ano do concelho de Águeda e promove a sensibilização para a conservação dos rios e dos recursos hídricos
O Município de Águeda deu início a uma nova edição do programa de educação e sensibilização ambiental “Rio de Todos e Meu Rio”, que, ao longo do ano letivo corrente (2026/2027), vai envolver cerca de 500 alunos das 23 turmas do 4.º ano de escolaridade do concelho.
A primeira sessão decorreu na semana passada na EB Artur Nunes Vidal, em Fermentelos, dando início a um conjunto de atividades que pretende sensibilizar os mais jovens para a importância da preservação dos rios, da biodiversidade e dos recursos hídricos. Ontem foi a vez do Centro de Interpretação do Rio receber a “comitiva” da Escola Básica António Graça, de Barrô.
Esta ação, que integra o programa de sensibilização ambiental, educação para a sustentabilidade e ciência do Município de Águeda, é realizada, desde 2019, nos estabelecimentos de ensino do concelho e, desde 2025, também no Centro de Interpretação do Rio, tendo abrangido um total de mais de 3 800 alunos.
Para Edson Santos, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Águeda, “esta é uma das muitas medidas de sensibilização e sustentabilidade ambientais que implementamos”, alinhada com uma estratégia mais ampla que envolve, entre outras, a reabilitação dos nossos rios e ribeiras, a proteção dos recursos naturais e a atividade do Centro de Interpretação do Rio, dedicado à divulgação dos ecossistemas de água doce e dos projetos de conservação da natureza.
“É fundamental aproximar as crianças dos nossos rios e sensibilizá-las para a conservação da natureza. Ao conhecerem melhor os nossos recursos hídricos e a biodiversidade, os mais jovens ficam mais bem preparados para assumir um papel ativo na sua proteção”, defende Edson Santos.
As sessões promovidas no âmbito deste programa municipal incluem atividades lúdico-pedagógicas sobre o uso eficiente da água, as espécies de peixes nativas, o restauro de habitats, as espécies invasoras e a continuidade fluvial. Os alunos são também convidados a refletir sobre o seu papel na proteção da natureza e a importância de adotar comportamentos sustentáveis.
Na componente “O Meu Rio”, as crianças exploram de forma interativa a biodiversidade dos rios da região e conhecem melhor, podendo personalizar um peixe autóctone que integrará o ambiente virtual do rio.
As atividades podem decorrer tanto nas escolas, com a possibilidade de uma visita posterior ao C-Rio, ou diretamente neste equipamento municipal.
Refira-se ainda que iniciativa integra as ações de comunicação e disseminação do projeto LIFE REVIVE, dedicado à implementação de soluções para mitigar as pressões hidromorfológicas e melhorar o estado ecológico das bacias hidrográficas dos rios Lima e Vouga, reforçando o trabalho de educação ambiental e conservação dos ecossistemas ribeirinhos.
Mais informações contactar através do e-mail centrodorio@cm-agueda.pt ou do telefone 234 180 197.

*Ana Sofia Pinheiro
Técnica Superior
Gabinete de Comunicação e Imagem



Gruta do Escoural ganha gémeo digital para reforçar a preservação e valorização do património

 
A Universidade de Évora participa no desenvolvimento do gémeo digital da Gruta do Escoural, em Montemor-o-Novo, no âmbito do projeto Digital Twins for Smart, Sustainable Tourism and Cultural Heritage Preservation, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Esta iniciativa visa desenvolver soluções digitais inovadoras para a gestão, preservação e valorização do património cultural, tendo a Gruta do Escoural como um dos casos de aplicação.

Universidade de Évora, 04 de novembro de 2026
Os trabalhos desenvolvidos por investigadores da Universidade de Évora, nomeadamente por Teresa Teves Reis, do Laboratório HERCULES; Pedro Nogueira e Diogo São Pedro, do Laboratório GEO-DS e do Instituto de Ciências da Terra; Oumaima Mesbahi, do CREATE; e Ana Temudo e Elisabete Pereira, do polo da Universidade de Évora do IHC, incluem o mapeamento da gruta com recurso à tecnologia LiDAR, que permite obter uma representação tridimensional detalhada da cavidade, a instalação de sensores para a monitorização ambiental e a criação de conteúdos para uma visita virtual.
Estas ferramentas permitem aprofundar o conhecimento sobre o monumento, acompanhar as suas condições ambientais e apoiar a sua gestão e salvaguarda. De referir ainda a participação de Marius Araújo, técnico superior do ARTERIA_Lab, da Universidade de Évora, na componente relativa à instalação e implementação dos sensores.
A criação deste gémeo digital constitui um contributo importante para a documentação e preservação de um património arqueológico de elevado valor, permitindo integrar informação espacial e ambiental numa representação digital do monumento.
Construída a partir de um rigoroso levantamento 3D da Gruta do Escoural, disponibilizado pelo Município de Montemor-o-Novo, esta nova aplicação permite, pela primeira vez, realizar uma visita virtual integral ao interior da cavidade. Através desta tecnologia, o público pode explorar as galerias mais profundas do monumento, incluindo áreas de acesso condicionado por motivos de conservação e segurança.
Esta iniciativa representa um marco na salvaguarda e divulgação do património local e resulta de um esforço conjunto e de parcerias institucionais fundamentais. O projeto contou com a colaboração de entidades como a Universidade Nova de Lisboa, a Universidade de Évora e o Património Cultural, I.P., no âmbito do financiamento do PRR.
Recorde-se que a Gruta do Escoural se encontra temporariamente encerrada para a realização de trabalhos de manutenção essenciais, estando prevista a sua reabertura no início de dezembro. Contudo, a nova solução tecnológica permite manter acessível a exploração virtual do monumento. Esta aposta na digitalização democratiza o acesso ao conhecimento e reforça a vertente educativa do espaço.

Nota:
Neste âmbito, o Município de Montemor-o-Novo assinalou, no Centro Interpretativo da Gruta do Escoural, a apresentação pública da nova aplicação de realidade virtual (VR), desenvolvida pela equipa do projeto Gémeos Digitais. Estiveram presentes, em representação do Município, o presidente da Câmara Municipal, Carlos Pinto de Sá, a vereadora Paula Martins e os vereadores António Pinto Xavier e Gonçalo Simões, bem como o presidente da Junta de Freguesia de Santiago do Escoural. Marcaram igualmente presença representantes do Património Cultural, I.P., da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Évora.

*Divisão de Comunicação da Universidade de Évora
Andreia Rosa [Coordenação] 
Marco Cardoso [Ciência e Investigação]
Pedro Conceição [Institucional]