Estudo realizado na Herdade Experimental da Mitra (Universidade de Évora) demonstra que uma mistura de cascas de noz e biochar pode substituir 20% da fibra de coco de um substrato
hortícola, mantendo a produtividade da alface e reduzindo em 61% a concentração de nitratos nas folhas.
Universidade de Évora, 06 de setembro, 2026
Uma equipa multidisciplinar da Universidade de Évora avaliou o potencial das cascas de noz trituradas, um subproduto da indústria agroalimentar, como componente de substratos
para a produção de alface em estufa. O estudo, publicado na revista científica internacional Horticulturae, reuniu investigadores das áreas das Ciências Agrárias e da Química e Bioquímica, envolvendo o Instituto Mediterrâneo para
a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) e do Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade (CHANGE).
No ensaio, conduzido na Herdade Experimental da Mitra, foram comparadas diferentes misturas de fibra de coco, cascas de noz e biochar, um material rico em carbono obtido por transformação termoquímica de biomassa.
Entre as formulações estudadas, destacou-se a combinação de 80% de fibra de coco, 12% de cascas de noz e 8% de biochar (em volume). Este substrato permitiu obter uma produtividade de 7,1 kg de alface fresca por metro quadrado, comparável à registada com o substrato de referência, constituído exclusivamente por fibra de coco.
A concentração de nitratos nas folhas diminuiu cerca de 61%, passando de aproximadamente 4130 para 1600 mg/kg de matéria fresca. Verificou-se também um aumento do teor de antocianinas, compostos naturais da família
dos flavonoides associados à atividade antioxidante.
“Os resultados mostram que a composição dos substratos pode influenciar não apenas a produtividade das culturas, mas também características importantes
da qualidade dos produtos hortícolas”, destacam Rui Machado, Rui Ferreira e Isabel Alves Pereira, investigadores do MED.
Ao explorar uma nova utilização para as cascas de noz, a investigação contribui para o desenvolvimento de soluções alinhadas com os princípios
da economia circular e para a diversificação das matérias-primas utilizadas na horticultura, com potencial para reduzir a dependência
de materiais importados.
A investigação constitui um passo promissor para a valorização de resíduos agroindustriais e para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas
na horticultura, sendo necessário prosseguir os estudos para otimizar as formulações, a gestão da rega e a sua aplicação em diferentes culturas e condições de produção.
* Divisão de Comunicação da Universidade de Évora
Andreia Rosa [Coordenação]
Marco Cardoso [Ciência e Investigação]
Pedro Conceição [Institucional]
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