terça-feira, 13 de outubro de 2026

Alentejo testa o futuro do hidrogénio renovável

 
Produção em Sines, utilização em edifícios de Évora, mobilidade no Alandroal e uma comunidade energética na Ilha de Culatra são algumas das aplicações concretas previstas pelo projeto H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora.

Universidade de Évora, 13 de outubro de 2026

Mais do que produzir hidrogénio renovável, o projeto H2tALENT pretende demonstrar, em condições reais, como este combustível pode ser integrado em diferentes setores. Para isso, o projeto está ligado a vários locais de implementação que funcionarão como “laboratórios vivos” para demonstração, experimentação e formação.

No Alandroal, o projeto prevê apoiar a conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas movidos a hidrogénio. A mobilidade será assim uma das áreas em que a tecnologia será testada diretamente no território, incluindo a utilização de veículos movidos a hidrogénio.

Em Évora, o foco estará na utilização do hidrogénio no sistema de aquecimento edifícios. Entre as demonstrações previstas encontra-se a utilização de um misturador de hidrogénio e gás natural na piscina municipal, permitindo testar uma aplicação concreta do hidrogénio renovável no setor dos edifícios.

Já na Ilha de Culatra, o projeto terá uma vertente diferente, centrada no desenvolvimento de uma comunidade de energia renovável, com armazenamento de energia eléctrica na forma de hidrogénio e a sua integração com redes inteligentes. Desta forma, o sistema funcionará como uma “bateria de hidrogénio”, produzindo hidrogénio renovável com o excesso de energia eléctrica na altura de maior produção solar, armazenando esse hidrogénio para produzir novamente energia eléctrica na altura de maior demanda e menor produção solar.

Estas aplicações complementam a componente de produção prevista para Sines, onde está projetada uma unidade de produção de hidrogénio renovável de 15 megawatts. O hidrogénio renovável produzido poderá ser posteriormente injectado na rede de gás natural e/ou transportado para diferentes locais de utilização, permitindo testar uma cadeia que vai da produção ao transporte, armazenamento e consumo.

“Pretendemos ir desde a produção de hidrogénio renovável até ao transporte e à utilização, cobrindo toda a cadeia de valor”, explica Hugo Gonçalves Silva, professor do Departamento de Física da Universidade de Évora e coordenador do H2tALENT.

No conjunto, o projeto prevê a produção de mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano, destinadas a diferentes aplicações na indústria, mobilidade e edifícios.
Iniciado em 2024 e com duração prevista até 2030, o H2tALENT pretende criar um Vale do Hidrogénio no Alentejo, aproveitando infraestruturas existentes e novos investimentos para desenvolver e testar soluções ao longo de toda a cadeia de valor.

A dimensão internacional é outra das componentes do projeto. O consórcio reúne 29 parceiros de sete países, incluindo universidades, empresas, municípios, centros tecnológicos e entidades públicas, procurando transformar os resultados obtidos nos locais de demonstração em soluções que possam ser replicadas noutras regiões.

Através destes “laboratórios vivos”, o H2tALENT pretende, assim, passar da investigação e do planeamento para a demonstração de aplicações concretas, avaliando no terreno como o hidrogénio renovável pode ser integrado nos transportes, nos edifícios e nos sistemas energéticos locais.

Contactos: Divisão de Comunicação da Universidade de Évora
*Andreia Rosa 
**Marco Cardoso [Ciência e Investigação] 
***Pedro Conceição [Institucional] 

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